Archive for the ‘Denúncia’ Category

Hoje, dia 22 de Maio pelas 11h00 da manhã, demos entrada na Assembleia Nacional de uma denúncia ao PR por abuso de poder e violação da Constituição da República. Enquanto Chefe do Executivo é sobre si que recai a responsabilidade máxima de respeitar e fazer respeitar a Constituição, logo, é a si que se devem imputar os comportamentos inconstitucionais reiterados por parte dos seus subordinados hierárquicos.

Alguns desses subordinados foram igualmente visados por nós em queixas-crime distintas que foram entregues, também esta manhã, à PGR. A lista dos “queixados” é a seguinte:

1 – Comandante Manuel Tito da Divisão de Viana – Polícia Nacional

2 – Comandante Francisco Notícia da Divisão do Sambizanga – Polícia Nacional

3 – Amaro Neto – Director Provincial de Investigação Criminal

4 – Comandante-Geral Ambrósio de Lemos – Polícia Nacional

5 – Bento Francisco Bento – Governador da Província de Luanda

6 – Ângelo Veiga Tavares – Ministro do Interior

O conteúdo das cartas pode ser lido na íntegra nas imagens publicadas abaixo.

A denúncia contra o PR foi entregue à Assembleia Nacional pois a PGR já alegou por diversas vezes “incompetência”, apontando para a AN como o órgão indicado para ordenar a instauração de investigação ao maioral da República. De lembrar que o crime de violação da Constituição está nesta última tipificado como uma das violações que podem levar a destituição do Presidente da República (artº 129).

Cumprimos com o nosso dever de cidadãos, usando da CRA e das leis ordinárias que regulam a nossa vida em sociedade para denunciar crimes de Estado perpetrados por pessoas perfeitamente identificadas que parecem gozar de imunidades ocultas e extra-constitucionais para abusar dos direitos de comuns e indefesos cidadãos deste país.

Temos consciência que os amigos se protegerão e que estas queixas não serão levadas à sério, para já. Mas também temos a certeza absoluta que estes mesmos documentos servirão, numa Angola livre das garras dos seus predadores actuais, para incriminá-los judicialmente por inacção face à denúncias graves. Acabarão todos na desgraça se, do alto das suas cadeiras de decisores se coibirem de aplicar as leis da República apenas e só quando estas os lesem. Lembrem-se que até aos dias de hoje os responsáveis pela carnificina Nazi estão a ser encontrados, julgados e condenados pois há certos crimes que não prescrevem.

Vamos ser patriotas e começar a fazer uso da lei de forma uniforme, imparcial e sem privilégios para quem quer que seja.

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A esta carta foram feitos os seguintes anexos: Prova de entrega e recepção da carta comunicando a manifestação ao GPL e Lei 16/91 com sublinhados dos artigos aos quais fazemos alusão.

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A mentalidade fossilizada da obediência doentia a uma suposta “ordem superior” não irá, como que por um golpe de magia, desvanecer-se enquanto as mesmas pessoas que foram formatadas para obstaculizar o “adverso”, o “do contra”, o “dissonante” se mantenham como titulares de cargos com poder de decisão.

Infelizmente, por força da experiência repetida, temos de aplicar aqui o ditado fatalista que diz:”pau que nasce torto, nunca se endireita”. Para essas pessoas, pouco importa que o cidadão cumpra com escrupuloso rigor com as leis da República, que escreva todas as cartas, peça (e adquira) autorização deste mundo e o outro, tenha transtornos financeiros que nunca, ninguém se propõe indemnizar, jamais deverá este cidadão auferir dos direitos que lhe são conferidos pela atípica Constituição, pois esses direitos ferem a sensibilidade dos que os aprovaram para “fazer bonito”, para saírem bem na fotografia, para aparentar vontade explicita de se democratizarem os hábitos sociais.

No dia 30 de Março, a mesma data da nossa manifestação (mais uma vez) abortada pela já habitual violência policial redundando em porretes, bofetadas, pontapés nos testículos e detenções ilegais, em Benguela, um grupo de Hip Hop chamado Família Eterna, tentava levar a cabo um evento que celebraria os seus 10 anos de existência e para o qual procederam a todos os a priori impostos pela lei pre-histórica, com autorizações carimbadas pela cultura, pela polícia e pela administração local, como se pode comprovar nas imagens aqui disponibilizadas.

O que pode levar as autoridades a reverter um parecer anterior e, à margem de qualquer critério legal, tentar impedir a realização de um evento no próprio dia em que este deveria ter lugar? Que nomes são esses que ao aparecer no ecrã do telefone fazem mais-velhos, pais-de-família, hiperventilar de pânico e embrulharem-se completamente com actos que contrariam todas as formações que já receberam?

Segundo o testemunho do Fábio, um dos organizadores do evento cujo nome se pode ver na documentação aqui disponibilizada, foi ao aperceberem-se que o MCK seria o convidado de honra do evento que lhes terá disparado o alarme arrepiante da auto-censura e terão tentado corrigir o tiro, pressionando psicologicamente a organização a abortar o evento e, mais engraçado, a inventar “uma desculpa qualquer” para o justificar perante a opinião pública, ao pé da qual a sua credibilidade ficaria mordiscada. “Sobretudo não dizer nada ao MCK”. Esses mais-velhos perderam totalmente o juízo.

Ainda segundo o Fábio, uma vez no escritório do comandante Ndalu, por quem terá sido convocado, uma enxurrada de questões acerca do recém-premiado do Festival Nacional da Canção se seguiu, ao ponto de, na dúvida acerca do conteúdo temático das letras deste último, o comandante ter baixado a ordem a um subordinado hierárquico que se deslocasse ao local onde estaria a decorrer a venda do “Proibido Ouvir Isto”, adquirisse uma cópia e se pusesse a escutá-la in loco, comunicando a par-e-passo o que estivesse a ouvir. O agente não terá superado a faixa introdutória e já o comandante levava as mãos à cabeça alarmado:”não pode ser, esse indivíduo não pode cantar, não estamos autorizados a ter músicos que cantam contra o governo!”.

A resistência à intimidação fez com que outro tipo de estratégia, mais agressiva, fosse colocada em marcha: desde visitas ostensivas de agentes à paisana ao local do evento, desencorajamento de permanência de quem se aproximasse com intuito de adquirir bilhete, visita inusitada do soba e ainda uma campanha de desinformação executada utilizando o serviço de SMS de uma das operadoras nacionais, em tom alarmante, advertia a população a não ir ao evento pois “algo de mau irá acontecer”. Para coroar tudo isto, um corte de energia foi encomendado quando o evento já decorria.
Ameaça mal disfarçada de conselho. O visado tentou ligar para o remetente, mas o número estava desligado.

Ameaça mal disfarçada de conselho. O visado tentou ligar para o remetente, mas o número estava desligado.

Os rapazes foram firmes e resolutos, levando em frente a sua intenção de realização do evento que tão cuidadosamente prepararam, não abdicando de nenhum dos pormenores previstos inicialmente, incluindo a participação do MCK que acabou por cantar o dobro daquilo para o que tinha sido contratado, em sinal de reconhecimento tanto pela organização, como pela brava plateia de (à volta de) 80 almas, que apesar dos alertas, não quiseram perder um evento que é raro para os amantes de Hip Hop consciente na terra das acácias rubras.

As consequências da sua “afronta” à ordem superior e arbitrária já começaram a fazer-se sentir e o pequeno espaço de 30 minutos semanais que lhes era cedido na Radio Morena, lhes foi retirado mas, claro está, de maneira amigável, sem celeuma, sem ressentimentos pois, afinal de contas, coitado do “dono do programa” que receia agora ter qualquer tipo de associação a esta juventude desobediente, não vá ele, por seu turno, perder tão pequena “benesse” como um inofensivo programa de rádio.

Para download gratuito, a banda dispensou uma das suas novas faixas intitulada “10 anos de irmandade“, no qual abordam justamente o assunto aqui relatado.

Só mais um episódio entre milhares no país do revanchismo, protagonizado pelos mesmos dinossauros políticos que recusam aperceber-se que essas práticas já não têm lugar numa Angola democrática e seguem, envergonhando o país perante o mundo, ao mesmo tempo que impingem por força de discursos exemplos que nunca lhe deram.

Luaty Beirão

FAMILIA ETERNA Autorizacao da Rep. Cultura FAMILIA ETERNA Autorizacao do Comando da Policia  FAMILIA ETERNA Parecer da Adm. da ZonaFAMILIA ETERNA Declaracao de Cedencia do Recinto

O nosso Centraleiro Luaty Beirão foi hoje temporarariamente barrado no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro. Também conhecido nas lides musicais por Ikonoklasta ou Matafrakuxz, Luaty Beirão por um fio não perdeu o avião hoje de manhã no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, quando pretendia sair em viagem para Banjul, com escala em Dakar, a fim de participar numa conferência Internacional de duas semanas para a qual foi convidado.

Após alguma discussão e a «algazarra» habitual, sempre que sai em viagem, Luaty passou pelos serviços de emigração e seguiu viagem, por volta das 09:00 horas. A única explicação dada foi: “o passaporte esteve bloqueado por erro do sistema”.

Também rapper, Luaty Beirão foi um dos activistas detidos na 1ª manifestação, ocorrida a 7 de Março de 2011, na sequência da qual têm se realizado outras manifestações por activistas cívicos; já foi vítima de motim defronte à sua residência, calúnia e difamação, recebeu uma carta anónima com conteúdo ameaçador, foi gravemente ferido na cabeça com bastão de ferro por elementos afectos à milícia repressora angolana na manifestação do dia 10 de Março de 2012 (em que foram igualmente feridos Francisco, David Coronel e Filomeno Vieira Lopes), foi detido com cerca de 10 companheiros na vigília contra a tomada de posse, no Parlamento, pela oposição, realizada após às Eleições Gerais de 2012, entre as muitíssimas vicissitudes pelas quais tem passado, arquitectadas por forças, grupos e indivíduos afectos ao regime sob a liderança de josé Eduardo dos Santos, ventilado aos 4 ventos, por ocasião das comemorações do dia da Paz, ontem 04.04, como sendo “o arquitecto da Paz”.

A situação do “bloqueio por erro do sistema” do passaporte de Luaty Beirão, ocorrida hoje, não se dá pela 1.ª vez. O facto é que quase todas as vezes que pretende viajar, maioritariamente para concertos onde é convidado a fazer actuações, o “erro” aparece. Garante-se ter-se regularizado, mas na viagem seguinte volta a viver a situação anterior. Até onde nos lembramos, tal já ocorreu umas 4 vezes, sendo em uma delas, colocado cocaína na sua bagagem. Haverá alguém neste país, capaz de dar alguma explicação, sobre as razões destas ocorrências estranhas?

Recorde-se que nesta 5.ª feira, 04 de Abril, comemorou-se o 11.º aniversário da Paz – resultado dos Acordos de Paz de Luena, rubricados entre as chefias militares das FALA e das FAA – sob o signo da “UNIDADE E RECONCILIAÇÃO NACIONAL”, sem as presenças dos partidos políticos da oposição e de organizações da sociedade civil, não ligadas ao regime. ANGOLA FAZ-SE, COM EXCLUSÃO E LIMITAÇÕES À LIBERDADE DE QUEM PENSA DIFERENTE

Passou-se na semana passada em Luanda uma conferência sobre a “Cultura do Paz”. A referida conferência contou com um discurso de abertura do Presidente da República José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979. Passamos, na íntegra, o discurso do “Arquitecto da Paz”.

Luanda, 26 de Março de 2013

EXCELENTÍSSIMA SENHORA
DRA. NKOSAZANA DLAMINI-ZUMA,
PRESIDENTE DA COMISSÃO DA UNIÃO AFRICANA,
EXCELENTÍSSIMA SENHORA
DRA. IRINA BUKOVA,
DIRECTORA GERAL DA UNESCO,
DISTINTOS CONVIDADOS DE HONRA,

CAROS CONVIDADOS,

MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES,

Emboa hora a UNESCO, em parceria com a União Africana, decidiu realizar na capital da República de Angola esta conferência sobre a Cultura da Paz em África, que é sem dúvida um dos bens mais preciosos para o nosso continente e também aquele que o povo angolano mais preza e procura proteger e conservar a todo o custo.
Sabemos por experiência própria quão dolorosos são os efeitos da guerra e quais os valores que a paz propicia e encerra.  Afinal, há apenas onze anos que o nosso país vive uma paz efectiva, que se assinala no próximo dia 4 de Abril de 2013.
Durante mais de quatro décadas conhecemos de forma quase ininterrupta as agruras e malefícios da guerra, que geraram no nosso país mortes, miséria, fome, luto, dor, destruição, inimizades, etc.
Um cortejo de horrores difíceis de ser recordados e que ninguém mais quer voltar a experimentar.
Só nos últimos trinta anos de guerra tivemos cerca de um milhão de mortos, duzentos mil mutilados e estropiados, mais de cinquenta mil crianças órfãs, cerca de quatro milhões e meio de deslocados e mais de seiscentos mil refugiados.
Para além disso tivemos para cima de dois milhões de minas e outros engenhos explosivos implantados em território nacional e vinte mil milhões de dólares de prejuízos materiais em infra-estruturas como estradas, pontes, aeroportos, barragens, linhas de transporte de energia eléctrica e de caminho-de-ferro, etc.
A isto podemos juntar dez mil milhões de dólares de prejuízos em equipamentos sociais, tais como hospitais, centros médicos, escolas, institutos, pavilhões desportivos, locais de culto religioso, etc.
A conclusão que podemos tirar de todos estes horrores só pode ser uma: a guerra é uma verdadeira calamidade, cuja apologia constitui uma autêntica desumanidade.
Por essa razão, é nossa convicção que no contexto do mundo actual, em que os Estados Democráticos de Direito se afirmam cada vez mais e se envidam cada vez mais esforços no sentido do respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, a regra da resolução dos conflitos deve ser o diálogo e o debate franco e aberto, como forma de se alcançar o consenso.
As questões de natureza interna, e mesmo as que possam eventualmente ocorrer a nível internacional, não devem ser dirimidas por via da confrontação violenta, mas sim através da concertação e negociação permanentes, até se chegar a um acordo que dê resposta às aspirações de todas as partes envolvidas, mas que ao mesmo tempo se conforme com os superiores interesses nacionais, tais como a soberania, a unidade e integridade da nação e o respeito pela dignidade humana.
Infelizmente, para além dos inúmeros problemas que o nosso continente enfrenta, em especial no domínio social e económico, ainda temos de fazer face aos conflitos militares que grassam seja no interior seja entre alguns dos Estados.
Neste preciso momento, tanto na República Democrática do Congo, como na República Centro Africana, no Mali, na Nigéria, na Somália, na Líbia, no Sudão do Sul, só para dar alguns exemplos, a vida de milhões de civis inocentes, homens, mulheres e crianças, é posta em perigo por conflitos armados.
O continente africano tem tanta necessidade de paz como de pão para alimentar os seus filhos. Não podemos satisfazer a necessidade de todos se a guerra prevalecer.
Já por diversas vezes afirmámos que sem paz o desenvolvimento não é possível.
A paz é a condição indispensável para a obtenção do progresso, da justiça, da igualdade de oportunidades e do respeito pelos direitos fundamentais dos cidadãos.
Assim, a paz duradoura consolida-se com o desenvolvimento e a partilha equilibrada dos seus benefícios.
Devemos, para tal, cuidar da satisfação material, moral e espiritual das pessoas, das famílias e do povo em geral, para que a paz assente em alicerces firmes e se possa perpetuar.
Este pensamento, com a necessária adaptação, pode ser extensivo à relação entre Estados, na perspectiva da satisfação dos interesses dos povos do planeta, da consolidação da paz no mundo e do reforço do entendimento entre as nações.
O pano de fundo da sincronização entre o desenvolvimento e a paz deve ser a democracia, como único caminho que permite aos nossos povos ser senhores do seu destino e escolher periodicamente os seus governantes num clima de respeito pelas ideias alheias e a vontade popular.
Mas devemos sublinhar que o reforço e consolidação da paz não são só fruto do desenvolvimento.
Resultam também da reconciliação, do perdão recíproco, da confiança e da aceitação mútua, que conduzem à desejada pacificação dos espíritos.
É a confirmação na prática destas ideias que nos levam a concluir que o caminho da paz passa por um forte e permanente empenho cultural, que deve ser protagonizado por todos quantos partilham o objectivo de fazer perdurar a paz ao longo dos tempos.
Este é um processo complexo que exige a participação de toda a sociedade civil, em especial das instituições religiosas (como paladinos do perdão e agentes da fraternidade) e também das mulheres (na sua qualidade de mãe, companheira, irmã), cuja voz é sempre escutada e respeitada nas sociedades africanas.
Neste contexto devemos sobretudo cuidar das novas gerações, como garantes do futuro, por forma a serem formadas numa autêntica cultura de paz e tolerância que, com o tempo, se converterá em parte integrante do património moral da sociedade.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

As considerações que acabo de tecer decorrem da amarga experiência vivida pelo Povo angolano.
Há precisamente onze anos, o Governo de Angola declarava na sua agenda política que as questões de Paz e da Reconciliação Nacional deviam ser equacionadas num quadro jurídico e político em que se respeitasse a Lei Constitucional então vigente, o ordenamento jurídico e as instituições do Estado,  como ponto de partida, e que ambos os contendores deviam aceitar de modo inequívoco a validade dos Acordos de Paz e as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre Angola.
A partir desta base foi possível agirmos em seis níveis:
1. Ao nível político, com a promoção da reconciliação nacional através da unidade e da coesão nacional e da consolidação da democracia e das instituições do Estado Democrático de Direito;
2. Ao nível económico, com a adopção de uma Estratégia de Saída da Crise, de que era parte integrante e essencial o Programa de Estabilização Macroeconómica e de Reconstrução Nacional e de Desenvolvimento Económico e Social. Essa estratégia permitiu reabilitar as infra-estruturas que tornaram viável o exercício da actividade económica, a prestação da assistência médica, a circulação de pessoas e bens, assim como a instalação, organização e capacitação da Administração local;
3. Ao nível social, com a adopção de um Programa de Emergência para apoiar a reintegração social e o reassentamento dos deslocados, o regresso dos refugiados, o enquadramento social dos militares desmobilizados, a reinserção dos deficientes de guerra e o acolhimento das crianças órfãs;
4. Ao nível jurídico, com a aprovação pela Assembleia Nacional, por proposta do Governo, de uma amnistia para todos os crimes cometidos no âmbito do conflito armado, visando com estas medidas assegurar as necessárias garantias jurídicas e política para a promoção e efectivação do processo de reconciliação nacional;
5. Ao nível militar, com a desmobilização das forças da oposição armada e a integração selectiva de alguns dos seus membros nas Forças Armadas e organismos de Defesa e Segurança, com a despartidarização efectiva destas, acompanhadas de campanhas de sensibilização para a entrega voluntária de armamento em posse ilegal da população.
6. Ao nível cultural, envolvendo os parceiros sociais e a sociedade civil na promoção de uma cultura de tolerância e de paz, de respeito por todos os cidadãos, independentemente das suas convicções políticas e ideológicas, aplicando efectivamente o princípio da igualdade e da liberdade de expressão e exortando todos os angolanos a virarem juntos esta importante página da sua história.
Com esta nossa experiência, temos estado a dar na medida do possível e sempre a pedido dos próprios interessados o nosso modesto contributo para a análise e resolução de outros conflitos que ocorreram ou continuam a ocorrer no nosso continente.

Continuaremos a manter esta vocação de ser um factor de paz, estabilidade e desenvolvimento nas sub-regiões a que pertencemos e  no continente em geral, através de organismos como a União Africana, a SADC, a CEEAC e a Comissão do Golfoda Guiné, prestando ajuda aos países com os quais mantemos profundos laços históricos e de amizade, em particular a República Democrática do Congo.

E é neste  contexto que  aproveito a ocasião para condenar com firmeza o golpe de estado que ocorreu na República  Centro Africana e apelar a União Africana para que  tome as medidas  necessárias para o restabelecimento da legalidade e  da aplicação dos Acordosde Paz  de Libreville.

Acreditamos que com o apoio firme e resoluto da comunidade internacional, de que esta conferência é um exemplo, África poderá dispor de mais condições para pôr cobro aos conflitos ainda em curso e combater as suas causas profundas, a fim de se instaurar uma era de paz duradoura, eliminar a pobreza e alcançar um progresso sustentável que permita a plena integração dos nossos países em pé de igualdade na economia mundial.
Finalmente, a todos os angolanos desejo antecipadamente um feliz Dia da Paz e Reconciliação Nacional!
A todos os presentes muito obrigado, em particular à Dra. Irina Bukova, pelo convite feito e por terem escolhido a República de Angola para albergar esta conferência, à qual desejo muitos êxitos.
Porque postamos aqui o discurso inteiro do Presidente, a la Angop? Porque achamos estas palavras altamente cínicas. Mas não somos os únicos. O conhecido jornalista e analista político Reginaldo Silva escreveu o seguinte, no Facebook:
Cultura da Paz é dialogar com quem não está de acordo connosco e não promover encontros entre parceiros, entre camaradas, entre amigos.
O diálogo só faz sentido se ele tiver como propósito procurar entendimentos sustentáveis para a abordagem dos problemas que o país enfrenta com todas as sensibilidades que têm contribuições a dar e que já mostraram que têm ideias diferentes das nossas e capacidade para defendê-las.
Em Angola fala-se muito em dialogo, mas em abono da verdade dialoga-se muito pouco, pois não se passa da intenção e quando se passa, raramente se ultrapassa a barreira das primeiras dificuldades/divergências.
Dialogar assim só para inglês ver ou para ficarmos bem na fotografia de nada adianta, a não ser que a intenção seja essa mesma, a não ser que a intenção seja ganhar tempo (?!?!) ou virar o disco para tocar a mesma faixa.
Como conceito, Cultura da Paz mais não é do que democratizar estruturalmente a vida de um país para além dos discursos e de outros formalismos, evitando-se desta forma que em definitivo o conflito aberto se volte a instalar, sobretudo em países como Angola que viveram longos períodos de guerra fratricida….
De discursos estamos fartos. Queremos é que a “cultura da paz” se faça sentir nas nossas vidas. É deshonrado o Presidente vir com este discurso quando os acontecimentos no terreno apontam para uma realidade tudo menos “pacífica”. Como uma imagem fala mais que 1000 palavras, seguem algumas fotografias e vídeos que falam de uma realidade totalmente diferente daquela que o “Arquitecto da Paz” tenta passar perante os angolanos.
Luamba Mbanza Sangue
Mbanza ensanguentado
Terror em Luanda
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a pisar o puto Alwmão
Nome: Pedro     Delito: Sonhar

Nome: Pedro Delito: Sonhar

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Cultura da Paz? Aonde?

Retirámos este comentário desta notícia no club-k, cujo título é: “Ameaças de abrandamento da China e de sucessão política pairam sobre economia angolana”. Trata-se de um “feliz contemplado” com uma casa no Kilamba que cumpriu a preceito com a sua parte do acordo, apenas para ver a SONIP seguir impune sem cumprir a sua. Segue na íntegra:

A DURA REALIDADE, o sonho da casa própria leva-me a sacrifícios, porque ansiedade mata nossos corações. No acto de inscrição as quatro lojas do KILAMBA com identificação externa de DELTA. Opção de escolha e por gostar da cor verde, passei dia 31 de Janeiro até dia 5 de Fevereiro em noites claras para conseguir o primeiro lugar da enorme fila de mais de trezentas pessoas. Graças a DEUS entrei nas primeiras DOZE PESSOAS SELECIONADAS NA FILA. Como homem e bem educado, já no interior da loja dei prioridade as mulheres, sendo a SÉTIMA pessoa registada. Segundo o funcionário ou promotor tinha CINCO dias para depositar o valor, e esperar DUAS semanas para receber as CHAVES. Por volta das ONZE HORAS DO DIA 5 DE FEVEREIRO fiz entrega como a primeira pessoa ou cliente o justificativo do Banco BAI. Passaram TRINTA E QUATRO DIAS e a SONIP não presta qualquer esclarecimento, apenas devem aguardar SMS da SONIP no telemóvel. CORRUPTOS”

Assinado: PAI GRANDE

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Gostaria de perceber o que leva um governo, que se diz representante do povo, a agir desta maneira contra ele.

Gostaria de perceber o que leva um governo a enviar centenas de homens armados até aos dentes, militares, policias de segurança e de intervenção rápida e sete helicópetros para destruir os humildes casebres de cidadãos à beira da subsistência. O que os leva a irromper pelo bairro adentro no meio da madrugada e sem aviso prévio. Imagino o medo, o susto, a dor, o terror. O choro das mamãs à procura dos seus filhos. O horror da mamãs que perderam os filhos que cairam numa vala enquanto fugiam do terror.

Gostaria de perceber o que leva um governo a reabrir as cicatrizes de guerra a um povo que já não vive, mas sim sobrevive.

Gostaria mesmo de perceber como é que um governo é capaz de voltar ao local deste acto de terrorismo de Estado e prender as mesmas pessoas que acabaram de desalojar, submetendo-as a julgamentos sumários e aplicando-lhes multas exorbitantes. É desumano.

Gostaria de ser capaz de entender a chocante indiferença da administração local.

Gostaria de compreender o que leva o mesmo governo a instalar no local uma aparatosa presença militar e depois vergonhosamente impedir que deputados da Assembleia Nacional, eleitos por este mesmo povo, tenham contacto e ofereçam assistência aos seus próprios eleitores, concidadãos, irmãos. Alguns dos deputados chegaram mesmo a ser agredidos. Isto para depois manipular os factos na imprensa pública em mais uma demonstração triste da sua incapacidade de lidar com a verdade.

Aonde está a lógica nestes actos? Gostaria de entender para que servem as leis e a Constituição da República, aquela que nos declara como sendo um estado democrático de direito.

Para que servem as centenas de milhões de dólares gastos em lobbyings no exterior e nas empresas de telecomunicações e marketing dos filhos do presidente – milhões que saem directamente do Orçamento Geral do Estado – para limpar a já gasta imagem do país, quando logo a seguir acontecem actos destes?

Para que servem os poemas de Agostinho Neto e a frase imortal “O mais importante é resolver os problemas do povo”?

Gostaria de perceber como se resolvem os problemas do povo desalojando-o forçosamente e sem aviso prévio para depois se construirem condomínios de luxo no local, como avançam algumas fontes.

Anteontem morreu Hugo Chávez, Presidente da Venezuela. Não morria de amores por algumas das suas políticas nem pelas suas aversões a certas liberdades, mas quem me dera que o meu Presidente tivesse um pingo do compromisso social que o falecido presidente venezuelano tinha para com o seu povo – principalmente para com os mais desfavorecidos.

Foto: ‘Desalojados em Cacuaco‘, por Maka Angola

Mais uma vez, a nossa imberbe e virgem democracia foi vilipendiada.

Eis a situação:

Uma delegação da UNITA, liderada por Isaías Samakuva, que visitava as populações desalojadas em Cacuaco, nos bairros de Maiombe e Baixa de Cassanje, foi impedida de realizar a sua jornada de solidariedade pela Polícia Nacional, que até levantou helicópteros para este desiderato. Mas desde quando é que para se fazer um donativo deve-se informar a Polícia? É uma regra constitucional? Tanto quanto sabemos não.

Este episódio é uma evidência de que as ordens superiores superam os pressupostos constitucionais. Nada estranho, tendo em conta a lógica da guerra que ainda paira na cabeça do Presidente do MPLA, por isso é que eles confundem manifestação pacífica com guerra. O MPLA e o seu líder até hoje não sabem das vantagens da lógica da democracia.

Com mais este abuso de poder, perguntamo-nos: Somos mesmo um Estado democrático de direito?

Categoricamente, pensamos que não.

Claro que para o senhor Norberto Garcia, um dos mais fanáticos militantes do MPLA, Angola tem uma democracia exemplar e imaculada. Não admira que ele se preste a fazer o papel de defensor da ditadura, advogado do diabo.  Esperamos sinceramente que isto não dê cabo da sua saúde mental.

Este militante do MPLA tem demonstrado uma enorme falta de coerência nos seus pronunciamentos. Factos: há dias num debate na Rádio Eclésia, NG afirmou que em Angola, há localidades com mais escolas do que alunos. É para levar a sério quem diz tamanha barbaridade? No sábado passado, ele, diante das câmaras e microfones da TPA, acusou Isaías Samakuva de incitar os populares à violência. Ora bem, este tipo de propaganda politica não ajuda o processo de reconciliação nacional nem o progresso da corrente democrática que se quer instalar no país.

 

Mais triste ainda, é o facto de que Norberto Garcia, que até parece ser um jovem promissor, está a ser usado e manipulado pela ala corrupta do MPLA, liderada pelo Zé dos dólares. Não sabemos quanto lhe pagam para travar o avanço do comboio da democracia, porém, sabemos que se ele não se cuidar o comboio vai atropelá-lo. Ele rema contra a maré. Ele está a usar a inteligência para proteger saqueadores do erário público. Portanto, os únicos frutos dessa sua aventura politica serão: doutoramento em DEMAGOGIA e alguns Kwanzas no cafocolo.

Repetimos: Esperamos sinceramente que isto não dê cabo da sua saúde mental.

Ontem por volta das 19h15 saí de casa com o intuito de encontrar-me com um ex-colega e chefe, nas imediações do Kapalanga, para tratarmos de um assunto de interesse mútuo. Como o bairro dele fica perto do bairro de uma amiga, Edna, tendo terminado o meu encontro, fui até a sua casa. Seriam mais ou menos 20h20.

Deixei-me estar na conversa até às 21h45 e, quando decidi voltar para casa, tomando a estrada que liga a Universidade Jean Piaget. Seguia tranquilamente por essa via e a dada altura ia atrás de uma viatura que a polícia mandou parar, numa das suas muito habituais operações “stop”.

Como também tem sido não menos frequente por parte dos automobilistas luandenses, quer por não estarem devidamente documentados, quer por terem deixado de temer as consequências de desrespeitar o agente de trânsito, quer por falta de paciência para mais uma troca de palavras desnecessária com agentes gasoseiros, o motorista do veículo deu mbaya e fintou o agente que não se deixou desconcertar, pois, a finta revelou-lhe um novo alvo a abater: eu!

O bongó assim que me viu atirou-se logo para frente da moto: “ pára, pára, pára, pára!”. Como eu trazia uma velocidade acima dos 40km/h, o bongó terá pensado que eu tencionava por-me em fuga, barrou-me a passagem e eu fui parar à beira de uma vala de drenagem. Nisso, veio outro policia, colega da barreira humana de farda azul, pegou-me na pasta à força, despoletando uma uma azeda troca de palavras, que começou com os insultos dos desrespeituosos agentes: “filho da puta” para aqui, “gatuno” para ali, coisa que eu não deixei barato, levantando-lhes a voz para acalmá-los e, seguidamente, num tom mais calmo, informá-los que era um cidadão consciente dos meus direitos que eles estariam a violar, citando os artº 60 (proibição de tortura e tratamentos degradantes) e 63 (direitos dos detidos e preso) da CRA. Isto teve o efeito desejado, fazendo com que os agentes passassem imediatamente a tratar-me de forma mais profissional.

Depois de 10 minutos apareceu a carrinha dos azulinhos, parou e perguntou o que se estava a passar. O colega começou a informar, relatando o que aconteceu de acordo com a sua eternamente distorcida percepção dos factos, tornando o agente num zeloso cumpridor da lei e o cidadão num infractor fracassado graças a sua pronta intervenção.

Exigiram que subisse no carro declarando: “estás preso por não andares com os documentos da moto”, o que obedeci.

Subindo no carro, deparei-me com um jovem debaixo do banco algemado, aparentando ter entre 26 e 27 anos de idade, a chorar. Os polícias estavam a bater-lhe forte e feio e disseram que o “ o gajo foi apanhado a conduzir sem cartas, embriagado e com porte ilegal de arma de fogo que é do pai dele, nosso colega”.

Chegámos à esquadra 45º do Kapalanga, desci do carro e entrei na casa deles. Assim que entrei, deparei-me o Comandante Barão, que me reconheceu de imediato, dirigindo-se a mim nos seguintes moldes:

    • “Tás aqui? Fizeste o quê?”
    • “Prenderam a minha moto”
    • “Ó Dr. Fábio pá, nunca mais, como vai o vosso movimento?”
    • “Vai bem”.

Já lá vinham 3 bongós a esfregar as mãos, com o ar de satisfação mórbida de quem está prestes a regozijar-se com o sofrimento alheio, preparando-se para me chapar, quando foram interrompidos nas suas intenções pelo “Chefe Barão” que lhes bradou: “Não mexem neste gajo! Se lhe tocarem, esse gajo vai falar na rádio e vai meter na net, deixam só, ele vai ir buscar os documento da moto”.

Seguidamente, ordenou que me devolvessem os documentos, e disse-me: “pode ir em casa, amanhã vem com os documento para tirar a sua moto”. Decidi ver até onde podia esticar a corda e declarei que não tinha massa para táxi. Acto contínuo, o Comandante tirou do seu próprio bolso 500 “Manguxi e Zé Dú”, também conhecidos pelo nome de código “kwanzas” e deu-mos para que me pudesse ir então embora. Como eram quase 23h, exprimi-lhe reticências em pegar a minha rota ainda por iluminar, dizendo que “através” do avançar da hora seria muito arriscado ir até a minha banda. Voltou a ser solicito oferecendo-me as instalações para que passasse a noite protegido. Deu-me uma sala com ar condicionado e TPA.

Por volta das 23h30, ligou-me o meu amigo Angelino a quem solicitei boleia e assim pude voltar em segurança para casa.

Assim foi a minha aventura nocturna com a nossa polícia e, no meio de tantas coisas para criticar, não posso omitir as que há para elogiar. Cheguei a conclusão que “isto” de ser activista tem as suas vantagens na desconjuntada parafernália de irregularidades que vigoram na nossa sociedade. Saí no lucro, tratado com a dignidade que merecem todos os seres humanos e mais rico de 500 “Manguxi e Zé Dú”.

Super! 32 é muito!

Por Fábio Sebastião

A moto apreendida

A moto apreendida

Our very own centraleiro Claudio Silva wrote an article for Africa is a Country about the role of social media in Angola and how it helped spread two viral videos that showed abuses against Angolan citizens. The article was later picked up the The GuardianBut as with most things in Angola, everything is not what it seems. Read on:

For the past two weeks, Angolans who use Facebook and other social media sites viewed and shared two particularly gruesome videos. One showed prison officials severely beating incarcerated men in the Comarca de Viana (Viana Jail), while the other, even more heinous, showed several men brutally beating and abusing two women who had allegedly attempted to steal a bottle of Moët & Chandon from the shop the men owned. The latter video lasts 13 long, uncomfortable minutes and among its more difficult scenes is the one in which an attacker forcibly kisses one of the women while the others laugh, and another in which the shop-owner beats the women with the blade of a machete. The video shows several men participating in the beating, while others, including women, stand by and watch while egging on the attackers. Both videos went viral in Angola.

They evoked very strong emotional reactions, particularly the second one. Within a matter of days, they had been mentioned on state television and talked about in public and private newspapers. It marks the first time that videos have gone truly viral in a country in which only about 5% of the population has access to the internet.

The videos come at a sensitive time. People continue to be shocked at the level violence permeating Angolan society. The torture and murder of a popular and well-liked teen last year at the hands of his teenage friends — which prompted a march against violence along Luanda’s new Marginal — is still fresh in many people’s minds. But the most remarkable outcome of this mass sharing of media was that the Angolan attorney general, or Procuradoria Geral da República (PGR) as it is locally known, actually did something about it. And they did it publicly and swiftly.

Read the rest of the article here or here.

Não queremos continuar calados e na espera eterna enquanto os nossos amigos continuam desaparecidos! Estamos especialmente preocupados com o silêncio dos representantes do governo que em peito alto assumiram investigar e esclarecer caso no passado dia 20 de dezembro de 2012 numa reunião que mantivemos com o Ministro do Interior, o Diretor Nacional da DNIC, o Vice-Procurador Geral, o Vice-Ministro da Justiça e outras entidades do poder executivo e administrativo do país, estando presentes também familiares próximos dos nossos companheiros desaparecidos desde Maio de 2012.

Não vamos nos calar e queremos saber o paradeiro dos nossos amigos quer estejam VIVOS ou MORTOS! Foi esta preocupação que nos moveu a elaborar a carta que agora tornamos pública para a sociedade angolana e não só.

Vamos continuar a olhar para isso como se nada tivesse acontecido? Hoje é Alves Camulingue e Isaias Cassule, amanha poderá ser qualquer um de nós. Precisamos dizer um basta nisso, somos seres humanos, a nossa vida tem valor! Exigimos, respeito pelas nossas vidas e dignidade humana. Não é crime reclamarmos os nossos direitos, os responsáveis por esses atos devem ser apresentados e julgados segundo a nossa lei.

Não é um crime nascer em Angola, não é crime combater uma ditadura! Não é um crime dizer que Eduardo dos Santos está no poder há mais de 32 anos! Não é crime dizer que Angola está a ser desgovernada! Não é crime manifestar-se contra as inúmeras injustiças que se cometem contra os angolanos! Não é crime ter opinião! Então por que raptaram os nossos amigos?

Por considerarmos como insultuosa e execrável a utilização de um assunto tão delicado para os habituais aproveitamentos políticos com fanfarronices televisionadas, por recusarmos ser meros atores nesta peça teatral e pelas famílias humilhadas, exigimos a quem de direito que, no prazo de 15 dias, nos dê um esclarecimento definitivo acerca do paradeiro dos nossos irmãos. O não cumprimento deste ultimato traduzir-se-á numa multiplicação de incessantes reivindicações públicas, estando a primeira agendada para exatamente 15 dias após receção da carta em anexo, entregue ao MININT no dia 2 do corrente.

Que se dignifique o homem angolano, que se respeite a soberania do povo angolano, e que se faça, acima de tudo, justiça.

Carta à entidades competentesCarta 2