Archive for December, 2011

3

Felizmente alguém teve o sangue-frio de registar todas estas arbitrariedades. Aqui têm as PROVAS que tanto gostam de pedir. O que precisam mais para que os nossos queixumes vos pareçam credíveis?

2

Mais um vídeo (estamos a preparar outros) que mostram o excesso de força e o abuso de poder da parte da Polícia Nacional, levantando questões sobre a sua imparcialidade.

1
1
2
2

INVENTAM-SE CRIMES PARA JULGAR E CONDENAR O CIDADÃO – 3 DE SETEMBRO.
ISENTAM-SE PREVARICADORES OFICIAIS DO ESTADO DE SEUS CRIMES CONTRA CIDADÃO – 3 DE DEZEMBRO

UM DADO MUITO CURIOSO. No julgamento que teve início dia 08, após os acontecimentos do tão propalado 3 de Setembro, a Polícia Nacional mostrou uma eficácia nunca antes vista nos seus 30 e tal anos de existência, tinham identificado todos os manifestantes que insurgiram-se contra eles, arremessando pedras e outros objectos contundentes, tinham todas as provas dos crimes contra eles e tinham uma descritiva completa e bem detalhada de tudo que havia se passado desde o principio da manifestação até o momento que foram detidos todos os manifestantes que constituíam maior perigo para eles. Até ai super!… Acho que nem a LAPD tem tamanha eficácia.

Apresentados os criminosos ao ministério público, julgados e condenados pelo crime que cometeram. Muito bem! Todo um sistema a funcionar em prol da justiça justa no país.

Só fico um pouquinho admirado como vários cidadãos comuns, jornalistas, activistas dos direitos humanos nacionais e estrangeiros, ou quem passasse ao lado do largo da independência sábado dia 3, por volta das 14horas são atingidos com um produto visivelmente produzido em casa sem rotulo, sabe-se lá até que ponto era nocivo a saúde, e sabe-se lá com que reagentes foram elaborados, o que se tem certeza eram os efeitos instantâneos causados às pessoas (forte ardor nos olhos e na pele ao ponto de bloquear temporariamente o sistema nervoso e colocar as pessoas sem capacidade de defesa física) e uma vez neutralizados as vítimas eram brutalmente espancados na via publica a luz do dia e aos olhos dos comandantes de várias divisões e esquadras da PN, onde os agentes fardados muitas vezes também agrediam as vítimas com porretes e murros, onde os automobilistas e transeuntes e outros manifestantes que não eram vítimas apenas observavam porque era um órgão do estado a fazer o seu trabalho “legitimo” e todo mundo sentia-se incapacitado de poder agir contra tamanhas barbaridades.

Passadas algumas horas e dias tudo corre normalmente, todo mundo de bico fechado, ninguém diz nada, ou seja, até dizem, mas que não houve agressão nenhuma, o presidente segue sua vidinha normalmente, vai de cara erguida assistir ao tão importante concurso de misses, rádio, jornal e televisão pública não discutem sobre o assunto, mas que assunto? Se não houve nada, nada há para discutir, a vida do pobre cidadão não faz parte de assuntos da grelha de programação da nossa querida TPA, o Caríssimo Sr. José Ribeiro teve coisas mais importantes para sua redacção neste dia. E assim vamos, tá tudo bem, Angola sempre a subir!… Será que nossos dirigentes são humanos?

Por: Carbono Casimiro

9
11
4

- O grupo que chegou ao Largo depois da debandada no Cazenga era bastante diminuto, sobretudo tenho em conta o contingente da Polícia com que nos deparámos.

- Mal nos avistaram começaram a comunicar com os seus walkie-talkies. Sentiu-se uma tensão instantânea.

- Começaram a dispor-se em linha ao longo da divisória central por onde nos aproximámos.

- Seguimos em direção a eles, determinados em atingir o nosso objetivo final, o Largo da Independência.

- Ao chegarmos em frente a eles perguntámos “Quem é o responsável por esta missão? Queremos falar com o
responsável e só com ele!”

- O responsável identificou-se com um simples “sou eu o responsável”. Comunicámos a nossa intenção de chegar ao Largo exibindo-lhe a carta enviada ao GPL e ao CGPN cumprindo com a totalidade dos trâmites legais.

- Apesar de tudo isso, mais uma vez e de forma arrogante, o Comandante nos comunicou que voltassemos para as nossas casas que para o Largo não iríamos.

- De imediato começou o empurra-empurra, que foi degenerando pois recusámo-nos acatar uma ordem arbitrária sem respaldo legal.

- Os cães entraram em serviço, mas acabaram por ser retirados depois de morderem um rapaz.

- Os kaenche de serviço carregaram uma, outra e ainda outra vez, tantas vezes que perdemos a conta.

- Foi deveras revoltante pois tudo isso se passava e menos de um metro da linha da polícia e eles continuavam a assobiar para o ar.

- O Jang Nómada que estava incansável a tentar mediar o diálogo entre PN e manifestantes foi o primeiro a sofrer, tendo-lhe sido desferidos vários socos que lhe rebentaram os lábios.

- Não recuou por um segundo e assim que o largaram, voltou a ocupar o posto do qual se auto-incumbiu.

- Essa valentia valeu-lhe mais duas agressões ao longo da tarde e banho do líquido.

- Numa das investidas o Adolfo Campos e o Luaty Beirão levaram com o líquido, o Adolfo mais gravemente atingido nos olhos e tendo uma reacção de choque, quase perdendo os sentidos.

- Começou então uma operação de socorro no local, com os manifestantes a despejarem-lhe água no rosto, enquanto ele parecia ter entrado em estado catatónico.

- A polícia, em mais uma atitude criminosa, não facilitou a tarefa, continuando a empurrar-nos para trás com violência, mesmo vendo o Adolfo sentado no chão, quase desprovido de sentidos.

- Resistimos e implorámos que nos deixassem levá-lo ao Hospital Militar, o mais próximo do local.

- Passaram-se mais de 10 minutos de empurrões e caos até que o Comandante Franck desse ordem para metê-lo num carro da Polícia.

- Via-se que havia várias pessoas a dar ordens pois os menos de 50 metros que tivemos de percorrer para chegar ao carro não foram sem sobressaltos, cada agente tentando impedir-nos de continuar.

- O Adolfo foi levado para o Hospital da Polícia, por trás da Unidade Operativa, acompanhado pelo Luaty e pelo Luamba.

- Mais tarde juntou-se a eles o Alexandre Dias dos Santos “Libertador”, também ele vítima do infame líquido.

- Entretanto no largo um dos Kaenches descuidou-se e caiu na mão de um grupo de manifestantes que descarregaram nele a fúria acumulada e inverteram a regra enchendo-o de pontapés e socos. A polícia veio socorrer o seu homem.

- O Carbono que estava periférico à manifestação assistindo de longe, enquanto conversava com a activista da Human Rights Watch, foi agredido por 3 kaenches que lhe despejaram 4 garrafas do “sumo” nos olhos.

- Correu, cego, procurando o socorro da polícia a menos de 10 metros, mas esta agarrou nele e facilitou a tarefa aos agressores, ajudando com uma torrente de puretes na cabeça.

- Depois de serem socorridos, Adolfo, Luaty, Luamba, Libertador, foram encontrar-se com o Jang que ainda estava no Largo.

- Aí repararam que os cães tinham sido levados e os cavalos tinham vindo substituí-los.

- Com o cordão policial misturaram-se os kaenches que transportavam puretes da polícia nas mãos.

- Um deles fez questão de exibir uma arma.

- Os cavalos carregaram, os manifestantes correram, desgastados mas não vencidos.

A luta continua!

0

As notícias acerca da violenta repressão por parte das autoridades angolanas contra um grupo de jovens manifestantes indefesos em Luanda, bem como a detenção do conhecido jornalista e activista Rafael Marques e a agressão à directora da Human Rights Watch, Lisa Rimli, já fazem correr tinta nas principais cadeias de informação mundiais. Deixamos aqui alguns links para a vossa leitura e partilha:

Reuters: Angolan police, youths clash at protest rally

http://www.reuters.com/article/2011/12/03/us-angola-rally-idUSTRE7B20QG20111203

Público: Violência policial contra manifestação anti-Eduardo dos Santos

http://www.publico.pt/Mundo/violencia–1523661

Wall Street Journal: Police arrest anti-government protesters in Angola

http://online.wsj.com/article/BT-CO-20111204-702649.html

Voice of America: Investigadora da Human Rights Watch agredida em Luanda

http://www.voanews.com/portuguese/news/Human_Rigths_Watch_12_03_2011_voanews-134962648.html