Archive for July, 2012

Bem-vindos ao Zeitgeist Central Angola, um resumo semanal (esperamos que seja mesmo semanal!) das principais notícias da imprensa nacional e internacional relacionadas com a nossa luta diária: a luta por uma angola verdadeiramente democrática. Vide abaixo:

Cimeira Multipartidária da Juventude exigiu realização de eleições livres e transparentes

Líderes juvenis de seis formações políticas juntaram-se a mesma mesa na tarde desta terça-feira para analisarem o decurso do processo eleitoral. Eleições livres justas e transparentes são algumas das recomendações saídas no certame.

Luanda: Polícia dispersa antigos colegas que exigem reenquadramento

Mais de 500 antigos efetivos da Polícia Nacional afastados desde 2008, concentraram-se na manhã desta terça-feira defronte ao edifício do Ministério do Interior para exigirem a sua recolocação. Os manifestantes foram dispersos pelas forças de segurança.

Entrevistas de Luaty na imprensa nacional internacional

Why the Angolan Government Framed and Beat Rapper Ikonoklasta

Angolan/Portuguese rapper Luaty Beirão aka Ikonoklasta, is an outspoken opponent of Angola’s long-term president José Eduardo dos Santos and his MPLA government. Beirão spoke candidly about the state of Angola’s politics to Okayafrica’s Lukasz Polowczyk from the safety of Portugal, where he’s currently awaiting trial for drug smuggling, a charge the Angolan government framed him for. Beirão says that he will die fighting the government for justice, adding that he is headed back to Angola on July 25th to continue the protest ahead of presidential elections there on August 31.

Collective Actions are Incredibly Contagious

Few people today are willing to risk their reputation, or life in the spotlight since Fela Kuti and John Lennon who thought their art should have purpose even if controversial. Being a militant political performer as a musician has disappeared into the background. Luaty Beirão is Ikonoklasta, a driven and culturally significant hip-hop musician fighting against the abuse of power in Angola. Catching onto the trends of the Arab Spring, in 2011 Angolans were challenged by an anonymous internet post to try and overthrow Eduardo dos Santos and the MPLA. It became clear to the people of Angola after the Government’s reaction of fear to the post that their lives were being run under the guise of democracy, and they soon began to fight against the manipulative dictatorship. Getting arrested for his performances, lyrics, and being set up for the smuggling of drugs, Luaty continues to display the unjust acts hidden from the general eye. He feels it is his duty to demand the freedom to live; live without worrying about his securities or the safety of his friends, family, and country. He teaches us that bad things may happen, but nothing is worse than losing who you are at the cost of your freedom.

Entrevista com Luaty Beirão (Maka Angola)

Numa tarde amena, em Lisboa, o Maka Angola sentou-se à conversa com Luaty Beirão, músico de hip hop, também conhecido como Ikonoklasta e como Brigadeiro Mata Frakus. Filho de João Beirão, antigo presidente da Fundação José Eduardo dos Santos (FESA), Luaty é também um conhecido participante do movimento jovem de contestação que tem vindo a crescer em Angola desde 2011.

Charitable Musicians: Hip-Hop Rapper Ikonoklasta Protests Against The Angolan

In early 2011, as the turmoil from the Arab Spring protests made their way into pockets of Africa, Angolan youth began taking to the streets themselves. At the heart of their ongoing dissatisfaction remains the 32-year reign of President Jose Eduardo dos Santos, who protesters cite as the cause of mismanaged oil revenues, suppressed human rights, and widespread poverty, amongst other corruptions.

Entrevista ao Novo Jornal

A seguinte entrevista foi feita via email por uma jornalista do NJ. Foi-lhe dado um tempo limite para responder para que fosse exequível a publicação da mesma. Luaty cumpriu os prazos, tendo enviado a entrevista tal qual partilhamos aqui, no dia 24 de Junho. O NJ acabou por decidir não publicar a entrevista. Censura? Deixaremos que seja o leitor a julgar, a verdade é que o público que ainda se cinge ao formato papel ficou privado do testemunho do Luaty em relação aos acontecimentos que o têm afetado no último ano e meio, a si e aos seus companheiros de percurso.

Canal Q – É Proibido Ver Isto (Vídeo)

DemagogiaNão obstante o Novo Jornal ter os donos que tem (Kopelipas e afins), e não obstante a não-publicação da entrevista ao Luaty Beirão, continuamos a achar que, entre todos os semanários “privados” de Luanda, o Novo Jornal consegue ser o mais sério e legível. Apreciamos bastate os artigos do António Tomás por exemplo, bem como as reflexões dos kotas Cassé, Fernando Pacheco, e outros. Porém, existe uma coluna que deixa-nos sempre com um sabor amargo na boca depois de lermos as suas palavras; falo, claro, da coluna assinada pelo deputado João Melo, do MPLA.

Em termos de escrita, a coluna é sofrível. Em termos de argumentos, é parca e falaciosa. E pior, é bastante repetitiva. Parece-nos que o deputado tem uma estranha obsessão pela UNITA. Para além de evocar sempre a guerra, mostrando assim um endémico desprezo ao processo de reconciliação nacional que se quer em Angola, usa também o termo “oposição radical” para designar todos os partidos que têm se batido pela verdade eleitoral. É um exercício previsível e por isso monótono.

Infelizmente para o deputado em questão, o eleitorado angolano de 2012 não é o mesmo eleitorado de 2008 e muito menos o de 1992. É muito mais difícil enganar-nos. Mas talvez por causa da habitual miopia dos nossos dirigentes, este tipo de constatação passa despercebida. Por isso é que mais uma vez, o deputado caiu no ridículo.

É que nós ainda não nos esquecemos da maneira que o deputado defendeu, com unhas e dentes, na mesma coluna do Novo Jornal, a manutenção da Suzana Inglês no cargo de Presidente da CNE, um cargo que a mesma não tinha competências legais para exercer. O próprio “sistema” deixou cair o deputado, que depois fez a figura triste de aplaudir a “independência” dos nossos orgãos jurídicos.

Este fim de semana o deputado deixou-nos a seguinte pérola, na mais recente edição do Novo Jornal:

De todos esses pretextos, o mais preocupante é a recusa da oposição radical, liderada pela UNITA, de aceitar o voto antecipado. Isso existe em todo o mundo. Como é que, em Angola, é necessariamente “fraude”? Sabendo-se que ovoto antecipado visa, em especial, permitir que certas categorias profissionais, como polícias e militares, possam votar sem prejudicar as suas responsabilidades profissionais, os cidadãos têm de perguntar o que pretende a UNITA, com a sua insistência em negá-lo?

Segundo me disse uma fonte, a UNITA estará a preparar distúrbios no dia da votação em determinadas regiões do país, sobretudo no centrosul. Por isso, quer impedir que as forças policiais e militares estejam preparadas, nesse dia, para garantir a ordem e a segurança. De facto, se elas tiverem de votar nesse dia, como poderão cumprir as suas responsabilidades?

Pouco depois do deputado ter escrito estas palavras, a CNE anuncia que não existem condições para o voto antecipado. Parafraseando o Club-k/ANGOP:

Desta vez a porta-voz daquela instituição [CNE], Júlia Ferreira, limitou-se, simplesmente, dizer à imprensa que “não existem condições humanas, materiais e logísticas para o exercício de voto antecipado nas eleições gerais”, marcadas para o dia 31 de Agosto.

A mesma explicou que em relação aos aspectos de natureza técnica, não houve tempo de produzir os cadernos eleitorais especificamente para o voto antecipado, inviabilizando, por isso, a realização deste exercício no período entre o 10º e o quinto dias anteriores à data das eleições, segundo estabelecido na Lei.

Como sempre, na impossibilidade de encarar os factos de frente, o camarada João Melo prefere não ir ao cerne da questão e comentar sobre as sucessivas e clamorosas falhas denunciadas e provadas n vezes neste processo eleitoral; em vez disso, insiste no seu discurso demagógico e irresponsável. Isso para não falarmos sequer, que a própria proposta do voto antecipado já tinha sido rejeitada pela Assembleia Nacional e por isso estava totalmente fora de questão para a CNE, que simplesmente não tem competência jurídico-legal para introduzir novas leis no processo eleitoral! Resultado: mais uma vez o deputado faz este papel ridículo.

É realmente triste.

Fiz este vídeo com intenção de divulgar o mais possível o meu regresso a casa, desejando que nada de errado aconteça, mas sempre aceitando que existem coisas que escapam ao capricho dos nossos desejos.

Não sabendo que poção maligna os nossos magos da força oculta podem preparar no seu caldeirão de diabruras, deixo aqui essa comunicação.

Aproveito também para tornar pública a minha opinião acerca das eleições (que deveriam ser adiadas até que a lei geral das eleições seja escrupulosamente cumprida) e anunciar a minha intenção de voto, caso a oposição, já em si coxa, decida aceitar entrar nessa corrida, partindo já com vários diavulus do M.

A pessoa que vos fala não tem pretensões de seguir carreira política, ecuménica, ou diplomática, não sentindo necessidade de utilizar nenhum tipo de linguagem “modelo” pela qual se pautam as pessoas “idóneas” nas sociedades e no mundo. Sou um ser humano e artista com a única pretensão de ser livre e de poder exprimir as minhas opiniões, até que estas possam causar pouco mais do que indiferença por parte de quem delas discorde.

Dentro de mim, como dentro de cada ser humano, co-existem várias personagens, mas ao contrário da maioria, ao invés de tentar oprimir as que podem ser incómodas ou inconvenientes, faço os possíveis por nutri-las e estimá-las, aceitando que só somos completos se errarmos, tropeçarmos, partirmos os dentes, enfim, se conseguirmos abraçar os nossos defeitos do mesmo modo que fazemos panfletos das nossas virtudes.

Abraço a todos e até sempre

Luaty Beirão

Tomando o partido do Luaty Beirão no caso que envolveu o transporte de drogas dissimuladas na roda da sua bicicleta de Luanda para Lisboa, uma cidadã angolana tomou a iniciativa de redigir uma carta aberta ao PGR de Portugal, José Matos Pinto Monteiro, reunindo 44 subscritores dentre os quais se contam os ilustres Marcolino Moco, Nelson Bonavena e Fernando Macedo, não diminuindo a importância do gesto de todos os restantes 41 subscritores que de forma peremptória e inequívoca declararam a sua fé na inocência do amigo, irmão, compatriota, Luaty Beirão. Aqui segue o scan da carta.

*Update/Actualização: Originalmente, publicamos a referida carta na sua íntegra, com todas as assinaturas visíveis. Porém, nesta actualização, tiramos a parte com a lista de nomes para não comprometer algumas pessoas que, desejando prestar o seu inestimável apoio, preferiram conservar a sua discrição. Para proteger essas pessoas escolhemos eliminar a lista de nomes na totalidade.

-Equipa da Central

 

A seguinte entrevista foi feita via email por uma jornalista do NJ. Foi-lhe dado um tempo limite para responder para que fosse exequível a publicação da mesma. Luaty cumpriu os prazos, tendo enviado a entrevista tal qual partilhamos aqui, no dia 24 de Junho. O NJ acabou por decidir não publicar a entrevista. Censura? Deixaremos que seja o leitor a julgar, a verdade é que o público que ainda se cinge ao formato papel ficou privado do testemunho do Luaty em relação aos acontecimentos que o têm afetado no último ano e meio, a si e aos seus companheiros de percurso.
Faça o download da entrevista.

 

NUNCA MAIS!

Posted: July 20, 2012 in Denúncia, Direitos, Direitos Humanos, Fotos

A juventude suplica encarecidamente: imagens destas NUNCA MAIS!

Isabel, Tchizé, Zenu, Córeon, Jesiana, Danilo, se vocês são seres humanos como o resto de nós, se vos sobra um pouco de amor ao próximo no coração, levem estas imagens ao vosso pai e peçam: POR FAVOR, ISTO, NUNCA MAIS!!!

Imagens do nosso irmão Mbanza Hamza, depois das agressões sofridas em Maio de 2012

Este vídeo ficou por terminar entre os meses de Fevereiro e Abril e depois acabou por perder o sentido de existir.

Ou será que não?

Na altura a intenção era insistir nas condições deploráveis à qual estavam votados os moradores da Boa Esperança, condições que levaram a juventude às ruas para exigir mais dignidade.

Esses jovens acabaram por ser “exemplarmente” punidos pelo seu atrevimento, num julgamento em que nem sequer terá sido nomeado pelo Estado um advogado de defesa, tendo sido condenados a penas de até 90 dias de reclusão convertíveis em multa.

Os familiares fizeram das tripas coração para tirar os seus petizes do ambiente decadente das celas e endividaram-se de maneira proibitiva.

Os vídeos tinham intenção de sensibilizar os angolanos por esse mundo fora para contribuírem numa recolha de fundos que iria ressarcir essas famílias tão carenciadas, mas a nossa campanha só conseguiu recolher metade do valor almejado.

Vendo o vídeo, apercebemo-nos que, infelizmente, a situação destas famílias nada mudou desde então, por isso, continua a ser lastimosamente atual.

Decidimos publicá-lo.

O nome do bairro é de uma ironia atroz.

 

Aconteceu na vizinhança do Mercado S. Paulo:

O motorista do táxi estaria mal estacionado e não se encontrava perto do veículo.

O agente de trânsito considerou que teria de autuar o indivíduo, mas o cobrador não quis dar-lhe os documentos tendo trancado a viatura.

O cobrador é o jovem de suspensórios e duns tchuna baby a barafustar com o agente, enquanto este, calmamente, procede a vazagem dos pneus do Hiace, como se de uma medida punitiva coberta pelo código de estrada se tratasse.

O agente acaba por se afastar ao reparar no alvoroço que se gerou à volta da Hiace azul e branca, tendo vazado apenas um pneu e meio, apesar da insistência desafiadora do tchuna-cobrador “esvazia os 4 chefe”.

Episódios da nossa Luanda.

Esta emissão é exclusivamente dedicada aos acontecimentos do passado sábado, aquando da tentativa (mais uma vez) abortada de manifestação dos manos do MRE. Alguns deles estiveram na rádio para dar os seus depoimentos, incluíndo o Malembe, Kalumbo, Rosa Mendes. Temos também o regresso do Timajó, que durante algumas semanas esteve impossibilitado de estar connosco.

Pobre de Espírito

Posted: July 17, 2012 in Argumentos, Opinião

Os nossos políticos da poeira não param de nos surpreender. Desta vez, foi o famigerado empresário da juventude, Bento Kangamba, candidato a deputado pelo MPLA, partido situacionista (expressão do Professor Universitário Vicente Pinto de Andrade que adoptámos) a tecer algumas considerações absurdas e, até mesmo, estúpidas. As declarações deste senhor revelam a dimensão filosófica e epistemológica dos políticos do MPLA. Ou seja, grande parte dos dirigentes do MPLA não conseguiram livrar-se dos ideais autoritários do Marxismo-Leninismo. Eles são comunistas travestidos de democratas.

Esta situação é, até certo ponto, compatível com uma que se está a passar no Hemisfério Norte, mais concretamente em Portugal, onde um Ministro que “comprou” a licenciatura está a ser fortemente fustigado pela comunidade académica de Portugal.

Miguel Relvas, Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares de Portugal

Aqui na banda, os nossos ministros, tanto quanto sabemos, não compram licenciaturas, eles preferem roubar o dinheiro público e elogiar a “sapiência” do PR. Quanto à nossa comunidade académica, ela não reage. Dizem que ela está cheia de Prados. Será que os intelectuais foram comPrados?

Voltando ao centro deste artigo, eis o pensamento:

“As faculdades estão a ser construídas para os jovens estudarem e não para fazerem política, nem criticarem o governo. A política se faz nos comités e nas zonas urbanas onde estão os partidos.”

Tendo analisado estas palavras, ficamos deveras temerosos com o nosso futuro e cremos mesmo que os angolanos estão entregues à bicharada. Este tipo de mensagem subliminar revela muito bem a natureza ditatorial do regime de José Eduardo dos Santos. JES e os seus pupilos querem que os jovens angolanos tenham um papel de meros assistentes da corrupção, da miséria e da péssima distribuição da riqueza. Não estamos preparados para ser meros espectadores. Queremos participar activamente na construção de uma Angola melhor, doa a quem doer.

Estas palavras, que nos causaram tamanha indignação,saíram da “lavra intelectual” deste famoso militante do MPLA. Bento Kangamba, de quem desconhecemos a vida académica, terá recebido a ordem superior de intoxicar os jovens angolanos com maratonas de cucas e pensamentos mesquinhos. Cada país com a sua sina. Igualmente, os antecedentes deste energúmeno são bastantes elucidativos do tipo de pessoa que ele representa. Não nos esqueçamos que este senhor já esteve preso por roubo de latarias na Logística das Forças Armadas Angolanas.

Como jovens, ficámos ofendidos pelo atrevimento deste senhor. Fica implícita a ideia segundo a qual os jovens não devem usar a sua massa cinzenta para dizer o que está errado na nossa governação. Por outras palavras, Bento Kangamba quis dizer aos jovens angolanos para que não falassem de política e que não questionem o rumo que o país está a tomar. É uma maneira de nos dizer: “xé meninos não falem política”. Bom, para todos os efeitos é a sua opinião. Respeitamo-la, mas não aceitamo-la. De resto, consideramo-la tosca. Continuaremos a falar de politica até ao fim dos nossos dias.

Efectivamente, o país precisa de jovens que falem de politica pela simples razão de que a nossa intervenção tem ajudado, contribuído, participado na edificação de uma sociedade mais justa e mais tolerante.

Pensamos que os angolanos estão fartos de uma governação virada para dentro. Queremos e auguramos uma governação responsável, séria e comprometida com a liberdade e bem-estar dos angolanos. Uma governação centrada no potencial criativo dos angolanos.

Bento Kangamba, com esse mísero e inqualificável discurso, demonstra que está à margem de qualquer política ou filosofia virada para o desenvolvimento humano. Perguntamo-nos: como é que esta figura, que é tão básica, tão vulgar, recebe tanta atenção da imprensa pública? Como é possível? Inexplicavelmente, num partido de 5 milhões de militantes, este militante é o mais mediático, depois do “arquitecto”. Na verdade, Bento Kangamba, um dos representantes do novo-riquismo angolano, um dos símbolos das fortunas sem origem, um dos grandes responsáveis do estado de embriaguez da sociedade angolana, um violador assumido da Língua Portuguesa, um dos responsáveis da manutenção deste regime caduco, o provável líder das milícias pró-dos Santos, quer ver os jovens na mais abjecta pobreza intelectual. E, ele recebe uma ajuda “preciosa” das políticas educativas dos seus amigos do Executivo.

No nosso entender, a reforma Educativa é uma fraude. Reparem só algumas situações que a tal reforma provocou: Professores, que nunca tiveram na sua vida académica uma aula de música, são professores de música. Professores, que foram péssimos alunos em Matemática, dão aulas de Matemática. Que tipo de brincadeira é esta? No nível universitário, continuamos na periferia do mundo científico, as nossas universidades nem sequer constam das 100 melhores da África. Exceptuando a Universidade Católica de Angola, tudo o resto fica a ver navios e mais navios.

E, assim então, o país tem rumo?

Pensamos que não.

Enquanto os políticos da índole de BK continuarem a merecer os holofotes da TPA, RNA e outros, dificilmente teremos uma sociedade que ame e valorize a leitura. Olhando as sociedades desenvolvidas e prósperas, a leitura é uma questão cultural. Qualquer sociedade saudável quer que os seus membros gostem, adorem, amem a leitura. E, é da leitura que nasce a reflexão, que nascem as questões, que nasce o debate. Os benefícios da leitura são muitos. Vamos enumerar alguns:

- Desenvolvimento da criatividade, da imaginação.

- Melhoramos a competência comunicativa.

- Enriquecemos o nosso vocabulário.

- Potencializa a nossa capacidade de raciocínio.

- Dá-nos conhecimento e cultura.

- Escrevemos melhor quando lemos mais.

Bento Kangamba quer que nós, jovens angolanos, leiamos? Não me parece. Este senhor, que também é presidente do Clube de Futebol Kabuscorp do Palanca, desconhece a importância que tem o pensamento crítico no desenvolvimento de qualquer sociedade. Sabe ele que o debate é algo normalíssimo numa sociedade dinâmica e que se quer democrática, sabe ele que as críticas melhoram e estimulam positivamente a governação?

Se ele soubesse, talvez teríamos “Maratonas de livros”, “Bebedeiras de literatura”, “Fabricas de livros”,etc.

Não acham curioso que 10 anos de paz não trouxeram mais bibliotecas em Angola, mas sim mais fábricas de cervejas. Não acham curioso que promove-se mais músicos que dizem porcarias do que jovens escritores com talento?

Para concluir, deixamos para reflexão uma frase de Francis Bacon (1561 – 1626), filosofo, ensaísta, politico inglês.

Nada provoca mais danos num Estado do que homens astutos a quererem passar por sábios.”