7 de Março: 3 anos depois

Posted: March 7, 2014 in Fotos

Sem muitos bla bla bla auto-elogiativos, vamos apenas partilhar a ÚNICA imagem que sobrou da madrugada do 7 de Março no Largo da Independência, que era até ali uma sentada sem slogans e que pretendia ser, mais tarde, uma mega-manifestação. Não durou mais de 25 minutos até que nos convidassem gentilmente (com direito a algemas e tudo) a ir passar a noite nas confortáveis celas da DPIC.

O espírito do 7 de Março vive!

 

MANIFESTANTES 7 março

Acerca da greve na clínica Girassol fizemos três posts na nossa conta de facebook e um deles incluía um texto redigido pelos funcionários grevistas.

A greve continua e vai agora no seu 7º dia e o texto voltou a ser relevante pois agora a entidade patronal pronunciou-se e, como não é de todo invulgar, com a pior das atitudes. Abaixo partilhamos o texto dos grevistas e a resposta dos “chefes”.

Clinica Girassol GREVE Sapo.ao.2

“Vimos por meio desta fazer uma narração de uma forma resumida e objectiva da história das referidas empresas na clínica girassol.

Sendo a clínica girassol uma subsidiaria da Sonangol EP que tem como actividade principal a prestação de serviço na área da saúde, e havendo a necessidade de criar o seu quadro de pessoal contrataram a empresa Excelmed para o devido recrutamento e selecção.

Tendo o seu inicio no dia 01 de Abril de 2008, isso após um processo rigoroso de selecção de pessoal que envolveu profissionais estrangeiros para a formação dos quadros da clínica, na qual teve o tempo de duração de 5 meses até a data da sua inauguração aos 04 de Setembro de 2008. Após esse período surge mais uma segunda empresa denominada Angola-ffshore, e chegando o momento de assinatura dos contrato de trabalho os candidatos para a área da saúde assinaram com a Excelmed e os restantes com a Angolao-ffshore tendo ambas empresas o objectivo inicial apenas o recrutamento do pessoal.

Começamos por assinar um contrato de estágio e depois para determinado renovando anualmente com promessas e esperança da efectividade para a Sonangol.

Passado 3 anos isso no de 2011 , ocorrendo uma mudança da Comissão Executiva da Clínica girassol, surgiram junto vários despachos dentro os quais a “ Implementação do qualificador de Funções, remunerações e benefícios das subsidiarias da Sonangol EP “ anunciando melhorias das condições dos seus colaboradores nomeadamente nos referidos despachos incluindo os colaboradores da Excelmed e Offshore, feito e assinado pelo o actual Presidente da Comissão Executiva da Girassol conforme os documentos em anexo.

6 anos se passaram e nada se cumpriu, pelo o contrario as nossas condições foram piorando, reduzindo ainda no pouco que nos resta de forma tão brutal e desumana, surgiram pessoas das suas conveniências que gozam de melhores condições e a serem efectivados em tão pouco tempo de trabalho sem sabermos quais os critérios para as referidas efectivações que são feitas em clandestino, e alguns colaboradores considerados chaves foram absorvidos a assinarem o contrato de cedência de passagem para trabalhadores girassol.

Os pioneiros desta historia que deixaram outros empregos, penalizaram os seus estudos para apostarem neste grande negocio actualmente são banalizados, desconsiderados, explorados sem nem um reconhecimento de tudo que fizeram para elevar o nome da Clínica.

É com muito dor e tristeza que narramos essa história na qual vivemos no passado e vivemos até hoje, na esperança de termos a oportunidade de poder mudar o seu triste cenário para um final feliz, e batermos no peito dizendo “vencemos e gozamos o merecido”.”

As ameaças da Angola Offshore/ExcelMed

Clinica Girassol AMEAÇA Excelmed 01 Clinica Girassol AMEAÇA Excelmed 02

Os que vêem além de olhar

Posted: February 18, 2014 in A Voz do Povo, Argumentos

Como podes ter tu tanto e olhar para a tua volta e só ver pobreza? Não! Tu… tu não vês pobreza, tu não andas pelas mesmas ruas que eu ando, não apanhas os mesmos candongueiros que eu apanho, eu disse os mesmos candongueiros… e acabo de lembrar que tu não os apanhas. Tu certamente és daqueles que diz que o teu país evolui, que alcançamos uma economia invejável, que o nível do PIB aumentou de 1, 5 à 100, 1000 -não olhes para mim, que eu não entendo de economia, meu negócio são seres humanos. Mas em relação às ruas por onde eu passo? Acho q não acompanham o nível dessa vossa tal “economia invejável”. E as crianças -que são quem mais me preocupam- que eu vejo ganharem o sonho de serem policiais, não mais para defender o povo, mas para “michar uma massa no ‘draivá’ ou no cobele”!? já agora: sabes o que é um cobele? Ou só sabes de Angola aquilo que vês? Ou ainda só vês aquilo que te interessa nesse teu mundo onde tudo é cor de rosa? Deverias saber que Angola são as fotos que eu vou postar no mesmo aqui e não só as tuas casas na ilha do mussulo, em Paris, em Londres, em Veneza (tens também uma mansão lá, não tens?), ops! Não tens uma simples casa, tens mansão, desculpe não ter acertado a primeira. Ahammmm, mas tu ajudas crianças carentes não é!? Ah tá, “vai-te foder”, porque ainda tens a ousadia de pedir doações à pessoas mais pobres do que tu (mais pobres não, menos ricas, porque vocês estão longe de saber o que é pobreza) e depois postas fotos para mostrar que és uma pessoa solidária. E depois realmente dormes a pensar que o és… perante nós que vivemos a realidade de Angola todos os dias, tu não passas de um aparecedorzito, porque aquelas crianças podiam ter bem mais do que aquilo, e se tivessem o subsídio vindo do petróleo que os teus progenitores usam para que vivas as vidas largas que vives, elas não precisariam de ti, seu pseudo-filantropo. Reparaste que eu não escrevo mal? Certamente não tive insucesso escolar como andam por aí a dizer dos que falam o que pensam, e se queres saber, até tenho um trabalho que amo, pena ter de acordar tão cedo, apanhar o engarrafamento causado pelos buracos e pela falta de vias alternativas , porque o dinheiro das tais taxas de circulação vão para arranjar as estradas onde tu passas, e que se lixem as do meu bairro que dariam óptimas vias secundárias e descentralizava os caminhos por onde passamos todos nós que não temos a mesma vida que tu. E acredites tu ou não, eu não sou daquelas extremistas que toma partidos, estou apenas do lado que sofre injustiça, nem que um dia venhas a ser tu. Depois vocês vão chamar à todos os que têm a ousadia de reclamar pelos seus direitos, de frustrados… E num país tão sério como Angola, é assim que falamos e tratamos os nossos jovens, quando notamos que as maratonas que proporcionamos a eles, não foram suficiente para formatá-los. IMG3
Pois saibam que entre nós, jovens angolanos, há quem pense além do dia de hoje e das bebedeiras. Há aqueles que querem o progresso de Angola, há aqueles que querem realmente criar, inventar e desenvolver o país. E a única frustração desses jovens, é saber que pessoas como tu, vivem a vida que tu vives com o dinheiro que é de todo o Angolano e não só vosso, seus bando de filhos da mãe!!!!

Dionilde Costa

Apanhado de alguns vídeos envolvendo agentes da (des)ordem e da “autoridade” com práticas pouco… mhhh.. digamos católicas!

 

A Hora da Mulher Rural?

Posted: February 11, 2014 in Argumentos, Opinião

Este artigo foi retirado da revista África 21 nº82 do mês de Fevereiro de 2014 e é sem sombra de dúvidas a mais interessante e frontal análise de uma das nossas muitas realidades, sem rodeios nem pinças, Fernando Pacheco esfarela entre dois dedos o inócuo discurso de fim-de-ano de JES que pretende como é de seu hábito enunciar prioridades distantes que (supõe ele) ninguém se interessará em cobrar (ao contrário do infâme “1 milhão de casas”) que não tenciona minimamente concretizar, neste caso específico o da “mulher rural”.

Vale muito a pena ler para se perceber como os fenómenos sociológicos se enlaçam explicando-se mutuamente e neste artigo o Fernando desmancha a corrente desta farsa elo por elo ligando com mestria o isolamento da mulher rural ao crescimento da zunga.

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Tirado do mural de facebook de um utilizador que ali se chama “Steven Lincoln” e trata-se de um relato detalhado do calvário que teve de passar para conseguir tratar do seu BI. Vamos respeitar a integridade do relato e mantê-lo tal qual foi redigido pelo autor.

É mais simples tratar deste BI do que daquele emitido pelos serviços de identificação

É mais simples tratar deste BI do que daquele emitido pelos serviços de identificação

“Por volta das 23h de ontém, fui ao Posto de Identificaçao da minha Zona, que fica a 1,8kms da casa do meu Avô. E posto lá, pus-me a falar com o segurança sobre a hora que deveria chegar para ser um dos primeiros. O segurança disse-me que a partir das 3H, 3h40 ja começam aparecer as pessoas. Entao implorei que colocasse o meu nome na lista visto que ja estava ali.

Por volta das 4h30, eu ja estva acordado e 5h03 minutos quando cheguei ao local ja encontrei perto de 50 pessoas. O segurança pediu-me entao que continuasse a fazer inscriçao dos que vinham aos poucos. E aos poucos a amanhecer, o numero foi crescendo. Antes mesmo das 8horas, ja estavamos em 137 pessoas.

As 7h50, o chefe do Posto( que para o meu espanto era meu amigo), foi o primeiro a aparecer e abriu logo as porto e demais funcionários foram aparecendo.
Dei a lista ao funcionário responsável pelo atendimento Externo e este fez questao de nos esclarecer que por razoes de por ordem de chegada, atenderiam primeiro os suplentes da lista do dia anterior, portanto 2-Feira( que eram ja 52 pessoas) e que, da lista de hoje, tirariam 91 individuos.

E o trabalho deles começou por volta das 8h10. Deu-se prioridade as senhoras com bebés, idosos, diminuídos físicos e alguns idosos. Depois de terem atendido toda essa gente + os da lista anterior, foi a minha de entregar o documento para análise.

As 11h passei para outro lado onde aguardava para tratar o GOLDEN B.I( fazer foto, tirar impressao e assinar)…outra fila.

Nao obstante ter observado muitas irregularidades como, pessoas que chegavm, faziam telefonemas e entravam pelas traseiras, mais de 5 computadores ligados mais apenas um indivíduo a atender e este, mesmo com o aviso de proibiçao do uso do telemovel, nao o largava!

Bom… ja cansado de tanto estar em pé ( a partir da 5h) exposto ao sol porque nao nao ha sequer algum tipo sombra, vejo um grupo de perto de 10 pessoas que eu inscrevi e que estavam num fim da lista, a serem chamados.

Fiquei passado! Invadi a sala e comecei a falar alto… chamei nomes… disse-lhes que eram eles que incentivavam desorganizaçao porque era absurdo que eu como a primeira pessoa estava ali sem ter sido atendido, ja passaram para numeros do fundo! Fiz cena…nao me importei com o meu facto e gravata, nao me importei com olhares…!
Pasme-se que só depois disso é que um funcionario de categoria veio ter comigo, com desculpas esfarrapadas e tentar argumentar o absurdo.

Fiz mais uns 4 a 6 minutos e o processo estava concluido( aguardando 1 semana para levantar).

Para dizer meus caros concidadãos, é este o terrivel sacrificio que as massas passam para ser apenas ANGOLANO! Isto sem mencionar a parte do Assento de Nascimento e depósito de emolumentos no banco atóa BPC.

Quando eu critico, faço-o com propriedade porque é realidade que vivo. Tenho tambem amigos em muitos sectores mas, ainda nao sou um sem-carácter para passar pelas traseiras ou tratar documentos de utilidade pública em casas daqueles que sao meros servidores público.

O pior que este sofrimento das massas, é o facto de nao haver imprensa para reportar, Inadec para se queixar/lamentar nem OPOSIÇÃO para fiscalizar e denúnciar!

Irmãos, estamos tramados!”

O encontro angolano

Posted: February 4, 2014 in Opinião

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O país está a mudar. Economicamente falando, os números não param de crescer, porém, o crescimento económico ainda não se reflecte na mesa dos angolanos, nem nos serviços de saúde nem no sistema de educação de Angola, pondo em causa o desenvolvimento humano dos angolanos.

Se o Executivo já admitiu que temos graves problemas no que toca aos recursos humanos, então, como explicar essa teimosia em manter o sector da educação na eterna e inexplicável condição de “desamparado”do Orçamento Geral do Estado?

A situação no sector da saúde é idêntica, por isso mesmo, também pergunta-se: como explicar a caturrice em manter este sector na condição de “desprotegido” do OGE? É verdade que o país está num processo de reconstrução e construção de infra-estruturas, mas, de que adiantará termos tantas infra-estruturas, se mantivermos os mesmos níveis de analfabetismo,baixa escolaridade ou um sofrível sistema nacional de saúde?

Alguém realmente acredita que esta invertida pirâmide de prioridades vai trazer benefícios ao país a longo prazo?

Entretanto, no meio de tanta euforia de petro-doláres mal-geridos, alguns históricos da luta de libertação e da independência de Angola já deram conta de que o rumo do país não é aquele que mais se recomenda para um povo que fez muitos sacrifícios para que estabilidade fosse relativamente exemplar no continente africano.

O primeiro primeiro-ministro de Angola deixou isso bem claro no seu discurso de despedida. Se ainda não somos uma nação, afinal, o que temos estado a fazer este tempo todo? Quanto tempo leva um país para se tornar uma nação? Quanto a mim, registei muito bem as palavras do kota Lopo do Nascimento e garanto-vos que não serei mero papagaio repetidor e não terei discussões de infantário.

Adicionado a este desabafo do Kota Lopo, os sinais e alertas vêm de muitos ângulos da sociedade civil. A antiga vice-ministra da educação, Alexandra Simeão, também expressou o seu mal-estar perante as opções do executivo angolano no OGE no que toca à educação. Numa reportagem concedida ao Jornal Manchete, Alexandra Simeão disse “Os cortes no orçamento para a educação não são compreensíveis, se alguém quer progredir tem que dar mais e não cortar”. Nada mais claro.

Os relatórios OPSA-ADRA contém recomendações relativas ao sector da educação que, infelizmente, têm sido ignoradas pelo Executivo angolano.

Como se  não bastasse, nos últimos dias, o que temos visto em Luanda com as demolições e translado de famílias, é simplesmente revoltante. O Estado angolano ainda é uma pessoa de bem?

Os parágrafos anteriores que constituem uma gota no oceano do conjunto de anormalidades que se verificam na sociedade angolana é suficiente para que eu lance aqui e agora, neste dia especial, 4 de Fevereiro, uma busca da verdadeira reconciliação de Angola, um desafio aos partidos políticos, sobretudo ao partido no poder. Falo do ENCONTRO ANGOLANO. A concepção do encontro angolano também incluiria, eventualmente, para melhor contextualização e não só, uma lista das situações que atrasaram o nosso desenvolvimento, sobretudo o desenvolvimento humano. Itens como: processo de descolonização falhado, o acordo de alvor desrespeitado, a maldita guerra civil que desestruturou o país em todos os aspectos, os massacres, abusos e desrespeitos aos direitos humanos nas zonas controladas pelos dois maiores partidos de Angola, a instauração de uma cultura de medo e de intimidação, a obscena ingerência de países estrangeiros nos assuntos internos de Angola, uma constituição da República atípica, as recorrentes eleições polémicas que continuam de certa forma a manchar a credibilidade do país. Todos estes factores, e outros que se podiam mencionar, seriam mais do que suficientes para que criássemos “ O encontro angolano” e nos focássemos na construção de uma nação democrática, com um exercício de cidadania que não se confundisse com crime ou uma afronta ao poder politico. Ao invés de corrermos o risco de sermos mais um país africano incapaz de lidar com a diversidade e pluralidade de pensamento dos seus cidadãos, o encontro angolano seria a oportunidade dos angolanos para dar verdadeiras lições ao mundo. Portanto, concebido e gerado por angolanos, o encontro angolano seria o encontro de todos os desencontros que tivemos ao longo da nossa história contemporânea. O momento ideal para colocarmos Angola no lado certo da história da humanidade. Porque, embora alguns políticos da situação estejam empenhados em demonstrar o contrário, a verdade é que Angola é muito mais do que partidos políticos, vontades políticas e caprichos pessoais de políticos. Angola é o futuro. A seguir alguns subsídios sobre o que pode vir a ser a essência, e, porque não, a definição do “Encontro angolano”.

O encontro angolano é sermos suficientemente maduros para dizer que a descolonização de Angola foi das piores que o mundo conheceu. E que depois de tudo, os irmãos, entenda-se os partidos envolvidos nos Acordos de Alvor, não conseguiram criar um clima de paz. Esta questão é mais complexa como se sabe.

O encontro angolano é admitirmos que fomos vítimas de ideologias e interesses políticos e económicos estrangeiros que não davam o cavaco aos anseios e aspirações dos angolanos e que nos levaram à uma guerra civil.

O encontro angolano seria banir quotidianamente tudo o que tivesse ou tenha a ver com a exclusão política,social e económica.

O encontro angolano é adoptarmos políticas de desenvolvimento social e económico que anulem futuras situações de conflitualidade no país. Pensemos mais para lá deste tempo. Se olharmos lá,mais para frente, certamente, visualizaremos uma Angola diferente da actual.

O encontro angolano seria a assumpção de que a nossa maior riqueza é a pessoa. Depois do petróleo e dos diamantes,o angolano continuará a respirar.

O encontro angolano seria a assumpção de que a nossa diversidade cultural, étnica, racial e linguística é,pode ser, uma das nossas maiores fontes de coesão nacional.

O encontro angolano é cultivarmos uma cultura de paz que tem no debate plural e aberto a sua base.

O encontro angolano é deixar que as pessoas expressem as suas insatisfações e descontentamentos com a governação, sem que isso descambe em prisão de opositores ou descontentes. A constituição deve ser respeitada.

O encontro angolano é não termos angolanos acima da lei, é extinguirmos a “ordem superior” ou o fulano “ordem superior”para nos atermos aos fundamentos da Constituição e nas demais leis ordinárias que regulam o nosso ordenamento jurídico. Afinal, a ordem superior somente pode derivar da Constituição da República.

O encontro angolano é pararmos com os malabarismos mediáticos e cultos de personalidade que colocam certos angolanos na posição de deuses. Os deuses estão no Olimpo.

O encontro angolano é lermos os sinais dos tempos e adequarmos as nossas atitudes e comportamentos às mudanças que ocorrem na sociedade, sem que se arraste o resto da sociedade para uma catástrofe.

O encontro angolano é termos uma verdadeira separação de poderes, na qual os três poderes, o judicial, o executivo e o legislativo, sabem exactamente o que fazer sem pressões ou chantagens de outros poderes.

O encontro angolano é também a expansão do sinal da Rádio Ecclesia em todo território nacional.

O encontro angolano está expresso, penso, no livro “Angola: a terceira alternativa ” do antigo primeiro-ministro de Angola, Marcolino Moco.

O encontro angolano é acordarmos todos os dias sem medo de exercer os nossos direitos constitucionalmente consagrados.

O encontro angolano é termos a história de Angola contada, escrita sem tendências de A ou B, é  atermo-nos aos factos e evitarmos as manipulações.

O encontro angolano é garantir que todos os heróis de Angola que lutaram pela independência de Angola, sem importar o seu embrião partidário, sejam tratados com a mesma dignidade e respeito.

O encontro angolano é falarmos dos massacres que ocorreram na história contemporânea de Angola e termos a coragem, tal como fizeram os sul-africanos, de criar uma Comissão da Verdade e Reconciliação para esclarecer todos os massacres, como parte do processo catártico de que precisa a nossa sociedade.

O encontro angolano seria a capacidade de pôr em perspectiva o futuro com base na aprendizagem que se deve fazer dos erros do passado. É sabido que violência gera violência, então, que se abandone a cultura do medo, da guerra e se abrace com mais fervor a cultura de paz.

O encontro angolano seria a criação de uma agenda nacional de consenso que superasse barreiras partidárias e elitistas, concentrando-se no potencial intelectual e criativo da pessoa humana angolana.

O encontro angolano é o respeito pela vida humana.

O encontro angolano é  Angola na busca do bem-estar de todos os seus filhos e filhas.

Definitivamente, eu proponho o encontro angolano.

Kady Mixinge