Desde de dezembro de 2013 que me intrigava apanhar taxi na Vila de Cacuaco, não dentro da Vila, mas na nova via, nova, mas que nunca chegou a ser dotada de sinalização adequada: não ha semáforos, placas de limite de velocidade, placas proibitivas, passadeiras, quebra-molas (os chamados agentes-deitados), apenas as indicações de retornos e sentidos (placas azuis).
O que acontecia era que sempre que fosse apanhar o taxi encontrava a paragem noutro lugar, algumas vezes, de manhã deixava a paragem num ponto, quando voltava a tarde encontrava noutro. Isso me frustrava sobremaneira, ao ponto de chegar a bicar um cone de tanta raiva que sentia por tanto andar.

Na foto abaixo a imagem das antigas paragens. Bem situadas, não estavam encima de curva nenhuma, eram espaçosas e foram concebidas para ser mesmo paragens, assim como verão se fordes lá constatar:

ImageNa imagem que vemos acima a paragem do lado direito (sentido Cacuaco-Luanda) se manteve, a da esquerda (sentido Luanda-Cacuaco), foi mudada para bem próximo do tanque, uma zona de visibilidade reduzida, em Dezembro passado:

ImageNum dos dias cheguei a questionar a um agente regulador de transito, admitindo a minha ignorância quanto ao código de estrada, uma vez que a única coisa que sei guiar é bicicleta, disse-lhe que não conseguia entender por que uma paragem tinha de ficar numa elevação, quando há muito espaço desocupado mais abaixo (na antiga paragem). O transito não me respondeu, mas quando voltei à tardinha, alegrou-me ver que a paragem tinha voltado ao seu local habitual.

No mês de janeiro do ano em curso é que as coisas começaram mesmo a piorar. Primeiro tentaram colocar a paragem depois do tanque de água, a 100 metros de um dos retornos que permite inverter a marcha para o sentido Cacuaco-Luanda. A paragem foi colocada precisamente em cima da placa:

ImageAlguns dias depois, avançou alguns metros e colocou-se onde se vê o Hiace branco no foto acima.

Uma semana depois a paragem já não estava ali, aquilo estava repleto de cones (foi nesta zona em que, agastado com este ping-pong, biquei o cone. Eu vinha da antiga paragem na altura). Voltara a ser na paragem antiga (primeira foto). Não fez dois dias, mudaram novamente a paragem, desta vez para o local onde ela está hoje, ou seja:

ImageAs paragens antigas, que foram realmente concebidas para ser paragem, estão inutilizadas.

O que é feito da paragem da Vila? Até dá para passear a vontade pela faixa de rodagem, de tal forma é a supressão de via:

ImageA 31 de janeiro do corrente ano, inconformado, fui tirar satisfações com um agente regulador de trânsito. Queria saber primeiro porquê que as paragens eram feito bóias soltas mar a dentro e o porquê de terem decidido fixá-las encima de uma curva, dentro de retorno e numa elevação?

O agente, me pediu “não gaste só a tua saliva meu irmão, nós só vivemos a cumprir ordens. Quando nos dizem não quero ver carros no sítio tal, apenas obedecemos. Não quero paragem no local “X”, obedecemos. Se há satisfações a tirar, deves te dirigir a administração Municipal, só eles te poderão dar as explicações necessárias. Eu sou regulador, por mim, isso não podia estar aqui, é um erro, mas fazer o que?! Ordens são ordens!” Pena que o áudio está com muita má qualidade.

Eu sou um inconformado inveterado, agendei um dia para ir abordar a Administradora de Cacuaco, não tive êxitos. Muita burocracia, só para saber porquê que as paragens de Cacuaco eram flutuantes e se essas orientações vinham de alguém que ao menos conhecia o código de estrada. Até ao dia 15 de fevereiro do corrente ano, dia que tirei essas fotos, não tinha obtido nenhum resultado satisfatório ao tentar contactar a Administração.

Comecei a falar sobre o assunto com todos quanto encontrava e mantinha conversa em Cacuaco, procurando saber quais eram as reais razões das paragens estarem a voar de um lado ao outro?! O que ouvi me surpreendeu: “Os chefes em Cacuaco, em todos sectores, administração pública, educação, bancos, etc. não querem ser vistos quando passam com os seus luxuosos carros!

Isso é o mais ridículo que se podia ouvir dos nossos (des)governantes, mas é isso o que eles querem. NÃO QUEREM SER VISTOS POR POBRES!

MAS QUE PAÍS É ESSE??? NO VOTO ME PRECISAM, NA RUA NÃO ME QUEREM???

Por Mbanza Hamza

Sabes quem eu sou?

Alguns filósofos têm apontado a exclusão do outro como uma das formas mais eficazes para a deturpação do real em prol do interesse daquele que acusa e exclui o outro. Outros justificam com o “como enganar o povo”? seria basicamente atribuir um absurdo nesse outro e seguidamente reiterar o absurdo ao limite, um lugar tal de ilusões em que as pessoas acreditem cegamente no absurdo do outro e de forma deturpada fazerem um julgamento recheado de calúnias, inverdades, ignorâncias e preconceitos, em muitos casos justificando até mesmo a violência.

Michael Foucault traz com o conceito de exclusão¹ o que seria criar uma realidade irreal, viciando as pessoas à crença da mesma irrealidade. “O Alberto fuma liamba. É por fumar liamba que fala o que fala, pensa o que pensa e veste como veste” (exemplo análogo ao de Foucault, razão/loucura, adaptado à Angola atual) . Tal facto que só assenta na aparência, é consigo mesmo o único motivo para se excluir esse ser diferente de um mesmo espaço em que o interesse é comum, senão social.

Foto de noite angolana tirada da internet

Foto de noite angolana tirada da internet

Tudo isso somente para dizer que quando começamos de forma reiterada a escrever e a provocar discussões, na nossa opinião indispensáveis para a saúde de qualquer nação, uma classe privilegiada ou que não se sinta representada nem afectada pelo acto como sempre acontece, sairá com alguns argumentos lógicos mais quase nunca factuais nem consentâneos, tal pouco coerentes nem amparados na cientificidade, assim como posso conjecturar, para acusar-me de racista as avessas, problemático ou complexado. Essas acusações são a chave mestra para iniciar o jogo da inversão da culpa, delegação de valores, formalização da exclusão e daí direccionar o caso a banalidade ou a uma categoria inferior da discussão social.

Outros ao lerem o artigo poderão chamar-me de controverso porque ataco o racismo que se cria não apenas nas madrugadas Caluandas como á luz do seu dia, mas cito autores brancos como referência retórica, mas isso seria o não mais importante, a medida que o argumento é transvalorativo inclusive para o próprio branco racista, onde pode espelhar-se no desenvolvimento e não onde reverbera o retrocesso tal como faz o racismo; o racista.

O que trago aqui não apenas como reflexão mas como ataque a conduta rasteira que a psique colectiva normalizou em Angola, é a incitação á discussão que os angolanos não suportam discutir desde que me percebi em Angola e conduzir essa discussão á criação de políticas próprias de conscientização e sobretudo rigorosas que proíbam essas instituições a reiterarem tais práticas, e lhes apresentarem medidas que as sancionem aquando de tal prática.
Crente de que a música e a dança são representações culturais, tal como o teatro, o cinema e etc. qualquer discoteca é portanto, também um espaço cultural, onde as pessoas não mais se dirigem ali senão para se divertir com vista desanuviar o stress do dia, da semana, do mês ou do ano ou simplesmente porque gostam.

Certamente algumas pessoas se auto convenceram de que o dono de um estabelecimento privado está no direito de privá-lo da entrada na medida que o investimento é próprio. Não! Tal como o polícia que forja na sua cabeça e com sua vontade a sua lei na estrada na ausência de uma justiça, muitos empresários em Angola criam nas suas cabeças as suas leis noturnas jamais inerentes à constituição do país.

Por outro lado, o mais grave é que essas pessoas não sabem que o regulamento interno de qualquer investimento privado deve pautar-se na lei mãe, reguladora das leis do país e não isolada desse contexto jurídico.

Se um proprietário ou proprietária, alega que um ou outro consumidor não pode frequentar a sua discoteca porque não atende aos padrões estéticos recomendados, deve-se à partida contemplar todo e qualquer cidadão de uma ou de outra cor de pele, para além de representar-se na lei mãe do país, como citei anteriormente.

A nosso ver, o que acontece, é que muitos angolanos negros e outros (imaginemos os zairenses) são embargados à porta de casas noturnas e não só, por supostamente estarem vestidos inadequadamente, num mesmo momento em que estrangeiros brancos ou angolanos mais claros (mulatos, fulos etc.) entram para os mesmos espaços não se lhes exigindo o mesmo rigor estético².

As pessoas têm acesso a esses espaços, na verdade pela aparência que carregam no fenótipo e não porque existe uma ou outra lei reguladora. Razão para pensar que as ordens de embargar as pessoas possa surgir de um negro como de um branco que não queira aparecer para não ser acusado de racista. Aí seria um negro embargando outro negro, e o problema escaparia da questão racial aparentemente.

Outrossim, diz respeito aos negros que ali acedem, comportarem-se como os escravos da casa grande em relação os escravos da Sanzala. Os de dentro seriam os privilegiados e sentiriam-se vangloriados em relação os de fora. A era do VIP, vem agora para estratificar não apenas o negro de fora ao de dentro, mas como os poucos negros de dentro, assim estariam duas vezes separados. O de fora e o dentro, e o de dentro com o VIP. Esses não têm qualquer sensibilidade que os leva a crer que os seus semelhantes de fora estão ali porque têm a mesma cor da pele que ele e não é por ele ser melhor que está dentro, mas porque cumpre as exigências estéticas e agora financeiras que o preconceito decretou, daí o negrito nas expressões: exclusão, aparência, estética e diferente.

Nessa perspectiva, não sendo da competência jurídica do Mincult (Ministério da Cultura), censurar o investimento privado, é pelo menos da sua competência moral e a nível da sua responsabilidade social , manifestar uma nota de repúdio, a um comportamento criminal já amadurecido na sociedade angolana. É o Mincult, juntamente a outras instituições de direito que dialogam sobretudo as problemática dos direitos humanos tal como a própria sociedade civil, quem tem o dever e o direito de alertar a sociedade de um mal que viola aquilo que são os valores culturais angolanos.

E se pensarmos na Exclusão de Foucault, um trocadilho pode ser feito agora. Se ali o liambeiro é o excluído porque mal se veste, pensa e fala diferente, aqui o excluído é o negro angolano ou qualquer outro quando for diferente na aparência, falar e pensar diferente.
Finalmente devo esforçar a responsabilização do Mincult porque sabemos que é o órgão ou a instituição maior dentro do quadro cultural do país. E se como bem sabemos, for o dono do investimento o jurisconsulto ou se aquele que cria as leis é seu familiar, tudo torna-se mais difícil para o cidadão comum lutar contra a realidade do “sabes quem eu sou?”, onde a guerra das influências ditam as regras do jogo.

Daí que a sociedade precisa de uma mão, senão uma testa de ferro para juntamente começarmos a corrigir e ou reparar todos aqueles erros históricos que nos legou a consciência do auto desprezo e da inferiorização.

Por: Mário Lunga

 

1. Michael Foucault – “Ordem do Discurso”, pág 10.
2.O estético não diz respeito unicamente ao que pessoa vestiu ou calçou, mais do que isso o estético é fenótipico; é o que a pessoa é morfologicamente.  

 

 

Em Novembro do ano passado, o Club-k conseguiu um incrível furo com o “leak” de uma informação sigilosa acerca dos desaparecimentos de Cassule e Kamulingue (1 e 2) . Depois de um ano e meio a debater-nos para que os nomes destes pacatos cidadãos e ilustres desconhecidos não caíssem no esquecimento surtiu finalmente efeito e o desfecho das investigações não podia ter sido mais macabro: Cassule morto à pancada e o seu corpo atirado aos jacarés e Kamulingue executado sumariamente com um tiro na cabeça! De deixar nauseado o mais impassível dos seres humanos.

Cassule Kamulingue Panfleto CARTAZ CASA-CE

Na narração detalhada do que se tinha passado, o Club-k revela que Cassule tinha sido atraído por um telefonema de alguém que se chamava “Tunga”. Na altura rimo-nos e fomos gozar com o nosso mano Medil Campos que no facebook se chamava Tunga Né, a dizer que afinal era por isso que ele já não aparecia mais e outros gracejos de mau gosto do género.

Uns dias mais tarde, é a vez de William Tonet publicar um artigo com ainda mais detalhes, alguns, como é de seu apanágio, parecendo exagerados demais com contornos de filme hollywoodiano de classe B, cheios de reviravoltas improváveis e pouco lógicas, exagerando o número do espetáculo.

Chegámos a partilhar neste blog esse artigo pois nele se refere que foi encontrado no computador de um dos implicados no assassinato uma lista de alvos à abater que incluía alguns centraleiros e ignorámos totalmente o facto dele citar um Tucayanu como sendo o agente do SINSE que fez a tal chamada (não “Tunga”, mas “Tuka”).

Tendo entre nós um Tukayano, deveríamos se calhar ter ficado com a pulga atrás da orelha, mas os factos narrados eram de tal maneira grotescos que nunca iríamos considerá-lo mais do que uma infeliz coincidência. Ledo engano.

No dia 1 de Março o F8 traz como estampa na sua primeira página: PGR SOLTA UM DOS ASSASSINOS DE KAMULINGUE E CASSULE. Trata-se do tal agente Benilson Bravo da Silva, nome de código “Tucayanu”. A cara colada noutro corpo numa daquelas montagens algo toscas é a do nosso parceiro e amigalhaço a quem chamávamos Tukayano Rosalino, crendo ser este o seu nome verdadeiro.

FOLHA 8 - Tukayano CAPA

Incrédulos e apanhados totalmente desprevenidos a nossa primeira reação foi: “O William enganou-se, está a fazer confusão, certamente que se precipitou porque ele conhecia o nosso Tuka então ao ouvir que é agente Tucayanu deduziu que era ele e pegou uma foto dele qualquer e atirou só assim.”

Começou assim a missão “limpar o nome do mano Tuka”.

O Pedrowski Teca teve a amabilidade de nos enviar a edição online do F8 pelo email e lendo a matéria toda encontrámos típicos Willianismos que nos faziam crer mais ardentemente na hipótese da confusão de identidades e começámos a dedicar-nos à tarefa de o provar.

De todas as diligências, a que nos deu mais esperança foi quando falámos com a mulher e lhe perguntámos pelo nome completo do marido. Ela respondeu meio gaguejante: “Tukayano Benin”. “Ó? E então o Rosalino?”. “É o segundo nome dele, Tukayano Rosalino Benin” corrigiu, meio atrapalhada. Não estranhámos. Sentimo-nos esperançosos que estaríamos a andar no bom sentido, apesar de termos achado o nome Benin extremamente parecido com o nome Benilson, mais uma coincidência a somar à todas que já empilhávamos. Exibimos-lhe a cópia do F8 e ela pareceu perder as forças, garantindo que não podia ser, porque o marido não tinha sido preso e estaria a trabalhar na plataforma, que ela própria o tinha deixado no aeroporto na sexta-feira anterior à nossa conversa (isto foi na terça-feira de Carnaval).

Perguntámos em que empresa ele trabalhava e ela não sabia dizer, só que era na Base Sonils, em que plataforma ele estava e não sabia dizer, só que era no Soyo, como fazia para contactar, que só ele o poderia fazer quando estivesse na base do Kwenda o que acontecia duas vezes por semana, que nos arranjasse uma cópia do BI dele para provarmos que o nome dele não tinha nada a ver com o anunciado no F8 e garantiu-nos que no dia seguinte o faria porque não tinha ali os documentos uma vez que estavam apenas a acabar de se mudar. Deixamos-lhe 3 números de telefone e rogámos para que ela nos ligasse assim que tivesse o dito BI e, se recebesse chamada do marido, lhe dissesse o que estaria a passar-se e para ele nos contactar imediatamente.

Tukayano o Assassino

A verdade é que o dia seguinte inteiro se passou sem que a Lídia, ou pelo menos assim disse chamar-se, tivesse sentido a urgência de contactar os amigos que queriam ajudar a ilibar o seu marido de tão nefasta ocorrência.

Pela urgência do assunto, voltámos lá para tentar encontrá-la, não fosse ela ter perdido o papelinho com os números e não saber como nos contactar. A hora já ia avançada (21h40) e nós subimos com esperança dessa ser a explicação. Batemos a porta ligeiramente. A primeira sem resposta, a segunda com uma moça a responder-nos por detrás da porta num tom de urso acordado em época de hibernação: “mas quem é a esta hora?” . Apresentámo-nos. “Já estivemos aqui ontem para falar consigo…”. “Aqui não mora nenhuma Lídia; Aqui não mora nenhum Tuchinho”. Congelámos! Daí a moça ameaçou que ia chamar a polícia e nós deixámos de a importunar.

No dia anterior, um primo do Tuka que funciona na UPIP tinha-nos garantido que tinha o tinha avistado e cumprimentado um dia antes (segunda-feira), o que era incompatível com a história do “levei-o ao aeroporto na sexta-feira”.

Sem cópia do BI, sem sabermos a plataforma onde estava (já tinhamos arranjado maneira de chegar até ele, só faltava o nome da plataforma), os números de telefone verificados na UNITEL e desligados há meses, a notícia tendo saído no dia 1 de Março, a família já tendo conhecimento e ninguém reagir, começámos a render-nos às evidências, perdendo as esperanças, pois, nem que estivesse num programa espacial da NASA em Marte, o Tukayano já haveria de ter sabido da sua imagem a ser usada indevidamente e associada a um crime de extrema gravidade e já teria contactado alguém para desmentir e teria chegado até nós. Se não o estava a fazer é porque tinha culpa no cartório e todas estas “coincidências” narradas pela mulher para explicar a longa ausência do marido, provavam o axioma que se parece demasiado conveniente para ser coincidência, provavelmente é porque o é. Eram coincidências a mais e factos a menos. Chega um momento em que temos de baixar a guarda e render-nos às evidências.

O golpe de graça foi dado quando o José Gama, usando de suas fontes nos confirmou que a imagem do Jornal correspondiam a de um agente do SINSE que vive no Alvalade e que é conhecido pelo nome de Tuchinho. Tudo se encaixa, o que não pertence se separa, água para baixo e azeite para cima… o Tuka era mesmo o Benilson Bravo da Silva, nosso companheiro durante quase 3 anos, grande amigo, hiper-divertido, sempre disponível, um ser humano comum com as suas bravuras e covardias, não um “assassino 5 estrelas de sangue-frio e calculista que já matou empresários e algoz de Mfulupinga Landu Víctor”. Eis um dos Willianismos que pôs em causa a seriedade do artigo e que nos deu esperanças de ser uma confusão.

Logo a seguir, detetámos a presença do Tukayano na nossa sala privada de ativistas, da qual sempre fez parte, mas na qual tinha deixado de interagir há meses. Discutíamos maneiras de conseguir chegar à fala de viva voz com o próprio quando damos conta que ele está a ler as mensagens, sem nunca responder, mesmo vendo a nossa aflição. Foi o fim.

Tukayano Lê Mensagens na Sala Privada

Acho que nos resta, num gesto de fairplay depois da goleada, parabenizar o Benilson por nos ter iludido tão bem a todos, por ter conseguido levar à bom termo a missão que lhe foi incumbida, de ganhar a nossa confiança, de participar nos nossos espaços reservados, de se emocionar, de ser companheiro de todos os momentos, mas também aos seus patrões do SINSE porque afinal também conseguem dar uma formação de alto nível aos seus quadros.

Tukayano

Gostaríamos de lembrar que no decorrer da sua espinhosa missão, o agente Tucayanu apanhou ferros do Godzila, narrou em pormenor minucioso ao ponto de ser difícil imaginar que seja fantasia uma porrada que terá apanhado em companhia do jovem Mário no dia 3 de Dezembro de 2012, assinou cartas para o GPL e apareceu em vídeos (ver aos 5:16 e digam-nos que não é convincente. Assustadoramente, hoje parece que aquelas palavras eram dirigidas aos presentes na sala e não ao regime sanguinolento do MPLA) nos quais mostramos a tortura a que somos submetidos. O que ele não se deve ter divertido.

Mas agora vamos nós divertir-nos e fazer com que ele desejasse não ter sido solto, pois escória desta estirpe que é cúmplice de homicídios de concidadãos, se lhes é devolvida a liberdade, merecem viver com medo eterno de aparecer alguém vingativo para lhes fatigar. Por isso, vamos tratar de divulgar a imagem deste traste por todos os meios que nos forem possíveis e revelar também a sua morada para que ele possa sentir o desconforto de estar exposto e vulnerável.

TUKAYANO KUBICO ALVALADE

7 de Março: 3 anos depois

Posted: March 7, 2014 in Fotos

Sem muitos bla bla bla auto-elogiativos, vamos apenas partilhar a ÚNICA imagem que sobrou da madrugada do 7 de Março no Largo da Independência, que era até ali uma sentada sem slogans e que pretendia ser, mais tarde, uma mega-manifestação. Não durou mais de 25 minutos até que nos convidassem gentilmente (com direito a algemas e tudo) a ir passar a noite nas confortáveis celas da DPIC.

O espírito do 7 de Março vive!

 

MANIFESTANTES 7 março

Acerca da greve na clínica Girassol fizemos três posts na nossa conta de facebook e um deles incluía um texto redigido pelos funcionários grevistas.

A greve continua e vai agora no seu 7º dia e o texto voltou a ser relevante pois agora a entidade patronal pronunciou-se e, como não é de todo invulgar, com a pior das atitudes. Abaixo partilhamos o texto dos grevistas e a resposta dos “chefes”.

Clinica Girassol GREVE Sapo.ao.2

“Vimos por meio desta fazer uma narração de uma forma resumida e objectiva da história das referidas empresas na clínica girassol.

Sendo a clínica girassol uma subsidiaria da Sonangol EP que tem como actividade principal a prestação de serviço na área da saúde, e havendo a necessidade de criar o seu quadro de pessoal contrataram a empresa Excelmed para o devido recrutamento e selecção.

Tendo o seu inicio no dia 01 de Abril de 2008, isso após um processo rigoroso de selecção de pessoal que envolveu profissionais estrangeiros para a formação dos quadros da clínica, na qual teve o tempo de duração de 5 meses até a data da sua inauguração aos 04 de Setembro de 2008. Após esse período surge mais uma segunda empresa denominada Angola-ffshore, e chegando o momento de assinatura dos contrato de trabalho os candidatos para a área da saúde assinaram com a Excelmed e os restantes com a Angolao-ffshore tendo ambas empresas o objectivo inicial apenas o recrutamento do pessoal.

Começamos por assinar um contrato de estágio e depois para determinado renovando anualmente com promessas e esperança da efectividade para a Sonangol.

Passado 3 anos isso no de 2011 , ocorrendo uma mudança da Comissão Executiva da Clínica girassol, surgiram junto vários despachos dentro os quais a “ Implementação do qualificador de Funções, remunerações e benefícios das subsidiarias da Sonangol EP “ anunciando melhorias das condições dos seus colaboradores nomeadamente nos referidos despachos incluindo os colaboradores da Excelmed e Offshore, feito e assinado pelo o actual Presidente da Comissão Executiva da Girassol conforme os documentos em anexo.

6 anos se passaram e nada se cumpriu, pelo o contrario as nossas condições foram piorando, reduzindo ainda no pouco que nos resta de forma tão brutal e desumana, surgiram pessoas das suas conveniências que gozam de melhores condições e a serem efectivados em tão pouco tempo de trabalho sem sabermos quais os critérios para as referidas efectivações que são feitas em clandestino, e alguns colaboradores considerados chaves foram absorvidos a assinarem o contrato de cedência de passagem para trabalhadores girassol.

Os pioneiros desta historia que deixaram outros empregos, penalizaram os seus estudos para apostarem neste grande negocio actualmente são banalizados, desconsiderados, explorados sem nem um reconhecimento de tudo que fizeram para elevar o nome da Clínica.

É com muito dor e tristeza que narramos essa história na qual vivemos no passado e vivemos até hoje, na esperança de termos a oportunidade de poder mudar o seu triste cenário para um final feliz, e batermos no peito dizendo “vencemos e gozamos o merecido”.”

As ameaças da Angola Offshore/ExcelMed

Clinica Girassol AMEAÇA Excelmed 01 Clinica Girassol AMEAÇA Excelmed 02

Os que vêem além de olhar

Posted: February 18, 2014 in A Voz do Povo, Argumentos

Como podes ter tu tanto e olhar para a tua volta e só ver pobreza? Não! Tu… tu não vês pobreza, tu não andas pelas mesmas ruas que eu ando, não apanhas os mesmos candongueiros que eu apanho, eu disse os mesmos candongueiros… e acabo de lembrar que tu não os apanhas. Tu certamente és daqueles que diz que o teu país evolui, que alcançamos uma economia invejável, que o nível do PIB aumentou de 1, 5 à 100, 1000 -não olhes para mim, que eu não entendo de economia, meu negócio são seres humanos. Mas em relação às ruas por onde eu passo? Acho q não acompanham o nível dessa vossa tal “economia invejável”. E as crianças -que são quem mais me preocupam- que eu vejo ganharem o sonho de serem policiais, não mais para defender o povo, mas para “michar uma massa no ‘draivá’ ou no cobele”!? já agora: sabes o que é um cobele? Ou só sabes de Angola aquilo que vês? Ou ainda só vês aquilo que te interessa nesse teu mundo onde tudo é cor de rosa? Deverias saber que Angola são as fotos que eu vou postar no mesmo aqui e não só as tuas casas na ilha do mussulo, em Paris, em Londres, em Veneza (tens também uma mansão lá, não tens?), ops! Não tens uma simples casa, tens mansão, desculpe não ter acertado a primeira. Ahammmm, mas tu ajudas crianças carentes não é!? Ah tá, “vai-te foder”, porque ainda tens a ousadia de pedir doações à pessoas mais pobres do que tu (mais pobres não, menos ricas, porque vocês estão longe de saber o que é pobreza) e depois postas fotos para mostrar que és uma pessoa solidária. E depois realmente dormes a pensar que o és… perante nós que vivemos a realidade de Angola todos os dias, tu não passas de um aparecedorzito, porque aquelas crianças podiam ter bem mais do que aquilo, e se tivessem o subsídio vindo do petróleo que os teus progenitores usam para que vivas as vidas largas que vives, elas não precisariam de ti, seu pseudo-filantropo. Reparaste que eu não escrevo mal? Certamente não tive insucesso escolar como andam por aí a dizer dos que falam o que pensam, e se queres saber, até tenho um trabalho que amo, pena ter de acordar tão cedo, apanhar o engarrafamento causado pelos buracos e pela falta de vias alternativas , porque o dinheiro das tais taxas de circulação vão para arranjar as estradas onde tu passas, e que se lixem as do meu bairro que dariam óptimas vias secundárias e descentralizava os caminhos por onde passamos todos nós que não temos a mesma vida que tu. E acredites tu ou não, eu não sou daquelas extremistas que toma partidos, estou apenas do lado que sofre injustiça, nem que um dia venhas a ser tu. Depois vocês vão chamar à todos os que têm a ousadia de reclamar pelos seus direitos, de frustrados… E num país tão sério como Angola, é assim que falamos e tratamos os nossos jovens, quando notamos que as maratonas que proporcionamos a eles, não foram suficiente para formatá-los. IMG3
Pois saibam que entre nós, jovens angolanos, há quem pense além do dia de hoje e das bebedeiras. Há aqueles que querem o progresso de Angola, há aqueles que querem realmente criar, inventar e desenvolver o país. E a única frustração desses jovens, é saber que pessoas como tu, vivem a vida que tu vives com o dinheiro que é de todo o Angolano e não só vosso, seus bando de filhos da mãe!!!!

Dionilde Costa

Apanhado de alguns vídeos envolvendo agentes da (des)ordem e da “autoridade” com práticas pouco… mhhh.. digamos católicas!