Quando a demagogia se torna ridícula

Posted: July 30, 2012 in Argumentos, Eleições 2012, Opinião

DemagogiaNão obstante o Novo Jornal ter os donos que tem (Kopelipas e afins), e não obstante a não-publicação da entrevista ao Luaty Beirão, continuamos a achar que, entre todos os semanários “privados” de Luanda, o Novo Jornal consegue ser o mais sério e legível. Apreciamos bastate os artigos do António Tomás por exemplo, bem como as reflexões dos kotas Cassé, Fernando Pacheco, e outros. Porém, existe uma coluna que deixa-nos sempre com um sabor amargo na boca depois de lermos as suas palavras; falo, claro, da coluna assinada pelo deputado João Melo, do MPLA.

Em termos de escrita, a coluna é sofrível. Em termos de argumentos, é parca e falaciosa. E pior, é bastante repetitiva. Parece-nos que o deputado tem uma estranha obsessão pela UNITA. Para além de evocar sempre a guerra, mostrando assim um endémico desprezo ao processo de reconciliação nacional que se quer em Angola, usa também o termo “oposição radical” para designar todos os partidos que têm se batido pela verdade eleitoral. É um exercício previsível e por isso monótono.

Infelizmente para o deputado em questão, o eleitorado angolano de 2012 não é o mesmo eleitorado de 2008 e muito menos o de 1992. É muito mais difícil enganar-nos. Mas talvez por causa da habitual miopia dos nossos dirigentes, este tipo de constatação passa despercebida. Por isso é que mais uma vez, o deputado caiu no ridículo.

É que nós ainda não nos esquecemos da maneira que o deputado defendeu, com unhas e dentes, na mesma coluna do Novo Jornal, a manutenção da Suzana Inglês no cargo de Presidente da CNE, um cargo que a mesma não tinha competências legais para exercer. O próprio “sistema” deixou cair o deputado, que depois fez a figura triste de aplaudir a “independência” dos nossos orgãos jurídicos.

Este fim de semana o deputado deixou-nos a seguinte pérola, na mais recente edição do Novo Jornal:

De todos esses pretextos, o mais preocupante é a recusa da oposição radical, liderada pela UNITA, de aceitar o voto antecipado. Isso existe em todo o mundo. Como é que, em Angola, é necessariamente “fraude”? Sabendo-se que ovoto antecipado visa, em especial, permitir que certas categorias profissionais, como polícias e militares, possam votar sem prejudicar as suas responsabilidades profissionais, os cidadãos têm de perguntar o que pretende a UNITA, com a sua insistência em negá-lo?

Segundo me disse uma fonte, a UNITA estará a preparar distúrbios no dia da votação em determinadas regiões do país, sobretudo no centrosul. Por isso, quer impedir que as forças policiais e militares estejam preparadas, nesse dia, para garantir a ordem e a segurança. De facto, se elas tiverem de votar nesse dia, como poderão cumprir as suas responsabilidades?

Pouco depois do deputado ter escrito estas palavras, a CNE anuncia que não existem condições para o voto antecipado. Parafraseando o Club-k/ANGOP:

Desta vez a porta-voz daquela instituição [CNE], Júlia Ferreira, limitou-se, simplesmente, dizer à imprensa que “não existem condições humanas, materiais e logísticas para o exercício de voto antecipado nas eleições gerais”, marcadas para o dia 31 de Agosto.

A mesma explicou que em relação aos aspectos de natureza técnica, não houve tempo de produzir os cadernos eleitorais especificamente para o voto antecipado, inviabilizando, por isso, a realização deste exercício no período entre o 10º e o quinto dias anteriores à data das eleições, segundo estabelecido na Lei.

Como sempre, na impossibilidade de encarar os factos de frente, o camarada João Melo prefere não ir ao cerne da questão e comentar sobre as sucessivas e clamorosas falhas denunciadas e provadas n vezes neste processo eleitoral; em vez disso, insiste no seu discurso demagógico e irresponsável. Isso para não falarmos sequer, que a própria proposta do voto antecipado já tinha sido rejeitada pela Assembleia Nacional e por isso estava totalmente fora de questão para a CNE, que simplesmente não tem competência jurídico-legal para introduzir novas leis no processo eleitoral! Resultado: mais uma vez o deputado faz este papel ridículo.

É realmente triste.

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