Archive for the ‘A Voz do Povo’ Category

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Acerca da greve na clínica Girassol fizemos três posts na nossa conta de facebook e um deles incluía um texto redigido pelos funcionários grevistas.

A greve continua e vai agora no seu 7º dia e o texto voltou a ser relevante pois agora a entidade patronal pronunciou-se e, como não é de todo invulgar, com a pior das atitudes. Abaixo partilhamos o texto dos grevistas e a resposta dos “chefes”.

Clinica Girassol GREVE Sapo.ao.2

“Vimos por meio desta fazer uma narração de uma forma resumida e objectiva da história das referidas empresas na clínica girassol.

Sendo a clínica girassol uma subsidiaria da Sonangol EP que tem como actividade principal a prestação de serviço na área da saúde, e havendo a necessidade de criar o seu quadro de pessoal contrataram a empresa Excelmed para o devido recrutamento e selecção.

Tendo o seu inicio no dia 01 de Abril de 2008, isso após um processo rigoroso de selecção de pessoal que envolveu profissionais estrangeiros para a formação dos quadros da clínica, na qual teve o tempo de duração de 5 meses até a data da sua inauguração aos 04 de Setembro de 2008. Após esse período surge mais uma segunda empresa denominada Angola-ffshore, e chegando o momento de assinatura dos contrato de trabalho os candidatos para a área da saúde assinaram com a Excelmed e os restantes com a Angolao-ffshore tendo ambas empresas o objectivo inicial apenas o recrutamento do pessoal.

Começamos por assinar um contrato de estágio e depois para determinado renovando anualmente com promessas e esperança da efectividade para a Sonangol.

Passado 3 anos isso no de 2011 , ocorrendo uma mudança da Comissão Executiva da Clínica girassol, surgiram junto vários despachos dentro os quais a “ Implementação do qualificador de Funções, remunerações e benefícios das subsidiarias da Sonangol EP “ anunciando melhorias das condições dos seus colaboradores nomeadamente nos referidos despachos incluindo os colaboradores da Excelmed e Offshore, feito e assinado pelo o actual Presidente da Comissão Executiva da Girassol conforme os documentos em anexo.

6 anos se passaram e nada se cumpriu, pelo o contrario as nossas condições foram piorando, reduzindo ainda no pouco que nos resta de forma tão brutal e desumana, surgiram pessoas das suas conveniências que gozam de melhores condições e a serem efectivados em tão pouco tempo de trabalho sem sabermos quais os critérios para as referidas efectivações que são feitas em clandestino, e alguns colaboradores considerados chaves foram absorvidos a assinarem o contrato de cedência de passagem para trabalhadores girassol.

Os pioneiros desta historia que deixaram outros empregos, penalizaram os seus estudos para apostarem neste grande negocio actualmente são banalizados, desconsiderados, explorados sem nem um reconhecimento de tudo que fizeram para elevar o nome da Clínica.

É com muito dor e tristeza que narramos essa história na qual vivemos no passado e vivemos até hoje, na esperança de termos a oportunidade de poder mudar o seu triste cenário para um final feliz, e batermos no peito dizendo “vencemos e gozamos o merecido”.”

As ameaças da Angola Offshore/ExcelMed

Clinica Girassol AMEAÇA Excelmed 01 Clinica Girassol AMEAÇA Excelmed 02

Os que vêem além de olhar

Posted: February 18, 2014 in A Voz do Povo, Argumentos

Como podes ter tu tanto e olhar para a tua volta e só ver pobreza? Não! Tu… tu não vês pobreza, tu não andas pelas mesmas ruas que eu ando, não apanhas os mesmos candongueiros que eu apanho, eu disse os mesmos candongueiros… e acabo de lembrar que tu não os apanhas. Tu certamente és daqueles que diz que o teu país evolui, que alcançamos uma economia invejável, que o nível do PIB aumentou de 1, 5 à 100, 1000 -não olhes para mim, que eu não entendo de economia, meu negócio são seres humanos. Mas em relação às ruas por onde eu passo? Acho q não acompanham o nível dessa vossa tal “economia invejável”. E as crianças -que são quem mais me preocupam- que eu vejo ganharem o sonho de serem policiais, não mais para defender o povo, mas para “michar uma massa no ‘draivá’ ou no cobele”!? já agora: sabes o que é um cobele? Ou só sabes de Angola aquilo que vês? Ou ainda só vês aquilo que te interessa nesse teu mundo onde tudo é cor de rosa? Deverias saber que Angola são as fotos que eu vou postar no mesmo aqui e não só as tuas casas na ilha do mussulo, em Paris, em Londres, em Veneza (tens também uma mansão lá, não tens?), ops! Não tens uma simples casa, tens mansão, desculpe não ter acertado a primeira. Ahammmm, mas tu ajudas crianças carentes não é!? Ah tá, “vai-te foder”, porque ainda tens a ousadia de pedir doações à pessoas mais pobres do que tu (mais pobres não, menos ricas, porque vocês estão longe de saber o que é pobreza) e depois postas fotos para mostrar que és uma pessoa solidária. E depois realmente dormes a pensar que o és… perante nós que vivemos a realidade de Angola todos os dias, tu não passas de um aparecedorzito, porque aquelas crianças podiam ter bem mais do que aquilo, e se tivessem o subsídio vindo do petróleo que os teus progenitores usam para que vivas as vidas largas que vives, elas não precisariam de ti, seu pseudo-filantropo. Reparaste que eu não escrevo mal? Certamente não tive insucesso escolar como andam por aí a dizer dos que falam o que pensam, e se queres saber, até tenho um trabalho que amo, pena ter de acordar tão cedo, apanhar o engarrafamento causado pelos buracos e pela falta de vias alternativas , porque o dinheiro das tais taxas de circulação vão para arranjar as estradas onde tu passas, e que se lixem as do meu bairro que dariam óptimas vias secundárias e descentralizava os caminhos por onde passamos todos nós que não temos a mesma vida que tu. E acredites tu ou não, eu não sou daquelas extremistas que toma partidos, estou apenas do lado que sofre injustiça, nem que um dia venhas a ser tu. Depois vocês vão chamar à todos os que têm a ousadia de reclamar pelos seus direitos, de frustrados… E num país tão sério como Angola, é assim que falamos e tratamos os nossos jovens, quando notamos que as maratonas que proporcionamos a eles, não foram suficiente para formatá-los. IMG3
Pois saibam que entre nós, jovens angolanos, há quem pense além do dia de hoje e das bebedeiras. Há aqueles que querem o progresso de Angola, há aqueles que querem realmente criar, inventar e desenvolver o país. E a única frustração desses jovens, é saber que pessoas como tu, vivem a vida que tu vives com o dinheiro que é de todo o Angolano e não só vosso, seus bando de filhos da mãe!!!!

Dionilde Costa

Tirado do mural de facebook de um utilizador que ali se chama “Steven Lincoln” e trata-se de um relato detalhado do calvário que teve de passar para conseguir tratar do seu BI. Vamos respeitar a integridade do relato e mantê-lo tal qual foi redigido pelo autor.

É mais simples tratar deste BI do que daquele emitido pelos serviços de identificação

É mais simples tratar deste BI do que daquele emitido pelos serviços de identificação

“Por volta das 23h de ontém, fui ao Posto de Identificaçao da minha Zona, que fica a 1,8kms da casa do meu Avô. E posto lá, pus-me a falar com o segurança sobre a hora que deveria chegar para ser um dos primeiros. O segurança disse-me que a partir das 3H, 3h40 ja começam aparecer as pessoas. Entao implorei que colocasse o meu nome na lista visto que ja estava ali.

Por volta das 4h30, eu ja estva acordado e 5h03 minutos quando cheguei ao local ja encontrei perto de 50 pessoas. O segurança pediu-me entao que continuasse a fazer inscriçao dos que vinham aos poucos. E aos poucos a amanhecer, o numero foi crescendo. Antes mesmo das 8horas, ja estavamos em 137 pessoas.

As 7h50, o chefe do Posto( que para o meu espanto era meu amigo), foi o primeiro a aparecer e abriu logo as porto e demais funcionários foram aparecendo.
Dei a lista ao funcionário responsável pelo atendimento Externo e este fez questao de nos esclarecer que por razoes de por ordem de chegada, atenderiam primeiro os suplentes da lista do dia anterior, portanto 2-Feira( que eram ja 52 pessoas) e que, da lista de hoje, tirariam 91 individuos.

E o trabalho deles começou por volta das 8h10. Deu-se prioridade as senhoras com bebés, idosos, diminuídos físicos e alguns idosos. Depois de terem atendido toda essa gente + os da lista anterior, foi a minha de entregar o documento para análise.

As 11h passei para outro lado onde aguardava para tratar o GOLDEN B.I( fazer foto, tirar impressao e assinar)…outra fila.

Nao obstante ter observado muitas irregularidades como, pessoas que chegavm, faziam telefonemas e entravam pelas traseiras, mais de 5 computadores ligados mais apenas um indivíduo a atender e este, mesmo com o aviso de proibiçao do uso do telemovel, nao o largava!

Bom… ja cansado de tanto estar em pé ( a partir da 5h) exposto ao sol porque nao nao ha sequer algum tipo sombra, vejo um grupo de perto de 10 pessoas que eu inscrevi e que estavam num fim da lista, a serem chamados.

Fiquei passado! Invadi a sala e comecei a falar alto… chamei nomes… disse-lhes que eram eles que incentivavam desorganizaçao porque era absurdo que eu como a primeira pessoa estava ali sem ter sido atendido, ja passaram para numeros do fundo! Fiz cena…nao me importei com o meu facto e gravata, nao me importei com olhares…!
Pasme-se que só depois disso é que um funcionario de categoria veio ter comigo, com desculpas esfarrapadas e tentar argumentar o absurdo.

Fiz mais uns 4 a 6 minutos e o processo estava concluido( aguardando 1 semana para levantar).

Para dizer meus caros concidadãos, é este o terrivel sacrificio que as massas passam para ser apenas ANGOLANO! Isto sem mencionar a parte do Assento de Nascimento e depósito de emolumentos no banco atóa BPC.

Quando eu critico, faço-o com propriedade porque é realidade que vivo. Tenho tambem amigos em muitos sectores mas, ainda nao sou um sem-carácter para passar pelas traseiras ou tratar documentos de utilidade pública em casas daqueles que sao meros servidores público.

O pior que este sofrimento das massas, é o facto de nao haver imprensa para reportar, Inadec para se queixar/lamentar nem OPOSIÇÃO para fiscalizar e denúnciar!

Irmãos, estamos tramados!”

Medicos homicidas pt.II

Os dois relatos que se seguem foram redigidos por um usuário do Facebook identificado como “Yuri Simão”, há vários meses atrás. O primeiro sobre uma amarga experiência pessoal e o segundo evocando a triste história de uma mãe que acompanhou a dor da sua família e que com ele partilhou a sua própria.

São ambos tão dolorosos que nos marcaram ao ponto de conservarmos estes textos até hoje e, finalmente os publicarmos em forma de artigo, tendo apenas dado um toque aqui e ali na pontuação e acentuação para mais clareza na leitura, mas conservando o texto o mais fiel possível à publicação original, deixando intocados inclusivé os erros ortográficos que encontrámos.

A partir daqui, as palavras passam a ser de Yuri Simão, mas, pelas razões já evocadas, coibir-nos-emos de metê-las entre aspas:

Um dia quando o Adebayo Vunge escreveu sobre a negligência na Horton Pediatria, eu tinha a percepção de que viveria o meu momento.

Ontem as 14:00 Nasceu na Clínica Sagrada Esperança o bebê de nome Octaniel, meu sobrinho esperado o primeiro filho da minha irmã Mity, a alegria era tanta que partilhei com os amigos a novo menino saudável de 3.5kg.

As 18 horas a criança não parava de chorar e foi levada até a Neo Natal da clínica, acompanhada por uma enfermeira (segundo sei as normas dizem que uma criança ao entrar para essa unidade, deverá ser acompanhada por um pediatra). O Pediatra de plantão que esteve dentro da sala de Parto era nem mais nem menos que o Famoso Medico Dr. João Pedro, de tão tamanho pedestal que possui, não saiu do seu gabinete para ver a criança, dizia ele que o menino tem fome pra se dar o leite.

Após varias horas “23:00 hora concreta” o Dr. João Pedro se dignou a ir até a Unidade Neo Natal, onde o menino nem estava entubado, apenas dentro da incubadora, lá começou o show total, berros as enfermeiras, entra e sai, e lá ele por volta da Meia Noite veio até aos familiares dizer o seguinte: “O Quadro é Grave, nem eu sei o que ele tem, nem eu sei”.

O pânico no rosto do Catedrático era notável a Banga lhe estava a cair pelo olhar dos familiares, saiu sem Como sempre aqui na Terra de todos nós, poder dar uma explicação, porra que explicação se o mesmo nem sabia o que se estava a passar?

Fomos pra Casa pensando na alegria da minha irmã que nos despediu sorrindo e pensando que daria o primeiro Leite da sua Xuxa carregada ao seu filho. Fomos pra casa pedindo e apelando ao nosso Deus que afastasse uma desgraça da nossa família, fomos dormir pedindo a deus que fizesse o trabalho do Dr. João Pedro. E às 04:00 o telefone toca e como se imagina noticia ruim chega cedo, o Octaniel nem viu o sol nascer, nem a Mity conseguiu dar a Xuxa ao seu filho e todos os planos de um casal jovem, do enxoval das brincadeiras do bebê saudável e esperado foram ao lixo.

Bem alguém pode pensar que estou com raiva do médico ou da clínica e se assim pensar está certo, pois já vivi o mesmo momento varias vezes aqui, e me pergunto quem não viveu? Yá, parece normal os valores que são pagos nas Luxuosas Clínicas de Angola que de tanto Luxo tem a MERDA de serviços e Negligências. Os procedimentos neste caso e em outros foram mal feitos e uma vida se foi sem motivo algum pois a minha irmã vai ficar na merda e o doutor JOÃO PEDRO com a fama de ser o maior PQP a ele e a Clínica Por mim e por todos que já viveram na Pele isso.

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Bom dia Amigos Vou partilhar a dor e relato de uma mãe “Sandra Mendes” que acompanhou o momento de perto que a minha família passou e ela acabou por passar: “Amigo eu estou a passar por uma situação triste e por acaso acompanhei de perto a vossa alegria ontem e a vossa tristeza hoje.

O meu filho sofreu um acidente no domingo a andar de patins viemos para a clínica sagrada esperanca foi atendido encaminhado para o internamento com o pé no gesso pois partiu o tornozelo mesmo com dores sempre com um sorriso no rosto. Às 15 desceu para o bloco operatorio e de la saiu em coma porque? Porque nao fizeram lhe o teste da anestezia ele é asmatico tem alergias nao leram o processo dele teve varias convulsoes fez uma paragem e esta em coma. Agora meu deus, tenho o meu rei, meu filho único, ligado as maquinas e eu estou a morrer por dentro so me resta orar e esperar forca para a vossa familia”. Amigos o filho único dela acabou por falecer ontem. E agora Iluminados, cientistas, vaidosos e arrogantes médicos como fica essa mãe que já nem pode ter filhos pois faz hemodiálise?

Tirado do mural do mano Abraão Chissanga no Facebook uma reflexão que nos pareceu interessante, pelo que resolvemos partilhá-la.

Abraão Chissanga

 

REPRESSÃO & REPREENSÃO

No meu pais confundem-se os dois termos infelizmente: reprime-se quando se quer repreender.

No pouco que sei saber, repreender devia ser a melhor forma de se fazer crescer uma pátria que se quer verdadeiramente democrática.

Aqui, a lei do “cala-te senao te dou” impera, os que mandam querem ter jornalistas papagaios, pseudo-comentaristas e dirigentes robotizados ao seu servico para limparem com a língua toda a sujeira que eles cometem.

Para fecharem o cerco, até padres e pastores eles compram. A cor do dinheiro e o brilho do cifrão cegaram os nossos irmãos, como consequencia ” kudurizam” os jovens com os canais que estao autorizados a continuar e os embebedam para se perderem na ignorância de pensarem que o “putu dos kaputus” que os “nguvulus” usam para limparem a imagem que, de tão suja que está ficou fusca, está sempre certa como a victoria no tempo do Manguxi.

Reprimir é usar a linguagem musculada e fazer ver os fantasmas da guerra às pessoas que reclamam por um abrigo, por uma vila de viana que se torna numa praça e lixeira sob o olhar sereno e impávido do sr cantor (zeca morrendo).

Não se deve, meus senhores, confundir reprimir e repreender. Se continuarem a bater, ameacar, decapitar, manter as pessoas em cárceres privados só entrarão na História com lembranças feias como Mussolini, Hitler e outros dessa laia.

Relato #1, por Hitler Samussuku

BI Hitler

Quando achámos que havia escassa polícia  no largo 1º de maio, estávamos todos iludidos. Mais uma vez o sistema usou uma estratégia maquiavélica para embaçar os manifestantes.

Às 13h00 horas marcadas para o dar início a mais uma manifestação, o largo estava todo mudo, não se sentia nem ouvia aquela opressão (polícias da ordem pública, brigada canina, brigada anti-crime e anti-motim que sempre se fazem presentes de forma ostensiva em manifestações), apenas havia uma viatura denfronte a estátua, no seu lugar habitual (*), as outras estavam escondidas: havia uma viatura defronte ao IMEL (1), uma no Chamavo (2), outra no beco do Nzinga(3) e mais uma na entrada do Cine Atlântico (4).

Mapa Manif artigo Itler com Carros

Nota do revisor: Antes da chegada do Hitler, havia igualmente uma carrinha da brigada canina estacionada no Largo que depois se retirou, como poderão comprovar na imagem abaixo que um internauta nos enviou ainda pela manhã. O mesmo internauta identificou outras viaturas para “contenção” concentradas defronte ao Cemitério Sant’Ana. Ao entrarem em função os Kaenches, a viatura notada com * no mapa acima, que costuma estar todos os dias no semáforo do largo, retirou-se do local, deixando os manifestantes entregues à uma batalha campal com os kaenches.

Até 13h30 o largo continuava calmo, jovens e crianças brincavam no jardim e nos arredores do largo havia muitos senhores sentados nas cadeiras, bem vestidos, os mais velhos com fato e gravata, calças e camisa à preceito e os jovens bastante diversificados mas todos com um ar limpo e polido. Um deles, vi mais tarde, conduzia um jeep Tundra que tinha deixado estacionado à frente da César e filhos. Menciono esta gente neste relato porque, veio a revelar-se, eram todos bófias.

Cinco minutos depois, fui abordado por 3 agentes com farda azul escura reforçada (tipo PIR) e metralhadora, mandaram abrir a mochila para verificar o material que eu levava e suspeitaram que eu era um dos que estava a ser procurado para ser travado.  Depois de um breve interrogatório (de onde vens, para onde vais, perguntas de rotina), já estavam a me levar, depois me soltaram. Dei meia volta, troquei de camisola e bazei no cyber.

Àss 14 horas liguei para o Mbanza e ele disse-me: “não vou aparecer aí agora, aponta o numero do Mandela…”. Apontei e liguei ao Mandela:

- Onde posso te encontrar?

- Estou a descair a partir do Zé Pirão

- Nos encontramos no Chamavo?

- Pode ser.

Posto lá, não consegui lhe reconhecer, tendo decidido então voltar para o largo 1º maio com a hipótese de ter havido um desencontro entre nós…

Cheguei à entrada da Praça da Independência, encontrei o Jang Nómada, lhe dei um toque e ele não me reconheceu, aproximei-me dele e lhe perguntei: é como, o mambo sai ou não sai? Ele, nem com isso me reconheceu. Uns bófias que estavam sentados levantaram para ouvir a nossa conversa e eu puxei o Jang para o lado, disfarcei uma conversa de rap, daí ele reconheceu-me e disse: baza, esses wís (sinfos) estão a nos seguir.

Me afastei aos poucos e vi o mandela a entrar no largo, atravessei a estrada nas calmas e juntei-me aos outros.

Apanhámos o ângulo ideal para começar com os protestos e daí começaram os primeiros gritos de revolta: ”libertem o nito, libertem o nito!”.

Em menos de 5 minutos um grupo de jovens e senhores civis  fez um cerco em direção ao largo, aproximando-se em grande velocidade o que terá criado pânico entre nós.

Aí começámos a nos espalhar: uns correram em direcção à multidão que passava no largo para conseguir fugir, outros sairam rápido correndo em direcção ao Hospital Militar.

Eu e outros saímos em direcção ao Nzinga e aí registei a primeira detenção: um jovem com uma t-shirt preta,calças jeans pretas e chinelas amarelas, foi apanhado por 2 jovens civis que usavam trajes normais (um de camisola azul e umas calças pretas outro com uma camisola olímpica branca calções jeans curto) agarraram nele e levaram-no. Um jovem, aparentemente com uns 23 anos, trajando fato preto, gravata vermelha (DNIC, concerteza) apareceu e começou a ajudar os 2 bofias. Até que um polícia que esteve com o carro estacionado quase ao Nzinga desceu e lhe levou em direcção à unidade dos ex.combatentes.

Fiquei lá até ele ser levado e depois fiz uma ligação para saber o destino do mandela:

-  Wí aqui é o Hitler estás aonde?

- Estou a ser presseguido pelos sinfos.

- Viste o jovem que foi apanhado?

- Nada, não vi.

Enquanto falava, uns gajos estavam atrás de mim e depois de terminar disseram-me: “Hitler afinal é você?”. Eu nem respondi, comecei a marchar e logo surgiram 3 polícias e o jovem SINFO de camisola olímpica me identificou gritando: “esse também!”. Nem deu mais para correr, me levaram nos becos do Nzinga onde havia 2 carros da polícia que almejavam ansiosos os manifestantes.

Tiraram-me do carro, exigiram que subisse noutro (Iveco da PIR), o que obedeci. Estava já todo cabisbaixo a pensar que poderiam me levar na unidade, mas acabámos por ficar por ali mesmo o tempo todo.

Eles conversavam dicas deles, falavam sobre Quim Ribeiro, se contavam de damas até que um deles veio ter comigo.

- Ele: qual é a maka?

- Eu: nada

- Ele: nada puto? Vieste fazer o quê aqui no largo?

- Eu: estava a sair da escola e fui surpreendido pelos polícias.

- Ele: (risos) nós vimos todos que estavam aí, não pegamos em vão, você estava na manifestação, diz a verdade pá.

- Eu: estava mesmo na manifestação mas não fizemos nada de mal, até mal começou e já foi destroçada.

- Ele: quem permitiu? Há uma mão-invisivel no vosso meio e nós vamos achar um dia. Qual é o tema dessa vossa manifestação?

- Eu: viemos protestar a favor do Nito Alves, jovem de 17 anos detido há um mês.

- Ele: hahahahahhaha é verdade puto, esse Nito Alves é mais fudido que vocês né? Diz lá, ele e o Luaty quem é mais mau?

Achei graça, não disse nada e ele voltou ao debate com outros polícias, tendo o assunto de debate se voltado para o Nito Alves.

As horas foram passando e outro gajo voltou, fez-me  algumas perguntas, recebeu meu telefone tirou o cartão de memória e disse: “vai directo para casa. Pela próxima vais mamar!”.

 

Relato #2, por Makita Kuvula

Makita Pausado Diploma

A minha história começou dias antes (da manifestação): ligações por telefone, ameaças, diziam-me a todo o momento que se eu fosse para o local da manifestação poderia ser o último dia da minha vida. Mas eu ignorei e fui.

Posto no local encontrei-me com os outros manos a escrever os dísticos dentro do largo. Pouco depois, aproximaram-se dois homens com óculos escuros e perguntaram-nos: o que estão a fazer aqui? Pegaram nos dísticos e levaram-nos.

Aí, comecamos a gritar “SOLTEM O MENOR NITO ALVES!!!” e imediatamente o cenário mudou: Kaenches entraram em acção com ferros, paus, até arma de fogo, uma pistola de marca “STAR”.

Os manos com quem estava correram e eu estava a sair do largo a passos, tendo sido por isso agarrado por 3 kaenches vestidos com camisolas do Kabuscorp que queriam arrastar-me, mas como sou de estatura média, ofereci resistência e dificultei-lhes a tarefa de me sacudirem e levar para o outro lado do largo. Em seu socorro vieram meia-dezena de indivíduos, também à paisana que me despiram as calças, encheram-me de pontapés e bateram a minha cabeça nos ferros que se colocam em volta do largo, sobretudo em dias de manifestação. Ameaçaram-me várias vezes com “vamos dar-te um tiro na cabeça!”.

Levantaram-me e atiraram-me para as traseiras de um Land Cruiser policial, conduzindo-me até à 3ª Esquadra, atirado para uma cela onde fui agredido com dois socos no peito pelos outros detidos depois de me terem pedido dinheiro.

Depois desse episódio dois agentes investigadores retiraram-me da cela e meteram-me num gabinete onde depois me interrogaram com as mesmas e já gastas questões:

1- moço bonito a se estragar so à toa.
2- quanto te pagaram?
3- quem te mandou?
4- conheces Makuta Nkondo?
5- e se nós precisarmos de ti para uma conversa aceitas?

Volvidas duas horas e meia após a detenção e todo o calvário que se seguiu, devolveram-me os pertences e voltei à pé, inflamado e cheio de escoriações para casa, no meu Sambizanga.

Porto de Luanda e Ministério dos Transportes violam flagrantemente os direitos dos seguranças internos da SGEP (Empresa que explorava o terminal de contentores nº2 do Porto de Luanda.

Depois de escorraçados por um grupo armado contratado pelo Porto de Luanda, os ex-trabalhadores da referida empresa não foram indemnizados, nem foram reintegrados profissionalmente. Muitos deles já morreram depois de atirados ao desemprego e à miséria. Outros continuam a mendigar nesta vida.

O Ministério dos Transportes e o Porto de Luanda, insensíveis e em colisão com a lei, simplesmente ignoram os clamores destes senhores e das suas famílias, mesmo depois de condenados pelo Tribunal Supremo  e de terem chegado à acordo amigável.

No meio dessa injustiça, para completar ainda o quadro cinzento da vida deste senhores, mesmo depois de recorrerem ao poder judicial, à Presidência da República e ao Vice-Presidente do MPLA , está uma decisão do Tribunal Provincial que deixa atónitos os queixosos ao estipular que o montante em dívida já teria sido desembolsado pelo Porto de Luanda, pelo que não havia enquadramento legal para os continuos acréscimos de valores em atraso exigidos pelos ex-funcionários.

Caros compatriotas, este pesadelo na vida destes senhores teve início no longínquo ano de 2005!!!

Como se não bastasse esse calvário, o Presidente do Conselho de Administração do Porto, engenheiro Francisco Venâncio disse:

 “Eu me lembro de ter assinado cheque para pagamento deste valor. Se não chegou às mãos dos trabalhadores é porque alguém, dos quais, alguns dos aqui presentes podem ter desviado o valor” 

Isso foi dito pelo PCA do Porto do Luanda no encontro que teve com alguns representantes dos trabalhadores, no dia 15 de Dezembro de 2011 e pode ser comprovado aqui.

Em Maio deste ano, na sua edição 515 do dia 18, o Semanário Angolense publicou um dossier sobre este assunto. Segundo nos foi dito pelos trabalhadores, o Porto de Luanda tratou de comprar todos os exemplares. Felizmente, os trabalhadores foram a tempo de comprar um exemplar, do qual extraímos dois artigos. (Ver imagens abaixo)

Teve igualmente a amabilidade de nos conceder uma entrevista o senhor André Gaspar Adão António, representante dos trabalhadores da SGEP, entrevista que podem visionar apertando no play no quadrado abaixo dos artigos do Semanário Angolense. Foi também o Sr. António que nos facultou TODOS os documentos aqui disponibilizados nos links ao longo do texto para provar cada alegação que faz.

Diante deste cenário, que certamente não é o único em Angola, só podemos concluir que a justiça angolana está de tanga.

Quo vadis Angola?

KilapiPORTO DocAngolense

MCK, há instantes no seu Facebook:

Mc-Katrogi

“Fiz agora uma pequena pausa no meu grupo de estudo, e decidi produzir um pequeno texto inspirado numa chamada de atenção dos manos da Central Angola, que desde já agradeço o alerta… as vezes ficamos muito fechados aos nossos assuntos particulares como a família, formação, música, emprego e o lazer, demarcando assim uma fronteira de betão com as nossas responsabilidades cívicas e a defesa de bens jurídicos como a Vida, a Liberdade de Expressão, a Paz, a Justiça Social, entre outros…

E começo por criticar a mim mesmo, que vezes sem conta, aproveito publicitar aqui os Vídeos que faço, os Eventos onde rimo, as músicas que participo, a nova linha de T-shirts, a Pen Drive, o tal de preservativo que nunca saí, etc…

Ou seja, Luanda transformou-se numa cidade cara e agressivamente capitalista e têm contagiado materialmente os Activistas Cívicos e ” Rappers do Underground” e todos corremos atrás das notas de Zé Dú e Manguxito ( Kwanzas) para continuar vivos.

Recebo todos dias perto de 50 chamadas de Rappers e afins, solicitando participações, convites para shows, entrevistas e outros blá blá blás, quase sempre com uma finalidade mercantilista omissa.

Agindo desta maneira estamos de forma tácita a legitimar a inconstitucionalidade e a patrocinar a violência gratuita dos órgãos do Estado angolano.

O Executivo angolano tem estado a errar muito, é um facto, mas nós estamos duas vezes mais errados com o nosso silêncio e absoluta indiferença permitindo o ABUSO DE PODER com as nossas postagens fúteis aqui no Facebook.

E quando digo nós, refiro-me á todos Angolanos!

-Deputados da Assembleia nacional que ganham um acumulado igual ou superior a 10 Mil Dólares e recebem BMW para nada fiscalizarem.

-Diplomatas Estrangeiros que apenas estabelecem relações económicas com Angola inspiradas nos Diamantes de Sangue e o Petróleo de Luto.

-Partidos Políticos oportunistas e Charlatões que simulam preocupar-se com as pessoas na fase eleitoral.

- Bispos, Padres e Pastores Kandogueiros que nunca saem em defesa do amor e da vida como Cristo fazia.

- Professores, Juristas, Empresários, Estudantes, Jornalista, Kunangas, Zungueiras, todos nós, principalmente eu que estou a ler o texto agora.

Estamos a viver num falso orgulho sem tamanho, e nos gabamos ter construído 3 campos para realização do Mundial de Hóquei em Patins em 7 Meses, quando temos a Vila de Viana sem acesso há quase dois anos para obras ( sem obras)… Gente e gado a morrer todos dias no Sul de Angola por fome e Sede, enfim…

Há duas semanas, quase chamamos o Presidente da República de deus com “d” menor, pela sua clarividência e outros adjectivos que tenho que ver no dicionário pela realização do Fórum da Rapaziada da Jota, para dias depois, espancar novamente Jovens Manifestantes e Jornalistas?

E nós? Caro angolano, estes factos não te dizem nada?

Somos todos uma cambada de hipócritas, iguais ou bem piores do que os detentores do poder que fecham os olhos aos nossos problemas e definem como Prioridade dar um Show que até os Ingleses se recusam em ver!

Vamos todos gritar bem alto: Libertem os Manifestantes.”

Na nossa conta de Facebook, o mano com a conta “Adelmo Pereira Campos Adi” teve a gentileza de elaborar um resumo detalhado do que se passou consigo desde o momento em que foi “interpelado” por um indivíduo à paisana, até ao momento em que lhe devolveram à liberdade. Vamos manter o texto original, sem arranjos ortográficos ou gramaticais, sem adulterações, relato do próprio!

(foto roubada do mural do Jose Gama)

REVUS PRESOS LARGO

“Eram já 18:28 quando um kanheche langa se infiltrou no grupo em q eu alguns manos e alunas estávamos para fazer travessia do lado do EMEL.

Mal tentei despertar a mente dos alunos q estavam comigo e mais gentes na passadeira de frente ao EMEL como já disse acima,o soldado programado do Bento Kangamba pega-me na cintura da calça e me leva dentro do quintal da referida instituição de Ensino no caso EMEL,onde foi recebido por um ligeiro aparato policial q receberam me o telemóvel e a carteira na pessoa de um agente a civil meio barregudo q trajava um boné ou chapéu,t-shert azul e calças jeans…

De seguida jogaram-me para dentro do carro cela de marca Land Cruise do tipo DEFENDER ou SANTANA q tinha como a seguinte chapa de matrícula:,LD 21-08 ED afecto a PIR.Comigo estavam 6 manos q são:Alberto Lupito estudante de direito,Wi Dolo,Da Katepa,Eduardo Dala,Valdmiro Luis e o mano Ngola Yetu.

Daí sem visibilidade para o lado exterior nem oxigênio suficiente e a transpirar,fomos levados a URP onde desciamos um por um para dar o nome e a idade.Ainda na mesma Unidade,levaram nos do outro lado onde fortemente vigiados com AK-M e Cães nos puseram numa carrinha maior de côr branca do tipo cela também mas com furacões para entrada e saída de AR onde parmanecemos mais de 2 horas,uns dormiam e acordavam como eu mas sempre a viajar das grades o q se desenrolava no mesmo recinto da Unidade.

Havia até dentro da Unidade PMs Polícia Militares armados.

Horas mais tarde viamos das janelas gradeadas,o carnaval dos luxuosos jeeps V8 no entra sai e seus pilotos bem nutridos e com as patentes abrilharem a dizerem justamente agora na altura do Mundial de Hokey?!..como aqueles processos de corre corre feitos pelas as formigas quando têm uma presa.

Como dentro dos Canibais ha sempre um q pensa diferente também,então surgiu ele o motorista da carrinha trajando com um chapeu t-shert verde com calças jeans e tênis preto e branco da famosa marca Converse All Star a dizer putos os outros foram levados e deixados no Zango por isso ficam calmo e tenham fé.

Minutos depois surgiu um agente com colete da DNIC q aparenta ter 29 à 30 anos claro estreito q disse por ordens superior invés da DPIC, serão conduzido na 3*Esquadra.

La saímos do portão q da logo acesso a estrada da tourada contornamos nos Congolences junto as Bombas de combustível da Sonangol acaminho da 3*Esquadra.

Ja bem perto das 23 horas ao passar o Largo 1*de Maio viam-se os kanheches com os seus coletes refletores bem pausados sentados no largo com ares de dever cumprido.

Chegamos a 3* onde devidamente perfilados fomos entrando e ouvidos mas uma vez um por um,daí recolheram os nossos dados e fotos..Foi então quando deram nos os nossos pertences e fomos libertados.

De realçar q as únicas torturas q sofremos foram psicológicas…

Luanda 19.09.2013″