JES, o líder mais impopular de África: Um outro olhar ao Gallup Poll

Posted: May 11, 2012 in Angola, Argumentos, Central in English, Notícias

Primeiro, um pequeno reparo: A Central parece ter sido o primeiro website de expressão portuguesa a falar sobre a pesquisa realizada pela Gallup que nos deu a conhecer que o Presidente José Eduardo dos Santos é o líder mais impopular no continente africano (só 16% de aprovação! 16!). Postamos mesmo antes que a VOA, Club-K, e outras cadeis de informação que têm jornalistas pagos. É caso pra dizer: XE! Tamu a começar a ser sérios! Depois de ter vos habituado com postagens e notícias atrasadas, sabe bem para nós “arruaceiros” vos oferecer informa­ção de qualidade na hora…afinal de contas temos que respeitar os nossos (ainda poucos) leitores :)

Como esperado, quando as grandes cadeis de infomação lançaram o puro artigo, foi algazarra total. Os pobres defensores do regime não sabiam como reagir, como digerir o óbvio. O pior cego é mesmo aquele que não quer ver. Para os esclarecidos, a sondagem da Gallup só veio confirmar o que há muito já se sabia, o que se tem vindo a constatar nos comícios do JES e do seu partido, nas inaugurações forçadas, nas “contra-manifestações”, etc; nos relatos que nos chegam de como o “líder clarividente” foi vaiado no Luena e nas Lundas; no grande e monstruoso aparato militar bélico que o mesmo usa nas suas deslocações do Palácio ao aeroporto ou a outros pontos da cidade. O desgaste é total: é que 32 é mesmo muito…!

Mas voltando as reações. Foi bonito ver o xinguilamento generalizado. “Mamaueê!! Quem realizou a sondagem?! Entrevistaram quem? É mentira! Quem é a Gallup? Imperialistas! Esses americanos já não mudam! Só querem o nosso petróleo! Todos angolanos amam o JES, líder clarividente, arquitecto da paz, enginheiro do amor, financeiro da felicidade, etc, etc!” Outros fizeram uma multitude de perguntas (cujas repostas eram fácilmente encontradas lendo o artigo e/ou carregando em um ou dois links) sem se darem ao minimo esforço de procurar as respostas; assim é sempre mais fácil negar a realidade.

Como jovens e consumidores de informação responsáveis, somos sim forçados a procurar saber mais sobre a sondagem em si e quem a fez. São assim que se cultivam os bons hábitos no que toca ao consumo responsável de informação bem como uma relação saudável com o jornalismo. Uma rápida pesquisa no Google é o suficiente para percebermos que a Gallup é uma organização séria, consagrada, com cerca de 50 anos de experiência e reconhecida mundialmente. No que toca a sondagem em si, a metodologia da mesma é explicada mas adiante no próprio artigo:

Survey Methods

Results are based on face-to-face interviews with 1,000 adults, aged 15 and older, conducted in 2011 in Angola, Benin, Botswana, Burkina Faso, Burundi, Cameroon, Central African Republic, Chad, Comoros, Democratic Republic of the Congo, Gabon, Ghana, Guinea, Kenya, Lesotho, Liberia, Madagascar, Malawi, Mali, Mauritania, Mauritius, Mozambique, Niger, Nigeria, Republic of the Congo, Senegal, Sierra Leone, South Africa, Swaziland, Tanzania, Togo, Uganda, Zambia, and Zimbabwe. For results based on the total sample of national adults, one can say with 95% confidence that the maximum margin of sampling error ranged from ±3.3 percentage points to ±4.3 percentage points. The margin of error reflects the influence of data weighting. In addition to sampling error, question wording and practical difficulties in conducting surveys can introduce error or bias into the findings of public opinion polls.

Para os que não falam inglês, temos todo prazer em traduzir:

Metodologia da sondagem

Os resultados são baseados em entrevistas cara-a-cara com 1000 adultos, com idades de 15 para cima, feitas em Angola, Benin, Botsuana, Burkina Faso, Burundi, Camarões, República Centro Africana, Chad, Comoros, República Democrática do Congo, Gabão, Gana, Quénia, Lesotho, Liberia, Madagascar, Malawi, Mali, Mauritânia, Ilhas Maurícias, Moçambique, Niger, Nigéria, República do Congo, Senegal, Serra Leoa, África do Sul, Suazilândia, Tanzania, Togo, Uganda, Zambia, e Zimbabué. Para os resultados baseados na amostra total dos adultos nacionais, pode-se dizer com 95% de certeza que a margem máxima de erro de amostragem flutuou entre ±3,3 pontos percentuais a ±4,3 pontos percentuais. A margem de erro reflete a influência da ponderação de dados. Além do erro de amostragem, a redação das perguntas e as dificuldades práticas na condução de inquéritos podem introduzir certos erros ou tendências nos resultados de pesquisas de opinião pública.

Mas nós não paramos por aí. No fim do artigo diz o seguinte:

“For more complete methodology and specific survey dates, please review Gallup’s Country Data Set details.”

Ou seja,

“Para uma metodologia complete e as datas específicas da sondagem, por favor visite Detalhes dos Dados da Gallup

Carregamos no link e deparamo-nos com a seguinte tabela:

Deste modo, comprovamos o seguinte:

a)     A equipa da Gallup esteve em Angola entre os dias 23 de Setembro – 9 de Outubro

b)    Efectoou 1000 entrevistas

c)     A margem de erro é de 3,8%

d)    O modo de entrevistas foi cara-a-cara

e)     As entrevistas foram efectuadas em português

f)     “A cobertura incluiu todas as províncias, urbanas e rurais. Mas, algumas áreas rurais foram excluídas por causa da sua inacessibilidade ou condições precárias. As áreas excluídas representam aproximadamente 15% da população.”

Não custa muito buscar informação. Não custa muito carregar em links. Não custa muito pesquisar. A especulação é desnecessária. Mas como bem sabemos, as pessoas só vêm aquilo que querem!

Comments
  1. Comadre says:

    Dia 27 de Maio esta a chegar, vocês podiam unir se a associação 27 de Maio e manifestar se. A historia esta a repetir se.

  2. Ze Bastos says:

    A contestação estúpida é um argumento covarde para quem quer ganhar a vida sem passar na poeira da obra. Continuem fechados nos vossos bunkers intelectuais e vão chegar a velhos ainda com a bandeira na mão, a protestar por tudo aquilo que não conseguiram conquistar. Os tugass também andaram anos e anos a contestar………e cada vez mais decadentes na contestação. Força meus amigos…………todos para a rua……..eu estarei a bombar……..e o almoço certamente estará na minha mesa

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