No final do mês de Maio recebemos a notícia da expulsão do país da nossa recém-feita amiga Ketty Tirzi. Conhecemo-la num dia em que fomos ter uma conversa amistosa com Marcelo Santos, membro ativo dos recentes movimentos sociais no Chile e observador no Brasil, um doutorando que investiga a força das novas mídias e em particular Redes Sociais como ferramentas de articulação e mobilização social, estudando os casos do Chile (2011) e Brasil (copa, 2013).

O Marcelo estava de passagem em Angola e tinha vindo justamente como consultor de imagem do PAANE (Programa de Apoio a Atores Não Estatais) da UE. Ela veio acompanhá-lo, apresentou-se, falou do seu trabalho em Angola que já vinha desenvolvendo desde 1997 (ainda antes do programa que agora coordenava) e foi-nos conquistando com o seu entusiasmo, simpatia e aquele português misturado com italiano muito gingão.

Ela revelou-nos que nos acompanhava há já muito tempo e não escondeu admiração pela nossa capacidade/forma de agir com todas as limitações que eram evidentes. Desde esse dia que multiplicámos as interações e troca de ideias.

Os nossos encontros nunca foram secretos ou ocultos, daí termos ficado surpreendidos quando a possível razão evocada para esta decisão extemporânea deste regime caduco foi o facto de a Ketty se ter “envolvido” connosco. Para terem uma ideia, esse primeiro encontro com o Marcelo foi na rua, justamente diante do DNIAP onde tantas vezes vamos responder àquelas falsamente interessadas questões que simulam investigação das nossas queixas. Um local permanentemente “minado” de bófias.

Estava a tentar criar uma ponte intergeracional, por considerar que, apesar de toda a experiência de vida adquirida por anos de militância dos nossos kotas que dirigem ONG, constatavam-se ainda nestes limitações gritantes no que tocava ao uso da imaginação e da exploração da pletora de possibilidades abertas pelas novas tecnologias para levar avante os objetivos a que se propõem. Era aí que nós entrávamos, partilhando a nossa magra mas frutífera experiência com a ferramenta tecnologia.

Chegámos a planear várias ações mas, mais uma vez, não chegamos a concretizá-las, pois o regime Lucky Luke voltou a puxar do coldre a arma batendo a própria sombra.

A Ketty ligou-nos a contar uma história que parecia o guião de um daqueles filmes inspirados em livros do John le Carré, com um novelo intricadíssimo de implicados e responsabilidades repartidas, que escondem a origem da decisão, o seu responsável máximo, conhecido entre nós simplesmente como o “Ordem Superior”

Está toda gente metida ao molho, o SINSE, a Embaixada Italiana, o Ministério do Planeamento (com quem o PAANE celebrou o contrato), o SME, a União Europeia, a presidência (?), enfim, se fizermos um pim-pam-pum brincando aos teóricos da conspiração e enunciando ao acaso entidades e nomes de implicados, haverá uma forte probabilidade de acertarmos em grande parte dos palpites.

Imaginem que a comunicação do cancelamento do visto de trabalho é feita via SMS, pelo SME!!! “Tem 72 horas para abandonar o país”.

Na hora do embarque foram levar-lhe o documento oficial onde ela esperava ver enunciada a razão da revogação repentina do seu visto de trabalho que ia até Julho de 2015: NADA! Constatem na imagem em anexo a forma leviana e casual com que um Estado comunica uma decisão tão grave e psicologicamente lesiva para o visado. Ser expulso de um país não é o mesmo que levar uma falta vermelha na escola. A Ketty não mais poderá voltar.

Ketty Notificação SME 01

O carimbo azul anuncia o cancelamento do visto de trabalho

O carimbo azul anuncia o cancelamento do visto de trabalho. No SME escrevem “planeamento” com “i”.

 

No dia 4 de Julho, a eurodeputada Ana Gomes (sempre ela), redigiu uma carta para a Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Catherine Ashton para pedir que investigue o comportamento da Delegação da União Europeia em Luanda, que assobiou para o lado depois de ser informada que a Ketty, uma cidadã que deveriam proteger, estaria a ser “investigada”, sem sequer terem dado a conhecer à visada dessa investigação de que estava a ser alvo.

A tradução é nossa. A original, em inglês, pode ser consultada no site da eurodeputada, aqui

 

Ana Gomes
Member of the European Parliament

Catherine Ashton
Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança

Andris Piebalgs
Comissário para o Desenvolvimento

Bruxelas, 4 de Julho de 2014

Assunto: Expulsão de consultora Italiana de Angola

Cara Cathy, Caro Andris,

Chegou recentemente ao meu conhecimento que a Srª Tirzi Maria Concetta, coordenadora do programa PAANE (Programa de Apoio aos Actores Localidade: Não Estatais) financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento em Angola, teve seu visto de trabalho abruptamente revogado pelas autoridades angolanas, tendo subsequentemente sido forçada a abandonar o país.

O trabalho da Srª Concetta focava-se nas questões concernentes ao direito dos cidadãos à participação no processo de descentralização e nos direitos económicos, sociais e culturais.

Desde a sua fase inicial, o PAANE sempre apoiou a liberdade de expressão, a capacitação de organizações da sociedade civil no manuseamento das novas tecnologias, redes sociais e blogs.

No início de 2014, a Srª Concetta teve diversos encontros com profissionais da comunicação, jovens estudantes e, entre eles, os que se denominam Central7311, que têm organizado algumas manifestações desde 2011.

A Srª Concetta também colaborou na organização de uma conferência na Universidade Católica de Luanda. A conferência teve como tema central a descentralização e as eleições autárquicas em Angola e incluiu diferentes partidos políticos, igrejas e organizações da sociedade civil como participantes.

No dia 23 de maio, a Srª Concetta foi informada, via SMS a partir do SME (Serviço de Migração e Fronteiras) angolano, que o seu visto de trabalho havia sido revogado e que ela teria que abandonar o país em 72 horas.

Depois de ter tentado, sem sucesso, entrar em contato com o SME para uma explicação, a Srª Concetta reuniu-se com as Sras. Filipa Côrte Real e Manuela Navarro, da Secção Económica, de Comércio e Apoio Institucional da Delegação da UE em Luanda, no dia 28 de maio.

Naquela reunião, a Srª Concetta foi informada que a Delegação da UE tinha conhecimento há já um mês de uma investigação em curso contra ela, levada à cabo pelas autoridades angolanas que poderiam ter como consequência a atribuição do título de persona non grata, mas optaram por não a informar nem a ela, nem a Embaixada Italiana ou o escritório encarregado de programas financiados pelo FED, de forma a evitar um conflito diplomático.

Mais tarde, a Srª Concetta foi notificada por carta da ordem de expulsão, sem qualquer justificação, e abandonou o país, tendo seu contrato sido rescindido, apesar de sua validade até Julho de 2015.

Estou extremamente preocupada com o alegado comportamento da Delegação da UE em Luanda neste caso, que, ao não agir em defesa da Srª Concetta perante as autoridades angolanas, ou sequer de informar da Sra. Concetta sobre a investigação realizada contra ela, não agiu no interesse e para a proteção de uma cidadã da UE que, além disso, estava empregada no país para implementar um programa financiado pela UE!

O fato de que o projecto em causa os direitos humanos e apoio à sociedade civil angolana, o que é nitidamente uma questão sensível para as autoridades angolanas, é um motivo ainda maior de preocupação e proteção especiais.

A Delegação da UE deveria ter, pelo menos, proporcionado à Srª Concetta uma oportunidade para pedir às autoridades angolanas uma explicação e defender o seu trabalho.

Por isso, peço-lhe para fornecer uma explicação detalhada sobre o comportamento da Delegação da UE em Luanda neste caso.

Exorto-vos, além disso, a solicitar às autoridades angolanas que justifiquem a ordem de expulsão e que permitam que as pessoas que trabalham em direitos humanos no país realizem o seu trabalho sem interferência.

Com os melhores cumprimentos,

Ana Gomes

Membro do Parlamento Europeu

Recebemos um email de bolseiros do INABE a formar-se na cidade de Donetsk, Ucrânia que reclamam a atenção/proteção do governo angolano após a cessessão que torna esta parte da Ucrânia uma nova República. Reproduzimos na ipsis verbis o documento que nos chegou e publicaremos no facebook um vídeo feito pelo apócrifo estudante nas ruas de Donetsk, já que o WordPress não admite vídeos que não venham de fontes externas.

 

“Ao

Director Geral do INAGBE

Dr. Kafala Neto

Assunto: Atraso de Pagamentos

Viemos por este meio mostrar a V.Ex.ª o nosso profundo desagrado sobre o atraso dos suplementos de bolsa dos estudantes República da Ucrânia visto que o pais encontra-se instável e sem os nossos respectivos subsídios tem dificultado as nossas condições e não conseguimos deslocarmos numa cidade próxima, ja a cerca de 3 meses que nao recebemos os suplementos.

Do conhecimento do senhor Director que a região leste do Pais tem estado instável a mais de 5 meses em particular na cidade de Donetsk que desde o dia 10.05.2014 foi proclamado nos pró-russos como uma nova República e desde então existe um clima de tensão nestas regiões. No dia 05.07.2014 as forças armadas libertaram as cidades de Slavyiansk e Kramatorsk e posteriormente os Pró-russos todos estão refugiados na cidade de Donetsk aonde nos residimos e existe um clima de pânico em toda a cidade ate os nacionais estão a deixar a cidade devido os tiroteios que se tem alastrado na nossa cidade e estão a evacuar as crianças e as mulheres.

Conforme o contacto mantido ontem com a Sua Excelência ontem para confirmar a veracidade dos assuntos hoje enviaremos algumas fotos e vídeos em anexo. Somente para relembrar-vos que na cidade de Donetsk somos 3 finalistas e com diplomas ja em mão a espera somente do bilhete de passagem e aqui na lei do pais depois do estudante receber o seu diploma lhe e recebido a sua residência e deve deixar o pais em cerca de 10 dias úteis .

Somente para informar-vos que os estudantes no leste do pais estão a organizar-se para dar-mos entrevistas nalguns jornais privados do nosso pais e em algumas rádios como a eclésia , despertar e penso nos essa ultima rádio da oposição não cairia ao nosso governo em particular para vocês como o nosso órgão tutelar.

Obs: somos 3 finalistas na cidade de Donetsk na qual não seremos evacuados para Moscovo e com as nossas residências temporárias já fora do prazo desde 07.07.2014 clamamos o nosso subsidio em atraso e o bilhete de passagem para o nosso pais de origem.

So para dar-vos a conhecer que já viemos a clamar por ajuda atendendo a situação instável do pais na qual recebemos promessas do chefe do sector estudantil Senhor Fernando Júnior sem quaisquer resultados.

Viemos por esse meio salientar que no dia 10.07.2014 daremos entrevista na rádio despertar e eclésia, folha 8 e no semaraio Angolense afim dos órgãos superiores ouvirem os nossos clamores.

Donetsk 07.07.2014″

 

 

Pedrowski Teca

 

Pretória, África do Sul – O Continente Africano foi pela primeira vez o anfitrião da “plataforma de inovação digital” do maior jornal inglês, The Guardian, designado ACTIVATE, onde vários jornalistas, editores, analistas/colunistas, políticos, bloggers, actores, empresários e muitos outros profissionais influentes e de calibre mundial, reuniram-se para debaterem e trocarem experiências sobre como as novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) têm mudado o mundo.

Foi de certeza um grande privilégio, sendo um modesto jovem activista cívico Angolano formado em Jornalismo e Tecnologias de Comunicação, poder participar e partilhar a experiência Angolana numa plataforma onde grandes personagens do jornalismo mundial, como o Alan Rusbridger, editor-chefe do jornal The Guardian News & Media, e muitos outros profissionais do Continente Africano e do mundo, que reuniram-se em torno da análise de vários aspectos e impactos mundiais da mídia e da internet aberta.

A conferência “Activate”, sendo uma “plataforma de inovação digital” do The Guardian News & Media, tem sido organizado em vários continentes e pela primeira vez, realizou-se uma versão Africana.

O acto ocorreu das 8 horas às 18 horas da Quinta-feira, 26 de Junho de 2014, no centro de convenções “The Forum – Turbine Hall”, localizado na rua Ntemi Piliso, 65, na cidade de Johannesburg, República da África do Sul.

CASOS PERTINENTES

Dando um carácter Africano ao acto, o evento foi moderado pela jornalista de difusão e colunista sul-africana, Nikiwe Bikitsha, e teve como orador principal o Dr. Bitange Ndemo, ex-Secretário Permanente do Ministério da Informação e Comunicação do Quênia e actual director da Aliança para Internet Accessível (Alliance for Affordable Internet).

O Dr. Bitange Ndemo partilhou com os presentes os desafios que teve, como membro do governo queniano, em garantir a accessibilidade e o uso da internet e das novas TICs naquele país à ponto de ser considerado o melhor no Continente Africano e um grande competidor à nível mundial.

Para Ndemo, o maior obstáculo em África quanto às novas TICs, são as legislações e a falta de vontade política dos vários líderes Africanos, porque “inexplicavelmente, o know-how” é adquirido naturalmente pelos usuários que sem treinamentos formais, o Continente testemunhou um aumento inimaginável de número de usuários de novas TICs.

A ocasião foi recheada de várias sessões de paineis de debates intercaladas, apresentacões de projectos inovadores que involviam o uso das novas TICs, tendo a moderadora Nikiwe Bikitsha, realizada a grande entrevista com o editor-chefe do The Guardian News & Media, Alan Rusbridger, sobre a sua experiência no contacto directo com o ex-consultor da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), o jovem Edward Snowden, que vazou milhares de informações confidenciais ao seu jornal, especificamente em como os EUA espiavam os países à nível mundial, incluindo os seus presidentes, empresários e milhares de pessoas influentes.

De facto, foi um grande privilégio ouvir a experiência e os desafios do The Guardian, em como as grandes potências mundial, EUA e Reino Unido, tentaram censurar, intimidar o jornal e influenciar as suas fontes de financiamente afim de impedir a publicação das informações vazadas por Edward Snowden.

Alan Rusbridger revelou que ao entregar-lhes as informações, Edward Snowden não solicitou nenhuma compensação monetária, mas que preocupava-se somente em ter a garantia de que as informações seriam divulgadas porque tivera comprometido a sua liberdade e a própria vida em prol da divulgação de uma verdade de carácter mundial.

Rusbridger acrescentou que o jornal The Guardian e a maior preocupação de Snowden foram protegidas e satisfeitas pelo facto do jovem ter difundido as mesmas informações em maiores órgãos de comunicação social em três continentes, tornando inútil a actuação de censura e intimidação ao maior jornal inglês.

Para além do caso Snowden, a entrevista também tocou na diferença entre jornalistas e activistas cívicos, tendo Rusbridger esclarecido a incompatibilidade das duas funções, sendo que um jornalista é um mediador que deve aderir a ética da profissão, como a isenção e a publicação de factos verificados, enquanto um activista cívico encontra-se sempre num extremo, defendendo uma causa e acrescentando pontos de vista (opinões) à factos ou situações.

Os palestrantes apresentaram vários projectos inovadores ligados às novas TICs, tendo se destacado o projecto de uso de drones (aviões espiões pequenos) para a cobertura de eventos em grandes ângulos, como no caso de desastres naturais e manifestações populares; O projecto de um jovem sul-africano que grava contéudos (livros) escolares em cartões SIM usados e que permite a leitura de matérias em telemóveis por parte de alunos e estudantes; O projecto dos fârmacos que situam-se num centro onde através da internet (website e redes sociais) e telemóveis (chamadas de voz e SMS) ajudam as populacões quando ao devido uso de receitas ou prescripções médicas.

CASOS: ANGOLA E MOÇAMBIQUE

Antes do começo na conferência, tive a oportunidade de interagir com vários jornalistas e activistas cívicos que mostraram-se interessados em saber sobre o exercício do jornalismo e activismo cívico em Angola. No entanto, os profissionais de vários países admitiram saber “muito pouco” sobre o que tem acontecido em Angola por falta de plataformas de comunicação social Angolanas que divulgam informações nas línguas inglesa e francesa.

Durante a conferência, no painel que debateu sobre os novos modelos de jornalismo e mudanças nas formas de consumo de informações, encontrava-se o jornalista Moçambicano, Erik Charas, fundador e director da Charas LDA, propritária do jornal “Verdade” naquele país.

Entusiasmado, Erik Charas partilhou com a audiência em como as novas TICs são usadas em Moçambique e os desafios que os jornalistas e activistas enfrentam naquele país.

Charas falou de como em muitos países as legislações estão a ser actualizadas afim de garantirem a censura e criminalização das actividades de usuários de novas TICs. Acrescentou também que actualmente intensificaram-se as intercepções ilegais em contas de usuários de internet e telefones; Em defesa do regime em Moçambique, criou-se um grupo de usuários anónimos com o propósito de desinformarem as pessoas e desviarem os debates de assuntos importantes para assuntos banais que não constituem críticas ao regime Moçambicano.

O jornalista lamentou que o seu país está em ameaça de uma outra guerra civil e nota-se um distanciamente da mídia internacional neste facto.

Foi durante o painel de Charas que eu, Pedrowski Teca, intervi concordando com o Charas de que os maiores órgãos de comunicação social do mundo fazem pouca cobertura noticiosa das situações que realmente ocorrem em países de expressão da língua portuguesa, principalmente países Africanos.

No olhar de Erik Charas, notei um sorriso de satisfação quando interrompeu-me confirmando a irmandade e a similaridade de acontecimentos nos nossos países.

Concordando com o Dr. Bitange Ndemo do Quênia, sobre as legislações sendo um dos maiores desafios das novas TICs, dirigi-me ao jornalista que apresentou o projecto de uso de drones para a cobertura de eventos em grandes ângulos, perguntando-o se no seu país a legislação previa tais actos por parte de jornalistas e quais eram as implicações na possível violação da privacidade de indivíduos ou colectivos e na possível ameaça de segurança nacional no uso de drones domésticos.

Aproveitando a oportunidade, expliquei à audiência de que em 2011, inspirados pelos protestos no norte de África através das novas TICs, a juventude Angolana levantou-se protestando contra a longividade do ditador José Eduardo dos Santos no poder, e que mesmo naquela altura, o regime Angolano tentou impor uma lei que criminalizava as mais básicas liberdades de expressão dos cidadãos na internet. Acrescentei que o actual Código Penal Angolano está a ser revisado e actualizado afim de penalizar muitas das actividades de usuários das novas TICs.

A conferência “Activate Johannesburg 2014”, sendo a primeira do género no Continente Africano, provou ser uma plataforma importante e eficaz de interação dos jornalistas do Continente Berço, com profissionais de outros continentes.

MINHAS CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

De certeza que a iniciativa do jornal The Guardian é de louvar, mas os profissionais do Continente Africano devem cessar do perpétuo hábito de esperar com que “os outros” sejam sempre os pioneiros de tais iniciativas no Continente. A questão é quê reações surgiriam se Angola realizasse um “Fórum do Jornal de Angola” na Inglaterra? Isto é para dizer que para alcansarmos a união e inclusividade genuina no Continente Africano, temos de ser os pioneiros das nossas acções.

- Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), particularmente Angola e Moçambique, têm regimes políticos que se empenham numa luta árdua de branqueamente da realidade dos seus respectivos países, manipulando as informações, dando a impressão de que são “países das maravilhas” com as “economias que mais crescem à nível mundial”, enquanto as realidades são totalmente opostas no terreno. Há a necessidade urgente de criação de plataformas de divulgação de notícias em línguas mais faladas mundialmente, porque o mundo não faz ideia do que realmente acontece nos PALOP.

 

Professores do lado de fora do Tribunal, aguardando o veredito dos colegas

Professores do lado de fora do Tribunal, aguardando o veredito dos colegas

Os professores foram presentes à Tribunal esta tarde mas, ao que parece, o juíz recusou-se (?) a julgá-los, voltando a remetê-los para a DPIC onde seriam supostamente soltos após uma tonelada de invenções burocráticas. O advogado David Mendes, apelidado de “advogado dos pobres”, deslocou-se ao Lubango para defender os professores. Independentemente das razões e do modo como se operou este revés, o facto é que não houve julgamento e que até esta hora, 20h:25, enquanto o país se prepara para assistir a mais um jogo da copa do mundo, os nossos professores continuam injustamente incarerados.

Recebemos há instantes via e-mail este comunicado subscrito pela ACC (Padre Pio), Mãos Livres e Sokayola, que é bastante explícito acerca das ocorrências dos últimos dias.

 

REPÚBLICA DE ANGOLA

PROVÍNCIA DA HUILA

C/C:

  • GOVERNO PROVINCIAL DA HUILA;
  • COMANDO PROVINCIAL DA POLICIAL NACIONAL
  • DIRECÇÃO PROVINCIAL DA EDUCAÇÃO
  • PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA DE ANGOLA NA HUILA´;
  • DIRECÇÃO PROVINCIAL DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL

 

ASSUNTO: NOTA DE PROTESTO CONTRA A INTIMIDAÇÃO, USO DA VIOLÊNCIA E PRISÃO DE PROFESSORES NA CIDADE DO LUBANGO

Tendo como base os últimos acontecimentos, baseados na greve dos professores do ensino geral e nos factos violentos ocorridos no pretérito dia 21 de Junho de 2014, as nossas organizações, em solidariedade com nossos irmãos docentes em geral, e em particular com os detidos, onde destacamos as senhoras, vimos por este protestar de forma veemente contra o seguinte:

  1. Declarar que o ambiente que antecedeu ao uso da violência policial, foi de larga intimidação aos professores nalgumas localidades, tendo havido ofensas, elaboração de listas paralelas de professores grevistas e não grevistas, bem como de acusações de os “grevistas” estarem a fazê-lo sob orientação da UNITA;
  2. Houve mensagens que circularam e que vincularam a greve dos professores como resultado de instigação política de partidos da UNITA, CASA-CE e PRS, sob eventual instrução da CIA, o que representa uma invenção absurda e grotesca, que não tem cabimento no contexto da actual greve;
  3. Exigir a imediata e incondicional libertação dos professores, como condição para normalizar o actual clima de violência, opressão e intimidação contra os docentes;
  4. Afirmar que o direito a greve é um DIREITO FUNDAMENTAL (Artigo 51º nº 1 da Constituição). Ou seja, o direito a greve é corolário do direito ao trabalho, enquanto direito social, (artigo 76º nº 1 da Constituição) e portanto, resultante de evoluções e conquistas históricas da humanidade. É um direito fundamental, na medida em que permite a necessária articulação dos trabalhadores em busca de melhores e para uma vida digna da pessoa humana (artigo 1º da Constituição). O direito a greve está consagrado no internacionalmente consagrado no artigo 8º alinha d do Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos e Sociais e Culturais.
  5. Afirmar que o recurso às armas de fogo violou o princípio da proporcionalidade a que a Polícia Nacional está vinculada e por conseguinte configura abuso de direito.
  6. Afirmar que o Contrato de Trabalho é um contrato sinalagmático, gera deveres e obrigações para ambas as partes, e a violação por uma das partes implica o incumprimento da contraprestação de outra parte. No caso vertente, o principal incumpridor é o Governo Provincial da Huila.
  7. Prender até mulheres grávidas e com bebés latentes de menos de 12 meses, constitui um atentado grave à vida, um acto de cobardia e uma demonstração pública e estatal de violência contra a mulher, o que representa um revés em termos de educação contra a não-violência de género aos cidadãos;
  8. Reafirmar que os pontos contidos no caderno reivindicativo somente se resolvem com base no diálogo e não no recurso à violência. Se somos tidos como exemplo de diálogo e construção de paz em África e no mundo, porque não sê-lo neste caso doméstico?
  9. Exigir do Governo Provincial da Huila, uma explicação pública de sua versão em relação à greve, aos pontos contidos no caderno reivindicativo dos docentes e aos progressos dados quanto às negociações, evitando assim intervenções incendiárias e manipuladas.

 

Lubango, aos 23 de Junho de 2014.

 

ORGANIZAÇÕES SIGNATÁRIAS

  • ASSOCIAÇÃO CONSTRUINDO COMUNIDADES – ACC (Organização com Estatuto de Observador junto à União Africana)________________________________
  • ASSOCIAÇÃO MÃOS LIVRES (Organização com Estatuto de Observador junto à União Africana)________________________________
  • SOKAYOLA ___________________________________________

Para quem nos acompanha pelo facebook, onde somos mais ativos, ter-se-á eventualmente dado conta que está em curso uma greve de professores no Kwanza-Norte e na Huíla, sendo a da Huíla aparentemente melhor organizada, pelo menos de onde nos chega uma quantidade volumosa de informação. No Kwanza-Norte foram presos (e entretanto já julgados e soltos) alguns alunos que protestaram em apoio às reivindicações dos professores e na Huíla o impensável: PIR para reprimir os homens e mulheres do giz, com gás, pancadaria e cadeia. Na verdade, mais mulheres do que homens. Podem ver a lista (incompleta) dos professores detidos neste post.

Entretanto deparámo-nos com este post do honorável Padre Pio, no qual narra minuciosamente uma “altercação” que teve com um SINSE que primeiro se fez passar por professor e depois meteu os pés pelas mãos alegando ser um pai de muitos filhos afetados pela paralisação. As técnicas enferrujadas continuam a ser aplicadas, só eles é que não deram conta que cada vez menos pessoas se deixam engrupir, expondo-os mais que prostitutas no Red Light District em Amesterdão.

Na íntegra o post do Padre Pio:

 

 

FUI ACHINCALHADO – A CRÓNICA DE UMA HUMILHAÇÃO

Padre Pio

Aos 18 dias do mês de Junho, acabava eu de conversar com alguns dos mais velhos que tinham trabalhado nos acabamentos do túmulo do Padre Orlando. Estávamos sentados no grande salão que serviu o repasto, recomendando à Irmã Rosalina, a Superiora das veteranas Irmãs de S.José de Cluny, quando exactamente às 16H58 recebi a seguinte mensagem:


“Em conversa c o sr Jacinto Sacanjuele, Zinho, Alberto Daniel e Idalina informaram-me que o sr Padre ontem a tard os encorajou a manter a greve p prejudicar os nossos filhos é triste isto ser orientação d um padre nos os professores queremos trabalhar não aproveite homilias e interet p incitar a greve nos Gambos como prometeste”

Fiquei ainda a pensar de quem se trataria, mas logo perguntei:
– “Com quem falo se faz favor?”
Do outro lado, a resposta foi:
-“Com o um pai frustrado porque os meus filhos xtao a perder aulas”

Ficou patente a primeira contradição do meu interlocutor que dizia ser professor que que os professores querem trabalhar.

A segunda contradição, apesar dos aceitáveis usos de diminutivos, são copiosos os erros ortográficos. Eu estou a ser fiél ao texto, tendo copiado os “pontapés à língua de Camões”, pelo que peço vossa indulgência.

A terceira, ele responde pela segunda vez afirmando que era um pai, e não mais um professor.

Quando insisti, a dizer que gostaria de falar face-a-face, o sujeito responde:

“Sou um ex-FAPLA e xtou frustrado por não tive a portunidade d estudar tenho 5 filhos a estudar e xtao prejudicados porq vc querem fazer politica pergunta quem sou eu nas pessoas do Sinprof q eu te indiquei eles próprios xtao trist c a tua posição prefiro abordar Don Bilingue pois ele parece ser uma pessoa séria”.

Quando insisti que ele era cobarde e que se tivesse coragem fosse realmente ter com D.Mbilingi, ai caiu o Carmo e a Trindade.
Não vou transcrever ad literam o chorrilho de insultos gratuitos e da mais baixa jaez, mas resumo para dizer quando insisti que ele tivesse coragem e questionei como um ex-FAPLA teria medo e cobardia de um civil desarmado.

Aí sim, aproveitou a desancar todo o viperino fel, primeiro afirmando que uma vez que eu estava a invocar a violência, que esperasse pois a teria, Retorqui que não estava a invocar a violência mas denunciar a traidora covardia de quem somente ataca por detrás das máscaras. Ai sim, fui destratado, sendo acusado de covarde que engravidava as mulheres dos outros nos Gambos e não assumia, que era sujo e devia cortar as barbas.
Vendo que por aí não nos entenderíamos devido à diferença de finalidades, decidi dizer finalmente que os insultos a mim dirigidos não mudavam a minha missão, que acreditava ser divina enquanto defensor dos sem-voz. Alertei ao sujeito (se é que está sozinho, o que não creio) que se arrependesse, pois Deus que está sempre do lado do pobre, do desvalido, teria de levar a cabo um julgamento justo mas implacável.

Não sei por que motivos, mas tentei algumas vezes, mas debalde discar o número do telefone. O mesmo chama, mas ninguém atende.

ALGUMAS BREVES CONSIDERAÇÕES:

1. De facto, eu, dia 17 de Junho, conversei rapidamente e no seu carro, com o João Francisco, enquanto o pessoal da Comissão Exequial fazia as compras do material para a construção e aprimoramento do sepulcro onde iria repousar o corpo do nosso amável Padre Orlando Francisco.

Na verdade, eu tenho estado muitas vezes em contacto com o Sinprorf HUILA, porque de há algum tempo para cá, muitos jovens, especialmente senhoras professoras, ligadas à Paróquia e Missão dos Gambos têm-se queixado amiúde de tremendas pressões para darem aulas contra a vontade colectiva que rege a greve.

Têm sido amiúde as informações de directores, sob orientação superior, serem obrigados a elaborar duas listas, as dos grevistas e dos não-grevistas e as enviarem aos seus mandates. Tal situação chegou aos meus ouvidos por meio de leigos e leigas que sendo simultaneamente professores, estavam todos a serem pressionados todos os dias, com comunicados que foram lidos em assembleias litúrgicas e com supervisão permanente de quem está a dar aulas e quem não está. Parecendo que não, o impacto de tal “asfixia” em meio mais fechado do ponto de vista de cultura política, como é o caso dos Gambos, é aterrador, levando as pessoas a viverem um medo apreensivo permanente, conttrário aos direitos fundamentais e à dignidade das pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus. Recebia e ainda recebo telefonemas quase diariamente, num ambiente propício ao ataque de nervos.

Como se isso não bastasse, com base em certos pronunciamentos oriundos de mandatários ao mais alto nível provincial, que “criminalizaram” a greve, sendo directamente atribuída às influências políticas da oposição, nos Gambos circula a versão de que eventualmente a UNITA estaria por detrás da mesma. Tal significa que os grevistas são tratados de praticamente “kwachas”. Falava-se e fala-se mesmo de que a lista diária dos grevistas serviria de base para não pagar os mesmos durante a vigência da greve e para os expulsar da função pública. Por isso, eu pedi três coisas ao Sinprof:
1. O Caderno Reivindicativo, para que eu soubesse das razões da greve;
2. Que se deslocassem aos Gambos, a fim de informarem aos professores, as balizas legais da greve e se poderem dissipar os rumores e as contradições entre os professores e os membros do Governo e do Partido no Poder;
3. Saber em que pé estava a greve e quais os possíveis cenários futuros.

O mais intrigante foi o modo foi o eventual ambiente em que os meus passos foram seguidos e se criou uma absurda interpretação da minha atitude. E assim, comigo estão sendo vigiados milhares de professores. Terão eles acompanhado o carro do Secretário Provincial do Sinprof? Ou terão grampeado as nossas conversas anteriores? Ou as duas coisas? Qualquer uma das opçoes é anti-constitucional e , parafraseando o meu interlocutor, revelador de medo e frustração que a eventual revelaçao de verdades ocultas ode vir a causar.

Na verdade, de 16 a 18 de Junho, que estive totalmente empenhado, desde a manhã até às 21H00 em média, a preparar o túmulo onde deveria repousar o tão sublime sacerdote e amigo, Padre Orlando Francisco. A data apontada, bem como as pessoas com nomenclatura inventada, é tudo pura imaginação. Acima de tudo, há que evitar que activistas de direitos humanos como o padre Pio, entrem a reforçar os direitos dos professores. Mais do que isso, evita-se o efeito dominó em que o pforessor descontente, o enfermeiro descontente, o campoonês não satisfeito com a acutla política agrária, os jovens excluídos da oportunidade ce emprego a favor de grandes consórcios estrangeiros, etc., todos acordem do pesadelo e caminhem em direcção ao despertar da cidadania e da dignidade.

Sobre a presente greve em curso na Huila, vou pronunciar-me pontualmente logo que tenha em mãos o caderno reivindicativo e outros subsídios afins.

Mas as mensagens que estão a circular, a criminalizar os grevistas e a acusá-los de terem intenç-oes inconfessas directamente manipulados pela UNITA, PRS, CASA-CE e CIA dos EUA, revelam uma possibilidade sinistra: se houvesse uma caça ao homem, comparada à que tivemos em 92 e em 93, sobretudo aquando da Sexta-Feita Sangrenta, muitos não hesitariam em acusar-nos, mas mais do que isso, matar-nos à machadada, inventado à revelia da Constituição, dos Tribunais e da Procuradoria, sentenças forjadas.

E hoje, de acordo com as notícias que acabam de chegar da cidade do Lubango, a Polícia de Emergência, bem como elementos armados mas à paisana, acabaram de reprimir o direito à greve, constitucionalmente sagrado e consagrado, com eventuais detidos. Isto é uma grotesca regressão em termos dos direitos constitucionais e um escândalo que nega a própria essência da democracia. A cultura do diálogo foi atirado ao rio Mukufi! Que tragédia para a Huila e para o pais. Milhares de pessoas serão tentativamente colocadas sob vigilância à imagem da cultura kremilista! Pensava que a transição para a cultura democrática começaria por casa e por nós. Tenho medo, não de mim mesmo, do que me pode acontecer como professor, mas do que pode acontecer ao país com este regime! Mas uma certeza tenho: a verdade sempre triunfa!

Por Jacinto Pio Wacussanga

Nito Alves ARTIGO CENTRAL

O bravo jovem ativista Manuel Chivonde Baptista Nito Alves foi notificado no dia 7 de Maio a comparecer no Tribunal Municipal de Viana para ser julgado pelo crime contra a Segurança de Estado plasmado no ponto 1 do artº 25 da lei 23/10: Ultraje ao Presidente da República.

Parece que este regime não se cansa de dar calinadas. Então não perceberam quando o mantiveram preso um mês que tudo o que conseguiram foi elevar o (na altura) menor de idade ao estatuto de Herói Nacional?

Na altura foi preciso sair um artigo no diário francês Le Monde para José Eduardo mandar meter fim ao circo que, tentando funcionar simultaneamente como um corretivo ao Nito e uma advertência aos restantes 299 “frustrados”, acabou por ser um tiro pela culatra, demonstrando mais uma vez que, apesar dos milhões gastos em campanhas de branqueamento de imagem para enganar quem nunca cá veio, vivemos sob jugo de um regime repressivo, intolerante, alérgico à crítica e empedernido numa mentalidade ultrapassada de poder totalitário.

Nito deu aos ativistas mais uma vitória da liberdade de expressão sobre a lei injusta que é agora novamente evocada para levá-lo à julgamento.

Lei 23_10 ARt25

Será no dia 19 de Junho, às 9h00, no Tribunal Municipal de Viana, conforme clarificado na notificação abaixo. Espera-se uma pequena moldura para o já cultuado ex-menor.

Esta lei merece desobediência civil generalizada, com a multiplicação de atos de provocação.

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Tesla 01

Com este princípio de energia magnética podemos fácilmente alimentar cidades, motores,veículos de electricidade livre, sem-fios e gratuita!

A instalação de estações eléctricas à volta do país, baseadas neste princípio, não requer fundos mais elevados que o salário anual do presidente ou dos ministros de Angola.

Sabem, a tecnologia tem soluções gratuitas para a maior parte dos problemas mundiais (alimentação, saúde, educação, habitação, comunicação, corrupção, transporte, lixo, pobreza, doença, aquecimento global e criminalidade), de tal modo que nos é possivel criar uma sociedade na qual somente se trabalharia 3 horas por dia em trabalhos que realmente contribuiriam para o bem-estar da sociedade e isso nos bastaria. O resto do tempo livre seria preenchido por nós mesmos e conforme nos conviesse.

O cientista croata (na altura parte do Império Austríaco) Nikolas Tesla, para além dos avanços tecnológicos bem conhecidos no campo do eletromagnetismo com que “transformou” o mundo, Tesla “descobriu” também uma forma de criar energia a partir “do nada”, tendo resultados comprovados já depois de ter sido considerado louco pela comunidade científica, ficando com o banqueiro como JP Morgan como único aliado. Este, no entanto, apercebendo-se das implicações e dos lobbies que seriam afetados pela perda do monopólio da energia, puxou-lhe também o tapete, deixando Tesla sem ter como financiar as suas pesquisas e morrendo na indigência.

Tesla 02

Infelizmente, os políticos não querem liberar tecnologias limpas e gratuitas, nem querem que a comunidade não-científica se aperceba da existência dessas tecnologias e sua facilidade de implementação, pois elas liberam o povo e um povo livre é um povo inteligente e que exige satisfações de seus governantes:

  1. Como se explica o predominante (ab)uso de geradores eléctricos em Angola e a contínua falta de água potável? Tudo isso é rápidamente solucionável e gratuitamente implementável, só não o fazem por ganância e incompetência crónica!
  2. Como se explica a prevalente elevada taxa de mortalidade infantil? E porquê que criminalidade está a ser resolvida com repressão?
  3. Porquê que os jovens manifestantes são apreendidos e levados pro Caxito com risco de não mais voltarem, tal e qual Kamulingue, Cassule e muitos outros cuja a identidade e os motivos nos são desconhecidos.

Possivelmente me dirás que ”Angola é memo assim”, e é verdade, mas é assim que queremos continuar tendo em conta o vasto potencial que temos? É neste clima social que queremos educar nossos filhos? Ainda não tenho filhos mas, por amor a eles, esta situação me inquieta.

Temos que exigir melhorias para todos Angolanos e não somente para um grupinho de amigos de longa caminhada, porque Angola é de todos Angolanos. Eles tornaram o governar do país num Kudissanga kwa makamba (reencoontro, sentada de amigos/kambas).

O futuro do país está ameaçado e seus cidadãos estão a ser iludidos enquanto são sistematicamente vendidos/roubados, tal e qual se passou no tempo da escravatura. Se esta onda continuar, iremos acabar de joelhos que nem Portugal, que agora tornou-se uma colónia e é submetida a constantes desrespeitos de soberania apartir da comunidade Europeia.

Portugal não tem programa próprio, o programa lhes é imposto, porque outrora seus governantes roubaram sem dar satisfações e o povo, como sempre, é o que mais sofre. E este mesmo grupo de empresários que colocou Portugal na falência é o grupo que agora está a inundar o mercado empresarial Angolano com o apoio dos governantes. Anunciar na tv que se vai cortar relações com Portugal sem sequer explicar os motivos parece-me mais uma boa fachada e acho desnecessário/estúpido cortar relações com qualquer que seja o país de expressão portuguesa.

P.S: Este princípio de tecnologia já tivera sido aplicado nas Pirâmides do antigo Egipto e acredita-se que nossos ancestrais no Egipto (naquela altura o Egipto não era constituido por Árabes, mas sim por negros provenientes do lugar que hoje é o Sudão) já usavam electricidade sem-fio. Parece que nossas sociedades não desenvolveram assim tanto como outrora pensáramos. O estado actual das sociedades prova que não estamos a evoluir, pelo contrário, estamos em declínio ou mesmo à beira de uma queda-livre e os culpados são os dirigentes… Sei que esta crónica me vai causar problemas. Que assim seja, porque de qualquer das formas havemos de resolvê-los! O mais estúpido nisto tudo é ter medo.

 Por David Lau