Archive for the ‘CIDADAO EM PROTESTO PERMANENTE’ Category

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1 ano depois da prisão dos ativistas, achamos ser este o dia adequado para assinalar as perseguições e injustiças e de reclamarmos a liberdade de expressão designada na nossa constituição.

O caso dos 17 despertou a atenção de grande parte dos Angolanos e da comunidade internacional mas estes e outros ativistas continuam presos ou limitados na sua liberdade. Porque precisamos de todos os que querem contribuir para uma Angola melhor, livres de o poderem fazer, porque manifestar não é guerra, porque não há paz sem justiça e igualdade, porque acreditamos que juntos vamos virar uma página na história do nosso país, apelamos a que, em Angola e na diáspora, cada um, na sua língua, na sua localidade e na sua maneira, se associe.

Dia 20, porque todos somos reféns, vamos manifestar a nossa solidariedade com os presos e reclamar a nossa “Libertação” prometida há 40 anos! Como?

  • Espalhando a imagem anexa.
  • Utilizando uma peça de roupa branca.
  • Dando opinião nas redes. Com texto ou imagens.
  • Imprimindo este panfleto e/ou este cartaz.
  • Organizando uma ou participando numa das concentrações em:

Dia 18
Bruxelas – Parc du Cinquantenaire, Fête de La Musique – 23h

Dia 19
Lobito – Junto a rotunda da zona alta da lixeira – 18h

Dia 20
Luanda – Sambizanga – Rotunda da Boavista – 12h
Luanda – Cacuaco – Paragem da Vila junto ao Tanque – 12h
Luanda – Viana – Junto ao Alimenta Angola da Estalagem – 12h
Luanda – Belas – Rotunda do Camana – 12h
Lisboa – Rossio – 19h
Lobito – Rotunda do Camioneiro, Zona Alta, 18h
São Paulo – Hip Hop pela Liberdade, Praça Rooselvelt, Centro SP, 19h

Dia 21
Paris – Parvis de L´Eglise Saint Bernard, 18éme – 21h
Lobito – Rotunda do Camioneiro, Zona Alta, 18h

Dia 24
Joanesburgo – Consulado de Angola – 10h

Dia 26
Luanda – Partida de futebol no campo da Igreja São Domingos – 15h

Gritando ”Queremos Liberdade!”

Mais sugestões e informações em:
Todo o material gráfico aqui:

Mais info sobre o caso em:

Amnesty

#liberdadeja #angola17



20th June. Liberation Day.

1 year after the activists’ detention, we trust this is the best day to expose persecutions, injustices and to reclaim our right to freedom of expression, association and assembly as stated in our constitution

The case of the 17 activists generated great attention from a significant number of Angolans and the international community, but these and other activists are still detained or facing constraints to their freedom. Because we need everyone that wants to contribute for one better Angola to be free to do it, because to do a peaceful demonstration does not lead do war, because there isn’t peace without justice and equality, because we believe that together we can turn this page in the history of our country, we call upon each of you, in Angola and in the diaspora, in your language, in your city and in your own way, to join us.

20th June, because we are all hostages of the atrocities being committed by this government, we will demonstrate our solidarity with the political prisoners and reclaim our Liberation, as it was promised 40 years ago! How?

  • Share the event image
  • Wear a white piece of clothing
  • Post your opinion about the political imprisonments on social media. With texts or images.
  • Organize one or participate in one of the following demonstrations:

18 June
Brussels – Parc du Cinquantenaire, Fête de La Musique, 11PM

19 June
Lobito – In the roundabout in “zona alta da lixeira” – 6PM
Luanda – Football match in the football field of church São Domingos – 3PM

20 June
Luanda – Sambizanga – Boavista’s roundabout  – 12PM
Luanda – Cacuaco – Paragem da Vila junto ao Tanque – 12PM
Luanda – Viana – Alimenta Angola da Estalagem – 12PM
Luanda – Belas – Camana’s roundabout – 12PM
Lisbon – Rossio – 7PM

21 June
Paris  – Parvis de L’Église Saint Bernard, 18éme – 9PM

24 June
Johannesburg – In front of the Angola Consulate – 10AM

26 June
Luanda – Football match in the football field of Church São Domingos – 3PM

Shouting “We want freedom”

Or following one of the many suggestions listed here: http://www.centralangola7311.net or facebook.com/centralangola7311

All graphic material here:

Click on the Amnesty icon for more info about the case:

Amnesty

#liberdadeja #angola17

 

 

 

 

Relato #1, por Hitler Samussuku

BI Hitler

Quando achámos que havia escassa polícia  no largo 1º de maio, estávamos todos iludidos. Mais uma vez o sistema usou uma estratégia maquiavélica para embaçar os manifestantes.

Às 13h00 horas marcadas para o dar início a mais uma manifestação, o largo estava todo mudo, não se sentia nem ouvia aquela opressão (polícias da ordem pública, brigada canina, brigada anti-crime e anti-motim que sempre se fazem presentes de forma ostensiva em manifestações), apenas havia uma viatura denfronte a estátua, no seu lugar habitual (*), as outras estavam escondidas: havia uma viatura defronte ao IMEL (1), uma no Chamavo (2), outra no beco do Nzinga(3) e mais uma na entrada do Cine Atlântico (4).

Mapa Manif artigo Itler com Carros

Nota do revisor: Antes da chegada do Hitler, havia igualmente uma carrinha da brigada canina estacionada no Largo que depois se retirou, como poderão comprovar na imagem abaixo que um internauta nos enviou ainda pela manhã. O mesmo internauta identificou outras viaturas para “contenção” concentradas defronte ao Cemitério Sant’Ana. Ao entrarem em função os Kaenches, a viatura notada com * no mapa acima, que costuma estar todos os dias no semáforo do largo, retirou-se do local, deixando os manifestantes entregues à uma batalha campal com os kaenches.

Até 13h30 o largo continuava calmo, jovens e crianças brincavam no jardim e nos arredores do largo havia muitos senhores sentados nas cadeiras, bem vestidos, os mais velhos com fato e gravata, calças e camisa à preceito e os jovens bastante diversificados mas todos com um ar limpo e polido. Um deles, vi mais tarde, conduzia um jeep Tundra que tinha deixado estacionado à frente da César e filhos. Menciono esta gente neste relato porque, veio a revelar-se, eram todos bófias.

Cinco minutos depois, fui abordado por 3 agentes com farda azul escura reforçada (tipo PIR) e metralhadora, mandaram abrir a mochila para verificar o material que eu levava e suspeitaram que eu era um dos que estava a ser procurado para ser travado.  Depois de um breve interrogatório (de onde vens, para onde vais, perguntas de rotina), já estavam a me levar, depois me soltaram. Dei meia volta, troquei de camisola e bazei no cyber.

Àss 14 horas liguei para o Mbanza e ele disse-me: “não vou aparecer aí agora, aponta o numero do Mandela…”. Apontei e liguei ao Mandela:

– Onde posso te encontrar?

– Estou a descair a partir do Zé Pirão

– Nos encontramos no Chamavo?

– Pode ser.

Posto lá, não consegui lhe reconhecer, tendo decidido então voltar para o largo 1º maio com a hipótese de ter havido um desencontro entre nós…

Cheguei à entrada da Praça da Independência, encontrei o Jang Nómada, lhe dei um toque e ele não me reconheceu, aproximei-me dele e lhe perguntei: é como, o mambo sai ou não sai? Ele, nem com isso me reconheceu. Uns bófias que estavam sentados levantaram para ouvir a nossa conversa e eu puxei o Jang para o lado, disfarcei uma conversa de rap, daí ele reconheceu-me e disse: baza, esses wís (sinfos) estão a nos seguir.

Me afastei aos poucos e vi o mandela a entrar no largo, atravessei a estrada nas calmas e juntei-me aos outros.

Apanhámos o ângulo ideal para começar com os protestos e daí começaram os primeiros gritos de revolta: ”libertem o nito, libertem o nito!”.

Em menos de 5 minutos um grupo de jovens e senhores civis  fez um cerco em direção ao largo, aproximando-se em grande velocidade o que terá criado pânico entre nós.

Aí começámos a nos espalhar: uns correram em direcção à multidão que passava no largo para conseguir fugir, outros sairam rápido correndo em direcção ao Hospital Militar.

Eu e outros saímos em direcção ao Nzinga e aí registei a primeira detenção: um jovem com uma t-shirt preta,calças jeans pretas e chinelas amarelas, foi apanhado por 2 jovens civis que usavam trajes normais (um de camisola azul e umas calças pretas outro com uma camisola olímpica branca calções jeans curto) agarraram nele e levaram-no. Um jovem, aparentemente com uns 23 anos, trajando fato preto, gravata vermelha (DNIC, concerteza) apareceu e começou a ajudar os 2 bofias. Até que um polícia que esteve com o carro estacionado quase ao Nzinga desceu e lhe levou em direcção à unidade dos ex.combatentes.

Fiquei lá até ele ser levado e depois fiz uma ligação para saber o destino do mandela:

–  Wí aqui é o Hitler estás aonde?

– Estou a ser presseguido pelos sinfos.

– Viste o jovem que foi apanhado?

– Nada, não vi.

Enquanto falava, uns gajos estavam atrás de mim e depois de terminar disseram-me: “Hitler afinal é você?”. Eu nem respondi, comecei a marchar e logo surgiram 3 polícias e o jovem SINFO de camisola olímpica me identificou gritando: “esse também!”. Nem deu mais para correr, me levaram nos becos do Nzinga onde havia 2 carros da polícia que almejavam ansiosos os manifestantes.

Tiraram-me do carro, exigiram que subisse noutro (Iveco da PIR), o que obedeci. Estava já todo cabisbaixo a pensar que poderiam me levar na unidade, mas acabámos por ficar por ali mesmo o tempo todo.

Eles conversavam dicas deles, falavam sobre Quim Ribeiro, se contavam de damas até que um deles veio ter comigo.

– Ele: qual é a maka?

– Eu: nada

– Ele: nada puto? Vieste fazer o quê aqui no largo?

– Eu: estava a sair da escola e fui surpreendido pelos polícias.

– Ele: (risos) nós vimos todos que estavam aí, não pegamos em vão, você estava na manifestação, diz a verdade pá.

– Eu: estava mesmo na manifestação mas não fizemos nada de mal, até mal começou e já foi destroçada.

– Ele: quem permitiu? Há uma mão-invisivel no vosso meio e nós vamos achar um dia. Qual é o tema dessa vossa manifestação?

– Eu: viemos protestar a favor do Nito Alves, jovem de 17 anos detido há um mês.

– Ele: hahahahahhaha é verdade puto, esse Nito Alves é mais fudido que vocês né? Diz lá, ele e o Luaty quem é mais mau?

Achei graça, não disse nada e ele voltou ao debate com outros polícias, tendo o assunto de debate se voltado para o Nito Alves.

As horas foram passando e outro gajo voltou, fez-me  algumas perguntas, recebeu meu telefone tirou o cartão de memória e disse: “vai directo para casa. Pela próxima vais mamar!”.

 

Relato #2, por Makita Kuvula

Makita Pausado Diploma

A minha história começou dias antes (da manifestação): ligações por telefone, ameaças, diziam-me a todo o momento que se eu fosse para o local da manifestação poderia ser o último dia da minha vida. Mas eu ignorei e fui.

Posto no local encontrei-me com os outros manos a escrever os dísticos dentro do largo. Pouco depois, aproximaram-se dois homens com óculos escuros e perguntaram-nos: o que estão a fazer aqui? Pegaram nos dísticos e levaram-nos.

Aí, comecamos a gritar “SOLTEM O MENOR NITO ALVES!!!” e imediatamente o cenário mudou: Kaenches entraram em acção com ferros, paus, até arma de fogo, uma pistola de marca “STAR”.

Os manos com quem estava correram e eu estava a sair do largo a passos, tendo sido por isso agarrado por 3 kaenches vestidos com camisolas do Kabuscorp que queriam arrastar-me, mas como sou de estatura média, ofereci resistência e dificultei-lhes a tarefa de me sacudirem e levar para o outro lado do largo. Em seu socorro vieram meia-dezena de indivíduos, também à paisana que me despiram as calças, encheram-me de pontapés e bateram a minha cabeça nos ferros que se colocam em volta do largo, sobretudo em dias de manifestação. Ameaçaram-me várias vezes com “vamos dar-te um tiro na cabeça!”.

Levantaram-me e atiraram-me para as traseiras de um Land Cruiser policial, conduzindo-me até à 3ª Esquadra, atirado para uma cela onde fui agredido com dois socos no peito pelos outros detidos depois de me terem pedido dinheiro.

Depois desse episódio dois agentes investigadores retiraram-me da cela e meteram-me num gabinete onde depois me interrogaram com as mesmas e já gastas questões:

1- moço bonito a se estragar so à toa.
2- quanto te pagaram?
3- quem te mandou?
4- conheces Makuta Nkondo?
5- e se nós precisarmos de ti para uma conversa aceitas?

Volvidas duas horas e meia após a detenção e todo o calvário que se seguiu, devolveram-me os pertences e voltei à pé, inflamado e cheio de escoriações para casa, no meu Sambizanga.

Enquanto o discurso da juventude mobilizadora se focar em palavras como as que se ouvem nos vídeos abaixo, nós, pessoal da Central Angola, continuaremos a subscrever e a apoiar incondicionalmente TODA a manifestação pública de repúdio pelo actual paradigma no qual se encontra Angola.

A PNA já deixou bem claro com o comunicado que partilhámos ontem o que se pode esperar na próxima quinta-feira, dia 19 de Setembro: a continuada política de total desprezo pela CRA, recurso à intimidação e força bruta para inviabilizar o exercício de um direito elementar em qualquer democracia que se preze, detenções arbitrárias, julgamentos “sumários”, sessões de pancadaria e, sabe-se lá, mais raptos e assassinatos.

Ainda assim, a firmeza que se sente no tom de voz destes rapazes (e rapariga, wau!) é contagiante e faz-nos sentir que o lado certo é o deles. O resto é MEDO, CAGUNFA!



Este tema é uma narração dos factos ocorridos no dia 3 de Setembro de 2011 e uma maneira de assinalar o aniversário dessa fatídica data, na qual o regime perdeu finalmente o temperamento e resolver passar para a contra-ofensiva, punindo barbaramente os jovens que contestam o seu poder e a sua figura-de-proa, o Rei Presidente, Juzé JES’us.



Isto foi antes de haver um MR, antes de denominações, oficializações ou estatutos, antes das diferenças se tornarem desavenças, antes das acusações, das cessessões e animosidades. Sem saudosismos, apenas com muito carinho pelas memórias dos momentos que partilhámos e um declarado desejo que, na falta de podermos caminhar de mãos dadas, que cada um encontre o seu caminho sem inviabilizar o do outro, pois o fim que buscamos é partilhado.

O sample é da música “Milhorró” dos Kiezos, tema que serviu para mandar embora o velho colono e utilizado agora com o mesmo fim!

Sem grande pompa, na circunstância dos 2 anos sobre a data em que tudo se passou, aqui fica o primeiro tema informal da Central Angola.

Não se vende. Não se compra. Descarrega-se. Reutiliza-se.

Se quiseres fazer uma nova letra, referente a outro facto, pede o instrumental.

O mp3 pode ser baixado aqui

Há praticamente um ano, decidimos que iríamos pôr em DVD algum do material que fomos reunindo desde 2011 para contrapor a versão unilateral do regime (reproduzida abusivamente aos órgãos de comunicação públicos e “privados”), material esse que se tem mantido exclusivamente no ciber-espaço, para olhos privilegiados com capacidade para suportar os onerosos serviços de internet na nossa Angola.

De há uns meses para cá demos os primeiros passos, distribuindo aproximadamente 200 cópias pelo Sul de Angola (Huíla, Namibe e Benguela), um trabalho de distribuição abenegado do mano Manuel das Mangas que tem feito questão de documentá-lo no seu facebook.

Para Luanda tinhámos planeado uma atividade de distribuição flash que no passado dia 7 de Agosto finalmente levámos à cabo, distribuindo precisamente 300 DVDs por algumas artérias movimentadas da cidade.

O vídeo que agora vos disponibilizamos, foi editado e montado pelo mano Nelson Dibango, e é uma ilustração de como se procedeu a essa distribuição, não tendo havido nenhuma obstrução à nossa atividade por parte da polícia do MPLA, pelo que correu tudo pacificamente e sem alaridos.



Para os cibernautas, não há grandes surpresas pois 99% do conteúdo pode ser encontrado no nosso canal de Youtube carregando nos links fornecidos abaixo da imagem da capa.

DVD CAPA

01 – Historial das Manifestações

02 – Documentário Al Jazeera

03 – Show Bob/Ikonoklasta 32 é Muito

TEMA: 3 DE SETEMBRO 2011

04 – Últimas Palavras dos Manifestantes (esta versão foi editada e encurtada para menos de 5 minutos. A versão do DVD não existe no Youtube)

05 – Espancamento dos Manifestantes

06 – Alexandre Neto (SIC Notícias) (Não existe no Youtube)

07 – Show Ikonoklasta na Tuga

08 – Angola Acordou

TEMA: 3 DE DEZEMBRO 2011

09 – Início da Marcha no Cazenga

10 – Godzila, o Agressor de Manifestantes

11 – Atrocidades do Regime MPLA

TEMA: CASO ELEIÇÕES 2012

12 – Borrando as Paredes da Embaixada de Angola em Lisboa

13 – Mário e Kembamba Torturados

14 – 10 de Março: Contra Suzana Inglês

TEMA: VOZES SILENCIADAS

15 – 22 de Dezembro: Kamulingue e Kassule

Enquanto a maioria borra-se toda de sequer colocar um “gosto” ou “partilhar” com o seu ciclo de amigos informações reveladoras do estado do país em que (sobre)vivemos, outros desafiam os seus próprios temores diária e publicamente de forma destemida, tornando a luta pela democracia um MODO DE VIDA.

Grande abraço ao Centraleiro Fábio Sebastião, por circular pelas ruas de Luanda com a frase mais controversa dos últimos dois anos, arriscando-se a sofrer por isso represálias vigorosas. ARTIVISTA!

Artivismo Fábio Sebastião

Continuamos a receber pedidos para os BIs de Cidadão em Protesto Permanente. A base de centraleiros continua a aumentar. Sejam bem-vindos e desculpem pela demora, mas sabem como é a nossa “administração pública” né? Temos muitos vícios incrustados no nosso DNA 🙂

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