Archive for May, 2012

Quando um regime autoritário decide bater na usa própria juventude, assinala o princípio do seu fim.

Já que uma imagem vale mais que mil palavras, decidimos fazer um post com muitas images e poucas palavras, para descrever a crescente onda de violência e repressão que temos vindo a sofrer por causa da nossa teimosia em exercermos os nossos direitos cívicos mais básicos. O leitor poderá acompanhar, em ordem cronológica, a crescente severidade dos ataques que temos sofrido.

Isto, em pleno período de paz. 

2011

1) Depois das detenções do 7 de Março, a manifestação do 2 de Abril (que correu sem incidentes de maior), as primeira tentativas de intimidação por parte do regime foram telefonemas anónimos por ocasião da manifestação convocada para o 25 de Maio pelo grupo MRIS. Pode ouvi-los aqui e aqui.

2) No dia 24 de Maio, o Luaty foi agredido por desconhecidos, em plena luz do dia e em via pública. Como prova só restou a camisola rasgada.

3) Seguiram-se ameaças por SMS.

4) Os manifestantes do 3 de Setembro aparecem em tribunal ainda com manchas de sangue nas suas roupas, com caras inflamadas e braços partidos, fruto da repressão e espancamento policial que sofreram naquele dia. É das primeira imagem dos manifestantes ensanguentados.

5) Se pensavamos que o 3 de Setembro foi surra, então é porque não anteviamos o 3 de Dezembro. A manifestação deste dia é reprimida com uma violência brutal. As agressões sobem de tom. Jovens são agredidos com ferros e paus contundentes. Os seus agressores já nem sequer se escondem. Esta imagem é do Pedro, que ficou com a testa rebentada.

Nome: Pedro Delito: Sonhar

2012

6) Local: Cacuaco. Dia: 3 de Fevereiro. Nossos manos mais uma vez brutalmente agredidos por elementos à paisana, antes mesmo de se juntarem à manifestação. “O método agora é impedir que as pessoas sequer se aglomerem num local público, agarrando grupos de jovens que identifiquem como sendo “potenciais manifestantes” e partirem logo para a porrada e detenção”, escrevemos neste dia. Arrancaram pedaços da carne do Shorty…

7) Um ano depois do 7 de Março de 2011, Mário Domingos e Kebamba são brutalmente agredidos por “desconhecidos” e ameaçados de morte. Felizmente escapam com vida. A cara do Mário está coberta de sangue…

8) 9 de Março. Escrevemos o seguinte naquele dia cheio de terror: “Por volta das 15h30 recebemos um S.O.S vindo da casa do Carbono Casimiro. A casa tinha acabado de ser invadida por uma dezena de homens trajados de preto, armados com ferros e soqueiras metálicas, que arrombaram porta, janela do quarto e que deram início a um festim de pancadaria a todos os presentes: Sampaio Liberdade, Cavera C, Santeiro, Nelito e o próprio Carbono. Chegaram numa carrinha e colocaram-se dois matulões no portão de entrada que dá acesso à três outras residências para além da do Carbono, impedindo que alguém entrasse ou saísse. Estando o único acesso à casa fechado, os jovens viram-se encurralados e foram mais uma vez castigados por pensar diferente. O resultado desta barbárie pela qual responsabilizamos BENTO KANGAMBA e JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS (não nos venham cá com histórias que, nesta altura do campeonato, o velhote não sabe do que se passa), está visível nas fotos abaixo. É incrível o nível de confiança que estes homens revelam, pois em plena luz do dia e mascarados apenas com chapéus e óculos escuros, fazem tudo aos olhos de todos. Os habitantes da rua do Carbono estavam todos aglomerados lá fora assistindo, um após outro, saírem lesionados e ensanguentados os agredidos. A polícia ainda recalcitrou, resistindo, tal como acontecera com o Mário Domingos, registar a queixa. Mas os jovens não arredaram pé e essa formalidade ficou cumprida. O Santeiro foi o mais gravemente ferido tendo levado dois balões de soro e 16 (!) pontos da cabeça. O Cavera também ficou “riscado no nguimbo” e nem o mais-velho Nelito foi poupado da violência cega e assassina dos algozes que, aliás, são sempre os mesmos. Ti Moço foi reconhecido nesse bolão.”

9) 10 de Março. Dia de nova manifestação. Agressões brutais a Filomeno Vieira Lopes, Luaty, e muitos mais. A cabeça do Luaty é rebentada; o mesmo acontece a Filomeno Vieira Lopes, que sofre também braços partidos em diversos pontos.Celso Malavoloneke famosamente descreve o sucedido como “pseudo-acontecimento”.

10) Estas…estas foram mesmo ante-ontem. 24 de Maio. Casa de Carbono novamente invadida por terroristas do regime.

Angolanos…angolanas…mano…mana…primo…prima…tia…tio…Mamã…Papá…que regime é este? Que democracia é esta? Que paz é esta?

Que país é este, onde o sangue dos que pensam diferente jorra como água?

Hoje o nosso tropa maior, o puro wi, “Centraleiro” original antes do termo existir, o kota Rafael Marques, foi detido por um curto tempo pela Polícia Nacional angolana:

A Polícia Nacional  angolana deteve, esta manha (24), o  jornalista e activista cívico Rafael Marques, por ter sido encontrado a conversar com as senhoras que perderam as suas casas na madrugada desta quinta-feira, demolidas pela administração local, na zona da praia Mabunda, no distrito da Samba.

LOL. Sinais de um regime esquizofrênico em crescente estado de delírio, rumo ao seu inevitável FIM, que está cada vez mais próximo. Decidimos então “repostar” o texto que levou o Rafael Marques à cadeia pela primeira vez: O “Baton” da Ditadura. 13 anos depois, ainda não nos cansamos de o ler.

 O “Baton” da Ditadura

O regime do MPLA está assustado. Os seus mentores, assim como o seu sustentáculo intelectual, já começam a agarrar-se à guerra com desespero. Já não conseguem disfarçar que, afinal, eles são os principais instigadores da guerra em Angola. Os principais causadores do efeito Savimbi. As eternas sanguessugas do poder.

Para já, duas figuras se destacam na linha da frente da polícia do pensamento do regime. João Melo e o triste Costa Andrade, vulgo Ndunduma. Eles representam e encarnam todo o surto da maldade política do MPLA.

Sem uma ideologia, obra política, social, económica e cultural a defender, os escribas de serviço da nomenclatura continuam a imaginar que ainda estão nos seus áureos tempos de perseguidores da mudança e da mentalidade independente. Continuam a imaginar que ainda têm todas as cartas na mão e que, de facto, podem jogá-las como bem entenderem. Assim como continuam a julgar que podem, efectivamente, forçar os filhos dos pobres e desgraçados a combater em defesa dos seus complexos e privados interesses.

João Melo, nas suas “Multivisões”, considera oportunismo o facto de um grupo de cidadãos tentar criar uma corrente de solidariedade para a paz, de defesa dos interesses da nação e da vontade da maioria. Está tudo claro, esse senhor é o que se pode chamar de belicista cobarde. Quer a guerra, sim. Mas a que é feita entre os pés descalços e por si aplaudida.

Doutro modo, ter-se-ia voluntariado a integrar o exército e a ir para as matas, onde, com todo o patriotismo, poderia, pelo menos, escrever as cartas dos soldados analfabetos que, humanos, e já sem reclamar salários, gostariam apenas de comunicar-se com os seus familiares.

Por outro lado, esse mensageiro da morte em momento algum interveio na sensibilização da elite e do grupo minoritário a que pertence para o envio dos seus filhos para a tropa. Portanto, é mais do que evidente o papel de João Melo. Defender o poder pelo poder, a classe dominante, os seus bens, interesses e o resto que se lixe. Ou melhor, que seja lixado!

Mas, como a perversidade também tem as suas universidades, João Melo consegue, com muita argúcia, transformar um argumento totalmente esfarrapado em verdade de seda. “É preciso destruir a máquina militarista de Savimbi.” Esse filho africano, tão inteligente quanto infestado de defeitos, só não é crucificado em praça pública porque não lhe conseguem deitar as mãos.

Porquê? Porque o regime precisa de tapar o seu principal buraco. A sua maior fraqueza de governação. A responsabilidade de José Eduardo dos Santos na destruição do país e no descalabro das instituições do Estado. A responsabilidade do presidente do MPLA e da República na promoção da incompetência, do peculato e da corrupção como valores sociais e políticos.

Nada melhor que elevar Savimbi à categoria de obsessão nacional para esconder José Eduardo dos Santos e tudo o que está por detrás dele. O mais discreto e astuto dos chefes dos regimes autoritários de que há memória em África. O exemplo mais alto do antipatriotismo em Angola. O modelo de liderança antipopular. Antipovo.

A esse respeito, o notável escritor luso-angolano José Eduardo Agualusa é mais prático. “Sim, é preciso julgar Jonas Savimbi. Mas porquê apenas Savimbi? Não podendo julgar todos os criminosos de guerra, que se levem a tribunal pelo menos os chefes: Jonas Savimbi e José Eduardo dos Santos.”

Mas, o povo angolano quer, acima de tudo, paz duradoira, justiça social e reconciliação nacional. Porque, de acordo com Martin Luther King, “nós jamais nos libertaremos dum inimigo respondendo ao ódio com ódio. Só nos libertaremos dum inimigo libertando-nos da inimizade. Por sua própria natureza, o ódio destrói e dilacera; por sua própria natureza, o amor cria e constrói. O amor constrói com o seu poder redentor”.

Nem José Eduardo dos Santos, nem Savimbi, quanto mais os seus fantoches, têm esse amor. Daí que o povo tenha necessidade de se unir e pacificamente lutar contra a guerra e os seus promotores.

É preciso cerrar fileiras contra o diversionismo de João Melo e Costa Andrade e a grande inimizade que estes nutrem pelo povo. Que o povo pergunte a esses senhores o que ambos já fizeram pelo seu bem-estar. Ambos são membros do Parlamento. Quantas vezes já defenderam os genuínos interesses do povo na Assembleia?

Defender o MPLA não é defender o povo angolano. Há quem o faça fanaticamente, não para defender o povo, mas como única alternativa de buscar o “caminho marítimo para a Índia”.

Os mesmos foram colocar-se no pedestal político da intelectualidade angolana. Quantas vezes já usaram o seu verbo para defender os valores da cultura nacional e as ricas tradições dos povos de Angola? Mais perguntas? Fácil é ser intelectual do MPLA, ou escriba em troca de privilégios, mas difícil é ser intelectual a favor da Nação.

O programa do MPLA transformou-se no da UNITA e o da UNITA no do MPLA, pelo menos em tautologia. Ainda que na prática todos escrevem por cima da água.

“O diálogo, por sua vez, ensina-nos a conhecer melhor os demais e a descobrir que também eles têm boas intenções, desejos de paz, de justiça e de amor. Pelo diálogo, degelam-se sentimentos de dureza e hostilidade, sintonizam-se as almas, encontram-se os homens a si mesmos e confiam uns nos outros”, ensinam-nos os bispos católicos na sua reflexão pastoral.

A persistência na guerra pretende tão-somente esconder os podres do poder. Apagar da memória colectiva a necessidade de educação, de equilíbrio social, de desenvolvimento e prosperidade para o país. Outrossim, essa confusão permite a gestão do país sem qualquer tipo de contestação. Sobretudo em relação às matanças que minam a suposta “santidade” do regime.

Veja-se, por exemplo, o caso de Thabo Mbeki, o actual Presidente da África do Sul. Já alguém teve coragem de expor as sevícias por que o homem passou na Estrada de Catete, quando lá foi detido em companhia de compatriotas seus, no ano de 1983? Já alguém teve a coragem de assumir que Thabo Mbeki foi forçado a assinar um documento em que tinha de assumir um inexistente atentado contra Oliver Tambo?

Tudo porque em 1983, 70 estudantes universitários sul-africanos que se haviam juntado às causas do ANC foram fuzilados no município do Cacuso, Malanje, por se terem recusado a combater a UNITA. Segundo informações dignas de apreço, os mesmos contavam receber treino aqui para lutar contra o “apartheid” e não para se envolver numa guerrilha civil alheia.

Consta que Thabo Mbeki juntou a sua voz à dos outros membros do ANC que repudiaram o acto. E, cadeia com eles!

Nesse mesmo ano, 26 outros membros do ANC, de um grupo de 40 detidos na Estrada de Catete, foram fuzilados. As sobreviventes Grace e Kate ainda podem contar a história.

Há muitos crimes por revelar e, graças a Deus, Thabo Mbeki sobreviveu para ser Presidente da África do Sul e estender a mão a José Eduardo dos Santos que, entretanto, a recusou.

Haja seriedade!

Rafael Marques

País do medo, sim. País do futuro, sim.

Futuro com medo? Não.

Desde que nos tornamos independentes, qual foi a principal forma de manter o povo cabisbaixo? Sem opinião própria, sem capacidade crítica? Respondemos sem receio de errar que foi a imposição do medo. Tal desiderato fez com que os angolanos hoje não manifestem livremente as suas opiniões e preocupações. Infelizmente, um regime comunista e autocrático, promotor do culto de personalidade, é o que os angolanos sempre tiveram desde então.

A democracia formal que se pratica em Angola, é mesmo só isso, formal, do papel não passa.

Actualmente em Angola, na imprensa pública, basta ver os informativos da TPA e ler os editoriais do Jornal de Angola, fala-se de Estado Democrático de Direito como se fossemos exemplo de democracia verdadeiramente emergente e direccionada para a sua consolidação. Não, não somos. Temos alguns exemplos:

- A imprensa pública é simplesmente um boneco nas mãos do regime e os jornalistas têm o seu pensamento reprimido.

- Até hoje, caros leitores, à Rádio Eclésia não é lhe permitida a extensão do seu sinal de antena.

- Surgiram rádios comunitárias, o que constitui uma boa iniciativa, é pena, porém, que sejam satélites do MPLA. Pois, elas não cumprem com os seus propósitos, que consistiriam em informar com imparcialidade e responsabilidade os problemas das suas respectivas comunidades.

Tudo isso, caríssimos leitores, em pleno século XXI onde a verdadeira informação factual é um valor acrescentado no que toca à busca de soluções dos problemas. Ora, como todo mundo sabe, os angolanos têm muitos problemas que precisam de ser abordados e discutidos sem nenhum tipo de preconceito ou medo. Como encontrar soluções se as reais carências do povo são encobertas pelos bajuladores de plantão e comunicólogos de serviço?

Escutamos às tantas que somos um povo especial. Lá vem o grande mentiroso com as suas paranóias. Povo especial em quê? Em suportar um presidente não eleito? Em aturar dirigentes arrogantes e anti-patriotas? Em permitir que governantes incompetentes e pseudo-intelectuais gozem com a nossa inteligência? Somos especiais, assim? Senhor José Eduardo dos Santos? Não, não somos.

Lá está um exemplo da “especialidade” do regime: atacar jovens pacíficos e indefesos. Ontem mesmo, um grupo de energúmenos, as famigeradas milícias pró Dos Santos, “defensores da paz e da democracia”, liderados pelo senhor Vento, atacou-nos quando debatíamos, em paz, os nossos projectos e futuras acções cívicas. Como acções deste tipo nos tornam especiais? Como?

Hexplosivo Mental, Mbanza Hamza e Luamba no Américo Boavida (antes de serem expulsos)

Talvez sejamos especiais por sermos facilmente manietados por um punhado de indivíduos. Talvez sejamos especiais porque suportamos um regime que se diz democrático, mas não entende nada de práticas democráticas. Talvez sejamos especiais porque deixamos que o caduco regime de Zedú use os meios públicos de comunicação social para ludibriar a sociedade. Talvez sejamos especiais porque aceitamos de ânimo leve a lavagem cerebral colectiva a que estamos submetidos. Na verdade, não seremos especiais enquanto José Eduardo dos Santos e a sua camarilha permanecerem no poder.

No entanto, que se saiba que nós não temos medo deste regime podre. Recusamo-nos a apodrecer com este sistema. Eles estão em contra-mão, nós estamos a caminhar em direcção a uma Angola diferente. Enganam-se aqueles que consideram que as acções das milícias colocar-nos-ão de joelhos.

No fundo, o que é que eles querem? Na nossa óptica eles querem

Que fiquemos calados perante a má governação

Que fiquemos calados perante o enriquecimento ilícito.

Que fiquemos calados perante os abusos dos direitos humanos que ocorrem em pouco por toda Angola.

Que finjamos que em Angola está tudo bem e todos os angolanos vivem tal como se nos apresenta o Canal 2 da TPA.

Que nos comportemos como robots perante as ilegalidades do regime.

Isso é o que eles querem. Nós, simplesmente não daremos isso. Alias, o primeiro Presidente de Angola, disse uma vez, e passo a citar: “Muitos de nós tombaremos na primeira esquina, mas a revolução continuará a sua marcha triunfal”.

O que é que nós queremos com as nossas acções de contestação? Com humildade e determinação queremos o seguinte:

Nós queremos uma Angola justa e cheia de oportunidades para todos.

Nós queremos uma Angola livre do medo imposto pelo 27 de Maio de 1977 e do terror de três décadas de guerras.

Nós queremos uma Angola que seja exemplar no campo da liberdade de expressão.

Nós queremos uma Angola aberta, tolerante, na qual os governantes percebam que governar é servir e que com o dinheiro público não se brinca.

Nós queremos uma imprensa pública, que seja um autêntico serviço público.

Nós queremos uma Angola, na qual exista efectiva e funcional separação de poderes.

Nós queremos uma Angola, na qual os governantes que roubam sejam levados às barras da justiça.

Nós queremos uma Angola, na qual o Presidente da República não tenha super-poderes.

Nós queremos uma Angola livre de analfabetos e esfomeados, na qual ainda que as pessoas não tenham emprego, tenham pelo menos uma vida digna, até porque somos um país muito ricos em recursos naturais. Então, que estes recursos sirvam o angolano.

Chegados aqui, lembramo-nos das palavras do 1ºPresidente da UNITA, Jonas Savimbi, e passo a citar: “Primeiro o angolano, segundo o angolano, terceiro o angolano, o angolano sempre”.

Portanto, que fique bem claro, caros leitores, que esta luta é pela democracia, pela liberdade, pela boa governação e pela paz. Não há cá truques.

Source: Makaangola.org / Rafael Marques – 23 MAIO 2012

Translated to English by: Pedrowski Teca

Luanda – A group of about 15 people attached to Angolan pro-government militias, armed with pistols, machetes and iron rods, have attacked the group of young people who have been co-ordinating demonstrations against President José Eduardo dos Santos since March 2011. President Dos Santos’ 32 year rule is tied for the longest in Africa.

Shortly after 10pm on Tuesday night the attackers burst into the home of rap artist Casimiro Carbono in Luanda’s Nelito Soares neighbourhood, where ten youths had gathered.

With pistols in their hands, the attackers violently beat Gaspar Luamba, Américo Vaz, Mbanza Hamza, Tukayano Rosalino, Alexandre Dias dos Santos, Jang Nómada, Massilon Chindombe, Mabiala Kianda, and Jeremias Manuel Augusto “Explosivo Mental”. Their host, Casimiro Carbono, avoided the attacks as he had gone outside a few moments earlier to take a telephone call.

Afonso Mayanda, known as “Mbanza Hamza”, 26, said the attackers carried out the attacks in a quick and businesslike manner as soon as the door was opened. “They beat me with an iron rod on the head and all over my body, and pointed pistols at us so we wouldn’t resist the beating,” he said. Mbanza Hama needed 12 stitches in his head, and suffered fractures to his skull and right arm.

Gaspar Luamba was also severely beaten on the head with an iron rod, needing eight stitches, and his arms were broken. One of the pro-government thugs also struck Jang Nómada on the head with an iron bar, severely injuring him in addition to the beating he received to his entire body.

The rapper Jeremias Manuel Augusto “Explosivo Mental”, 25, tried to fight off the blows aimed at his head, and ended up with swollen arms, a broken finger on his right hand, and bruises all over his body. Massilon Chindombe, who tried to hide in the bedroom, said one of the attackers pointed a pistol at him when he was trying to close the door. “We said we were calling the police, and he laughed and replied ‘what police?’”. Chindombe said they took the wounded to the Américo Boavida Hospital after the attack. “Luamba and Mbanza Hamza had lost a lot of blood and were semi-conscious. At the hospital one of the nurses tried to apply stitches to Luamba without anaesthetic or attention to basic hygiene. We had to go to a private clinic,” he said.

Eyewitnesses said that when the militias were leaving the scene of the crime they fired three shots to disperse the neighbours who had begun to gather in the street, and drove away in Toyota Land Cruiser vehicles allegedly belonging to National Police officers. In several previous demonstrations that have been suppressed by the National Police, the group of attackers has carried out acts of violence under police protection. Some members of the group have been identified as police officers.

Since Monday, the demonstration organisers have had the use of a bi-weekly programme on the opposition station Rádio Despertar, where they have tried to promote freedom of expression and to talk about the protests. Carbono Casimiro said the activists who were attacked this week had gathered in order to “devise new strategies for our radio programme and we were also discussing other problems to do with internal organisation and projects”. Rádio Despertar has been broadcasting since 2006 in terms of the peace agreement that allowed the former rebel movement UNITA to transform its Voz do Galo Negro (Vorgan) radio station into a commercial broadcaster. It is permitted to broadcast only in Luanda on FM, and its distinctly anti-regime editorial line has served to increase its listenership.

This week’s attack was the second time that militias have invaded Carbono Casimiro’s home. The first time was on March 9 this year, when the assailants used iron bars to attack Casimiro and the activists Liberdade Sampaio, Catumbila Faz-Tudo “Caveira”, Nelito Ramalhete and António Roque dos Santos, who were planning a demonstration against Dos Santos the following day. On March 10, the attackers violently dispersed a group of about 30 protestors at the Cazenga Tank in Luanda. Among those seriously injured in the attack were the rapper Luaty Beirão “Ikonoklasta” and the secretary-general of the Bloco Democrático party, Filomeno Vieira Lopes, who had to undergo surgery in Germany. Two days later, the Angolan state television, TPA, gave plenty of airtime to a purported “Group of Angolan Citizens for Peace, Security and Democracy in the Republic of Angola”, which claimed responsibility for the attacks and promised further violence against those who demonstrated against the regime.

Censorship and the control of what is broadcast on TPA are watched scrupulously by Dos Santos’s executive, and the reading of a statement by an unknown group boasting of having committed a crime would in no circumstances have been allowed without the approval of the authorities. The pro-government extremists are drawing inspiration from Arab fundamentalist organisations to spread their image of terror.

Link in Portuguese: http://makaangola.org/2012/05/milicias-pro-dos-santos-atacam/

Link: http://www.club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=11299%3Amilicias-pro-dos-santos-atacam-jovem-em-luanda&catid=10%3Amanifestacoes&Itemid=142

Não temos outro nome para isso a não ser terrorismo de estado. Entre ferimentos graves, cabeças partidas, hematomas, e uma raiva cega e paralisante, achamos melhor fazer um copy paste do que acaba de postar o Rafael Marques do que estarmos aqui a tentar escrever um texto mínimamente coerente. Para os terroristas que nos atacaram, saibam de uma vez por todas que não é com este tipo de acções cobardes que vão nos calar. Não funcionou na primeira vez, e não vai funcionar nunca. Ou nos matam, ou quê.

Milícias pró-Dos Santos Atacam

Um grupo de cerca de 15 indivíduos afectos às milícias pró-governamentais, armados com pistolas, catanas e varas de ferro, atacou esta noite o núcleo de jovens que tem liderado a organização de manifestações anti-Dos Santos, desde Março de 2011.

Pouco depois das 22h00, os atacantes irromperam, de surpresa, a residência do rapper Casimiro Carbono, no Bairro Nelito Soares, em Luanda, onde se encontravam reunidos 10 jovens.

De pistolas em punho, os atacantes espancaram violentamente Gaspar Luamba, Américo Vaz, Mbanza Hamza, Tukayano Rosalino, Alexandre Dias dos Santos, Jang Nómada, Massilon Chindombe, Mabiala Kianda, e Explosivo Mental. O anfitriao, Casimiro Carbono, escapou aos ataques por ter saído pouco antes para atender a um telefonema.

Afonso Mayanda “Mbanza Hamza”, 26 anos, explicou como os agressores, mal abriram a porta, executaram, de forma profissional e rápida, os ataques. “Bateram-me com uma vara de ferro na cabeça e em todo o corpo, e apontavam as pistolas para não reagirmos à pancadaria”, disse Mbanza Hamza. O jovem sofreu fracturas na cabeça, que levou 12 pontos, e no braço direito.

Gaspar Luamba também foi severamente atingido na cabeça com vara de ferro, tendo levado oito pontos, e ficou com os membros inferiores fracturados com a pancadaria. Um dos delinquentes pró-regime também assestou uma barra de ferro na cabeça de Jang Nómada, causando-lhe grande ferimento, para além da pancadaria que recebeu por todo o corpo.

Por sua vez, o rapper Jeremias Manuel Augusto “Explosivo Mental”, 25 anos, ofereceu resistência aos ataques na cabeça e acabou com os braços inflamados, um dedo da mão direita fracturado, e hematomas por todo o corpo.

Massilon Chindombe, que procurou refúgio no quarto, contou como um dos assaltantes lhe apontou a pistola quando tentava fechar a porta. “Gritámos que estávamos a chamar a polícia e ele riu e respondeu ‘qual polícia’?” O activista conta que, após o ataque levaram as vítimas ao Hospital Américo Boavida. “O Luamba e o Mbanza Hamza perderam muito sangue e estavam semi-conscientes. No hospital um dos enfermeiros começou a suturar o Luamba sem anestesia ou cuidados básicos de higiene. Tivemos de ir para uma clínica privada”, explicou.

Esta é a segunda vez que a milícias invadem a residência de Carbono Casimiro. A primeira aconteceu a 9 de Março passado, tendo os agressores atacado, com barras de ferro, o anfitrião, os activistas Liberdade Sampaio, Catumbila Faz-Tudo “Caveira”, Nelito Ramalhete e António Roque dos Santos. Estes planificavam um protesto anti-Dos Santos para o dia seguinte. A 10 de Março, os atacantes dispersaram violentamente uma concentração de cerca de 30 manifestantes, no Tanque do Cazenga, em Luanda, tendo causado sérios ferimentos, entre outros, ao rapper Luaty Beirão “Ikonoklasta”, ao secretário-geral do Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes, que teve de ser operado na Alemanha. A Televisão Pública de Angola (TPA) deu amplo espaço, a 12 de Março, a um suposto “Grupo de Cidadãos Angolanos pela Paz, Segurança e Democracia na República de Angola” que reivindicou os ataques e prometeu mais actos de violência contra todos aqueles que se manifestem contra o regime.


A censura e o controlo da informação na TPA são monitorados de forma minuciosa pelo Executivo do Presidente José Eduardo dos Santos e a leitura de um comunicado, em que um grupo desconhecido, se vangloriava de ter cometido um crime, em circunstância alguma teria passado sem o aval das autoridades. Os extremistas pró-governamentais inspiraram-se no modelo de comunicados de organizações fundamentalistas árabes para transmitir a sua imagem de terror.

Ao retirarem-se do local do crime, as milícias, segundo várias testemunhas oculares, efectuaram três disparos para afugentar a vizinhança que se começava a reunir na rua, e o fizeram em viaturas Land-Cruiser alegadamente atribuídas a oficiais da Polícia Nacional. Em várias manifestações, reprimidas pela Polícia Nacional, o grupo de agressores realizava sempre os seus actos de violência com protecção policial. Alguns dos seus membros são identificados como oficiais desta corporação.

Desde a passada segunda-feira, os organizadores das manifestações contam com um programa radiofónico bi-semanal na Rádio Despertar, onde pretendem promover a liberdade de expressão e falar de protestos. Segundo Carbono Casimiro, a reunião, que sofreu o ataque, “visava traçar novas estratégias para o nosso programa de rádio, e estávamos também a discutir outros problemas de organização interna e projectos”. A Rádio Despertar emite, desde 2006, como parte dos Acordos de Paz que permitiram, à UNITA, a transformação da sua então estação emissora Voz do Galo Negro (Vorgan) em rádio comercial. Esta emite em Luanda apenas, em Frequência Modelada (FM), e tem vindo a aumentar a sua audiência pela sua linha editorial marcadamente anti-regime.

-Rafael Marques

O dia 19 de Maio de 2012 foi marcado por uma histórica manifestação do maior partido da oposição em Angola, a UNITA. Ao contrário das famigeradas manifestações e maratonas do partido da situação, a UNITA não recorreu a subterfúgios para mobilizar os jovens. Não vimos na manifestação da UNITA as habituais e “inspiradoras” cucas a 25 kwanzas que fazem tanto sucesso entre os seguidores do M. Foi um acto de massas, digno de um grande partido político, que serviu também para mostrar a sociedade angolana a força deste partido que, contrariamente ao que muitos fazedores de opinião do sistema têm propagado, continua com muitos simpatizantes e muita energia anímica para revitalizar e marcar pontos no cenário político angolano.

É verdade que para muitos angolanos, também para nós centraleiros, a UNITA de Samakuva mostrava, num passado não muito distante, falta de garra política. No nosso entender, a falta de garra política traduz-se na incapacidade de criar factos políticos que galvanizassem o povo angolano despertando-o, cada vez mais, para a realidade social atípica, na qual, o MPLA, que se crê dono e senhor de Angola, continua imparável na sua errática trajectória governativa em direcção ao abismo.

Era deveras decepcionante, constatar que a falta de garra politica da UNITA estava aliada a um conjunto de problemas internos que pareciam intermináveis. Parece que por lá as águas estão mais tranquilas. Supostamente, a paz “espiritual” voltou a reinar naquela “casa” após a decisão de Abel Chivukukuvu de construir a sua própria CASA. Felizmente, os últimos factos políticos significativos protagonizados pelo Galo Negro mostram uma UNITA mais acutilante e mais interventiva em diversos espaços mediáticos e geográficos de Angola e do Mundo, o que configura uma nova forma de actuação perante à hegemonia do MPLA nos meios públicos de comunicação social de Angola que, depois da abordagem que deram à manifestação da UNITA, já não temos mais dúvidas, continuam completamente à margem de qualquer ética jornalística que se preze.

O Isaías Samakuva tem dando nos últimos tempos o ar da sua graça. Tem estado a se comportar como um verdadeiro líder oposicionista. Tem estado criar fortes dores de cabeça ao caduco regime de José Eduardo dos Santos.

Voltando à magnitude do acto da UNITA no dia 19 de Maio, constatámos in loco que a moldura humana que apoiou a manifestação da UNITA espelha um equilíbrio de forças politicas que não está representado na Assembleia Nacional. Parecendo que não, aquilo foi mais uma demonstração de que as alegações da fraude eleitoral ocorridas em 2008, não foram em vão, como muitos extremistas do regime defendem. Desde o intelectual orgânico João Melo ao “livreiro” João Pinto, passando por Virgílios e Bornitos, os pontas de lanças do regime são unânimes quando se trata de anunciar em alto e bom som a morte da UNITA nas próximas eleições, com uma substancial redução dos seus 16 lugares no Parlamento.

A verdade, porém, é que, não conseguimos formular uma justificação plausível em relação aos 16 lugares da UNITA no parlamento angolano. Considerando que a UNITA sempre foi um partido de massas, como explicar que um partido da dimensão da UNITA só tenha obtido 16 lugares nas últimas eleições? Os centraleiros não conseguiram até agora encontrar uma resposta. Mas, tentaremos contactar o David Copperfield para que nos ajude a encontrar uma solução neste problema hercúleo. Copperfield é mágico, não vale a pena contactá-lo. Bom, então, vamos mesmo questionar a Casa Militar da Presidência da Republica. Quem sabe o General Kopelipa tenha alguma resposta coerente para este “fenómeno”.

Portanto, a manifestação da UNITA deixou às claras a capacidade deste regime de burlar a verdade e pisotear as regras constitucionais estabelecidas. 16 lugares não são de longe o espectro político representativo da UNITA.

Esperamos que a UNITA, os restantes partidos políticos e a sociedade civil tenham aprendido as lições do passado e que prestem muita atenção a este macaco velho que governa Angola. As próximas eleições não podem ser roubadas aos angolanos. Não aceitaremos isso.

Definitivamente, a convocação de uma manifestação em escala NACIONAL por parte da UNITA foi o grande facto político da semana. O país está nítidamente agitado. Coincidência ou não, pouco depois da convocação desta mega-manifestação o Tribunal Supremo ‘decidiu’ anular a nomeação de Suzana Inglês como presidente da CNE. Não existe em Angola partido que mais pancadas recebe da parte do regime, ou partido que mais medo parece provocar nas hostes dos mampelas. Incrível como só 16 deputados têm mostrado mais trabalho que os deputados todos do MPLA juntos, nesta luta pela democracia em Angola…é caso pra dizer, FINALMENTE.

A maltal da Central gostou do apelo do Kota Samakuva em incentivar TODA A SOCIEDADE para aderir a manifestação, independentemente da cor partidária. Apelaram também para as pessoas irem trajadas de branco (cor da paz), verde (cor da esperança) e azul (cor das eleições). Estamos solidários com a iniciativa dos nossos irmãos da UNITA.

E certamente que queremos ver se os kaenches do costume vão aparecer…

Passamos na íntegra o mais recente pronunciamento de Samakuva:

Angolanas e angolanos:

Chamo-me Isaías Samakuva, o Presidente da UNITA. Venho até vós, para vos falar da manifestação que na quinta-feira passada, O Comité Permanente da UNITA, o partido de que sou Presidente, convocou para ter lugar em todas as províncias e junto de algumas embaixadas de Angola no estrangeiro a fim de exigir a realização de eleições livres e transparentes, conforme a Lei Angolana estabelece.

Venho até vós, para convidar-vos a participar massivamente nessa manifestação pacífica e ordeira, cujo único fim é exigir que a vontade do povo venha a exprimir-se num ambiente de transparência e de Paz. Esta será uma manifestação de todos contra a ilegalidade.

Falo para si, mamã zungueira e irmã zungueira. Falo para si irmão zungueiro. Você que passa os dias andar de um lado para o outro, com produtos na mão, no cesto e no carro de mão à busca da sobrevivência. Você moto-taxista, vulgo kupapata; você taxista, vulgo gira-bairro. É para si que falo.

O que queremos é acabar com o seu sofrimento. Para que este sofrimento acabe, precisamos de eleições livres e transparentes. No entanto, tudo o que estamos a ver, os responsáveis pelo seu sofrimento, os que ao longo de trinta e seis de governação não demonstraram, nem demonstram vontade de resolver os seus problemas, também estão a demonstrar que não estão interessados em fazer eleições transparentes, como a lei manda. Se permitirmos que isso aconteça, estamos a permitir que o seu sofrimento continue por muitos mais anos. Nós queremos que isso acabe. POR ISSO QUEREMOS MANIFESTAR O NOSSO DESAGRADO, A NOSSA INSATISFAÇÃO E EXIGIR QUE AS ELEIÇÕES SEJAM LIVRES. SO ASSIM PODEREMOS MUDAR A SITUAÇÃO. Venha connosco. Aceite o nosso convite. No Sábado, dia 19, contamos consigo no local que lhe vai ser indicado.

Falo para si jovem angolano. Você que não consegue continuar com os seus estudos nem consegue emprego mesmo com a sua formação feita. Você que não consegue casa para viver com a sua noiva. É para si que me dirijo. Queremos acabar com o seu sofrimento. Venha connosco exprimir a sua insatisfação. Não tenha medo.

A manifestação é um direito consagrado na Constituição. Vamos exercê-lo de uma forma ordeira e pacífica. Esperamos que a Polícia venha proteger os cidadãos enquanto a manifestação correr. É seu dever fazê-lo.

Falo para vós homens e mulheres, funcionários do Estado ou não. Vós que nem água potável, nem energia eléctrica tendes. Queremos acabar com o vosso sofrimento. Mas para que este sofrimento acabe, precisamos de eleições livres e transparentes. No entanto, tudo o que estamos a ver, os responsáveis pelo vosso sofrimento, os que ao longo de tantos anos de governo não demonstraram vontade de resolver os vossos, os nossos problemas, também estão a demonstrar que não estão interessados em fazer eleições transparentes, como a lei manda. Se permitirmos que isso aconteça, estamos a permitir que o vosso, o nosso sofrimento continue por muitos mais anos. Nós queremos que isso acabe, mas para acabar, precisamos do voto livre e transparente. POR ISSO QUEREMOS MANIFESTAR O NOSSO DESAGRADO, A NOSSA INSATISFAÇÃO E EXIGIR QUE AS ELEIÇÕES SEJAS LIVRES PARA PODERMOS MUDAR A SITUAÇÃO.

Venha connosco.

Aceite o nosso convite.

No Sábado, dia 19 de Maio, contamos consigo no local que lhe vai ser indicado. Não hesite. Venha exprimir, democrática e ordeiramente a sua insatisfação.

Irmão roboteiro, você que arrisca a vida todos os dias a atravessar as ruas, no meio de tráfego intenso de viaturas, com cargas em carros de mão, para sobreviveres, é para si que estou a falar. Venha exprimir o seu desejo de ter eleições de acordo com a Lei. A sua vida precisa de mudar. Precisas de ir à escola. Precisas de ter um emprego melhor. Tens direito à uma vida melhor. Se permitires que estas eleições sejam fraudulentas outra vez, o seu sofrimento vai continuar. Venha manifestar a sua vontade de mudança no sábado dia 19. Com disciplina. Com ordem. E com determinação.

Enfermeiros e enfermeiras, médicos e médicas. Engenheiros e engenheiras; juristas; jornalistas, empresárias e empresários; comerciantes, marceneiros, carpinteiros, trabalhadores de profissões diversas. Homens e mulheres; rapazes e raparigas; Juventude angolana; em suma, angolanos e angolanas; membros de partidos políticos ou não. Esta não será manifestação da UNITA. É uma manifestação dos angolanos contra a ilegalidade. Não se coíbam. Venham. Contamos convosco. Trata-se de uma manifestação pacífica em defesa da Paz e da democracia, de eleições livres e transparentes. Por isso ninguém deve de ter medo.

Contamos consigo. Muito obrigado.

Luanda, 14 de Maio de 2012.

 

Depois de um braço-de-ferro estúpido que violava abertamente a lei eleitoral acabadinha de sair do forno, eis que se dá a capitulação da Tia Suzy, não por decisão pessoal baseada na verticalidade e rigidez deontológicas (que deveriam ser) inerentes a qualquer académico erudito da lei, como dizem ser a Srª Inglês, mas porque a UNITA levantou os calores e, desta vez, decidiu juntar atos às promessas de reação nas ruas. É um infortúnio que a Srª se tenha colocado na posição de agora aparecer enxovalhada, humilhada perante o país. Prova-se assim que não é o Sr. Cristiano André,  nao é a (in)justiça angolana que funciona, sao as (in)conveniências que AS RUAS causam ao poder instituído que realmente fazem funcionar a nossa “democracia”. O sinal está enviado por parte do próprio governo, eles só repõem a legalidade quando se sentem pressionados pelas ruas, por isso, vamos abolir a Assembleia Nacional onde se brinca aos políticos e a confecção de leis decorativas e vamos começar a exigir os nossos direitos onde eles são ouvidos: MANIFESTAÇÕES EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL!

Estas duas imagens, coloriram a nossa manhã com gargalhadas e por isso vamos partilhá-las aqui. A primeira vinha acompanhada de uma modificação à letra do Matias Damásio que achámos digna de publicação também:

DEPOIS DO TEATRO “EU SOU PRESIDENTE DA CNE”, HOJE SUZANA INGLÊS ACORDOU CANTANDO ESTE SOM:

É o fim, parece mentira mas é verdade,

pois para mim era bom que não fosse realidade (2x)
Ilegalidade é tão ruim…
Ser nomeada na ilegalidade,
contribuindo para fraude,
para amanhã sair por causa de uma anunciada manifestação da oposição.
Porque, que tudo tem que ser assim…
De acordo com as tuas ideias maquiavélicas
e já nem sequer pensas na imagem e reputação alheia.
(…)

E CHORANDO ELE PERGUNTAVA RETORICAMENTE:
Porquê JES… Porquê JE! Porquê JES?
Eu sempre fui uma das tuas melhores serviçais.
(…)

BREVEMENTE O “LIVRO” E O “DISCO”… ADEUS SUZI

E está a deixar-nos a miséria absoluta como legado! Como podem ter a ousadia e o desplante de sequer balbuciar que estamos a avançar a largos olhos e, “se continuarmos a este ritmo, erradicaremos totalmente a pobreza dentro de alguns anos“? Mas porque nos tomam por imbecis desta forma? O relato abaixo é do nosso centraleiro Massilon Chindombe, postado na sua página de facebook. O “à vontade” que indicia alguma “normalidade” nas ocorrências macabras que descreve, é de destroçar ainda mais o coração de alguém que não esteja calejado com a realidade do país líder no ranking da “Mortalidade Infantil”, onde “morrer é normal”, independentemente dessas mortes poderem ser evitadas com ajustes mínimos nas mentalidades e comportamentos de quem com elas lida diretamente e nas condições de trabalho que se lhes proporciona para que velem com rigor profissional que deles se requer, pelo bem mais precioso que, infelizmente, deles depende enormemente. É avassalador (e aquele final em “riso brasileiro” não ajuda nada na relativização). Segue o texto:

“É no mínimo ingrata a procura de serviços médicos em Luanda!

No dia 14/05/2012 nasceu a Liana, minha sobrinha num parto turbulento fruto do atendimento precário na maternidade Ngangula.
Vejam que as dores de parto tiveram início no dia 11/05/2012 e na manha deste dia as enfermeiras observaram e orientaram que a parturiente voltasse a 1H da manhã do dia 12/05/2012. Nesta hora mais uma vez pediram que voltasse as 6H00AM e desta vez a enfermeira disse: “a dilatação ainda não começou podem ir para casa. Convém virem daqui a 1 semana porque estas dores ainda não são de parto mas devem-se ao facto de ser uma parturiente primípara ”. No dia seguinte 13/05/2012 deu-se o rebentamento da bolsa, jovem foi levada para o mesmo hospital onde teve que ser atendida de emergência, pois tornou-se tarde, a bebe já estava a entrar em sofrimento e como se não bastasse o parto teve que ser por via de uma cesariana. Fruto deste sofrimento a bebe teve que ser submetida a maquinas de oxigénio para sobreviver… No dia 14/05/2012 faltou energia no hospital e a recém-nascida faleceu… Apercebi-me da morte de outros 6 recém-nascidos no mesmo dia e pela mesma causa.
Digam-me se isto não é um homicídio???
Mas a maternidade não tem alternativas para casos em que falta energia geral?
Não existe um plano B de transferência de pacientes para outras unidades hospitalares?Q1: Quando cheguei a maternidade tentando perceber o que se tinha passado, conversei com algumas senhoras que aguardavam por atendimento relataram-me que quando faltou energia algumas enfermeiras suspiraram de alívio chegando uma delas a dizer: “Ainda bem que faltou energia assim vamos descansar um pouco”. Isto é normal? Não estarão estas enfermeiras submetidas a cargas horarias superiores a que deviam?
Q2: Ontem no cemitério verifiquei uma enchente tremenda falei com um dos couveiros que me disse – “meu Kota isto é sempre assim e nos últimos anos tem aumentado” Qual redução da mortalidade?????
Q3:Vejam para o campo onde devia estar o nome do médico que verificou o óbito no boletim que anexei. Dizem que o “Dr. Nome Não Legível” aparece na maioria dos boletins rsrsrsrsrsrsrs”

Por Massilon Chindombe

É demais! A falta de seriedade, a falta de respeito e sobretudo a falta de ética de que fomos vítimas hoje por parte da Rádio Despertar, na pessoa do seu Diretor Franco Nhany que tentou desembaraçar-se do peso da “comunicação desagradável” indigitando um kabolas de sua alcunha “Ferramenta” para inviabilizar o programa que anunciámos aqui ontem e hoje. Foi um descalabro a forma escolhida para o fazer, pois esperaram pelas 14h00 EM PONTO, quando o Luaty já estaria instalado na cadeira a ajeitar os auscultadores, preparando-se para proferir as palavras de abertura.

O Luaty foi o primeiro a chegar à Rádio, por receio dos já conhecidos transtornos do trânsito. Seriam 12h50 quando desembarcou na portaria da rádio. A primeira coisa que fez foi apresentar-se ao Diretor que, segundo relata, mostrou alguma estranheza no facto dele estar lá para a primeira edição do programa pois “a última vez que ouviu falar do assunto, ainda faltaria a gravação do indicativo e, depois disso, fazem-se uns dias de publicidade para anunciar a entrada de um novo programa na grelha”. Logo aí, ficou patente a falta de organização e de competência de todos os envolvidos no processo, pois, o “indicativo foi gravado no sábado e, segundo o Luamba, esse anúncio já está a circular”. De Sábado à noite até hoje, período da tarde de segunda-feira, o Diretor da rádio não ouviu a rádio tempo suficiente para apanhar o anúncio? Não será isso um pouco de distração a mais?

Em momento algum, segundo o Luaty, o sr. Nhany pôs em questão a ida para o ar do programa, por isso a surpresa foi grande quando o sr. “Ferramenta” sentou na sala de emissão, com aquele jeito bem mwangolê de quem cagou na fuba e está vir assumir que não conseguiu segurar a merda na tripa, meio envergonhado, meio “ê, ê, meus ndengues, epá, aconteceu!” e começou a introduzir o assunto: “temos um problema algo complicado, mas nada que não se resolva. Por razões técnicas o vosso programa não pode ir hoje para o ar, porque há uma série de etapas a cumprir, temos que pôr um aviso a circular que vai começar esse novo programa…”. O Luaty explodiu e começou a berrar “isso é falta de respeito pelo tempo alheio, deixaram-nos vir até aqui porquê? Têm noção dos transtornos que causaram? Não podiam ter ligado? Estão a fazer-nos de parvos!”. O Ferramenta quis apelar à calma, mas calma era a última coisa que ele ia conseguir depois de nos vetar em cima da hora o programa alegando simplesmente que “eu como técnico-chefe não fui informado que já estaria o indicativo gravado e o anúncio a circular”. Vendo que não tinha como nos consolar, declarou: “vão então falar com o diretor, se ele der a ordem eu acato!”.

Claro que nós fomos ter com o diretor para esclarecer a situação, na esperança que ele fosse dar luz verde, pois o erro era deles e nós não tinhámos de arcar com as consequências da sua azelhice. Ledo engano, pois o diretor fingiu que estar ocupado/reunido e “caso queiram, esperem”. O tempo foi passando e, fartos de fazer figura de basaltos, mandámos #&@§¬½$ e bazámos dali, ficando apenas o Luamba, persistente, à espera que a “reunião” terminasse para esclarecer as coisas. Chegámos a ligar para o sr. Nhany, que depois de muita insistência acabou por atender. Pedimos que assumisse o erro como responsável, que fossemos ao estúdio e anunciássemos que o programa não poderia ir para o ar hoje (não que as pessoas já não tivessem percebido por essa altura, pois a seleção musical era a de um coração despedaçado por um amor não correspondido algures entre 1972 e 1994). Escusado será dizer que isso não aconteceu! Quem sintonizou apercebeu-se!

Ficámos completamente atordoados com esse comportamento que revela falta de humildade, incompetência, egocentrismo, falta de brio profissional, falta de respeito e falta de bilhas! Pensámos que estaríamos a lidar com pessoas de outra índole, mas enganamo-nos redondamente, é tudo farinha do mesmo saco, trigo da mesma ceifa, peixe da mesma faina, angolanos afetados pela pandemia do “empurra-para-o-outro-lado”, “varre-para-baixo-do-tapete”, “a culpa é sempre de alguém, exceto minha”, “eu sou chefe e decido”. Resumindo, a atitude da equipa da despertar foi desprestigiante, deplorável, insultuosa, com metodologias e mentalidades similares a dos seus nemesis, o que nos encheu de incredulidade e desalento quando nos pusemos a pensar: se este é o mais importante partido da oposição, vai-se mudar o quê exatamente? Do nosso ponto de vista, a UNITA está parecidíssima com o MPLA e a ocorrência de hoje foi sintomática! Vire-se para Deus, prepare metade do salário para deixar no balaio e VOTE EDIR MACEDO!