Um grupo de jovens pertencentes ao Núcleo de Viana (Movimento) subscreveram uma carta endereçada ao Administrador Municipal, Zeca Moreno, pedindo-lhe audiência para abordar os assuntos que mais têm afectado a juventude de Viana. Entre os subscritores está também o jornalista do Club-k, Lucas Pedro. Publicamos aqui a cópia com acusação de recepção na administração. Será que o Administrador os recebe? Cenas dos próximos capítulos…
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Núcleo de Viana pede audiência com Administrador
Posted: April 24, 2013 in A Voz do Povo, Cartas, NotíciasA Voz do Povo XX: Nuno Aires opina sobre estado actual do mercado de trabalho angolano
Posted: April 9, 2013 in A Voz do Povo, ArgumentosPara a vigésima edição da nossa “mini-série” A Voz do Povo, partilhamos convosco um excelente desabafo do mano Nuno Aires no Facebook sobre o estado actual do mercado de trabalho em Luanda. Aconselhamos vivamente a sua leitura. Discorda? Concorda? Comente!
No debate com amigos sobre o estado actual do mercado de trabalho angolano, o meu ponto de vista:
Sinceramente, não acho que seja difícil encontrar angolanos com capacidades, tenho o prazer de conhecer, trabalhar e acima de tudo conviver com Angolanos XEDELAS e uma boa parte subaproveitados pelas entidades empregadoras.
Desculpem por aquilo q defendo, mas estamos neste momento a atravessar um novo processo de colonização, mas desta vez legal. Há uma “importação” de quadros a um nível extremo à falta de necessidade. Não percebo como é que uma empresa que tem como objectivo o lucro, prefere gastar o triplo num salário e outros benefícios num expatriado e num quadro angolano dar uma ninharia de salário e esperar q os dois tenham o mesmo desempenho.
Pergunto-me, não seria mais fácil apostar na formação deste quadro angolano e dar-lhe um melhor salário de forma a sentir-se satisfeito e acima de tudo sentir q deve dar o seu máximo de forma a manter o nível de vida q esse salário o irá proporcionar?
Não seria mais fácil pagar a esse expatriado XPTO a deslocação por 3, 6 meses ou mesmo 1, 2 anos e este formar 10, 20 quadros dessa empresa???Contas Rápidas:
Expatriado – Salário 4, 5, 6, 7.000USD + Passagens + Estadia + Transporte + Seguro + outras regalias= ????
Angolano – Salário 1,2, 3.000USD + seguro (com sorte)
E no final querem que os dois tenham o mesmo rendimento? Dedicação? Sentido de responsabilidade? #BULLSHIT!!!!O turismo se não é 99% está lá perto na mão dos portugueses; a construção civil de igual modo portugueses e brasileiros; banca de igual modo portuguesa; Qual é a necessidade?
(Posso dar N exemplos de quadros angolanos q passaram por essas áreas c competência e q foram completamente abandalhados);Como é que num país aonde MILHARES de pessoas lutam todos os dias de baixo de sol horas e horas a trabalhar para ganhar o seu pão de forma honesta, são catalogados como irresponsáveis q só bebem e não gostam de trabalhar?
Tenho VÁRIOS tios, primos, amigos q fizeram a vida a trabalhar nas obras em Portugal nos anos 90′. Maior parte passou pelas “passas do Algarve” mas ganhavam 200, 300, 400 contos (muitos até mais) e se a memória não me falha, era muito bom dinheiro naquela altura. HOJE pelo mesmo trabalho em Angola as empresas PORTUGUESAS querem pagar 300, 400 usd, oferecem arroz e feijão ao almoço todos dias e querem q eles tenham o mesmo rendimento? Para operar uma escavadora é preciso vir (desculpem-me o extremismo) um BIMBO de igual modo sem estudos, sem formação? Porque não há ninguém em Angola capaz de operar uma máquina?
É incrível como as pessoas querem pagar a um estafeta 200, 300USD mês e depois dão-lhe quantias de 20, 30.000 dólares para transportar todos os dias .. e esperam q seja um anjo e q nunca caia na tentação!
É incrível como as pessoas querem pagar a um caixa de um banco (com ou sem estudos) 700, 800usd e depois põe-lhe MILHÕES nas mãos todos os dias.. e esperam q seja um anjo e q nunca caia na tentação!
É incrível como as pessoas querem pagar a uma doméstica 200, 300, 400usd mês e depois esbanjam todo o luxo lá em casa.. e mais uma vez, esperam q seja um anjo e q nunca caia na tentação!Não há aposta nos quadros angolanos porque quem dita as regras do mercado de trabalhao não são angolanos, são estrangeiros e já é sabido q independentemente da nacionalidade, cada um puxa os seus (nada contra, quem me dera q Angola funcionasse assim). A culpa está nos donos das empresas q buscam somente o lucro e estão-se pouco f****** para a responsabilidade social.
NÃO SOU contra expatriados, ACREDITO que o país precisa de ajuda dos “de fora” mas não nos moldes atuais. Neste momento estamos a alimentar países em crise e todos esses quadros assim q tiverem as suas casas lá fora arrumadas tiram o pé rapidinho e daqui a 10, 15, 20 anos vamos estar a enfrentar o mesmo “problema de falta de quadros”!!!!!”
Este excelente texto do mano Ndalu de Almeida, mais conhecido por Ondjaki, foi publicado na mais recente edição do Novo Jornal, do dia 5 de Abril de 2013. Como é hábito com este escritor de renome, vale mesmo a pena ler. E reler. Publicamos na íntegra:
É com tristeza (no mínimo, vou chamar-lhe tristeza…) que vejo um qualquer angolano ser detido, ameaçado, molestado, porque desejou manifestar-se. Simplesmente “manifestar-se”: mostrar aos outros que em alguma matéria não está de acordo com um outro grupo, cívico ou político. Dizer. Gritar. Escrever num pedaço de cartão ou de pano.
Em nenhuma das manifestações vi ou soube de actos de violência que partissem dos jovens. Na maior parte delas, são impedidos de se manifestarem. Cortam-lhes a voz e os cartazes. São detidos ou afastados do local escolhido. E, ironicamente, algumas vezes até lhes dizem que “não estão detidos”. Pelo menos uma vez, lembro-me, até os retiraram do local por “razões de segurança”. A sua própria segurança.
A isto devemos chamar ironia, destreza, inteligência? Que nome dar a esta estratégia de neutralização de uma manifestação que quase não acontece, que por pouco quase acontecia, que acontece para os media internacionais mas a nível nacional passa despercebida? Que nomes teremos que inventar (ou reinventar) para esta estratégia de anulação daquilo que um grupo de jovens tem para dizer?
E se fosse o exercício contrário? E se quem não os quer escutar se desse ao trabalho de simplesmente escutá-los? E se os deixarem falar?
E se todos os que facilmente lhes atribuem nomes (“bandidos”, “desocupados”, “drogados”, “alienados”, “marionetes”, etc) decidissem simplesmente ler ou ouvir o que estes jovens têm para dizer? E se um debate, sério, nascesse a partir das dúvidas que estes jovens colocam, instauram, e trazem com eles?
É preciso deixarmos de fingir que estes jovens “não sabem o que dizem”. Sabem muito bem. Por mais que nos incomode, por mais que sejam verdades ásperas, por mais que questionem abertamente o poder e o abuso de alguns poderes. É mais fácil fingirmos que são “malucos” e “alienados”. É mais fácil pensarmos que as ideias não são deles, são de algumas forças (mas quais?) externas, politicamente organizadas para manipular um grupo de jovens angolanos, idiotas, que não sabem pensar pela sua própria cabeça. Mas temos que ter muito cuidado, a via “mais fácil” leva, muito frequentemente, ao caminho do engano e da análise superficial.
A grande maioria destes jovens tem demonstrado uma lucidez social e política de grande mérito. Não interessa (por agora) se concordamos ou não. Se “tudo” o que dizem está correcto. Ninguém, em parte alguma do mundo, está correcto em tudo o que diz, em tudo o que afirma politicamente. Mas a estes jovens está a ser negado um tempo de atenção. O tempo de ouvirmos o que vieram para dizer.
Que mais-velhos temos, que mais-velhos somos e seremos, se não soubermos ouvir os mais-novos? Ouvir. Escutar. Prestar atenção àquilo que estes jovens, entre suor e receio, entre audácia e lucidez, escolheram vir a público dizer.
Tenho sérias dúvidas que a nossa sociedade esteja a agir/reagir de modo correcto se tudo o que pretendemos é ignorar, abafar e silenciar estes jovens. Estes ou quaisquer outros. Jovens que têm dúvidas para expôr e para instigar. Assim como todos temos o direito à dúvida (em relação às nossas convicções, em relação às convicções dos outros), todos teremos igualmente o direito à exposição das nossas convicções.Seremos um país melhor quando as pessoas puderem expôr e debater as suas convicções. Ainda que contrárias à corrente. Ainda que susceptíveis de serem atacadas ou apoiadas. Mas que sorte, que orgulho, de termos um país onde os cidadãos, onde os jovens, pensam, reflectem e chegam às suas próprias conclusões. Estas conclusões trazem exigências, reclamações, debates. Parece-me que estamos assim a caminho do futuro. Se é esse realmente o futuro que queremos: democracia, exposição, debate. O direito à convicção tanto quanto o direito à dúvida.
Que sabedoria terão os nossos mais-velhos se não vasculham as suas próprias dúvidas? Que sabedoria tem aquele que já não pode, já não quer escutar? Que sociedade queremos ser, ou vir a ser, se de braços cruzados nos entregarmos ao hábito de não debater as vozes dissonantes?
Desculpem, mas reservo-me o direito à dúvida. De duvidar do que vejo escrito ou dito nas notícias. De duvidar das más intenções daqueles que nem sequer chegaram a expôr as suas intenções. Reservo-me o direito de duvidar da sabedoria dos mais-velhos que não querem escutar, nem ver, nem abraçar os seus mais-novos. Reservo-me o direito de duvidar de um país que duvida dos próprios jovens que educou e que agora pensam de modo próprio. Ainda que dissonante. Ainda que divergente. Ainda que utópico. Reservo-me o direito de duvidar dos mais-velhos que não querem que nos preocupemos com a maioria, e com as condições da maioria. Seria redundante aqui dizer que essa maioria chama-se “povo” e que todos, todos os angolanos sabem perfeitamente em que condições a “maioria do povo” vive ou sobrevive.
É com tristeza que, sendo apenas mais um jovem do meu país, tenho tantas dúvidas em relação a este momento histórico da nossa sociedade. Em vez de celebrarmos o dito progresso, partilhamos uma espécie de receio. Em vez de grito de celebração, temos murmúrios. No lugar da distribuição, temos acumulação. No lugar de um sonho expansivo, temos o pensamento molestado e a auto-censura bem treinada. Não tenho outra coisa na voz que não tristeza.
Para a contrariar (sim, é meu dever pessoal e de cidadão buscar o caminho oposto ao da tristeza…), alimento todos os dias uma esperança. Uma esperança simples, angolana, que me vem de muito longe. Vem, certamente, de outros mais-velhos que conheci, de um outro tempo, de uma outra educação. Mais-velhos que escutam, que se propõem participar dos debates e que nos querem conhecer com o mesmo respeito com que nós a eles nos dirigimos. Porque o rio tem duas margens e a conversa faz-se a duas vozes.
Alimento todos os dias uma esperança quase ridícula, quase utópica, de uma Angola mais justa. Enquanto espero, abraço aqueles que quando vão falar estão preparados para escutar o que o outro terá para dizer. Porque o rio tem duas margens. Porque o futuro é feito da mão de um mais-velho entrelaçada na mão de um mais-novo. Há muitos anos que é assim. É ou era?
Ondjaki, 31 de Março de 2013
Sobre o Dia da Paz: Uma reflexão de Reginaldo Silva
Posted: April 5, 2013 in A Voz do Povo, Argumentos, Dia da Paz, OpiniãoEsta foi, talvez, a melhor reflexão que lemos sobre o dia 4 de Abril, Dia da Paz em Angola. Foi escrita pelo jornalista angolano Reginaldo Silva no seu mural. Transcrevemos na íntegra:
Com tal abordagem não quero de forma alguma dizer ou deixar entender que Angola não conquistou a paz, ou que Angola não vive em Paz.
Nada disso.
Quando falo da Derrota da Guerra versus Vitória da Paz estou a falar da paz como cultura política (como modus vivendi/modus faciendi) estabelecida a todos os níveis da sociedade e assumida por cada um de nós, não importa o poleiro em que se encontra.
É esta vitória que tenho “desconseguido” de celebrar no 4 de Abril, desde que ele entrou para a nossa história.Como devem imaginar não posso celebrar uma coisa que os meus olhos não exergam, que eu não sinto no dia a dia e sobretudo em alguns relacionamentos quer pessoais, quer institucionais, por mais que o discurso me tente convencer do contrário ou por mais bandeiras gigantescas que se icem nos mastros deste país.
Estou a tentar aqui fazer uma abordagem estrutural da nossa sociedade, que continua em meu entender a ser dominada/gerida pela Cultura do Medo, da Ameaça e da Mordaça.
A ameaça já foi mais aberta e mais violenta, mas continua por aí a dar notícias muito preocupantes, como foi esta última da absolvição pelo Tribunal Supremo dos condenados no “caso Frescura”.
A mordaça já foi total, tendo sido agora substituída por pessoas que falam muito mas que dizem toda a mesma coisa em tons diferentes, mas sempre convergentes.
O medo continua bem presente, sobretudo o medo invisível das consequências, das retaliações, das despromoções, dos azares que nos podem acontecer a qualquer altura sem sabermos bem como nem porquê.
É este medo que continua a ser um dos grandes instrumentos da política feita por alguns níveis do sistema pela via da inércia, pois sabem que o condicionamento psicológico do passado ainda não desapareceu. É claramente a utilização do reflexo de Pavlov.
Um exemplo típico desta cultura é o elogio da coragem.Por tudo e por quase nada, tendo em conta que formalmente já vivemos num Estado Democrático de Direito, as pessoas são elogiadas pelos seus próximos ou por desconhecidos, por terem tido a coragem de publicamente manifestar ou defender uma determinada posição que supostamente não é muito simpática aos olhos do poder instituído ou de alguém mais poderoso da sociedade, seja lá quem for.
Já não devia ser tão “normal” este elogio, onze anos depois das armas se terem calado.
Qual é a necessidade de coragem para afirmarmos valores tão pacíficos como a diferença ou a divergência?
Mas se o cidadão comum acha que é preciso coragem, então ele deve ter alguma razão para assim pensar.
Por mim acho que quem pensa assim, sabe bem porque é que ainda é necessário ter coragem neste país para sermos apenas cidadãos livres, passe a redundância.
Por tudo isto e por muito mais no meu calendário pessoal o 4 de Abril vai ter de aguardar por mais algum tempo, até que eu consiga celebrá-lo conforme gostaria.
Tenho a esperança que este ano vai chegar.
O Grito de Ipiranga do General Paka
Posted: March 28, 2013 in A Voz do Povo, Bengo, Direitos Humanos, NotíciasO General Pacavira Mendes de Carvalho, também conhecido como General Paka e no Facebook como “Os Conselhos do General”, tem-nos sido uma voz amiga e conselheira desde os primeiros passos tímidos da nossa actividade. Apreciamos nele a frontalidade e a abertura de mente. Quem ler esta entrevista que o General concedeu ao Semanário Agora perceberá porquê. Apesar de não concordamos em todos os pontos, em especial o que o mesmo diz sobre o caso que envolve a actual esposa do falecido Agostinho Neto, bebemos muita sabedoria deste senhor e sabemos que a discórdia me harmonia é um dos muitos trunfos da democracia. Sem mais rodeios:
Não Luto contra pessoas, mas contra sistemas que contrariam os ideias do MPLA”
Os jovens protestam contra as politicas do regime, utilizando nas suas estratégias métodos e estilos de luta que, em determinadas ocasiões, lesam interesses políticos. Mas o executivo não deve fugir dessa realidade. Pelo contrário, deverá resolver este assunto tendo como base o diálogo
Pacavira Mendes de Carvalho ou simplesmente “Pakas” é um General do exército e um dos poucos militantes do MPLA a dar a cara e a voz aquando da criação do movimento Revolucionário, constituído por um grupo de jovens que ousaram contestar as politicas sociais do então governo, desafiando por meio de manifestações, os órgãos de soberania. De entre as reclamações, o oficial general reformado reclama, em nome da família, o busto do seu tio José Mendes de Carvalho “Hoji–ya-Henda” que, durante a gestão do partido único foi afixado num pedestal nas imediações da cidade alta, mais concretamente, no jardim defronte ao local onde foi edificado o palácio da Justiça, proximidades do Ministério da defesa. Eis na íntegra a entrevista que concedeu aos nossos jornalistas, Ereneu Máquina e Júlio Gomes.
Como avalia o actual momento político e económico do País?
Muito Mal! A nossa juventude, enquanto força motriz da sociedade, está doente. Grande parte desta franja está desempregada. A educação está cada vez mais débil, a saúde não tem politicas concretas, as assimetrias entre as províncias do interior e do litoral sobem a casa dia que passa. Tudo isso não nos permite avaliar ou fazer um bom balanço sobre as politicas económicas durante as últimos 12 anos. A solução destes problemas passa pelo surgimento de novas visões e novos cérebros.
O General “Miau”, seu irmão mais velho, é um dos líderes de uma das formações mais activas da oposição as politicas apresentadas na assembleia pelo seu partido MPLA. A vossa relação continua sólida depois da decisão tomada por ele de fazer outro percurso político.
A minha família possui um carácter conciliador e democrático. Somos contra os comportamentos e atitudes extremistas e radicais. Por outro lado, em África, família é família, política é política e uma coisa não se confunde com outra. É assim que aprendemos com os nossos ancestrais. Desde que não lesem os interessem públicos ou familiares, todos são livre de materializar os seu ideais. Gosto muito do meu irmão “Miau”. Desde criança que evidenciou vontade de ser político. Foi activo combatente contra o colonialismo Português. Em 1974 era Suboficial do exercito Português em Cabinda. Muitos invejam-no por ser muito versátil, clarividente, acérrimo defensor dos seus ideais e , não aceita ser um “ pau mandado”. Tenho a certeza de que por Angola, ele dará grande contribuição no parlamento , para solução dos problemas do povo. Nós actuamos como os irmãos Kaczynski na Polónia, onde, apesar de que eram gémeos ( o que não é o nosso caso) um era primeiro ministro e o outro era Presidente. Mas, apesar disso, davam-se muito bem. Cada um a defender os interesses com que se identificava, mesmo criando amargos de boca. Na família somos todos unidos.
Nas vestes de empresário acha que o executivo tem feito o suficiente para o surgimento de uma classe sólida de homens empreendedores no pais?
Não! Estão a pensar curto e sem a visão correcta para o desenvolvimento de Angola. Julgam que um povo nu e faminto manter-se-á para sempre impávido.
O OGE para 2013 diz-lhe alguma coisa?
O nosso calcanhar de Aquiles continua sendo a Saúde e a Educação. Acho que devemos pensar em reduzir as despesas com a Defesa reforçar esses sectores.
Os partidos da oposição voltaram contra, terão eles alguma razão, visto que o “bolo” orçamental deste ano foi o maior até que aprovado na assembleia?
Se as visões deles, assim aconselharam, acho correcto o posicionamento. As fontes de formação e as de informação são dispares. São visões de escolas diferentes.
Tem propostas concretas?
Acho que o Executivo deve dar maiores oportunidades as famílias, para que no âmbito do empreendedorismo comecem a participar no crescimento e desenvolvimento da economia. Devem acreditar no empresariado nacional, dando-lhes oportunidades sobretudo no que diz respeito aos acesso aos créditos bancários. Neste pais, os estrangeiros prosperam, não só pela sabedoria, mas pelas oportunidades que lhe são dadas.
Icolo e Bengo está a crescer?
Não! Basta ver a quantidade de capim a beira da estrada, desde Viana a Catete. O Atraso é uma realidade.
Tem propostas de solução para o problema da pobreza e miséria em Angola?
Claro que tenho! É preciso, primeiro acabar com os comerciantes – governantes. Isto é, de dia são governantes e de noite são altos comerciantes, que aos invés de governarem, desgovernam todos os sectores da vida nacional, para esvaziarem os cofres do Estado, proibir as instituições governamentais de decidirem e executarem politicas não autorizadas pela assembleia Nacional; tornar imparciais os tribunais e não mante-los cativos ou ligados ao poder político; exigir rigorosa sindicância a gestão do governo ; exigir, especialmente ao tribunal de contas, a apresentação do relatório e contas; elevar a qualidade do sistema de Educação e Ensino, tornando os quadros angolanos competitivos no mercado nacional e internacional; evitar a criação oportunista de planos enganosos de desenvolvimento económico, tais como o bué e outros micro créditos, que servem tão somente para roubar dinheiro.
Nas redes sociais actua como conselheiro por via da coluna “ os conselhos do General “. Qual o verdadeiro objectivo.
Já lutei contra o colonialismo português, já militei no MPLA, desde muito jovem. Aderi à guerrilha do MPLA nas 2ª, 3ª e 4ª região político-Militar, ui quadro sénior do ministério da Defesa, onde exerci funções diversas na esfera política e partidária. Fui soldado e General. Passei para a história a minha relação intelectual e física. Penso que chegou o momento de entregar as rédeas da liderança aos mais jovens e, para tal, vejo-me na obrigação de transmitir-lhes todas as experiencias que adquiri ao longo dos anos.
Qual a sua relação com a juventude revolucionária, os cognominados “Revús”? Faz dois anos que eles apareceram em cena e o senhor foi das poucas pessoas de proa do MPLA que “deu” a cara em defesa deles. Nunca temeu represálias do seu partido?
Acho-os muito corajosos e audazes. Precisam desenvolver as suas acções melhorando as suas visões, e necessitam de aconselhamento de adultos honestos com elevado espírito de patriotismo, fraternidade, paternidade e solidariedade, perante o processo da luta contra a corrupção , factor de desestabilização económica, política e social em Angola. Nós, os adultos, lutamos contra o colonialismo, precisamente pelas mesmas causas mas, em contextos diferentes. Estou a falar da má qualidade do ensino no País, poucas oportunidades de trabalho para a juventude e não só. Se reparar, à juventude hoje não lhe é permitida concorrer em pé de igualdade com estrangeiros no seu próprio país e, em consequência disto, eles rebelam-se reivindicando aquilo que lhes é negado.
É por essa razão que os jovens protestam contra as politicas de regime, utilizando nas suas estratégias métodos e estilos de luta que, em determinadas ocasiões, lesam interesses públicos. Mas o Executivo não deve fugir a essa realidade. Pelo contrario, deverá resolver este assunto tendo como base o dialogo. Porque só conversando é que os homens se entendem. Só conversando é que os governantes poderão ter a percepção real dos anseios desses jovens. Infelizmente, temos vindo a assistir o contrario. Porrada por cima dos miúdos. Vale lembrar aqui que os colonos prenderam-nos, mataram-nos, impediram o nosso desenvolvimento, mas isso não adormeceu as nossas forças. Pelo contrário, criou em nós o sentimento patriótico de luta pela independência. E nós, enquanto governantes, estamos a repetir praticamente a mesma coisa. E estamos a faze-lo contra os nossos filhos. Esta forma de atuação contra os que reivindicam os seu direitos, é semelhante ao estilo e métodos utilizado pelo colonialista. Por isso, o executivo deve mudar a forma de agir. Tentar aproximar-se para saber dos jovens o que constitui o verdadeiro problema que os apoquenta.
Mas hoje são que nem “animais em vias de extinção”. Foram resolvidos os problemas e adormeceram ou estão ainda em hibernação?
Os “Revús” jamais entraram em extinção. Pelo contrário, quanto mais porrada, maior será a adesão dos jovens. A miséria é grande, a falta de oportunidade é elevadíssima e já não respeita as cores partidárias. Mais de 90 % da JMPLA também não estão comtemplados na distribuição. Entretanto obcecados como estão, batem muitas palmas e não recebem nada. Quando despertarem do sono enganador do futuro risonho, isto é (tempo perdido + falta de oportunidade ¸ 1 = 0) entrarão em pânico e tornar-se-ão tão ou mais “revús” que os actuais. O executivo deve proibir os partidos políticos do exercício de todo tipo de manipulação política dos jovens, com vista a torna-los joguetes dos seu oportunismos. Os jovens são propriedade do estado angolano e não joguetes dos partidos políticos que os tornam marionetas das suas oportunidades. Digo isso porque o pais precisa de bons cidadãos, de cidadãos unidos e participativos. Os jovens devem ser educados de forma uniforme à luz de leis credíveis do pais e nunca formatados à base de ideologias discriminatórias.
Essa sua ousadia “contestatária” já lhe valeu alguns amargos de boca?
Os meus avós, quando jovens, cumpriram castigos dados pelos colonialistas portugueses. Há mais de 200 anos que a minha família exerce ativismo cívico. O meu Pai cumpriu 10 anos de cadeia no Tarrafal, Cabo Verde, dezenas de familiares meus morreram em 1961, durante os massacres levados a cabo por colonialistas. Os meus parentes, como por exemplo “ Hoji-ya-Henda”, Deolinda Rodrigues e outros anónimos, morreram assassinados por forças retrogradas e reacionárias. Eu sou apenas mais uma combatente que seguirá as suas obras, ainda que, para tal tenha de derramar o meu sangue. Não luto contra pessoas, mas sim contra sistemas que contrariam os ideias do MPLA: de Pinto de Andrade a Viriato da Cruz, de Matias Miguéis, de Agostinho Neto e de tantos outros. Sou constantemente insultado por alguns parasitas de sistema. Todavia, e, em consciência, sigo a minha marcha triunfal rumo a liberdade. Nada me deterá.
Comenta-se que se sente vilipendiado pela estrutura partidária em Icolo e Bengo, situação que o levou a escrever uma carta ao Presidente da República. Já obteve resposta?
Sou contra extremismos político, porque o radicalismo em termos de carácter não tem valor. Sou moderado e conciliador. Constituo um ponto de equilibro de forças onde haja respeito pelas diferenças. Não sou doutor. Sou apenas um individuo com experiencia. Tenho uma biblioteca com mais de 3 000 livros, com maior pendor para os da natureza política, economia, artes militares e policial e história. Milito num CAP – Comité de acção de Catete, sou membro do comité e da comissão executiva do MPLA, fui membro do comité provincial do partido do Bengo até à conferencia do parido realizada para a desanexação dos municípios de Icolo-e-Bengo e Quissama. Os primeiro e segundo secretários do comité municipal são indivíduos com praticas antissociais e condutas pouco cívicas e improprias para militantes de um partido como o MPLA. Ao longo destes anos de militância, têm sido reprendidos por mim, devido as suas más conduta politicas, partidárias e cívicas, factores que os enfurecem. E isto fez com que me encarassem como inimigo mortal e alvo a abater.
Outro factor que está na base das discórdias contra mim é o facto de ser irmão d Almirante André Gaspar Mendes de Carvalho “Miau”, que é um dos líderes da coligação Ampla de Salvação de Angola (CASA-CE), embora seja do conhecimento de toga a gente que eu não sou dessa coligação. Aproveitaram-se desse facto para exercerem uma campanha d difamação contra mim, dizendo que também pertenço a esta força política. Face a toda esta intolerância política, decidi não mais rever-me nas suas lideranças. Perante estas atitudes de intolerância política, fiz recurso ao ministério Público e ao Bureau político do MPLA, a fim de que fosse reposta a verdade e os infractores fossem “punidos”. O meu bom nome e o da minha família não devem ser beliscados por oportunistas que nem sequer são do MPLA. Entretanto, continuo a aguardar as respostas destas instancias.
Em certos círculos do MPLA é rotulado como muito próximo de figuras da oposição. Tem os terminais telefónicos e fala regularmente com Abel Chivukuvuku, Samakuva ou Justino Pinto de Andrade?
Eu sou angolano, os meus avós e os meus Pais já pertenciam à classe média. Entre os autóctones já fazíamos muita diferença na época colonial. Não sou um “Kaluanda”. Vivi em muitas províncias onde, pela graça de Deus, conheci muitos desses compatriotas. Uns nas escolas e outros na vida social. Tratamo-nos muitas das vezes como primos, tios, avôs etc. Tenho os números telefónicos de todos e, esporadicamente, encontramo-nos e conversamos.
Marcolino Moco diz-lhe alguma coisa?
Foi meu colega do partido. Ele é um cidadão como qualquer outro. É um cidadão de Angola e não do MPLA. Ele também contribui para a estruturação do partido e dos órgãos do poder. O que eu acho é que ele está apenas a seguir os impulsos da sia própria consciência. Admiro-o e concordo com o seu posicionamento.
Começou o julgamento de Maria Eugenia Neto, viúva do primeiro Presidente de Angola. Quer comentar?
Já afirmei que não devem julgar Neto pelo 27 de Maio. Neto dirigia o executivo, onde muitas figuras de “proa” da actualidade faziam parte e, tem tanta ou mais responsabilidade pelos crimes praticados na ocasião. A ignorância de muitos cegou-lhes e, quando se deram conta do crime praticado já era tarde. Lamentavelmente, Maria Eugénia Neto está a enfrentar este assunto sozinha, quando, em minha opinião, está é uma matéria de todo o estado. Maria Eugénia Neto representa o ícone máximo de Angola que está a ser vilipendiado por criminosos políticos internacionais. Mas a questão agora é saber se Neto tem ou não direito a defesa. Será que foi assim tão malvado para os Angolanos? Estes “vivo” e os “vivaços” que hoje estão a viver graças a sabedoria de Neto, não sentem remorsos nem vergonha por este ataque contra a sua viúva? Agora entendo as razões da ausência de Neto nos programas de Ensino, da História de Angola.
Quando a integridade moral da PGR de Angola é posta em causa em Portugal, acha normal?
Eu sou irmão do João Maria de Sousa. É proibido atacarmos a família mas, a ser verdade o que se diz, é muito grave para o país. Vamos aguardar a clareza deste assunto.
Como avalia o desempenho do seu confrade General Pedro Neto, a frente da federação Angolana de Futebol?
Acho que tanto ele como outros generais como França Ndalu e Pitagrós que também estão ou estiveram ligados ao dirigismo desportivo, renderiam mais a realizarem trabalho de educação patriótica no seio das camadas mais jovens, do que no futebol. Deveriam ganhar tempo com a discussão sobre a ausência da disciplina de História de Angola, nos currículos do ensino de base, motivo que está a desorientar as crianças e jovens sobre as suas essências, do que estarem no futebol, Jogar à bola nos anos 50, 60, 70 não é igual a jogar a bola hoje. O meu neto chama-se Juan Cavaleiro, é júnior titular no Benfica de Portugal. Esteve no País em digressão com o Benfica, jogaram com as equipas angolanas, que foram “Tozadas” por 4-0 e 5-1. Segundo ele, no seu clube estuda com programas invejáveis de ensino, como o Play Techn. Repare no que aconteceu; participaram no ultimo can e gastaram 9 milhões de dólares para sermos “tozados” devido a má prestação. Mas foi devido à falta de visão, ou do “trungungo” de ganhar dinheiro facilmente. Cabo Verde gastou 800 mil dólares e só não chegou a final por batota. Hoje gozam connosco dizendo “cachupa de Cabo Verde agora tem de levar carne de palanca”.
Os malabarismos da política não servem para o futebol, ou qualquer outra modalidade desportiva. A faixa etária para dirigirem as federações é entre os 30 a 40 anos. Estão mais próximos da realidade, sem pretender chamar velho a ninguém.
Alguns sectores da sociedade dizem que Angola já investiu mais em Portugal que no Bengo, Moxico e Lundas em conjunto desde o fim da guerra. Qual é a sua opinião em relação aos negócios ou cooperação entre Angola e Portugal?
É real. Li um livro de Joaquim Louçã com titulo “Os mais ricos de Portugal” e fiquei arrepiado quando vi a fotografia do meu chefe e da sua filha. A filha do meu chefe é tida como uma das mulheres mais ricas do mundo. De onde saiu está “massa” eu não sei. Sinto-me defraudado perante a contribuição que dei a pátria de forma desinteressada. Sinto-me defraudado quando viajo pelo meu território e só vejo casa de capim e de Pau a Pique e poucas ou quase nenhumas oportunidades há para os filhos daqueles que nelas vivem.
Em Angola existe moral suficiente para resolver os problemas do povo tal como Neto disse? Ainda não! Também sabemos que há entre nós alguns dirigentes ligados ao crime organizado. Estes é que são insensíveis aos problemas do povo.
Falando da Moral social, acha que as igrejas estão a fazer o seu papel?
Estão, mas com alguns erros à mistura. Entretanto, são as trincheiras para a estabilidade espiritual dos sofredores. Congregam mais de 80% da população, face à falência da política governativa no domínio social, no que tange à redução da pobreza e da miséria. Repare por exemplo no grande exemplo de humildade que o Papa deu ao mundo, ao colocar o seu cargo à disposição quando se sentiu incapaz de continuar à frente dos destinos da igreja. Significa que o capricho dos homens nunca se deve sobrepor aos anseios da maioria. Grandes nacionalistas africanos como Julius Nyerere, Chissano, Nelson Mandela e tantos outros servem de inspiração. E o papa demonstrou isso mesmo. Apesar de tantos problemas que a igreja vive, não precisou de ser escorraçado das sumptuosas mansões do pontifício, por teimosia ou “ gana “ de não querer devolver o que lhe confiaram por tempo determinado. Na verdade os angolanos deveriam tirar desse feito do Papa uma lição.
No próximo mês de Abril completar-se-ão 11 anos desde o fim da guerra e em Novembro, trinta e oito anos de independência . Acha que o país já se reconciliou na sua plenitude?
Ainda não. Até aqui, as cores das bandeiras partidárias estão a falar mais alto. Se os partidos são constituídos à luz da lei, eles devem respeitar essas leis mas, infelizmente, não é assim que está a acontecer no nosso país. Eles estão a dividir a jovem sociedade angolana com discursos bombásticos. Qualquer dia isso há-de acabar e então todos os que tentaram fazer de Angola um instrumento para seu próprio proveito, deverão ser responsabilizados criminalmente.
Comemora-se também em Abril o dia da Juventude. Acha que os jovens de hoje têm garra para liderar o País?
Os jovens constituem sempre a franja mais importante de qualquer sociedade. São considerados a força motriz da sociedade e os propulsores do desenvolvimento político e económico de qualquer pais. Apesar das discrepâncias existentes, são-lhes reservados os direitos de liderança. Há muitos jovens capazes de fazerem algo melhor. O meu tio “Zeca”, vulgarmente conhecido por Hoji-ya-Henda, resistiu. Os actuais dirigentes da sociedade angolana foram educados a seguirem os exemplos de bravura e honestidade, abnegação assim como o espírito de sacrifício demonstrado por Hoji-ya-Henda.
O que diz a sua família em relação ao busto de “ Hoji-ya-Henda” que se encontrava próximo do local onde foi instalado o Palácio de justiça?
Agradecemos muito se nos devolverem o busto, já que as suas ossadas permanecerão eternamente em Karipande. Achamos que os Tchokwes (lá no Moxico), não se importam com isso. Mas nós precisamos comemorar efusivamente este 14 de Abril.
A Voz do Povo XIX: Casa no Kilamba, paguei e não me deram chave!
Posted: March 11, 2013 in A Voz do Povo, Corrupção, Denúncia, Direitos Humanos, LuandaRetirámos este comentário desta notícia no club-k, cujo título é: “Ameaças de abrandamento da China e de sucessão política pairam sobre economia angolana”. Trata-se de um “feliz contemplado” com uma casa no Kilamba que cumpriu a preceito com a sua parte do acordo, apenas para ver a SONIP seguir impune sem cumprir a sua. Segue na íntegra:
A DURA REALIDADE, o sonho da casa própria leva-me a sacrifícios, porque ansiedade mata nossos corações. No acto de inscrição as quatro lojas do KILAMBA com identificação externa de DELTA. Opção de escolha e por gostar da cor verde, passei dia 31 de Janeiro até dia 5 de Fevereiro em noites claras para conseguir o primeiro lugar da enorme fila de mais de trezentas pessoas. Graças a DEUS entrei nas primeiras DOZE PESSOAS SELECIONADAS NA FILA. Como homem e bem educado, já no interior da loja dei prioridade as mulheres, sendo a SÉTIMA pessoa registada. Segundo o funcionário ou promotor tinha CINCO dias para depositar o valor, e esperar DUAS semanas para receber as CHAVES. Por volta das ONZE HORAS DO DIA 5 DE FEVEREIRO fiz entrega como a primeira pessoa ou cliente o justificativo do Banco BAI. Passaram TRINTA E QUATRO DIAS e a SONIP não presta qualquer esclarecimento, apenas devem aguardar SMS da SONIP no telemóvel. CORRUPTOS”
Assinado: PAI GRANDE
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Arte mural em Cacuaco: primeiros passos
Posted: December 18, 2012 in A Voz do Povo, Denúncia, Direitos, Direitos Humanos, FotosNo seguimento do post anterior, aqui vão mais algumas imagens recolhidas em Cacuaco.
Um rasta africano entoando um cliché: Viva África! Não é o graffiti mais lindo do mundo, mas o que interessa é começar!
Este graffiti é uma homenagem às vítimas dos desmaios ATÉ HOJE por esclarecer, como podem ver na mensagem mais legível no canto inferior esquerdo.
Fotos por Kara Pito
Quando a arte e o activismo se fundem – Kara Pito
Posted: December 18, 2012 in A Voz do Povo, Argumentos, Fotos, LuandaCacuaco, via-expresso. Sepulcro de dezenas de anónimos infelizes que são semanalmente atropelados, encontrando-se prematuramente com a dona morte, implacável na sua ceifa.
Há alguns meses atrás, fartos de receber notícias de cidadãos mortos nessa via, alguns jovens tiveram a iniciativa de fazer o mais modesto dos gestos para expiar de algum modo a sua impotência, fermentando a sua raiva interior: pixar!
Facto: pouco tempo após ter sido pintado este recado na parede, olhem a Odebrecht a instalar a dita cuja ponte, a escassos metros do local da reivindicação!
Coincidência? Já estava planeado? A mensagem não teve influência nenhuma?
É possível, mas acho que nunca vamos ter a certeza e a sensação que nos fica e nos alegra, é que SIM, a exposição pública dessa gente faz com que ganhem um pouco de vergonha e decidam TRABALHAR um mínimo para variar.
A verdade é que a ponte está a ser montada DEPOIS da mensagem ter sido escrita.
E agora? Que tal isso virar moda? Pode ser que esta seja a maneira de dialogar com os nossos governantes: por-lhes as tangas à mostra!
Acelera 32 é muito
Posted: December 4, 2012 in A Voz do Povo, CIDADAO EM PROTESTO PERMANENTE, Estiguem o Imperador, Fotos, HumorEnquanto a maioria borra-se toda de sequer colocar um “gosto” ou “partilhar” com o seu ciclo de amigos informações reveladoras do estado do país em que (sobre)vivemos, outros desafiam os seus próprios temores diária e publicamente de forma destemida, tornando a luta pela democracia um MODO DE VIDA.
Grande abraço ao Centraleiro Fábio Sebastião, por circular pelas ruas de Luanda com a frase mais controversa dos últimos dois anos, arriscando-se a sofrer por isso represálias vigorosas. ARTIVISTA!












