Archive for June, 2012

Somos apelidados de “arruaceiros”, “confusionistas”, “criminosos”, “drogados”, de tudo e mais alguma coisa,  mas de vez em quando na nossa desorganização “criminal”, ainda conseguimos fazer coisas com qualidade. Estamos por isso orgulhosos de vos brindar com um pequeno documentário de curta duração, cujo título demonstra exactamente o que é: um Historial das Manifestações que vêm decorrendo em Angola desde o dia 7 de Março de 2011. Na luta pela informação da verdade, peças como esta são sempre bem-vindas e ajudarão a esclarecer os que queiram perceber a causa da nossa luta, ou mesmo os cegos voluntários que finalmente decidiram tirar as palas dos olhos. Infelizmente, para os outros, os que continuam insistentemente a olhar para o lado e a assobiar, tentando encontrar justificações morais para a imoralidade, este documentário não irá adicionar nada de novo, será só mais uma peça para o seu escárnio.

We’re called “troublemakers”, “rabble-rousers”, “drug addicts”, “criminals” and a host of other less than flattering names, but for social degenerates, as the regime would want you to believe, and even in our perpetual state of disorganization, we sometimes produce good, honest work. We’re therefore proud to offer you a short documentary we’ve been working on for awhile: A Brief History of our Protest Movement. The documentary is in Portuguese with English subtitles and details our journey since that fateful day of March 2011. In the fight to counter the mass propaganda disseminated against us, little videos like this one will go a long way. Not only for you out there, but also for our brothers right here in Angola that refuse to “see the light”. Unfortunately, for our brethren that prefer to look the other way and pretend that nothing is going on, trying in vain to find a moral explanation for the amoral, this documentary will bring nothing new to the table. It’ll be just another useless Youtube video.


Não sabemos se o mano Agostinho é realmente subordinado desse Sr. Álvaro, mais outro desinformador disfarçado de doutor. Talvez se tenha referido a ele como chefe ironizando o nome da rubrica do editor do “Jornal Popular” (quantos de vocês já ouviram falar nesta publicação antes?), atacando-se ao argumento paupérrimo e insistente da “violência” e da “ilegalidade”. Foi partilhado no nosso facebook e achámos interessante publicá-lo aqui na nossa rubrica “A voz do povo”.

Chefe Mujimbeiro: Fora da lei, não!

“Por isso deixo aqui um grande apelo: respeitemos
os órgãos de soberania do País e lutemos
pela preservação da Paz, Progresso e Estabilidade”.

Meu caro Chefe Mujimbeiro, não deixas de ter razão ao fazer este apelo, mas gostaria que fosses mais coerente, claro, objectivo e ao mesmo tempo crítico, indo mais ao fundo da questão dos ex-militares.Não é que eu esteja a favor da desordem, da arruaça, como se ousou chamar, ou de qualquer outro acto que esteja fora dos marcos da legalidade e a favor da desordem e tudo resto…Embora, a meu ver, o que tenha ocorrido na Quarta-feira 20, não é nada mais que o resultado da tentativa de “abortar” a possibilidade de pacatos cidadãos indefesos exercerem um direito consagrado pela Constituição da República.

É verdade que o exercício de um direito legal não pode pôr em causa a estabilidade, a segurança e ordem pública/social (que neste caso só aconteceu graças a “infeliz pronta intervenção” da polícia nacional com todo seu dispositivo “bélico”, como se de uma guerra ou tentativa de assalto ao poder se tratasse). Bastava apenas o diálogo para se evitar os contornos alcançados, com dezenas de feridos, distruição de meios materiais, instabilidade na cidade capital, para não falar do pânico que se instalou.
E para concluir, caro Chefe Mujimbeiro, em manifestação alguma, que eu tenha conhecimento, além desta é claro, os manifestantes estiveram tão revoltados como nesta última. Como te sentirias se tivesses entregue toda sua juventude para a salvação da pátria, para o alcance da paz e volvidos dez, quinze ou vinte anos simplesmente fosses abandalhado?
Lembra-te que eles perderam o tempo por uma causa nobre, à estabilidade política e social do país.
Por isso, e reitero aqui, é justa uma manifestão de protesto para reivindicar direitos legais ademais os consagrados na lei magna de Angola, mas não é correcto quando se olha para o exercicio de um direito como se de uma tentativa de “golpe de estado” se tratasse. Julgo e como Mujimbeiro que é o Chefe, devia aproveitar este espaço do seu e nosso Popular, que penso ter estado ao alcance de grande parte da população (a julgar pela sua distribuição gratuita) para apelar aos órgãos de Justiça, de segurança e ordem pública deste país, que a meu ver são sérios, bem como os nossos “queridos” membros do Executivo no sentido de tomarem medidas justas para que se acabe com os protestos desta natureza, dando é claro, o que aos ex-combatentes é devido. O país deve isto a estes homens, muitos perderam a vida, famílias, amigos tios, etc para salvar à Pátria amada.Ao contrário do que vão fazer amanhã no estádio 11 de Novembro. O dinheiro a ser gasto nesta actividade daria, fazendo as contas de forma aleatória, para reduzir a dívidas com estes ex-militares (muitos deles membros de base do partido da situação). Dinheiro não falta, basta olharmos para dimensão das actividades que são organizadas…
Pense nisso, caro Chefe Mujimbeiro!

Agostinho Gayeta

É preciso parar a falta de respeito em relação a estes senhores que se escafiaram na katota para nos defender a todos. Devemos-lhes a nossa solidariedade incondicional. É o mínimo que podemos fazer como reconhecimento.

O Fim da Picada

Posted: June 23, 2012 in Argumentos, Denúncia

Hoje, ao passarmos no Bairro Palanca, mais concretamente nas proximidades do Sanatório, vimos um outdoor que nos deixou perplexos, indignados, receosos, incrédulos.

Afinal, que OUTDOOR é esse que nos provocou todos esses estados e sensações?

As imagens falam por si.

Estimados leitores, esse tipo de mensagem fez parte do período de guerra que nos assolou durante 30 anos. Esse tipo de linguagem pressupõe um estado de guerra ou quase guerra. Esse tipo de linguagem é intimidatória e ofensiva nos tempos de paz. Esse tipo de linguagem, definitivamente, não é recomendável numa democracia emergente. Esse tipo de linguagem não é admissível num país que está há poucos dias das eleições.

Entre muitas das nossas interrogações que surgiram depois de termos visto esse OUTDOOR, estão:

- O que pretende o regime de José Eduardo dos Santos com esse tipo de mensagem?

- Estarão os autores desta acção consciente das implicações desse tipo de mensagem?

- Querem mais uma vez impor aos angolanos a cultura do medo?

O que nós vimos não é normal num país normal. Infelizmente, o nosso país continua tão anormal que ainda temos esse tipo
de mensagem a proliferar por toda a cidade.

Quanto a nós, as coisas estão claras, há uma cambada de criminosos que tomou de assalto a soberania que pertence ao povo angolano. Bob Geldolf tem razão quando diz que Angola é governada por criminosos.

Estamos mal, amigos, estamos mal.

“As ditaduras quando estão no seu fim chegam as ser mais perigosas do que quando estão no princípio”. Estas são palavras que o nosso mano Luamba tem repetido com muita frequência quer em conversas descontraídas entre nós ou nas suas contundentes locuções em rádio.

E quanta verdade elas carregam quando se olha para o caso Angola, JES e MPLA. Esta ditadura cujo fim é inevitável, está a caminhar para a loucura total, a carnificina, a um novo 27 de Maio, a um Pinochet silencioso, etc. se se continuar a encarar as acções por ele perpetrados como simples macabrismo de regimes comunistas e não se apontar o que realmente isto significa, crimes contra a humanidade. Tome o caso do já mencionado 27 de maio, da sexta feira sangrenta, da misteriosa morte do político e matemático Nfulupinga Landu Vitor, do caso do jovem Cherock (morto por monologar uma música proibida pelo regime MPLA), dos jornalistas de emissoras privadas assassinados, dos cabindas que até agora continuam a pagar com suas vidas por pedirem revisão do tratado de Simbulambuku, dos 8 jovens da frescura (mortos sem explicação alguma), dos raptos e violentas agressões de que somos vitimas, enfim, a lista é enorme e talvez infindável. Lembrem-se que tudo isso é feito pelo mesmo regime contra o seu próprio povo.

A situação social, a balbúrdia em que Angola e os angolanos estão submetidos é dos piores crimes contra este povo, pois oferece a cada um de nós uma pena de morte silenciosa. Se não morres por uma bala direta do regime, morres por faltar remédio no hospital para te tratares. Se não morres de fome (já que a maioria dos estômagos já calejou), morres por faltar saneamento básico. Se não morres pelo petróleo, morres pelo pedaço de terra no qual plantaste a tua cabana, etc. E agora, se não morres por nenhum dos motivos mencionados acima, o silêncio deve garantir-te o caixão, se ao contrário ergueres a voz e exigires melhorias da situação, a milícia, o regime estará a sua cola e no que depender deles, estarás morto na mesma!

O país inteiro está refém dos caprichos de um pequeno grupo dominante que desde 1975 não conseguem garantir quase nada com eficiência, excepto a corrupção, o nepotismo, a ditadura, a espoliação, a derramamento de sangue e suas as nefastas consequências.

No fim, isto torna claro que as milícias não são um acaso forçado pelo poder desestabilizador das manifestações (para ditadores), mas um engenhoso plano traçado pelo regime há já um tempo. A atuação impune, a indiferença com que os detentores do poder político demonstram quanto à estes atos hediondos, o silêncio quase que mortal do Presidente da República, a inacção da polícia frente a isto e o contributo dos serviços de telecomunicações que se dizem privados, dão cunho a isto.

Agora com o fim inevitável, há um claro esgotamento das baterias e para o MPLA, nesta altura tudo serve. O novo bastião do regime são as declaradas milícias que o Ministro do Interior, o Comandante Provincial de Luanda e tantas outras autoridades teimam em negar existência. Está assim estabelecida a Nova Ordem Angolana.

A atuação exacerbada desta força criminosa sob cobertor do regime é clara evidência do novo Status quo em Angola. Convido-vos a mais um caricato episódio dos últimos tempos:

Além da vandalização da residência e carro do General Abílio Kamalata Numa na madrugada da passada quinta-feira, 15 de Junho de 2012, um dia depois da comunicação que este enérgico e audaz General fez na rádio Despertar exigindo que “JES se retire do poder”, que “é uma fraude e não pode candidatar-se a Presidente da República nas próximas eleições” e que “o povo tem legitimidade de impedir que isso aconteça através de manifestações que levem a normalização das eleições”. Em resposta, a Nova Ordem Angolana deu azo a sua graça e fez o que bem sabe fazer, VANDALIZAR.

Neste mesmo dia, algumas horas antes o nosso mano Adolfo André Campos fora agredido por indivíduos ligados a milícia ferindo-lhe o rosto que chegou a levar 2 pontos e causando-lhe hematomas e inchação nas restantes partes do corpo pela violência da pancadaria. Um dia antes, o mano Luamba já tinha sido alvo deste mesmo grupo, além da agressão física, este mano viu a sua vida num fio.

Hoje dia 19 de Junho de 2012, o mano Libertador foi incluído nesta lista e o Carbono além de “bisar” na lista, contou com mais um membro de sua família mais próxima incluído, o seu filho. Eis o que diz a mensagem telefónica do número: 926 528 903

“Nem todos os dias são santos escapaste algumas vezes mas recorda-te que o filho do teu amigo Carbono é muito novo e as vezes fica ai a deriva já sei que sevais apanhar aguarda com a tua catana maxado e vai mais a rádio dispertar vai te safar já xtamos aqui ao lado de ti dentro horas vais saber aonde vais e ser” falta texto. Transcreví na íntegra o que dizia a mensagem. Segue abaixo algumas fotos do telefone com a mensagem.

Embora muitos continuem a dar-nos de manipuladores, pessoas que a todo custo querem aparecer, pessoas que estão a procura de protagonismo, nós não temos palavras em resposta, mas de uma coisa temos certeza, a verdade dos factos não se fundamenta, ela vinca por si. Pode tardar entender isso, mas nunca será tarde para a história. A verdade um dia triunfará e a nossa luta vincará.

Mbanza Hamza, o soldado esquecido

Em formato papel e graças ao esforço hercúleo do nosso centraleiro Harvey Madiba, foi posto recentemente a circular um panfleto informativo desdobrável (tipo jornal) nas ruas de Luanda. Para a maior parte dos internautas, nenhuma das notícias será propriamente novidade, mas este projeto é focado essencialmente naquelas pessoas que não têm acesso a estes brinquedos e que, infelizmente, ainda são a VASTA MAIORIA. Congratulamo-nos pois com esta grande iniciativa do mano Harvey e apelamos já a quem queira apoiá-lo nessa empreitada, com sugestões, matérias, foto-reportagens, ou qualquer outra coisa que achem útil, contactem-nos no nosso email: dia7angola@gmail.com

Disponibilizamos para quem queira explorar este primeiro nº do Boletim Central 7311.

Boletim Central7311 (1ªEdição)-Capa

Boletim Central7311 (1ªEdição)

Como já é de conhecimento de todos, os ex-militares voltaram hoje a escolher as ruas como forma de pressionar o governo das promessas vãs a pagar-lhes o que lhes tem sido sistematicamente sonegado desde 1992 quando foram desmobilizados. Os ex-militares não estão cá para conversas de milícias e desatam a biqueirada aos pastores alemães famintos da polícia nacional. Eles deram uma semana ao CEMG do exército para saldar as suas dívidas, depois deste lhes ter pedido um mês. Toleraram uma semana extra e hoje, duas semanas depois, voltaram a mostrar que não vão mais na mesma, velha cantiga do “estamos a resolver, volte amanhã”! Nós, os centraleiros, queremos expressar aqui e sem reservas a nossa total solidariedade com este movimento de cidadãos que defenderam a pátria e a elite corrupta que nos governa a muito custo, perdendo braços, pernas, familiares, amigos e recolhendo traumas próprios do ambiente hostil de uma luta armada, na inocência de estarem a defender o sonho de um país livre. Que hoje as pessoas que os usaram os tenham abandonado à sua própria sorte e que lhes castiguem com a PIR e os seus tanques de água, dos quais o Ministro Sebastião Martins fez questão de se gabar na televisão, é de uma falta de sentido de responsabilidade e humanismo sem precedentes. Tudo tem o seu tempo e o seu prazo de expiração e o deste regime já passou há muito e já fede mais do que um queijo suiço!

VIVA OS EX-MILITARES E VIVA A SUA LUTA PELA DIGNIDADE! ABAIXO OS CARREIRISTAS SANGUINOLENTOS NO PODER!