Archive for the ‘Angola’ Category

O nosso centraleiro Cláudio Silva escreveu este artigo (em inglês) para os manos do Africa is a Country. O artigo foi depois retomado pelo jornal britânico The Guardian. O artigo foi escrito há quase um mês, mas nós na nossa eterna kunanguice só estamos a postar agora. Continua relevante. Boa leitura!

Our ‘centraleiro’ Cláudio Silva wrote this article for a site we enjoy reading, Africa is a Country. The article was then picked up by British newspaper The Guardian. The article in question is almost a month old, and in our eternal laziness we are only posting about it now. It remains highly relevant. Happy reading!

“Angolan authorities forced to act after horrific abuse videos go viral”

For the past two weeks, Angolans who use Facebook and other social media sites viewed and shared two particularly gruesome videos. One showed prison officials severely beating incarcerated men in the Comarca de Viana (Viana Jail), while the other, even more heinous, showed several men brutally beating and abusing two women who had allegedly attempted to steal a bottle of Moët & Chandon from the shop the men owned. The latter video lasts 13 long, uncomfortable minutes and among its more difficult scenes is the one in which an attacker forcibly kisses one of the women while the others laugh, and another in which the shop-owner beats the women with the blade of a machete. The video shows several men participating in the beating, while others, including women, stand by and watch while egging on the attackers. Both videos went viral in Angola.

They evoked very strong emotional reactions, particularly the second one. Within a matter of days, they had been mentioned on state television and talked about in public and private newspapers. It marks the first time that videos have gone truly viral in a country in which only about 5% of the population has access to the internet.

The videos come at a sensitive time. People continue to be shocked at the level violence permeating Angolan society. The torture and murder of a popular and well-liked teen last year at the hands of his teenage friends — which prompted a march against violence along Luanda’s new Marginal — is still fresh in many people’s minds. But the most remarkable outcome of this mass sharing of media was that the Angolan attorney general, or Procuradoria Geral da República (PGR) as it is locally known, actually did something about it. And they did it publicly and swiftly.

Read the rest here or the original post here

Our very own centraleiro Claudio Silva wrote an article for Africa is a Country about the role of social media in Angola and how it helped spread two viral videos that showed abuses against Angolan citizens. The article was later picked up the The GuardianBut as with most things in Angola, everything is not what it seems. Read on:

For the past two weeks, Angolans who use Facebook and other social media sites viewed and shared two particularly gruesome videos. One showed prison officials severely beating incarcerated men in the Comarca de Viana (Viana Jail), while the other, even more heinous, showed several men brutally beating and abusing two women who had allegedly attempted to steal a bottle of Moët & Chandon from the shop the men owned. The latter video lasts 13 long, uncomfortable minutes and among its more difficult scenes is the one in which an attacker forcibly kisses one of the women while the others laugh, and another in which the shop-owner beats the women with the blade of a machete. The video shows several men participating in the beating, while others, including women, stand by and watch while egging on the attackers. Both videos went viral in Angola.

They evoked very strong emotional reactions, particularly the second one. Within a matter of days, they had been mentioned on state television and talked about in public and private newspapers. It marks the first time that videos have gone truly viral in a country in which only about 5% of the population has access to the internet.

The videos come at a sensitive time. People continue to be shocked at the level violence permeating Angolan society. The torture and murder of a popular and well-liked teen last year at the hands of his teenage friends — which prompted a march against violence along Luanda’s new Marginal — is still fresh in many people’s minds. But the most remarkable outcome of this mass sharing of media was that the Angolan attorney general, or Procuradoria Geral da República (PGR) as it is locally known, actually did something about it. And they did it publicly and swiftly.

Read the rest of the article here or here.

A TPA é reputada por ser o braço propagandista do regime no domínio do audiovisual. É muito fácil apanhá-los em contra-pé, pois os mentores dos seus conteúdos não se dão sequer ao trabalho de criar uma trama que possa, quanto mais não seja, semear a dúvida inclusive ao mais atento dos telespectadores. Isso implicaria aptidões de romancista que os guionistas de conteúdos dessa bosta que se auto-intitula “televisão” estão longe de ter, ficando-se por versões pobres de telenovelas venezuelanas.

Neste capítulo, fazemos uma retrospectiva da “evolução” do tratamento que nos é reservado nesse espaço que alega pretensiosamente informar. Começa por manipular um panfleto, acrescentando-lhe conteúdos violentos para “provar” aos telespectadores que merecíamos os títulos que nos atribuíam. Depois dão 4m30s aos milicianos no Telejornal sem nos conceder o direito ao contraditório nem tampouco o direito de resposta previsto na lei de imprensa. Finalmente chamam-nos de “activistas” num dia e de “membros da JURA” no dia seguinte, lembrando-nos rapidamente, caso estivéssemos a conjurar alimentar ilusões, da sua natureza falaciosa e pérfida.

Fundos e Mundos

Posted: December 19, 2012 in Angola, Argumentos, Corrupção, Notícias, Opinião

O kota Rafael Marques, “sniper anti-regime” como lhe apelidou o Novo Jornal, voltou a atirar. Desta vez o alvo foi o Fundo Soberano de Angola (FSDEA). No seu artigo, o autor destapa as diversas irregularidades presentes no fundo, a identidade dos seus verdadeiros gerentes, bem como faz perguntas ‘inconvenientes’. Algumas trechos:

Apesar das circunstâncias, Armando Manuel sublinhou que, até à presente data, o fundo não fez quaisquer aquisições ou investimentos. Passou, então, de forma confiante, a enunciar os planos do fundo para investir no sector hoteleiro em Angola, bem como na abertura de um hotel-escola para atrair estudantes de toda a África.

É difícil imaginar como a construção de hotéis servirá para responder às necessidades crónicas de Angola, quanto ao seu desenvolvimento. Também é caricato entender porquê e/ou como potenciais estudantes africanos de hotelaria e turismo gostariam de estudar na mais cara capital do continente africano, onde se fala inglês de forma ínfima.

Dois meses após o seu lançamento, em Dezembro, o FSDEA continua sem um quadro legal que sustente a sua existência e não tem qualquer política de investimento. Na realidade, o FSDEA começa a revelar-se como sendo apenas pouco mais do que um logo/uma marca bastante caro.

No início de 2012, vários artigos na imprensa privada e na mídia social revelavam que o filho do presidente, o Zenú, havia sido nomeado pelo pai para o conselho de administração do fundo. O África Monitor chegou a afirmar que a nomeação de Armando Manuel para presidente do fundo era apenas um engodo. Demasiado ocupado com as suas funções de assessor presidencial e, por deferência ao chefe, Armando Manuel delegaria sempre a presidência no filho do seu chefe.

Muitas pessoas manifestaram-se incrédulas. “Não era possível, certamente, Dos Santos teria mais juízo,” algumas vozes sussurravam. “Poderia apenas ser um rumor…” Mas, era verdade.

Então, em Agosto deste ano, a imprensa britânica reportou que “o Fundo Soberano Angolano” comprou uma propriedade imobiliária, numa das zonas mais caras de Londres, por US$ 350 milhões.

Os mais atentos coçaram as cabeças: Como era possível, a um fundo soberano que não existia, comprar propriedade em Londres?

Ademais, porquê o negócio tinha de ser feito por via de um intermediário, a firma de investimentos suíça Quantum Global?

As investigações sobre o assunto revelam a teia de poder, os tentáculos e conflitos de interesse. Uma das figuras centrais do Quantum Global é o empresário suíço/angolano, Jean Claude Bastos de Morais, amigo pessoal e mentor de Zenú. Ambos criaram e partilham, como sócios principais, o primeiro banco de investimentos em Angola, o Banco Kwanza Invest.

Por via de uma investigação mais pormenorizada, ficou claro que o cidadão suíço Marcel Kruse, um parceiro de negócios, de longa data, de Bastos de Morais, é o presidente do Conselho de Administração do Banco Kwanza, que até 2010 se chamava Banco Quantum. Contrariamente aos outros bancos que estão obrigados a revelar anualmente os seus relatórios e contas, o Banco Kwanza está isento, pelo menos para o público, de cumprir com este requerimento legal de transparência e boa gestão.

Maka Angola – assim como muitos angolanos – continua a interrogar-se como US $5 bilhões de dólares de fundos públicos angolanos acabaram sob gestão de um simples logotipo, cujos cordelinhos são movimentados a partir da Suíça pelos amigos do filho do Presidente? Alguns desses amigos foram recentemente condenados por gestão criminosa.

Pode ler o artigo na sua totalidade no site do Maka Angola, aqui. Also available in English.

Para além do FSDEA, outro fundo foi recentemente lançado em Angola, também por decreto presidencial e também sem passar pela Assembleia Nacional. Chama-se Fundo Activo de Capital de Risco Angoalno (FACRA) . O decreto presidencial foi despachado no dia 7 de Junho, e no dia 8 de Agosto foi declarado operacional pelo Ministro da Economia, Abraão Gourgel. Depois de um período sustentado de notícias acerca deste fundo na imprensa financeira de Angola, nunca mais se falou no FACRA. Pelo que se sabe, o fundo ainda não investiu em qualquer empresa.

Curiosamente, a gestão deste fundo também passou para o Banco Kwanza Invest, fundado pelo filho primogénito de José Eduardo dos Santos, Zenú dos Santos, e o seu amigo Jean-Claude Bastos de Morais.

O Banco Kwanza Invest, antes conhecido como Banco Quantum, também tem laços com o Quantum Global, que, segundo várias publicações, gere cerca de $3 bilhões dos activos líquidos do FSDEA.

É curioso que os dois maiores fundos de capitais angolanos ou são geridos pelo Banco Kwanza ou por gente a ele ligado. Neste momento a maioria dos activos do FSDEA são últimamente geridos pela Quantum Global, enquanto que o FACRA é gerido pelo Banco Kwanza.

Não houve concurso público para estas escolhas, nem temos a certeza dos critérios usados para a seleção destas entidades. Notamos porém a sua íntima ligação com a Presidência da República e a sua família.

Não há nada de errado na criação destes fundos. Aplaudimos a criação de fundos de capitais de risco para fortalecerem a nossa emergente economia, e nada melhor que um fundo que (realmente) apoie as micro, pequenas e médias empresas. Principalmente se tais investimentos forem feitos de forma transparente, aberta, e eficaz, sem clientelismo. Um fundo soberano que apoie realmente a nossa infra-estrutura eléctrica e hídrica também é uma excelente iniciativa.

O que é difícil de perceber é a falta de estrutura legal para estes fundos, falta de conhecimento de como foram escolhidas as entidades que os gerem, ou mesmo como estes fundos foram lançados sem uma estrutura legal pre-definida. É díficil de perceber como, porqué, e com base em que critérios, concretamente, foram escolhidas as entidades financeiras que gerem literalmente bilhões de dólares de dinheiro público angolano. Quais os termos dos seus contractos?

As direcções destes fundos prometeram ao povo angolano a sua total transparência. Ficaremos então, daqui em diante, bastante atentoao seu desempho fiscal, ético, e justo. Com os olhos bem abertos. Seremos nós, a juventude, os principais beneficiários destes fundos.

-Cláudio C. Silva

(For english, go straight to the following link: Here)

Foi amplamente noticiado aqui no blog da Central, no nosso fb, nas páginas de centraleiros no UK que abraçaram este caso do irmão anónimo que caíu do vôo BA Luanda – Londres quando este se preparava para aterrar, fazendo-o o seu principal cavalo de batalha numa primeira fase, fazendo campanhas, vigílias, marchas, dando entrevistas à BBC e agora, finalmente, temos uma ajuda incomensurável por parte da MET, a Polícia Metropolitana Britânica que resolveu tornar públicas imagens que dão as feições aproximadas do mano (eles chamam e-fit, é como a “reconstituição digital da face”) e uma foto de uma tatuagem que o irmão tinha no braço esquerdo com as letras “ZG” distintamente visíveis.

Angolano Anónimo BA tattoo

O que todos podemos fazer agora é divulgar ao máximo estas imagens até que chegue eventualmente ao conhecimento de algum familiar que consiga identificar o irmão e dar esse triste capítulo por encerrado para a família do malogrado que estará na ignorância sobre o sucedido ao seu parente.

Vamos dar um empurrão nisto família.

Angolano Anónimo BA flight

Não são só os brancos que exploram. Há pretos que querem explorar ainda mais que os brancos. – Amílcar Cabral

Angola é um dos estados mais corruptos do mundo. Durante a última década, antes e depois da guerra, têm desaparecido dos cofres do estado, sem explicação, dezenas de bilhões de dólares. Ao mesmo tempo, a riqueza de figuras dentro das estruturas do governo e/ou parte da elite politicamente conectada cresce de forma vertiginosa.   Finge-se não se saber a origem da vasta riqueza repentina deste grupo de cidadãos. Finge-se não saber, por exemplo, como é possível generais na reserva, políticos ou ministros a que não são conhecidas quaisquer actividades empresariais de relevo, de repente terem a capacidade financeira de adquirir participações de centenas de milhões de dólares em bancos internacionais (portugueses) ou blocos de petróleo offshore.

O que se sabe ao certo, e o que é possível ver a olho nu, são os efeitos nefastos da corrupção em Angola. É a corrupção que retarda drasticamente o desenvolvimento desta nação. É a corrupção que desvia fundos preciosos tão necessários para o bem estar social e  para o investimento em sectores preponderantes para o real avanço do país, como por exemplo a saúde e a educação. É a corrupção que faz com que continuemos a ter das piores taxas de mortalidade infantil no mundo, 10 anos após o fim da guerra; é a corrupção que faz com que continuemos a ter muitos dos mesmos indicadores sociais que no tempo da guerra; é a corrupção que faz com que continuemos a ter um dos mais baixos indicadores do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no mundo, não obstante o rápido crescimento da nossa economia (um dos maiores crescimentos do planeta) e a subida robusta do nosso PIB.

Algumas semanas atrás os angolanos e portugueses foram “surpreendidos” com uma notícia veiculada nos órgãos de informação portugueses sobre o início de um inquérito contra altas entidades da república angolana, entre elas o actual vice-presidente da República, por suspeita de branqueamento de capitais. O xinguilamento foi imediato e severo. O Jornal de Angola deu o tiro de partida com vários editoriais caracteristicamente raivosos e ofensivos. Esta semana foi a vez do Novo Jornal entrar para a festa, com uma entrevista extensa ao Emídio Rangel como tema de capa, onde o mesmo deplora o sistema judiciário português; ao mesmo tempo, tanto o editorial bem como a “Palavra do Director” atiraram-se igualmente contra o sistema judiciário português e uma tal elite portuguesa que acusam de ser neo-colonialista, invejosa, e racista.

Curiosamente, todos os diversos editoriais, artigos, entrevistas e afins apontam todas as suas baterias para o ataque a Portugal e a sua violação do “segredo de justiça”. Deploram o sistema jurídico português e atacam as pessoas que ousaram levantar suspeitas contra membros do governo angolano, entre eles o conhecido jornalista e activista Rafael Marques, que o Novo Jornal chamou de “sniper profissional anti-regime” e “figura controversa.” De realçar que as mesmas pessoas que atacam o sistema judicial português nada disseram sobre como nove generais angolanos serviram-se deste mesmo sistema para abrir uma queixa crime na semana passada contra o mesmo Rafael Marques, em Lisboa. Mais caricato ainda é o facto que alguns dos visados pelo inquérito do DCIAP serem os mesmos que abriram queixa contra o referido activista em terras lusas!

Mas o que mais espanta nesta já cansada história é que nenhum único artigo, editorial ou entrevista vai ao fundo da questão: porquê sequer que o vice-presidente angolano está sob suspeita? Porquê sequer que está a se abrir um inquérito contra altas entidades angolanas?

Há pouco tempo atrás, uma das muitas empresas obscuras em qual o actual vice-presidente angolano é sócio, a Nazaki Oil & Gás, fechou um contrato com a Sonangol e a empresa norte-americana Cobalt Energy, numa altura em que o actual vice-presidente ainda era o PCA da Sonangol e em clara violação das leis vigentes em Angola. Ou seja, enquanto era PCA da Sonangol, o vice-presidente escolheu a Nazaki Oil & Gas, na qual é sócio, como parceiro local da Cobalt Energy na exploração de dois blocos de petróleo no offshore angolano.

Neste preciso momento, decorre nos Estados Unidos uma investigação contra a Cobalt Energy, levado a cabo pela Securities & Exchange Commission (SEC) e pelo Departamento da Justiça dos Estados Unidos, por suspeitar-se que esta praticou corrupção ao envolver-se com uma empresa petrolífera cujos sócios faziam parte das estruturas governamentais estatais. Tal acção é ilegal nos Estados Unidos por violar, entre outras leis, a Foreign Corruption Practices Act (Lei Contra Prácticas Corruptas Estrangeiras) , que proíbe que empresas americanas efectuem precisamente este tipo de negócios.

A notícia foi amplamente divulgada na imprensa financeira mundial, em particular na conceituada Financial Times, e provocou a queda das acções da Cobalt Energy no New York Stock Exchange. Na altura, tanto o vice-presidente como um outro general na reserva muitíssimo bem conhecido viram-se forçados a enviarem duas cartas idênticas para o Financial Times onde afirmaram a sua inocência.

Poucos se parecem lembrar deste caso.  Também não houveram editoriais contra o Financial Times, a bolsa de valores de Nova Iorque, ou o sistema jurídico americano.

Na verdade, isto não é novidade. Tanto o vice-presidente da República como outros dirigentes e generais são sócios de empresas privadas que fazem negócios com o estado angolano. Segundo vários relatórios do Maka Angola e com base em documentos publicamente disponíveis (como o Diário da República, por exemplo), o vice-presidente é ele próprio sócio de várias empresas que fazem exatamente isto, desde a Delta Imobiliária que não consegue vender casas no Kilamba, ao Portmill Investimentos e Telecomunicações que comprou acções tanto da Movicel como do Banco Espírito Santo Angola.

É do conhecimento geral o nome e as posições das pessoas que realmente “mandam” em Angola e ajudam a esvaziar as competências das nossas instituições. As pessoas que se  enriqueceram da noite para o dia enquanto que o povo em geral continua a estagnar e a debater-se contra problemas tão elementares como a falta de água e luz. As pessoas que de repente se viram capazes de comprar bancos e empresas na Europa a título privado. As pessoas que fazem parte de empresas compostas por testas de ferro e sem nenhuma actividade empresarial discernível.

Por isso, será melhor as autoridades angolanas habituarem-se a este tipo de inquéritos e notícias – não será a primeira, nem a última vez que o vice-presidente angolano e outras figuras do estado estarão envolvidos em casos de corrupção, principalmente se optarem por lavar os seus dinheiros em países que não Angola.

A outra opção, claro, seria respeitar as leis angolanas, entre elas a Lei da Probidade Pública, mas algo nos diz que isto será ainda mais difícil…

Cidadania é boa e faz crescer os dentes!

Esta notícia é originária da central ideológica do regime que em várias ocasiões já utilizou o Expresso para este tipo de exercício e em nada corresponde à realidade, visa apenas criar clima para impor este resultado. Os números que a central do Movimento pela Verdade Eleitoral está a divulgar, com base em informações dos fiscais de mesa, não corroboram estas afirmações. Há uma preponderância do Mpla, seguido de perto da Unita, um pouco mais abaixo vem a CASA-CE como terceiro mais votado e depois residualmente a Fnla e demais formações. A única coisa que a notícia tem de verdade pode ser o nível de abstenção que ronda os 40%, depois de ter sido 8% (1992) e 18% (2008). Numa primeira projecção pode-se atribuir uma média de 150 votos, por mesa, ao Mpla, cerca de 100 a Unita e perto de 25 a Casa-ce. Assim sendo, após a contagem das 6.438 mesas (2.864.662 eleitores) o Mpla vai ter cerca de 1.100.000 de votos, a Unita cerca de 650.000 e a Casa-ce perto de 200.000, o que quer dizer que o resultado provincial, em termos de deputados será de 3-2 ou, na melhor das hipóteses, para a Casa-ce, esta rouba um deputado ao Mpla.

O projecto foi apresentado e discutido no EPJL II que teve lugar no passado dia 11 de Agosto. A ideia surgiu depois de vermos um vídeo do nosso dikota Bonavena a argumentar de forma inspiradora acerca da verdade eleitoral.

Estamos a dias das Eleições Gerais e preparamos este site para divulgar em tempo real todas as informações concernentes aos desvios de comportamento que, sem precisar de recorrer a uma sofisticada e charlatã técnica de futurologia, infelizmente adivinhamos que venham a acontecer no dia 31 de Agosto.

A juventude está a trabalhar à contra-relógio, mas com muito empenho e muita alegria. Já temos articulada a cooperação com os partidos da oposição credível, as ONG e cidadãos comuns para a fiscalização e monitoração das Assembleias onde votem ou onde estejam colocados como observadores/delegados de lista.

Esperamos conseguir já amanhã divulgar os nºs de telefone que estarão disponíveis para os cidadãos ligarem com as suas denúncias, mas para já, podem gravar o site, cuja construção contamos concluir durante o dia de amanhã.

Para visualizar o site, carregue na imagem abaixo: