Archive for November, 2012

Para consultar os anexos referidos na carta, podem clicar nos links:

ANEXO A - Lista de vítimas da violência distribuída na marcha

ANEXO B - Foto de Hamilton de Lemos (foi a foto original, não esta já com comentários)

ANEXO C - DVD com 3 vídeos: Vídeo 1; Vídeo 2, Vídeo 3

Carta PGR Pagina 1

Carta PGR Pagina 2

Não são só os brancos que exploram. Há pretos que querem explorar ainda mais que os brancos. – Amílcar Cabral

Angola é um dos estados mais corruptos do mundo. Durante a última década, antes e depois da guerra, têm desaparecido dos cofres do estado, sem explicação, dezenas de bilhões de dólares. Ao mesmo tempo, a riqueza de figuras dentro das estruturas do governo e/ou parte da elite politicamente conectada cresce de forma vertiginosa.   Finge-se não se saber a origem da vasta riqueza repentina deste grupo de cidadãos. Finge-se não saber, por exemplo, como é possível generais na reserva, políticos ou ministros a que não são conhecidas quaisquer actividades empresariais de relevo, de repente terem a capacidade financeira de adquirir participações de centenas de milhões de dólares em bancos internacionais (portugueses) ou blocos de petróleo offshore.

O que se sabe ao certo, e o que é possível ver a olho nu, são os efeitos nefastos da corrupção em Angola. É a corrupção que retarda drasticamente o desenvolvimento desta nação. É a corrupção que desvia fundos preciosos tão necessários para o bem estar social e  para o investimento em sectores preponderantes para o real avanço do país, como por exemplo a saúde e a educação. É a corrupção que faz com que continuemos a ter das piores taxas de mortalidade infantil no mundo, 10 anos após o fim da guerra; é a corrupção que faz com que continuemos a ter muitos dos mesmos indicadores sociais que no tempo da guerra; é a corrupção que faz com que continuemos a ter um dos mais baixos indicadores do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no mundo, não obstante o rápido crescimento da nossa economia (um dos maiores crescimentos do planeta) e a subida robusta do nosso PIB.

Algumas semanas atrás os angolanos e portugueses foram “surpreendidos” com uma notícia veiculada nos órgãos de informação portugueses sobre o início de um inquérito contra altas entidades da república angolana, entre elas o actual vice-presidente da República, por suspeita de branqueamento de capitais. O xinguilamento foi imediato e severo. O Jornal de Angola deu o tiro de partida com vários editoriais caracteristicamente raivosos e ofensivos. Esta semana foi a vez do Novo Jornal entrar para a festa, com uma entrevista extensa ao Emídio Rangel como tema de capa, onde o mesmo deplora o sistema judiciário português; ao mesmo tempo, tanto o editorial bem como a “Palavra do Director” atiraram-se igualmente contra o sistema judiciário português e uma tal elite portuguesa que acusam de ser neo-colonialista, invejosa, e racista.

Curiosamente, todos os diversos editoriais, artigos, entrevistas e afins apontam todas as suas baterias para o ataque a Portugal e a sua violação do “segredo de justiça”. Deploram o sistema jurídico português e atacam as pessoas que ousaram levantar suspeitas contra membros do governo angolano, entre eles o conhecido jornalista e activista Rafael Marques, que o Novo Jornal chamou de “sniper profissional anti-regime” e “figura controversa.” De realçar que as mesmas pessoas que atacam o sistema judicial português nada disseram sobre como nove generais angolanos serviram-se deste mesmo sistema para abrir uma queixa crime na semana passada contra o mesmo Rafael Marques, em Lisboa. Mais caricato ainda é o facto que alguns dos visados pelo inquérito do DCIAP serem os mesmos que abriram queixa contra o referido activista em terras lusas!

Mas o que mais espanta nesta já cansada história é que nenhum único artigo, editorial ou entrevista vai ao fundo da questão: porquê sequer que o vice-presidente angolano está sob suspeita? Porquê sequer que está a se abrir um inquérito contra altas entidades angolanas?

Há pouco tempo atrás, uma das muitas empresas obscuras em qual o actual vice-presidente angolano é sócio, a Nazaki Oil & Gás, fechou um contrato com a Sonangol e a empresa norte-americana Cobalt Energy, numa altura em que o actual vice-presidente ainda era o PCA da Sonangol e em clara violação das leis vigentes em Angola. Ou seja, enquanto era PCA da Sonangol, o vice-presidente escolheu a Nazaki Oil & Gas, na qual é sócio, como parceiro local da Cobalt Energy na exploração de dois blocos de petróleo no offshore angolano.

Neste preciso momento, decorre nos Estados Unidos uma investigação contra a Cobalt Energy, levado a cabo pela Securities & Exchange Commission (SEC) e pelo Departamento da Justiça dos Estados Unidos, por suspeitar-se que esta praticou corrupção ao envolver-se com uma empresa petrolífera cujos sócios faziam parte das estruturas governamentais estatais. Tal acção é ilegal nos Estados Unidos por violar, entre outras leis, a Foreign Corruption Practices Act (Lei Contra Prácticas Corruptas Estrangeiras) , que proíbe que empresas americanas efectuem precisamente este tipo de negócios.

A notícia foi amplamente divulgada na imprensa financeira mundial, em particular na conceituada Financial Times, e provocou a queda das acções da Cobalt Energy no New York Stock Exchange. Na altura, tanto o vice-presidente como um outro general na reserva muitíssimo bem conhecido viram-se forçados a enviarem duas cartas idênticas para o Financial Times onde afirmaram a sua inocência.

Poucos se parecem lembrar deste caso.  Também não houveram editoriais contra o Financial Times, a bolsa de valores de Nova Iorque, ou o sistema jurídico americano.

Na verdade, isto não é novidade. Tanto o vice-presidente da República como outros dirigentes e generais são sócios de empresas privadas que fazem negócios com o estado angolano. Segundo vários relatórios do Maka Angola e com base em documentos publicamente disponíveis (como o Diário da República, por exemplo), o vice-presidente é ele próprio sócio de várias empresas que fazem exatamente isto, desde a Delta Imobiliária que não consegue vender casas no Kilamba, ao Portmill Investimentos e Telecomunicações que comprou acções tanto da Movicel como do Banco Espírito Santo Angola.

É do conhecimento geral o nome e as posições das pessoas que realmente “mandam” em Angola e ajudam a esvaziar as competências das nossas instituições. As pessoas que se  enriqueceram da noite para o dia enquanto que o povo em geral continua a estagnar e a debater-se contra problemas tão elementares como a falta de água e luz. As pessoas que de repente se viram capazes de comprar bancos e empresas na Europa a título privado. As pessoas que fazem parte de empresas compostas por testas de ferro e sem nenhuma actividade empresarial discernível.

Por isso, será melhor as autoridades angolanas habituarem-se a este tipo de inquéritos e notícias – não será a primeira, nem a última vez que o vice-presidente angolano e outras figuras do estado estarão envolvidos em casos de corrupção, principalmente se optarem por lavar os seus dinheiros em países que não Angola.

A outra opção, claro, seria respeitar as leis angolanas, entre elas a Lei da Probidade Pública, mas algo nos diz que isto será ainda mais difícil…

Disse-nos a dona Maria no humoroso post sobre “5 Usos para o Jornal de Angola“:

O JORNAL DE ANGOLA ficou muito «incomodado» com a notícia de que a magistratura portuguesa abrira um inquérito contra três altas figuras do regime, por suspeita de branqueamento de capitais. E logo apareceu, também, o «insuspeito» NOVO JORNAL, a atacar a magistratura portuguesa, falando de racismo e de inveja colonialista.
O «interessante» é que, tempos atrás, nada disseram do facto de as autoridades norte-americanas não terem permitido a entrada no país do então vice-presidente da República, que devia ir discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas. Foi, também, silenciado o facto de existir um mandato da «INTERPOL» contra aquele mesmo dirigente.

Agora «ai Jesus», «violação do segredo de justiça», «racismo dos tugas», «inveja dos colonialistas» e por aí adiante. Mas nada sobre os motivos de fundo que podem estar por detrás do inquérito.
E logo apareceu um governante português a manifestar o seu apoio às autoridades angolanas: o ministro Paulo Portas, vulgo «Paulinho das Feiras». Fraco apoio, é bem de ver, por parte de um governo cada vez mais desacreditado e isolado.

Para ajudar à compreensão deste e de outros incidentes semelhantes, aqui vai uma HISTÓRIA EXEMPLAR.

Em Lisboa, na Avenida da Liberdade, numa dessas chiquérrimas lojas para estrangeiros endinheirados, duas senhoras angolanas compraram o recheio todo. Isso, «o recheio todo». E a empregada:

- Se as senhoras quiserem vamos pô-las ao hotel. E transportamos toda a mercadoria. Não têm de pagar nada.
- Não é preciso. Ali o preto leva.
E lá veio o «preto» carregar as muitas compras das senhoras.
Nem no tempo colonial se vira tal coisa. «Ali o preto leva». Bem dizia o saudoso Amilcar Cabral:
- Não são só os brancos que exploram. Há pretos que querem explorar ainda mais que os brancos.
Aí estão, pois, os «novos colonialistas», os amigos do «Paulinho das Feiras». Exaltados pelo NOVO JORNAL, órgão de comunicação reconvertido ao «novo colonialismo».

Afinal, em Angola, o dinheiro compra tudo.

Sobre o recente episódio descrito no nosso post “Um Movimento em desacordo“, o mano Eddie teve o seguinte a dizer:

Mós bros, é complicado juntar-se a malta dos partidos. Os partidos políticos são muito semelhantes e muito influenciados pela liderança. A UNITA de Samakuva há anos que mostra tiques pouco democráticos e era óbvio que mais tarde ou mais cedo a vossa independência iria irritar a UNITA. O Luamba, sendo soldado fiel à sua bandeira abandonou a vossa causa em benefício da sua/UNITA.

O facto de ter sido a vossa reluctância em submeterem-se a agenda da UNITA que vos custou o programa é mais um motivo de orgulho. Devem ser leais ao ideias da liberdade e da justiça.

A malta dos partidos acha que todos angolanos são Judas, todos vendem-se por dinheiro por isso é que o MPLA vos detesta. Pensam que a felicidade de todos depende de um Range Rover Sport HSE Super charged embora se passeie em ruas esburacadas habitadas por pobreza extrema.

Lutem por amor ao próximo. Desinteressadamente. Não é crime almejar a riqueza mas tem que ser com trabalho e mérito! Esqueçam-se dos nossos pseudo-heróis que nos chamaram para guerra colonial e tornaram-se em colonos indiferentes ao sofrimento alheio.

Força manos.

Fizemos esta entrevista ao mano Belo Moreth na sequência das notícias que saíram exageradas a darem conta que tinha sido ARRANCADO o olho esquerdo ao mano. Foi vítima de uma violência absurda e cobarde (2 contra 1) sim, ficará provavelmente CEGO do olho esquerdo sim, mas é tudo! Infelizmente para alguns, este caso não passa os testes de ilegibilidade para se fazer aproveitamento político, por isso solidarizem-se com o HOMEM e não com o ataque ao regime. Grande força ao mano Belo que está em convalescença, a recuperar do abalo físico e emocional que sofreu.

A rutura é normal, ou pelo menos, deveria ser. Em qualquer relação na vida,  mesmo à dois, chega eventualmente uma altura em que as diferenças de posicionamento no que concerne a aspectos pilares na sustentação da relação, forçam as pessoas a optarem por seguir caminhos diferentes na persecução do mesmo objetivo: a felicidade.

Se numa relação à dois é normal, tanto mais natural deveria ser num grupo alargado e heterogéneo que, concordando com os objetivos e partilhando pontos de vista globalmente, encontram inevitavelmente antagonismos, normalmente saudáveis e estimulando a discussão, mas também podendo tornar-se insuperáveis e, nesse caso, ditando a insustentabilidade de continuidade num ambiente saudável e, consequentemente, a imposição da “separação”.

Se hoje somos levados a escrever isto, não é sem uma ponta de tristeza, pois, existem certas pessoas que parecem não se satisfazem em existir sem empurrar as outras para baixo, anularem-nas, vilipendiarem-nas, como se a sua sobrevivência disso dependesse.

Pouco após as eleições, protagonizámos alguns atos que fizeram drasticamente bascular o comportamento afável e cordial que nos era reservado pela UNITA, que nos via como aliados numa luta comum pela alternância do poder. Terá sido certamente por assim nos encararem, que nos concederam 2h30 minutos semanais gratuitos na sua rádio (Rádio Despertar, programa Zwela Ngola), por achar que iríamos, em troca, ajudá-los incondicionalmente na precarização da imagem do Executivo e do seu caduco timoneiro JES, apoiando-os inclusivé no período eleitoral.

Só não contaram com a nossa “ingratidão” ao mantermo-nos equidistantes no julgamento crítico e, usufruindo do espaço que nos era concedido como sendo “livre e democrático”, atacando sim o MPLA, mas também desafiando intelectualmente a própria UNITA a praticar o que apregoava e a demarcar-se de comportamentos ditatoriais que vínhamos constatando.

O primeiro destes desafios ocorreu quando, chegados à Rádio no dia 12 de Setembro (a partir do minuto 6) para mais uma edição do Zwela, fomos chamados a um canto para nos sussurrarem que o nosso convidado do dia, Alexandre Dias dos Santos “Libertador” (entretanto já no recinto da rádio), estaria banido de falar aos microfones da RD. Ao indagarmos as razões que os levavam a tomar medidas tão draconianas e anti-democráticas em relação ao cidadão “Libertador”, recebemos como resposta uma sequência de palavras que aprendemos a abominar e que soaram imediatamente um alarme nas nossas  mentes: “São ordens superiores!”. Ficou por esclarecer se o “superior” emanava da rádio (direção) ou do próprio partido (UNITA).

A nossa reação à esta comunicação foi imediata: assim que começou o programa, anunciámos que tinhamos um convidado cujo acesso aos estúdios tinha sido vetado, e ligámos para ele enquanto estávamos no ar, para que pudesse esclarecer as razões desta banição.

Depois de o ouvirmos, convocámos EM DIRETO E NO AR, a direção da rádio aos estúdios para vir apresentar a sua versão do sucedido, coisa que foi ignorada pelos representantes da rádio,  o que nos levou a contornar as “ordens superiores” e mantermos ligação com o Libertador, fazendo com que participasse no debate do dia como se estivesse em estúdio connosco.

Ao sairmos dali, fomos pedir à rádio que nos fornecesse a “Lista Negra” de todos aqueles quanto estivessem barrados de aceder ao estúdio, para que não voltássemos a passar pelo vexame de convidar outra pessoa e ter depois de comunicar-lhe in loco que afinal não poderiam participar. Garantiram-nos que tal lista não existia e que não voltaria a acontecer um impedimento dessa natureza.

Depois houve as discussões preliminares acerca da tomada de posse dos deputados na AN, que redundaram na tão infame vigília do dia 20 de Setembro, e isso foi a gota que fez transbordar o copo!  Algumas pessoas no seio da UNITA ficaram furiosas connosco, consideraram-nos infantis, frustrados, mal-agradecidos e traidores, tudo por acharem a demonstração pública de repúdio pela sua decisão um disparate e uma agressão.

Nesse dia e para não variar, fomos detidos! Apesar dos insistentes e repetidos telefonemas para dar a conhecer a ocorrência, a RD pura e simplesmente omitiu o assunto nos vários blocos informativos de que dispõem. A Ana Margoso, nossa amiga, jornalista esclarecida, foi uma das poucas pessoas que, sendo fervorosa militante da UNITA e não sem antes apresentar alguma resistência, reconheceu a dimensão e a importância da nossa atividade – a vigília. Mostrou-se preocupada quando soube que a rádio omitira durante todo aquele período a nossa detenção,  intercedendo a nosso favor ao pé daquela, garantindo-nos que a matéria passaria em diferido. Diferido esse que nunca chegou a acontecer, tendo a nossa amiga depois desvalorizado o (não) ocorrido como sendo um “mal-entendido” e encerrando esse capítulo por aí mesmo, fazendo fé nas boas intenções dos seus colegas e recusando ter havido interferência das forças “ocultas” e das ordens superiores” no seio da sua agremiação partidária.

O programa ia (vai) ao ar todas as segundas e quartas. No domingo após a vigília, o nosso colega (que é também, “coincidentemente” afiliado na UNITA) Gaspar Luamba ligou para nós, para nos informar da condição periclitante do Zwela, nos seguintes termos:

“Amanhã o programa não poderá ir para o ar sem antes termos uma reunião com os kotas, que estão muito chateados E COM RAZÃO. A reunião tem o objetivo de definir a continuidade ou não do Zwela. Nessa reunião irão participar, para além de mim próprio, o Massilon e o Carbono. Os manos Luaty e Mbanza não poderão estar presentes!”.

Engraçado é que “os manos Luaty e Mbanza” eram APRESENTADORES principais do Zwela e ao serem coados dessa forma de uma reunião que determinaria a sua permanência no ar, ficou patente de imediato que essa permanência tinha como premissa inicial o afastamento dos locutores principais. Desde esse dia que tanto o Mbanza como o Luaty deixaram de ir à rádio, onde seriam indesejados.

Ao perguntarmos quem pôs essas condições, o Luamba citou o Professor Chipindo Bonga, que negou categoricamente qualquer envolvimento nesta peça de teatro de tão pobre argumento.

O facto é que, como desejado, o Mbanza e o Luaty  abandonaram o programa que ficou ao encargo do… Luamba! O Luamba não só banalizou o programa com a sua linguagem belicista,  extremamente parcial, pobre analiticamente e com um favoritismo partidário (ao seu partido, claro está) muito pronunciado,  como encetou num rol de mentiras descaradas aos ouvintes que ligavam a perguntar pelos outros apresentadores, dizendo que estariam ocupados “com outras atividades revolucionárias,  mas já já retomariam os seus lugares no Zwela”. Durante as duas primeiras semanas fizemos por desvalorizar a importância destas mentiras, atribuindo-as a um mero desejo e, quiçá, excesso de confiança por parte do Luamba que nos fossemos todos entender mesmo sem explicações dadas. Ele ficou de se encontrar connosco para explicar o que tinha sucedido exatamente, mas o tempo foi passando e ele foi-se esquivando desse encontro, a cada dia com um pretexto diferente. Entretanto o programa continuava, com a sua nova e medíocre linhagem híbrida entre assunto sério e humor de mau-gosto, e com a continuidade das mentiras acerca do Mbanza e do Luaty.

Sendo o programa a representação de um grupo alargado de pessoas, que uns escolhem nomear Movimento Revolucionário (nome que também colhe antagonismos, pois não é consensual), decidimos, em algumas reuniões, tomar medidas vigorosas concernentes à  identidade do programa e à sua continuidade. Decidimos a votos (mais de 30 pessoas) que havia 3 opções para o programa: ou mantinha-se o Luamba e o programa mudava de nome, passando a ser um programa pessoal do Luamba; ou mudavam-se os apresentadores (outros quaisquer, excepto o Mbanza e o Luaty, resolutos na sua decisão de não mais voltar); ou, finalmente, encerrava-se pura e simplesmente o programa. Em TODAS estas reuniões sem excepção (mais de 3), o Luamba brindou-nos com a sua ausência, sempre com um novo e improvisado pretexto.

Indigitou-se uma “comissão” para levar a comunicação da decisão ao Luamba antes do programa de segunda-feira, 29 de Outubro ir ao ar, mas algumas das pessoas que se comprometeram em lá estar não foram e as que foram levaram uma lavagem de tal ordem, que saíram de lá confusas, sem conseguir cumprir a missão que lhes foi incumbida.

O resultado? O Luamba dedicou esse programa inteiro à difamação de “algumas pessoas que se venderam ao regime e que querem fechar o Zwela”. Foi 1h30min de puro fel e envenenamento, trazendo os ouvintes para a conversa, perguntando-lhes repetidamente “o que se lhe apraz dizer sobre os pseudo-revolucionários que aceitaram rebuçado do regime para acabar com o Zwela?”. Ele nunca citou quem eram os “tais”, mas o recado foi percebido.

Achando essa virulência gravíssima e perigosa, decidimos ir confrontar o Luamba na emissão seguinte, dia 31 de Outubro (ouve-se a porta abrir aos 21m20s), tendo irrompido pelo estúdio quando o programa já estava no ar e exigindo ao Luamba que explicasse aos  ouvintes  quem eram as pessoas que tinham aceite dinheiro do regime e que esclarecesse de uma vez por todas as razões da nossa ausência de um mês e meio no Zwela.


Como consequência, o programa ficou suspenso e o director assumiu o compromisso de só voltar a liberá-lo uma vez que tivéssemos chegado a um consenso e o remetessemos POR ESCRITO e ASSINADO por todos. Qual não foi portanto o nosso espanto ao ver o programa reatar na semana seguinte, dia 7 de Novembro, sem que nenhum documento lhes tivesse sido endereçado.
Desde essa data que se instalou entre o Luamba e alguns de nós um mal-estar insanável, agravado pelo facto de ele continuar a querer tomar-nos por parvos e a envenenar a nossa reputação ao pé de algumas mentes pouco atentas que, mesmo diante da não-apresentação das provas prometidas, continuam pura e simplesmente a acreditar na sua mais que mirabolante história de novela:

- O gerente do Banco BAI, na dependência do Golf 2, ter-lhe-á mostrado no ecrã do seu computador, 3 contas bancárias contendo as seguintes quantias: 600 mil USD; 400 mil USD e 280 mil USD. Quando o grupo de mais de 30 pessoas ouviu essa “notícia” começou a exigir “a cabeça” desses 3 prevaricadores, mas o Luamba já tinha conseguido  o que queria e recusou-se a citar os nomes, dizendo que “dentro de 3 dias aparecerei com as provas para vocês verem com os próprios olhos”. Só que esses 3 dias passaram e as provas não foram dadas. Pior, algumas pessoas deixaram de as exigir e, na reunião seguinte, dia 10 de Novembro, praticamente crucificaram aqueles poucos que tentaram insistir no assunto, cobrando ao Luamba que fosse consequente com as suas alegações.

- A reunião que se seguiu varreu para baixo do tapete esse assunto poeirento e passou imediatamente ao que interessava: estruturação e oficialização do “Movimento”, com nomeação de representantes  e núcleos municipais e organização de um… CONGRESSO!

Para nós está abundantemente claro que o interesse aqui é formalizar o que funcionou bem até agora, tornando o movimento algo mais aparentado com um partido, afastando as pessoas incómodas (difíceis de manipular, que pensem pela própria cabeça), mantendo um “exército” de meninos cheios de boas e genuínas intenções, mas moldáveis e teleguiáveis, que possam ser induzidos a servir interesses ocultos, mas não tão ocultos assim.

A razão desta exposição de assuntos que deveriam ser resolvidos “internamente” é simples: estamos a agir preventivamente ao ataque público que iremos sofrer nos próximos dias. O Luamba fez questão de ligar para o Libertador a avisar que tinha convocado uma conferência de imprensa, na qual anunciaria a secessão do movimento e, deduzimos, ao evocar as razões desta nova “ala”, irá preferir denegrir “os outros”, “os impuros”, “os recebedores de rebuçados”, para justificar que, não podendo compactuar com a “corrupção”, resolveu com “a maior parte do movimento” demarcar-se destes indivíduos vendidos, sem escrúpulos, que brincam com a desgraça do povo. Deduzimos também que ele vai continuar a deixar à especulação dos jornalistas os nomes dos ditos “vendidos”, sendo menos eficaz na estratégia de “bomba de desfragmentação” citá-los. Será importante elucidar-vos que contactámos o gerente do BAI do Golf II que nunca ouviu sequer falar do Luamba.

Conclusão:

Pela forma como as coisas estão a acontecer e a destreza com que os intentos atingem o movimento, somos levados a crer que há mão oculta: o Luamba está a ser usado como testa-de-ferro! É um rapaz determinado, ambicioso e dedicado ao partido, que sempre fez parte do nosso núcleo restrito de pessoas de confiança, exibindo uma coragem e firmeza pétreas, conquistando assim o respeito de muitos dos jovens do movimento.

Algumas pessoas no seio da UNITA ficaram tão furiosas com a vigília, que chegaram até a apodar-nos dos mais reles e infames nomes. Acusam-nos de infantilismo político e de estar a abrir várias frentes de luta esquecendo-nos do nosso inimigo comum – o regime (nunca levaram a sério a nossa premissa principal que nos compromete única e exclusivamente com a verdade).

Alguns timoneiros da política interna do partido estão a conduzir o Luamba nesta empreitada. Embora reconheçamos o poder intelectual do Luamba, ele não é inteligente o suficiente para pensar num ardil tão eficaz e metê-lo em marcha de maneira tão estrondosamente bem-sucedida, sem se importar que caminha para a destruição de algo que ajudou a construir e atingir até aqueles que um dia foram amissímos seus.

Para já, conseguiu o fito inicial do plano: dividir para melhor reinar! Não nos surpreenderá  que apareça como presidente do movimento que agora emerge para “salvar a honra e a dignidade dos puros”.

Nada tendo contra isso, queremos desejar-lhe muita sorte e dizer-lhe do fundo dos nossos corações que tenha êxitos e que não devemos ver-nos como concorrentes mas como complementares, caso contrário, iremos perder mais tempo a atacar-nos mutuamente, distraindo-nos do objetivo final que, felizmente, continua a ser comum.

Segue o teu caminho irmão Luamba, boa sorte na tua empreitada e esperamos que te reveles um bom líder e mobilizador de massas.

Paz

Os manos do outro lado da história

No início deste ano, o Município de Cacuaco mobilizou-se de maneira independente e autónoma para reivindicar os mais básicos direitos que um cidadão deve auferir: “luz, água, saúde e educação”. O resultado foi o mesmo de sempre: porrada, prisões arbitrárias, julgamentos sumários!

No decurso de uma dessas manifestações, 8 jovens foram levados, julgados e condenados, sendo a pena convertível em valores, totalizando os 40812 AKZ/cabeça.

Três desses oito rapazes são irmãos, filhos de uma única família (família Ngonga, aparecem no vídeo ao minuto 1m26s)

A realização do aperto pelo qual passavam para libertar os seus petizes, propusemo-nos ajudá-los nessa missão e lançámos, em colaboração com a Omunga, a campanha “O teu grão de areia, o nosso deserto” à qual, assumimos com toda a humildade, não nos teremos dedicado exclusivamente, apostando com força durante umas semanas, depois tentando uma tímida reanimação, mas acabando por nos deixar transbordar com as infinitas ocorrências dos dias que passavam, deixando suspensa a campanha e prolongando o calvário das famílias.

Decidimos estabelecer uma data limite para a campanha e esta será a última tentativa de apelar à vossa sensibilidade. Independentemente do valor que conseguirmos angariar, a campanha estará encerrada definitivamente no dia 15 DE DEZEMBRO DE 2012. Cremos que não há altura do ano mais adequada para se ser aliviado financeiramente do que a quadra festiva, daí a escolha.

COMO FAZER DOAÇÕES:

Telf: 912259794 e 914264173 (dinheiro em mão)

Para os que enviam dinheiro do estrangeiro ou escolhem transferência via online-banking, aqui vão os detalhes que precisam:

Banco:              BFA
Benificiário:     Omunga
IBAN:                AO 06000600000666130330191
BIC ou SWIFT: BFMXAOLU

Para os que estão na banda podem ir a qualquer dependência BFA e depositar os vossos 100 kwanzas, 1 USD, 1 euro, de acordo com a moeda que escolham, numa das três contas abaixo:

BFA
conta em Euros: 666 130331005
conta em USD: 666 130332001
conta em AKZ: 666 130330001

Estado actual da campanha: 162700 AKZ

Objectivo: 326496 AKZ

Faltam: 163796 AKZ

Há uns dias atrás o JA publicou uma notícia que dava conta da detenção de dois kuduristas por consumo de estupefacientes num comboio destinado à Malange, para onde iriam actuar. Como podem constatar, mesmo na edição online que podiam MUITO BEM corrigir, continua a ser dolosamente utilizada a imagem do artista MCK, reputado internacionalmente, falsamente identificado como “Pai Banana”. Esse nível de baixaria a que a dupla de mongolóides Ribeiro/Queiroz já nos habituaram não tem classificação e serve simplesmente para ser adicionado a um sem número de crimes cometidos por esse órgão que desvirtua completamente o seu objecto social, sendo usado como veículo de propaganda, difamação e manda-abaixismo de todo aquele que tenha algum posicionamento crítico em relação a quem lhes versa os salários (a palavra foi escolhida deliberadamente pois TODOS nós lhes pagamos os salários, mas os depósitos são feitos por pessoas deveriam representar-nos).

MCK respondeu ontem ao JA, exigindo que se retratem. A cópia da sua carta segue aqui na íntegra!

O comentário abaixo foi publicado no Angonotícias, abaixo ao artigo “Caso ‘BurlAngola’: clientes não desarmam“, pelo cidadão Ngola Haidi. Segue na íntegra:

Ngola Haidi : O executivo Angolano não vai fazer nada porque eles também recebram dinheiros destes projectos. São todos burladores até o próprio Governo Angolano burla os seus próprios cidadãos. O tribunal a PGR não vai fazer nada porque alguem manda nesta procuradoria. Um País sem justiça não vale nada, Angola tem muitas leis bonitas no papel mas não funcionam. A Build Angola não é o único projecto Habitacional que Burlou Angolanos. O famoso empreendimento JARDIN DO ÉDEN localizado no Camama também nos bulou estamos a mais de 5 anos com as casas pagas , mas não temos as casas. Muitos dos cidadãos contrairam crédito habitacional no Banco de Fomento Angola-BFA, BAI , BIC e TOTTA , os cidadãos continuam a pagar mensalmente aos Bancos as dívidas contraidas no crédito habitação. O BFA já lavou suas mãos diz que não tem nada haver com o Jardim do Èden os cidadãos têm que continuar a pagar as casa não importa se vão te-las ou não. Muitos de nós já contratou advogados para processar o JARDIN do Èden, mas não deu em nada. Alguns funcionários do próprio Éden em Off dizem que não vai resultar em nada processar o èden porque a família do Presidente da república está por detrás do Projecto Jardin do èden. Se é verdadeira ou caluniosa esta informação só Deus sabe. Mas os factos indiciam isso, porque não é possível você contratar um advogado pagas os honorários, e fica a te dar “babetes” os mesmos “babetes” que os responsãveis do Jardin do èden te dão quando você vai cobrar a casa. Quer dizer que depois que o advogado se intera do processo é desaconselhado a dezistir do caso sob pena que não sabemos de onde virá. Nem a imprensa publica ou privada leva acério este problema das burlas das imobiliarias em Angola. Inicialmente O projecto Jardin do èden no Papel era muito bonito contemplava escolas, hospitais ,áreas de lazer, Shopings era uma maravilha no papel, hoje não passa de um bairrozito no meio de favelas nem se quer o acesso a este bairro a estrada está asfaltada. Quem acompanha a Formula I deve lembrar que a uns anos atráz o Èden aparecia como patrocinador da formulaI. Brincaram com o dinheiro do povo e da sua paciencia. Tudo isso porque temos um governo de cocó, não vale nada, tirando os carros de luxo com cirenes com que desfilam nas cidades não valem absolutamente nada. Diz-se aqui que escreveram para a assembleia,parlamento etc, etc, ninguém se digna em apelar a justiça, dos pacatos cidadãos pobres que com tanto sacrifício e com a vontade de dar uma mínima condição de habitabilidade aos seus filhos amarram os cintos para comprar uma casa condigna. São burlados queixam-se e a Justiça Angolana fecha os olhos finge que não vê nada , o Governo não faz nada. Pouca vergonha. Vão lá no èden porque isto é uma denùncia, para um governo que se preze, não deixaria seus cidadãos abandonados. Perderam o respeito senhores executivos, corromper até a justiça isto é grave. Um governo sem princípios nem moral, como pode governar? Quando chegam a casa o que dizem aos vossos filhos? Como justificam a boa vida que dãos as vossas familias a custa do sofrimentos dos outros? Se o Governo estivesse organizado, fiscalizasse rigorosamentes estes projectos , exigisse um seguro de risco em caso de falência, hoje as seguradoras estariam a resolver nossos problemas. Mas como temos um governo arcaico imediatista e corrupto ,ignorou todos estes elementos importantes e concedeu autorização para que estes projectos burlassem os Angolanos. È conivente? Claro que é? Angola Jamais se desenvolverá enquanto haver um único cidadão neste País acima da lei.

 

Nós humildes cidadãos e ativistas cívicos,

Vimos por meio desta manifestar a nossa solidariedade para com o nosso irmão e amigo Belo Moreth, por ter sido mais uma vítima de violência descomedida, ao ponto de lhe ter sido arrancado o olho esquerdo por indivíduos publicamente conhecidos como gangsters.

Vimos igualmente condenar esses atos e apelar as autoridades para punirem exemplarmente os autores quer diretos quer morais.

Para a familia garantimos o nosso apoio incondicional naquilo que nos tiver ao alcance e estaremos sempre próximos, pois atingir o Belo é nos atingir a todos nós ativistas.

À sociedade, queremos convocá-los para uma reflexão profunda sobre estes atos publica ou em particular. Até quando vamos conviver com a selvajaria? Até quando esses crimes bárbaros e amiúde impunes vão continuar a vitimar nossos irmãos, filhos, amigos, primos, enfim, nossos semelhantes? Até quando aceitaremos vergar-nos a prepotência de quem se sente tão inimputável que ainda se dá ao desplante de ameaçar “retirem a queixa ou resolveremos de outra maneira”? Até quando continuarão a existir “outras maneiras”? A quem cabe pôr cobro a esses desvios?

Enquanto continuarmos sem agir, enquanto dermos lugar ao medo de questionar, apontando o dedo aos prevaricadores e seus cúmplices no crime, eles continuarão a fingir que nada sabem, nada viram, protegendo os seus petizes tornados bestiolas assassinas, enviando-os para longínquas terras “até que a poeira assente”.

O nosso país é um embuste!

Muita força mano Belo, estamos contigo!

Luanda, 13 de novembro de 2012.