Archive for the ‘Argumentos’ Category

Texto escrito e partilhado no mural de facebook da Central Angola pelo Telmo Vaz Pereira, que achámos merecer um espaço mais destacado. Segue então ipsis verbis:

ZezinhoTelmoVaz

O que os gangsters e o seu chefe embolsam com o que é desviado das receitas do petróleo e dos diamantes, parece não ser suficiente.

Por essa razão, Angola foi o país da África sub-sahariana que, em 2013, mais dinheiro gastou para fins militares, revela um estudo do Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo. As negociatas com armamento através de traficantes de armas – um dos quais, Pierre Falcone, que faz uso de um passaporte diplomático oferecido por Zé Kitumba dos Santos -, rendem muitos e muitos milhões de dollars americanos a todos os corruptos envolvidos.

O estudo refere que o ano passado Angola aumentou os seus gastos militares em 36%, ultrapassando a África do Sul como o país com os maiores gastos militares na África sub-sahariana. Ainda segundo aquele instituto, os gastos militares em Angola atingiram o ano passado 6,1 Mil Milhões de dólares, quase 5% do PIB, correspondendo a um aumento de 174% desde 2004, dois anos após o fim da guerra civil. Não estando Angola sob ameaça militar de nenhum país, não estando envolvida em qualquer guerra, impõe-se a pergunta: para quê esta despesa colossal com armamento ?

Samuel Perlo-Freeman, um dos autores do relatório que se tornou público no passado dia 14 de abril, diz que a razão para esta aposta militar não é clara, uma vez que «já não há guerra civil. Há uma pequena rebelião em Cabinda, mas que dificilmente explica estes níveis de despesas militares». No entanto, continua o especialista, «Angola tem muito dinheiro vindo do petróleo e muita corrupção».

O Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo revelou que um aumento nos rendimentos do petróleo, é uma das razões para o aumento dos gastos militares, ou seja, quanto maior for o rendimento que deriva da exploração do petróleo, mais dinheiro desviam para investirem no tráfico de armamento e, por conseguinte, maior é o lucro dos ladrões que dirigem o país.

O estudo agora publicado não dá pormenores dos gastos. Contudo, recentemente, tem havido notícias de Angola estar a comprar sofisticado material militar. No ano passado, por exemplo, o diário russo Vedomosti disse que Angola assinou com empresa estatal russa Rosoboronexport um contrato de 1.000 Milhões de dólares, que inclui o fornecimento de equipamento militar, a construção de uma fábrica de munições em Angola e a assistência pós-venda.

Esse contrato, ainda de acordo com o diário russo, inclui o fornecimento de helicópteros de transporte Mi-17 (fora de uso), tanques, peças de artilharia, armamento ligeiro e munições, e ainda de 18 aviões caças Sukhoi 30 (Su-30K), que estão considerados praticamente como sucata, e que foram antes exportados para a Índia no final dos anos 1990, e devolvidos à Rússia alguns anos depois. Antes de conseguirem vender a sucata agora a Angola, a Rússia tentou vender os mesmos Su-30K ao Sudão e ao Vietname, que rejeitaram categoricamente devido ao estado em que se encontravam.

A compra dos caças em segunda mão, inoperantes há vários anos, levou vários críticos a questionar as vantagens do negócio para Angola. “O governo russo e os seus líderes estão sempre dispostos a despachar os seus equipamentos obsoletos para África e, de forma surpreendente, o governo angolano aceitou este negócio”, disse Shaabani Nzori, um analista político em Moscovo.

É evidente que esta negociata, só favorece a nomenklatura que engorda assim as suas contas nos offshores. O episódio do julgamento em Londres em 2012 vem comprovar isso, quando o traficante de armas Arkady Gaydamak, revelou no Tribunal como vendeu vários helicópteros em estado de sucata a Angola, no valor de US $70 milhões: «Eu estava para desembaraçar-me deles como sucata, mas uns meses depois o Falcone disse-me que tinha conseguido um novo cliente: Angola» .

Gaydamak explicou também que entregou os helicópteros a crédito. “Depois deste presente, o acesso ao presidente passou a ser bastante fácil para mim”, disse o traficante de armas. A relação privilegiada da dupla Gaydamak-Falcone com José Eduardo dos Santos resultou no famoso escândalo Angolagate que, durante anos, esteve sob alçada da justiça francesa.

 

Por Telmo Vaz Pereira

Image

Elinga 02

Não quero fazer deste artigo um texto meramente pessoal, devaneando sobre a importância do espaço Elinga na minha juventude e na formação do adulto que sou hoje. É muito difícil encontrar a bitola a usar para medir a proporção de Elinga que jorra no meu sangue a cada ribombear do meu coração e por isso irei reduzir-me à insignificância da contemporaneidade que represento e mergulhar nas páginas de História que os interesses representados pelos “acumuladores primitivos de capital” querem rasgar deste livro chamado Angola, como já fizeram com tantas outras, deixando-o mutilado na sua incompletude, irremediavelmente, permanentemente mutilado.

Nos pequenos retalhos que fui recuperando dessas páginas ao longo dos últimos anos com o pessoal da Campanha Reviver levada à cabo pela Associação Kalu, apercebi-me da enormidade que podem representar algumas paredes gastas e escadarias periclitantes, e do quanto prescindimos ao reduzi-las a um monte de entulho. Não falo só do Elinga, eventualmente o lugar mais transversal de Luanda, o único onde podem coabitar os empertigados com os maltrapilhos, os da urbe com os mussekados, os locais e os estrangeiros, os artistas e os banqueiros, enfim, o mosaico completo de todas as classes e subclasses que constituem a nossa sociedade, mas também do Challet, da Biker, da Casa do Óculo, da Fortaleza de S. Miguel, do Palácio de Ferro, da Casa de Alfredo Troni, da Livraria Lello, da Estação de Caminhos-de-ferro da Cidade Alta, do Grande Hotel, da Rua dos Mercadores, dos 14 sobrados que ainda não foram vítimas da fúria demolidora do mercado imobiliário (sorte que não teve o Mercado do Kinaxixi) e de todos os outros edifícios e sítios que foram classificados por alguma razão. Sobre cada um desses edifícios se poderiam contar inúmeras “coisas de sonho e de verdade” e essas “coisas” têm um outro efeito quando são contadas dentro dos próprios espaços que as albergam.

Vou no entanto cingir-me ao Elinga que me parece, de todos, ser o mais consensual no que concerne ao sentimento de perda, pelo simples facto de termos construído ao longo dos anos uma ligação emocional íntima (pois vivida na primeira pessoa) com essa magnífica peça do nosso património histórico. Mais facilmente seremos movidos a esboçar um gesto de resistência que seja para salvar o Elinga do que para salvar o Challet que certamente a esmagadora maioria dos kaluandas nunca sequer ouviu falar, apesar de ser o edifício adjacente ao Elinga.

A análise resumir-se-á por isso à argumentação da lógica (?) por detrás da desclassificação e alienação do edifício que pertence à memória coletiva do povo angolano, protagonizada pelo Ministério de “tutela”, justamente aquele cuja missão é zelar por ele.

Antes de apresentar a documentação que irá expôr o desrespeito da Ministra da Cultura pel@s cidad@s que pretende representar, permitam-me que lhes introduza a uma proposta de projeto alternativo para o reaproveitamento do espaço tal qual ele está, ou seja, sem violar a integridade física do edifício, submetendo-o, no máximo, a obras de restauro. Ela foi desenhada por Luca, um arquiteto italiano, professor e funcionário das Nações Unidas em Angola, chegou à mesa da Ministra, foi conscientemente ignorado em benefício do da Imogestin, um edifício ultra-moderno segundo a maquete, mas incapaz de conviver com a História.

Elinga_space Luca 01Elinga_space Luca 02Elinga_space Luca 03

Esta maquete é partilhada para calar aquelas vozes que dizem que os detratores só sabem criticar, não sabem edificar. Para aqueles que argumentando que o Elinga se tornou um antro de drogas e que atrai os putos de má índole que pululam ali à volta, agitam a bandeira da proposta da Imogestin como a única alternativa viável para a inversão do quadro, minimizando debilmente a validade histórica do edifício.

A incompreensível inversão de prioridades

Houve tempos em que os pelouros da Cultura foram ocupados por pessoas que, mal ou bem, usaram dos meios e poderes ao seu dispor para proteger e promover a nossa História e Cultura. O FENACULT no tempo do partido único chegou a ser mais plural e diversificado do que o sem número de festivais que temos hoje cujos cartazes são invariavelmente iguais e perfeitamente previsíveis.

 Em 1981, o Secretário de Estado da Cultura, Boaventura Cardoso assina um despacho onde classifica 42 edifícios como Património Histórico, dentre os quais consta o nosso Elinga, que também já foi um Colégio (Colégio das Beiras) e onde “amarraram” ilustres figuras da nossa História contemporânea, algumas delas ainda vivas, apesar de silenciosas: Nito Alves, Cónego Manuel das Neves, Mário Pinto de Andrade, Hoji-ya-Henda, França Van-Dúnem, Garcia Bires, Manuel Pedro Pacavira.

Em 1992, José Mateus Peixoto, Secretário de Estado da Cultura de então, exara um despacho onde é brevemente narrada a História da cidade de Luanda para justificar a proposta do mapeamento de uma zona “protegida” denominada de “Zona Histórica”, como se pode ver nas imagens abaixo.

 

Despacho 51-91 01 Despacho 51-91 02 Despacho 51-91 03 Luanda HISTÓRICA

Aos 7 de Outubro de 2005 é aprovada a  Lei do Património Cultural, completa e satisfatória, mas como a maior parte delas, meramente decorativa.

Em 2009, já depois de iniciado o boom imobiliário e na tentativa de salvaguardar o que já estava classificado e supostamente blindado pela lei, a então Governadora Francisco Espírito Santo e a já Ministra da Cultura Rosa Cruz e Silva, assinaram (mais) um memorando onde voltam a reafirmar a vontade de proteger o património Histórico sob a mira dos grandes interesses económicos que se agigantavam. Comprometem-se ainda a dar formação e a divulgar amplamente a informação acerca dos monumentos protegidos (alguém alguma vez viu alguma?) e formam uma comissão de avaliação coordenada pelo IPGUL e que inclui representantes dos Ministérios da Cultura, do Urbanismo e Ambiente, da Direção Provincial da Cultura, da Ordem dos Arquitetos e dos Engenheiros e que nenhuma obra na baixa de Luanda (zona histórica) poderia ser adjudicada ou validada sem o parecer favorável desta comissão.

MINCULT e GPL - PAtrimónio no JA peq

A Ministra Rosa Cruz e Silva era tida por muitos como um quadro competente com profundo respeito pelo património histórico, deixando nelas o sentimento de estupor e desalento. Provavelmente a Srª será mesmo “apaixonada” pela História e pelo património, mas sucumbiu a pressão do que o Mena Abrantes (Diretor do Elinga) referiu como sendo “poder superior” e comprometeu o seu nome e reputação subscrevendo a este “culturicídio” ignóbil, com o despacho que podem ver na imagem abaixo.

DESCLASSIFICAÇÃO ELINGA c sublinhados (peq)

Será que poderia ter sido mais vaga do que “as razões deixaram de subsistir”? A minha dúvida mesmo é que “razões” históricas podem “deixar de subsistir”? Não estamos perante uma inconsistência cronológica? Ou será que a Rosa entrou no Delorean com o Michael J. Fox e voltou no tempo para mudar a história, evitar o contacto com o colono e a construção dos sobrados? Da última vez que eu olhei, ainda me pareceu estar lá o telhadito em forma triangular.

Tenho outra questão e esta prende-se com a legitimidade da Ministra fazer esta desclassificação de sua auto-recreação, depois de assinar o memorando acima referido. Terá a tal de “comissão de avaliação” dado luz verde à Ministra para desclassificar o património e outorgá-la a uma entidade privada que declaradamente não irá preservar uma única pedra do edifício, alienando-o assim da memória coletiva do povo angolano a quem pertence por direito?

Perante isto, não temos como perdoar a Ministra, nem sentir pena dela, pois se fosse uma Srª de convicção recusar-se-ia a fazer parte desta fantochada e metia o seu lugar à disposição.

O MINCULT não tem sequer o decoro de apagar da lista de monumentos classificados que alberga no seu site os edifícios que já desclassificou abusivamente.

Recentemente se voltou a falar na demolição do Elinga depois de, pela segunda vez, se ter dado ordem de despejo aos seus atuais ocupantes, ordem essa que vencia no final do pretérito mês de Março.

Felizmente parece haver uma sacudidela nos diversos setores da sociedade civil e, para além da petição online que muitos já subscreveram, foi depositada uma providência cautelar no MINJUS esta segunda-feira, 7 de Abril, com intuito de impugnar o ato administrativo que muitos, dentre os quais me incluo, consideram ilegal e abusivo.

O capitalismo selvagem só consegue existir onde o povo é dócil como uma mula de carga cujos olhos tristes revelam o peso de uma vida de vergastadas no lombo. Os “intelectuais” também são culpados nisto tudo, pois só sabem chorar nos ombros uns dos outros, sem força anímica para se levantarem em uníssono e resistir à bravata dos arrogantes que se escudam nos seus cargos políticos como se estes lhes pertencessem por direito.

Recuso-me a adotar o discurso derrotista, saudosista e fúnebre de quem já considera que o Elinga não pode ser salvo. Enquanto ele ali estiver é meu (nosso) dever, desenvolver técnicas de resistência aos avanços da “gang do Betão” (expressão biznada do kota Reginaldo Silva).

Vamos à luta

Por Luaty Beirão

Artigos que vale a pena ler sobre este assunto: 1, 2, 3, 4

Sabes quem eu sou?

Alguns filósofos têm apontado a exclusão do outro como uma das formas mais eficazes para a deturpação do real em prol do interesse daquele que acusa e exclui o outro. Outros justificam com o “como enganar o povo”? seria basicamente atribuir um absurdo nesse outro e seguidamente reiterar o absurdo ao limite, um lugar tal de ilusões em que as pessoas acreditem cegamente no absurdo do outro e de forma deturpada fazerem um julgamento recheado de calúnias, inverdades, ignorâncias e preconceitos, em muitos casos justificando até mesmo a violência.

Michael Foucault traz com o conceito de exclusão¹ o que seria criar uma realidade irreal, viciando as pessoas à crença da mesma irrealidade. “O Alberto fuma liamba. É por fumar liamba que fala o que fala, pensa o que pensa e veste como veste” (exemplo análogo ao de Foucault, razão/loucura, adaptado à Angola atual) . Tal facto que só assenta na aparência, é consigo mesmo o único motivo para se excluir esse ser diferente de um mesmo espaço em que o interesse é comum, senão social.

Foto de noite angolana tirada da internet

Foto de noite angolana tirada da internet

Tudo isso somente para dizer que quando começamos de forma reiterada a escrever e a provocar discussões, na nossa opinião indispensáveis para a saúde de qualquer nação, uma classe privilegiada ou que não se sinta representada nem afectada pelo acto como sempre acontece, sairá com alguns argumentos lógicos mais quase nunca factuais nem consentâneos, tal pouco coerentes nem amparados na cientificidade, assim como posso conjecturar, para acusar-me de racista as avessas, problemático ou complexado. Essas acusações são a chave mestra para iniciar o jogo da inversão da culpa, delegação de valores, formalização da exclusão e daí direccionar o caso a banalidade ou a uma categoria inferior da discussão social.

Outros ao lerem o artigo poderão chamar-me de controverso porque ataco o racismo que se cria não apenas nas madrugadas Caluandas como á luz do seu dia, mas cito autores brancos como referência retórica, mas isso seria o não mais importante, a medida que o argumento é transvalorativo inclusive para o próprio branco racista, onde pode espelhar-se no desenvolvimento e não onde reverbera o retrocesso tal como faz o racismo; o racista.

O que trago aqui não apenas como reflexão mas como ataque a conduta rasteira que a psique colectiva normalizou em Angola, é a incitação á discussão que os angolanos não suportam discutir desde que me percebi em Angola e conduzir essa discussão á criação de políticas próprias de conscientização e sobretudo rigorosas que proíbam essas instituições a reiterarem tais práticas, e lhes apresentarem medidas que as sancionem aquando de tal prática.
Crente de que a música e a dança são representações culturais, tal como o teatro, o cinema e etc. qualquer discoteca é portanto, também um espaço cultural, onde as pessoas não mais se dirigem ali senão para se divertir com vista desanuviar o stress do dia, da semana, do mês ou do ano ou simplesmente porque gostam.

Certamente algumas pessoas se auto convenceram de que o dono de um estabelecimento privado está no direito de privá-lo da entrada na medida que o investimento é próprio. Não! Tal como o polícia que forja na sua cabeça e com sua vontade a sua lei na estrada na ausência de uma justiça, muitos empresários em Angola criam nas suas cabeças as suas leis noturnas jamais inerentes à constituição do país.

Por outro lado, o mais grave é que essas pessoas não sabem que o regulamento interno de qualquer investimento privado deve pautar-se na lei mãe, reguladora das leis do país e não isolada desse contexto jurídico.

Se um proprietário ou proprietária, alega que um ou outro consumidor não pode frequentar a sua discoteca porque não atende aos padrões estéticos recomendados, deve-se à partida contemplar todo e qualquer cidadão de uma ou de outra cor de pele, para além de representar-se na lei mãe do país, como citei anteriormente.

A nosso ver, o que acontece, é que muitos angolanos negros e outros (imaginemos os zairenses) são embargados à porta de casas noturnas e não só, por supostamente estarem vestidos inadequadamente, num mesmo momento em que estrangeiros brancos ou angolanos mais claros (mulatos, fulos etc.) entram para os mesmos espaços não se lhes exigindo o mesmo rigor estético².

As pessoas têm acesso a esses espaços, na verdade pela aparência que carregam no fenótipo e não porque existe uma ou outra lei reguladora. Razão para pensar que as ordens de embargar as pessoas possa surgir de um negro como de um branco que não queira aparecer para não ser acusado de racista. Aí seria um negro embargando outro negro, e o problema escaparia da questão racial aparentemente.

Outrossim, diz respeito aos negros que ali acedem, comportarem-se como os escravos da casa grande em relação os escravos da Sanzala. Os de dentro seriam os privilegiados e sentiriam-se vangloriados em relação os de fora. A era do VIP, vem agora para estratificar não apenas o negro de fora ao de dentro, mas como os poucos negros de dentro, assim estariam duas vezes separados. O de fora e o dentro, e o de dentro com o VIP. Esses não têm qualquer sensibilidade que os leva a crer que os seus semelhantes de fora estão ali porque têm a mesma cor da pele que ele e não é por ele ser melhor que está dentro, mas porque cumpre as exigências estéticas e agora financeiras que o preconceito decretou, daí o negrito nas expressões: exclusão, aparência, estética e diferente.

Nessa perspectiva, não sendo da competência jurídica do Mincult (Ministério da Cultura), censurar o investimento privado, é pelo menos da sua competência moral e a nível da sua responsabilidade social , manifestar uma nota de repúdio, a um comportamento criminal já amadurecido na sociedade angolana. É o Mincult, juntamente a outras instituições de direito que dialogam sobretudo as problemática dos direitos humanos tal como a própria sociedade civil, quem tem o dever e o direito de alertar a sociedade de um mal que viola aquilo que são os valores culturais angolanos.

E se pensarmos na Exclusão de Foucault, um trocadilho pode ser feito agora. Se ali o liambeiro é o excluído porque mal se veste, pensa e fala diferente, aqui o excluído é o negro angolano ou qualquer outro quando for diferente na aparência, falar e pensar diferente.
Finalmente devo esforçar a responsabilização do Mincult porque sabemos que é o órgão ou a instituição maior dentro do quadro cultural do país. E se como bem sabemos, for o dono do investimento o jurisconsulto ou se aquele que cria as leis é seu familiar, tudo torna-se mais difícil para o cidadão comum lutar contra a realidade do “sabes quem eu sou?”, onde a guerra das influências ditam as regras do jogo.

Daí que a sociedade precisa de uma mão, senão uma testa de ferro para juntamente começarmos a corrigir e ou reparar todos aqueles erros históricos que nos legou a consciência do auto desprezo e da inferiorização.

Por: Mário Lunga

 

1. Michael Foucault – “Ordem do Discurso”, pág 10.
2.O estético não diz respeito unicamente ao que pessoa vestiu ou calçou, mais do que isso o estético é fenótipico; é o que a pessoa é morfologicamente.  

 

 

Em Novembro do ano passado, o Club-k conseguiu um incrível furo com o “leak” de uma informação sigilosa acerca dos desaparecimentos de Cassule e Kamulingue (1 e 2) . Depois de um ano e meio a debater-nos para que os nomes destes pacatos cidadãos e ilustres desconhecidos não caíssem no esquecimento surtiu finalmente efeito e o desfecho das investigações não podia ter sido mais macabro: Cassule morto à pancada e o seu corpo atirado aos jacarés e Kamulingue executado sumariamente com um tiro na cabeça! De deixar nauseado o mais impassível dos seres humanos.

Cassule Kamulingue Panfleto CARTAZ CASA-CE

Na narração detalhada do que se tinha passado, o Club-k revela que Cassule tinha sido atraído por um telefonema de alguém que se chamava “Tunga”. Na altura rimo-nos e fomos gozar com o nosso mano Medil Campos que no facebook se chamava Tunga Né, a dizer que afinal era por isso que ele já não aparecia mais e outros gracejos de mau gosto do género.

Uns dias mais tarde, é a vez de William Tonet publicar um artigo com ainda mais detalhes, alguns, como é de seu apanágio, parecendo exagerados demais com contornos de filme hollywoodiano de classe B, cheios de reviravoltas improváveis e pouco lógicas, exagerando o número do espetáculo.

Chegámos a partilhar neste blog esse artigo pois nele se refere que foi encontrado no computador de um dos implicados no assassinato uma lista de alvos à abater que incluía alguns centraleiros e ignorámos totalmente o facto dele citar um Tucayanu como sendo o agente do SINSE que fez a tal chamada (não “Tunga”, mas “Tuka”).

Tendo entre nós um Tukayano, deveríamos se calhar ter ficado com a pulga atrás da orelha, mas os factos narrados eram de tal maneira grotescos que nunca iríamos considerá-lo mais do que uma infeliz coincidência. Ledo engano.

No dia 1 de Março o F8 traz como estampa na sua primeira página: PGR SOLTA UM DOS ASSASSINOS DE KAMULINGUE E CASSULE. Trata-se do tal agente Benilson Bravo da Silva, nome de código “Tucayanu”. A cara colada noutro corpo numa daquelas montagens algo toscas é a do nosso parceiro e amigalhaço a quem chamávamos Tukayano Rosalino, crendo ser este o seu nome verdadeiro.

FOLHA 8 - Tukayano CAPA

Incrédulos e apanhados totalmente desprevenidos a nossa primeira reação foi: “O William enganou-se, está a fazer confusão, certamente que se precipitou porque ele conhecia o nosso Tuka então ao ouvir que é agente Tucayanu deduziu que era ele e pegou uma foto dele qualquer e atirou só assim.”

Começou assim a missão “limpar o nome do mano Tuka”.

O Pedrowski Teca teve a amabilidade de nos enviar a edição online do F8 pelo email e lendo a matéria toda encontrámos típicos Willianismos que nos faziam crer mais ardentemente na hipótese da confusão de identidades e começámos a dedicar-nos à tarefa de o provar.

De todas as diligências, a que nos deu mais esperança foi quando falámos com a mulher e lhe perguntámos pelo nome completo do marido. Ela respondeu meio gaguejante: “Tukayano Benin”. “Ó? E então o Rosalino?”. “É o segundo nome dele, Tukayano Rosalino Benin” corrigiu, meio atrapalhada. Não estranhámos. Sentimo-nos esperançosos que estaríamos a andar no bom sentido, apesar de termos achado o nome Benin extremamente parecido com o nome Benilson, mais uma coincidência a somar à todas que já empilhávamos. Exibimos-lhe a cópia do F8 e ela pareceu perder as forças, garantindo que não podia ser, porque o marido não tinha sido preso e estaria a trabalhar na plataforma, que ela própria o tinha deixado no aeroporto na sexta-feira anterior à nossa conversa (isto foi na terça-feira de Carnaval).

Perguntámos em que empresa ele trabalhava e ela não sabia dizer, só que era na Base Sonils, em que plataforma ele estava e não sabia dizer, só que era no Soyo, como fazia para contactar, que só ele o poderia fazer quando estivesse na base do Kwenda o que acontecia duas vezes por semana, que nos arranjasse uma cópia do BI dele para provarmos que o nome dele não tinha nada a ver com o anunciado no F8 e garantiu-nos que no dia seguinte o faria porque não tinha ali os documentos uma vez que estavam apenas a acabar de se mudar. Deixamos-lhe 3 números de telefone e rogámos para que ela nos ligasse assim que tivesse o dito BI e, se recebesse chamada do marido, lhe dissesse o que estaria a passar-se e para ele nos contactar imediatamente.

Tukayano o Assassino

A verdade é que o dia seguinte inteiro se passou sem que a Lídia, ou pelo menos assim disse chamar-se, tivesse sentido a urgência de contactar os amigos que queriam ajudar a ilibar o seu marido de tão nefasta ocorrência.

Pela urgência do assunto, voltámos lá para tentar encontrá-la, não fosse ela ter perdido o papelinho com os números e não saber como nos contactar. A hora já ia avançada (21h40) e nós subimos com esperança dessa ser a explicação. Batemos a porta ligeiramente. A primeira sem resposta, a segunda com uma moça a responder-nos por detrás da porta num tom de urso acordado em época de hibernação: “mas quem é a esta hora?” . Apresentámo-nos. “Já estivemos aqui ontem para falar consigo…”. “Aqui não mora nenhuma Lídia; Aqui não mora nenhum Tuchinho”. Congelámos! Daí a moça ameaçou que ia chamar a polícia e nós deixámos de a importunar.

No dia anterior, um primo do Tuka que funciona na UPIP tinha-nos garantido que tinha o tinha avistado e cumprimentado um dia antes (segunda-feira), o que era incompatível com a história do “levei-o ao aeroporto na sexta-feira”.

Sem cópia do BI, sem sabermos a plataforma onde estava (já tinhamos arranjado maneira de chegar até ele, só faltava o nome da plataforma), os números de telefone verificados na UNITEL e desligados há meses, a notícia tendo saído no dia 1 de Março, a família já tendo conhecimento e ninguém reagir, começámos a render-nos às evidências, perdendo as esperanças, pois, nem que estivesse num programa espacial da NASA em Marte, o Tukayano já haveria de ter sabido da sua imagem a ser usada indevidamente e associada a um crime de extrema gravidade e já teria contactado alguém para desmentir e teria chegado até nós. Se não o estava a fazer é porque tinha culpa no cartório e todas estas “coincidências” narradas pela mulher para explicar a longa ausência do marido, provavam o axioma que se parece demasiado conveniente para ser coincidência, provavelmente é porque o é. Eram coincidências a mais e factos a menos. Chega um momento em que temos de baixar a guarda e render-nos às evidências.

O golpe de graça foi dado quando o José Gama, usando de suas fontes nos confirmou que a imagem do Jornal correspondiam a de um agente do SINSE que vive no Alvalade e que é conhecido pelo nome de Tuchinho. Tudo se encaixa, o que não pertence se separa, água para baixo e azeite para cima… o Tuka era mesmo o Benilson Bravo da Silva, nosso companheiro durante quase 3 anos, grande amigo, hiper-divertido, sempre disponível, um ser humano comum com as suas bravuras e covardias, não um “assassino 5 estrelas de sangue-frio e calculista que já matou empresários e algoz de Mfulupinga Landu Víctor”. Eis um dos Willianismos que pôs em causa a seriedade do artigo e que nos deu esperanças de ser uma confusão.

Logo a seguir, detetámos a presença do Tukayano na nossa sala privada de ativistas, da qual sempre fez parte, mas na qual tinha deixado de interagir há meses. Discutíamos maneiras de conseguir chegar à fala de viva voz com o próprio quando damos conta que ele está a ler as mensagens, sem nunca responder, mesmo vendo a nossa aflição. Foi o fim.

Tukayano Lê Mensagens na Sala Privada

Acho que nos resta, num gesto de fairplay depois da goleada, parabenizar o Benilson por nos ter iludido tão bem a todos, por ter conseguido levar à bom termo a missão que lhe foi incumbida, de ganhar a nossa confiança, de participar nos nossos espaços reservados, de se emocionar, de ser companheiro de todos os momentos, mas também aos seus patrões do SINSE porque afinal também conseguem dar uma formação de alto nível aos seus quadros.

Tukayano

Gostaríamos de lembrar que no decorrer da sua espinhosa missão, o agente Tucayanu apanhou ferros do Godzila, narrou em pormenor minucioso ao ponto de ser difícil imaginar que seja fantasia uma porrada que terá apanhado em companhia do jovem Mário no dia 3 de Dezembro de 2012, assinou cartas para o GPL e apareceu em vídeos (ver aos 5:16 e digam-nos que não é convincente. Assustadoramente, hoje parece que aquelas palavras eram dirigidas aos presentes na sala e não ao regime sanguinolento do MPLA) nos quais mostramos a tortura a que somos submetidos. O que ele não se deve ter divertido.

Mas agora vamos nós divertir-nos e fazer com que ele desejasse não ter sido solto, pois escória desta estirpe que é cúmplice de homicídios de concidadãos, se lhes é devolvida a liberdade, merecem viver com medo eterno de aparecer alguém vingativo para lhes fatigar. Por isso, vamos tratar de divulgar a imagem deste traste por todos os meios que nos forem possíveis e revelar também a sua morada para que ele possa sentir o desconforto de estar exposto e vulnerável.

TUKAYANO KUBICO ALVALADE

Acerca da greve na clínica Girassol fizemos três posts na nossa conta de facebook e um deles incluía um texto redigido pelos funcionários grevistas.

A greve continua e vai agora no seu 7º dia e o texto voltou a ser relevante pois agora a entidade patronal pronunciou-se e, como não é de todo invulgar, com a pior das atitudes. Abaixo partilhamos o texto dos grevistas e a resposta dos “chefes”.

Clinica Girassol GREVE Sapo.ao.2

“Vimos por meio desta fazer uma narração de uma forma resumida e objectiva da história das referidas empresas na clínica girassol.

Sendo a clínica girassol uma subsidiaria da Sonangol EP que tem como actividade principal a prestação de serviço na área da saúde, e havendo a necessidade de criar o seu quadro de pessoal contrataram a empresa Excelmed para o devido recrutamento e selecção.

Tendo o seu inicio no dia 01 de Abril de 2008, isso após um processo rigoroso de selecção de pessoal que envolveu profissionais estrangeiros para a formação dos quadros da clínica, na qual teve o tempo de duração de 5 meses até a data da sua inauguração aos 04 de Setembro de 2008. Após esse período surge mais uma segunda empresa denominada Angola-ffshore, e chegando o momento de assinatura dos contrato de trabalho os candidatos para a área da saúde assinaram com a Excelmed e os restantes com a Angolao-ffshore tendo ambas empresas o objectivo inicial apenas o recrutamento do pessoal.

Começamos por assinar um contrato de estágio e depois para determinado renovando anualmente com promessas e esperança da efectividade para a Sonangol.

Passado 3 anos isso no de 2011 , ocorrendo uma mudança da Comissão Executiva da Clínica girassol, surgiram junto vários despachos dentro os quais a “ Implementação do qualificador de Funções, remunerações e benefícios das subsidiarias da Sonangol EP “ anunciando melhorias das condições dos seus colaboradores nomeadamente nos referidos despachos incluindo os colaboradores da Excelmed e Offshore, feito e assinado pelo o actual Presidente da Comissão Executiva da Girassol conforme os documentos em anexo.

6 anos se passaram e nada se cumpriu, pelo o contrario as nossas condições foram piorando, reduzindo ainda no pouco que nos resta de forma tão brutal e desumana, surgiram pessoas das suas conveniências que gozam de melhores condições e a serem efectivados em tão pouco tempo de trabalho sem sabermos quais os critérios para as referidas efectivações que são feitas em clandestino, e alguns colaboradores considerados chaves foram absorvidos a assinarem o contrato de cedência de passagem para trabalhadores girassol.

Os pioneiros desta historia que deixaram outros empregos, penalizaram os seus estudos para apostarem neste grande negocio actualmente são banalizados, desconsiderados, explorados sem nem um reconhecimento de tudo que fizeram para elevar o nome da Clínica.

É com muito dor e tristeza que narramos essa história na qual vivemos no passado e vivemos até hoje, na esperança de termos a oportunidade de poder mudar o seu triste cenário para um final feliz, e batermos no peito dizendo “vencemos e gozamos o merecido”.”

As ameaças da Angola Offshore/ExcelMed

Clinica Girassol AMEAÇA Excelmed 01 Clinica Girassol AMEAÇA Excelmed 02

Os que vêem além de olhar

Posted: February 18, 2014 in A Voz do Povo, Argumentos

Como podes ter tu tanto e olhar para a tua volta e só ver pobreza? Não! Tu… tu não vês pobreza, tu não andas pelas mesmas ruas que eu ando, não apanhas os mesmos candongueiros que eu apanho, eu disse os mesmos candongueiros… e acabo de lembrar que tu não os apanhas. Tu certamente és daqueles que diz que o teu país evolui, que alcançamos uma economia invejável, que o nível do PIB aumentou de 1, 5 à 100, 1000 -não olhes para mim, que eu não entendo de economia, meu negócio são seres humanos. Mas em relação às ruas por onde eu passo? Acho q não acompanham o nível dessa vossa tal “economia invejável”. E as crianças -que são quem mais me preocupam- que eu vejo ganharem o sonho de serem policiais, não mais para defender o povo, mas para “michar uma massa no ‘draivá’ ou no cobele”!? já agora: sabes o que é um cobele? Ou só sabes de Angola aquilo que vês? Ou ainda só vês aquilo que te interessa nesse teu mundo onde tudo é cor de rosa? Deverias saber que Angola são as fotos que eu vou postar no mesmo aqui e não só as tuas casas na ilha do mussulo, em Paris, em Londres, em Veneza (tens também uma mansão lá, não tens?), ops! Não tens uma simples casa, tens mansão, desculpe não ter acertado a primeira. Ahammmm, mas tu ajudas crianças carentes não é!? Ah tá, “vai-te foder”, porque ainda tens a ousadia de pedir doações à pessoas mais pobres do que tu (mais pobres não, menos ricas, porque vocês estão longe de saber o que é pobreza) e depois postas fotos para mostrar que és uma pessoa solidária. E depois realmente dormes a pensar que o és… perante nós que vivemos a realidade de Angola todos os dias, tu não passas de um aparecedorzito, porque aquelas crianças podiam ter bem mais do que aquilo, e se tivessem o subsídio vindo do petróleo que os teus progenitores usam para que vivas as vidas largas que vives, elas não precisariam de ti, seu pseudo-filantropo. Reparaste que eu não escrevo mal? Certamente não tive insucesso escolar como andam por aí a dizer dos que falam o que pensam, e se queres saber, até tenho um trabalho que amo, pena ter de acordar tão cedo, apanhar o engarrafamento causado pelos buracos e pela falta de vias alternativas , porque o dinheiro das tais taxas de circulação vão para arranjar as estradas onde tu passas, e que se lixem as do meu bairro que dariam óptimas vias secundárias e descentralizava os caminhos por onde passamos todos nós que não temos a mesma vida que tu. E acredites tu ou não, eu não sou daquelas extremistas que toma partidos, estou apenas do lado que sofre injustiça, nem que um dia venhas a ser tu. Depois vocês vão chamar à todos os que têm a ousadia de reclamar pelos seus direitos, de frustrados… E num país tão sério como Angola, é assim que falamos e tratamos os nossos jovens, quando notamos que as maratonas que proporcionamos a eles, não foram suficiente para formatá-los. IMG3
Pois saibam que entre nós, jovens angolanos, há quem pense além do dia de hoje e das bebedeiras. Há aqueles que querem o progresso de Angola, há aqueles que querem realmente criar, inventar e desenvolver o país. E a única frustração desses jovens, é saber que pessoas como tu, vivem a vida que tu vives com o dinheiro que é de todo o Angolano e não só vosso, seus bando de filhos da mãe!!!!

Dionilde Costa

A Hora da Mulher Rural?

Posted: February 11, 2014 in Argumentos, Opinião

Este artigo foi retirado da revista África 21 nº82 do mês de Fevereiro de 2014 e é sem sombra de dúvidas a mais interessante e frontal análise de uma das nossas muitas realidades, sem rodeios nem pinças, Fernando Pacheco esfarela entre dois dedos o inócuo discurso de fim-de-ano de JES que pretende como é de seu hábito enunciar prioridades distantes que (supõe ele) ninguém se interessará em cobrar (ao contrário do infâme “1 milhão de casas”) que não tenciona minimamente concretizar, neste caso específico o da “mulher rural”.

Vale muito a pena ler para se perceber como os fenómenos sociológicos se enlaçam explicando-se mutuamente e neste artigo o Fernando desmancha a corrente desta farsa elo por elo ligando com mestria o isolamento da mulher rural ao crescimento da zunga.

Fernando Pacheco_Africa 21_N82_Fev_2014-47Fernando Pacheco_Africa 21_N82_Fev_2014-48 Fernando Pacheco_Africa 21_N82_Fev_2014-49

Tirado do mural de facebook de um utilizador que ali se chama “Steven Lincoln” e trata-se de um relato detalhado do calvário que teve de passar para conseguir tratar do seu BI. Vamos respeitar a integridade do relato e mantê-lo tal qual foi redigido pelo autor.

É mais simples tratar deste BI do que daquele emitido pelos serviços de identificação

É mais simples tratar deste BI do que daquele emitido pelos serviços de identificação

“Por volta das 23h de ontém, fui ao Posto de Identificaçao da minha Zona, que fica a 1,8kms da casa do meu Avô. E posto lá, pus-me a falar com o segurança sobre a hora que deveria chegar para ser um dos primeiros. O segurança disse-me que a partir das 3H, 3h40 ja começam aparecer as pessoas. Entao implorei que colocasse o meu nome na lista visto que ja estava ali.

Por volta das 4h30, eu ja estva acordado e 5h03 minutos quando cheguei ao local ja encontrei perto de 50 pessoas. O segurança pediu-me entao que continuasse a fazer inscriçao dos que vinham aos poucos. E aos poucos a amanhecer, o numero foi crescendo. Antes mesmo das 8horas, ja estavamos em 137 pessoas.

As 7h50, o chefe do Posto( que para o meu espanto era meu amigo), foi o primeiro a aparecer e abriu logo as porto e demais funcionários foram aparecendo.
Dei a lista ao funcionário responsável pelo atendimento Externo e este fez questao de nos esclarecer que por razoes de por ordem de chegada, atenderiam primeiro os suplentes da lista do dia anterior, portanto 2-Feira( que eram ja 52 pessoas) e que, da lista de hoje, tirariam 91 individuos.

E o trabalho deles começou por volta das 8h10. Deu-se prioridade as senhoras com bebés, idosos, diminuídos físicos e alguns idosos. Depois de terem atendido toda essa gente + os da lista anterior, foi a minha de entregar o documento para análise.

As 11h passei para outro lado onde aguardava para tratar o GOLDEN B.I( fazer foto, tirar impressao e assinar)…outra fila.

Nao obstante ter observado muitas irregularidades como, pessoas que chegavm, faziam telefonemas e entravam pelas traseiras, mais de 5 computadores ligados mais apenas um indivíduo a atender e este, mesmo com o aviso de proibiçao do uso do telemovel, nao o largava!

Bom… ja cansado de tanto estar em pé ( a partir da 5h) exposto ao sol porque nao nao ha sequer algum tipo sombra, vejo um grupo de perto de 10 pessoas que eu inscrevi e que estavam num fim da lista, a serem chamados.

Fiquei passado! Invadi a sala e comecei a falar alto… chamei nomes… disse-lhes que eram eles que incentivavam desorganizaçao porque era absurdo que eu como a primeira pessoa estava ali sem ter sido atendido, ja passaram para numeros do fundo! Fiz cena…nao me importei com o meu facto e gravata, nao me importei com olhares…!
Pasme-se que só depois disso é que um funcionario de categoria veio ter comigo, com desculpas esfarrapadas e tentar argumentar o absurdo.

Fiz mais uns 4 a 6 minutos e o processo estava concluido( aguardando 1 semana para levantar).

Para dizer meus caros concidadãos, é este o terrivel sacrificio que as massas passam para ser apenas ANGOLANO! Isto sem mencionar a parte do Assento de Nascimento e depósito de emolumentos no banco atóa BPC.

Quando eu critico, faço-o com propriedade porque é realidade que vivo. Tenho tambem amigos em muitos sectores mas, ainda nao sou um sem-carácter para passar pelas traseiras ou tratar documentos de utilidade pública em casas daqueles que sao meros servidores público.

O pior que este sofrimento das massas, é o facto de nao haver imprensa para reportar, Inadec para se queixar/lamentar nem OPOSIÇÃO para fiscalizar e denúnciar!

Irmãos, estamos tramados!”

Medicos homicidas pt.II

Os dois relatos que se seguem foram redigidos por um usuário do Facebook identificado como “Yuri Simão”, há vários meses atrás. O primeiro sobre uma amarga experiência pessoal e o segundo evocando a triste história de uma mãe que acompanhou a dor da sua família e que com ele partilhou a sua própria.

São ambos tão dolorosos que nos marcaram ao ponto de conservarmos estes textos até hoje e, finalmente os publicarmos em forma de artigo, tendo apenas dado um toque aqui e ali na pontuação e acentuação para mais clareza na leitura, mas conservando o texto o mais fiel possível à publicação original, deixando intocados inclusivé os erros ortográficos que encontrámos.

A partir daqui, as palavras passam a ser de Yuri Simão, mas, pelas razões já evocadas, coibir-nos-emos de metê-las entre aspas:

Um dia quando o Adebayo Vunge escreveu sobre a negligência na Horton Pediatria, eu tinha a percepção de que viveria o meu momento.

Ontem as 14:00 Nasceu na Clínica Sagrada Esperança o bebê de nome Octaniel, meu sobrinho esperado o primeiro filho da minha irmã Mity, a alegria era tanta que partilhei com os amigos a novo menino saudável de 3.5kg.

As 18 horas a criança não parava de chorar e foi levada até a Neo Natal da clínica, acompanhada por uma enfermeira (segundo sei as normas dizem que uma criança ao entrar para essa unidade, deverá ser acompanhada por um pediatra). O Pediatra de plantão que esteve dentro da sala de Parto era nem mais nem menos que o Famoso Medico Dr. João Pedro, de tão tamanho pedestal que possui, não saiu do seu gabinete para ver a criança, dizia ele que o menino tem fome pra se dar o leite.

Após varias horas “23:00 hora concreta” o Dr. João Pedro se dignou a ir até a Unidade Neo Natal, onde o menino nem estava entubado, apenas dentro da incubadora, lá começou o show total, berros as enfermeiras, entra e sai, e lá ele por volta da Meia Noite veio até aos familiares dizer o seguinte: “O Quadro é Grave, nem eu sei o que ele tem, nem eu sei”.

O pânico no rosto do Catedrático era notável a Banga lhe estava a cair pelo olhar dos familiares, saiu sem Como sempre aqui na Terra de todos nós, poder dar uma explicação, porra que explicação se o mesmo nem sabia o que se estava a passar?

Fomos pra Casa pensando na alegria da minha irmã que nos despediu sorrindo e pensando que daria o primeiro Leite da sua Xuxa carregada ao seu filho. Fomos pra casa pedindo e apelando ao nosso Deus que afastasse uma desgraça da nossa família, fomos dormir pedindo a deus que fizesse o trabalho do Dr. João Pedro. E às 04:00 o telefone toca e como se imagina noticia ruim chega cedo, o Octaniel nem viu o sol nascer, nem a Mity conseguiu dar a Xuxa ao seu filho e todos os planos de um casal jovem, do enxoval das brincadeiras do bebê saudável e esperado foram ao lixo.

Bem alguém pode pensar que estou com raiva do médico ou da clínica e se assim pensar está certo, pois já vivi o mesmo momento varias vezes aqui, e me pergunto quem não viveu? Yá, parece normal os valores que são pagos nas Luxuosas Clínicas de Angola que de tanto Luxo tem a MERDA de serviços e Negligências. Os procedimentos neste caso e em outros foram mal feitos e uma vida se foi sem motivo algum pois a minha irmã vai ficar na merda e o doutor JOÃO PEDRO com a fama de ser o maior PQP a ele e a Clínica Por mim e por todos que já viveram na Pele isso.

—————————————————————————-

Bom dia Amigos Vou partilhar a dor e relato de uma mãe “Sandra Mendes” que acompanhou o momento de perto que a minha família passou e ela acabou por passar: “Amigo eu estou a passar por uma situação triste e por acaso acompanhei de perto a vossa alegria ontem e a vossa tristeza hoje.

O meu filho sofreu um acidente no domingo a andar de patins viemos para a clínica sagrada esperanca foi atendido encaminhado para o internamento com o pé no gesso pois partiu o tornozelo mesmo com dores sempre com um sorriso no rosto. Às 15 desceu para o bloco operatorio e de la saiu em coma porque? Porque nao fizeram lhe o teste da anestezia ele é asmatico tem alergias nao leram o processo dele teve varias convulsoes fez uma paragem e esta em coma. Agora meu deus, tenho o meu rei, meu filho único, ligado as maquinas e eu estou a morrer por dentro so me resta orar e esperar forca para a vossa familia”. Amigos o filho único dela acabou por falecer ontem. E agora Iluminados, cientistas, vaidosos e arrogantes médicos como fica essa mãe que já nem pode ter filhos pois faz hemodiálise?