País do medo… até um dia!

Posted: May 24, 2012 in Denúncia, Direitos Humanos, Luanda, Opinião

País do medo, sim. País do futuro, sim.

Futuro com medo? Não.

Desde que nos tornamos independentes, qual foi a principal forma de manter o povo cabisbaixo? Sem opinião própria, sem capacidade crítica? Respondemos sem receio de errar que foi a imposição do medo. Tal desiderato fez com que os angolanos hoje não manifestem livremente as suas opiniões e preocupações. Infelizmente, um regime comunista e autocrático, promotor do culto de personalidade, é o que os angolanos sempre tiveram desde então.

A democracia formal que se pratica em Angola, é mesmo só isso, formal, do papel não passa.

Actualmente em Angola, na imprensa pública, basta ver os informativos da TPA e ler os editoriais do Jornal de Angola, fala-se de Estado Democrático de Direito como se fossemos exemplo de democracia verdadeiramente emergente e direccionada para a sua consolidação. Não, não somos. Temos alguns exemplos:

- A imprensa pública é simplesmente um boneco nas mãos do regime e os jornalistas têm o seu pensamento reprimido.

- Até hoje, caros leitores, à Rádio Eclésia não é lhe permitida a extensão do seu sinal de antena.

- Surgiram rádios comunitárias, o que constitui uma boa iniciativa, é pena, porém, que sejam satélites do MPLA. Pois, elas não cumprem com os seus propósitos, que consistiriam em informar com imparcialidade e responsabilidade os problemas das suas respectivas comunidades.

Tudo isso, caríssimos leitores, em pleno século XXI onde a verdadeira informação factual é um valor acrescentado no que toca à busca de soluções dos problemas. Ora, como todo mundo sabe, os angolanos têm muitos problemas que precisam de ser abordados e discutidos sem nenhum tipo de preconceito ou medo. Como encontrar soluções se as reais carências do povo são encobertas pelos bajuladores de plantão e comunicólogos de serviço?

Escutamos às tantas que somos um povo especial. Lá vem o grande mentiroso com as suas paranóias. Povo especial em quê? Em suportar um presidente não eleito? Em aturar dirigentes arrogantes e anti-patriotas? Em permitir que governantes incompetentes e pseudo-intelectuais gozem com a nossa inteligência? Somos especiais, assim? Senhor José Eduardo dos Santos? Não, não somos.

Lá está um exemplo da “especialidade” do regime: atacar jovens pacíficos e indefesos. Ontem mesmo, um grupo de energúmenos, as famigeradas milícias pró Dos Santos, “defensores da paz e da democracia”, liderados pelo senhor Vento, atacou-nos quando debatíamos, em paz, os nossos projectos e futuras acções cívicas. Como acções deste tipo nos tornam especiais? Como?

Hexplosivo Mental, Mbanza Hamza e Luamba no Américo Boavida (antes de serem expulsos)

Talvez sejamos especiais por sermos facilmente manietados por um punhado de indivíduos. Talvez sejamos especiais porque suportamos um regime que se diz democrático, mas não entende nada de práticas democráticas. Talvez sejamos especiais porque deixamos que o caduco regime de Zedú use os meios públicos de comunicação social para ludibriar a sociedade. Talvez sejamos especiais porque aceitamos de ânimo leve a lavagem cerebral colectiva a que estamos submetidos. Na verdade, não seremos especiais enquanto José Eduardo dos Santos e a sua camarilha permanecerem no poder.

No entanto, que se saiba que nós não temos medo deste regime podre. Recusamo-nos a apodrecer com este sistema. Eles estão em contra-mão, nós estamos a caminhar em direcção a uma Angola diferente. Enganam-se aqueles que consideram que as acções das milícias colocar-nos-ão de joelhos.

No fundo, o que é que eles querem? Na nossa óptica eles querem

Que fiquemos calados perante a má governação

Que fiquemos calados perante o enriquecimento ilícito.

Que fiquemos calados perante os abusos dos direitos humanos que ocorrem em pouco por toda Angola.

Que finjamos que em Angola está tudo bem e todos os angolanos vivem tal como se nos apresenta o Canal 2 da TPA.

Que nos comportemos como robots perante as ilegalidades do regime.

Isso é o que eles querem. Nós, simplesmente não daremos isso. Alias, o primeiro Presidente de Angola, disse uma vez, e passo a citar: “Muitos de nós tombaremos na primeira esquina, mas a revolução continuará a sua marcha triunfal”.

O que é que nós queremos com as nossas acções de contestação? Com humildade e determinação queremos o seguinte:

Nós queremos uma Angola justa e cheia de oportunidades para todos.

Nós queremos uma Angola livre do medo imposto pelo 27 de Maio de 1977 e do terror de três décadas de guerras.

Nós queremos uma Angola que seja exemplar no campo da liberdade de expressão.

Nós queremos uma Angola aberta, tolerante, na qual os governantes percebam que governar é servir e que com o dinheiro público não se brinca.

Nós queremos uma imprensa pública, que seja um autêntico serviço público.

Nós queremos uma Angola, na qual exista efectiva e funcional separação de poderes.

Nós queremos uma Angola, na qual os governantes que roubam sejam levados às barras da justiça.

Nós queremos uma Angola, na qual o Presidente da República não tenha super-poderes.

Nós queremos uma Angola livre de analfabetos e esfomeados, na qual ainda que as pessoas não tenham emprego, tenham pelo menos uma vida digna, até porque somos um país muito ricos em recursos naturais. Então, que estes recursos sirvam o angolano.

Chegados aqui, lembramo-nos das palavras do 1ºPresidente da UNITA, Jonas Savimbi, e passo a citar: “Primeiro o angolano, segundo o angolano, terceiro o angolano, o angolano sempre”.

Portanto, que fique bem claro, caros leitores, que esta luta é pela democracia, pela liberdade, pela boa governação e pela paz. Não há cá truques.

Comments
  1. Maria Júlia Jaleco says:

    Reforço: “Futuro com medo, não!” E atrevo-me a reformular o dito de Savimbi: Primeiro o homem, segundo o homem, terceiro o homem, o homem sempre, com a sua dignidade.

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