Archive for April, 2011

Temos de ser justos e suficientemente nobres de espírito para reconhecer que nos últimos anos a nossa Polícia Nacional tem envidado esforços consideráveis para se desenvencilhar de uma pesada imagem de extorcionistas e criminosos institucionais nada abonatória aos “azulinhos”. Mesmo sem conhecer concretamente o que se faz e o jabakulé que se investe, podemos facilmente constatar no nosso dia-a-dia que os nossos anciãos e prepotentes agentes de trânsito estão a ser paulatinamente substituídos por outros, cada vez mais jovens e educados, sentindo-se os efeitos do critério de ter o ensino médio como escolaridade mínima obrigatória. Passou-se a estar menos “aterrorizado” ao ver-se à berma da estrada um agente, mesmo que ele denuncie a iniciativa de nos encostar com o já sabido propósito de nos exigir o seu bónus salarial (por horas extras, quiçá), pois passou a ser mais plausível sair-se incólume dessa desagradável situação, caso se dobre o agente pela retórica. Há mais desportivismo.

Antigamente, responder era automaticamente “desacato à autoridade” e recompensado com uma (ameaça de) viagem até “na unidade”! Nos tempos recentes tive de recorrer à polícia para casos de gravidade mínima, mas a resposta foi tão imediata e profissional que me deixou surpreendido e sensibilizado. A actuação discreta e irrepreensível do dia 2 de Abril foi a última vez em que tive de me render e tirar o chapéu aos nossos azulinhos, que souberam pautar-se pela rectidão da lei e não por prepotentes “ordens superiores” que, neste tipo de situações, acabam por prevalecer.

Nem tudo são rosas e, assim como uma mosca na sopa, certos indivíduos conseguem singularmente minar os esforços empreendidos pela corporação fazendo com que se atarde mais essa transição polícia do MPLA/polícia ao serviço do cidadão. O caso Quim Ribeiro é o mais flagrante e mediático dos dias que correm, mas não é um caso isolado. Todos conhecem o gosto da Comandante Elisabeth “Bety” Franck pela distribuição de “bolacha-xadrez”, todos ouviram falar do caso Frescura e outros casos análogos em que a Polícia, identificando autores reincidentes de crimes graves, responde com o mesmo peso e medida, executando os cidadãos (muitas vezes à frente das famílias) para servir de exemplo aos seus colegas, controlando desse modo bárbaro apesar de eficaz, o nível da criminalidade na cidade (temporariamente). Todos também já testemunharam o abuso de alguns agentes da PN quando aterrorizam as nossas zungueiras, dando-lhes corrida e ROUBANDO-LHES o seu ganha-pão. Se tiveram a mesma sorte que eu quando precisei de ligar para o número das urgências inscrito em todo o Audi A3 da PN, bem que esperaram, desesperaram e acabaram por ter de recorrer a outra alternativa para solucionar a vossa urgência, provavelmente à justiça pelas próprias mãos.

Quando nós, meros cidadãos, decidimos tecer uma crítica, não é por mero instinto destrutivo do bom nome e da idoneidade dos servidores públicos que zelam pela ordem e segurança na sociedade, mas, ao contrário, por desejar ardentemente que se aproximem cada vez mais desses predicados e por acreditar piamente que só através da crítica podemos enfrentar as fraquezas que nos impedem de os atingir. É animados desse espírito que decidimos denunciar a prevaricação aberrante da lei que alguns “superiores” ainda impõem aos voluntariosos e crédulos agentes da autoridade, submetendo-os à difícil decisão de agirem à margem de todos os ensinamentos a que foram sujeitos ao longo da sua formação profissional.

Contextualização – 30 Abril

O primeiro excerto audio corresponde à nossa ida ao GPL no dia em que respondíamos a um “convite” do Diretor do Gabinete Jurídico, Carlos Alberto Cavuquila. Os contornos já todos ouviram por alto, alguns de nós estaríamos indecentemente trajados para ser recebido por tão ilustre figura, de modos que decidimos não entrar. Foi quando dois de nós entraram para fazer a entrega desta comunicação

 Acerca do convite que nos foi endereçado

que o perspicaz senhor, dando-se conta da presença de dois elementos do grupo, os foi convencendo a ficar, comunicando-lhes ao que tinhamos sido chamados.

Entretanto lá fora, o resto do grupo aguardava a saída dos dois primeiros, de pé, no passeio do parque de estacionamento ilegalmente reservado aos funcionários do GPL (não existe lá placa nenhuma que anuncie essa excepção),

portanto do outro lado da estrada de quem sai do edifício, quando, primeiro dois agentes fardados, depois um à paisana, nos vêm exigir que saiamos do local argumentando que era proibido estarmos ali. O agente à paisana veio primeiro com uma falsa missão reconciliatória e começou a dar-nos uma aula de moral sobre a nossa maneira de nos vestirmos. Como não encontrou a complacência que provavelmente esperava, começou a subir de tom e num instante começaram as ameaças. Constatando que nem essas surtiram efeito, afastou-se vociferando que “vão ver então”. Nisso, atravessa a estrada, fazendo questão de levantar a camisola exibindo a arma que transportava. Nesse ponto começa este audio.

Resumindo: o agente à paisana chamou um carro da polícia para nos levar argumentando que seríamos desordeiros a perturbar a ordem pública, cometendo “atos de vandalismo”. Os agentes, acatando a ordem sem nos questionarem chegando ao local, nos ordenaram que subíssemos no veículo policial. Como encontraram resistência as coisas se foram acalentando o que levou a uma concentração dos populares que por ali circulavam. Entretanto os nossos camaradas saiem e encontrando essa situação voltam para dentro para chamar o assessor do Sr. Cavuquila que vem meter água na fervura e resolve tudo com um simples “está tudo bem” dirigido aos agentes da PN.

Dia 4

Como se pode constatar na carta que nos foi enviada pelo GOVERNADOR, o motivo alegado para nos enviarem para o Quintal da Independência, local de lançamento de cd’s e passeatas familiares acessíveis ao módico preço de 50 kz, foi o facto de se ir realizar no largo uma actividade alusiva ao dia da paz.

Assim sendo, decidimos que iríamos participar nesse evento, mas qual não foi a nossa surpresa ao lá chegar e ver que não havia nada! Foi tudo (mais) uma armação triste do governo para nos tirar a visibilidade, não havia, nem nunca houve intenção de realizar evento algum alusivo ao dia da paz naquele largo, o que mostra sem margem para dúvidas que esses nossos “democratas” estão indelevelmente contaminados pelo vírus da ditadura que vem da escola do partido único.

Dado que já estávamos lá e que alguns de nós vinham de muito longe explicitamente para aquela actividade, decidimos que íamos ficar por ali uma hora, com os nossos cartazes celebrativos da árdua conquista do cessar-fogo definitivo de 2002.

Quando o aglomerado começou a crescer, o efectivo policial multiplicou-se num piscar de olhos, ali mesmo em frente ao muro da escola Nzinga Mbandi, local eleito para a aglomeração antes de nos dirigirmos ao Largo da Independência.

Aproximou-se um Comandante, que é o que podemos ouvir no início do audio a questionar os reais motivos da nossa deslocação àquele local. Depois um outro, aparentemente superior do primeiro que conclui este audio indagando: “será?”

Segue-se um debate entre o comandante-chefe e alguns de nós procurando a justificação legal de nos impedirem o acesso ao largo. “Barulho tem sítios próprios”, “… há lugares que são sagrados”, “…o objecto social do largo”, “…local de confluência de tráfico… pode um carro ir de encontro aos manifestantes…”, enfim, pretextos sem sentido que a medida que vão sendo dados, vão revelando a carência de argumentos legais dos agentes que estão simplesmente a cumprir ordens superiores.

A discussão continua, o Comandante é polido e civilizado, ainda que sem argumentos. Mostramos-lhe um dos cartazes que levámos e, começando a sorrir, continuou a tentar reprovar-nos delicadamente a nossa intenção, mas vendo-se encurralado em termos de argumentação cedeu, afastando-se para ligar para um “superior”, pois a lei pura e dura não constituia autoridade suficiente.

“Orientações superiores: não estão autorizados. Qualquer tentativa de ocupar o largo será interpretado como desobediência policial!”

A conversa continuou sobretudo entre a kota Elsa Luvualu e o primeiro Comandante subalterno, ele também muito atrapalhado e sem saber como nos recusar um direito. A conversa foi amigável como se pode ouvir no audio abaixo e nós garantimos aos agentes que não iríamos exibir os nossos cartazes, oferendo-nos inclusivé para lhes deixar o material sob custódia enquanto estivessemos concentrados no largo.

Parecia que tudo ia bem, até que, já quase a chegar ao largo, o Comandante subalterno visivelmente afogueado põe-se a gritar para não prosseguirmos, mas mais em pânico do que autoritário. As coisas começam a sair dos eixos, os kalundus sobem, a situação começa a sair de controle.

Não estávamos dispostos a recuar e insistimos para obrigá-los a violar a lei. O Comandante assume que “receberam instruções” e nos pedimos o nome do “instrutor” para processá-lo. Os argumentos da PN esfumam-se e fazem perguntas sem nexo do género “se vieram se manifestar no largo, concentraram-se à frente da escola porquê?”. Sentimos que a bola estava do nosso lado. O “Comandante” recusa identificar-se ou denominar o “instrutor”.

Sentindo a atrapalhação do Comandante “comandante”, outro lhe veio em socorro pedindo o documento que “provava” que estaria marcada uma actividade para o largo naquele dia. Lendo a carta que nos foi remetida pelo governador, ele diz que “nem deveríamos exibir esse documento como justificativo”. Mais argumentos de palha, facilmente incendiáveis.

  • “Encostem ali!”
  • “Não vamos encostar! Vão ter de nos prender a todos”
  • “Achas o quê, só vão ficar aqui dois, os outros vão fugir”

Estavam malaikes com o facto de encontrarem resistência aos seus ameaços vãos e desacudidos pela lei. Não é hábito e os superiores pareciam estar confiantes que a prepotência intimidatória seria suficiente pois não parecia haver instruções sobre como agir no caso de “desacato à autoridade”. Ficámos ali até ver qual seria a etapa seguinte das ameaças.

Tentámos mais uma vez mostrar que entendíamos a posição complicada dos agentes que não estariam a agir de acordo com a consciência e formação e que estaríamos dispostos a não pô-los em risco de perderem o emprego, entregando-lhes o nosso material de propaganda e dando-lhes a nossa palavra de honra que não iríamos fazer mais do que nos sentar e trocar ideias, sem palavras de ordem ou qualquer outra atitude que sugerisse sequer tratar-se de uma manifestação.

O “superior” deu a cara. SINFO. Veio falar-nos, dizer-nos o que já sabíamos, ameaçar um pouco mais e recolher de nós, mais uma vez, a promessa que não iríamos manifestar-nos oferecendo-nos inclusivamente para que nos levassem ILEGALMENTE detidos caso não honrássemos a nossa palavra.

Já ganhámos. Entrámos, acabou por se juntar mais gente ao grupo inicial, apareceram algumas figuras públicas para nos parabenizar e nos “dar” força e acabámos por ficar por ali até já depois das 20h00, obedecendo rigorosamente ao nosso compromisso verbal.

“Viva a paz, viva Angola!”

Depois da notícia da ameaça de morte que sofreu o nosso companheiro, Carbono Casimiro, no passado dia 7 de Abril, e somando-se às demais ameaças a que alguns de nós foram sujeitos ao longo destas últimas semanas, decidimos fazer uma denúncia formal destes graves acontecimentos, tanto à Polícia Nacional como a outras organizações de defesa e observação dos direitos humanos como a Amnistia Internacional e Human Rights Watch.

Considerando que se trata aqui da preservação ou não da nossa integridade física e da segurança dos nossos mais chegados, publicamos aqui na Central a carta endereçada a Ambrósio de Lemos, comandante-geral da Polícia Nacional (PN), juntamente com os relatórios de outros companheiros que também sofreram ameaças.

É fundamental que haja vigilância e colaboração de todos os sectores da sociedade para que não exista nenhum acto de violência contra cidadãos que estejam contra as políticas do regime. Não é ofensa querer manifestar publicamente o nosso descontentamento. Ofensa é, outrossim, não poder fazê-lo sem ser imediatamente intimidado. É ofensa porque é um desrespeito dos nossos direitos básicos, da nossa liberdade e autonomia. Nós queremos uma liberdade onde possamos assinar com o nosso nome, assumir as nossas opiniões e defendê-las com palavras, sem actos de violência pelo meio. Só assim Angola será realmente livre e independente: quando os angolanos forem também livres e independentes.

Como diz a frase:

“Posso não estar de acordo com o que dizes mas luto para que o possas dizer”.

 

A Central 7311

 

 

CARTA AO COMANDANTE-GERAL DA POLÍCIA NACIONAL

 

AO COMANDANTE-GERAL DA POLÍCIA NACIONAL

EXMO SR. AMBRÓSIO DE LEMOS

Saudações, ilustre senhor:

É com algum pesar e consternação que resolvemos, pela segunda vez num tão curto espaço de tempo, fazer apelo à sua retidão e decoro, sendo no entanto esta carta meramente informativa de ocorrências de extrema gravidade no seio de alguns dos envolvidos na organização da reunião/manifestação que ocorreu no dia 2 de Abril.

O motivo de recorrermos directamente a si, é por acreditarmos que se a manifestação do dia 2 de Abril foi um sucesso e até mesmo um exemplo a nível de segurança e respeito entre manifestantes e PN, contribuindo para a democracia do nosso país, isto deveu-se à carta que lhe endereçámos um dia antes e que, felizmente, foi bem interpretada da vossa parte. Caso contrário, as instruções que teriam era a de nos circunscrever ao Parque da Independência, o que teria provocado um certo mal-estar generalizado.

Se acaso acompanha as notícias que circulam pela internet, há-de ter reparado que aqueles de nós que fomos entrevistados, fizemos sempre questão de sublinhar o papel exemplar e discreto da nossa polícia no dia da reunião/manifestação, respeitando escrupulosamente as leis que vão regendo o nosso país no que concerne a esses direitos específicos.

Desta vez escrevemos, contudo, mais do que para agradecer, para denunciar o que poderá ser o prenúncio de uma caça às bruxas a alguns dos cidadãos que, exercendo um direito consagrado não só na nossa Constituição e na dos outros países que se proclamam democráticos, como na Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas no seu artigo XVIII, se vêem sujeitos a pressões psicológicas de todo o tipo. A mais grave foi verificada na noite de quinta-feira, 7 de Abril, pelas 22 horas, quando dois sujeitos encapuzados entraram no quintal onde vive o jovem Dionísio Casimiro, dispararam um tiro e proferiram de maneira sonora e inequívoca “vamos te apagar!”. Em seguida retiraram-se com a promessa de voltar. Felizmente, e contrariamente ao que é a sua rotina, o Dionísio não estava em casa a essa hora, tendo por isso escapado à ira dos jovens meliantes.

O Dionísio foi esta manhã apresentar queixa formal no Comando Municipal do Rangel, registada pelo agente Barbosa da investigação criminal, sem que nos tenha sido dado o nº do processo que ficou de se ir saber na segunda-feira, dia 11 de Abril. Dada a estranheza do crime e a recém actividade cívico-política do visado, estamos em crer que se trata de uma perseguição política com o intuito de intimidá-lo. No entanto, com assuntos que envolvem ameaças explícitas à nossa integridade física não devemos limitar-nos a conjeturar, pois é assunto de extrema gravidade.

Obriga-nos ainda sublinhar que não se trata de um caso isolado. Outros jovens deste grupo receberam ameaças de ordem diversa, ameaças essas que anexamos a esta missiva para que possa também estar a par-e-passo dos contornos sombrios desta história.

Estamos conscientes de que não devemos importuná-lo com todo e qualquer assunto e que existem estruturas funcionais dentro da polícia para se ocuparem de casos de toda a ordem e natureza. No entanto, a nossa intenção era tão somente comunicar-lhe estas ocorrências, da mesma maneira que já o fizemos com as diversas organizações que monitoram os direitos humanos, dentro e fora de Angola, para que tenham conhecimento de mais esta arbitrariedade que é um dos infortúnios que continuam a minar a imagem da nossa bela e amada pátria.

Acreditamos que os agentes da investigação criminal que irão ocupar-se do caso, fá-lo-ão com seriedade e profissionalismo, dignificando o nome da nossa polícia que tantos esforços tem envidado na construção de uma imagem cada vez mais idónea e digna do respeito dos seus concidadãos.

Agradecidos pela atenção e sem mais de momento nos despedimos mui respeitosamente.

AMEAÇAS AOS JOVENS CO-ORGANIZADORES DA MANIFESTAÇÃO DO DIA 2 DE ABRIL


Nome: António Medil Campos

Relatório de ocorrência:

Medil Campos foi um dos detidos na manifestação do dia 7 de Março de 2011, no Largo da Independência, durante a madrugada.

Alguns dias depois do dia 7, uma senhora, usando o pretexto de ter sido sua professora durante o ensino médio, foi recolher informações entre os vizinhos.

Suspeitou-se da senhora, pois Medil Campos nunca estudou na escola a que ela se referia.

Dias depois, duas pessoas sem se identificarem foram à casa de Medil Campos aí encontrando sua mãe, com quem falaram. Mostraram os pequenos panfletos que distribuímos dias antes da manifestação, alegando que ele tinha os tinha distribuído em escolas a mando dum partido da oposição, a UNITA, que foi a segunda parte beligerante envolvida na guerra civil de 1975 à 2002. Sugeriram à mãe de Medil que conversasse com ele, lhe aconselhasse a ter cuidado e parar de fazer o que estava a fazer, assustando assim a sua mãe e outros familiares que ali moram.

Havia, na manifestação de dia 2 de Abril e na reunião de dia 4 de Abril, pessoas infiltradas e alguns dos participantes alegam ter sido seguidos até as suas casas.

De assinalar também que duas semanas antes da manifestação de dia 2 de Abril, começou-se um protesto espontâneo no largo da independência sobre a violência à liberdade de expressão em Angola, e o local já se encontrava sob vigilância de indivíduos de índole suspeita, que filmavam e tiravam fotografias às escondidas.


Nome: Massilon Leonardo Kutekila Chindombe

Relatório de ocorrência:

Chamo-me Massilon Leonardo Kutekila Chindombe, cidadão angolano recentemente tornado activista em prol das ausentes e/ou carentes liberdades no meu país.

No dia 7 de Março de 2011, aderi a uma convocatória anónima que circulou pela internet e tinha como propósito pedir o fim do regime. Neste mesmo dia fomos detidos à revelia, encarcerados e soltos pouco menos de 10 horas depois, sem nos ter sido comunicada a razão da nossa detenção.

Motivado por estas atrocidades e, na certeza de não ter cometido crime algum nem nada ilícito, continuei a insistir nessa reivindicação. Desta feita, de forma mais activa e não como mero participante, juntamente com amigos entre os quais alguns também faziam parte do grupo que havia sido detido no dia 7 de Março.

No decurso das nossas actividades, concedi uma entrevista a uma rádio local, “Ecclésia”, falando sobre a manifestação que convocámos e que teve lugar no dia 2 de Abril de 2011 com o lema: a liberdade de expressão em Angola. Após a entrevista venho recebendo chamadas e SMSs que transcrevo abaixo, pondo em risco a minha integridade física:

Dia 29-03-2011

Moço, não viva por ver os outros a viverem.

Lembre-se que cada um tem a sua mãe e mesmo os gémeos

Cada um nasceu distinto do outro. Se voltares a fazer o que

Fizeste, serás um homem morto.

Dia 07-04-2011

Oh Massilon, desperta rapaz. De capanga bastou o teu pai, miúdo acorda qual é a cor do Luaty, Carbono, Elsa, Bonavena, Patrocínio, Manuel Vitória Pereira e tantos outros que estão a frente da manifestação. Tu tens para onde ir? Eles têm, para além de que estão assegurados e tu, o que tens? Olhe para os teus irmãos. Estuda e prepara o teu futuro antes que voltes para o Diríco sem nada.

Estas mensagens e as chamadas tiveram origem do número +244923260144 da operadora de rede móvel UNITEL, que logo a seguir fica fora de serviço, pelo que se me revela impossível retornar as chamadas.

Já por uma vez, encontrando-me ausente de casa, pessoas estranhas bateram à porta e quando a minha esposa foi abrir, dois indivíduos de rosto coberto deram as costas e foram-se embora.

Todos estes factos, sabendo que os mesmos dão-se depois da minha declaração e participação activa em actos que visam repudiar a má governação a que eu considero estarmos sujeitos, fazem-me ligá-los ao regime governamental, o que me leva a torná-los públicos.

Nós da Central queríamos endereçar aos nossos irmãos de Cabinda, independentemente de se sentirem ou não parte deste todo que escolhemos chamar Angola, os nossos sinceros votos de boa sorte e muita coragem para o dia de amanhã, 10 de Abril, data que escolheram para se manifestarem pelo diálogo e pela paz na sua província (protetorado, ou outra denominação que prefiram e vos fira menos a sensibilidade). Nós, juventude angolana descontente com esta governação da fantochada, nos solidarizamos convosco e esperamos que logrem os vossos objetivos contra todas as adversidades que se vos possam apresentar. Lamentamos que o Governador que vos foi impingido não tenha a  noção da lei e que possa violá-la impunemente quando de todos nós se espera e se cobra rigor com as mesmas.

Amanhã, dia 10, tudo faremos para estar atentos ao desenrolar dos acontecimentos. Não hesitem em mandar-nos documentação que possa ilustrar a vossa ação, para podermos publicá-la aqui caso assim o desejem.

A coragem triunfará e a verdade libertar-nos-á

Boas ondas para vocês

Quando o kota surgiu, o pessoal reagiu tipo viu deus. O mambo era sério e o kota é um orador como há poucos, cheio de carisma e apesar da seriedade do assunto, consegue guardar um inestimável sentido de humor.

Aquando da gravação de um documentário há alguns anos atrás, tivemos problemas com a polícia enquanto filmávamos na via pública, apesar de estarmos em posse DESTE documento que agora facultamos a todos aqueles que podem ainda sentir-se ameaçados ao registarem o que bem entendem no seu dia-a-dia.

Isto na verdade é uma circular emitida pelo Ministério do Interior a comunicar todas as esquadras para DEIXAR EM PAZ as pessoas que estejam a fotografar/filmar publicamente, excepto nos locais indicados (órgãos de soberania como a Assembleia Nacional e o Palácio Presidencial, por exemplo).

Visto que a intervenção da polícia nos obrigou a chegar até ao último escalão da PN, depois de várias horas de bate-boca, vos passamos o documento tal qual ele saíu deste episódio: com o número directo do COMANDANTE NETO, no caso de algum agente tentar arbitrariamente  confiscar-vos a máquina fotográfica ou de filmar. Não se deixem intimidar!

Filmem, fotografem, registem, partilhem. Sejam os repórteres que a TPA não tem, denunciem, sejam a voz do POVO!

Autorização para filmar Luanda

Qualquer que seja a sua ideologia, cor partidária, filosofia de vida ou credo, uma coisa é certa: o dia 2 de Abril, directamente em consequência do não-acontecimento mais polémico que jamais se deu na História desta Angola contemporânea, o 7 de Março, veio mesmo marcar um virar de página na nossa proto-democracia: a primeira manifestação anti-regime não proibida pelas “autoridades competentes”.

Muitos tentaram antes, encontrando sempre um muro improvisado que fazia da estrada da democracia um beco-sem-saída, muro eregido autoritária e ilegalmente pelas “autoridades competentes” intolerantes a qualquer sinal de repúdio que pudesse criar a ideia de um descontentamento com o trabalho (?) levado à cabo pelo nosso executivo.

Tentaram estudantes universitários, tentaram associações cívicas como a Mãos-Livres, a Omunga e a SOS Habitat, tentou por diversas vezes o PADEPA, partido liderado por Carlos Leitão, praticamente inexpressivo no panorama político, mas hiper conhecido pelas suas ações de rua e de desafio ao poder instituído. Fizeram-no sempre apesar da proibição explícita para tal, fizeram-no tentando furar um buraco através do muro de burocracia ilegal, para seguirem no ambicionado caminho da democracia tal como ela se define, pois esta na qual vivemos não passa de um pobre esboço. Foram percursores.

O 7 de Março teve o mérito de fazer tremer a estrutura no poder como um terramoto de magnitude 9 na escala de Richter, como aquele que precedeu o recente tsunami no Japão. Fê-lo incorrer numa torrente de escolhas politicamente atabalhoadas, que mais não fizeram do que revelar a verdadeira natureza desse colosso que é o MPLA: um gigante com pés de barro! Gastaram 20 milhões de dólares só com a “Marcha pela paz” e vilipendiaram todo e qualquer indivíduo que tencionasse criar mácula na imagem do partido e da sua figura de proa, José Eduardo dos Santos, tratando-os dos nomes mais feios, associando-os a belicistas inimigos da paz e ameaçando-os de porrada, enfim, coisas de verdadeiros cavalheiros amigos da democracia.

Depois das prisões arbitrárias, da mentira desvendada pelo audio da detenção dos 17 jovens na madrugada do dia 7, de a própria TPA ter promovido um debate em que se discutiram questões ligadas a manifestação e, muito particularmente, dessa detenção ilegal, de, no rescaldo da abortada manifestação, o MPLA/Governo/Estado (que promiscuidade) ter “secado” as suas contas em divisas no Banco Sol para pagar a dívida pública, de terem forçado funcionários públicos a engrossar o número dos “anti-guerra”, de terem usado o Navio Maersk retido no Lobito como argumento para justificar as suas alegações que “a UNITA se está a rearmar”, entre outras tantas que não me apraz recordar, gastaram toda a munição que tinham e resolveram, como consequência da má imagem que deixaram transparecer (e que é a sua verdadeira, depois da máscara cair), fazer uma reciclagem nos comportamentos anti-democráticos e assumirem uma postura mais dócil e permissiva face aos apetites contestatários da juventude.

Assim se criou o vácuo ditatorial que fez com que, finalmente, as “autoridades competentes” TOLERASSEM uma manifestação, para limpar um pouco a imagem feia que lhes foi associada, dando a ideia de que, a democracia está bem viva em Angola. No entanto, comprovando a sabedoria popular que reza: os velhos hábitos são difíceis de perder, tentaram, à margem da lei, acomodar-nos num local que nos remetia à invisibilidade. Valeu no entanto (e não podemos deixar de referir) a ação exemplar da PN, que comunicada por nós da intenção ardilosa do GPL, fez prevalecer a lei acima de “ordens superiores”.

Foi assim que no dia 2, com intuito de reclamarmos pelos nossos direitos e nos exprimimirmos sem ter medo de represália, nos reunimos no Largo da Independência, local de inigualável valor simbólico para protestos desta natureza. A TPA, claro, filmou muito e passou muito pouco, fazendo uma peça de deplorável valor jornalístico, mostrando claramente para quem trabalha. Nós também já o sabíamos e por isso o nosso canal público teve direito a algumas vaias, direcionadas à objetiva do cameraman, no decorrer do evento. A maior parte da imprensa que se fez presente também devia ter mais o que fazer, pois chegaram no início (certamente na expectativa das coisas azedarem e eles terem matéria interessante para o “furo” que sempre buscam), fizeram duas ou três entrevistas e foram disfrutar do almoço de fim-de-semana para o qual deviam ir atrasados. Depois fizeram figuras tristes anunciando que a manifestação só contava com 50 almas, quando ela oscilou sem exageros, pelo menos entre 400 e 800 pessoas.

Das 13 às 00h00 se passou uma manifestação que muitos adivinhavam desordeira, que muitos preconizavam ser o retorno à instabilidade e a guerra (?), que a maior parte desvalorizou por não ter registado uma enchente nem de perto igual à das passeatas do partido, MPLA, o mesmo que mantém o seu povo no obscurantismo mais atroz, nas garras do analfabetismo, para poder seduzi-lo com cevada e concertos dos mais populares músicos da nossa praça. Das 13 às 00h00, um único incidente foi registado por parte dos “arruaceiros” que povoaram o largo: um rapaz que se deixou levar pela exaltação e resolveu atirar um objeto contra um autocarro onde seguiam indivíduos com bandeiras do MPLA. Foi imediatamente pacificado pelos outros à sua volta que o chamaram à razão e o controlaram com duas palavras. Foi de tal maneira insignificante que a polícia nem sequer interviu. Os próprios manifestantes fizeram cordões à volta do largo para impedir que a coisa não transbordasse para a rua e cortasse o trânsito, coisa que nos valeria certamente uma intervenção musculada, apesar de nunca ter transparecido que a PN estivesse a ansiar por esse motivo.

Quando faltavam 10 minutos para à meia-noite, o último grupo de “arruaceiros” que continuavam a gritar palavras de ordem em frente ao carro da polícia (Zé Dú come bem, a polícia ganha mal! A polícia é do povo, não é do MPLA”), voluntariamente se calou, recolheu os seus dísticos e ajudou na arrumação do largo que ficou mais limpo do que o que se encontrou. Como nenhum órgão público e caxiko do regime consegue apontar-nos falta de carácter cívico, optaram pela difamação dos organizadores e participantes desclassificando-os como estudantes sem diplomas, frustrados e sedentos de protagonismo. Os velhos hábitos são MESMO rijos!!!

A Luta Continua

Posted: April 4, 2011 in Argumentos, Dia da Paz, Opinião

Por Victor de Barros (do blog Havemos de Voltar)

Mais um dia 4 de Abril é comemorado na jovem história pós-guerra do nosso país. Como é de hábito, nas datas festivas em Angola organizam-se passeatas, festivais, maratonas e eventos similares. O Dia da Paz não foge a regra. Reclames publicitários tanto nas rádios como nas televisões evidenciam a euforia vivida nas vésperas desta data e a ansiedade do povo em desfrutar de mais um fim-de-semana prolongado.

No meio deste tumulto, tenho a infeliz percepção que a maior parte do povo angolano não se dá conta do contexto único em que o 4 de Abril de 2011 será comemorado. Deveria ser mais do que óbvio que o periodo em que vivemos actualmente representa um momento de viragem na história universal. A manifestação popular que se passou na Tunísia alastrou-se para o Egipto e a sua influência se fez sentir até a Líbia. Este evento influenciou significativamente o restante do continente, e o nosso país não foi uma excepção. A vaga de sentimentos revolucionarios que recheia a alma do povo que, recorrendo a todos os meios ao seu alcance, tenta de forma desesperada resgatar a si proprio é, no meu ponto de vista, equiparável a situaçao existente na época colonial, em que os nossos pais e avós desejavam calorosamente a libertaçao do jugo português.
A manifestação do dia 7 de Março de 2011 em Luanda foi meramente a materialização deste sentimento de revolta que vem, pouco a pouco, tomando conta do ser de um número cada vez mais significante de cidadãos. As bocas, embora ainda silenciosas, já não estão completamente caladas e o poder estabelecido já sente uma certa pressão sobre si. Mas, como escreveu e bem Kukiela, este foi meramente o primeiro passo. Claramente esta afirmação implica uma continuidade, implica que mais passos devem ser dados. Para muitos dos jovens angolanos na diáspora, o próximo passo tomou a forma de um número de manifestações que se realizaram nos respectivos paises em que residem. Para meia-dúzia de pessoas que decidem não tapar o sol com a peneira em Luanda, o próximo passo será meterializado através de uma manifestação com a finalidade de reclamar os atropelos à liberdade de expressão que acontecem no nosso país. Daí surge, talvez até prematuramente, uma preocupação cujo resultado é este artigo.

Para quem conhece bem a psicologia do povo angolano é sabido que tudo vira moda neste país. A minha preocupação é que este clima promissor que se vive actualmente seja reduzido a uma mera febre de manifestações que no final das contas terão um resultado insignificante. Digo isto porque embora certas pessoas tenham uma ideia clara dos ideais e propósitos das manifestações que apoiam, uma leitura de comentários na internet demonstra que a maior parte dos participantes engagam nessas demonstrações ou pelas suas frustrações pessoais ou por uma esperança, geralmente infundada, resultante de um desgaste pessoal causado pelas batalhas diárias travadas a fim de vencer as dificuldades que o sistema apresenta. Estes dois sentimentos são fervorosos e dão um impulso considerável no início de qualquer revolução. Contudo, eles não são muito duradouros e consequentemente são incapazes de alimentar um processo revolucionário na sua íntrega. Para que uma revolução seja bem sucedida é necessário uma convicção, uma entrega ideológica e emocional à causa a ser defendida. Se analisarmos o sucedido nos países norte-africanos, este factor foi evidente: as pessoas eram solidárias umas com as outras até ao ponto da polícia rejeitar combater os manifestantes por se identificar com os seus motivos, com as suas indignações. Todos eram a favor do ideal que a manifestação propunha. Nenhum dos manifestantes pós o seu cargo como professor, polícia, comerciante ou outra qualquer conquista pessoal acima das convicções defendidas. Todos eram um só povo, todos eram uma só nação! Adicionalmente a este factor, também é necessário ter-se uma ideia clara de como prosseguir após uma manifestação bem sucedida. Comentários como “o povo está cansado” e “o governo é corrupto”, embora carreguem uma carga emocional muito forte, não são muito úteis em termos prácticos.

Se, hipoteticamente falando, o governo decide oferecer uma casa, um carro e uma soma de dinheiro a todos que se auto-entitulam revolucionários no nosso país, eu acredito que mais de 90% destas pessoas abandonariam a causa no mesmo instante. Isto pelo simples facto da contestação não ser contra o sistema em si, mas contra o facto de que essas mesmas pessoas não obtêm lucros deste mesmo sistema. A intenção não é mudar o sistema, mas sim mudar a condição pessoal de cada indivíduo. A atitude é “já que até agora não vi nada, vamos mudar o governo para ver se vejo alguma coisa”. E é óbvio que se a situação se mantiver, mais revoluções acontecerão. O bode espiatório é sempre o chefe-de-estado e o seu governo. Embora esta seja uma ideia que agrade algumas pessoas, na minha óptica, ao menos que exista a convicção revolucionária mencionada anteriormente, o que exigiria um processo (geralmente moroso) de instrucção e de planejamento, todas essas manifestações a serem organizadas serão ineficientes. Suponhamos que uma audiência com o chefe-de-estado seja solicitada aos líderes destas manifestações. Acredito que as exigências seriam na linha do “queremos ter mais liberdade de expressão”, ou “queremos o fim da corrupção” ou algo similar. Ao meu ver, um plano de como alcançar essas exigências do ponto de vista dos manifestantes seria mais relevante. Uma lista de procedimentos a serem implementados pelo Estado, verificável nos seus mais diversos níveis de implementação, daria mais solidez a qualquer forma de indignação popular caso não fosse honrada.

Infelizmente, por esta altura muitos dos leitores já classificaram este artigo como pró-governo, como pró-MPLA. Gostaria de deixar claro que este não é o caso. Como Claúdio Silva já fez referência, a cultura de que no nosso país apenas duas posições políticas (pró e contra MPLA) existem tem que acabar. As minhas convicções políticas são irrelevantes para este artigo. Simplesmente acredito que não podemos cobrar do governo o que nós próprios, o povo, não estamos dispostos a oferecer. Não quero com isso dizer que não existem falhas graves no governo que devam ser corrigidas independentemente da participação popular, mas para os factores que considero básicos e mais relevantes para uma governação eficaz, a participação do povo é essencial. Por exemplo, como podemos cobrar liberdade de expressão do governo se não deixamos o nosso co-cidadão exprimir livremente a sua opção religiosa, orientação sexual ou escolhas um pouco diferentes das nossas? Como podemos cobrar imparcialidade do governo se somos parciais com nós mesmos? Como cobrar organização administrativa se nós próprios somos completamente desorganizados? Essas questões nem sequer são apresentadas do ponto de vista moral, mas sim do ponto de vista práctico, visto que não obstante ser verdade que moralmente não possamos exigir dos outros o que não estamos preparados a dar, é impossivel o governo limpar um povo sujo, o governo dar liberdade a um povo opressor, o governo trazer prosperidade a um país desorganizado e por aí em diante.

Há quem diga que cada povo merece o governo que tem. Não me pronunciarei quanto a veracidade deste ditado, mas lanço um desafio a nós mesmos: mudemo-nos a nós próprios, o povo, antes de exigirmos mudanças do governo. Deitemos o lixo de nossas casas nos contentores ao invés de na porta do vizinho ou pela janela do apartamento. Sejamos educados e cuidadosos com o próximo ao invés de querermos sempre tirar partido das pessoas e parecer superiores, como se nos envergonhassemos de ser simples cidadãos comuns. Que criemos grupos de acção nos nossos bairros, que promovamos o debate e a troca de ideias de qualquer forma que estiver ao nosso alcance. Se o governo nos impossibilitar desses esforços por qualquer motivo (o que não creio que aconteça), que façamos o que tiver que ser feito de forma clandestina. Antes de darmos os nossos problemas a terceiros, que sejamos nós próprios a tentar resolve-los.

Nas vésperas de mais um dia de celebrações no nosso país proponho que nós, o povo, iniciemos uma revolução no nosso seio. Que nos manifestemos contra aqueles que são corruptos, contra aqueles que são egoístas e aproveitadores no meio de nós. Que aqueles que tornam a nossa sociedade vergonhosa sejam instruidos e recuperados, e caso este processo falhe, que sejam marginalizados. Nas vésperas do dia 4 de Abril de 2011, proponho que utilizemos o gás de mudança que se encontra disponível actualmente de uma maneira sábia, não deixando-o vazar completamente antes que a grande explosão aconteça. Que multipliquemos as nossas virtudes e abdiquemos dos nossos vícios. Que identifiquemos e trabalhemos em prol de mudanças relevantes, efectivas e duradouras para a melhoria das condições de todo o povo no nosso país, de Cabinda ao Cunene. Embora se comemore a 4 de Abril de 2011 mais um Dia da Paz, para nós, o povo, a luta continua. Quanto a victória… essa depende de nós próprios!

Victor de Barros

Depois de terminada a manifestação, não param de chegar novas imagens desta tarde histórica para o povo angolano. Apelamos a todos os que tiverem material (audio, video, fotos) que enviem para dia7angola@gmail.com para que possamos publicar na Central 7311.

Quanto aos números, basta ver as fotos e os vídeos para confirmar o sucesso desta iniciativa. De acordo com os promotores, no pico da manifestação havia cerca de MIL PARTICIPANTES.

Estas imagens um dia sairão nos livros de História de Angola. Certamente, a mudança tão esperada está já em andamento.

O POVO ACORDOU!

A Central 7311


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A manifestação que começou às 13:00 terminou perto da meia-noite. De acordo com os promotores, em alguns momentos atingiram-se os MIL PARTICIPANTES.

 

Centenas de pessoas juntaram-se hoje no Largo da Independência para exigir Liberdade de Expressão em Angola. Os manifestantes fizeram um cordão humano à volta de todo Largo da Independência, rodeando a estátua de Agostinho Neto, gritando “O povo unido jamais será vencido” e “Zedu fora!”.

 

Duas das reivindicações mais destacadas pelos manifestantes foram a libertação imediata do jornalista Armando Chicoca e a revogação da Lei das Tecnologias da Informação e Comunicações (TIC), que vulnera manifestamente direitos consagrados na nossa Constituição.