Angola embrutecida: Jorge Valério DEP

Posted: October 3, 2012 in Direitos Humanos, Luanda, Notícias

A violência ceifou mais uma vida,  o jovem de 20 anos Jorge Valério Coelho da Cruz, também tratado por Tucho, ou ainda Jay Jay no rap.

O que mormente se atribui aos derivados das carências sociais por que passam a maior parte dos criminosos, teve, desta vez, uma origem bem diferente: um grupo de “meninos de coro”, a quem nunca faltou uma refeição, uma roupa de marca, um iphone, férias glamorosas nas cidades mais luxuosas do mundo, provavelmente aborrecidos com tanta abundância e CERTAMENTE iludidos com a sensação de intocáveis que lhes confere o seu estatuto social (filho deste, neto daqueloutro), resolveram emular a Cidade de Deus, o Padrinho, o 50 Cent e essas novas influências pubesceras em que se glorifica tudo o que há de negativo no mundo,  transportando para a vida real o que devia ficar nas telas do mundo virtual.

Como podem crianças de 16, 17, 20 anos carregar dentro de si tanta violência, tanto ódio, ao ponto de não darem conta de quando a brincadeira passa das marcas e passa a ser gravemente criminosa? Mesmo que não se tenha uma plena noção das implicações criminosas, raptar (ok, demos um susto), espancar (ok, demos uma lição), imolar (ok??????), arrancar o olho (ok????), não caíram em si?

A história que lemos no club-k é absolutamente inenarrável, de uma brutalidade sem precedentes e não é de todo surpreendente que este homicídio abominável esteja a repercutir tal qual ondas sísmicas por toda a sociedade angolana.

Há vozes que se levantam para criticar esta solidariedade para com alguém que não conhecemos, que não sabemos se era bom, se era justo, se merecia a nossa pena, dando a entender que toda esta solidariedade se prende unicamente com o facto de ser alguém “da elite”. Perguntam-se onde estão essas vozes quando os anónimos cidadãos morrem diariamente de causas absurdas por não serem atendidos nos hospitais, de fome, de malária, de “febre dos dois dias”, enfim, POR NADA. Alguém que explique a esses cidadãos que na dor e no luto não deve vigorar jamais a filosofia do olho-por-olho (se não lamentas o meu, não quero saber do teu), que a natureza do crime e o facto dele ter sido tornado amplamente público (ao contrário do que se passa com os nossos irmãos Kassule e Kamulingue), ALIADOS ao factor evocado de proximidade com o círculo no poder, fez com que esta morte em particular conseguisse unir pela primeira vez os angolanos num sentimento de indignação generalizada, de fúria colectiva e que, mesmo que essa fúria se justifique todos os dias, é mesquinho descartá-la por só agora estar a aparecer.

Não há palavras que possamos endereçar à família enlutada que possam ser fiéis ao que sentimos, é simplesmente devastador e contra-natura um pai ir a enterrar um filho cuja presença, alegria de viver lhe foi simplesmente usurpada por um bando de rebeldes sem causa.

Descansa em paz jovem irmão Tucho!

Comments
  1. eu a prendi k só Deus tem poder de tira a vida e mas ninguem . esse moço k vez isso n vai viver por muitp tempo.porque o salario do pecado e a morte.

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