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Hoje, dia 22 de Maio pelas 11h00 da manhã, demos entrada na Assembleia Nacional de uma denúncia ao PR por abuso de poder e violação da Constituição da República. Enquanto Chefe do Executivo é sobre si que recai a responsabilidade máxima de respeitar e fazer respeitar a Constituição, logo, é a si que se devem imputar os comportamentos inconstitucionais reiterados por parte dos seus subordinados hierárquicos.

Alguns desses subordinados foram igualmente visados por nós em queixas-crime distintas que foram entregues, também esta manhã, à PGR. A lista dos “queixados” é a seguinte:

1 – Comandante Manuel Tito da Divisão de Viana – Polícia Nacional

2 – Comandante Francisco Notícia da Divisão do Sambizanga – Polícia Nacional

3 – Amaro Neto – Director Provincial de Investigação Criminal

4 – Comandante-Geral Ambrósio de Lemos – Polícia Nacional

5 – Bento Francisco Bento – Governador da Província de Luanda

6 – Ângelo Veiga Tavares – Ministro do Interior

O conteúdo das cartas pode ser lido na íntegra nas imagens publicadas abaixo.

A denúncia contra o PR foi entregue à Assembleia Nacional pois a PGR já alegou por diversas vezes “incompetência”, apontando para a AN como o órgão indicado para ordenar a instauração de investigação ao maioral da República. De lembrar que o crime de violação da Constituição está nesta última tipificado como uma das violações que podem levar a destituição do Presidente da República (artº 129).

Cumprimos com o nosso dever de cidadãos, usando da CRA e das leis ordinárias que regulam a nossa vida em sociedade para denunciar crimes de Estado perpetrados por pessoas perfeitamente identificadas que parecem gozar de imunidades ocultas e extra-constitucionais para abusar dos direitos de comuns e indefesos cidadãos deste país.

Temos consciência que os amigos se protegerão e que estas queixas não serão levadas à sério, para já. Mas também temos a certeza absoluta que estes mesmos documentos servirão, numa Angola livre das garras dos seus predadores actuais, para incriminá-los judicialmente por inacção face à denúncias graves. Acabarão todos na desgraça se, do alto das suas cadeiras de decisores se coibirem de aplicar as leis da República apenas e só quando estas os lesem. Lembrem-se que até aos dias de hoje os responsáveis pela carnificina Nazi estão a ser encontrados, julgados e condenados pois há certos crimes que não prescrevem.

Vamos ser patriotas e começar a fazer uso da lei de forma uniforme, imparcial e sem privilégios para quem quer que seja.

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A esta carta foram feitos os seguintes anexos: Prova de entrega e recepção da carta comunicando a manifestação ao GPL e Lei 16/91 com sublinhados dos artigos aos quais fazemos alusão.

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Estamos em Maio, ano de 2013. Dentro de dias celebrar-se-ão dois infelizes aniversários: dia 27 do rapto de Alves Kamulingue e dia 29 o de Isaías Kassule. Poucas esperanças temos que ainda estejam vivos, mas iremos continuar a exigir que se esclareça o que se passou com esses irmãos e não estaremos satisfeitos até que se apurem os factos e se punam os prevaricadores que, até então, continuam a merecer a protecção da estrutura de Estado com promessas vagas de investigações (no âmbito da qual o nosso mano Hugo Kalumbo foi intimado e intimidado a responder em Benguela, numa sessão que mais parecia uma tortura psicológica que uma tentativa de chegar ao cerne da questão) cujos resultados teimam em não aparecer.

Para que os nomes desses dois rapazes não caiam pura e simplesmente num buraco obscuro e longínquo do que insistimos chamar de memória colectiva, continua a geração da mudança a insistir em exprimir periódica e publicamente o seu repúdio pelo que interpretam ser um crime de Estado.

Desta vez, será realizada uma VIGÍLIA, já comunicada tanto ao GPL (obrigatório por lei) quanto ao MININT (não obrigatório), como poderão constatar nas imagens em anexo onde se vê a acusação de recepção das diligências em ambos os órgãos.

A vigília terá lugar no LARGO DA INDEPENDÊNCIA, das 16h00 do dia 27 de Maio até a manhã do dia seguinte, dia 28 de Maio.

Senhores brutamontes e desrespeitadores da lei da República de Angola: será uma VIGÍLIA! Sem palavras de ordem, sem cartazes, sem marchas, sem ofensas, sem nada que possam considerar ofensivo ao bom nome de quem nos ofende todos os dias com a sua incompetência assassina. VIGÍLIA. Leram bem? Agora levem os recados aos vossos chefes e DEIXEM-NOS EM PAZ! Preocupem-se com as 500 mil pessoas que estão a morrer à fome no Cunene, nos Gambos, no nosso lindo Sul onde os gritos de S.O.S continuam a ser ignorados como se aqueles fossem menos angolanos que os suínos que conduzem tubarões na cidade capital. Preocupem-se com aqueles que já desalojaram e que estão agora a morrer um pouco todos os dias derivado das condições dos pântanos para onde os atiraram. Preocupem-se em esclarecer o caso Kassule e Kamulingue, Milocas Pereira, Alberto Chakussanga, ou outro dos quinhentos mil pendentes que têm vis-à-vis da sociedade angolana a quem se habituaram a não mais dar satisfações.

DEIXEM-NOS EM PAZ!

Vigília 27 Maio GPL.resized Vigília 27 Maio MININT.resized

A mentalidade fossilizada da obediência doentia a uma suposta “ordem superior” não irá, como que por um golpe de magia, desvanecer-se enquanto as mesmas pessoas que foram formatadas para obstaculizar o “adverso”, o “do contra”, o “dissonante” se mantenham como titulares de cargos com poder de decisão.

Infelizmente, por força da experiência repetida, temos de aplicar aqui o ditado fatalista que diz:”pau que nasce torto, nunca se endireita”. Para essas pessoas, pouco importa que o cidadão cumpra com escrupuloso rigor com as leis da República, que escreva todas as cartas, peça (e adquira) autorização deste mundo e o outro, tenha transtornos financeiros que nunca, ninguém se propõe indemnizar, jamais deverá este cidadão auferir dos direitos que lhe são conferidos pela atípica Constituição, pois esses direitos ferem a sensibilidade dos que os aprovaram para “fazer bonito”, para saírem bem na fotografia, para aparentar vontade explicita de se democratizarem os hábitos sociais.

No dia 30 de Março, a mesma data da nossa manifestação (mais uma vez) abortada pela já habitual violência policial redundando em porretes, bofetadas, pontapés nos testículos e detenções ilegais, em Benguela, um grupo de Hip Hop chamado Família Eterna, tentava levar a cabo um evento que celebraria os seus 10 anos de existência e para o qual procederam a todos os a priori impostos pela lei pre-histórica, com autorizações carimbadas pela cultura, pela polícia e pela administração local, como se pode comprovar nas imagens aqui disponibilizadas.

O que pode levar as autoridades a reverter um parecer anterior e, à margem de qualquer critério legal, tentar impedir a realização de um evento no próprio dia em que este deveria ter lugar? Que nomes são esses que ao aparecer no ecrã do telefone fazem mais-velhos, pais-de-família, hiperventilar de pânico e embrulharem-se completamente com actos que contrariam todas as formações que já receberam?

Segundo o testemunho do Fábio, um dos organizadores do evento cujo nome se pode ver na documentação aqui disponibilizada, foi ao aperceberem-se que o MCK seria o convidado de honra do evento que lhes terá disparado o alarme arrepiante da auto-censura e terão tentado corrigir o tiro, pressionando psicologicamente a organização a abortar o evento e, mais engraçado, a inventar “uma desculpa qualquer” para o justificar perante a opinião pública, ao pé da qual a sua credibilidade ficaria mordiscada. “Sobretudo não dizer nada ao MCK”. Esses mais-velhos perderam totalmente o juízo.

Ainda segundo o Fábio, uma vez no escritório do comandante Ndalu, por quem terá sido convocado, uma enxurrada de questões acerca do recém-premiado do Festival Nacional da Canção se seguiu, ao ponto de, na dúvida acerca do conteúdo temático das letras deste último, o comandante ter baixado a ordem a um subordinado hierárquico que se deslocasse ao local onde estaria a decorrer a venda do “Proibido Ouvir Isto”, adquirisse uma cópia e se pusesse a escutá-la in loco, comunicando a par-e-passo o que estivesse a ouvir. O agente não terá superado a faixa introdutória e já o comandante levava as mãos à cabeça alarmado:”não pode ser, esse indivíduo não pode cantar, não estamos autorizados a ter músicos que cantam contra o governo!”.

A resistência à intimidação fez com que outro tipo de estratégia, mais agressiva, fosse colocada em marcha: desde visitas ostensivas de agentes à paisana ao local do evento, desencorajamento de permanência de quem se aproximasse com intuito de adquirir bilhete, visita inusitada do soba e ainda uma campanha de desinformação executada utilizando o serviço de SMS de uma das operadoras nacionais, em tom alarmante, advertia a população a não ir ao evento pois “algo de mau irá acontecer”. Para coroar tudo isto, um corte de energia foi encomendado quando o evento já decorria.
Ameaça mal disfarçada de conselho. O visado tentou ligar para o remetente, mas o número estava desligado.

Ameaça mal disfarçada de conselho. O visado tentou ligar para o remetente, mas o número estava desligado.

Os rapazes foram firmes e resolutos, levando em frente a sua intenção de realização do evento que tão cuidadosamente prepararam, não abdicando de nenhum dos pormenores previstos inicialmente, incluindo a participação do MCK que acabou por cantar o dobro daquilo para o que tinha sido contratado, em sinal de reconhecimento tanto pela organização, como pela brava plateia de (à volta de) 80 almas, que apesar dos alertas, não quiseram perder um evento que é raro para os amantes de Hip Hop consciente na terra das acácias rubras.

As consequências da sua “afronta” à ordem superior e arbitrária já começaram a fazer-se sentir e o pequeno espaço de 30 minutos semanais que lhes era cedido na Radio Morena, lhes foi retirado mas, claro está, de maneira amigável, sem celeuma, sem ressentimentos pois, afinal de contas, coitado do “dono do programa” que receia agora ter qualquer tipo de associação a esta juventude desobediente, não vá ele, por seu turno, perder tão pequena “benesse” como um inofensivo programa de rádio.

Para download gratuito, a banda dispensou uma das suas novas faixas intitulada “10 anos de irmandade“, no qual abordam justamente o assunto aqui relatado.

Só mais um episódio entre milhares no país do revanchismo, protagonizado pelos mesmos dinossauros políticos que recusam aperceber-se que essas práticas já não têm lugar numa Angola democrática e seguem, envergonhando o país perante o mundo, ao mesmo tempo que impingem por força de discursos exemplos que nunca lhe deram.

Luaty Beirão

FAMILIA ETERNA Autorizacao da Rep. Cultura FAMILIA ETERNA Autorizacao do Comando da Policia  FAMILIA ETERNA Parecer da Adm. da ZonaFAMILIA ETERNA Declaracao de Cedencia do Recinto

No dia 11 de Março, divulgámos que tencionávamos voltar a usar o nosso direito a manifestação para protestar contra a lentidão do processo de investigação do casso Kassule e Kamulingue, mas também de todas as outras vítimas conhecidas da inércia policial quando a investigação poderia ser reveladora de realidades melindrosas para o nosso executivo: Milocas Pereira, Mfulupinga Landu Víctor, Alberto Chakussanga, Ricardo de Mello…

Na sua edição de dia 15 de Março, Isabel João fez um exercício que a maior parte dos seus colegas de profissão se tem furtado a fazer: indagar e publicar uma matéria que oiça as duas partes e emita um posicionamento imparcial, sobre um assunto que é de extrema gravidade e que muito ofende a nossa já desbaratada constituição.

Seria excelente se agora começassem a fazer um pressing às autoridades e a divulgar a par e passo o andamento do processo. Dignificariam a profissão, fariam avançar a democracia e poupar-nos-iam o esforço de ter de usar sempre as mesmas, cansativas e perigosas ferramentas.

Kassule Kamulingue Novo Jornal

Chakussanga assassinado

O mesmo artigo em português, gentilmente traduzido pela malta do Lusomonitor.

Angola é um país governado pelo mesmo partido, o MPLA, desde a independência em 1975. O partido efetivamente transformou-se de um bloco socialista para uma organização puramente capitalista com um conjunto diversificado de interesses empresariais e um impressionante conhecimento de mercados, tudo graças aos barris por cima de barris de petróleo com que o país é dotado. A fim de começar a entender a política de Angola, no entanto, deve-se primeiro tentar compreender o quão poderoso e omnipresente é o MPLA. O MPLA é o povo, e o povo é o MPLA é um dos seus mais acarinhados slogans, proveniente do tempo em que Angola era um Estado de partido único entre 1975-1992 . Mesmo que apenas simbolicamente, ele efetivamente demonstra que na psique do MPLA não havia sequer a necessidade de separar entre partido, Estado e cidadãos. O slogan demonstra quão enraizado está o MPLA na sociedade civil angolana.

A ver: a bandeira do país e as bandeiras do partido no poder são praticamente indistinguíveis, todos os 18 governadores provinciais são nomeados pelo Presidente e pertencem ao partido no poder, e praticamente todos os ministros, funcionários públicos, juízes, professores de universidades estaduais e jornalistas nos meios de comunicação do Estado pertencem ao MPLA. Mesmo Akwá, talvez o melhor jogador de futebol profissional de Angola, apareceu em anúncios de campanha eleitoral do MPLA vestido com o uniforme da equipa nacional;no anúncio, ele marcaum penálti depois de um jogador com excesso de peso evestido com as cores da UNITA ter falhado o seu. Akwá tornou-se depois um deputado pela bancada do MPLA.

Normalmente as pessoas em Angola culpam a oposição por permitir que a hegemonia do MPLA prossiga sem controlo, alegando quea oposição é fraca, desprovida de ideias, e tão corrupta quanto aqueles que eles querem depor. Embora seja verdade para alguns partidos por aí, a maioria das pessoas simplesmente não está ciente das atividades do partidos da oposição porque estas atividades não são transmitidasem meios de difusão nacionais. E, quando são, o material é manipulado de modo que perde impacto. Na prática, a oposição está bloqueada nos media tradicionais.

Contudo, desde as eleições de 2012 os partidos de oposição têm mostrado uma força e vigornão vista nos últimos tempos. Talvez impulsionados pela sua melhor prestação nas últimas eleições (em 2008 o MPLA ganhou as eleições com 82% dos votos contra os 10% da UNITA, enquanto que em 2012  conseguiram 72% contra os 19%da UNITA e os 6% daCASA-CE), tornaram-se mais ativosno Parlamento e mais aptos a causar dores de cabeça ao maioritário. No mês passado, por exemplo, a CASA foi além de meramente reclamar sobre os circunstâncias obscuras por detrás do novo Fundo Soberano angolano, argumentando que o presidente não tinha o poder de criar novos fundos arbitrariamente por decreto, e levou mesmo o assunto a tribunal (foi derrotado, é claro).

No início da semana passada, aUNITA foi onde nenhuma oposição tinha ido antes: apresentou uma queixa-crime contra o Presidente dos Santos e vários membros seniores do MPLA poralegados crimes relacionadas com as últimas eleições, que a oposição e vários grupos consideram ter sido seriamente manipuladas. Entre as várias acusações contra o presidente e seus colaboradores consta a de alta traição.

O que é sempre fascinante assistir quando ocorrem iniciativas da oposição é a reação do MPLA. Geralmente acontece o seguinte: alguns dias depois do fato, o MPLA emite uma declaração que será reproduzido em todos os meios do Estado, inclusive no único jornal diário do país, agência de notícias (Angop), rádio estatal, televisão estatal e privada e jornais privados . Posteriormente, angolanos de todas as esferas avançarão para repudiar o que quer que seja que o Partido está a repudiar no momento. É realmente um espetáculo digno de ser visto e uma prova de quanto controlo o MPLA tem sobre o discurso nacional. Estrelas do desporto, músicos, porta-vozes do partido, membros do parlamento, estrelas de televisão, e, muito mais preocupante, sacerdotes e outras figuras religiosas saem em defesa do que quer que seja que o partido está a apoiar naquele preciso momento. Até o semi-iliterado artista de kuduro Nagrelha foi perguntado pelos seus pontos de vista sobre questões de política nacional (apoiou o partido do governo).

Na cobertura omnipresente do repúdio universal que se segue, não há espaço para o discurso público sobre o assunto. Não há segunda opinião, não hádisputa dos fatos. Não há debate, não há discussão. As outras vozes na conversa simplesmente não são ouvidas – é quase como se não existissem. A tensão é elevada e em pouco tempo a retórica da guerra vem à tona. O partido do Arquitecto da Paz, como dos Santos é agora conhecido, invariavelmente invoca a retórica da guerra. Apenas na última sexta-feira, por exemplo, o ex-co-fundador da UNITA que passou para o MPLA em 2008 aludiu à guerra e disse que a UNITA devia contentar-se por ainda estarem vivos e agradecer a dos Santos, pela sua magnanimidade.

Talvez o mais preocupante para a nossa jovem democracia é oreforço sobretudo explícito, mas às vezes também subtil, por parte do MPLA de que questionar os poderes instituídos, debater as suas políticas, fazendo uso dos nossos direitos, tribunais e instituições e participar de qualquer forma no processo democrático como cidadãos interessados ​​(ou partidos políticos) é de alguma forma uma ameaça para a estabilidade do país e pode mergulhá-lo de volta na guerra (note como a guerraé tema recorrente). Não é nenhum segredo que a corrupção é abundante em Angola e que a confiança nas nossas instituições públicas é agora lamentavelmente baixa. Uma sociedade civil envolvida é essencial e necessária para o funcionamento normal de um Estado e é uma parte integrante do tecido democrático de uma nação. Tal como o são instituições fortes que têm o respeito e apoio da sociedade civil.

Infelizmente, o governo detesta os primeiros e marginalizou os segundos.

Angola é uma nação de mentes brilhantes, escritores brilhantes, músicos excepcionais, e uma sociedade civil que, quase 11 anos depois do fim da guerra, está pronta para que a sua voz seja ouvida. Seria bom se o governo entendesse  isso. Seria bom se deixassem de controlar todos os aspectos do discurso nacional e media nacionais e nos tratasse como uma sociedade democrática que é capaz de pensamento livre. Seria bom se eles nos respeitassem como cidadãos.

http://www.lusomonitor.net/?p=403

Angola is a country that has been ruled by the same party, the MPLA, since independence in 1975. The party has effectively transformed itself from a socialist bloc into a purely capitalistic organization with a diverse array of business interests and impressive market-savvy, all thanks to the barrels upon barrels of oil the country has been endowed with. In order to even begin to understand Angola’s politics however, one must first attempt to comprehend just how powerful and ubiquitous the MPLA is. O MPLA é o povo, e o povo é o MPLA (“The MPLA is the people, and the people are the MPLA”) is one of their most cherished slogans, originating from the time Angola was a single-party state between 1975-1992. If even just symbolically, it effectively demonstrated that in the MPLA psyche there was not even a need to separate between party and state and citizenry. The slogan speaks to the core about how the MPLA is so ingrained in Angolan civil society.

The country’s flag and the ruling party’s flags are virtually indistinguishable, all 18 provincial governors are appointed by the President and belong to the ruling party, and virtually all Ministers, government officials, judges, professors in state universities, and journalists in state media belong to the MPLA. Even Akwá, arguably Angola’s greatest professional football player, appeared in an election campaign ad for the MPLA dressed in the full national team uniform and scored a penalty kick after an overweight player dressed in UNITA’s colors had missed his. Akwá then became a Member of Parliament for the MPLA.

People in Angola usually blame the opposition for allowing this hegemony to go on unchecked, claiming that they are weak, bereft of ideas, and just as corrupt as those who they want to depose. Although true for some of the parties out there, most people are simply not aware of opposition party activities because these activities are not broadcast in national media. And when they are, the material is usually manipulated so that it loses its impact. In effect, the opposition is blockaded in traditional media.

Since the 2012 elections however, the opposition parties have showed renewed vigor and strength. Perhaps buoyed by their improvement in the polls (in 2008 MPLA won the elections with 82% of the vote to UNITA’s 10%, while in 2012 they only managed 72% to UNITA’s 19% and CASA-CE’s 6%), they have become more active in Parliament and more adept at ruffling party feathers. Last month for example, CASA-CE went beyond merely complaining about the murky circumstances behind the new Angolan Sovereign Wealth Fund, arguing that the President did not have the power to arbitrarily create new funds by decree, and actually took the issue to court (it was defeated, of course).

At the beginning of last week UNITA went where no opposition had gone before: they lodged a criminal complaint against President dos Santos and several senior members of the MPLA for charges related to the most recent elections, which the opposition and several rights groups consider to have been seriously flawed. Among the several charges against the President and his collaborators is the charge of High Treason.

What’s always fascinating to watch when such opposition initiatives occur is MPLA’s reaction. It usually goes something like this: within days the MPLA will issue a statement that will be reproduced in all state media, including the country’s only daily newspaper, the country’s news agency (ANGOP), state radio, state and private television, and private newspapers. Subsequently, Angolans from all walks of life will come forth and repudiate whatever it is that the Party is repudiating. It is truly a sight to see and a testament to just how much control the MPLA has over the national discourse. Sports stars, musicians, party spokespeople, members of parliament, television stars, and, much more worryingly, priests and other religious figures come out in support of whatever it is that the party is supporting at the moment. Even semi-literate kuduro artist Nagrelha has been asked for his views on matters of national policy (he sided with the ruling party).

In the blanket coverage and universal repudiation that ensues, there is no room for public discourse on the matter. There is no second opinion, no dispute of facts. There is no debate, no argument. The other voices in the conversation are simply not heard – it’s almost as if they don’t even exist. Tension is ramped up and before long the rhetoric of war is brought up. The party of the Architect of Peace, as dos Santos has come to be known by, invariably invokes the war rhetoric. Just last Friday for example, the ex-UNITA co-founder who went over to the MPLA in 2008 alluded to the war and said that UNITA should just be glad that they are still alive and thank dos Santos’ for his magnanimity.

Perhaps most distressing of all for our young democracy is MPLA’s mostly explicit but sometimes also subtle reinforcement that questioning the powers that be, debating their policies, making use of our rights, courts and institutions and otherwise participating in the democratic process as concerned citizens (or political parties) is somehow a danger to the stability of the country and could plunge it back into war (note the recurring war theme). It’s no secret that corruption is rife in Angola and trust in our public institutions is now woefully low. An engaged and critical civil society is necessary for the normal functioning of a State and is an integral part of the democratic fabric of a nation. So are strong institutions that have the respect and support of said civil society.

Unfortunately, the government abhors the former and has disenfranchised the latter.

Angola is a nation of bright minds, brilliant writers, exceptional musicians, and a civil society that, almost 11 years after war’s end, is ready to have its voice heard. It’d be nice if the government understood that. It’d be nice if they ceased with controlling all aspects of national discourse and national media and treated us as a democratic society that is capable of free-thought. It’d be nice if they respected us as citizens.

-Cláudio

*Also available on Africa is a Country

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Gostaria de perceber o que leva um governo, que se diz representante do povo, a agir desta maneira contra ele.

Gostaria de perceber o que leva um governo a enviar centenas de homens armados até aos dentes, militares, policias de segurança e de intervenção rápida e sete helicópetros para destruir os humildes casebres de cidadãos à beira da subsistência. O que os leva a irromper pelo bairro adentro no meio da madrugada e sem aviso prévio. Imagino o medo, o susto, a dor, o terror. O choro das mamãs à procura dos seus filhos. O horror da mamãs que perderam os filhos que cairam numa vala enquanto fugiam do terror.

Gostaria de perceber o que leva um governo a reabrir as cicatrizes de guerra a um povo que já não vive, mas sim sobrevive.

Gostaria mesmo de perceber como é que um governo é capaz de voltar ao local deste acto de terrorismo de Estado e prender as mesmas pessoas que acabaram de desalojar, submetendo-as a julgamentos sumários e aplicando-lhes multas exorbitantes. É desumano.

Gostaria de ser capaz de entender a chocante indiferença da administração local.

Gostaria de compreender o que leva o mesmo governo a instalar no local uma aparatosa presença militar e depois vergonhosamente impedir que deputados da Assembleia Nacional, eleitos por este mesmo povo, tenham contacto e ofereçam assistência aos seus próprios eleitores, concidadãos, irmãos. Alguns dos deputados chegaram mesmo a ser agredidos. Isto para depois manipular os factos na imprensa pública em mais uma demonstração triste da sua incapacidade de lidar com a verdade.

Aonde está a lógica nestes actos? Gostaria de entender para que servem as leis e a Constituição da República, aquela que nos declara como sendo um estado democrático de direito.

Para que servem as centenas de milhões de dólares gastos em lobbyings no exterior e nas empresas de telecomunicações e marketing dos filhos do presidente – milhões que saem directamente do Orçamento Geral do Estado – para limpar a já gasta imagem do país, quando logo a seguir acontecem actos destes?

Para que servem os poemas de Agostinho Neto e a frase imortal “O mais importante é resolver os problemas do povo”?

Gostaria de perceber como se resolvem os problemas do povo desalojando-o forçosamente e sem aviso prévio para depois se construirem condomínios de luxo no local, como avançam algumas fontes.

Anteontem morreu Hugo Chávez, Presidente da Venezuela. Não morria de amores por algumas das suas políticas nem pelas suas aversões a certas liberdades, mas quem me dera que o meu Presidente tivesse um pingo do compromisso social que o falecido presidente venezuelano tinha para com o seu povo – principalmente para com os mais desfavorecidos.

Foto: ‘Desalojados em Cacuaco‘, por Maka Angola

Mais uma vez, a nossa imberbe e virgem democracia foi vilipendiada.

Eis a situação:

Uma delegação da UNITA, liderada por Isaías Samakuva, que visitava as populações desalojadas em Cacuaco, nos bairros de Maiombe e Baixa de Cassanje, foi impedida de realizar a sua jornada de solidariedade pela Polícia Nacional, que até levantou helicópteros para este desiderato. Mas desde quando é que para se fazer um donativo deve-se informar a Polícia? É uma regra constitucional? Tanto quanto sabemos não.

Este episódio é uma evidência de que as ordens superiores superam os pressupostos constitucionais. Nada estranho, tendo em conta a lógica da guerra que ainda paira na cabeça do Presidente do MPLA, por isso é que eles confundem manifestação pacífica com guerra. O MPLA e o seu líder até hoje não sabem das vantagens da lógica da democracia.

Com mais este abuso de poder, perguntamo-nos: Somos mesmo um Estado democrático de direito?

Categoricamente, pensamos que não.

Claro que para o senhor Norberto Garcia, um dos mais fanáticos militantes do MPLA, Angola tem uma democracia exemplar e imaculada. Não admira que ele se preste a fazer o papel de defensor da ditadura, advogado do diabo.  Esperamos sinceramente que isto não dê cabo da sua saúde mental.

Este militante do MPLA tem demonstrado uma enorme falta de coerência nos seus pronunciamentos. Factos: há dias num debate na Rádio Eclésia, NG afirmou que em Angola, há localidades com mais escolas do que alunos. É para levar a sério quem diz tamanha barbaridade? No sábado passado, ele, diante das câmaras e microfones da TPA, acusou Isaías Samakuva de incitar os populares à violência. Ora bem, este tipo de propaganda politica não ajuda o processo de reconciliação nacional nem o progresso da corrente democrática que se quer instalar no país.

 

Mais triste ainda, é o facto de que Norberto Garcia, que até parece ser um jovem promissor, está a ser usado e manipulado pela ala corrupta do MPLA, liderada pelo Zé dos dólares. Não sabemos quanto lhe pagam para travar o avanço do comboio da democracia, porém, sabemos que se ele não se cuidar o comboio vai atropelá-lo. Ele rema contra a maré. Ele está a usar a inteligência para proteger saqueadores do erário público. Portanto, os únicos frutos dessa sua aventura politica serão: doutoramento em DEMAGOGIA e alguns Kwanzas no cafocolo.

Repetimos: Esperamos sinceramente que isto não dê cabo da sua saúde mental.

Ontem por volta das 19h15 saí de casa com o intuito de encontrar-me com um ex-colega e chefe, nas imediações do Kapalanga, para tratarmos de um assunto de interesse mútuo. Como o bairro dele fica perto do bairro de uma amiga, Edna, tendo terminado o meu encontro, fui até a sua casa. Seriam mais ou menos 20h20.

Deixei-me estar na conversa até às 21h45 e, quando decidi voltar para casa, tomando a estrada que liga a Universidade Jean Piaget. Seguia tranquilamente por essa via e a dada altura ia atrás de uma viatura que a polícia mandou parar, numa das suas muito habituais operações “stop”.

Como também tem sido não menos frequente por parte dos automobilistas luandenses, quer por não estarem devidamente documentados, quer por terem deixado de temer as consequências de desrespeitar o agente de trânsito, quer por falta de paciência para mais uma troca de palavras desnecessária com agentes gasoseiros, o motorista do veículo deu mbaya e fintou o agente que não se deixou desconcertar, pois, a finta revelou-lhe um novo alvo a abater: eu!

O bongó assim que me viu atirou-se logo para frente da moto: “ pára, pára, pára, pára!”. Como eu trazia uma velocidade acima dos 40km/h, o bongó terá pensado que eu tencionava por-me em fuga, barrou-me a passagem e eu fui parar à beira de uma vala de drenagem. Nisso, veio outro policia, colega da barreira humana de farda azul, pegou-me na pasta à força, despoletando uma uma azeda troca de palavras, que começou com os insultos dos desrespeituosos agentes: “filho da puta” para aqui, “gatuno” para ali, coisa que eu não deixei barato, levantando-lhes a voz para acalmá-los e, seguidamente, num tom mais calmo, informá-los que era um cidadão consciente dos meus direitos que eles estariam a violar, citando os artº 60 (proibição de tortura e tratamentos degradantes) e 63 (direitos dos detidos e preso) da CRA. Isto teve o efeito desejado, fazendo com que os agentes passassem imediatamente a tratar-me de forma mais profissional.

Depois de 10 minutos apareceu a carrinha dos azulinhos, parou e perguntou o que se estava a passar. O colega começou a informar, relatando o que aconteceu de acordo com a sua eternamente distorcida percepção dos factos, tornando o agente num zeloso cumpridor da lei e o cidadão num infractor fracassado graças a sua pronta intervenção.

Exigiram que subisse no carro declarando: “estás preso por não andares com os documentos da moto”, o que obedeci.

Subindo no carro, deparei-me com um jovem debaixo do banco algemado, aparentando ter entre 26 e 27 anos de idade, a chorar. Os polícias estavam a bater-lhe forte e feio e disseram que o “ o gajo foi apanhado a conduzir sem cartas, embriagado e com porte ilegal de arma de fogo que é do pai dele, nosso colega”.

Chegámos à esquadra 45º do Kapalanga, desci do carro e entrei na casa deles. Assim que entrei, deparei-me o Comandante Barão, que me reconheceu de imediato, dirigindo-se a mim nos seguintes moldes:

    • “Tás aqui? Fizeste o quê?”
    • “Prenderam a minha moto”
    • “Ó Dr. Fábio pá, nunca mais, como vai o vosso movimento?”
    • “Vai bem”.

Já lá vinham 3 bongós a esfregar as mãos, com o ar de satisfação mórbida de quem está prestes a regozijar-se com o sofrimento alheio, preparando-se para me chapar, quando foram interrompidos nas suas intenções pelo “Chefe Barão” que lhes bradou: “Não mexem neste gajo! Se lhe tocarem, esse gajo vai falar na rádio e vai meter na net, deixam só, ele vai ir buscar os documento da moto”.

Seguidamente, ordenou que me devolvessem os documentos, e disse-me: “pode ir em casa, amanhã vem com os documento para tirar a sua moto”. Decidi ver até onde podia esticar a corda e declarei que não tinha massa para táxi. Acto contínuo, o Comandante tirou do seu próprio bolso 500 “Manguxi e Zé Dú”, também conhecidos pelo nome de código “kwanzas” e deu-mos para que me pudesse ir então embora. Como eram quase 23h, exprimi-lhe reticências em pegar a minha rota ainda por iluminar, dizendo que “através” do avançar da hora seria muito arriscado ir até a minha banda. Voltou a ser solicito oferecendo-me as instalações para que passasse a noite protegido. Deu-me uma sala com ar condicionado e TPA.

Por volta das 23h30, ligou-me o meu amigo Angelino a quem solicitei boleia e assim pude voltar em segurança para casa.

Assim foi a minha aventura nocturna com a nossa polícia e, no meio de tantas coisas para criticar, não posso omitir as que há para elogiar. Cheguei a conclusão que “isto” de ser activista tem as suas vantagens na desconjuntada parafernália de irregularidades que vigoram na nossa sociedade. Saí no lucro, tratado com a dignidade que merecem todos os seres humanos e mais rico de 500 “Manguxi e Zé Dú”.

Super! 32 é muito!

Por Fábio Sebastião

A moto apreendida

A moto apreendida

Our very own centraleiro Claudio Silva wrote an article for Africa is a Country about the role of social media in Angola and how it helped spread two viral videos that showed abuses against Angolan citizens. The article was later picked up the The GuardianBut as with most things in Angola, everything is not what it seems. Read on:

For the past two weeks, Angolans who use Facebook and other social media sites viewed and shared two particularly gruesome videos. One showed prison officials severely beating incarcerated men in the Comarca de Viana (Viana Jail), while the other, even more heinous, showed several men brutally beating and abusing two women who had allegedly attempted to steal a bottle of Moët & Chandon from the shop the men owned. The latter video lasts 13 long, uncomfortable minutes and among its more difficult scenes is the one in which an attacker forcibly kisses one of the women while the others laugh, and another in which the shop-owner beats the women with the blade of a machete. The video shows several men participating in the beating, while others, including women, stand by and watch while egging on the attackers. Both videos went viral in Angola.

They evoked very strong emotional reactions, particularly the second one. Within a matter of days, they had been mentioned on state television and talked about in public and private newspapers. It marks the first time that videos have gone truly viral in a country in which only about 5% of the population has access to the internet.

The videos come at a sensitive time. People continue to be shocked at the level violence permeating Angolan society. The torture and murder of a popular and well-liked teen last year at the hands of his teenage friends — which prompted a march against violence along Luanda’s new Marginal — is still fresh in many people’s minds. But the most remarkable outcome of this mass sharing of media was that the Angolan attorney general, or Procuradoria Geral da República (PGR) as it is locally known, actually did something about it. And they did it publicly and swiftly.

Read the rest of the article here or here.