MANIFESTAÇÃO DE DIA 25: Conselhos de um amigo no Facebook

Posted: August 20, 2012 in A Voz do Povo

O amigo Yorgen Pintov, do movimento civil contestatário em Portugal, enviou-nos estas palavras que trazem o eco da experiência, através do facebook. Instruções para evitar baixas desnecessárias:

SE PRETENDES PARTICIPAR NAS MANIFESTAÇÕES DE 25 AGOSTO, LÊ COM ATENÇÃO. A ESPERADA “TOLERÂNCIA ZERO” DA POLÍCIA, EXIGE MEDIDAS DE PREVENÇÃO.
DIVULGA.

O que levar para as acções
* Calçado confortável e protector, com o qual consigas correr
* Roupa que cubra todo o teu corpo (para te proteger de gases, por exemplo)
* Contacto do grupo de apoio legal
* Utiliza protecção para os olhos (óculos de mergulho, por exemplo)

* Deves ter um grupo de afinidade (grupo de pessoas que se conheçam e que devem olhar umas pelas outras). Não deves estar sozinho nem a ir, nem durante, nem depois de uma manifestação.
* Um saco bem fechado com um pano embebido em vinagre de cidra ou limão (para te proteger a respiração em caso de ataque com gases)
* Roupa que te proteja do frio e da chuva
* Roupas lavadas num saco plástico bem fechado (para o caso de te encharcares ou para a eventualidade das tuas roupas ficarem cheias de químicos)
* Muita água contigo (para beber e lavar a tua pele ou olhos, se for necessário)
* Barras energéticas, frutos secos, …
* Identificação e informações para contactos de emergência
* Os medicamentos que tenhas que tomar todos os dias
* Pensos higiénicos, se necessários (evita tampões, porque podes não os poder mudar durante muito tempo, se fores detida)

O que não levar
* Produtos para a pele que contenham vaselina ou óleos minerais, porque ajudam a reter os químicos na tua pele
* Lentes de contacto (que podem reter químicos irritantes)
* Coisas que possam ser facilmente agarradas (brincos grandes, colares, cabelo solto, …)
* Facas e outras coisas que possam ser consideradas armas
* Drogas ilegais
* Nomes e moradas de amigos (pensa no teu telemóvel)
* Folhas com planos da acção, mapas, etc.
* Não vás sozinho. Vai com amigos ou com o teu grupo de afinidade
* Come bem e bebe muita água

Perante a possibilidade de repressão
- nunca, em caso algum, entres em pânico!!
- vai sempre perto do teu grupo de afinidade
- antes de (re)agir, tenta falar com o teu grupo de afinidade. As pessoas reagem de forma diferente e algumas podem ser mais sensíveis a determinadas situações.
- tem em atenção o que acontece à tua volta. Verifica se a polícia muda o seu comportamento: número de polícias aumenta rapidamente, se estão a fechar ruas, se começam a colocar capacetes e escudos, se chegam carrinhas do corpo de intervenção… Vê também se há estranhos a filmar
- tem cuidado para o caso de haver provocadores dentro da manifestação (pessoas que se fazem passar por manifestantes de forma a justificar acções de violência policial). Não dês informações pessoais a desconhecidos. Mas também não entres na paranóia de que todas as pessoas são paisanas!
- se houver pessoas a serem levadas pela polícia tenta apontar num papel o seu nome, o sítio para onde as levam, a matrícula da carrinha onde foram colocadas, se conseguires os nomes dos polícias (supostamente eles devem dar-te a sua identificação, embora isto raramente aconteça) e o que mais te parecer relevante. De seguida contacta o grupo de apoio legal (se
existir) ou alguém que seja da organização da manifestação e transmite-lhe estes dados.
- se fores tu preso tenta que o teu grupo de afinidade note isso. Se não o conseguires ou se todo o teu grupo for preso, grita para alguém que esteja perto que estás a ser preso e diz-lhe, pelo menos, o teu nome.
- se a polícia carregar não entres em pânico. Em princípio a polícia deve dar 3 avisos antes de carregar, embora os últimos acontecimentos mostrem o contrário. Podes tentar falar com o teu grupo de afinidade (embora por vezes seja difícil). Deves avaliar a situação. Em princípio deverás manter-te na manifestação, num grupo o mais coeso possível. Sair do local também poderá ser uma opção. Avalia também a zona… Há saídas? Estarão polícias à espera nessas saídas? Está toda a gente a dispersar?

CONSELHOS PRÁTICOS NA PREPARAÇÃO DUMA ACÇÃO

Preparação da acção
- Avaliar as consequências legais
Consultar um advogado avaliar as consequências legais de uma acção concreta decidida, e qual a forma mais segura de a levar a cabo. Acertar até onde se leva a acção, quais os limites de segurança se considera aceitáveis.

- Estudar alternativas
Tendo em conta que nunca é tudo previsível, ter alternativas à própria acção ou de partes da acção. Explorar a possibilidade de uma mesma acção se poder desenrolar em mais do que um ponto estudado ou de uma acção que seja adaptável no acto à escolha do local.

- Estar contactável
Todos os participantes devem ter o contacto de determinada pessoa disponível (conforme previamente acertado) para a todo o momento poder comunicar o que quer que ocorra na acção e esta tomar as medidas necessárias com a maior brevidade possível e encaminhar a situação para o apoio legal, apoio médico e outras situações.

- Conhecimento dos advogados
Todos os participantes devem conhecer o nome e apelidos dos advogados que acompanham o seguimento da acção. No caso em que ocorra detenção, o advogado só poderá prestar assistência ao detido caso este o designe como seu advogado, não basta que o advogado esteja no local da detenção. Caso não seja nomeado, não lhe será permitido dar a assistência devida (embora, na prática, dependendo das situações, já tenha sido aceite a prestação de assistência a um advogado sem ser designado).

- Conhecimento do local
Em acções a ter lugar na via pública, antes do dia da acção, sendo possível, é fundamental visitar o lugar e ter ideia das suas características gerais, (fugas possíveis, transportes públicos mais perto, etc.) para prever as acções e procedimentos em caso de carga policial ou de possíveis agentes provocadores.

- Constituição de grupos de afinidade
A constituição de grupos, com cerca de 10 a15 pessoas, possibilita um maior controlo e segurança da acção na sua preparação e execução, melhor será a coordenação e controlo das pessoas em falta, da mesma forma convém reagrupar no final da acção. Independentemente de integrar um grupo de afinidade, ter sempre um parceiro onde a confiança e apoio é mútuo. Esse parceiro deverá ser do mesmo sexo, para poderem ficar juntos em caso de detenção, não ter o mesmo tipo de fobias ou fraquezas, ou seja, compensar determinados pontos da personalidade do seu par, ter também, uma lingua em comum. Não deve, em hipótese alguma, isolar-se dos restantes companheiros.

- Nacionalidade
Quando numa acção existem elementos de nacionaldades diferentes, pré-acordar uma língua comum para que todos os intervenientes estejam sempre a par do que quer que se passe. Ter certezas de ter coberto todas as fases da acção nesta lógica (preparação, apoio legal, apoio médico, info-point, manuais, etc.). Do mesmo modo ter um conhecimento real da cidade, localização dos pontos de encontro, locais onde se desenrolam as acções, alojamento, locais de reunião e meios de transporte.

- Apoio médico
Organizar oficinas e ter garantido o apoio médico e material de primeiros socorros (adaptado ao tipo de agressões que se julgue pertinentes), no local das acções.

- Apoio legal
Ter garantidos vários advogados e em várias posições, no local das acções, no info-point, no acompanhamento do detido. Produzir um manual de apoio legal adaptado à lei do País onde a acção se desenrola.

- Equipa de média alternativa
Constituir uma equipa com o objectivo de difundir a verdade dos factos, combater a contra informação oficial, divulgar as acções, fundamentar do protesto perante a opinião pública.
Garantir várias formas de captar imagens, em vários pontos estratégicos, umas mais assumidas outras mais discretas.
Apagar sempre das imagens, todos os pontos de identificação das pessoas. Estar em contacto com o centro de média.

- Logística
Depois da constituição de uma lista de todo o equipamento necessário, para a acção e para protecção individual, tendo em conta as previsíveis agressões a que poderá estar sujeito. Verificação exaustiva do equipamento antes de partir para a acção. Consultar os manuais disponíveis.

Durante a acção
- Possíveis sujeitos provocadores
Ter em conta os possíveis agentes e provocadores à paisana que, fazendo-se passar pelos manifestantes, tratem de provocar situações de tensão desnecessária e que posteriormente se dediquem a deter as pessoas que conseguiram “enganar”. Neste caso o grupo deverá manter-se coeso e se possível, afastar-se da zona de conflito, em alguns casos será preferível dar por terminada a acção naquele local.

- Imprensa oficial
A presença da imprensa oficial ajuda a atenuar a violência por parte das forças policiais.

- Vigília
Enquanto está a executar a acção, manter-se sempre atento a tudo o que se passe em seu redor, tentar ter sempre pleno conhecimento dos vários aspectos da acção

- Momentos difíceis
Quando se encontre numa situação difícil e que os outros possam não se aperceber, não hesite comunicar ao seu parceiro (crise de pânico, isolamento do resto do grupo, problema de saúde), para que tenha a ajuda necessária. Só desta forma se poderá manter sempre a calma nas situações mais tensas.

- Reagrupar
Em local pré combinado, reagrupar, verificar se falta alguém, o estado psicológico e de saúde das pessoas que participaram na acção, ao nível do seu grupo de afinidade. Informar-se do que se passa com os restantes grupos. Verificar se existem entraves ao apoio médico e legal, caso exista essa necessidade.

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