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Mais uma vez, a nossa imberbe e virgem democracia foi vilipendiada.

Eis a situação:

Uma delegação da UNITA, liderada por Isaías Samakuva, que visitava as populações desalojadas em Cacuaco, nos bairros de Maiombe e Baixa de Cassanje, foi impedida de realizar a sua jornada de solidariedade pela Polícia Nacional, que até levantou helicópteros para este desiderato. Mas desde quando é que para se fazer um donativo deve-se informar a Polícia? É uma regra constitucional? Tanto quanto sabemos não.

Este episódio é uma evidência de que as ordens superiores superam os pressupostos constitucionais. Nada estranho, tendo em conta a lógica da guerra que ainda paira na cabeça do Presidente do MPLA, por isso é que eles confundem manifestação pacífica com guerra. O MPLA e o seu líder até hoje não sabem das vantagens da lógica da democracia.

Com mais este abuso de poder, perguntamo-nos: Somos mesmo um Estado democrático de direito?

Categoricamente, pensamos que não.

Claro que para o senhor Norberto Garcia, um dos mais fanáticos militantes do MPLA, Angola tem uma democracia exemplar e imaculada. Não admira que ele se preste a fazer o papel de defensor da ditadura, advogado do diabo.  Esperamos sinceramente que isto não dê cabo da sua saúde mental.

Este militante do MPLA tem demonstrado uma enorme falta de coerência nos seus pronunciamentos. Factos: há dias num debate na Rádio Eclésia, NG afirmou que em Angola, há localidades com mais escolas do que alunos. É para levar a sério quem diz tamanha barbaridade? No sábado passado, ele, diante das câmaras e microfones da TPA, acusou Isaías Samakuva de incitar os populares à violência. Ora bem, este tipo de propaganda politica não ajuda o processo de reconciliação nacional nem o progresso da corrente democrática que se quer instalar no país.

 

Mais triste ainda, é o facto de que Norberto Garcia, que até parece ser um jovem promissor, está a ser usado e manipulado pela ala corrupta do MPLA, liderada pelo Zé dos dólares. Não sabemos quanto lhe pagam para travar o avanço do comboio da democracia, porém, sabemos que se ele não se cuidar o comboio vai atropelá-lo. Ele rema contra a maré. Ele está a usar a inteligência para proteger saqueadores do erário público. Portanto, os únicos frutos dessa sua aventura politica serão: doutoramento em DEMAGOGIA e alguns Kwanzas no cafocolo.

Repetimos: Esperamos sinceramente que isto não dê cabo da sua saúde mental.

Num país maioritariamente jovem, o desenvolvimento humano e social também passa necessariamente pelo desporto. Milhões de jovens angolanos ficam sem explorar os seus “talentos atléticos e desportivos” porque o Executivo Angolano, liderado por José Eduardo dos Santos, ainda não encontrou as melhores soluções para o desenvolvimento do desporto nacional. O que eles gostam mesmo é do imediatismo, de resultados que caiem do céu. Não se fala do esforço, da dedicação, da entrega que dão outro sabor às vitórias! Só se fala de milhões de dólares para as selecções e projectos megalómanos que funcionam como plataformas de esquemas e comissões ilícitas. – ALGUÉM VIU POR AÍ O RELATÓRIO DO CAN 2010 REALIZADO EM ANGOLA? – Desde aí podemos ver que a pirâmide da politica desportiva deste Executivo está estupidamente equivocada e geometricamente invertida. No meio disso tudo, temos um ministro da Juventude e Desporto, totalmente devotado à bajulação do “arquitecto”. Pois claro…

Que tal se começarmos a investir mais milhões de dólares nas categorias de formação? Que tal se promovermos o desporto escolar como forma de afastar os mais jovens das bebedeiras e festas gratuitas, que só promovem descontroladamente o consumo de álcool e drogas? Uma população jovem precisa de estímulos positivos: o desporto é garantidamente um deles. Já que o investimento nos livros e bibliotecas é penoso, prejudicando o desenvolvimento intelectual e académico dos jovens angolanos. Então, pelo menos facilitem o nosso desenvolvimento atlético e desportivo. Custa muito? O dinheiro que todos os anos o Estado gasta em viaturas novas não pode ser canalizado para este propósito?

Num programa de TV, o cota Mário Rosa, Secretário Geral do Comité Olímpico angolano, que tem sido um facebookiano frontal, coerente e objectivo nas suas propostas de debate, apresentou-nos algumas soluções para este imbróglio que já parece uma maldição da nação angolana. Os doutores do partido da situação ainda não chegaram ao mesmo fio de pensamento do cota Mário Rosa? Pudera depois de termos escutado o político do MPLA, Norberto Garcia, num dos mais recentes debates da Rádio Eclésia, concluímos que as prioridades deste governo e deste partido não são as prioridades dos Angolanos.

A TPA é reputada por ser o braço propagandista do regime no domínio do audiovisual. É muito fácil apanhá-los em contra-pé, pois os mentores dos seus conteúdos não se dão sequer ao trabalho de criar uma trama que possa, quanto mais não seja, semear a dúvida inclusive ao mais atento dos telespectadores. Isso implicaria aptidões de romancista que os guionistas de conteúdos dessa bosta que se auto-intitula “televisão” estão longe de ter, ficando-se por versões pobres de telenovelas venezuelanas.

Neste capítulo, fazemos uma retrospectiva da “evolução” do tratamento que nos é reservado nesse espaço que alega pretensiosamente informar. Começa por manipular um panfleto, acrescentando-lhe conteúdos violentos para “provar” aos telespectadores que merecíamos os títulos que nos atribuíam. Depois dão 4m30s aos milicianos no Telejornal sem nos conceder o direito ao contraditório nem tampouco o direito de resposta previsto na lei de imprensa. Finalmente chamam-nos de “activistas” num dia e de “membros da JURA” no dia seguinte, lembrando-nos rapidamente, caso estivéssemos a conjurar alimentar ilusões, da sua natureza falaciosa e pérfida.

No dia 12 de Março de 2012, a TPA, depois de se fazer totalmente omissa em relação as graves violações dos direitos humanos ocorridas aquando da manifestação do dia 10 de Março de 2012 que pedia a saída da advogada Suzana Inglês do posto de Presidente do CNE, pôs no ar esta vergonhosa simulação de telefonema, efetuado supostamente por um dos milicianos e no qual reivindincam a autoria dos crimes cometidos no decurso da manifestação.
Esse “telefonema” teve tratamento de luxo, passando nos principais blocos noticiosos existentes naquele órgão “público”.
Eis o vídeo (já editado por nós):

Um grupo de ONG’s angolanas e ilustres cidadãos, endereçou uma carta ao Kitumba, com cópia à PGR, TC e Provedoria de Justiça, denunciando a violência aplicada à pacatos cidadãos em pleno exercício de liberdades constitucionalmente consagradas e o uso abusivo de um órgão de imprensa sustentado com fundos de todos nós. Essa carta foi publicada por nós e pode ser consultada aqui.

Por se tratar de uma aberração propagandistica mal travestida de informação, resolvemos ativar os nossos direitos cidadãos e, ao abrigo da lei da imprensa, exigir o direito de resposta que nos assistia.
Como poderão constatar nas imagens abaixo a carta foi entregue na portaria da TPA, com a respetiva acusação de receção.

Direito de Resposta TPA 01 Direito de Resposta TPA 02 Direito de Resposta TPA 03 Direito de Resposta TPA 041

O facto de o vídeo não ter sido exibido ou, sequer, a carta respondida, revela a sensação de impunidade que anima os nossos servidores públicos, com alguma razão porquanto continuam literalmente a borrifar-se para as leis que supostamente deveriam reger a nossa vida em sociedade, pisoteando-as a seu bel prazer, sem que jamais sejam repreendidos.

O Ministro Chikoti disse uma vez, ao ser entrevistado no programa Hardtalk da BBC, que Angola é um país que se caracteriza pelas suas instituições fortes. Até hoje nos questionamos o que estaria ele a tentar dizer com isso?

O vídeo que se segue, corresponde ao direito de resposta nunca concedido pela TPA e esteve arquivado nos computadores da Central… até hoje!

Um resumo para complementar o vídeo anterior que publicámos retratando a manifestação do dia 22.

Reunimos mais vídeos e temos uma narração mais completa do dia, mostrando as mentiras descaradas da Polícia e exibindo imagens inequívocas que as contrariam.

Um episódio caricato que ainda ninguém tinha referido é a “inclusão” de uma seita religiosa num local onde iriam supostamente estar arruaceiros, com a conveniente presença de uma equipa da TPA.

Estas tentativas de provocação baratas são vergonhosas evidenciando técnicas primárias de criação de factos políticos (como o que veio a suceder mais tarde, ao partirem-se vidros de carros) que possam legitimar os seus discursos e acções musculadas. VERGONHA!

Cobramos do Ministro do Interior que se apresentem os verdadeiros culpados e não aqueles inocentes que recolheram “ao calhas” no perímetro da manifestação. Cobramo-lo pois foi o próprio Ministro que nos comunicou na reunião que tivemos: “temos a inteligência que haverá pessoas infiltradas no vosso seio, para causar distúrbios e manchar a imagem da vossa nobre intenção”.

Pois é Sr. Ministro, se têm essa inteligência, então porque levaram inocentes privando-os de passar o Natal em família? Onde estão os elementos que vocês dizem conhecer que terão sido os causadores dos estragos? Quem os enviou? Mostrem-nos quem são, pois também não os queremos infiltrados no nosso seio!

COBRAMOS MAIS: 20 dias depois do nosso encontro e do assumir público de um compromisso de apurar o que se passou, queremos ser informados das diligências que já foram feitas e queremos um desfecho URGENTE deste caso que se arrasta há 7 meses e meio!!!

Para aqueles que não conseguem visionar o vídeo acima, experimentem este link Vimeo, gentilmente cedido pelo mano Cláudio Silva após constatação de problemas com direitos autorais no youtube para alguns países:

Antes da manifestação de sábado, mandamos uma carta ao Governo Provincial de Luanda e à Polícia Nacional, como manda a lei, informando-os do trajecto da nossa marcha. Tanto o GPL e a PN mantiveram-se calados. Dias depois, nos reunimos com algumas das entidades mais altas do país, incluindo o Ministro do Interior, e o transmitimos, entre outras coisas, a nossa intenção de realizar a marcha e que percurso iria seguir.

Mesmo assim, fomos interpelados pela Polícia de Intervenção Rápida e anti-motins ainda muito antes da chegada ao nosso destino final. As imagens que se seguem mostram o o que se passou no sábado.

A TPA disse que os manifestantes eram membros da JURA, associando a manifestação da juventude angolana à uma subversiva actividade partidária, borrando assim o nome dos jovens apartidários e o dos seus principais adversários. Vejam e digam de própria justiça: quem busca a violência afinal de contas?

Fizemos esta entrevista ao mano Belo Moreth na sequência das notícias que saíram exageradas a darem conta que tinha sido ARRANCADO o olho esquerdo ao mano. Foi vítima de uma violência absurda e cobarde (2 contra 1) sim, ficará provavelmente CEGO do olho esquerdo sim, mas é tudo! Infelizmente para alguns, este caso não passa os testes de ilegibilidade para se fazer aproveitamento político, por isso solidarizem-se com o HOMEM e não com o ataque ao regime. Grande força ao mano Belo que está em convalescença, a recuperar do abalo físico e emocional que sofreu.

A rutura é normal, ou pelo menos, deveria ser. Em qualquer relação na vida,  mesmo à dois, chega eventualmente uma altura em que as diferenças de posicionamento no que concerne a aspectos pilares na sustentação da relação, forçam as pessoas a optarem por seguir caminhos diferentes na persecução do mesmo objetivo: a felicidade.

Se numa relação à dois é normal, tanto mais natural deveria ser num grupo alargado e heterogéneo que, concordando com os objetivos e partilhando pontos de vista globalmente, encontram inevitavelmente antagonismos, normalmente saudáveis e estimulando a discussão, mas também podendo tornar-se insuperáveis e, nesse caso, ditando a insustentabilidade de continuidade num ambiente saudável e, consequentemente, a imposição da “separação”.

Se hoje somos levados a escrever isto, não é sem uma ponta de tristeza, pois, existem certas pessoas que parecem não se satisfazem em existir sem empurrar as outras para baixo, anularem-nas, vilipendiarem-nas, como se a sua sobrevivência disso dependesse.

Pouco após as eleições, protagonizámos alguns atos que fizeram drasticamente bascular o comportamento afável e cordial que nos era reservado pela UNITA, que nos via como aliados numa luta comum pela alternância do poder. Terá sido certamente por assim nos encararem, que nos concederam 2h30 minutos semanais gratuitos na sua rádio (Rádio Despertar, programa Zwela Ngola), por achar que iríamos, em troca, ajudá-los incondicionalmente na precarização da imagem do Executivo e do seu caduco timoneiro JES, apoiando-os inclusivé no período eleitoral.

Só não contaram com a nossa “ingratidão” ao mantermo-nos equidistantes no julgamento crítico e, usufruindo do espaço que nos era concedido como sendo “livre e democrático”, atacando sim o MPLA, mas também desafiando intelectualmente a própria UNITA a praticar o que apregoava e a demarcar-se de comportamentos ditatoriais que vínhamos constatando.

O primeiro destes desafios ocorreu quando, chegados à Rádio no dia 12 de Setembro (a partir do minuto 6) para mais uma edição do Zwela, fomos chamados a um canto para nos sussurrarem que o nosso convidado do dia, Alexandre Dias dos Santos “Libertador” (entretanto já no recinto da rádio), estaria banido de falar aos microfones da RD. Ao indagarmos as razões que os levavam a tomar medidas tão draconianas e anti-democráticas em relação ao cidadão “Libertador”, recebemos como resposta uma sequência de palavras que aprendemos a abominar e que soaram imediatamente um alarme nas nossas  mentes: “São ordens superiores!”. Ficou por esclarecer se o “superior” emanava da rádio (direção) ou do próprio partido (UNITA).

A nossa reação à esta comunicação foi imediata: assim que começou o programa, anunciámos que tinhamos um convidado cujo acesso aos estúdios tinha sido vetado, e ligámos para ele enquanto estávamos no ar, para que pudesse esclarecer as razões desta banição.

Depois de o ouvirmos, convocámos EM DIRETO E NO AR, a direção da rádio aos estúdios para vir apresentar a sua versão do sucedido, coisa que foi ignorada pelos representantes da rádio,  o que nos levou a contornar as “ordens superiores” e mantermos ligação com o Libertador, fazendo com que participasse no debate do dia como se estivesse em estúdio connosco.

Ao sairmos dali, fomos pedir à rádio que nos fornecesse a “Lista Negra” de todos aqueles quanto estivessem barrados de aceder ao estúdio, para que não voltássemos a passar pelo vexame de convidar outra pessoa e ter depois de comunicar-lhe in loco que afinal não poderiam participar. Garantiram-nos que tal lista não existia e que não voltaria a acontecer um impedimento dessa natureza.

Depois houve as discussões preliminares acerca da tomada de posse dos deputados na AN, que redundaram na tão infame vigília do dia 20 de Setembro, e isso foi a gota que fez transbordar o copo!  Algumas pessoas no seio da UNITA ficaram furiosas connosco, consideraram-nos infantis, frustrados, mal-agradecidos e traidores, tudo por acharem a demonstração pública de repúdio pela sua decisão um disparate e uma agressão.

Nesse dia e para não variar, fomos detidos! Apesar dos insistentes e repetidos telefonemas para dar a conhecer a ocorrência, a RD pura e simplesmente omitiu o assunto nos vários blocos informativos de que dispõem. A Ana Margoso, nossa amiga, jornalista esclarecida, foi uma das poucas pessoas que, sendo fervorosa militante da UNITA e não sem antes apresentar alguma resistência, reconheceu a dimensão e a importância da nossa atividade – a vigília. Mostrou-se preocupada quando soube que a rádio omitira durante todo aquele período a nossa detenção,  intercedendo a nosso favor ao pé daquela, garantindo-nos que a matéria passaria em diferido. Diferido esse que nunca chegou a acontecer, tendo a nossa amiga depois desvalorizado o (não) ocorrido como sendo um “mal-entendido” e encerrando esse capítulo por aí mesmo, fazendo fé nas boas intenções dos seus colegas e recusando ter havido interferência das forças “ocultas” e das ordens superiores” no seio da sua agremiação partidária.

O programa ia (vai) ao ar todas as segundas e quartas. No domingo após a vigília, o nosso colega (que é também, “coincidentemente” afiliado na UNITA) Gaspar Luamba ligou para nós, para nos informar da condição periclitante do Zwela, nos seguintes termos:

“Amanhã o programa não poderá ir para o ar sem antes termos uma reunião com os kotas, que estão muito chateados E COM RAZÃO. A reunião tem o objetivo de definir a continuidade ou não do Zwela. Nessa reunião irão participar, para além de mim próprio, o Massilon e o Carbono. Os manos Luaty e Mbanza não poderão estar presentes!”.

Engraçado é que “os manos Luaty e Mbanza” eram APRESENTADORES principais do Zwela e ao serem coados dessa forma de uma reunião que determinaria a sua permanência no ar, ficou patente de imediato que essa permanência tinha como premissa inicial o afastamento dos locutores principais. Desde esse dia que tanto o Mbanza como o Luaty deixaram de ir à rádio, onde seriam indesejados.

Ao perguntarmos quem pôs essas condições, o Luamba citou o Professor Chipindo Bonga, que negou categoricamente qualquer envolvimento nesta peça de teatro de tão pobre argumento.

O facto é que, como desejado, o Mbanza e o Luaty  abandonaram o programa que ficou ao encargo do… Luamba! O Luamba não só banalizou o programa com a sua linguagem belicista,  extremamente parcial, pobre analiticamente e com um favoritismo partidário (ao seu partido, claro está) muito pronunciado,  como encetou num rol de mentiras descaradas aos ouvintes que ligavam a perguntar pelos outros apresentadores, dizendo que estariam ocupados “com outras atividades revolucionárias,  mas já já retomariam os seus lugares no Zwela”. Durante as duas primeiras semanas fizemos por desvalorizar a importância destas mentiras, atribuindo-as a um mero desejo e, quiçá, excesso de confiança por parte do Luamba que nos fossemos todos entender mesmo sem explicações dadas. Ele ficou de se encontrar connosco para explicar o que tinha sucedido exatamente, mas o tempo foi passando e ele foi-se esquivando desse encontro, a cada dia com um pretexto diferente. Entretanto o programa continuava, com a sua nova e medíocre linhagem híbrida entre assunto sério e humor de mau-gosto, e com a continuidade das mentiras acerca do Mbanza e do Luaty.

Sendo o programa a representação de um grupo alargado de pessoas, que uns escolhem nomear Movimento Revolucionário (nome que também colhe antagonismos, pois não é consensual), decidimos, em algumas reuniões, tomar medidas vigorosas concernentes à  identidade do programa e à sua continuidade. Decidimos a votos (mais de 30 pessoas) que havia 3 opções para o programa: ou mantinha-se o Luamba e o programa mudava de nome, passando a ser um programa pessoal do Luamba; ou mudavam-se os apresentadores (outros quaisquer, excepto o Mbanza e o Luaty, resolutos na sua decisão de não mais voltar); ou, finalmente, encerrava-se pura e simplesmente o programa. Em TODAS estas reuniões sem excepção (mais de 3), o Luamba brindou-nos com a sua ausência, sempre com um novo e improvisado pretexto.

Indigitou-se uma “comissão” para levar a comunicação da decisão ao Luamba antes do programa de segunda-feira, 29 de Outubro ir ao ar, mas algumas das pessoas que se comprometeram em lá estar não foram e as que foram levaram uma lavagem de tal ordem, que saíram de lá confusas, sem conseguir cumprir a missão que lhes foi incumbida.

O resultado? O Luamba dedicou esse programa inteiro à difamação de “algumas pessoas que se venderam ao regime e que querem fechar o Zwela”. Foi 1h30min de puro fel e envenenamento, trazendo os ouvintes para a conversa, perguntando-lhes repetidamente “o que se lhe apraz dizer sobre os pseudo-revolucionários que aceitaram rebuçado do regime para acabar com o Zwela?”. Ele nunca citou quem eram os “tais”, mas o recado foi percebido.

Achando essa virulência gravíssima e perigosa, decidimos ir confrontar o Luamba na emissão seguinte, dia 31 de Outubro (ouve-se a porta abrir aos 21m20s), tendo irrompido pelo estúdio quando o programa já estava no ar e exigindo ao Luamba que explicasse aos  ouvintes  quem eram as pessoas que tinham aceite dinheiro do regime e que esclarecesse de uma vez por todas as razões da nossa ausência de um mês e meio no Zwela.


Como consequência, o programa ficou suspenso e o director assumiu o compromisso de só voltar a liberá-lo uma vez que tivéssemos chegado a um consenso e o remetessemos POR ESCRITO e ASSINADO por todos. Qual não foi portanto o nosso espanto ao ver o programa reatar na semana seguinte, dia 7 de Novembro, sem que nenhum documento lhes tivesse sido endereçado.
Desde essa data que se instalou entre o Luamba e alguns de nós um mal-estar insanável, agravado pelo facto de ele continuar a querer tomar-nos por parvos e a envenenar a nossa reputação ao pé de algumas mentes pouco atentas que, mesmo diante da não-apresentação das provas prometidas, continuam pura e simplesmente a acreditar na sua mais que mirabolante história de novela:

- O gerente do Banco BAI, na dependência do Golf 2, ter-lhe-á mostrado no ecrã do seu computador, 3 contas bancárias contendo as seguintes quantias: 600 mil USD; 400 mil USD e 280 mil USD. Quando o grupo de mais de 30 pessoas ouviu essa “notícia” começou a exigir “a cabeça” desses 3 prevaricadores, mas o Luamba já tinha conseguido  o que queria e recusou-se a citar os nomes, dizendo que “dentro de 3 dias aparecerei com as provas para vocês verem com os próprios olhos”. Só que esses 3 dias passaram e as provas não foram dadas. Pior, algumas pessoas deixaram de as exigir e, na reunião seguinte, dia 10 de Novembro, praticamente crucificaram aqueles poucos que tentaram insistir no assunto, cobrando ao Luamba que fosse consequente com as suas alegações.

- A reunião que se seguiu varreu para baixo do tapete esse assunto poeirento e passou imediatamente ao que interessava: estruturação e oficialização do “Movimento”, com nomeação de representantes  e núcleos municipais e organização de um… CONGRESSO!

Para nós está abundantemente claro que o interesse aqui é formalizar o que funcionou bem até agora, tornando o movimento algo mais aparentado com um partido, afastando as pessoas incómodas (difíceis de manipular, que pensem pela própria cabeça), mantendo um “exército” de meninos cheios de boas e genuínas intenções, mas moldáveis e teleguiáveis, que possam ser induzidos a servir interesses ocultos, mas não tão ocultos assim.

A razão desta exposição de assuntos que deveriam ser resolvidos “internamente” é simples: estamos a agir preventivamente ao ataque público que iremos sofrer nos próximos dias. O Luamba fez questão de ligar para o Libertador a avisar que tinha convocado uma conferência de imprensa, na qual anunciaria a secessão do movimento e, deduzimos, ao evocar as razões desta nova “ala”, irá preferir denegrir “os outros”, “os impuros”, “os recebedores de rebuçados”, para justificar que, não podendo compactuar com a “corrupção”, resolveu com “a maior parte do movimento” demarcar-se destes indivíduos vendidos, sem escrúpulos, que brincam com a desgraça do povo. Deduzimos também que ele vai continuar a deixar à especulação dos jornalistas os nomes dos ditos “vendidos”, sendo menos eficaz na estratégia de “bomba de desfragmentação” citá-los. Será importante elucidar-vos que contactámos o gerente do BAI do Golf II que nunca ouviu sequer falar do Luamba.

Conclusão:

Pela forma como as coisas estão a acontecer e a destreza com que os intentos atingem o movimento, somos levados a crer que há mão oculta: o Luamba está a ser usado como testa-de-ferro! É um rapaz determinado, ambicioso e dedicado ao partido, que sempre fez parte do nosso núcleo restrito de pessoas de confiança, exibindo uma coragem e firmeza pétreas, conquistando assim o respeito de muitos dos jovens do movimento.

Algumas pessoas no seio da UNITA ficaram tão furiosas com a vigília, que chegaram até a apodar-nos dos mais reles e infames nomes. Acusam-nos de infantilismo político e de estar a abrir várias frentes de luta esquecendo-nos do nosso inimigo comum – o regime (nunca levaram a sério a nossa premissa principal que nos compromete única e exclusivamente com a verdade).

Alguns timoneiros da política interna do partido estão a conduzir o Luamba nesta empreitada. Embora reconheçamos o poder intelectual do Luamba, ele não é inteligente o suficiente para pensar num ardil tão eficaz e metê-lo em marcha de maneira tão estrondosamente bem-sucedida, sem se importar que caminha para a destruição de algo que ajudou a construir e atingir até aqueles que um dia foram amissímos seus.

Para já, conseguiu o fito inicial do plano: dividir para melhor reinar! Não nos surpreenderá  que apareça como presidente do movimento que agora emerge para “salvar a honra e a dignidade dos puros”.

Nada tendo contra isso, queremos desejar-lhe muita sorte e dizer-lhe do fundo dos nossos corações que tenha êxitos e que não devemos ver-nos como concorrentes mas como complementares, caso contrário, iremos perder mais tempo a atacar-nos mutuamente, distraindo-nos do objetivo final que, felizmente, continua a ser comum.

Segue o teu caminho irmão Luamba, boa sorte na tua empreitada e esperamos que te reveles um bom líder e mobilizador de massas.

Paz

Os manos do outro lado da história

Continuam a chegar-nos evidências para sustentar a história narrada aqui pelo Luaty. Desta vez é um vídeo que um marchante conseguiu registrar do final da agressão a que fomos submetidos. Não se vê muito, mas vê-se o suficiente para se entender que um justiceiro determinou que um restrito grupo de pessoas não era para ali chamado e, vai daí, toca a empurrá-los para fora do perímetro delineado para a concentração. Sabemos agora que esse justiceiro se chama Hamilton de Lemos, tem estado em manifestações anteriores com o fito de comandar milicianos, tendo sido positivamente identificado pelo menos nos dias 3 de Setembro e 3 de Dezembro de 2011. Mais, ficámos a saber que o mesmo estudou na Universidade Gregório Semedo (com fama de cabulão), que tem um cargo de chefia no Comando Provincial da Polícia e que, pasme-se, é sobrinho do Comandante Geral da Polícia Nacional, Sr. Ambrósio de Lemos.

Esta notícia é originária da central ideológica do regime que em várias ocasiões já utilizou o Expresso para este tipo de exercício e em nada corresponde à realidade, visa apenas criar clima para impor este resultado. Os números que a central do Movimento pela Verdade Eleitoral está a divulgar, com base em informações dos fiscais de mesa, não corroboram estas afirmações. Há uma preponderância do Mpla, seguido de perto da Unita, um pouco mais abaixo vem a CASA-CE como terceiro mais votado e depois residualmente a Fnla e demais formações. A única coisa que a notícia tem de verdade pode ser o nível de abstenção que ronda os 40%, depois de ter sido 8% (1992) e 18% (2008). Numa primeira projecção pode-se atribuir uma média de 150 votos, por mesa, ao Mpla, cerca de 100 a Unita e perto de 25 a Casa-ce. Assim sendo, após a contagem das 6.438 mesas (2.864.662 eleitores) o Mpla vai ter cerca de 1.100.000 de votos, a Unita cerca de 650.000 e a Casa-ce perto de 200.000, o que quer dizer que o resultado provincial, em termos de deputados será de 3-2 ou, na melhor das hipóteses, para a Casa-ce, esta rouba um deputado ao Mpla.