Archive for the ‘Luanda’ Category

E desta vez parece que a coisa acabou mesmo por sair, quando tudo indicava que fosse ficar-se pelo ciber-espaço no blog da entrevistadora. Foi na edição desta sexta-feira, 3 de Maio, que o centraleiro Luaty Beirão teve, pela primeira vez desde 2011, espaço na imprensa escrita angolana. Segue na íntegra:

Luaty Beirão Entrevista no NJ 03.04.2013

Retirámos este comentário desta notícia no club-k, cujo título é: “Ameaças de abrandamento da China e de sucessão política pairam sobre economia angolana”. Trata-se de um “feliz contemplado” com uma casa no Kilamba que cumpriu a preceito com a sua parte do acordo, apenas para ver a SONIP seguir impune sem cumprir a sua. Segue na íntegra:

A DURA REALIDADE, o sonho da casa própria leva-me a sacrifícios, porque ansiedade mata nossos corações. No acto de inscrição as quatro lojas do KILAMBA com identificação externa de DELTA. Opção de escolha e por gostar da cor verde, passei dia 31 de Janeiro até dia 5 de Fevereiro em noites claras para conseguir o primeiro lugar da enorme fila de mais de trezentas pessoas. Graças a DEUS entrei nas primeiras DOZE PESSOAS SELECIONADAS NA FILA. Como homem e bem educado, já no interior da loja dei prioridade as mulheres, sendo a SÉTIMA pessoa registada. Segundo o funcionário ou promotor tinha CINCO dias para depositar o valor, e esperar DUAS semanas para receber as CHAVES. Por volta das ONZE HORAS DO DIA 5 DE FEVEREIRO fiz entrega como a primeira pessoa ou cliente o justificativo do Banco BAI. Passaram TRINTA E QUATRO DIAS e a SONIP não presta qualquer esclarecimento, apenas devem aguardar SMS da SONIP no telemóvel. CORRUPTOS”

Assinado: PAI GRANDE

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Gostaria de perceber o que leva um governo, que se diz representante do povo, a agir desta maneira contra ele.

Gostaria de perceber o que leva um governo a enviar centenas de homens armados até aos dentes, militares, policias de segurança e de intervenção rápida e sete helicópetros para destruir os humildes casebres de cidadãos à beira da subsistência. O que os leva a irromper pelo bairro adentro no meio da madrugada e sem aviso prévio. Imagino o medo, o susto, a dor, o terror. O choro das mamãs à procura dos seus filhos. O horror da mamãs que perderam os filhos que cairam numa vala enquanto fugiam do terror.

Gostaria de perceber o que leva um governo a reabrir as cicatrizes de guerra a um povo que já não vive, mas sim sobrevive.

Gostaria mesmo de perceber como é que um governo é capaz de voltar ao local deste acto de terrorismo de Estado e prender as mesmas pessoas que acabaram de desalojar, submetendo-as a julgamentos sumários e aplicando-lhes multas exorbitantes. É desumano.

Gostaria de ser capaz de entender a chocante indiferença da administração local.

Gostaria de compreender o que leva o mesmo governo a instalar no local uma aparatosa presença militar e depois vergonhosamente impedir que deputados da Assembleia Nacional, eleitos por este mesmo povo, tenham contacto e ofereçam assistência aos seus próprios eleitores, concidadãos, irmãos. Alguns dos deputados chegaram mesmo a ser agredidos. Isto para depois manipular os factos na imprensa pública em mais uma demonstração triste da sua incapacidade de lidar com a verdade.

Aonde está a lógica nestes actos? Gostaria de entender para que servem as leis e a Constituição da República, aquela que nos declara como sendo um estado democrático de direito.

Para que servem as centenas de milhões de dólares gastos em lobbyings no exterior e nas empresas de telecomunicações e marketing dos filhos do presidente – milhões que saem directamente do Orçamento Geral do Estado – para limpar a já gasta imagem do país, quando logo a seguir acontecem actos destes?

Para que servem os poemas de Agostinho Neto e a frase imortal “O mais importante é resolver os problemas do povo”?

Gostaria de perceber como se resolvem os problemas do povo desalojando-o forçosamente e sem aviso prévio para depois se construirem condomínios de luxo no local, como avançam algumas fontes.

Anteontem morreu Hugo Chávez, Presidente da Venezuela. Não morria de amores por algumas das suas políticas nem pelas suas aversões a certas liberdades, mas quem me dera que o meu Presidente tivesse um pingo do compromisso social que o falecido presidente venezuelano tinha para com o seu povo – principalmente para com os mais desfavorecidos.

Foto: ‘Desalojados em Cacuaco‘, por Maka Angola

Ontem por volta das 19h15 saí de casa com o intuito de encontrar-me com um ex-colega e chefe, nas imediações do Kapalanga, para tratarmos de um assunto de interesse mútuo. Como o bairro dele fica perto do bairro de uma amiga, Edna, tendo terminado o meu encontro, fui até a sua casa. Seriam mais ou menos 20h20.

Deixei-me estar na conversa até às 21h45 e, quando decidi voltar para casa, tomando a estrada que liga a Universidade Jean Piaget. Seguia tranquilamente por essa via e a dada altura ia atrás de uma viatura que a polícia mandou parar, numa das suas muito habituais operações “stop”.

Como também tem sido não menos frequente por parte dos automobilistas luandenses, quer por não estarem devidamente documentados, quer por terem deixado de temer as consequências de desrespeitar o agente de trânsito, quer por falta de paciência para mais uma troca de palavras desnecessária com agentes gasoseiros, o motorista do veículo deu mbaya e fintou o agente que não se deixou desconcertar, pois, a finta revelou-lhe um novo alvo a abater: eu!

O bongó assim que me viu atirou-se logo para frente da moto: “ pára, pára, pára, pára!”. Como eu trazia uma velocidade acima dos 40km/h, o bongó terá pensado que eu tencionava por-me em fuga, barrou-me a passagem e eu fui parar à beira de uma vala de drenagem. Nisso, veio outro policia, colega da barreira humana de farda azul, pegou-me na pasta à força, despoletando uma uma azeda troca de palavras, que começou com os insultos dos desrespeituosos agentes: “filho da puta” para aqui, “gatuno” para ali, coisa que eu não deixei barato, levantando-lhes a voz para acalmá-los e, seguidamente, num tom mais calmo, informá-los que era um cidadão consciente dos meus direitos que eles estariam a violar, citando os artº 60 (proibição de tortura e tratamentos degradantes) e 63 (direitos dos detidos e preso) da CRA. Isto teve o efeito desejado, fazendo com que os agentes passassem imediatamente a tratar-me de forma mais profissional.

Depois de 10 minutos apareceu a carrinha dos azulinhos, parou e perguntou o que se estava a passar. O colega começou a informar, relatando o que aconteceu de acordo com a sua eternamente distorcida percepção dos factos, tornando o agente num zeloso cumpridor da lei e o cidadão num infractor fracassado graças a sua pronta intervenção.

Exigiram que subisse no carro declarando: “estás preso por não andares com os documentos da moto”, o que obedeci.

Subindo no carro, deparei-me com um jovem debaixo do banco algemado, aparentando ter entre 26 e 27 anos de idade, a chorar. Os polícias estavam a bater-lhe forte e feio e disseram que o “ o gajo foi apanhado a conduzir sem cartas, embriagado e com porte ilegal de arma de fogo que é do pai dele, nosso colega”.

Chegámos à esquadra 45º do Kapalanga, desci do carro e entrei na casa deles. Assim que entrei, deparei-me o Comandante Barão, que me reconheceu de imediato, dirigindo-se a mim nos seguintes moldes:

    • “Tás aqui? Fizeste o quê?”
    • “Prenderam a minha moto”
    • “Ó Dr. Fábio pá, nunca mais, como vai o vosso movimento?”
    • “Vai bem”.

Já lá vinham 3 bongós a esfregar as mãos, com o ar de satisfação mórbida de quem está prestes a regozijar-se com o sofrimento alheio, preparando-se para me chapar, quando foram interrompidos nas suas intenções pelo “Chefe Barão” que lhes bradou: “Não mexem neste gajo! Se lhe tocarem, esse gajo vai falar na rádio e vai meter na net, deixam só, ele vai ir buscar os documento da moto”.

Seguidamente, ordenou que me devolvessem os documentos, e disse-me: “pode ir em casa, amanhã vem com os documento para tirar a sua moto”. Decidi ver até onde podia esticar a corda e declarei que não tinha massa para táxi. Acto contínuo, o Comandante tirou do seu próprio bolso 500 “Manguxi e Zé Dú”, também conhecidos pelo nome de código “kwanzas” e deu-mos para que me pudesse ir então embora. Como eram quase 23h, exprimi-lhe reticências em pegar a minha rota ainda por iluminar, dizendo que “através” do avançar da hora seria muito arriscado ir até a minha banda. Voltou a ser solicito oferecendo-me as instalações para que passasse a noite protegido. Deu-me uma sala com ar condicionado e TPA.

Por volta das 23h30, ligou-me o meu amigo Angelino a quem solicitei boleia e assim pude voltar em segurança para casa.

Assim foi a minha aventura nocturna com a nossa polícia e, no meio de tantas coisas para criticar, não posso omitir as que há para elogiar. Cheguei a conclusão que “isto” de ser activista tem as suas vantagens na desconjuntada parafernália de irregularidades que vigoram na nossa sociedade. Saí no lucro, tratado com a dignidade que merecem todos os seres humanos e mais rico de 500 “Manguxi e Zé Dú”.

Super! 32 é muito!

Por Fábio Sebastião

A moto apreendida

A moto apreendida

Não queremos continuar calados e na espera eterna enquanto os nossos amigos continuam desaparecidos! Estamos especialmente preocupados com o silêncio dos representantes do governo que em peito alto assumiram investigar e esclarecer caso no passado dia 20 de dezembro de 2012 numa reunião que mantivemos com o Ministro do Interior, o Diretor Nacional da DNIC, o Vice-Procurador Geral, o Vice-Ministro da Justiça e outras entidades do poder executivo e administrativo do país, estando presentes também familiares próximos dos nossos companheiros desaparecidos desde Maio de 2012.

Não vamos nos calar e queremos saber o paradeiro dos nossos amigos quer estejam VIVOS ou MORTOS! Foi esta preocupação que nos moveu a elaborar a carta que agora tornamos pública para a sociedade angolana e não só.

Vamos continuar a olhar para isso como se nada tivesse acontecido? Hoje é Alves Camulingue e Isaias Cassule, amanha poderá ser qualquer um de nós. Precisamos dizer um basta nisso, somos seres humanos, a nossa vida tem valor! Exigimos, respeito pelas nossas vidas e dignidade humana. Não é crime reclamarmos os nossos direitos, os responsáveis por esses atos devem ser apresentados e julgados segundo a nossa lei.

Não é um crime nascer em Angola, não é crime combater uma ditadura! Não é um crime dizer que Eduardo dos Santos está no poder há mais de 32 anos! Não é crime dizer que Angola está a ser desgovernada! Não é crime manifestar-se contra as inúmeras injustiças que se cometem contra os angolanos! Não é crime ter opinião! Então por que raptaram os nossos amigos?

Por considerarmos como insultuosa e execrável a utilização de um assunto tão delicado para os habituais aproveitamentos políticos com fanfarronices televisionadas, por recusarmos ser meros atores nesta peça teatral e pelas famílias humilhadas, exigimos a quem de direito que, no prazo de 15 dias, nos dê um esclarecimento definitivo acerca do paradeiro dos nossos irmãos. O não cumprimento deste ultimato traduzir-se-á numa multiplicação de incessantes reivindicações públicas, estando a primeira agendada para exatamente 15 dias após receção da carta em anexo, entregue ao MININT no dia 2 do corrente.

Que se dignifique o homem angolano, que se respeite a soberania do povo angolano, e que se faça, acima de tudo, justiça.

Carta à entidades competentesCarta 2

No dia 12 de Março de 2012, a TPA, depois de se fazer totalmente omissa em relação as graves violações dos direitos humanos ocorridas aquando da manifestação do dia 10 de Março de 2012 que pedia a saída da advogada Suzana Inglês do posto de Presidente do CNE, pôs no ar esta vergonhosa simulação de telefonema, efetuado supostamente por um dos milicianos e no qual reivindincam a autoria dos crimes cometidos no decurso da manifestação.
Esse “telefonema” teve tratamento de luxo, passando nos principais blocos noticiosos existentes naquele órgão “público”.
Eis o vídeo (já editado por nós):

Um grupo de ONG’s angolanas e ilustres cidadãos, endereçou uma carta ao Kitumba, com cópia à PGR, TC e Provedoria de Justiça, denunciando a violência aplicada à pacatos cidadãos em pleno exercício de liberdades constitucionalmente consagradas e o uso abusivo de um órgão de imprensa sustentado com fundos de todos nós. Essa carta foi publicada por nós e pode ser consultada aqui.

Por se tratar de uma aberração propagandistica mal travestida de informação, resolvemos ativar os nossos direitos cidadãos e, ao abrigo da lei da imprensa, exigir o direito de resposta que nos assistia.
Como poderão constatar nas imagens abaixo a carta foi entregue na portaria da TPA, com a respetiva acusação de receção.

Direito de Resposta TPA 01 Direito de Resposta TPA 02 Direito de Resposta TPA 03 Direito de Resposta TPA 041

O facto de o vídeo não ter sido exibido ou, sequer, a carta respondida, revela a sensação de impunidade que anima os nossos servidores públicos, com alguma razão porquanto continuam literalmente a borrifar-se para as leis que supostamente deveriam reger a nossa vida em sociedade, pisoteando-as a seu bel prazer, sem que jamais sejam repreendidos.

O Ministro Chikoti disse uma vez, ao ser entrevistado no programa Hardtalk da BBC, que Angola é um país que se caracteriza pelas suas instituições fortes. Até hoje nos questionamos o que estaria ele a tentar dizer com isso?

O vídeo que se segue, corresponde ao direito de resposta nunca concedido pela TPA e esteve arquivado nos computadores da Central… até hoje!

Um resumo para complementar o vídeo anterior que publicámos retratando a manifestação do dia 22.

Reunimos mais vídeos e temos uma narração mais completa do dia, mostrando as mentiras descaradas da Polícia e exibindo imagens inequívocas que as contrariam.

Um episódio caricato que ainda ninguém tinha referido é a “inclusão” de uma seita religiosa num local onde iriam supostamente estar arruaceiros, com a conveniente presença de uma equipa da TPA.

Estas tentativas de provocação baratas são vergonhosas evidenciando técnicas primárias de criação de factos políticos (como o que veio a suceder mais tarde, ao partirem-se vidros de carros) que possam legitimar os seus discursos e acções musculadas. VERGONHA!

Cobramos do Ministro do Interior que se apresentem os verdadeiros culpados e não aqueles inocentes que recolheram “ao calhas” no perímetro da manifestação. Cobramo-lo pois foi o próprio Ministro que nos comunicou na reunião que tivemos: “temos a inteligência que haverá pessoas infiltradas no vosso seio, para causar distúrbios e manchar a imagem da vossa nobre intenção”.

Pois é Sr. Ministro, se têm essa inteligência, então porque levaram inocentes privando-os de passar o Natal em família? Onde estão os elementos que vocês dizem conhecer que terão sido os causadores dos estragos? Quem os enviou? Mostrem-nos quem são, pois também não os queremos infiltrados no nosso seio!

COBRAMOS MAIS: 20 dias depois do nosso encontro e do assumir público de um compromisso de apurar o que se passou, queremos ser informados das diligências que já foram feitas e queremos um desfecho URGENTE deste caso que se arrasta há 7 meses e meio!!!

Para aqueles que não conseguem visionar o vídeo acima, experimentem este link Vimeo, gentilmente cedido pelo mano Cláudio Silva após constatação de problemas com direitos autorais no youtube para alguns países:

A detenção de cerca de uma dezena de jovens manifestantes pela Polícia Nacional Angolana está sendo considerada ilegal pelo advogado de defesa, basicamente por ter excedido o período, segundo o Código Penal, do começo de processos sumários.

Desde a detenção dos jovens aos 22 de Dezembro, passaram-se 6 dias sem nenhuma aparição em tribunal, e hoje, o julgamento terá lugar mas provavelmente não chegará ao fim e sendo assim, alastrando-se para o ano 2013.

Os jovens integrantes do Movimento Revolucionário foram detidos durante um protesto que visava exigir a liberdade de Isaías Cassule e Álves Kamulingue desaparecidos aos 27 e 29 de Maio deste ano.

O julgamento dos jovens que devia ter começado ontem, 27 de Dezembro, foi adiada para hoje alegadamente devido a ausência do juíz.

O processo terá lugar no tribunal Dona Ana Joaquina, frente ao Ministério das Relações Exteriores (MIREX) e a Robert Hudson, na Maianga.

O advogado de defesa, Luís do Nascimento, questionou a legalidade da detenção segundo os artigos 381º e 391° do Código Penal que dita o começo da realização de processos sumários num período máximo a 48 horas após a detenção dos réus.

O Movimento Revolucionário alertou sobre várias incongruências registadas no processo sumário.

“A informação acerca de onde e quando seriam julgados está a ser propositadamente ocultada para facilitar mais uma fantochada de julgamento sem defesa, ou com ‘defesa’ do promotor público, quando nós já temos advogados que se prontificaram para nos representar: Luís Nascimento e Marcolino Moco,” disse Luaty Beirão, um dos integrantes do Movimento.

Os jovens manifestantes, que encontram-se detidos na Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC), manifestaram descontentamento pelo mau tratamento a que estão a serem submetidos.

Eles alegam serem submetidos à fome e que um dos jovens detidos, António João Ferreira Broas, esteve com paludismo e passou a noite com febres altas e que não lhe foi prestada nenhuma assistência médica.

A reclamação foi denunciada pelo jovem Jang Nomada, que conseguiu chegar a tempo de interpelar o carro-cela onde seguiam os jovens detidos para ouvir deles.

“Não nos estão a dar de comer,” disseram os detidos ao Nomada.

“Os manos estão a passar fome, e não é uma greve voluntária, e estão ilegalmente detidos. O julgamento sumário deve ocorrer no primeiro dia útil após a sua detenção,” disse.

Tendo-se apercebido do sucedido, os jovens Américo Vaz e Jang Nomada foram a DPIC, onde foram informados que não podiam visitar os detidos, mas em contrapartida, fizeram questão de deixar alguns alimentos para os detidos.

Durante a manifestação de Sábado, 22 de Dezembro, onde os jovens foram detidos, a Polícia de Intervenção Rápida (PIR), fazendo o uso de força excessiva e agredindo manifestantes com porretes,  gás lacrimogéneo e balas de borracha, prendeu dezenas de jovens activistas e peões que foram levados para a 4ª, 5ª e 6ª esquadras.

A marcha partiu do Largo da Independência, no 1º de Maio, e foi reprimida pela polícia na rua Marian Ngoubi em direção ao Ministério da Justiça, na Maianga.

Pelo impedimento do percurso da marcha pela polícia nacional, o Movimento juvenil defendeu que elementos infiltrados na manifestação pacífica, causaram distúrbios em gesto de retalhação às agressões policiais.

No mesmo dia, a polícia deteve e libertou Zita Conde, Marcelina Carlos, Lacerda Van-dúnem e mais quatro jovens anónimos que estavam na 6ª Esquadra junto à Assembleia Nacional.

De forma selectiva, a polícia manteve detidos os jovens: Hugo Kalumbo, Gabriel Chakussanga, Mateus Chiwale, Salomão “Alemão” Franciso, Baltazar Alberto e António João Ferreira Broas.

Numa reportagem, a que os jovens denominaram de “distorcida” por terem sido referenciados como “afiliados à UNITA”, pela Televisão Pública de Angola (TPA) no dia da manifestação, a Polícia Nacional prometeu remeter o processo as instâncias judiciais, levando os jovens a tribunal por supostamente causarem “pânico, distúrbios público, vandalismo à propriedades privadas e insultos à polícia”.

Tal como nas detenções que sucederam durante as manifestações passadas, a convite da polícia, a TPA entrevistou jovens detidos, num acto que os manifestantes descrevem como uma tentativa de forçar os jovens a admitirem supostas culpas publicamente.

Na reportagem, o jornalista da TPA diz que “um dos líderes da manifestação assume em nome do grupo os danos e reconhece que essa não foi a via mais correcta de reivindicar”.

Contrariamente, em nenhum momento o jovem entrevistado, Salomão Francisco, admite culpa embora ter lamentado pelo que aconteceu com as viaturas.

Pela TPA, o Segundo Comandante Provincial da Polícia de Luanda, Dias do Nascimento, confirmou a detenção de 6 jovens e registou “12 viatura totalmente danificadas”.

Dois dias antes da manifestação, 6 jovens membros do Movimento juvenil e dois familiares dos desaparecidos, Isaías Cassule e Álves Kamulingue, tiveram um encontro com o Ministro do Interior, Ângelo Tavares, onde as autoridades comprometeram-se a abrir um processo de inquérito sobre os desaparecimentos.

A reunião contou com a presença do adjunto do Procurador Geral da República, Arcanjo Custódio, o Comandante Geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, o Director Nacional de Investigação Criminal (DNIC), Eugénio Pedro Alexandre, e o Secretário do Estado para a Juventude, Nhanga Assunção.

No encontro, o Ministro do Interior disse “não ter a mínima intenção de coartar os (…) direitos (dos jovens)” mas avisou que tinha “inteligência que haverá infiltrados na manifestação para denegrir a nobre causa e tirar daí dividendos políticos”.

Ângelo Tavares ameaçou que “se houver comportamentos irregulares e à revelia da lei, a polícia terá de intervir para repor a ordem e a tranquilidade”.

Dito e sucedido, a manifestação que foi brutalmente reprimida pela polícia de intervenção Rápida, num acto que o Movimento disse que estava “convicto que os dois jovens que decidiram pegar em pedras para confrontar a polícia anti-motim, fazem parte dos tais que o Ministro Ângelo Tavares mencionou como ‘infiltrados para tirar dividendos políticos’.

“A questão agora é quem beneficia mais com a generalização da imagem de manifestantes ‘confusionistas’? Serão os partidos da oposição que poderão acusar o regime de repressivo incorrigível, ou o regime que pode continuar a mostrar que os jovens não conseguem que se lhes dê a mão, querem logo o braço? Uma coisa é certa, os únicos que não beneficiam NADA são os manifestantes, por isso não haveríamos de infiltrar ninguém com intuito de subverter aquilo que professamos,” disse o Movimento juvenil.

Diante de mais um julgamento sumário, o Movimento Revolucionário juvenil publicou várias fotografias e vídeos que expoem a brutalidade policial sofrida pelos seus integrantes.

Os jovens pretendem usar tais materiais visuais como evidências incontestáveis no julgamento “sumário” dos seus integrantes.

Por: Pedrowski Teca | Quinta-feira, 28 Dezembro 2012

Gás lacrimogéneo, porradas de porretes, várias detenções arbitrárias e relatos de tiroteios orquestrados pela polícia anti-terror (anti-motim), foi o saldo da manifestação realizada hoje pela juventude angolana e que visava a exigência da liberdade incondicional de dois cidadãos desaparecidos há 7 meses.
A manifestação pacífica organizada pelo conhecido Movimento Revolucionário juvenil, na tentativa de reivindicar a liberdade de Isaías Cassule e Álves Kamulingue desaparecidos aos 27 e 29 de Maio deste ano, sofreu forte repreensão por parte das autoridades angolana.

Horas antes da concentração do acto, um jovem activista identificado por Alex, foi supostamente sequestrado quando se dirigia ao local e a notícia espalhou-se rapidamente entre os activistas.
Em Luanda, a marcha partiu do Largo da Independência, no 1º de Maio, e pretendia terminar no Ministério da Justiça na Maianga, mas todos os acessos ao mesmo local foram bloqueados e os manifestantes interceptados na rua Marian Ngoubi pela polícia anti-motim.

“A manifestação chegou até ao Largo da Maianga sem nenhum incidente e sem acompanhamento policial, para encontrar um cordão de anti-motins. A polícia tentou encetar diálogo connosco, mas havia no nosso seio pessoas infiltradas com intuito de provocar o confronto. Não se tentou muito para apaziguar os ânimos e começou-se logo a disparar essas bombas de gás. Os manos estão todos tontos neste momento,” relatou Central Angola, o site de informação do movimento juvenil.

Na rua Marian Ngoubi, a polícia dispersou os manifestantes com uso de força excessiva com porretes, detenções e gás lacrimogéneo que resultou em desmaios.

Há relatos de várias detenções e desaparecimentos de jovens activistas e transeuntes mas até ao momento conseguiu-se identificar nomes como: Hugo Kalumbo, Alemão “o monstro imortal”, Zita, Marcelina Costa, Chakussanga, Mateus, aparentemente detidos na 4ª Esquadra, e outros não identificados que foram levados à 5ª Esquadra.

Na sequência das detenções, o Secretário-Geral do partido político Bloco Democrático (BD), Filomeno Vieira Lopes, exigiu em nome do seu partido, a liberdade dos jovens manifestantes.

“O Bloco Democrático protesta veemente contra a ofensiva policial brutal contra os manifestantes duma marcha legal e do conhecimento de toda a estrutura governativa. Exige a libertação imediata de Hugo, detido em estado de inanimidade, devido ao excesso de gás lacrimogéneo que inalou. Apenas por mera casualidade os dirigentes do Bloco Democrático presentes, Luís Nascimento, Alfredo Baruba e Américo Vaz, não sofreram agressões cruéis, tendo que se refugiar em sítio seguro. O regime mostra mais uma vez estar muito distante da convivência democrática,” disse Lopes.
Na mesma senda, o deputado do maior partido da oposição, Adriano Sapiñala disse: “a ditadura angolana precisa de ser parada. Não nos podemos permitir mais que Angola e os Angolanos andem ao sabor de JES quando o resto de Angolanos são tratados feitos animais. Infelizmente JES não tem conseguido fazer a leitura dos sinais dos tempos e isso poderá condiciona-lo a ter um final muito trágico. Os Angolanos de hoje não são mais os de 1977 nem 1992, hoje a consciência dos Angolanos amadureceu e não se deixarão bater mais por muito tempo. O tempo das ditaduras acabou pelo que não será está de Angola que perdurará por muito mais”.

Este tratamento agressivo de jovens manifestantes por parte do regime angolano, surgiu dois dias depois que 6 jovens membros do movimento juvenil e dois familiares dos desaparecidos, formalmente tiveram um encontro com representantes do governo angolano, que oficial e abertamente abriram um processo de inquérito sobre os desaparecimentos, apesar das autoridades negarem conhecimento do caso e do paradeiro dos desaparecidos.

No que foi conotado como tentava de prevenção da realização da manifestação convocada, o diálogo com a juventude foi encabeçada pelo Ministro do Interior, Ângelo Tavares, e contou com a presença do adjunto do Procurador-Geral da República, Arcanjo Custódio, o Comandante Geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, o Director Nacional de Investigação Criminal (DNIC), Eugénio Pedro Alexandre, e o Secretário do Estado para a Juventude, Nhanga Assunção.
No encontro, o Ministro do Interior sublinhou “não ter a mínima intenção de coartar os (…) direitos (dos jovens) ” mas avisou que tem “inteligência que haverá infiltrados na manifestação para denegrir a nobre causa e tirar daí dividendos políticos” e ameaçou que “se houver comportamentos irregulares e à revelia da lei, a polícia terá de intervir para repor a ordem e a tranquilidade”.

No encontro da juventude manifestante com a polícia anti-terror na rua Marian Ngoubi, houve dois jovens que foram vistos a atirarem pedras aos agentes da polícia e aos carros estacionados na via, e o movimento juvenil respondeu sobre o incidente:
“Estamos convictos que os dois jovens que decidiram pegar em pedras para confrontar a polícia anti-motim, fazem parte dos tais que o Ministro Ângelo Tavares mencionou como ‘infiltrados para tirar dividendos políticos’. A questão agora é quem beneficia mais com a generalização da imagem de manifestantes ‘confusionistas’? Serão os partidos da oposição que poderão acusar o regime de repressivo incorrigível, ou o regime que pode continuar a mostrar que os jovens não conseguem que se lhes dê a mão, querem logo o braço? Uma coisa é certa, os únicos que não beneficiam NADA são os manifestantes, por isso não haveríamos de infiltrar ninguém com intuito de subverter aquilo que professamos”.

A manifestação para a liberdade de Kamulingue e Cassule, que também pretendia recolher donativos de natal para as famílias dos dois, terminou em mais desaparecimentos e detenções, cujo desfecho somente os próximos dias dirão em plena quadra festiva.

 

 Por: Pedrowski Teca | 22 Dezembro 2012

Centraleiros e gov

Compreensivelmente, um encontro público e publicamente divulgado com uma equipe de elite do regime deixa algumas pessoas confusas, coçando inquisitivamente as cabeças, indagando-se: “mas o que se passa afinal aqui, não era suposto estes serem inimigos?”.

Algumas dessas pessoas são (ou eram) nossas companheiras de luta há mais de dois anos e, conhecendo-nos melhor que a maior parte das pessoas que não interage connosco, a sua dúvida e a virulência das suas reacções, exibe uma clivagem profunda nos métodos que cada um considera ser mais adequados para levar a cabo a árdua tarefa que temos em mãos.

Considerando que água e azeite não se misturam, fixam-se nesse axioma raramente trasladável para seres humanos marcando o diálogo com os responsáveis pelos seus infortúnios como a linha a JAMAIS pisar. Nesse âmbito, não estão prontos a tolerar comportamentos por eles considerados desviantes por parte de qualquer outro companheiro, sendo os eventuais transgressores imediatamente enviados para o “pelotão de fuzilamento”, após julgamento sumário das suas limitadas cabeças.

Em nome da transparência que defendemos, aqui vai um pequeno resumo do que foi o encontro de ontem, para além do que se pode auferir pela pequena peça exibida na TPA no noticiário de ontem. Após esta exposição, convidamos todos os leitores a julgarem a nossa escolha como bem lhes aprouver. Recomendamos a leitura do artigo anterior “Uau, fairplay no maioritário“, para um prefácio do que agora vos expomos.

O encontro convocou-se para as 9 horas da manhã de ontem, quarta-feira dia 20, e foi-nos transmitido que nele iriam estar o Ministro do Interior, o Chefe da Casa Militar, o Procurador-Geral da República e o Ministro da Justiça. O local: Ministério do Interior, na Marginal.

Por volta das 8h35, já se faziam presentes no local o Hugo Kalumbo, o Luaty e o Coque Mukuta que trouxe consigo o irmão do Kassule. Pouco depois, o S.E. Nhanga Kalunga veio informar-nos que já estariam TODOS os acima evocados no local e aguardando por nós. O Mbanza, Carbono, Nito Alves e os familiares do Kamulingue (esposa e tio) estavam encurralados no trânsito infernal e imprevisível da cidade capital e, por uma questão de respeito aos horários estipulados, decidimos entrar sem eles para honrar o nosso compromisso.

Os representantes do executivo optaram por aguardar que chegassem todos os que deveriam estar presentes, o que atrasou a reunião à volta de 45 minutos. Nesse entretanto, o General Kopelipa teve de retirar-se sem ter dado o “ar da sua graça”. Dado que o atraso era nosso, não tínhamos moral para fazer finca-pé exigindo a sua presença.

Quando finalmente a sala estava composta com todos os elementos convidados, entraram na sala alguns dos mais importantes funcionários públicos ao serviço do povo angolano (muitos dos quais acham que esse estatuto lhes dá mais direitos do que deveres), dentre os quais o Director Nacional da Investigação Criminal (DNIC), o Comandante-Geral da PN, Ambrósio de Lemos, o Procurador-Geral Adjunto e o S.E da Juventude. Logo a seguir, uma entrada triunfal do titular da pasta do Interior, Ângelo Tavares, que causou um efeito trampolim imediato nas cadeiras dos previamente mencionados que se levantaram numa fracção de segundo com uma sempre surpreendente subserviência, se tivermos em conta que havia ali pessoas praticamente septuagenárias. Foi algo surreal e lembrou a reverência obrigatória ao professor do ensino de base que quando entrava na sala de aulas, despoletava o mesmo efeito, acompanhado de um “bom dia camarada professor”!

Depois dos agradecimentos e introduções da praxe a palavra foi-nos concecida e nós tomámo-la por aproximadamente uma hora evocando essencialmente o que tinha sido feito do nosso lado (activistas e familiares) para divulgar essa gravíssima ocorrência.

Nós falámos do programa de rádio, da imprensa alternativa, da privada, das redes sociais, das várias campanhas simbólicas que foram sendo levadas à cabo para que os nomes dos dois jovens não caíssem no esquecimento.

Os familiares informaram que bateram mais de 5 esquadras pela cidade de Luanda (incluíndo o próprio Comando-Geral) com fotocópias do bilhete de identidade dos desaparecidos e com contactos pessoais dos familiares caso fossem localizados.

Ao se lhes perguntar se tinham feito uma “queixa formal”, os familiares, comprometidos, não sabiam muito bem como responder a esta pergunta, dizendo que sim, mas não sabendo dar um nº de processo ou do investigador que dele tinha ficado incumbido. Aqui nasceu o fio condutor da desresponsabilização do executivo que foi sendo martelado ao longo do encontro e que deu depois forma à peça exibida pela TPA: “a culpa é ESSENCIALMENTE dos familiares, que privilegiaram a imprensa privada ao invés de usar os corredores adequados para resolução destes “assuntos”.

Curioso que, além da implicância com a imprensa “privada”, o argumento usado para se furtarem a investigação dum caso que assumem ser “gravíssimo” e que é de domínio público há já 7 meses, é o facto de não ter sido FORMALIZADA uma queixa. É para rir, ou para chorar baba e ranho?

É importante frisar aqui por uma questão de justiça e compromisso com a verdade, que a TPA não entrou por nos terem preparado uma cilada. Foi usado o argumento de como tínhamos levado o Coque Mukuta que era jornalista, então não deveríamos importar-nos com a presença de “outra” imprensa, ao que nós anuímos, pois não temos vergonha nenhuma de ter lá estado e, assim sendo, faltavam-nos razões para querer ocultá-lo.

O nosso Nito Alves, sempre acutilante e algo inconveniente, tomou a palavra para lembrar aos mais-velhos que não estão a saber ler os sinais dos tempos e dos exemplos que abundam acerca do que sucede quando um povo é metido na panela de pressão durante tanto tempo: “vocês estão a conduzir o país para outro banho-de-sangue”, vaticinou.

Outros assuntos foram mencionados como preocupações importantes de expor, mas por serem algo descontextualizadas (e menos importantes) do que lá nos levou, descartaram-se as respostas a estas reclamações.

Foi então a vez de os “mais-velhos” tomarem a palavra. Os pronunciamentos do Procurador-Geral Adjunto e do Director da DNIC foram simplesmente tenebrosos na sua falácia e arrogância respectivamente, um dizendo que “não tinha sido feita em tempo útil (?!?) uma denúncia à PGR acerca deste caso, que desconhecia em absoluto, caso contrário, fariam o mesmo que fazem com todas as queixas que aterram nos seus gabinetes: abrir-se-ia imediatamente um inquérito que seria meticulosamente levado à cabo”, o outro dizendo que “não sou obrigado a ouvir a imprensa privada e não sou ouvinte da VORGAN” (?!?!), rematando de seguida que “ouvimos no entanto falar por alto do assunto e fizemos algumas diligências em esquadras e hospitais, sem no entanto obter resultados”.

Seguiram-se o Comissário Ambrósio de Lemos, o S.E. da Juvente Nhanga Kalunga e o Ministro Ângelo Torres, que oscilaram entre o simpático, quase paternalista, e o já habitual discurso da externalização das culpas da sua inépcia para os mais humildes que não sabem como proceder diante da burocracia opressiva. Houve um raro momento mea-culpa quando o Ministro admite que “se calhar por parte da polícia podia ter sido feito mais, havendo por isso falhas de parte a parte”. Pois, QUALQUER agente em QUALQUER uma das várias esquadras onde compareceram os familiares  dos jovens desaparecidos TINHA A OBRIGAÇÃO de informar os desavisados como proceder para abrir oficialmente um processo. Cabe A POLÍCIA informar o cidadão como proceder! Ambrósio de Lemos fez questão de sublinhar que TODAS as quartas-feiras recebe no seu gabinete o público e que às vezes (imagine-se) estas audiências estendem-se pela noite fora. Diz também que os seus números são públicos e estão ligados 24 horas por dia para atender QUALQUER situação. Assim sendo disponibilizámo-los aqui para qualquer cidadão que tenha um assunto de polícia que não consiga resolver com a base da pirâmide: 912500138 e 924282818.

Este tipo de defesa do indefensável começou a trocar-nos às voltas ao estômago, sobretudo quando se tocou no assunto da manifestação e se evocou mais uma vez o fantasma da guerra e da instabilidade, para sugerir que privilegiássemos o “diálogo” ao invés de “métodos que nada dignificam o país”.

O que o senhor Ministro (e restantes) talvez não tivesse à espera, foi o pedido da palavra por parte do Luaty quando, depois do seu discurso em que sublinhou “não ter a mínima intenção de coartar os nossos direitos”, mas avisando “temos inteligência que haverá infiltrados na manifestação para denegrir a vossa nobre causa e tirar daí dividendos políticos” e ameaçando veladamente “se houver comportamentos irregulares e à revelia da lei, a polícia terá de intervir para repor a ordem e a tranquilidade”, se aprontava para encerrar o encontro.

O mano começou por dizer que estava extremamente desapontado com a miserável linguagem política utilizada para se desculparem esfarrapadamente da sua inércia em relação a um assunto que consideraram de extrema gravidade, lembrando ao Director da DNIC que diligências para inglês ver não podem ser consideradas como tal, pois em momento algum se dignaram em procurar os familiares para apurar os factos, coisa que os jornalistas fizeram por eles. Fez questão de lembrar também o PGR adjunto que já tinham entrado na PGR várias cartas em que se citava o caso do Kassule e do Kamulinge ainda ANTES das eleições. Não se esqueceu de refrescar a memória ao Comandante-Geral dizendo que já lhe tinha sido entregue uma cópia de DVD com vídeos em que se vêm claramente quem são os provocadores de arruaças e promotores da instabilidade e que esses, contam não só com a conivência, mas protecção da polícia e, finalmente, virando-se para o Ministro, lhe indicou que se existe inteligência para antecipar elementos infiltrados na manifestação, deveria haver também para se conseguirem contactar os familiares de Kassule e Kamulingue sem que os tivessemos de levar à sua presença e mais, que se esses elementos estão identificados que nos ajudem a ajudá-los, revelando as suas identidades, para que possamos estar atentos aos seus comportamentos na manifestação e “colaborar com as autoridades, como sempre quisemos fazer quando reparamos que existem elementos mais exaltados no seio da manifestação que, ao não reagirem ao apelo à calma, fazemos questão de notificar as autoridades para que o extraiam da mesma”. E ESTA foi a frase que a TPA aproveitou de maneira propositadamente descontextualizada, para mostrar, quiçá, que estaremos domesticados e obedientes. Houve ainda tempo para um apelo: “Não voltem NUNCA MAIS a associar os nossos nomes à guerra e a instabilidade. Nenhum de nós quer ver o país de pantanas e se o sacrifício dos nossos corpos não for disso prova suficiente, então que a persistência em fazê-lo o seja. Ninguém no seu perfeito juízo há de apreciar a ideia de um retorno à guerra, pois temos a certeza que não haverá ninguém nesta mesa que não tenha perdido nesse fratricídio massivo pelo menos um familiar”.

Saímos de la satisfeitos porque dissemos o que tínhamos de dizer, porque os familiares saíram dali num carro patrulha directamente para a DPIC onde foram formalizar a queixa e depois levados por outro carro para as suas respectivas casas e porque, acreditamos nós “provámos” que somos mais que “jovens bêbados e drogados, sem sentido de estado, apoiados por forças ocultas que querem ver o país mergulhar numa guerra”, que temos ideias próprias e que somos movidos por um elevado sentido de patriotismo e não por um qualquer partido político ou influência estrangeira.

A MANIFESTAÇÃO SAI AMANHÃ, FAÇA CHUVA OU FAÇA SOL, HAJA JACTOS DE ÁGUA OU MILÍCIAS! ESTÃO TODOS CONVOCADOS!