Eleições de 2017: Apelo à coligação

Posted: March 16, 2017 in Luanda
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Alguns dos ativistas envolvidos no processo dos #angola17 convocaram recentemente uma conferência de imprensa para anunciar as suas diligências na promoção de uma frente única entre os partidos da oposição para as eleições que se avizinham em Agosto/Setembro. Foi colocada à disposição dos cidadãos que se revejam nesta iniciativa uma petição tanto online como física.

Esta questão tem sido colocada reiteradas vezes aos partidos, ao ponto de não haver uma entrevista que se faça aos presidentes destes partidos sem que a coligação venha à baila. O posicionamento do presidente da CASA-CE Abel Chivukuvuku tem se mantido inalterável: coligação só pós-eleitoral. Já Isaías Samakuva, presidente do maior partido da oposição em Angola, a UNITA, tem uma posição mais bailarina: à grande entrevista da RTP África diz que “só se for agora“, o que está em sintonia com as nossas aspirações, mas algumas semanas depois, na entrevista à TV Zimbo, já se alinha com o Abel, descartando concorrer de forma conjunta com os restantes partidos. É verdade que ele elenca uma série de problemas que encontraram quando tentavam promover esse conceito, mas onde há vontade, há formas de resolvê-los.

Enquanto a nível partidário e nas discussões de bastidores os partidos vão colocando mais entraves do que buscando soluções para o entendimento, do lado daqueles que devem (ou deveriam, num país onde as eleições são de facto livres e justas) elegê-los, o desencanto é palpável ao ponto de, nem com o recentemente adotado tom ameaçador do MAT intimando os eleitores à atualização do registo, as pessoas se estão a mobilizar. Basta olhar para os dados oficiais revelados pelo MAT para nos apercebermos que, com menos de 9 milhões de eleitores registados/atualizados, estamos aquém do número de eleitores de 2012 por uns significativos 2 milhões. Faltam 15 dias para o fim do registo, depois disso, quem não se registou ou atualizou os seus dados não poderá votar.

Mbanza Ameaça Eleitoral CNE UNITEL

Com ajuda da UNITEL, o MAT está a contactar individualmente os eleitores com a atualização do seu registo eleitoral em falta.

Grosso modo, num país com 24 milhões de habitantes e onde mais de 50% está entre os 14 e os 35 anos, o número de cidadãos com idade eleitoral deverá estar em torno de 12 milhões, sendo bastante conservador. A tendência abstencionista não tem feito outra coisa senão aumentar desde 1992: 13%, 25%, 39%. Julgando pela apatia generalizada dos eleitores, tudo indica que a abstenção será ainda maior neste ano. E enquanto os partidos da oposição continuarem a fazer-se de cegos para a sociologia da abstenção, dificilmente lograrão na conquista dos indecisos, aqueles que, comprovadamente, definem os resultados eleitorais (lá onde as eleições são livres, justas e transparentes, reiteramos).

Nesta senda, convidamos todos a, não só assinarem a petição online, como a imprimir o documento aqui providenciado, a andarem com ele a todo o instante e a recolher assinaturas de outros que, como nós, precisam de uma lufada de ar fresco para nos convencermos a participar em mais um processo que se anuncia fraudulento à partida.

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