Posted: January 13, 2016 in A Voz do Povo, Direitos Humanos, Julgamento 15+2, Luanda
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Como foi o teu Natal?

Graças a muitos de vocês os 15 podiam ter um Natal mais Feliz, obrigado!

A campanha “Natal Feliz aos Presos Políticos” correu de 22 até 24 de Dezembro para recolher contributos financeiros em Luanda nas portarias das rádios Ecclesia e Radio Despertar. Para a gente que se encontra numa distância, como por exemplo vocês em Bié, Benguela ou São Paulo, havia contas bancárias para o efeito. A campanha foi liderada por Nvunda Tonet.

Só para lembrar, a detenção, de 20 de Junho, de 6 meses sem condenação nas várias cadeias de Luanda tem a sua base na acusação de “preparação de realização de acções tendentes á alteração do poder político em Angola, com a destituição do que alegam ser uma ditadura e que passaria de pela destituição do Presidente da República e de outros órgãos de soberania”, em outras palavras “nós (do Ministério Público) não fazemos ideia de que formular para fazer do caso algo sério mas com estes termos mais avançados e grotescos o pessoal das regiões do Massangano ou Saurimo, que somente têm a TPA, vão acreditar memo que estes 17 putos foram prometidos 100 milhões de dólares.”

Seguem em baixo as notícias originais do Coque Mukuta, jornalista da VOA sobre esta campanha, como também todas as fotos que ele tem publicado no seu Facebook.

“O Colectivo de Jornalistas, Psicólogos e Membros da Sociedade
Nota de Encorajamento

Prezados Senhores e senhoras

É com grande satisfação que toda a nossa equipa lhe agradece e lhe incoraja a manter o espirito dobre de solidariedade e voluntariado para uma iniciativa de todos os cidadãos corajosos e destemidos.

O Nosso Muito obrigado a todos os contribuintes. E como balanço provisório devemos informar o seguinte:

a) No dia 22 “Ontem – terça-feira”, o posto da Rádio Despertar funcionou até as 17horas, tendo angariado um total de 82,150.00kz “Oitenta e dois mil, cento e cinquenta Kwanzas”;
b) No dia 23 “Hoje – quarta-feira”, o mesmo posto trabalhou até 16horas e 30 minutos, tendo recolhido um total de 199,900.00 “Cento e noventa e nove mil novecentos kwanzas”;
Nb. Tendo somado um total de 282,050.00 kzs “Duzentos e oitenta e dois mil e cinquenta kwanzas”.

De recordar que o posto da Radio despertar está aberto às doações até amanhã as 12horas.

Novamente agradecemos a vossa atenção
Luanda, 23 de Dezembro de 2015

Atenciosamente,
CM”

“Já começou a recolha do doação para um “Natal Feliz aos Presos Políticos”

Um grupo de angolanos mobilizou-se para levar a cabo uma campanha de solidariedade aos 15 activistas em prisão domiciliária desde a passada sexta-feira.

“Natal Feliz aos Presos Políticos”, é o lema da campanha liderada pelo escritor e psicólogo Nvunda Tonet, filho do jornalista William Tonet, director do jornal Folha 8.

A nota enviada à nossa redacção indica que “a partir de amanhã, terça-feira 22 de Dezembro, pelas 8 horas, uma equipa estará à espera do seu contributo (financeiro) ” em diversos pontos de Luanda “para juntos proporcionar um Natal feliz aos 15 activistas presos políticos”.

As doações financeiras podem ser entregues na portaria das rádios Ecclesia e Despertar, em Luanda, até o dia 24 de Dezembro.”

22 de Dezembro,
Coque Mukuta Fb

https://www.facebook.com/centralangola7311/posts/976516995744651

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A Nicki Minaj cantará amanhã em Luanda a convite da UNITEL. A decisão dela de tocar no país tem sido internacionalmente condenado. Partilhamos aqui a carta que a Human Rights Foundation enviou a ela.

Nicki Minaj is slated to perform tomorrow in Luanda after accepting Unitel’s invitation to do so. Her decision to play in Luanda has triggered international condemnation. Read Human Rights Foundation’s letter to her.

(In English)

December 15, 2015

Nicki Minaj

Category 5 Entertainment

c/o Brian Sher

Dear Ms. Minaj,

According to reliable information provided by Human Rights Foundation (HRF) contacts in Angola, you will travel to Luanda to perform at a “Christmas Festival” taking place on December 19, 2015.

As you might know, Unitel, a mobile telephone company controlled by Isabel dos Santos (daughter of Angolan dictator José Eduardo dos Santos) is financing your performance.

I am writing to urgently inform you of the human rights crisis in Angola; to explain the role that dictator dos Santos has played in violating the rights of millions of Angolans; and to request that, in view of your status as a global personality, you cancel your performance. Ms. Minaj, the payment you are receiving from your Angolan sponsors is the result of government corruption and human rights violations.

During their brutal three-decade authoritarian rule, the dos Santos family has exploited Angola’s diamond and oil wealth to amass an illegitimate fortune while maintaining control over all branches of the government, the military, and civil society. Dos Santos has made it his policy to harass, imprison, or kill politicians, journalists, and activists who protest his rule.

In Angola, independent media are subject to systematic legal and physical persecution. Journalists are routinely arrested, beaten, and even disappeared when covering corruption matters and exposing the dos Santos criminal enterprise. Beyond censoring through violence, the Angolan regime owns the only national radio station, controls the only daily newspaper, and exerts control over Angola’s television stations. Artists such as yourself are not allowed to freely express their opinions in Angola, where criticizing the government is a crime punishable with fines and imprisonment.

HRF is not alone in condemning Angola’s dictatorial regime. The country is ranked number 123 out of 180 countries by Reporters without Borders in its 2015 World Press Index. Other major organizations have documented the dos Santos family’s human rights crimes, including Freedom House, Human Rights Watch, Amnesty International, and the Committee to Protect Journalists.

To underline the rampant corruption in Angola, consider that in 2014 Transparency International ranked Angola 161 out of 175 countries in their corruption index. Furthermore, according to the highly credible 2 anticorruption organization Maka Angola, the president’s billionaire daughter Isabel dos Santos is the main beneficiary of the “blood diamond” trade in Angola.

The dos Santos regime’s ongoing crackdown on dissent is well illustrated by a current trial against 17 peaceful activists in Angola. The 17 individuals, including Angolan hiphop and rapper star Luaty Beirão, were arrested and detained in June 2015 in the city of Luanda after attending a meeting to discuss democracy and non-violence. Specifically, they discussed Gene Sharp’s book “From Dictatorship to Democracy,” a guide to nonviolent resistance. These activists were jailed for more than 90 days without being formally notified of the charges they were facing. And now they will be tried on charges of plotting to overthrow the Angolan government.

Ms. Minaj, you are well known for being involved with charities such as the Get Schooled Foundation, which helps motivate young people to graduate from high school and succeed in college. Yet, if you move forward with this performance for the dictator and his family, you will be in league with the people stealing educational resources and opportunity from young Angolans. As a strong-willed independent artist shouldn’t you be advocating for the release of the imprisoned rapper Luaty Beirão rather than entertaining the dictator and his thieving family?

Considering the information above—and with great appreciation for your work as an artist—HRF believes that your participation in a performance sponsored by a thuggish kleptocratic dynasty involved in gross human rights violations would be improper. Furthermore, it would be disastrous for a public figure of your standing who has articulated a commitment to education and social justice.

HRF asks you to urgently consider canceling your Unitel performance, scheduled for December 19, in Luanda, Angola. If you have any questions, you can contact me at (212) 246-8486 or by email at .

Very truly yours,

 

Thor Halvorssen

President

Human Rights Foundation

 

Publicado no website do Human Rights Foundation:

http://humanrightsfoundation.org/uploads/HRF_letter_to_Nicki_Minaj.pdf

Resumo do 24° Dia do Julgamento 15+2

Posted: December 18, 2015 in Luanda
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Activistas AmpeQuinta-feira, 17 de Dezembro

Neste penúltimo dia das sessões de audiências concernentes ao Processo dos 17 foi a vez do Nelson Dibango Mendes dos Santos. A magistrada Isabel Fançony Nicolau esteve presente, como também o juiz Januário Domingos. No interior do Tribunal Provincial de Luanda em Benfica fizeram-se presentes 20 assistentes que na segunda parte da sessão reduziram-se à apenas 9.

Nota-se que a representante Fançony Nicolau continua na sua moda pioneira da #TapaCara, persistente, como representante invisível do Ministério Público. Mas entretanto o salão de beleza da Central 7311, onde foram feitas algumas perucas digitais na fase inicial do processo, já fechou por causa de falta de fundos (os alegados 100 milhões USD não chegaram lamentavelmente).

O arguido instalado na cadeira dos réu é o cineasta Nelson, já mencionado em cima, de 33 anos de idade e foi coerente ao responder as questões inerentes a sua identidade. O seu advogado Francisco Michel não podia estar presente por razão de óbito na sua família, ontem pediu ao tribunal a permissão de imputar à competência da defesa ao ilustre advogado David Mendes. Mas hoje não houve tempo suficiente para o Dr. David Mendes orientar o seu constituinte Nelson Dibango. Motivo que levou o arguido a estar menos confortável no seu interrogatório.

Assim sendo, o juiz perguntou: “Quando é que o senhor foi detido?” O arguido Nelson respondeu-lhe: “É irrelevante a pergunta.” Porque o arguido havia fixado o olhar ao advogado David Mendes, levou o juiz a dizer ao arguido o seguinte: “Olhe para mim, na minha cultura e na minha educação eu aprendi que quando alguém fala para mim eu devo olhar para ele.” O arguido respondeu nas calmas: “Meritíssimo, será que não posso olhar ao meu advogado e sentir nele a garantia da minha defesa. Eu, na minha cultura e educação aprendi que quando se está a falar deve-se olhar para a referência.” Neste paradoxo o ilustre advogado ajudou a manter no silêncio o arguido.

Consequentemente o juiz Domingos fez leitura das questões, mesmo sem resposta. E seguidamente o Ministério Púbico fez leitura do seu rolo de perguntas e o arguido, bastante confiante agora, preferiu o silêncio. Quando o MP terminou o interrogatório, o juiz deu intervalo a sessão.

Na segunda parte da sessão e já na instância da defesa o advogado David Mendes tomou a palavra e questionou ao juiz sobre a medida cautelar que impedirá aos arguidos a terem contacto com os membros inseridos no “governo de salvação nacional ou de transição.”

Esta ideia foi introduzida no dia 23 de Maio no Facebook em Luanda na seguinte maneira:

Albano Pedro: “Se tivéssemos que indicar nomes para liderar um Governo de Salvação Nacional em caso de crise política superveniente quem reuniria consenso entre os angolanos? (Uma questão para avaliar até que ponto estamos preparados para surpresas na mudança da governação do Estado).

Luaty Beirão​: Seria ainda preciso que todas essas pessoas aceitassem assumir esses cargos “de salvação nacional.”

Consequentemente o debate sobre um tal “governo” começou a rolar no Facebook.

Mendes também questionou que não podem contactarem-se uns aos outros com as regras desta lei aplicada agora. O advogado referiu que o seu nome consta no “governo de salvação nacional,” enquanto ele é o advogado de defesa neste processo. Perguntou como ficaria a sua relação com os arguidos ao respeito da prisão domiciliária.

O juiz ficou sem resposta para tal. Januário Domingos também fez menção da execução da prisão domiciliária, que só será para os 15, e não para as + 2, a Lau e a Zita. Contudo a sessão foi suspensa as 12h45. Amanhã continuaremos com o Nelson Dibango e acabaremos com a presença e saída dos 15 para casa.

Pelo nosso repórter cívico, editado

Central Angola 7311​

*Foto por Ampe Rogério/Rede Angola

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(In English)

“Grand corruption is the abuse of high-level power that benefits the few at the expense of the many, and causes serious and widespread harm to individuals and society. It often goes unpunished. It concerns millions of victims around the world. It’s time the corrupt face the consequences for their crimes. Together we can make that happen!

Your vote is important. Join us to confront grand corruption and vote for the case that you think is the most symbolic. Together we can make decision-makers understand the urgency to act and stop the corrupt from getting away with it.”

-Unmask the Corrupt

 

ISABEL DOS SANTOS
Daughter of Angola’s President

Angolans call her “the princess”, while Forbes has named her Africa’s first female and youngest billionaire. She’s even recently been featured among BBC’s 100 most inspirational women. Meet Isabel dos Santos: the oldest daughter of José Eduardo dos Santos, Angola’s president since 1979.

With a current estimated wealth of US$3.4 billion1, Isabel, 42, has portrayed herself in international media as a hardworking independent businesswoman2 who creates opportunities for development3 in Africa, and who achieved her fortune through merit4. But there’s a murkier side to this story …

Angola became Africa’s largest oil producer5 in 2015 and is among the continent’s top five diamond producers. Despite two-digit economic growth during a decade, over two-thirds of Angola’s population lives on less than US$2 a day6, and one in every six children dies before age five – the world’s highest child mortality rate7.

In a country perceived to be among the 14 most corrupt countries in the world8, people have questioned whether merit was indeed the route Isabel took to become the richest woman in Africa. Angolan journalist Rafael Marques de Morais9 has long investigated the presidency of José Eduardo dos Santos and has called it the “epicentre of corruption”10, building fortunes by transferring public assets to private pockets.

Isabel started her empire in 1999, when she ended up owning important stakes apparently without a public tender in the national diamond and mobile telecommunications business11. Isabel insists the process which granted her a 25% stake in Angola’s only private mobile telecommunications company Unitel was fair12. Indeed her father changed the law to allow joint ventures with the state to be granted licenses by the president without public tendering13. She has since expanded and diversified into banking, oil and the cement industry in Angola. Since 2009 she has increasingly become involved in Portugal’s telecommunications, banking, energy, construction and media sectors14, and acquired stakes in telecommunications in several Portuguese-speaking African countries. According to reports, Isabel and her husband have also been identified as purchasing through anonymous shell companies the majority of shares in the extravagant Swiss jeweller De Grisogono15.

Isabel’s use of anonymous shell companies is a red flag under international money-laundering legislation. In October 2015, four members of the European Parliament urged the European Commission, the Financial Action Task Force and the European Central Bank to investigate the origin of funds she used to buy a Portuguese engineering company16, reported to become an equipment supplier for three Angolan dams, through a shell company that had reportedly been co-funded by an Angolan state owned company, with the president’s blessing17.

Angola’s people have paid a high price for the misappropriation of state assets and revenues by the presidency over decades. The majority of the urban poor live in informal settlements without legal guarantee of tenure and lack sanitation, running water and electricity18. President dos Santos, meanwhile, uses repression to crush dissent – censorship, criminal defamation lawsuits, intimidation, harassment, surveillance, violence, arbitrary arrests, and unfair trials. In 2015, Amnesty International declared 15 Angolan activists as prisoners of conscience19. These days billionaire Isabel dos Santos’ diversified empire is thriving, but the commodity price slump has left oil-dependent Angola with empty coffers. Where did all the money go?”

Find out more: www.unmaskthecorrupt.org

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Realizou-se em Luanda de 3 a 5 de Dezembro, o XII congresso do partido UNITA. A Central Angola 7311 estava a presenciar o momento da votação para a presidência, onde Isaias Samavuka venceu com 949 votos, contra 167 e 25 do segundo e terceiro candidato respectivamente.

Parabenizamos aos delegados do congresso pelo processo livre, transparente e ordeiro como podemos observar, e deles esperamos retidão e contundência na participação da vida política do país.

Ao presidente eleito desejamos boa sorte nesta responsabilidade de proporcionar ao povo angolano e a juventude em particular uma verdadeira escolha para as eleições de 2017.

A Geração de Mudança acompanhará atentamente os passos de cada partido político e criticará (construtivamente) as decisões e atuações sempre que for necessário. Angola precisa de representantes daqueles sem voz na Assembleia Nacional de Angola. Nós precisamos de mudança.

A equipa da Central Angola 7311

Luanda, 8 de Dezembro de 2015

*Foto por Novo Jornal

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Julgamento dos 15
Quarta-feira, 16 de Dezembro

“Foi o meu primeiro dia, nem fiz cinco minutos na sala, logo fomos surpreendidos e detidos. Li antes o livro por ter conteúdo ligado a minha formação em política.”

“O Presidente para mim é um maldoso e muito maldoso por que semeia o ódio, […] como prova é a minha presença aqui no tribunal. Não sei se sou preso de pensamento ou então por ler um livro (…).”

Marcou-se hoje o vigésimo terceiro dia das sessões de audiências do julgamento dos 15 + 2. Na cadeira de réu assentou o jovem Benedito Jeremias ´Dito´ Dali de 30 anos de idade, licenciado em gestão de administração pública, funcionário púbico e natural de Luena. Na anormalidade do habitual a sala de audiência esteve menos ocupada, havia 14 assistentes na primeira e 9 assistentes na segunda parte da sessão.

Fundamentalmente o réu respondeu as questões obrigatórias, inerentes a sua identidade. E posteriormente o juiz Januário Domingos questionou-lhe sobre o conteúdo do processo.

Juiz: Quando é que o senhor foi detido, por quem e porquê?

Dito: Fui detido no dia 20 de Junho por agentes dos Serviços de Investigação Criminal e agentes dos serviços secretos do Estado. Não me falaram o porquê…

Juiz: O senhor participou nas sessões dos debates, e leu o livro do Gene Sharp?

Dito: Foi o meu primeiro dia, nem fiz cinco minutos na sala, logo fomos surpreendidos e detidos. Li antes o livro por ter conteúdo ligado a minha formação em política.

Juiz: Quem o convidou a participar, e os debates eram restritos ou públicos?

Dito: Foi através das redes sociais que ganhei o conhecimento dos debates. Meritíssimo! Só de serem publicados no Facebook eis a razão para se dizer que eram públicos, admira-me como é que o juiz não teve o conhecimento dos debates.

Juiz: O senhor é a favor da revolução pacífica e já reivindicou algum direito, quais são os meios pacíficos?

Dito: Sou a favor que o povo reivindica os seus direitos por meios pacíficos. Os meios são a constituição e outras leis vigentes. Já reivindiquei, para mim Angola não é o único país que sofreu conflito, penso que devemos aproximar as pessoas ao amor, a coesão social e distanciar o ódio entre as pessoas.

Juiz: você e outros co-réus apelidaram o Presidente da República de ditador?

Dito: Eu não. O Presidente para mim é um maldoso e muito maldoso por que semeia o ódio, não dá de comer a quem pensa diferente, como prova é a minha presença aqui no tribunal. Não sei se sou preso de pensamento ou então por ler um livro (…).

Juiz: Você é activista, ou que é ser ativista, e o que faz nesta qualidade?

Dito: Sim sou, ativista. Para mim ativista é quase um todo, identifica-se com a comunidade e o país e participa na resolução dos problemas sociais.

Juiz: Você e outros co-réus projetaram mudar o governo e outros órgãos de soberania?

Dito: Eu não. Mas para mim é normal a alternância de governo quando não se atende os interesses coletivos e individuais dos cidadãos por intermédio dum pleito de sufrágio, pode se mudar de governo e outros órgãos de soberania.

Seguidamente o juiz Januário Domingos concedeu o ensejo aos representantes do Ministério Público a fim de interrogarem o réu Benedito Jeremias.

MP: Você e outros co-réus abordaram temáticas políticas nos debates?

Dito: Até aqui excluso-me a responder as questões do Ministério Público.

Consequentemente então o representante do Ministério Público fazia a leitura satisfatória das questões que acabaram solteiras sem respostas.

Na instância da defesa o réu respondeu que no ato da detenção não lhe foi exibido algum mandato de captura, e que detiveram os seus bens tais como: valores monetários que rondam 17.000 mil AKZ, a chave do seu carro, os telemóveis da Movicel e um HTC digital, fora dos outros bens apreendidos em sua casa.

Amanhã voltaremos com o último réu a ser ouvido: Nelson Dibango Mendes dos Santos.

Pelo nosso repórter cívico, editado

@CA7311

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Activistas Ampe
Terça-feira, 15 de Dezembro

Enfrentou o interrogatório a ativista arguida Laurinda Gouveia de 26 anos de idade, estudante que goza da liberdade condicional. A sala de audiência esteve vazia, com a presença apenas de 14 assistentes, que na segunda parte da sessão reduziu para 10 assistentes.

Antes do interrogatório ser feito a digna representante do Ministério Público requereu na instância do juiz a liberdade condicional, por ser um imperativo inerente ao MP segundo a sua representante. Ora, o MP ao solicitar isto, pôs fim a prisão preventiva dos 15 arguidos a troco de invertê-la em prisão domiciliária. A referida solicitação do MP baseou-se na Lei de Medidas Cautelares que foi aprovada no dia 18 de Setembro com perspectiva de entrar em vigor no dia 18 de Dezembro do ano corrente.

Contudo a luz da solicitação referida pelo MP os 15 arguidos estarão proibidos a interagir uns aos outros e estarão também proibidos a contactar qualquer membro do “””Governo de Salvação Nacional”””, um exercício meramente fictício começado pelo jurista Albano Pedro no Facebook.

Assim o juiz Januário Domingos diferiu a solicitação do MP acrescentado que no dia 18, sexta-feira, todos os arguidos devem estar presentes no tribunal. O ilustre advogado de defesa, David Mendes, inquietado pela indiferente posição do meritíssimo juiz, que segundo seu entender e por se tratar duma questão delicada levantada pelo MP, disse: “Permita-me meritíssimo! Eu felicito o MP pela decisão ora tomada, mas não concordo com o MP por questão de coerência. Nós não pactuamos com a ilegalidade, o MP referiu-se a lei que não entrou ainda em vigor e só entrará no dia 18 deste mês e o juiz não devia fazer passar esta solicitação sem antes ouvir os advogados por que põem-se em causa a lei do contraditório e trata-se da liberdade dos arguidos e a legalidade da lei… Quando a esmola é demais o santo desconfia…”

Não terminando a sua convicção o juiz retirou-lhe a palavra. Ao retirar a palavra do advogado, o juiz permitiu a vigência da incongruência na sala. O advogado mandatário da ré, Walter Tondela, pediu para que a preocupação constasse da ata e tentava dizer mais no espírito da ideia do Dr. David Mendes. Foi então que a representante do MP sem lhe ter sido facultado a palavra interferiu no assunto proferindo ameaças ao advogado de defesa Walter Tondela, em vir a ser julgado por crime de desobediência ao tribunal.

O ilustre advogado não viu com agrado esta posição do MP, replicou-lhe dizendo “eu não admito que o MP trate-me nesse jeito e ele nem pode me fazer ameaças, é perigoso o comportamento do MP”.

Na busca da reconciliação e do bom ofício por parte da defesa, o advogado David Mendes pediu ao juiz que permitesse alguns minutos de pausa na sessão para que os advogados concertassem as ideias quanto a questão em debate. Simplesmente o juiz ignorou esta preocupação da defesa.

Posteriormente o juiz passou a interrogar a arguida Laurinda Gouveia, que rigorosamente respondeu por obrigatoriedade todas as questões ligadas a sua identidade. E mais, ela disse, “sou ativista, e em 2007 converti-me a ser cristã, participei na manifestação da luta contra o SIDA, e estive presente em quatro debates na livraria Kiazele.”

No decorrer da sessão o advogado David Mendes ajudou a arguida a informar que não responderá ao Ministério Público.

Saiu-se ao intervalo habitual, a sala foi retomada com a permissão da exibição dos vídeos número 3 e 4 onde a arguida Laurinda Gouveia aparece mas não diz nada. Já no fim da sessão o advogado Walter Tondela reforçou o pedido do diferimento do juiz sobre o falso documento introduzido no computador do réu Osvaldo Caholo, documento este que dizem ter planos estratégicos e secretos dos Serviços de Inteligência da Casa Militar.

Foi um assunto que degenerou outro conflito verbal entre o juiz, o Ministério Público e a defesa. O advogado Walter Tondela afirmou que trata-se dum documento introduzido no computador do réu pelos serviços de investigação criminal a fim de incriminarem o seu constituinte porque já foi declarado na instância do juiz pelo Osvaldo de que o documento que ele tinha não era secreto mas sim um documento afeto a formação que ele passaria aos colegas militares.

Aos olhos da representante do Ministério Público não caíram de agrado as palavras do advogado, motivo na qual a representante voltou a ameaçar o advogado dizendo-lhe: “Eu na qualidade de fiscalizadora da lei não admito que o advogado profere palavras maléficas sobre o SIC, são palavras que levam o representante do MP formar um processo crime contra o advogado…”

O advogado zangou-se novamente e advertiu a representante do MP que na qualidade de advogado lhe é legítimo a defesa dos interesses do seu constituinte e não pode sofrer ameaça por esta defesa. “Não admito!”

Antes do intervalo o Dr. David havia-se retirado da sala e não voltou mais. E apesar da comunicação menos fluída entre a defesa, o juiz e o Ministério Público, a boa notícia do dia foi que o nosso Sedrick de Carvalho aceitou “comer algumas colheres” a pedido da mãe. Ainda recebeu visita de 12 familiares no Hospital Prisão de São Paulo, nas proximidades do Estádio da Cidadela. Restam para ouvir os réus Nelson Dibango Mendes dos Santos e Benedito Jeremias ´Dito Dali,´ cuja defesa se encontra ausente.

Pelo nosso repórter cívico, editado

Central Angola 7311

Foto por Ampe Rogério/Rede Angola