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O Semanário Agora tem sido o único da imprensa circulando em formato papel a tratar assuntos envolvendo manifestantes com o destaque e abordagem merecidos (devidos?). Não estamos a defender que as peças tenham de tomar partido, mas tão simplesmente que sejam feitas, que não estejam secundarizadas, (apenas) escondidas numa coluna de fim de jornal, como se de um assunto pouco relevante se tratasse.

Estamos, desta vez, a falar de uma abominável sessão de tortura perpetrada pela Polícia Nacional de Angola e, enquanto a maior parte dos jornais “privados” faz tábua rasa ou apenas aflora o assunto (Carlos Ferreira, à página 19 do NJ, sem nunca referir-se ao nome da Laurinda, fala do inaceitável comportamento da polícia ao reprimir violentamente cidadãos, em forma de “ponto prévio” à página que lhe é dedicada, derivando depois imediatamente para José Sócrates, da Lituânia, Nações Unidas e… do Real Madrid).

O próprio semanário Agora, de forma absurda e paradoxal, consegue encontrar uma razão mais forte para dar nota positiva à polícia nacional (colocando-a no “sobe” na secção de Sobe & Desce por, imaginem, ter sido bem sucedida ao “apertar o cerco” aos taxistas), do que ser coerente com a sua primeira página, editorial e pequenas colunas que lhes sucedem.

Vamos só já suspirar porque a oração já deu o que tinha a dar.

AGORA_901 - CApa LauAGORA_901 - Editorial LauAGORA_901 -  Lau 01AGORA_901 -  Lau 02 Mario PaivaAGORA_901 -  Lau 03 VHAGORA_901 -  Lau 04 Sobe e Desce

 

Para todos os que nos acompanham no facebook não estamos a trazer aqui propriamente uma novidade: a Polícia voltou a martelar impiedosamente, mas desta vez com requintes de maldade excecionais e com executores graduados. É sobretudo chocante desta vez pelo facto de:

1 – a polícia estar em números absurdamente superiores ao dos manifestantes (várias dezenas, fortemente armados, incluíndo com metralhadoras vs quatro jovens inconsequentes que, passando pelo largo, acharam inconcebível aquele aparato de guerra e resolveram provocar o “leão”);

2 – terem feito um banquete de duas horas de tortura à uma menina universitária de 26 anos, como se estivessem a agir sobre um daqueles suspeitos de terrorismo em Guantánamo, com toda a fúria de quem acredita estar a defender um interesse nacional superior, completamente alheios às várias convenções internacionais sobre direitos humanos ratificadas por Angola.

Laurinda, alguns dias antes do protesto

Laurinda, alguns dias antes do protesto

A notícia já foi amplamente divulgada, tanto na nossa página de facebook, como no Maka Angola, VOA e Deutsche Welle, para não mencionar os milhares de partilhas e comentários de indignação que se contagiaram o nosso ciberespaço nas últimas 48 horas e, por esse motivo, iremos poupar as palavras para não ser repetitivos e deixar-vos apenas com as imagens que falam por si.

Dentre os partidos políticos, o único a reagir oficialmente foi, até agora, o Bloco Democrático.

Dias antes das datas agendadas para as manifestações, a deputada Mihaela Webba (UNITA) fez uso do seu facebook para desencorajar a juventude de tomar parte em ditas manifestações por ter informações que o regime ia “atirar a matar”, sublinhando que nenhuma das estruturas do seu partido iriam aderir ao(s) evento(s). Ficamos sem perceber se o recado seria para a juventude ou para o MPLA, mas uma coisa ficou clara, não devemos esperar pronunciamentos oficiais por parte da UNITA pois “fomos advertidos”.

Desta vez a coisa não vai ficar por aqui.

Laurinda e Odaír na ambulância

Laurinda e Odaír na ambulância

Baixa de Cassange

Odaír Fernandes exibindo um corte profundo na cana do nariz

Laurinda 23 Novembro Hospital 00

Laurinda 23 Novembro Hospital 01

Laurinda, inconsolável, não conseguia parar de chorar

Laurinda 23 Novembro Hospital 04Laurinda 23 Novembro Hospital 05

7 de Março: 3 anos depois

Posted: March 7, 2014 in Fotos

Sem muitos bla bla bla auto-elogiativos, vamos apenas partilhar a ÚNICA imagem que sobrou da madrugada do 7 de Março no Largo da Independência, que era até ali uma sentada sem slogans e que pretendia ser, mais tarde, uma mega-manifestação. Não durou mais de 25 minutos até que nos convidassem gentilmente (com direito a algemas e tudo) a ir passar a noite nas confortáveis celas da DPIC.

O espírito do 7 de Março vive!

 

MANIFESTANTES 7 março

JEs maquilhado

«Partido no poder em Angola avisa que manifestação convocada para Sexta-feira é “aventura irresponsável e de consequências imprevísiveis”.»

Os jacarémes chefiados pelo ditador Zé Kitumba dos Santos estão a muscular-se e a ameaçar, sedentos de sangue. Sempre que se anuncia uma manifestação, os jacarémes abrem a boca e mostram os seus terríveis dentes. Eles sabem que são detestados pelo povo de Luanda que não tem água e luz – a suposta ‘Roma’ do regime -, e espumam-se de ódio quando fica demonstrado de forma aberta e publicamente que o povo esclarecido está farto deles, e que é justamente o contrário do que eles dizem na sua fétida propaganda. Não admitem nem consentem ver as ruas transformadas num mar de gente a protestar contra a ditadura, a corrupção, o roubo, o crime, a má governação. Se necessário for, retaliam e esmagam o povo que dizem defender, como fizeram aos dois activistas por eles assassinados – Kamulingue e Cassule, e tantos tantos outros desde Maio de 1977.

Os jacarémes desempenham bem a sua tão velha tática, igual a de todas as ditaduras e de que eles são mestres: criar um prévio ambiente de grande tensão, com ameaças constantes e antecipadas que vão subindo de tom para aumentar o clima de medo e de terror, numa tentativa de desmobilizar o povo para que a manif não se realize, ejaculando para o efeito declarações claramente intimidatórias.


É nestas ocasiões que a máscara dos jacarémes “democratas” lhes cai até ao chão. Até se “esquecem” que a Constituição que eles aprovaram mas não respeitam porque é só para ‘inglês ver’, consagra o direito de o povo se manifestar… Democracia ? O que é isso ?

O MPLA nunca se converteu à democracia, porque mantêm o espírito de movimento armado que obteve uma vitória militar. Na sua óptica arrogante, todos os partidos se devem submeter ao seu poderio e ‘não fazer ondas’, visto que entendem que são donos do país, como se da sua coutada privada se tratasse. A UNITA hoje, nada tem a ver com a UNITA de Savimbi em que este teimosamente voltou à guerra após as eleições interrompidas de 1992. A UNITA hoje, apesar de todas as tentativas de o MPLA diabolizar, é um partido desarmado e derrotado militarmente, e que se adaptou aos desafios democráticos como partido civil e com uma nova direcção, até porque contrariamente aos quadros do MPLA que viveram e se formaram nos piores regimes ditatoriais comunistas, eles sempre tiveram a experiência democrática vivida em países ocidentais que os apoiavam. Quanto ao MPLA, mantém-se armado porque controla as Forças Armadas e a Polícia que governamentalizou, num regime construído na esteira do modelo de partido único, onde Partido e Governo se misturam sem fronteiras, não se sabendo onde acaba o Partido e onde começa o Governo.

O facto é que o MPLA já se desmascarou, ao proferir ameaças com antecedência, demonstrando a sua prévia vontade em reprimir violentamente e tal como dizem, com «consequências imprevisíveis», deixando transparecer de que são capazes de tudo. Como anteriormente tem acontecido, irão infiltrar os seus gorilas na manifestação como provam as fotos e os vídeos de manifestações anteriores – e desta vez provavelmente armados para iniciarem um tiroteio no meio dos manifestantes, que “justifique” uma acção armada de envergadura que irá certamente provocar alguns mortos e, posteriormente, acusar a UNITA de ser o causador das mortes. O grande sonho do MPLA, é arranjar pretextos para excluir o maior partido da oposição do processo democrático, ilegalizando-o, por forma a que continuem com a corrupção, com o roubo, com o crime e a má governação, sem o empecilho de uma oposição forte que exerça uma firme vigilância.


A sociedade angolana quer a verdadeira Justiça contra os assassinos de Isaías Sebastião Cassule e Alves Kamulingue, os que os executaram a sangue frio e, principalmente os que mandaram matar e estão escondidos na sombra do hediondo regime. E é para isso que a manifestação foi organizada e serve: para que se exija em voz alta a condenação de todos os culpados, e não apenas dos ‘bodes expiatórios’ como o regime se prepara para fazer.

Por Telmo Vaz Pereira

Prática recorrente desse regime BURRO E INCOMPETENTE, as perseguições, intimidações e ameaças de morte a todo aquele que assuma publicamente a sua insatisfação com o partido no poder e que dediquem o seu tempo a destapar-lhes as carecas que mal se deram ao trabalho de disfarçar.

Em Luanda, temos uma intensificação dos “apertões” (ver casos Domingos da Cruz, Rafael Marques, Makuta Nkondo, Coque Mukuta, Rafa Marques, Alexandre Solombe, Nito Alves, manifestantes de 19 de Setembro e a lista continua!) a cidadãos que se querem menos ativos e mais calados, mas no Lubango voltaram ao descaramento das ameaças diretas de morte via SMS, do número 949932231 como poderão constatar nas imagens seguintes:

1) Ameaças feita ao José Macuva, Presidente da ACA (Associação Cidadania Activa) depois deste ter remetido ao Governo Provincial da Huíla uma carta exprimindo intenção de sair às ruas em protesto no dia 19 de Março. As que recebeu hoje citam também Manuel das Mangas e Tony Fansy.

José Macuva Ameaça SMS 00José Macuva Ameaça SMS 01José Macuva Ameaça SMS 02

2) Ameaças feita à Manuel das Mangas, ativista independente que se tem destacado pela sua enorme atividade no facebook onde faz denúncias de natureza diversa e estimula ao debate e troca de ideias com a “comunidade online”.

Manuel das Mangas Ameaça SMS 01Manuel das Mangas Ameaça SMS 02Manuel das Mangas Ameaça SMS 03Manuel das Mangas Ameaça SMS 04Manuel das Mangas Ameaça SMS 05

O Manuel das Mangas fez o que tinha de fazer: foi apresentar queixa à Polícia Nacional que lavou as mãos reencaminhando-o para a DPIC. Assim fez o Manuel, tendo falado com o Investigador-Chefe do Comando Municipal que lhe terá simplesmente dito: “Imprime essa mensagem e traz para abrirmos o processo de investigação”. Ficou-se por aí!

Nossa Angola… escorrobotada!

No dia 4 de Julho de 2013 apareceram no Facebook imagens de uma plataforma petrolífera afundar-se no mar. A legenda dizia algo do género “Sonda da SAIPEM colapsa no Soyo”. O acidente teria acontecido 2 ou 3 dias antes, mas incrivelmente, conseguiu manter-se um manto silencioso e abafar um assunto dessa gravidade e dimensão até que essas imagens fossem reveladas. Imediatamente começou o festival de ataques aos nossos órgãos de (des)informação que têm uma incompetência atestada com direito a quadro de honra há já muitos anos (para não dizer desde sempre) e de quem não deveríamos esperar melhor.

O facto é que essa imprensa, timidamente lá reagiu, mencionando muito superficialmente uma efeméride que num país com liberdade de imprensa teria sido dissecado minuciosamente. Na nossa Angola não! É só mais um fait-divers, ensanduichado entre a “notícia” da visita de alguém com pouca importância para o angolano ao presidente JES e o concurso Miss Angola Esquina-do-bairro-desconhecido, passado em forma de comunicado chato, sem imagens e sem análise. É o costume.

Interessante foi ver como alguns detractores do regime se deram ao trabalho de encontrar imagens de um afundamento de sonda no Youtube, baixarem para os seus computadores e voltarem a subi-lo com um novo título sugerindo que corresponderiam a imagens da sonda da SAIPEM, a tal que se tinha admitido engolida pelo mar.

Mais interessante ainda, a maneira com que os incansáveis defensores do indefensável se lançaram num ataque feroz a quem, induzido pela já comprovada veracidade das imagens anteriores, se precipitou na partilha desse vídeo sem verificar a sua fonte.  Acusações com recurso a adjectivos que remontam aos idos anos 80 vieram à baila, demonstrando a idolatria ao que o seu chefe produz de pior e a profundidade da cristalização da mentalidade dessa gente, fossilizada a tal ponto que não parece mesmo ser irreversível. Até hoje há posts em que usam o facto de, também nós, termos caído na esparrela e partilhado dito vídeo, para “provar” que não somos diferentes daqueles que acusámos de parcialidade criminosa (JA, RNA, TPA) e que usamos de baixarias para denegrir o regime.

Esclarecimento: felizmente, temos alguns leitores muito atentos e em menos de 3 minutos tivemos um comentário remetendo-nos para o link original do afundamento que, afinal, se terá passado ao largo da costa iraniana, no Golfo Pérsico. Confrontados com essa gaffe, apagámos IMEDIATAMENTE o post e passámos a comentar diligentemente em todos os posts que apareciam no nosso feed que publicassem o vídeo como tendo ocorrido em Angola. Até hoje há pessoas que são induzidas pela legenda do vídeo e por associá-lo à notícia da plataforma da SAIPEM, essa sim, “tombada pela nossa independência”. Somos rigorosamente CONTRA o uso de desonestidade deliberada para denegrir os nossos detractores e daí termos removido, acto contínuo, o dito vídeo. Com um regime como o nosso, não é preciso inventar factos ou acusações, pois ele é prolífico em produzi-los diariamente, brindando-nos com mais material do que aquele que conseguimos digerir, esmiuçar e regurgitar em forma de análise articulada.

Mas vamos lá comparar as imagens REAIS da sonda “afogada” com as do vídeo que se quer fazer passar por original e pensar se é assim tão absurdo que sejamos todos induzidos em erro e se, se filmagens houvessem, o vídeo da sonda da SAIPEM a ir ao fundo teria sido tão diferente assim do que aqui colocamos.

Fotos da plataforma SAIPEM

Plataforma SAIPEM engolida no Soyo

Vídeo de uma plataforma IRANIANA a naufragar
 

Essa polícia toda, é suposto nos intimidar? Somos pela PAZ e todos já perceberam isso, mesmo vocês que querem incitar-nos a práticas pouco urbanas de reivindicação.

É uma VIGÍLIA! Velas, luto e orações!

PAZ! PAZ!! PAZ!!!

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