Archive for the ‘Estiguem o Imperador’ Category

Finalmente o último episódio da nossa série JES’u Superstar.

Pegou-se no excerto do discurso em que ele se refere aos manifestantes como sendo “jovens com certas frustrações” e define o tipo de “regime ideológico” que vigora neste momento em Angola.

Deu muito trabalho mas parece-nos a nós que valeu a pena.

JES en decadência

O discurso com cerca de 15 minutos que gasta uma resma de papel (font size:48?) do Senhor José Eduardo dos Santos poderia até arrancar elogios aos mais incautos que gostam de ser feitos de trouxas, aqueles que não se cansam de ver aquela cara de mendigo desgraçado inspirando piedade e aquele tom de voz de Maria Madalena entristecida e continuam, já adultos, a atribuir-lhe algum tipo de seriedade/credibilidade/honestidade.

Desde sempre que este indivíduo que foge a entrevistas, debates, olhares indiscretos (fugou no funeral do Mandela) e eleições diretas nos habituou a palavras com aspeto de rosas e cheiro de fossa, pois deve ter aprendido que a arte da política é apenas ser convincente ao prometer e das promessas nos alimentaremos até a sua aparição seguinte. Isso pode até ser verdade durante um certo número de anos (julgando pelas democracias maduras entre 4 e 6 anos), mas o JEScaré já terá esticado por demais a corda, tendo quase conseguido a proeza de meter em questão a máxima do Abraham Lincoln mais tarde musicada pelo lendário Bob Marley: “You can fool all the people some of the time, and some of the people all the time, but you cannot fool all the people all the time”. Infelizmente para ele, uma fatia considerável de angolanos cansou-se de lhe outorgar esse kilapi e já não está mais para falinhas-mansas… 34 anos depois!

As fugazes referências aos “cidadãos que muito ainda tinham para dar à Nação” e à abolição da pena de morte e que “o Estado não mata” são de dar a volta ao estômago, sobretudo quando no dia seguinte o miúdo Nito Alves, o Emiliano Catombela e o Alemão foram perseguidos à tiro pelos becos de Viana pelos mal-encarados da PIR pelo simples facto de estarem nas imediações da Comarca de Viana enquanto decorria o motim que deixou 4 mortos.

Não escondemos que ficámos muito intrigados com a frase: “que os seus bons exemplos sejam seguidos pelas novas gerações”. Estará ele a encorajar outros jovens a promover manifestações e a colar cartazes com mensagens políticas
que lhe sejam adversas? Terá finalmente percebido que democracia só o é se houver quem o conteste? Ou estava a ter o seu (falso) momento Mandela?

A última frase no discurso mostra bem quão enraizado está o narcisismo desse mais-velho, mandando uma mensagem de solidariedade para os enfermos que não conseguirão disfrutar da quadra festiva com a saúde e alegria que o momento pede. Basta ver a imagem no cabeçalho e ouvir a voz lânguida reveladora de uma língua preguiçosa e com preguiça de articular, para nos apercebermos que ele está a mandar uma mensagem para si próprio, uma espécie de auto-consolo pelo estado frágil que tem se tornado demasiadamente óbvio e que nos força a pensar com uma seriedade reforçada na nossa Angola pós-JES.

Longe de nós desejarmos que perca o pulso definitivamente, não somos dessa estirpe. Somos antes daqueles que fazem figas para que ele esteja bem vivo para sentar no banco dos réus e responder por todos os crimes cometidos pelo “seu” estado e que ele, enquanto garante da CRA e responsável máximo da Nação, não foi capaz ou não
quis impedir.

Longa vida ao Rei que, coitado, já vai nú!

Abaixo algumas das brincadeiras que protagonizámos com a sua debilitada figura ao longo deste ano de 2013 e que ficaram-se essencialmente pelo facebook.

Zé Kitumba em BCN

JES Fernando NoronhaJES Cabobo BCNJEScaré 01 TSHIRT MPLA LACOSTE MPLA Bandeira NOVA

A série JES’u Superstar: Cap.I; Cap.II; Cap.III; Cap.IV; Cap.V; Cap.VI; Cap.VII;

JEs maquilhado

«Partido no poder em Angola avisa que manifestação convocada para Sexta-feira é “aventura irresponsável e de consequências imprevísiveis”.»

Os jacarémes chefiados pelo ditador Zé Kitumba dos Santos estão a muscular-se e a ameaçar, sedentos de sangue. Sempre que se anuncia uma manifestação, os jacarémes abrem a boca e mostram os seus terríveis dentes. Eles sabem que são detestados pelo povo de Luanda que não tem água e luz – a suposta ‘Roma’ do regime -, e espumam-se de ódio quando fica demonstrado de forma aberta e publicamente que o povo esclarecido está farto deles, e que é justamente o contrário do que eles dizem na sua fétida propaganda. Não admitem nem consentem ver as ruas transformadas num mar de gente a protestar contra a ditadura, a corrupção, o roubo, o crime, a má governação. Se necessário for, retaliam e esmagam o povo que dizem defender, como fizeram aos dois activistas por eles assassinados – Kamulingue e Cassule, e tantos tantos outros desde Maio de 1977.

Os jacarémes desempenham bem a sua tão velha tática, igual a de todas as ditaduras e de que eles são mestres: criar um prévio ambiente de grande tensão, com ameaças constantes e antecipadas que vão subindo de tom para aumentar o clima de medo e de terror, numa tentativa de desmobilizar o povo para que a manif não se realize, ejaculando para o efeito declarações claramente intimidatórias.


É nestas ocasiões que a máscara dos jacarémes “democratas” lhes cai até ao chão. Até se “esquecem” que a Constituição que eles aprovaram mas não respeitam porque é só para ‘inglês ver’, consagra o direito de o povo se manifestar… Democracia ? O que é isso ?

O MPLA nunca se converteu à democracia, porque mantêm o espírito de movimento armado que obteve uma vitória militar. Na sua óptica arrogante, todos os partidos se devem submeter ao seu poderio e ‘não fazer ondas’, visto que entendem que são donos do país, como se da sua coutada privada se tratasse. A UNITA hoje, nada tem a ver com a UNITA de Savimbi em que este teimosamente voltou à guerra após as eleições interrompidas de 1992. A UNITA hoje, apesar de todas as tentativas de o MPLA diabolizar, é um partido desarmado e derrotado militarmente, e que se adaptou aos desafios democráticos como partido civil e com uma nova direcção, até porque contrariamente aos quadros do MPLA que viveram e se formaram nos piores regimes ditatoriais comunistas, eles sempre tiveram a experiência democrática vivida em países ocidentais que os apoiavam. Quanto ao MPLA, mantém-se armado porque controla as Forças Armadas e a Polícia que governamentalizou, num regime construído na esteira do modelo de partido único, onde Partido e Governo se misturam sem fronteiras, não se sabendo onde acaba o Partido e onde começa o Governo.

O facto é que o MPLA já se desmascarou, ao proferir ameaças com antecedência, demonstrando a sua prévia vontade em reprimir violentamente e tal como dizem, com «consequências imprevisíveis», deixando transparecer de que são capazes de tudo. Como anteriormente tem acontecido, irão infiltrar os seus gorilas na manifestação como provam as fotos e os vídeos de manifestações anteriores – e desta vez provavelmente armados para iniciarem um tiroteio no meio dos manifestantes, que “justifique” uma acção armada de envergadura que irá certamente provocar alguns mortos e, posteriormente, acusar a UNITA de ser o causador das mortes. O grande sonho do MPLA, é arranjar pretextos para excluir o maior partido da oposição do processo democrático, ilegalizando-o, por forma a que continuem com a corrupção, com o roubo, com o crime e a má governação, sem o empecilho de uma oposição forte que exerça uma firme vigilância.


A sociedade angolana quer a verdadeira Justiça contra os assassinos de Isaías Sebastião Cassule e Alves Kamulingue, os que os executaram a sangue frio e, principalmente os que mandaram matar e estão escondidos na sombra do hediondo regime. E é para isso que a manifestação foi organizada e serve: para que se exija em voz alta a condenação de todos os culpados, e não apenas dos ‘bodes expiatórios’ como o regime se prepara para fazer.

Por Telmo Vaz Pereira

Para além dos esclarecimentos acerca de Kassule e Kamulingue, Milocas Pereira, Nito Alves, artº 47 da CRA e “parvoíces” desse género que, ao que parece, são questões que só inimigos da paz poderiam ousar levantar, eis o discurso que gostaríamos de ouvir sair da boca do Kitumba:

 

 

Insólito!

Depois dos habituais rasgados e reiterados elogios à figura endeusada do velho babão, este é apresentado como protagonista do “momento mais alto” do Fórum (só mesmo em Angola o momento mais alto de um simpósio de discussão de ideias é a figura que profere as últimas, eternamente vãs, felicitações), mas antes que conseguisse iniciar o seu discurso, foi apupado por um (seriam mais?) jovem, que se pôs a gritar algures nos fundos da sala. Infelizmente, as suas palavras são incompreensíveis, mas o seu gesto está para além de assinalável!

Em Angola não há um género musical na atualidade que faça mais honra à memória da música angolana de intervenção social dos anos 60/70 do que o hip hop. Se outrora se musicava a angolanidade que ia do folclore à condição social de colonizado, hoje em dia, alguns
rappers mantêm-se fiéis a esse espírito, e o que perdem pelo parco uso das línguas nacionais, compensam no facto de chamar os bois pelos nomes abdicando de metáforas para identificar o neo-colono que agravou ainda mais a condição social do “libertado”.

Desta vez escolhemos um tema de mixtape de um grupo do Sumbe, Kwanza-Sul, chamado Jaula, composto por 3 MC’s. O tema intitula-se pertinentemente “Viva a Revolução” e começa com um excerto do infâme discurso de abertura da reunião do CC do MPLA proferido pelo seu patrono JES e segue com um refrão poderoso:

“Zéduardo se retira, leva toda tua família.

Ditadores, vão-se embora, essa terra não é vossa.

Liberdade para todos, mais respeito com o meu povo”

Boa escuta.

Neste capítulo JES volta a exibir toda a sua descoordenação de oratória contradizendo-se quanto a factos e números que devia dominar até a dormir, enunciando o “enorme esforço na formação de pessoal qualificado” como a maior das realizações do seu governo apenas para dizer a seguir que todos os estrangeiros que venham “ajudar” o país “são bem-vindos, pois, como sabe, aqui há uma grande falta de pessoal qualificado”.

Fala ainda da missão dos chineses em Angola, da sua definição pessoal de “pobreza”, da sua própria sucessão e do que pretende fazer no além (depois de abandonar a presidência).

Finalmente, assume perante todos que no fundo, ele não é homem da política, mas antes um desportista que veio por empréstimo.

Quem lhe emprestou deve-se ter esquecido dele, porque ficou emprestado 34 anos a apodrecer lentamente, estando agora a gangrenar e a feder.

Fique por Barcelona que não deixará saudades!

Não havia outra maneira de usarmos este segmento da entrevista de JES em que ele se refere de maneira vaga e lacónica a eventuais “programas” e “projectos”. Na versão original, a medida que o Sr. Kitumba arrasta as respostas sem conteúdo como se tivesse chumbo a prender-lhe a língua ou um retardador de raciocínio acoplado no osso occipital, o cérebro de quem ouve tem tendência a desligar, a entrar em modo de suspensão e provavelmente será essa mesmo a intenção.

Mas depois de muito cambalearmos, conseguimos espremer a chuva dessa nuvem e finalmente apresentar um resumo do que S. Excia quis dizer com tanto parlapiê!

Divirtam-se!

Tendo em conta a quantidade de gralhas e sinais de incoerência, incapacidade intelectual e senilidade patentes nesta entrevista com a qual JES nos agraciou, só podemos chegar a uma de duas conclusões:

1 – Ou os seus acessores de imprensa estão tão irradiados pela “luz” emanada por JES ao ponto de não repararem e, consequentemente, não mandarem editar/corrigir essas debilidades que fragilizam ainda mais a imagem do presidente, o que os torna meros incompetentes; ou

2 – Estão borradinhos de medo de se chegarem “à sua beira” e lhe informarem: chefe, apesar do treino todo que tivemos, esta entrevista será uma catástrofe se for difundida. Aconselho-o veementemente a interditá-la!

Felizmente para confirmação da nossa argumentação na falta de lucidez ou elasticidade intelectual do camarada chefe, a entrevista saíu mesmo, para envergonhar e insultar a inteligência da maior parte dos angolanos.

ESTE SENHOR ESTÁ DECRÉPITO E INCAPAZ DE COMANDAR OS DESTINOS DO AVIÁRIO QUE ENRIQUECEU A ISABEL, QUANTO MAIS DE COMANDAR 20 MILHÕES DE ANGOLANOS?!?!? RUA JÁ!

Este 4º capítulo da série tenciona fazer sobressair algumas das bandeiras mais flagrantes nas respostas que, apesar do tempo prévio para confecção, JES conseguiu produzir às perguntas elaboradas pelo “jornalista” Henrique Cymerman.

Fala-se dos objectivos do governo em manter os níveis de crescimento como se fosse só querer; do trabalho do governo com “as associações” sendo que depois de se citar a OMA não se lhe ocorre mais nenhuma; volta a culpar-se o colono pela nossa desgraça; e aborda-se a solução para a corrupção.

A não perder a nossa estrela no apogeu da sua representação cinematográfica.