A ideia de escrever este texto surgiu no final da minha visita ao Memorial do Holocausto, em Berlim, Alemanha. Este memorial, como é sabido, está dedicado a todos os judeus barbaramente assassinados na Alemanha Nazi liderada pelo infâme Adolf Hitler.

O memorial do Holocausto pode ser definido como um espaço recheado de pedras, pintadas de cor cinzenta, de diferentes tamanhos, que se parecem a campas de um cemitério. Pode-se dizer, sem medo de errar, de que o memorial do holocausto é um lugar labirintoso e geometricamente irregular, com terreno ondulado que plagia uma curva sinusoidal. É uma desagradável estrutura de betão, o simbolismo ali impregnado tem como finalidade, entre outras, tentar imaginar o quão baixo o ser humano pode chegar até perder completamente a sua razão. Obviamente, pelo menos para mim, que é como que inimaginável colocar-se na pele de uma das vítimas do holocausto, como também é muito difícil descrever o estado de espírito do ser humano quando já não resta um pixel da razão.

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O meu passeio pelo “Holocaust Memorial”, que ocorreu o mês passado, de certa forma, levou a minha mente para os livros de história que falam sobre a escravatura e o colonialismo; os documentários que assisti no National Geographic da DSTV sobre a 2ªGuerra mundial e o Holocausto sobrevoaram minha mente; mais surpreendentemente, os livros que li sobre o 27 de Maio de 1977 não ficaram fora da minha mente; os relatos sobre o Setembro Vermelho na Jamba também marcaram presença na minha mente; o livro “Diamantes de Sangue: Corrupção e Tortura em Angola” do Rafael Marques foi levando em consideração pela mente. Com certeza! Esse “traslado para os livros” originou em mim uma espécie de reflexão incompleta e sem orientação. Convenhamos que é muito delicado sustentar uma reflexão que tenta indagar as razões que podem levar ao fim da razão na mente humana, quando se tenta perceber o quão vil e diabólico pode ser o ser humano. Entretanto, mais tarde percebi que o memorial do Holocausto não é tudo que os alemães fizeram para resgatar a sua história contemporânea e apresenta-la sem tabus e enganos à nova geração da Deutschland. Descobri que há todo um conjunto de memoriais que busca homenagear as vítimas da tirania, da arrogância, do autoritarismo, da intolerância, dos diversos tipos de discriminação em solo alemão, sendo claramente um esforço inequívoco de buscar a reconciliação e a pacificação dos espíritos. Além do memorial do holocausto, a Alemanha possui o memorial dos Ciganos, o memorial dos homossexuais, o grande memorial das vítimas da guerra e da tirania, e tantos outros. Ainda no principio do mês de Setembro, exactamente no dia 2, foi inaugurado na Alemanha o memorial nacional dedicado aos 300 mil enfermos e deficientes assassinados sistematicamente pelos nazistas durante a 2ªguerra mundial, sendo mais uma demonstração do compromisso dos alemães para com a paz e a reconciliação nacional.

Embora as barbaridades ocorridas na Alemanha já tenham mais de 50 anos, a imagem de Hitler, e o que representa, ainda tem muitos seguidores. Felizmente, a sociedade civil alemã está atenta a estes e a todos que tentam perverter os fundamentos de Estado democrático de direito. Depois da “bruta pancada” que recebeu do Nazismo, aquela sociedade valoriza e estima os direitos fundamentais do homem. Depois dos violentos golpes hitlerianos, aquela sociedade tem bem presente a consequências da ditadura, da cultura do medo e da intimidação. Depois da monstruosa e radical campanha propagandística denominada “Guerra Total” engendrada pelo senhor Paul Joseph Goebbels, político e ministro da propaganda durante o regime de Hitler, a sociedade alemã sabe que a “informação” não pode estar nas mãos de manipuladores e de malfeitores. Negligenciar isso numa sociedade que se quer aberta e unida na diversidade, pode ser fatal.

Terminantemente, aquela é uma sociedade que sabe (ninguém lhes contou) o quão perigoso e letal é, delegar demasiados poderes a um só homem. Contudo, o Estado alemão também tem um papel fundamental no controlo dos saudosistas hitlerianos. Segundo Markus Beckedahl, jornalista e fundador do Blog Netzpolitik.org, blog político direccionado, sobretudo, à politica alemã, uma das medidas tomadas pela Polícia Alemã e os Serviços de Segurança Interna visa o cadastro de todos aqueles que tendem a glorificar e endeusar a figura de Hitler ou propagar as teses nazistas no actual contexto politico e social do país. Um registo que serve apenas para vigia-los e assegurar que as suas acções não extravasem os limites da lei fundamental da Alemanha e nem perigue o esforço, numa perspectiva de catarse, que vem sendo empreendido pelos sucessivos governos e a mesmíssima sociedade civil.

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À dada altura da reflexão atrás referida, percebo que sou um cidadão angolano, em plena cidade de Berlim, estimando a coragem e audácia dos alemães em colocar no seu devido lugar a sua história contemporânea. Logo a seguir, pergunto-me se os angolanos estão num sono profundo. Parece absurdo ou exagerado que um angolano faça isso? Penso que não, principalmente quando olho para o meu umbigo, entenda-se o meu país, e dou conta que, se calhar, é exactamente isso que Angola precisa de fazer, isto é, honrar todas as vítimas dos nossos “holocaustos”. Salvaguardas às devidas distâncias (de todos os tipos, até geográficas) e contextos, não pude deixar de estabelecer um paralelismo com o meu país. Afinal, o que tivemos? O que temos? O que teremos? Nós, angolanos, já homenageámos – não falo de propaganda barata e sem escrúpulos – como deve ser todos aqueles que foram mortos por causa da intolerância, da tirania, da calúnia, da guerra fratricida, da arrogância, todos aqueles que foram assassinados simplesmente por que exprimiram o seu pensamento de forma livre e articulada ou será que deixaremos o tempo sarar as nossas feridas? Será que poderemos ter um verdadeiro desenvolvimento humano no país com tantas questões pendentes? Quando estaremos preparados para falar de forma aberta sobre assuntos do nosso passado sem que isso constitua um “crime de lesa pátria”? Os dois maiores partidos de Angola (MPLA e UNITA) já fizeram à devida mea-culpa? As elites políticas, económicas e intelectuais do país têm noção dos riscos que acarreta para as futuras gerações a supressão da nossa memória colectiva de importantíssimos factos da nossa história? Vamos colocar estas questões nalguma “gaveta poeirenta” da nossa memória ou de alguma biblioteca?

Penso que não é preciso ser cientista social, político ou outro tipo de cientista para se chegar à conclusão de que a estruturação de um exercício catártico para os angolanos é uma condição sine qua non para o seu desenvolvimento nas suas mais diversas dimensões. Ora bem, os exemplos que nos são fornecidos pela história universal são mais do que suficientes para provar o quão importante são esses exercícios para o país.

Acredito que se quisermos que o país que tenha verdadeiramente um rumo, precisamos de abordar o nosso passado com maturidade, seriedade e sobretudo com muita serenidade. Precisamos deixar que os rios de ideias e os mares de ideais, independentemente da sua proveniência política ou social, fluam com naturalidade na nossa terra, sem bloqueios estúpidos e covardes. Precisamos que a liberdade de expressão e de opinião seja um dos elos mais fortes da nossa sociedade. Precisamos que a comunicação social pública seja autêntica e virada para a cidadania. E como não podia ser diferente, precisamos de deixar de ver fantasmas em tudo o que se apresenta como crítica.

Só como nota final, penso que todos angolanos, absolutamente todos os angolanos, que perderam a vida nas circunstâncias acima referidas merecem todo o respeito e consideração. Só com o respeito pela pessoa humana poderemos atingir patamares mais elevados enquanto nação. Se realmente queremos construir uma…

 

Por Kady Mixinge

Hoje pelas 10h00 da manhã, um grupo de ativistas deslocou-se à Cidade Alta com o objetivo de fazer chegar um ofício ao Presidente da República.

Nessa carta, subscrita por 11 jovens ativistas, reivindica-se por celeridade no desfecho do caso que vitimou mortalmente o cidadão angolano, pai, engenheiro, professor e membro da juventude partidária da CASA-CE, Manuel Hilberto Ganga, um dos quadros que o próprio Presidente assumiu já serem poucos, justificando assim a solicitação de expatriados para nos darem uma “mãozinha” na reconstrução nacional.

José Eduardo, mesmo diante das revelações frescas que davam conta do duplo homicídio de Cassule e Kamulingue às mãos de agentes da Polícia Nacional e da Segurança de Estado e do seu próprio exército (a UGP) ter assassinado covardemente com um tiro pelas costas o nosso irmão Ganga, teve o desplante de vir, com o seu cinismo habitual, decretar que “O Estado não mata”. Quereria se calhar dizer “o Estado não deveria matar… infelizmente ainda o faz”.

Exorta-se em dita carta para que ele se digne “promover as diligências necessárias para a responsabilização dos culpados.” e recorda-se que, tal como sucedeu com Cassule e Kamulingue, não descansaremos enquanto a senhora com a balança na mão não deixar de espreitar por debaixo da venda.

Segue na íntegra:

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MANIFESTO

PELA CONCERTAÇÃO NACIONAL

 

    1. Conquistada a paz, os angolanos vivem momentos difíceis no processo de reconciliação nacional, verificando-se uma escalada progressiva de violência social que opõe os cidadãos às autoridades públicas, sendo comum a discriminação social dos cidadãos por razões de filiação partidária, religiosa, cultural, o espancamento e extorsão de zungueiras, moto-taxistas e outros agentes da economia informal, nas ruas e estradas, a interdição de manifestações pacíficas e o maltrato dos respectivos manifestantes;
    2. Situação de impunidade generalizada, corrupção, clientelismo e nepotismo que afectam os poderes públicos em prejuízo da realização dos interesses públicos, a ineficácia das políticas públicas de combate à fome e à pobreza e do plano nacional de desenvolvimento, estando Angola presa a um sistema económico centralizado em que o Estado joga um papel dominante nas relações económicas em detrimento da iniciativa individual dos angolanos;
    3. A falta de perspectivas de realização profissional e económica da maior parte da juventude derivada da ausência de um ensino de qualidade, a precariedade da estrutura de oportunidades, a ausência de um sistema de saúde pública que ofereça garantias de qualidade de vida aos cidadãos;
    4. Assim, impõe-se uma solução consentânea com as aspirações da maioria das cidadãs e dos cidadãos: a necessidade urgente de uma Concertação Política e Económica Nacional – pela implementação dos princípios do Estado de Direito e Democrático e da Economia de Mercado como objectivo do Estado angolano, consagrados na Constituição da República para uma sociedade tolerante e inclusiva, com espaços de realização política e económica dos cidadãos, consagrando o respeito das liberdades fundamentais pelas autoridades públicas e a realização de uma justiça imparcial pelos órgãos de justiça e afins, em prol do tratamento igual de todos os cidadãos perante a lei – por parte de todas as forças vivas da sociedade designadamente a sociedade civil, os partidos políticos, e o povo de uma maneira geral, através de um processo de discussão dos principais problemas da Nação, visando consensos pela estabilidade nacional.

 

Se, como angolano, em território nacional ou na diáspora, te revês nestes ideais, subscreve o MANIFESTO PELA CONCERTAÇÃO NACIONAL e desenvolvamos uma corrente de união entre angolanos para que Angola avance rumo ao desenvolvimento.

CONCERTAÇÃO NACIONAL, JÁ!

SUBSCREVE O MANIFESTO AQUI

 

 

 

 

Magno MagnoJuventude é a fase da vida onde a pessoa acerta as suas realizações com vista aquilo que será a sua imagem como jovem-adulto, adulto e depois velho.

Aqui em Angola, pode ser que tenha outro significado, pois o Estado vive à lés dos jovens e não esconde o medo que tem destes. Basta ver o que é feito contra os jovens que se manifestam e contra todo e qualquer jovem que ouse mostrar que tem uma mente própria. Dado o abandono, cada jovem procura o que fazer para poder sustentar as suas apetências e, às vezes, até o que fazer para poder sustentar a própria família.

Fiquei a saber que neste exato momento 67 angolanos definham em cadeias brasileiras devido ao tráfico de drogas. Apenas pelo tráfico, para já. E que em quase todos os voos do Brasil para Angola há no mínimo um angolano preso por causa desta bodega… O que surpreende é que são na maioria jovens e na faixa entre 18 e 25 anos de idade… enfim.

Tumba Esperança Muanda (Turância para alguns e Mamy para outros), 20 anos de idade., viajou para o Brasil no passado dia 17 de Agosto e no dia 24, quando já se dirigia para a porta do avião para embarcar no vôo de regresso à Luanda: záaaaaaaaas! Foi presa, porque encontraram na sua mala 4,14 kilos da mais pura cocaína!

Desde esse dia, até hoje, a família e os amigos não mais tiveram contacto com ela. Graças a diligências de pessoas de bem e um artigo encontrado online, ficou-se a saber que ela está nesta situação.

O Estado foi notificado por via de carta enviada pela família ao Ministério das Relações Exteriores e espera que este ajude.

Quem sabe desta vez o Estado angolano se digne em mostrar preocupação com tantos angolanos presos nas masmorras brasileiras, onde se conhecem casos de gente que fez de 12 a 20 anos por estes motivos.

Era bom tentar investigar um pouco, saber que acordos existem com relação a extradição de ambos os lados e quantos brasileiros estarão presos aqui em Angola.

De qualquer forma, o último caso de que temos conhecimento  é o da Turância, e com este veremos o quanto o Estado angolano se importa ou não, tanto com os seus cidadãos, como também com a juventude que por não ser bem cuidada acaba sendo aliciada com coisas deste tipo.

Para mim, a Turância não é a vilã, é apenas uma vítima. Vítima de algo que muitos de nós não entende nem sabe onde começou. Vítima do abandono a que a juventude é votada e vítima da falta de política juvenil do Estado. Vítima de alguém que decidiu aliciar uma jovem de 20 anos para o tráfico de drogas…enfim, vítima da falta de Angola. A Angola que todos nós lutamos e nós batemos para que exista.

Vou continuar aqui, na Angola esquecida a espera que o Estado me prove que vai levantar um palha para libertar os 60 e tal angolanos, portanto abandonados nas masmorras brasileiras.

Por Magno Magno

Nuno Alvaro Dala

“Se quem tem poder nega a tua liberdade, então o único caminho para a liberdade é o poder.” (Nelson Mandela)

Há três anos surgiram no cenário político angolano novos actores: os jovens revús, assim chamados no linguajar angolano para designar/definir os jovens activistas cívicos que têm realizado várias actividades cívico-sociais, como as manifestações no sentido da mudança do quadro político e social em Angola. As mesmas – a título de exemplo – têm consistido em exigir que o Presidente da República abandone o cargo, que haja efectiva liberdade de expressão e de imprensa em Angola, que as autoridades respeitem a dignidade de cidadãos como os vendedores de rua e zungueiros e que os direitos dos professores sejam salvaguardados ao contrário do que tem ocorrido em províncias como a Huila, em que o Governo Provincial tem reagido desastrosamente mal à greve dos professores.

Possuidores de uma coragem que a maioria dos angolanos não tem, os jovens revús – ao contrário de observações crítico-destrutivistas, que os remetem a meros instrumentos de agentes internos e externos que alegadamente conspiram contra Angola – tais jovens demonstram afinal possuírem um pensamento politico próprio segundo o qual – entre outras coisas -: (1) O Presidente da República, no poder a caminho de 35 anos, [já] é o principal obstáculo à realização política, social e cultural dos angolanos e, como tal, DEVE ABANDONAR O CARGO; (2) Há em Angola uma ditadura traduzida numa governação mafiosa assente na adulação/idolatria do PR, na depredação do erário publico, no nepotismo, na violação grosseira da Constituição, na corrupção e no assassinato de cidadãos contestatários ao regime, etc.; (3) A mudança em Angola já não é possível por meio de eleições, mas SIM PELA CONTÍNUA CONTESTAÇÃO POLÍTICA NAS RUAS e PELA DESOBEDIÊNCIA CIVIL, pois – além de não haver oposição política credível em Angola – as eleições são uma encenação politica “para inglês ver”, um mero instrumento de manutenção do regime de José Eduardo dos Santos…etc.

Este quadro de percepção política repousa sobre uma conjuntura em que as exigências dos jovens são essencialmente sociais. Mas as mesmas abarcam o campo político pela politização de que o estado angolano é também vitima. A falta de separação de poderes e a sobreposição do poder político a todos outros poderes fê-los enveredar para este campo também. No primeiro draft elaborado por eles (mas ainda não publicado) para tentar colocar por escrito o que são ou o que eles pretendem, eis o que se pode ler nalgumas passagens do documento: “Somos uma diversidade de jovens de vários estratos sociais, cores e credos, unidos em torno de uma causa, luta e propósito, o mesmo que é alegado por movimentos análogos por este mundo fora e que se pode resumir no discurso populista com a frase: ‘queremos deixar o mundo um sítio melhor para se viver do que aquele que encontramos’. Vemo-nos como parte integrante de um movimento social global, um movimento constituído por uma multitude de campos e formas de acção que, não sendo sempre compatíveis e concordantes, apontam, regra geral, no mesmo sentido: resgate do poder das mãos da classe política cada vez mais desconectada dos governados, para estruturas a nível mais local que possam tomar parte das decisões de como gerir os seus próprios problemas. A nossa humilde parcela nesse movimento escolheu deliberadamente ser apócrifa, desburocratizada, sem regras explícitas, obrigações, estrutura hierárquica, firme no credo de que existe ordem no caos se nos dermos ao trabalho de organizá-lo com carinho. (…). As nossas acções orientam-se fundamentalmente no seguinte: a) Promoção de uma cidadania activa, participativa e atuante. – Combate às injustiças e assimetrias sociais; b) Construção do estado mais próximo do ideal democrático; c) Elevação da consciência social critica; d) Combate à ditaduras, tiranias e outras formas de governos repressivos; e) Promoção e defesa das liberdades e direitos fundamentais; g) Informação, Formação e Participação; h) Independência política, económica e governativa; i) Estudos, pesquisa cientifica e tecnologias de informação; j) Ensino libertador. Regemo-nos pela lógica ‘Vários povos, uma só nação’”.

Estas posições nos permitem inferir que os jovens revús são cidadãos cuja acçao política é regida por um pensamento político próprio que se pauta pela “salvação de Angola”. Consideram que Angola está sequestrada pelo regime que a tem (des)governado desde 1975 e que, cientes da realidade actual, é necessário que os próprios angolanos levem à cabo toda uma luta política que resulte no fim do regime eduardino e no estabelecimento de um verdadeiro estado democrático e de direito, de realização do cidadão.

Embora sejam frequentemente designados como “jovens do Movimento Revolucionário”, a verdade, porém, há actualmente duas grupos. Por um lado temos aqueles continuam sem aparato estrutural organizacional – estes não estão num tal movimento revolucionário estruturado e organizado, no qual os jovens estejam integrados e sigam uma lógica de militante de partido ou organização política que visa o poder. Por outro lado – porém – em Maio de 2013, um grupo de jovens decidiu oficializar-se como Movimento Revolucionário, com uma estrutura colegial, estatuto e outros aspectos próprios de movimentos estruturados.

Os jovens revús da outra franja têm mantido a visão que foi espelhada anteriormente e – como já explicado -, o que fazem é na verdade parte de um movimento global, é a nova visão social para as políticas governativas e participação do cidadão. Estes jovens – de ambos os “lados” -, porém, nãos nos se vêm como rivais; antes pelo contrário, se vêm como complementares, sendo que estão apenas em plataformas de actuação diferentes.

De facto, há várias tendências na juventude revú, desde as mais radicais até aquelas que consideram que pouco a pouco, fruto de constantes movimentações contestatárias, as mudanças acabarão por ocorrer em Angola. Num extremo, há aqueles que consideram que o caminho para libertar Angola do regime eduardino é a insurreição popular, ao estilo da Primavera Árabe; no outro extremo há aqueles que consideram que o regime deve chegar ao fim pelos meios consagrados na Constituição, mas com recurso a pressão popular constante.

Ora, neste texto não pretendemos fazer juízo de valor no sentido de aprovar esta ou aquela posição. Nosso propósito discursivo visa trazer à luz do dia o facto indesmentível de que – independentemente das diversas opiniões – OS JOVENS REVÚS POSSUEM UM PENSAMENTO POLÍTICO PRÓPRIO, que evidencia o facto de que SÃO JOVENS PREOCUPADOS COM O PAÍS, que não se limitam a observar e queixar-se do estado do país, mas que vão à luta, tal como o fizeram os jovens angolanos que há várias décadas entraram na luta política e militar de libertação de Angola do regime colonial português, o qual tratava os angolanos como seres humanos de quinta categoria, em sua própria terra.

A leitura política dos jovens revús é de que, se no passado, jovens de diversos estratos sociais deram o seu melhor pela independência de Angola – muitos dos quais tendo morrido por via disso -, então hoje os filhos e netos de tais nacionalistas devem agora libertar Angola do regime mafioso que transformou Angola na sua quinta e remeteu os seus cidadãos no debalde geral.

De acordo ainda com esta leitura, há 60 ou 50 anos, parecia praticamente impossível Angola estar livre do colonialismo português. E os jovens que entravam na luta, uns por sua conta e risco e outros por via dos vários movimentos pró-independência, sabiam que não seria fácil tal empreitada de libertar Angola do regime colonial.

Ora, Angola finalmente se tornou independente em 1975, mas – fruto da imposição de uma agenda diferente daquela pela qual os angolanos se construiriam como Nação e como estado, veio a guerra. As narrativas do regime do MPLA passaram a inculcar nos angolanos que o único culpado pela guerra e “inimigo do povo” era Jonas Savimbi, retratado na música de David Zé como “Kifumbe”, palavra Kimbundu que significa “assassino”, “homicida”, etc. Servindo-se do sistema educativo e de outras estruturas de poder, o regime inculcou na mente de milhões de angolanos a ideia de que Savimbi era o tal “Kifumbe”, o delinquente e único responsável pela guerra e outros males. Cerca de vinte e sete anos depois, em Fevereiro de 2002 Savimbi morreu em combate, e sua morte foi celebrada efusivamente por milhões de angolanos. Afinal, o “Kifumbe”, o suposto culpado por todos os males de Angola, estava morto!

Se é verdade que um país não é totalmente reconstruível em 10 ou 12 anos, também é verdade que durante este tempo de paz, milhões de angolanos passaram a perceber a realidade que a lavagem cerebral de muitos anos escondia: afinal, em primeiro lugar, para haver guerra tem de haver no mínimo duas partes em conflito; assim sendo, “a culpa é de todos nós” e a guerra não foi o único mal da Angola independente. A opção marxista-leninista do regime que tomou o poder em 1975 assim como o seu nepotismo, a depredação do erário publico, a violação grosseira da Constituição e a corrupção não eram da responsabilidade de Jonas Savimbi. Aliás, nem Jonas Savimbi nem Holden Roberto tiveram algo a ver com o assassinato de milhares e milhares de angolanos nos fatídicos acontecimentos de 27 de Maio de 1977. Nem foram eles que assassinaram Ricardo de Melo, Simão Roberto, Mfulupinga Landu Víctor ou Isaías Cassule e Alves Kamulingue!

Os angolanos lúcidos agora sabem que é o regime no poder que é responsável pela situação actual. E se quisermos apenas contar o período pós-2002, fica impossível enxergar outro culpado responsável pelo estado em que Angola se encontra. É preciso salvar Angola!

Quem salvará Angola? Ora, os jovens revús consideram que são os próprios angolanos que devem salvar sua pátria, e que “ficar só a ver” é cobardia do maior tamanho. Compreendem que, tal como diz um ditado: “Se o teu chefe ergue sua mão e enfia seu dedo no teu olho, tu também és cúmplice dele em fazer mal a ti mesmo”!

Os jovens revús demonstram ser verdadeiros patriotas, angolanos lúcidos que se recusam a aceitar os termos desta Pax Eduardensis.

Assim, numa altura em que milhões de angolanos ainda continuam sob anestesia geral, é necessário perceber que “O Menino Deve Sim Falar Política” – deve ajudar a salvar Angola!

 

Por Nuno Álvaro Dala

 

 

 

 

Fizemo-lo mais uma vez, apresentámos queixa contra os comandantes e oficiais da PNA que abusam das nossas liberdades fundamentais e nos levam em passeios indesejados para esquadras fedorentas.

No passado apresentámos queixas-crime contra altos dignatários na Nação, fomos chamados algumas vezes à PGR para repetirmos tudo o que já estava escrito nos documentos e desde então a coisa estancou.

Desta vez, apresentámos queixa pelo tratamento que nos reservaram no dia 4 de Agosto, aquando de uma manifestação espontânea diante do Ministério da Educação em solidariedade com os professores grevistas do SINPROF na província da Huíla.

A queixa foi entregue ao Diretor Nacional da Policia Judiciária e Militar com cópia para a PGR, tal como se pode ver nas imagens abaixo anexadas.

A ladaínha conhecemos: “para quê se darem ao trabalho, já sabem que irá redundar em nada, a justiça é manietada, é como queixar o porco ao javali”. OK! Mas se fossemos por essa ordem de ideias, também deixaríamos de dar o corpo ao manifesto porque sabemos de antemão que vamos apanhar no lombo, eventualmente verter uns litros de sangue, visitar aldeias longínquas em províncias vizinhas (turismo policial), ser “retidos” longas horas e soltos sem justificação, pedido de desculpa ou indemnização, então… que sentido faz mexermos um dedo que seja para a causa que for?

Acreditamos que os processos poderão, numa primeira instância, incutir um efeito dissuasor ou disruptivo entre a cadeia de comando “ordem superior” —-> executor de ordem ilícita e, mais tarde, numa Angola livre, poderão ser retomados para trazer ao banco dos réus esses fósseis que tentam hoje encobrir-se uns aos outros.

 

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Revelam moradores da Tchavola em carta de contestação enviada ao PR

 

Tchavola depois das demolições. Foto da Omunga

Tchavola depois das demolições. Foto da Omunga

Definitivamente o povo angolano começa a despertar de uma longa sonolência pós-27 de Maio que anestesiou o espírito reivindicativo. Nesta carta que nos foi entregue pessoalmente por um dos representantes da Comissão de Moradores da Tchavola, pode notar-se o grau de retórica e consciência dos direitos reivindicados, a forma com que foram instigados pelo Primeiro Secretário do MPLA na Huíla, agora governador, Marcelino Tyipingi, a manifestarem-se contra o então Governador Isaac dos Anjos a propósito das demolições discriminatórias às quais foram sujeitos (casa do pobre no chão, casa do vizinho influente intacta!).

Feita a dança das cadeiras, os moradores da Tchavola estão a descobrir amargamente que o Tyipingi lhes deu “do cagueiro” e está a correr com a bola sem dar confiança a ninguém e depois de por diversas vezes lhe solicitarem audiência para confrontá-lo, perceberam que o indivíduo ligou o ignorómetro, tendo passado então a dirigir-se para o topo da cadeia alimentar.

Nas imagens em anexo podem ler essa correspondência enviada ao Presidente JES. A forma com que concluem a sua carta é excelente e passamos a citar: “Terminamos com o pronunciamento do Sr. Governador Provincial da Huila proferido por ocasião da abertura das Festas da Nossa Sra. do Monte, edição 2013 que citamos ” O Senhor Presidente da República tem sabido interpretar os anseios e os interesses do povo angolano de Cabinda ao Cunene … “
Já que Sr. Presidente da República tem sabido interpretar os anseias e interesses do povo angolano, então aguardamos pela máxima colaboração de Vossa Excelência na resolução das nossas preocupações porquanto foi o Executivo, encabeçado por Vossa Excelência, que consentiu a demolição das nossas moradias sem justa indemnização.”

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Escolhemos colocar apenas a última página das assinaturas por questão de espaço

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