Archive for the ‘Direitos Humanos’ Category

Estamos em Maio, ano de 2013. Dentro de dias celebrar-se-ão dois infelizes aniversários: dia 27 do rapto de Alves Kamulingue e dia 29 o de Isaías Kassule. Poucas esperanças temos que ainda estejam vivos, mas iremos continuar a exigir que se esclareça o que se passou com esses irmãos e não estaremos satisfeitos até que se apurem os factos e se punam os prevaricadores que, até então, continuam a merecer a protecção da estrutura de Estado com promessas vagas de investigações (no âmbito da qual o nosso mano Hugo Kalumbo foi intimado e intimidado a responder em Benguela, numa sessão que mais parecia uma tortura psicológica que uma tentativa de chegar ao cerne da questão) cujos resultados teimam em não aparecer.

Para que os nomes desses dois rapazes não caiam pura e simplesmente num buraco obscuro e longínquo do que insistimos chamar de memória colectiva, continua a geração da mudança a insistir em exprimir periódica e publicamente o seu repúdio pelo que interpretam ser um crime de Estado.

Desta vez, será realizada uma VIGÍLIA, já comunicada tanto ao GPL (obrigatório por lei) quanto ao MININT (não obrigatório), como poderão constatar nas imagens em anexo onde se vê a acusação de recepção das diligências em ambos os órgãos.

A vigília terá lugar no LARGO DA INDEPENDÊNCIA, das 16h00 do dia 27 de Maio até a manhã do dia seguinte, dia 28 de Maio.

Senhores brutamontes e desrespeitadores da lei da República de Angola: será uma VIGÍLIA! Sem palavras de ordem, sem cartazes, sem marchas, sem ofensas, sem nada que possam considerar ofensivo ao bom nome de quem nos ofende todos os dias com a sua incompetência assassina. VIGÍLIA. Leram bem? Agora levem os recados aos vossos chefes e DEIXEM-NOS EM PAZ! Preocupem-se com as 500 mil pessoas que estão a morrer à fome no Cunene, nos Gambos, no nosso lindo Sul onde os gritos de S.O.S continuam a ser ignorados como se aqueles fossem menos angolanos que os suínos que conduzem tubarões na cidade capital. Preocupem-se com aqueles que já desalojaram e que estão agora a morrer um pouco todos os dias derivado das condições dos pântanos para onde os atiraram. Preocupem-se em esclarecer o caso Kassule e Kamulingue, Milocas Pereira, Alberto Chakussanga, ou outro dos quinhentos mil pendentes que têm vis-à-vis da sociedade angolana a quem se habituaram a não mais dar satisfações.

DEIXEM-NOS EM PAZ!

Vigília 27 Maio GPL.resized Vigília 27 Maio MININT.resized

A mentalidade fossilizada da obediência doentia a uma suposta “ordem superior” não irá, como que por um golpe de magia, desvanecer-se enquanto as mesmas pessoas que foram formatadas para obstaculizar o “adverso”, o “do contra”, o “dissonante” se mantenham como titulares de cargos com poder de decisão.

Infelizmente, por força da experiência repetida, temos de aplicar aqui o ditado fatalista que diz:”pau que nasce torto, nunca se endireita”. Para essas pessoas, pouco importa que o cidadão cumpra com escrupuloso rigor com as leis da República, que escreva todas as cartas, peça (e adquira) autorização deste mundo e o outro, tenha transtornos financeiros que nunca, ninguém se propõe indemnizar, jamais deverá este cidadão auferir dos direitos que lhe são conferidos pela atípica Constituição, pois esses direitos ferem a sensibilidade dos que os aprovaram para “fazer bonito”, para saírem bem na fotografia, para aparentar vontade explicita de se democratizarem os hábitos sociais.

No dia 30 de Março, a mesma data da nossa manifestação (mais uma vez) abortada pela já habitual violência policial redundando em porretes, bofetadas, pontapés nos testículos e detenções ilegais, em Benguela, um grupo de Hip Hop chamado Família Eterna, tentava levar a cabo um evento que celebraria os seus 10 anos de existência e para o qual procederam a todos os a priori impostos pela lei pre-histórica, com autorizações carimbadas pela cultura, pela polícia e pela administração local, como se pode comprovar nas imagens aqui disponibilizadas.

O que pode levar as autoridades a reverter um parecer anterior e, à margem de qualquer critério legal, tentar impedir a realização de um evento no próprio dia em que este deveria ter lugar? Que nomes são esses que ao aparecer no ecrã do telefone fazem mais-velhos, pais-de-família, hiperventilar de pânico e embrulharem-se completamente com actos que contrariam todas as formações que já receberam?

Segundo o testemunho do Fábio, um dos organizadores do evento cujo nome se pode ver na documentação aqui disponibilizada, foi ao aperceberem-se que o MCK seria o convidado de honra do evento que lhes terá disparado o alarme arrepiante da auto-censura e terão tentado corrigir o tiro, pressionando psicologicamente a organização a abortar o evento e, mais engraçado, a inventar “uma desculpa qualquer” para o justificar perante a opinião pública, ao pé da qual a sua credibilidade ficaria mordiscada. “Sobretudo não dizer nada ao MCK”. Esses mais-velhos perderam totalmente o juízo.

Ainda segundo o Fábio, uma vez no escritório do comandante Ndalu, por quem terá sido convocado, uma enxurrada de questões acerca do recém-premiado do Festival Nacional da Canção se seguiu, ao ponto de, na dúvida acerca do conteúdo temático das letras deste último, o comandante ter baixado a ordem a um subordinado hierárquico que se deslocasse ao local onde estaria a decorrer a venda do “Proibido Ouvir Isto”, adquirisse uma cópia e se pusesse a escutá-la in loco, comunicando a par-e-passo o que estivesse a ouvir. O agente não terá superado a faixa introdutória e já o comandante levava as mãos à cabeça alarmado:”não pode ser, esse indivíduo não pode cantar, não estamos autorizados a ter músicos que cantam contra o governo!”.

A resistência à intimidação fez com que outro tipo de estratégia, mais agressiva, fosse colocada em marcha: desde visitas ostensivas de agentes à paisana ao local do evento, desencorajamento de permanência de quem se aproximasse com intuito de adquirir bilhete, visita inusitada do soba e ainda uma campanha de desinformação executada utilizando o serviço de SMS de uma das operadoras nacionais, em tom alarmante, advertia a população a não ir ao evento pois “algo de mau irá acontecer”. Para coroar tudo isto, um corte de energia foi encomendado quando o evento já decorria.
Ameaça mal disfarçada de conselho. O visado tentou ligar para o remetente, mas o número estava desligado.

Ameaça mal disfarçada de conselho. O visado tentou ligar para o remetente, mas o número estava desligado.

Os rapazes foram firmes e resolutos, levando em frente a sua intenção de realização do evento que tão cuidadosamente prepararam, não abdicando de nenhum dos pormenores previstos inicialmente, incluindo a participação do MCK que acabou por cantar o dobro daquilo para o que tinha sido contratado, em sinal de reconhecimento tanto pela organização, como pela brava plateia de (à volta de) 80 almas, que apesar dos alertas, não quiseram perder um evento que é raro para os amantes de Hip Hop consciente na terra das acácias rubras.

As consequências da sua “afronta” à ordem superior e arbitrária já começaram a fazer-se sentir e o pequeno espaço de 30 minutos semanais que lhes era cedido na Radio Morena, lhes foi retirado mas, claro está, de maneira amigável, sem celeuma, sem ressentimentos pois, afinal de contas, coitado do “dono do programa” que receia agora ter qualquer tipo de associação a esta juventude desobediente, não vá ele, por seu turno, perder tão pequena “benesse” como um inofensivo programa de rádio.

Para download gratuito, a banda dispensou uma das suas novas faixas intitulada “10 anos de irmandade“, no qual abordam justamente o assunto aqui relatado.

Só mais um episódio entre milhares no país do revanchismo, protagonizado pelos mesmos dinossauros políticos que recusam aperceber-se que essas práticas já não têm lugar numa Angola democrática e seguem, envergonhando o país perante o mundo, ao mesmo tempo que impingem por força de discursos exemplos que nunca lhe deram.

Luaty Beirão

FAMILIA ETERNA Autorizacao da Rep. Cultura FAMILIA ETERNA Autorizacao do Comando da Policia  FAMILIA ETERNA Parecer da Adm. da ZonaFAMILIA ETERNA Declaracao de Cedencia do Recinto

Passou-se na semana passada em Luanda uma conferência sobre a “Cultura do Paz”. A referida conferência contou com um discurso de abertura do Presidente da República José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979. Passamos, na íntegra, o discurso do “Arquitecto da Paz”.

Luanda, 26 de Março de 2013

EXCELENTÍSSIMA SENHORA
DRA. NKOSAZANA DLAMINI-ZUMA,
PRESIDENTE DA COMISSÃO DA UNIÃO AFRICANA,
EXCELENTÍSSIMA SENHORA
DRA. IRINA BUKOVA,
DIRECTORA GERAL DA UNESCO,
DISTINTOS CONVIDADOS DE HONRA,

CAROS CONVIDADOS,

MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES,

Emboa hora a UNESCO, em parceria com a União Africana, decidiu realizar na capital da República de Angola esta conferência sobre a Cultura da Paz em África, que é sem dúvida um dos bens mais preciosos para o nosso continente e também aquele que o povo angolano mais preza e procura proteger e conservar a todo o custo.
Sabemos por experiência própria quão dolorosos são os efeitos da guerra e quais os valores que a paz propicia e encerra.  Afinal, há apenas onze anos que o nosso país vive uma paz efectiva, que se assinala no próximo dia 4 de Abril de 2013.
Durante mais de quatro décadas conhecemos de forma quase ininterrupta as agruras e malefícios da guerra, que geraram no nosso país mortes, miséria, fome, luto, dor, destruição, inimizades, etc.
Um cortejo de horrores difíceis de ser recordados e que ninguém mais quer voltar a experimentar.
Só nos últimos trinta anos de guerra tivemos cerca de um milhão de mortos, duzentos mil mutilados e estropiados, mais de cinquenta mil crianças órfãs, cerca de quatro milhões e meio de deslocados e mais de seiscentos mil refugiados.
Para além disso tivemos para cima de dois milhões de minas e outros engenhos explosivos implantados em território nacional e vinte mil milhões de dólares de prejuízos materiais em infra-estruturas como estradas, pontes, aeroportos, barragens, linhas de transporte de energia eléctrica e de caminho-de-ferro, etc.
A isto podemos juntar dez mil milhões de dólares de prejuízos em equipamentos sociais, tais como hospitais, centros médicos, escolas, institutos, pavilhões desportivos, locais de culto religioso, etc.
A conclusão que podemos tirar de todos estes horrores só pode ser uma: a guerra é uma verdadeira calamidade, cuja apologia constitui uma autêntica desumanidade.
Por essa razão, é nossa convicção que no contexto do mundo actual, em que os Estados Democráticos de Direito se afirmam cada vez mais e se envidam cada vez mais esforços no sentido do respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, a regra da resolução dos conflitos deve ser o diálogo e o debate franco e aberto, como forma de se alcançar o consenso.
As questões de natureza interna, e mesmo as que possam eventualmente ocorrer a nível internacional, não devem ser dirimidas por via da confrontação violenta, mas sim através da concertação e negociação permanentes, até se chegar a um acordo que dê resposta às aspirações de todas as partes envolvidas, mas que ao mesmo tempo se conforme com os superiores interesses nacionais, tais como a soberania, a unidade e integridade da nação e o respeito pela dignidade humana.
Infelizmente, para além dos inúmeros problemas que o nosso continente enfrenta, em especial no domínio social e económico, ainda temos de fazer face aos conflitos militares que grassam seja no interior seja entre alguns dos Estados.
Neste preciso momento, tanto na República Democrática do Congo, como na República Centro Africana, no Mali, na Nigéria, na Somália, na Líbia, no Sudão do Sul, só para dar alguns exemplos, a vida de milhões de civis inocentes, homens, mulheres e crianças, é posta em perigo por conflitos armados.
O continente africano tem tanta necessidade de paz como de pão para alimentar os seus filhos. Não podemos satisfazer a necessidade de todos se a guerra prevalecer.
Já por diversas vezes afirmámos que sem paz o desenvolvimento não é possível.
A paz é a condição indispensável para a obtenção do progresso, da justiça, da igualdade de oportunidades e do respeito pelos direitos fundamentais dos cidadãos.
Assim, a paz duradoura consolida-se com o desenvolvimento e a partilha equilibrada dos seus benefícios.
Devemos, para tal, cuidar da satisfação material, moral e espiritual das pessoas, das famílias e do povo em geral, para que a paz assente em alicerces firmes e se possa perpetuar.
Este pensamento, com a necessária adaptação, pode ser extensivo à relação entre Estados, na perspectiva da satisfação dos interesses dos povos do planeta, da consolidação da paz no mundo e do reforço do entendimento entre as nações.
O pano de fundo da sincronização entre o desenvolvimento e a paz deve ser a democracia, como único caminho que permite aos nossos povos ser senhores do seu destino e escolher periodicamente os seus governantes num clima de respeito pelas ideias alheias e a vontade popular.
Mas devemos sublinhar que o reforço e consolidação da paz não são só fruto do desenvolvimento.
Resultam também da reconciliação, do perdão recíproco, da confiança e da aceitação mútua, que conduzem à desejada pacificação dos espíritos.
É a confirmação na prática destas ideias que nos levam a concluir que o caminho da paz passa por um forte e permanente empenho cultural, que deve ser protagonizado por todos quantos partilham o objectivo de fazer perdurar a paz ao longo dos tempos.
Este é um processo complexo que exige a participação de toda a sociedade civil, em especial das instituições religiosas (como paladinos do perdão e agentes da fraternidade) e também das mulheres (na sua qualidade de mãe, companheira, irmã), cuja voz é sempre escutada e respeitada nas sociedades africanas.
Neste contexto devemos sobretudo cuidar das novas gerações, como garantes do futuro, por forma a serem formadas numa autêntica cultura de paz e tolerância que, com o tempo, se converterá em parte integrante do património moral da sociedade.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

As considerações que acabo de tecer decorrem da amarga experiência vivida pelo Povo angolano.
Há precisamente onze anos, o Governo de Angola declarava na sua agenda política que as questões de Paz e da Reconciliação Nacional deviam ser equacionadas num quadro jurídico e político em que se respeitasse a Lei Constitucional então vigente, o ordenamento jurídico e as instituições do Estado,  como ponto de partida, e que ambos os contendores deviam aceitar de modo inequívoco a validade dos Acordos de Paz e as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre Angola.
A partir desta base foi possível agirmos em seis níveis:
1. Ao nível político, com a promoção da reconciliação nacional através da unidade e da coesão nacional e da consolidação da democracia e das instituições do Estado Democrático de Direito;
2. Ao nível económico, com a adopção de uma Estratégia de Saída da Crise, de que era parte integrante e essencial o Programa de Estabilização Macroeconómica e de Reconstrução Nacional e de Desenvolvimento Económico e Social. Essa estratégia permitiu reabilitar as infra-estruturas que tornaram viável o exercício da actividade económica, a prestação da assistência médica, a circulação de pessoas e bens, assim como a instalação, organização e capacitação da Administração local;
3. Ao nível social, com a adopção de um Programa de Emergência para apoiar a reintegração social e o reassentamento dos deslocados, o regresso dos refugiados, o enquadramento social dos militares desmobilizados, a reinserção dos deficientes de guerra e o acolhimento das crianças órfãs;
4. Ao nível jurídico, com a aprovação pela Assembleia Nacional, por proposta do Governo, de uma amnistia para todos os crimes cometidos no âmbito do conflito armado, visando com estas medidas assegurar as necessárias garantias jurídicas e política para a promoção e efectivação do processo de reconciliação nacional;
5. Ao nível militar, com a desmobilização das forças da oposição armada e a integração selectiva de alguns dos seus membros nas Forças Armadas e organismos de Defesa e Segurança, com a despartidarização efectiva destas, acompanhadas de campanhas de sensibilização para a entrega voluntária de armamento em posse ilegal da população.
6. Ao nível cultural, envolvendo os parceiros sociais e a sociedade civil na promoção de uma cultura de tolerância e de paz, de respeito por todos os cidadãos, independentemente das suas convicções políticas e ideológicas, aplicando efectivamente o princípio da igualdade e da liberdade de expressão e exortando todos os angolanos a virarem juntos esta importante página da sua história.
Com esta nossa experiência, temos estado a dar na medida do possível e sempre a pedido dos próprios interessados o nosso modesto contributo para a análise e resolução de outros conflitos que ocorreram ou continuam a ocorrer no nosso continente.

Continuaremos a manter esta vocação de ser um factor de paz, estabilidade e desenvolvimento nas sub-regiões a que pertencemos e  no continente em geral, através de organismos como a União Africana, a SADC, a CEEAC e a Comissão do Golfoda Guiné, prestando ajuda aos países com os quais mantemos profundos laços históricos e de amizade, em particular a República Democrática do Congo.

E é neste  contexto que  aproveito a ocasião para condenar com firmeza o golpe de estado que ocorreu na República  Centro Africana e apelar a União Africana para que  tome as medidas  necessárias para o restabelecimento da legalidade e  da aplicação dos Acordosde Paz  de Libreville.

Acreditamos que com o apoio firme e resoluto da comunidade internacional, de que esta conferência é um exemplo, África poderá dispor de mais condições para pôr cobro aos conflitos ainda em curso e combater as suas causas profundas, a fim de se instaurar uma era de paz duradoura, eliminar a pobreza e alcançar um progresso sustentável que permita a plena integração dos nossos países em pé de igualdade na economia mundial.
Finalmente, a todos os angolanos desejo antecipadamente um feliz Dia da Paz e Reconciliação Nacional!
A todos os presentes muito obrigado, em particular à Dra. Irina Bukova, pelo convite feito e por terem escolhido a República de Angola para albergar esta conferência, à qual desejo muitos êxitos.
Porque postamos aqui o discurso inteiro do Presidente, a la Angop? Porque achamos estas palavras altamente cínicas. Mas não somos os únicos. O conhecido jornalista e analista político Reginaldo Silva escreveu o seguinte, no Facebook:
Cultura da Paz é dialogar com quem não está de acordo connosco e não promover encontros entre parceiros, entre camaradas, entre amigos.
O diálogo só faz sentido se ele tiver como propósito procurar entendimentos sustentáveis para a abordagem dos problemas que o país enfrenta com todas as sensibilidades que têm contribuições a dar e que já mostraram que têm ideias diferentes das nossas e capacidade para defendê-las.
Em Angola fala-se muito em dialogo, mas em abono da verdade dialoga-se muito pouco, pois não se passa da intenção e quando se passa, raramente se ultrapassa a barreira das primeiras dificuldades/divergências.
Dialogar assim só para inglês ver ou para ficarmos bem na fotografia de nada adianta, a não ser que a intenção seja essa mesma, a não ser que a intenção seja ganhar tempo (?!?!) ou virar o disco para tocar a mesma faixa.
Como conceito, Cultura da Paz mais não é do que democratizar estruturalmente a vida de um país para além dos discursos e de outros formalismos, evitando-se desta forma que em definitivo o conflito aberto se volte a instalar, sobretudo em países como Angola que viveram longos períodos de guerra fratricida….
De discursos estamos fartos. Queremos é que a “cultura da paz” se faça sentir nas nossas vidas. É deshonrado o Presidente vir com este discurso quando os acontecimentos no terreno apontam para uma realidade tudo menos “pacífica”. Como uma imagem fala mais que 1000 palavras, seguem algumas fotografias e vídeos que falam de uma realidade totalmente diferente daquela que o “Arquitecto da Paz” tenta passar perante os angolanos.
Luamba Mbanza Sangue
Mbanza ensanguentado
Terror em Luanda
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a pisar o puto Alwmão
Nome: Pedro     Delito: Sonhar

Nome: Pedro Delito: Sonhar

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Cultura da Paz? Aonde?

No dia 11 de Março, divulgámos que tencionávamos voltar a usar o nosso direito a manifestação para protestar contra a lentidão do processo de investigação do casso Kassule e Kamulingue, mas também de todas as outras vítimas conhecidas da inércia policial quando a investigação poderia ser reveladora de realidades melindrosas para o nosso executivo: Milocas Pereira, Mfulupinga Landu Víctor, Alberto Chakussanga, Ricardo de Mello…

Na sua edição de dia 15 de Março, Isabel João fez um exercício que a maior parte dos seus colegas de profissão se tem furtado a fazer: indagar e publicar uma matéria que oiça as duas partes e emita um posicionamento imparcial, sobre um assunto que é de extrema gravidade e que muito ofende a nossa já desbaratada constituição.

Seria excelente se agora começassem a fazer um pressing às autoridades e a divulgar a par e passo o andamento do processo. Dignificariam a profissão, fariam avançar a democracia e poupar-nos-iam o esforço de ter de usar sempre as mesmas, cansativas e perigosas ferramentas.

Kassule Kamulingue Novo Jornal

Chakussanga assassinado

O General Pacavira Mendes de Carvalho, também conhecido como General Paka e no Facebook como “Os Conselhos do General”, tem-nos sido uma voz amiga e conselheira desde os primeiros passos tímidos da nossa actividade. Apreciamos nele a frontalidade e a abertura de mente. Quem ler esta entrevista que o General concedeu ao Semanário Agora perceberá porquê. Apesar de não concordamos em todos os pontos, em especial o que o mesmo diz sobre o caso que envolve a actual esposa do falecido Agostinho Neto, bebemos muita sabedoria deste senhor e sabemos que a discórdia me harmonia é um dos muitos trunfos da democracia. Sem mais rodeios:

Não Luto contra pessoas, mas contra sistemas que contrariam os ideias do MPLA”

Os jovens protestam contra as politicas do regime, utilizando nas suas estratégias métodos e estilos de luta que, em determinadas ocasiões, lesam interesses políticos. Mas o executivo não deve fugir dessa realidade. Pelo contrário, deverá resolver este assunto tendo como base o diálogo

Pakas 01

Pacavira Mendes de Carvalho ou simplesmente “Pakas” é um General do exército e um dos poucos militantes do MPLA a dar a cara e a voz aquando da criação do movimento Revolucionário, constituído por um grupo de jovens que ousaram contestar as politicas sociais do então governo, desafiando por meio de manifestações, os órgãos de soberania. De entre as reclamações, o oficial general reformado reclama, em nome da família, o busto do seu tio José Mendes de Carvalho “Hoji–ya-Henda” que, durante a gestão do partido único foi afixado num pedestal nas imediações da cidade alta, mais concretamente, no jardim defronte ao local onde foi edificado o palácio da Justiça, proximidades do Ministério da defesa. Eis na íntegra a entrevista que concedeu aos nossos jornalistas, Ereneu Máquina e Júlio Gomes.

Como avalia o actual momento político e económico do País?

Muito Mal! A nossa juventude, enquanto força motriz da sociedade, está doente. Grande parte desta franja está desempregada. A educação está cada vez mais débil, a saúde não tem politicas concretas, as assimetrias entre as províncias do interior e do litoral sobem a casa dia que passa. Tudo isso não nos permite avaliar ou fazer um bom balanço sobre as politicas económicas durante as últimos 12 anos. A solução destes problemas passa pelo surgimento de novas visões e novos cérebros.

O General “Miau”, seu irmão mais velho, é um dos líderes de uma das formações mais activas da oposição as politicas apresentadas na assembleia pelo seu partido MPLA. A vossa relação continua sólida depois da decisão tomada por ele de fazer outro percurso político.

A minha família possui um carácter conciliador e democrático. Somos contra os comportamentos e atitudes extremistas e radicais. Por outro lado, em África, família é família, política é política e uma coisa não se confunde com outra. É assim que aprendemos com os nossos ancestrais. Desde que não lesem os interessem públicos ou familiares, todos são livre de materializar os seu ideais. Gosto muito do meu irmão “Miau”. Desde criança que evidenciou vontade de ser político. Foi activo combatente contra o colonialismo Português. Em 1974 era Suboficial do exercito Português em Cabinda. Muitos invejam-no por ser muito versátil, clarividente, acérrimo defensor dos seus ideais e , não aceita ser um “ pau mandado”. Tenho a certeza de que por Angola, ele dará grande contribuição no parlamento , para solução dos problemas do povo. Nós actuamos como os irmãos Kaczynski na Polónia, onde, apesar de que eram gémeos ( o que não é o nosso caso) um era primeiro ministro e o outro era Presidente. Mas, apesar disso, davam-se muito bem. Cada um a defender os interesses com que se identificava, mesmo criando amargos de boca. Na família somos todos unidos.

Nas vestes de empresário acha que o executivo tem feito o suficiente para o surgimento de uma classe sólida de homens empreendedores no pais?

Não! Estão a pensar curto e sem a visão correcta para o desenvolvimento de Angola. Julgam que um povo nu e faminto manter-se-á para sempre impávido.

O OGE para 2013 diz-lhe alguma coisa?

O nosso calcanhar de Aquiles continua sendo a Saúde e a Educação. Acho que devemos pensar em reduzir as despesas com a Defesa  reforçar esses sectores.

Os partidos da oposição voltaram contra, terão eles alguma razão, visto que o “bolo” orçamental deste ano foi o maior até que aprovado na assembleia?

Se as visões deles, assim aconselharam, acho correcto o posicionamento. As fontes de formação e as de informação são dispares. São visões de escolas diferentes.

Tem propostas concretas?

Acho que o Executivo deve dar maiores oportunidades as famílias, para que no âmbito do empreendedorismo comecem a participar no crescimento e desenvolvimento da economia. Devem acreditar no empresariado nacional, dando-lhes oportunidades sobretudo no que diz respeito aos acesso aos créditos bancários. Neste pais, os estrangeiros prosperam, não só pela sabedoria, mas pelas oportunidades que lhe são dadas.

Icolo e Bengo está a crescer? 

Não! Basta ver a quantidade de capim a beira da estrada, desde Viana a Catete. O Atraso é uma realidade.

Tem propostas de solução para o problema da pobreza e miséria em Angola?

Claro que tenho! É preciso, primeiro acabar com os comerciantes – governantes. Isto é, de dia são governantes e de noite são altos comerciantes, que aos invés de governarem, desgovernam todos os sectores da vida nacional, para esvaziarem os cofres do Estado, proibir as instituições governamentais de decidirem e executarem politicas não autorizadas pela assembleia Nacional; tornar imparciais os tribunais e não mant­e-los cativos ou ligados ao poder político;  exigir rigorosa sindicância gestão do governo ; exigir, especialmente ao tribunal de contas, a apresentação do relatório e contas; elevar a qualidade do sistema de Educação e Ensino, tornando os quadros angolanos competitivos no mercado nacional e internacional; evitar a criação oportunista de planos enganosos de desenvolvimento económico, tais como o bué e outros micro créditos, que servem tão somente para roubar dinheiro.

Nas redes sociais actua como conselheiro por via da coluna “ os conselhos do General “. Qual o verdadeiro objectivo.

Já lutei contra o colonialismo português, já militei no MPLA, desde muito jovem. Aderi à guerrilha do MPLA  nas 2ª, 3ª e 4ª região político-Militar, ui quadro sénior do ministério da Defesa, onde exerci funções diversas na esfera política e partidária. Fui soldado e General. Passei para a história a minha relação intelectual e física. Penso que chegou o momento de entregar as rédeas da liderança aos mais jovens e, para tal, vejo-me na obrigação de transmitir-lhes todas as experiencias que adquiri ao longo dos anos.

Qual a sua relação com a juventude revolucionária, os cognominados “Revús”? Faz dois anos que eles apareceram em cena e o senhor foi das poucas pessoas de proa do MPLA que “deu” a cara em defesa deles. Nunca temeu represálias do seu partido?

Acho-os muito corajosos e audazes. Precisam desenvolver as suas acções melhorando as suas visões, e necessitam de aconselhamento de adultos honestos com elevado espírito de patriotismo, fraternidade, paternidade e solidariedade, perante o processo da luta contra a corrupção , factor de desestabilização económica, política e social em Angola. Nós, os adultos, lutamos contra o colonialismo, precisamente pelas mesmas causas mas, em contextos diferentes. Estou a falar da má qualidade do ensino no País, poucas oportunidades de trabalho para a juventude e não só. Se reparar, à  juventude hoje não lhe é permitida concorrer em pé de igualdade com estrangeiros no seu próprio país e, em consequência disto, eles rebelam-se reivindicando aquilo que lhes é negado.

É por essa razão que os jovens protestam contra as politicas de regime, utilizando nas suas estratégias métodos e estilos de luta que, em determinadas ocasiões, lesam interesses públicos. Mas o Executivo não deve fugir a essa realidade. Pelo contrario, deverá resolver este assunto tendo como base o dialogo. Porque só conversando é que os homens se entendem. Só conversando é que os governantes poderão ter a percepção real dos anseios desses jovens. Infelizmente, temos vindo a assistir o contrario. Porrada por cima dos miúdos. Vale lembrar aqui que os colonos prenderam-nos, mataram-nos, impediram o nosso desenvolvimento, mas isso não adormeceu as nossas forças. Pelo contrário, criou em nós o sentimento patriótico de luta pela independência. E nós, enquanto governantes, estamos a repetir praticamente a mesma coisa. E estamos a faze-lo contra os nossos filhos. Esta forma de atuação contra os que reivindicam os seu direitos, é semelhante  ao estilo e métodos utilizado pelo colonialista. Por isso, o executivo deve mudar a forma de agir. Tentar aproximar-se para saber dos jovens o que constitui o verdadeiro problema que os apoquenta.

Mas hoje são que nem “animais em vias de extinção”. Foram resolvidos os problemas e adormeceram ou estão ainda em hibernação?

Os “Revús” jamais entraram em extinção. Pelo contrário, quanto mais porrada, maior será a adesão dos jovens. A miséria é grande, a falta de oportunidade é elevadíssima e já não respeita as cores partidárias. Mais de 90 % da JMPLA também não estão comtemplados na distribuição. Entretanto obcecados como estão, batem muitas palmas e não recebem nada. Quando despertarem do sono enganador do futuro risonho, isto é (tempo perdido + falta de oportunidade ¸ 1 = 0) entrarão em pânico e tornar-se-ão tão ou mais “revús” que os actuais. O executivo deve proibir os partidos políticos do exercício de todo tipo de manipulação política dos jovens, com vista a torna-los joguetes dos seu oportunismos.  Os jovens são propriedade do estado angolano e não joguetes dos partidos políticos que os tornam marionetas das suas oportunidades. Digo isso porque o pais precisa de bons cidadãos, de cidadãos unidos e participativos. Os jovens devem ser educados de forma uniforme à luz de leis credíveis do pais e nunca formatados à base de ideologias discriminatórias.

Essa sua ousadia “contestatária” já lhe valeu alguns amargos de boca?

Os meus avós, quando jovens, cumpriram castigos dados pelos colonialistas portugueses. Há mais de 200 anos que a minha família exerce ativismo cívico. O meu Pai cumpriu 10 anos de cadeia no Tarrafal, Cabo Verde, dezenas de familiares meus morreram em 1961, durante os massacres levados a cabo por colonialistas. Os meus parentes, como por exemplo “ Hoji-ya-Henda”, Deolinda Rodrigues e outros anónimos, morreram assassinados por forças retrogradas e reacionárias. Eu sou apenas mais uma combatente que seguirá as suas obras, ainda que, para tal tenha de derramar o meu sangue. Não luto contra pessoas, mas sim contra sistemas que contrariam os ideias do MPLA: de Pinto de Andrade a Viriato da Cruz, de Matias Miguéis, de Agostinho Neto e de tantos outros. Sou constantemente insultado por alguns parasitas de sistema. Todavia, e, em consciência, sigo a minha marcha triunfal rumo a liberdade. Nada me deterá.

Comenta-se que se sente vilipendiado pela estrutura partidária em Icolo e Bengo, situação que o levou a escrever uma carta ao Presidente da República. Já obteve resposta? 

Sou contra extremismos político, porque o radicalismo em termos de carácter não tem valor. Sou moderado e conciliador. Constituo um ponto de equilibro de forças onde haja respeito pelas diferenças. Não sou doutor. Sou apenas um individuo com experiencia. Tenho uma biblioteca com mais de 3 000 livros, com maior pendor para os da natureza política, economia, artes militares e policial e história. Milito num CAP – Comité de acção de Catete, sou membro do comité e da comissão executiva do MPLA, fui membro do comité provincial do partido do Bengo até à conferencia do parido realizada para a desanexação dos municípios de Icolo-e-Bengo e Quissama. Os primeiro e segundo secretários do comité municipal são indivíduos com praticas antissociais e condutas pouco cívicas e improprias para militantes de um partido como o MPLA. Ao longo destes anos de militância, têm sido reprendidos por mim, devido as suas más conduta politicas, partidárias e cívicas, factores que os enfurecem. E isto fez com que me encarassem como inimigo mortal e alvo a abater.

Outro factor que está na base das discórdias contra mim é o facto de ser irmão d Almirante André Gaspar Mendes de Carvalho “Miau”, que é um dos líderes da coligação Ampla de Salvação de Angola (CASA-CE), embora seja do conhecimento de toga a gente que eu não sou dessa coligação. Aproveitaram-se desse facto para exercerem uma campanha d difamação contra mim, dizendo que também pertenço a esta força política. Face a toda esta intolerância política, decidi não mais rever-me nas suas lideranças. Perante estas atitudes de intolerância política, fiz recurso ao ministério Público e ao Bureau político do MPLA, a fim de que fosse reposta a verdade e os infractores fossem “punidos”. O meu bom nome e o da minha família não devem ser beliscados por oportunistas que nem sequer são do MPLA. Entretanto, continuo a aguardar as respostas destas instancias.

Em certos círculos do MPLA é rotulado como muito próximo de figuras da oposição. Tem os terminais telefónicos e fala regularmente com Abel Chivukuvuku, Samakuva ou Justino Pinto de Andrade?

Eu sou angolano, os meus avós e os meus Pais já pertenciam à classe média. Entre os autóctones já fazíamos muita diferença na época colonial. Não sou um “Kaluanda”. Vivi em muitas províncias onde, pela graça de Deus, conheci muitos desses compatriotas. Uns nas escolas e outros na vida social.  Tratamo-nos muitas das vezes como primos, tios, avôs etc. Tenho os números telefónicos de todos e, esporadicamente, encontramo-nos e conversamos.

Marcolino Moco diz-lhe alguma coisa? 

Foi meu colega do partido. Ele é um cidadão como qualquer outro. É um cidadão de Angola e não do MPLA. Ele também contribui para a estruturação do partido e dos órgãos do poder. O que eu acho é que ele está apenas a seguir os impulsos da sia própria consciência. Admiro-o e concordo com o seu posicionamento.

Começou o julgamento de Maria Eugenia Neto, viúva do primeiro Presidente de Angola. Quer comentar?

Já afirmei que não devem julgar Neto pelo 27 de Maio. Neto dirigia o executivo, onde muitas figuras de “proa” da actualidade faziam parte e, tem tanta ou mais responsabilidade pelos crimes praticados na ocasião. A ignorância de muitos cegou-lhes e, quando se deram conta do crime praticado já era tarde. Lamentavelmente, Maria Eugénia Neto está a enfrentar este assunto sozinha, quando, em minha opinião, está é uma matéria de todo o estado. Maria Eugénia Neto representa o ícone máximo de Angola que está a ser vilipendiado por criminosos políticos internacionais. Mas a questão agora é saber se Neto tem ou não direito a defesa. Será que foi assim tão malvado para os Angolanos? Estes “vivo” e os “vivaços” que hoje estão a viver graças a sabedoria de Neto, não sentem remorsos nem vergonha por este ataque contra a sua viúva? Agora entendo as razões da ausência de Neto nos programas de Ensino, da História de Angola.

Quando a integridade moral da PGR de Angola é posta em causa em Portugal, acha normal? 

Eu sou irmão do João Maria de Sousa. É proibido atacarmos a família mas, a ser verdade o que se diz, é muito grave para o país. Vamos aguardar a clareza deste assunto.

Como avalia o desempenho do seu confrade General Pedro Neto, a frente da federação Angolana de Futebol?

Acho que tanto ele como outros generais como França Ndalu e Pitagrós que também estão ou estiveram ligados ao dirigismo desportivo, renderiam mais a realizarem trabalho de educação patriótica no seio das camadas mais jovens, do que no futebol. Deveriam ganhar tempo com a discussão sobre a ausência da disciplina de História de Angola, nos currículos do ensino de base, motivo que está a desorientar as crianças e jovens sobre as suas essências, do que estarem no futebol, Jogar à bola nos anos 50, 60, 70 não é igual a jogar a bola hoje. O meu neto chama-se Juan Cavaleiro, é júnior titular no Benfica de Portugal. Esteve no País em digressão com o Benfica, jogaram com as equipas angolanas, que foram “Tozadas” por 4-0 e 5-1. Segundo ele, no seu clube estuda com programas invejáveis de ensino, como o Play Techn. Repare no que aconteceu; participaram no ultimo can e gastaram 9 milhões de dólares para sermos “tozados” devido a má prestação. Mas foi devido à falta de visão, ou do “trungungo” de ganhar dinheiro facilmente. Cabo Verde gastou 800 mil dólares e só não chegou a final por batota. Hoje gozam connosco dizendo “cachupa de Cabo Verde agora tem de levar carne de palanca”.

Os malabarismos da política não servem para o futebol, ou qualquer outra modalidade desportiva. A faixa etária para dirigirem as federações é entre os 30 a 40 anos. Estão mais próximos da realidade, sem pretender chamar velho a ninguém.

Alguns sectores da sociedade dizem que Angola já investiu mais em Portugal que no Bengo, Moxico e Lundas em conjunto desde o fim da guerra. Qual é a sua opinião em relação aos negócios ou cooperação entre Angola e Portugal?

É real. Li um livro de Joaquim Louçã com titulo “Os mais ricos de Portugal” e fiquei arrepiado quando vi a fotografia do meu chefe e da sua filha. A filha do meu chefe é tida como uma das mulheres mais ricas do mundo. De onde saiu está “massa” eu não sei. Sinto-me defraudado perante a contribuição que dei a pátria de forma desinteressada. Sinto-me defraudado quando viajo pelo meu território e só vejo casa de capim e de Pau a Pique e poucas ou quase nenhumas oportunidades há para os filhos daqueles que nelas vivem.

Em Angola existe moral suficiente para resolver os problemas do povo tal como Neto disse? Ainda não! Também sabemos que há entre nós alguns dirigentes ligados ao crime organizado. Estes é que são insensíveis aos problemas do povo.

Falando da Moral social, acha que as igrejas estão a fazer o seu papel?

Estão, mas com alguns erros à mistura. Entretanto, são as trincheiras para a estabilidade espiritual dos sofredores. Congregam mais de 80% da população, face à falência da política governativa no domínio social, no que tange à redução da pobreza e da miséria. Repare por exemplo no grande exemplo de humildade que o Papa deu ao mundo, ao colocar o seu cargo à disposição quando se sentiu incapaz de continuar à frente dos destinos da igreja. Significa que o capricho dos homens nunca se deve sobrepor aos anseios da maioria. Grandes nacionalistas africanos como Julius Nyerere, Chissano, Nelson Mandela e tantos outros servem de inspiração. E o papa demonstrou isso mesmo. Apesar de tantos problemas que a igreja vive, não precisou de ser escorraçado das sumptuosas mansões do pontifício, por teimosia ou “ gana “ de não querer devolver o que lhe confiaram por tempo determinado. Na verdade os angolanos deveriam tirar desse feito do Papa uma lição.

No próximo mês de Abril completar-se-ão 11 anos desde o fim da guerra e em Novembro, trinta e oito anos de independência . Acha que o país já se reconciliou na sua plenitude?

Ainda não. Até aqui, as cores das bandeiras partidárias estão a falar mais alto. Se os partidos são constituídos à luz da lei, eles devem respeitar essas leis mas, infelizmente, não é assim que está a acontecer no nosso país. Eles estão a dividir a jovem sociedade angolana com discursos bombásticos. Qualquer dia isso há-de acabar e então todos os que tentaram fazer de Angola um instrumento para seu próprio proveito, deverão ser responsabilizados criminalmente.

Comemora-se também em Abril o dia da Juventude. Acha que os jovens de hoje têm garra para liderar o País?

Os jovens constituem sempre a franja mais importante de qualquer sociedade. São considerados a força motriz da sociedade e os propulsores do desenvolvimento político e económico de qualquer pais. Apesar das discrepâncias existentes, são-lhes reservados os direitos de liderança. Há muitos jovens capazes de fazerem algo melhor. O meu tio “Zeca”, vulgarmente conhecido por Hoji-ya-Henda, resistiu. Os actuais dirigentes da sociedade angolana foram educados a seguirem os exemplos de bravura e honestidade, abnegação assim como o espírito de sacrifício demonstrado por Hoji-ya-Henda.

O que diz a sua família em relação ao busto de “ Hoji-ya-Henda” que se encontrava próximo do local onde foi instalado o Palácio de justiça?

Agradecemos muito se nos devolverem o busto, já que as suas ossadas permanecerão eternamente em Karipande. Achamos que os Tchokwes (lá no Moxico), não se importam com isso. Mas nós precisamos comemorar efusivamente este 14 de Abril.

 

Retirámos este comentário desta notícia no club-k, cujo título é: “Ameaças de abrandamento da China e de sucessão política pairam sobre economia angolana”. Trata-se de um “feliz contemplado” com uma casa no Kilamba que cumpriu a preceito com a sua parte do acordo, apenas para ver a SONIP seguir impune sem cumprir a sua. Segue na íntegra:

A DURA REALIDADE, o sonho da casa própria leva-me a sacrifícios, porque ansiedade mata nossos corações. No acto de inscrição as quatro lojas do KILAMBA com identificação externa de DELTA. Opção de escolha e por gostar da cor verde, passei dia 31 de Janeiro até dia 5 de Fevereiro em noites claras para conseguir o primeiro lugar da enorme fila de mais de trezentas pessoas. Graças a DEUS entrei nas primeiras DOZE PESSOAS SELECIONADAS NA FILA. Como homem e bem educado, já no interior da loja dei prioridade as mulheres, sendo a SÉTIMA pessoa registada. Segundo o funcionário ou promotor tinha CINCO dias para depositar o valor, e esperar DUAS semanas para receber as CHAVES. Por volta das ONZE HORAS DO DIA 5 DE FEVEREIRO fiz entrega como a primeira pessoa ou cliente o justificativo do Banco BAI. Passaram TRINTA E QUATRO DIAS e a SONIP não presta qualquer esclarecimento, apenas devem aguardar SMS da SONIP no telemóvel. CORRUPTOS”

Assinado: PAI GRANDE

O nosso centraleiro Cláudio Silva escreveu este artigo (em inglês) para os manos do Africa is a Country. O artigo foi depois retomado pelo jornal britânico The Guardian. O artigo foi escrito há quase um mês, mas nós na nossa eterna kunanguice só estamos a postar agora. Continua relevante. Boa leitura!

Our ‘centraleiro’ Cláudio Silva wrote this article for a site we enjoy reading, Africa is a Country. The article was then picked up by British newspaper The Guardian. The article in question is almost a month old, and in our eternal laziness we are only posting about it now. It remains highly relevant. Happy reading!

“Angolan authorities forced to act after horrific abuse videos go viral”

For the past two weeks, Angolans who use Facebook and other social media sites viewed and shared two particularly gruesome videos. One showed prison officials severely beating incarcerated men in the Comarca de Viana (Viana Jail), while the other, even more heinous, showed several men brutally beating and abusing two women who had allegedly attempted to steal a bottle of Moët & Chandon from the shop the men owned. The latter video lasts 13 long, uncomfortable minutes and among its more difficult scenes is the one in which an attacker forcibly kisses one of the women while the others laugh, and another in which the shop-owner beats the women with the blade of a machete. The video shows several men participating in the beating, while others, including women, stand by and watch while egging on the attackers. Both videos went viral in Angola.

They evoked very strong emotional reactions, particularly the second one. Within a matter of days, they had been mentioned on state television and talked about in public and private newspapers. It marks the first time that videos have gone truly viral in a country in which only about 5% of the population has access to the internet.

The videos come at a sensitive time. People continue to be shocked at the level violence permeating Angolan society. The torture and murder of a popular and well-liked teen last year at the hands of his teenage friends — which prompted a march against violence along Luanda’s new Marginal — is still fresh in many people’s minds. But the most remarkable outcome of this mass sharing of media was that the Angolan attorney general, or Procuradoria Geral da República (PGR) as it is locally known, actually did something about it. And they did it publicly and swiftly.

Read the rest here or the original post here

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Gostaria de perceber o que leva um governo, que se diz representante do povo, a agir desta maneira contra ele.

Gostaria de perceber o que leva um governo a enviar centenas de homens armados até aos dentes, militares, policias de segurança e de intervenção rápida e sete helicópetros para destruir os humildes casebres de cidadãos à beira da subsistência. O que os leva a irromper pelo bairro adentro no meio da madrugada e sem aviso prévio. Imagino o medo, o susto, a dor, o terror. O choro das mamãs à procura dos seus filhos. O horror da mamãs que perderam os filhos que cairam numa vala enquanto fugiam do terror.

Gostaria de perceber o que leva um governo a reabrir as cicatrizes de guerra a um povo que já não vive, mas sim sobrevive.

Gostaria mesmo de perceber como é que um governo é capaz de voltar ao local deste acto de terrorismo de Estado e prender as mesmas pessoas que acabaram de desalojar, submetendo-as a julgamentos sumários e aplicando-lhes multas exorbitantes. É desumano.

Gostaria de ser capaz de entender a chocante indiferença da administração local.

Gostaria de compreender o que leva o mesmo governo a instalar no local uma aparatosa presença militar e depois vergonhosamente impedir que deputados da Assembleia Nacional, eleitos por este mesmo povo, tenham contacto e ofereçam assistência aos seus próprios eleitores, concidadãos, irmãos. Alguns dos deputados chegaram mesmo a ser agredidos. Isto para depois manipular os factos na imprensa pública em mais uma demonstração triste da sua incapacidade de lidar com a verdade.

Aonde está a lógica nestes actos? Gostaria de entender para que servem as leis e a Constituição da República, aquela que nos declara como sendo um estado democrático de direito.

Para que servem as centenas de milhões de dólares gastos em lobbyings no exterior e nas empresas de telecomunicações e marketing dos filhos do presidente – milhões que saem directamente do Orçamento Geral do Estado – para limpar a já gasta imagem do país, quando logo a seguir acontecem actos destes?

Para que servem os poemas de Agostinho Neto e a frase imortal “O mais importante é resolver os problemas do povo”?

Gostaria de perceber como se resolvem os problemas do povo desalojando-o forçosamente e sem aviso prévio para depois se construirem condomínios de luxo no local, como avançam algumas fontes.

Anteontem morreu Hugo Chávez, Presidente da Venezuela. Não morria de amores por algumas das suas políticas nem pelas suas aversões a certas liberdades, mas quem me dera que o meu Presidente tivesse um pingo do compromisso social que o falecido presidente venezuelano tinha para com o seu povo – principalmente para com os mais desfavorecidos.

Foto: ‘Desalojados em Cacuaco‘, por Maka Angola

Mais uma vez, a nossa imberbe e virgem democracia foi vilipendiada.

Eis a situação:

Uma delegação da UNITA, liderada por Isaías Samakuva, que visitava as populações desalojadas em Cacuaco, nos bairros de Maiombe e Baixa de Cassanje, foi impedida de realizar a sua jornada de solidariedade pela Polícia Nacional, que até levantou helicópteros para este desiderato. Mas desde quando é que para se fazer um donativo deve-se informar a Polícia? É uma regra constitucional? Tanto quanto sabemos não.

Este episódio é uma evidência de que as ordens superiores superam os pressupostos constitucionais. Nada estranho, tendo em conta a lógica da guerra que ainda paira na cabeça do Presidente do MPLA, por isso é que eles confundem manifestação pacífica com guerra. O MPLA e o seu líder até hoje não sabem das vantagens da lógica da democracia.

Com mais este abuso de poder, perguntamo-nos: Somos mesmo um Estado democrático de direito?

Categoricamente, pensamos que não.

Claro que para o senhor Norberto Garcia, um dos mais fanáticos militantes do MPLA, Angola tem uma democracia exemplar e imaculada. Não admira que ele se preste a fazer o papel de defensor da ditadura, advogado do diabo.  Esperamos sinceramente que isto não dê cabo da sua saúde mental.

Este militante do MPLA tem demonstrado uma enorme falta de coerência nos seus pronunciamentos. Factos: há dias num debate na Rádio Eclésia, NG afirmou que em Angola, há localidades com mais escolas do que alunos. É para levar a sério quem diz tamanha barbaridade? No sábado passado, ele, diante das câmaras e microfones da TPA, acusou Isaías Samakuva de incitar os populares à violência. Ora bem, este tipo de propaganda politica não ajuda o processo de reconciliação nacional nem o progresso da corrente democrática que se quer instalar no país.

 

Mais triste ainda, é o facto de que Norberto Garcia, que até parece ser um jovem promissor, está a ser usado e manipulado pela ala corrupta do MPLA, liderada pelo Zé dos dólares. Não sabemos quanto lhe pagam para travar o avanço do comboio da democracia, porém, sabemos que se ele não se cuidar o comboio vai atropelá-lo. Ele rema contra a maré. Ele está a usar a inteligência para proteger saqueadores do erário público. Portanto, os únicos frutos dessa sua aventura politica serão: doutoramento em DEMAGOGIA e alguns Kwanzas no cafocolo.

Repetimos: Esperamos sinceramente que isto não dê cabo da sua saúde mental.

Our very own centraleiro Claudio Silva wrote an article for Africa is a Country about the role of social media in Angola and how it helped spread two viral videos that showed abuses against Angolan citizens. The article was later picked up the The GuardianBut as with most things in Angola, everything is not what it seems. Read on:

For the past two weeks, Angolans who use Facebook and other social media sites viewed and shared two particularly gruesome videos. One showed prison officials severely beating incarcerated men in the Comarca de Viana (Viana Jail), while the other, even more heinous, showed several men brutally beating and abusing two women who had allegedly attempted to steal a bottle of Moët & Chandon from the shop the men owned. The latter video lasts 13 long, uncomfortable minutes and among its more difficult scenes is the one in which an attacker forcibly kisses one of the women while the others laugh, and another in which the shop-owner beats the women with the blade of a machete. The video shows several men participating in the beating, while others, including women, stand by and watch while egging on the attackers. Both videos went viral in Angola.

They evoked very strong emotional reactions, particularly the second one. Within a matter of days, they had been mentioned on state television and talked about in public and private newspapers. It marks the first time that videos have gone truly viral in a country in which only about 5% of the population has access to the internet.

The videos come at a sensitive time. People continue to be shocked at the level violence permeating Angolan society. The torture and murder of a popular and well-liked teen last year at the hands of his teenage friends — which prompted a march against violence along Luanda’s new Marginal — is still fresh in many people’s minds. But the most remarkable outcome of this mass sharing of media was that the Angolan attorney general, or Procuradoria Geral da República (PGR) as it is locally known, actually did something about it. And they did it publicly and swiftly.

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