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Laurinda foi alvo de uma longa sessão de tortura por parte de 7 oficiais da Polícia Nacional de Angola e agentes da Segurança de Estado.

"Do you remember the days of slavery?" - Burning Spear

“Do you remember the days of slavery?” – Burning Spear

Ao começarem a emergir as imagens que atestavam para o “excesso de zelo” (por alguma razão, toda a hierárquia da polícia parece ser particularmente apreciadora deste eufemismo), começaram igualmente a fazer-se sentir as reações públicas de repúdio pelo ato e de solidariedade para com a nossa Laurinda (Reginaldo Silva, Aline Frazão, Bob da Rage Sense, Mónica Almeida, para citar apenas alguns dos nomes cintilantes do nosso “jet5″, omitindo propositadamente aqueles de quem a reação já seria aguardada com naturalidade, sem no entanto os considerarmos menos importantes) e de entre as várias propostas, uma muito interessante pela sua abrangência e envolvimento direto tem a ver com a abordagem individual de cidadãos para subscrever uma nota de repúdio a essa prática reiterada por parte dos homens da farda, violando de maneira flagrante e persistente à Constituição da República, forjando no processo uma relação com o cidadão que reflete pânico, rancor, raiva, desdém, enfim, tudo, exceto RESPEITO.

A campanha começou hoje, por iniciativa do professor universitário Nuno Álvaro Dala, depois de uma conversa de um par de horas com outros 4 jovens na UCAN, onde, ato contínuo, se procedeu à recolha das primeiras (retumbantes) 375 assinaturas.

Segue abaixo o texto na íntegra, caso queiras recolher também assinaturas na tua zona, local de trabalho ou outro, copia o texto, cola-o num ficheiro word e, uma vez as assinaturas recolhidas, scaneia a página das assinaturas e envia-a para nós por correio eletrónico (dia7angola@gmail.com).

 

CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA POLICIAL

A Polícia Nacional de Angola tem agredido sistematicamente cidadãos que tentam exercer seus direitos, constitucionlamente consagrados. A Constituição da República de Angola, artigo 31, diz:

A integridade moral, intelectual e física das pessoas é inviolável. O Estado respeita e protege a pessoa e a dignidade humanas.

A Polícia tem violado o direito dos cidadãos à integridade física. Cidadãos têm sido barbaramente agredidos ao exercerem seus direitos. No dia 23 de Novembro de 2014, foi brutalmente espancada a jovem estudante Laurinda Gouveia, que precisou de tratamento médico. Ela ainda está a sofrer as consequências dos espancamentos que levou dos agentes da Polícia.

JUNTE-SE A NÓS PARA EXIGIRMOS JUSTIÇA ÀS AUTORIDADES!

Queira assinar seu nome abaixo:

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Hoje pelas 10h00 da manhã, um grupo de ativistas deslocou-se à Cidade Alta com o objetivo de fazer chegar um ofício ao Presidente da República.

Nessa carta, subscrita por 11 jovens ativistas, reivindica-se por celeridade no desfecho do caso que vitimou mortalmente o cidadão angolano, pai, engenheiro, professor e membro da juventude partidária da CASA-CE, Manuel Hilberto Ganga, um dos quadros que o próprio Presidente assumiu já serem poucos, justificando assim a solicitação de expatriados para nos darem uma “mãozinha” na reconstrução nacional.

José Eduardo, mesmo diante das revelações frescas que davam conta do duplo homicídio de Cassule e Kamulingue às mãos de agentes da Polícia Nacional e da Segurança de Estado e do seu próprio exército (a UGP) ter assassinado covardemente com um tiro pelas costas o nosso irmão Ganga, teve o desplante de vir, com o seu cinismo habitual, decretar que “O Estado não mata”. Quereria se calhar dizer “o Estado não deveria matar… infelizmente ainda o faz”.

Exorta-se em dita carta para que ele se digne “promover as diligências necessárias para a responsabilização dos culpados.” e recorda-se que, tal como sucedeu com Cassule e Kamulingue, não descansaremos enquanto a senhora com a balança na mão não deixar de espreitar por debaixo da venda.

Segue na íntegra:

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Fizemo-lo mais uma vez, apresentámos queixa contra os comandantes e oficiais da PNA que abusam das nossas liberdades fundamentais e nos levam em passeios indesejados para esquadras fedorentas.

No passado apresentámos queixas-crime contra altos dignatários na Nação, fomos chamados algumas vezes à PGR para repetirmos tudo o que já estava escrito nos documentos e desde então a coisa estancou.

Desta vez, apresentámos queixa pelo tratamento que nos reservaram no dia 4 de Agosto, aquando de uma manifestação espontânea diante do Ministério da Educação em solidariedade com os professores grevistas do SINPROF na província da Huíla.

A queixa foi entregue ao Diretor Nacional da Policia Judiciária e Militar com cópia para a PGR, tal como se pode ver nas imagens abaixo anexadas.

A ladaínha conhecemos: “para quê se darem ao trabalho, já sabem que irá redundar em nada, a justiça é manietada, é como queixar o porco ao javali”. OK! Mas se fossemos por essa ordem de ideias, também deixaríamos de dar o corpo ao manifesto porque sabemos de antemão que vamos apanhar no lombo, eventualmente verter uns litros de sangue, visitar aldeias longínquas em províncias vizinhas (turismo policial), ser “retidos” longas horas e soltos sem justificação, pedido de desculpa ou indemnização, então… que sentido faz mexermos um dedo que seja para a causa que for?

Acreditamos que os processos poderão, numa primeira instância, incutir um efeito dissuasor ou disruptivo entre a cadeia de comando “ordem superior” —-> executor de ordem ilícita e, mais tarde, numa Angola livre, poderão ser retomados para trazer ao banco dos réus esses fósseis que tentam hoje encobrir-se uns aos outros.

 

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MVP o Papoite

A captura de mais uma dezena de jovens angolanos pela polícia, desta vez por assumirem a sua solidariedade para com professores em luta na Huíla, revela, mais uma vez, que a nossa juventude precisa – e como! – de quem goste dela, sem ser para sacrifícios piores do que parecia estar destinado a Isaac, filho de Abraão.

Diz o dito popular que “quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.” E veste pele de lobo, tão bem assente como o mais caro dos seus smokings, o poder instituído que, dantes, acumulou, a meias, as medalhas da monstruosa guerra civil, onde ambos os contendores não olhavam a meios para a luta de poder, mobilizando coercivamente jovens para a morte. Medalhas acrescidas do holocausto dos idos 70. Galões dos esquemas que criaram a classe, por cima da dos órfãos, das viúvas e dos mutilados de guerra, dos bilionários de guerra. Esquemas esses que alicerçaram a lógica do “salve-se quem puder”, transformando Angola jovem numa legião de bufarinheiros em que se vende e compra bugigangas ao vizinho, sem perspectivas claras de formação e de trabalho.

Com um sorriso farisaico nos lábios, os muatas dizem àcerca disto: “O angolano é desenrascado!”

Alanzoam igualmente aos quatro ventos que a contestação juvenil vem de meninos cábulas que não tiram boas notas, desdenhando do facto de as causas dos protestos estarem na luta pelo passe social ou por mudanças profundas na ordem política.

Os jovens capturados perto do Ministério da Educação, como não davam azo a nenhuma acusação plausível, foram mais uma vez um alvo de sequestro-relâmpago para abandono em lugar ermo.

Ao mesmo tempo, pairava e ainda paira hoje a ameaça de despedimento de milhares de jovens professores, que ainda estão debaixo de regime probatório como funcionários, pois têm menos de 5 anos ao serviço do Ensino Público. Se a ameaça se efectivar, não será pela avaliação da qualidade do seu desempenho, como prevê a lei. Será – isso sim- como retaliação a uma defesa de direitos que passou pelo recurso legal à greve.

Todas estas realidades revelam a política anti-juvenil do regime, para quem jovens exemplares são somente os ociosos e apaparicados moços moças do “Big Brother” Esses, sim, gozam de toda a notoriedade e destaque público, como se a sua postura alienada e alienante fosse a trave mestra de um sistema educacional a seguir.

Chefias, é esse o relacionamento que pretendem manter com a juventude angolana? Com todo o respeito, ponham a mão na consciência e, depois, lavem-na com água e sabão, como o Pedrito do Bié, não como o (de má memória) Pôncio Pilatos!

Manuel Victória Pereira

 

 

Pedrowski Teca

 

Pretória, África do Sul – O Continente Africano foi pela primeira vez o anfitrião da “plataforma de inovação digital” do maior jornal inglês, The Guardian, designado ACTIVATE, onde vários jornalistas, editores, analistas/colunistas, políticos, bloggers, actores, empresários e muitos outros profissionais influentes e de calibre mundial, reuniram-se para debaterem e trocarem experiências sobre como as novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) têm mudado o mundo.

Foi de certeza um grande privilégio, sendo um modesto jovem activista cívico Angolano formado em Jornalismo e Tecnologias de Comunicação, poder participar e partilhar a experiência Angolana numa plataforma onde grandes personagens do jornalismo mundial, como o Alan Rusbridger, editor-chefe do jornal The Guardian News & Media, e muitos outros profissionais do Continente Africano e do mundo, que reuniram-se em torno da análise de vários aspectos e impactos mundiais da mídia e da internet aberta.

A conferência “Activate”, sendo uma “plataforma de inovação digital” do The Guardian News & Media, tem sido organizado em vários continentes e pela primeira vez, realizou-se uma versão Africana.

O acto ocorreu das 8 horas às 18 horas da Quinta-feira, 26 de Junho de 2014, no centro de convenções “The Forum – Turbine Hall”, localizado na rua Ntemi Piliso, 65, na cidade de Johannesburg, República da África do Sul.

CASOS PERTINENTES

Dando um carácter Africano ao acto, o evento foi moderado pela jornalista de difusão e colunista sul-africana, Nikiwe Bikitsha, e teve como orador principal o Dr. Bitange Ndemo, ex-Secretário Permanente do Ministério da Informação e Comunicação do Quênia e actual director da Aliança para Internet Accessível (Alliance for Affordable Internet).

O Dr. Bitange Ndemo partilhou com os presentes os desafios que teve, como membro do governo queniano, em garantir a accessibilidade e o uso da internet e das novas TICs naquele país à ponto de ser considerado o melhor no Continente Africano e um grande competidor à nível mundial.

Para Ndemo, o maior obstáculo em África quanto às novas TICs, são as legislações e a falta de vontade política dos vários líderes Africanos, porque “inexplicavelmente, o know-how” é adquirido naturalmente pelos usuários que sem treinamentos formais, o Continente testemunhou um aumento inimaginável de número de usuários de novas TICs.

A ocasião foi recheada de várias sessões de paineis de debates intercaladas, apresentacões de projectos inovadores que involviam o uso das novas TICs, tendo a moderadora Nikiwe Bikitsha, realizada a grande entrevista com o editor-chefe do The Guardian News & Media, Alan Rusbridger, sobre a sua experiência no contacto directo com o ex-consultor da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), o jovem Edward Snowden, que vazou milhares de informações confidenciais ao seu jornal, especificamente em como os EUA espiavam os países à nível mundial, incluindo os seus presidentes, empresários e milhares de pessoas influentes.

De facto, foi um grande privilégio ouvir a experiência e os desafios do The Guardian, em como as grandes potências mundial, EUA e Reino Unido, tentaram censurar, intimidar o jornal e influenciar as suas fontes de financiamente afim de impedir a publicação das informações vazadas por Edward Snowden.

Alan Rusbridger revelou que ao entregar-lhes as informações, Edward Snowden não solicitou nenhuma compensação monetária, mas que preocupava-se somente em ter a garantia de que as informações seriam divulgadas porque tivera comprometido a sua liberdade e a própria vida em prol da divulgação de uma verdade de carácter mundial.

Rusbridger acrescentou que o jornal The Guardian e a maior preocupação de Snowden foram protegidas e satisfeitas pelo facto do jovem ter difundido as mesmas informações em maiores órgãos de comunicação social em três continentes, tornando inútil a actuação de censura e intimidação ao maior jornal inglês.

Para além do caso Snowden, a entrevista também tocou na diferença entre jornalistas e activistas cívicos, tendo Rusbridger esclarecido a incompatibilidade das duas funções, sendo que um jornalista é um mediador que deve aderir a ética da profissão, como a isenção e a publicação de factos verificados, enquanto um activista cívico encontra-se sempre num extremo, defendendo uma causa e acrescentando pontos de vista (opinões) à factos ou situações.

Os palestrantes apresentaram vários projectos inovadores ligados às novas TICs, tendo se destacado o projecto de uso de drones (aviões espiões pequenos) para a cobertura de eventos em grandes ângulos, como no caso de desastres naturais e manifestações populares; O projecto de um jovem sul-africano que grava contéudos (livros) escolares em cartões SIM usados e que permite a leitura de matérias em telemóveis por parte de alunos e estudantes; O projecto dos fârmacos que situam-se num centro onde através da internet (website e redes sociais) e telemóveis (chamadas de voz e SMS) ajudam as populacões quando ao devido uso de receitas ou prescripções médicas.

CASOS: ANGOLA E MOÇAMBIQUE

Antes do começo na conferência, tive a oportunidade de interagir com vários jornalistas e activistas cívicos que mostraram-se interessados em saber sobre o exercício do jornalismo e activismo cívico em Angola. No entanto, os profissionais de vários países admitiram saber “muito pouco” sobre o que tem acontecido em Angola por falta de plataformas de comunicação social Angolanas que divulgam informações nas línguas inglesa e francesa.

Durante a conferência, no painel que debateu sobre os novos modelos de jornalismo e mudanças nas formas de consumo de informações, encontrava-se o jornalista Moçambicano, Erik Charas, fundador e director da Charas LDA, propritária do jornal “Verdade” naquele país.

Entusiasmado, Erik Charas partilhou com a audiência em como as novas TICs são usadas em Moçambique e os desafios que os jornalistas e activistas enfrentam naquele país.

Charas falou de como em muitos países as legislações estão a ser actualizadas afim de garantirem a censura e criminalização das actividades de usuários de novas TICs. Acrescentou também que actualmente intensificaram-se as intercepções ilegais em contas de usuários de internet e telefones; Em defesa do regime em Moçambique, criou-se um grupo de usuários anónimos com o propósito de desinformarem as pessoas e desviarem os debates de assuntos importantes para assuntos banais que não constituem críticas ao regime Moçambicano.

O jornalista lamentou que o seu país está em ameaça de uma outra guerra civil e nota-se um distanciamente da mídia internacional neste facto.

Foi durante o painel de Charas que eu, Pedrowski Teca, intervi concordando com o Charas de que os maiores órgãos de comunicação social do mundo fazem pouca cobertura noticiosa das situações que realmente ocorrem em países de expressão da língua portuguesa, principalmente países Africanos.

No olhar de Erik Charas, notei um sorriso de satisfação quando interrompeu-me confirmando a irmandade e a similaridade de acontecimentos nos nossos países.

Concordando com o Dr. Bitange Ndemo do Quênia, sobre as legislações sendo um dos maiores desafios das novas TICs, dirigi-me ao jornalista que apresentou o projecto de uso de drones para a cobertura de eventos em grandes ângulos, perguntando-o se no seu país a legislação previa tais actos por parte de jornalistas e quais eram as implicações na possível violação da privacidade de indivíduos ou colectivos e na possível ameaça de segurança nacional no uso de drones domésticos.

Aproveitando a oportunidade, expliquei à audiência de que em 2011, inspirados pelos protestos no norte de África através das novas TICs, a juventude Angolana levantou-se protestando contra a longividade do ditador José Eduardo dos Santos no poder, e que mesmo naquela altura, o regime Angolano tentou impor uma lei que criminalizava as mais básicas liberdades de expressão dos cidadãos na internet. Acrescentei que o actual Código Penal Angolano está a ser revisado e actualizado afim de penalizar muitas das actividades de usuários das novas TICs.

A conferência “Activate Johannesburg 2014”, sendo a primeira do género no Continente Africano, provou ser uma plataforma importante e eficaz de interação dos jornalistas do Continente Berço, com profissionais de outros continentes.

MINHAS CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

De certeza que a iniciativa do jornal The Guardian é de louvar, mas os profissionais do Continente Africano devem cessar do perpétuo hábito de esperar com que “os outros” sejam sempre os pioneiros de tais iniciativas no Continente. A questão é quê reações surgiriam se Angola realizasse um “Fórum do Jornal de Angola” na Inglaterra? Isto é para dizer que para alcansarmos a união e inclusividade genuina no Continente Africano, temos de ser os pioneiros das nossas acções.

- Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), particularmente Angola e Moçambique, têm regimes políticos que se empenham numa luta árdua de branqueamente da realidade dos seus respectivos países, manipulando as informações, dando a impressão de que são “países das maravilhas” com as “economias que mais crescem à nível mundial”, enquanto as realidades são totalmente opostas no terreno. Há a necessidade urgente de criação de plataformas de divulgação de notícias em línguas mais faladas mundialmente, porque o mundo não faz ideia do que realmente acontece nos PALOP.

 

Pedrowski Teca é um dos rostos mais visíveis no denominado MRA (Movimento Revolucionário Angolano) e desde o seu regresso da Namíbia tem estado muito empenhado na luta pelos direitos e liberdades civis fundamentais. Foi um dos proponentes da manifestação (abortada… de novo!) do pretérito 27 de Maio e fez uma narração excelente e minuciosa no detalhe acerca do sucedido nesse dia. O Makaangola já publicou um artigo acerca da manif e o Jornal Agora voltou a dar-lhe destaque de capa, como já tinha feito com a manif do dia 19 de Setembro de 2013.

O texto do Pedrowski foi publicado em forma de nota na sua página de facebook e com a sua anuência o reproduzimos aqui no blog da Central, retirando-lhe apenas o capítulo inicial, intitulado “Bastidores”, no qual aborda algumas quezílias internas que quase comprometeram a manifestação. O autor assentiu à “tesourada”, mas quem quiser ter acesso ao texto completo pode fazê-lo através dos links 1 ou 2.

A narração é tão arrepiante que quase consegue colocar o leitor na pele do autor e fazer com que sinta na sua própria carne cada golpe desferido contra estes lutadores da liberdade.

Reproduzimos então o texto a partir do dia da Manif:

O dia 27 de Maio de 2014

No dia anterior, dormi preocupado porque numa clara indicação de que haveriam de reprimir a manifestação, a Polícia Nacional de Angola vedou o Largo da Independência, e quando acordei, as notícias e comentários nas redes sociais, principalmente no Facebook, transmitiam medo e covardia pelo forte aparato de agentes da polícia, PIR, SINSE, milícias e agentes à paisana fortemente armados e ordenados a reprimirem qualquer concentração de pessoas no local.

Tive que reiterar no Facebook que aquela não era a primeira vez que aquilo tivera ocorrido connosco e que sem falta estaríamos dentro do Largo da Independência às 15 horas e ponto.

Cedo, o meu mano Adolfo Campos ligou-me propondo que nos desdobrassemos já para fazer o reconhecimento da área, para além do “team” que já estava no local desde as primeiras horas do dia. Horas depois, estavamos no Primeiro de Maio e rondamos cerca de duas vezes em volta do Largo da Independência, indo depois para a zona do Mercado do São Paulo.

Realmente o forte aparato policial no Largo da Independência era de arrepiar cabelos mas para um revolucionário, promessa feita, é promessa cumprida.

No São Paulo, estacionamos o carro e também deu para notar agentes à paisana (milícias?), o que nos forçou a desviar do percurso até encontrarmos um “cybercafé”, onde denunciamos a tentativa de aliciamento dos agentes do regime que tudo faziam para abortarmos a manifestação, e postamos o seguinte: “Foi com grande choque que um tal de senhor Jelson, usando o número +244 946 387 495 ligou-nos dizendo que há VAGAS na SONANGOL para os membros do Movimento Revolucionário que falam as línguas inglesa e francesa. Acrescentou que o salário a ser pago será de U$D15.000.00 à U$D18.000.00 (quinze à dezoito mil dólares) por mes (…)”.

Passada uma hora no cybercafé, voltamos ao carro pensativos sobre onde iriamos guardar o carro, sendo que de certeza seriamos detidos por um periodo que nos era incerto. Fomos ao centro da cidade onde encontramos um amigo do Adolfo Campos, com quem decidimos deixar o carro, mas antes, ele teve que nos levar até o Largo da Independência para a manifestação.

O jovem Manuel Nito Álves vinha do Município de Viana com o seu grupo e ligava constantemente para saber onde estavamos e se assegurava de que estaríamos no local às 15 horas e ponto.

Após ter feito um compasso de espera pela hora da manifestação, demos umas voltas e quando faltam cerca de 20 minutos, começamos a nos dirigir em direcção ao Largo, quando notamos que a polícia de trânsito esteve a impeder com que todos os táxis se aproximassem do local da manifestação. Concluimos que as autoridades pensavam que os manifestantes viriam de táxis e que impedindo-os, evitaria a chegada dos mesmos ao Largo, e se arriscassem a descer pelo menos à 100 metros do Largo, os agentes à paisana, milícias e policiais iriam prontamente actuar contra eles.

Não se permitia que as pessoas parassem, muito menos se aglumerassem nos arredores do Largo da Independência, e todo jovem que carregava pastas era revistado, na tentativa de se encontrar qualquer material de propaganda de protesto. Os álvos fáceis eram os jovens que vestiam tshirts conotados com os manifestantes.

Chegamos ao Largo da Independência e fizemos quatro voltas ao mesmo enquanto esperavamos pelo grupo do Manuel Nito Álves que vinha de um mini-autocarro em direcção ao local. A situação estava extremamente tensa e felizmente os agentes da polícia e outros estavam a procura de manifestantes peões e nem sequer deram conta do carro onde estavamos, que fez quatro voltas ao Largo, e graças aos semáforos que nos auxiliaram no compasso de tempo.

Eu ficava desesperado e queria logo sair do carro e invadir o Largo mas o Adolfo Campos pediu que eu tivesse calma e minutos depois, isto na quarta volta ao Largo, Manuel Nito Álves confirmou que haviam chegado e que podiamos agir em conjunto.

O assalto ao Largo da Independência

O clima estava muitíssimo tenso no Largo e a tensão e as expectativas aumentavam quando eram 15 horas porque era a hora marcada para a concentração.

Tendo se esgotado a minha paciência, com a confirmação da chegada dos manos de Viana, mandei parar o carro em direcção ao braço direito da estátua de Agostinho Neto. Numa total distração da Polícia Nacional e outros agentes da segurança, Adolfo Campos e eu saímos do carro e pulamos o certo, entrando assim no Largo da Independência. Trouxemos connosco um megaphone e pedi ao Adolfo para que usásse-o para chamar o chefe daquela operação policial no local.

O nosso rompimento da barreira policial no Largo da Independência conduziu todas as atenções à nós, desde os peões aos automobilistas. Muitos admirados e outros gritando pela nossa coragem em desafiar os agentes da Polícia Nacional, que por sinal eram fisicamente mais altos e grandes que nós.

As primeiras palavras de Adolfo Campos no megaphone atraiu a atenção do “Comandante Frank” da Polícia de Intervenção Rápida, que é um agente que marca sempre presença nas manifestações,  veio correndo ao nosso encontro, dando sinal aos seus colegas para que lhe auxiliassem a nos retirar do Largo. Enquanto o Frank aproximava-se de nós, eu gritei para ele que estavamos na paz e que queriamos falar com o chefe da mesma operação. Frank chegou perto pegando Adolfo e eu dizendo: “olha, podemos conversar mas tem de ser fora do Largo”. Enquanto insistiamos que não iriamos sair do Largo para conversarmos, o grupo de Viana de Manuel Nito Álves invadiu o Largo a partir do lado da mão esquerda da estátua de Agostinho Neto, e do mesmo modo, muitos agentes da polícia e não só, cairam violentamente por cima de nós. Seguramo-nos uns aos outros enquanto eles batiam-nos com porretes (bastões) e havia trocas de palavras enquanto muitos de nós gritavam: “violência não! violência não!”.

Foi naquele primeiro ataque violento da polícia que o nosso mano David Saley  (na foto) sofreu um golpe brutal nas costelas e que o impossibilitava daí em diante a mobilidade normal.

Após cerca de 10 minutos de resistência pacífica, enquanto a polícia brutalmente nos espancava, fomos arrastados com purretes, pontapés, socos, chapadas e todo tipo de agressões físicas possíveis, para dentro de um carro da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) de marca IVECO. Empurraram-nos para dentro do carro e eramos 15 jovens. Pela janela, vimos outros jovens a serem espancados, inclusive o jornalista da Rádio Despertar que estava a fazer o seu trabalho no local. Dentro do carro, gritavamos palavras de protesto quando um outro grupo de jovens invadiu o Largo gritando: “libertem os nossos irmãos”, mas que também foi brutalmente expulso.

Era desnecessário e impensável o uso de gás lacrimogênio ou mesmo de armas ou pistolas num espaço que se pareceu pequeno pelo número elevado de agentes da segurança que se misturaram com os jovens manifestantes e os populares que apenas assistiam a cena passando. Mas um policial disparou gás lacrimogênio no veículo em que nos encontravamos. A situação parecia sair fora de control e deram ordens para que nos levassem para longe do Largo. Assim sendo, asfixiados com alguns policiais de intervenção rápida naquele IVECO fechado, fomos levados até à Unidade da Polícia de Intervenção Rápida. Ao longo do caminho, gritamos pelas janelas atraindo pessoas: “Zé Dú fora”. Postos dentro da unidade da PIR, começassamos a gritar: “a polícia ganha mal, UGP (Unidade da Guarda Presidencial) ganha bem”.

Sessão de tortura na unidade da Polícia de Intervenção Rápida

Estavamos inconsoláveis e revoltados. Gritavamos e discutiamos com os policiais, repudiando a violência com que fomos submetidos e da ilegalidade das detenções. Com ameaças e mais espancamentos, tentavam em vão nos fazer calar. O jovem Raúl Lindo Mandela acabou por desmaiar dentro do carro. Vendo isso, gritavamos que precisavamos de água para ressuscitar o companheiro. Notando o jovem desmaiado, vi o medo na cara dos policiais da PIR, que negaram providenciar água. Ouvi um deles a dizer que por estarmos asfixiados, o jovem iria piorar caso o atirássemos água.

Eu estava de pé trocando palavras com o policial motorista que simplesmente afirmava que apenas estavam a cumprir ordens. Sentado atrás do motorista, estava o David Saley reclamando das costelas, dizendo que estavam partidas pela imensa dor que sentia e que mal conseguia sentar.

O carro onde estavamos tivera estacionado exactamente frente à uma parada de aproximadamente 300 ou mais agentes da PIR em pronta prevenção. Pelas janelinhas vimos eles a nos observarem. Haviam fileiras de polícias de choque (anti-manifestações), caninas, polícias montados a cavalos e outros que em prenvenção na unidade, aguardavam ordens para sairem às ruas e reinforçassem a segurança monstruosa que já se encontrava no Largo da Independência para reprimir a manifestação. Perguntamo-nos como é que jovens indefesos e pacíficos eram tão temidos por um regime que tem tudo para elimanar-nos num piscar de olhos.

Estando no carro, de repente surgiram novas ordens superiores para nos retirarem os telemóveis. Subiram ao carro vários agentes da PIR que obrigaram-nos com chapadas e purretadas a entregarmos os telemóveis, insistindo primeiro que retirássemos as baterias. Feita a recolha dos telemóveis, decidiram revistar os bolsos de todos, retirando tudo. Após a revista dos bolsos, sempre com purretadas e bofatadas, decidiram que deviam também revistar os nossos calçados, meias e as partes íntimas. Alguns sem darem importância, pisavam e revistavam o Raúl Mandela que se encontrava caido dentro do carro. David Saley angustiadamente se contorcia de dores e viu-se revistado brutalmente e lançou algumas palavras aos agentes que sem pena começaram a golpeá-lo enquanto eu tentava impedi-los defendendo que ele estava com as costelas partidas. Não tive êxitos e os agentes da PIR investiram vários golpes directamente nas costelas de David Saley. Terminada a revista, sairam do carro, trancando-nos naquele sufoco e indo se reunir no lado de fora, recebendo mais ordens superiores pelo telefone. Enquanto isso, eu insistia na troca de palavras com o motorista e os outros jovens discutiam com os agentes que estavam por fora do carro.

Passados alguns minutos, vieram chamar o motorista, que alegou que não devia sair do carro porque ali haviam duas armas. Disseram-lhe para pegar as armas e foi juntar-se aos seus colegas. Uma equipa de agentes civis nos filmavam e tiravam fotografias.

Após a saída do motorista, começaram a fechar todas as janelas e portas do carro e apercebemo-nos que iriam nos intoxicar com gás pimenta.

Vieram dois agentes com frascos de gás pimenta e aproveitando-se de algumas aberturas na porta traseira do veículo, começaram a nos intoxicar. O outro abriu a janela na lateral, de onde eu estava e pôs-se a esvaziar o gás em nós. Começamos a gritar, chorar e tossir enquanto eles fechavam a porta e as janelas para que ninguém apanhasse ar fresco. Para além de causar tosse, o gás pimenta ardia nos olhos e na pele, principalmente por eu estar em contacto com raios solares que reflectiam do vidro da janela fechada.

O jovem Manuel Nito Álves teve a ideia de que deviamos urinar em nossas camisolas e inalar o cheiro da urina, cujo ácido iria neutralizar o efeito do gás pimenta. Alguns seguiram o conselho e outros mais tarde vestiram as máscaras de gás que os agentes haviam abandonado dentro do carro.

Diante de gritos e choros, os policiais olhavam para nós pelas janelinhas do carro proferindo ameaças de que seriamos fuzilados.

O efeito do gás pimenta começou a passar mas o calor era infernal e os nossos olhos ficaram avermelhados enquanto transpirávamos no sufoco. O gás pimenta serviu para nos neutralizarem.

A porta traseira do carro, onde nos encontravamos, estava danificada a ponto que havia sempre um agente da PIR a forçá-la a fechar. Notamos que trouxeram um outro carro idêntico e deduzimos que a intenção era de nos transferir para aquele carro que tinha uma porta em melhores condições. Estavamos errados porque logo que  abriram o carro, trouzeram duas pessoas barbaramente espancadas e com os rostos vendados com as suas próprias camisolas. O primeiro foi trazido à pancadas e forçado a entrar no carro com os olhos vendados. Assim que retiraram-lhe a camisola do rosto, alguns reconheceram-lhe como sendo um jovem do braço juvenil (JPA) da coligação política CASA-CE. O segundo a ser trazido foi o mais velho Manuel de Vitória Pereira, dirigente do partido político, Bloco Democrático.

Consternados, gritavamos para pararem de bater neles e de rosto vendado, o mais velho Pereira não conseguia subir no carro à porrada, de modos que os agentes decidiram dar-lhe choques eléctricos sucessivos até que alguns jovens que estavam perto da porta traseira do carro decidiram pegar os braços do mais velho e auxiliá-lo a entrar no carro. Gritavamos: “vão matar o mais velho! Não façam isso, ele é doutor”. Nem com isso eles pararam a tortura.

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Lamentei e me questionei como era possível o mais velho ser detido e confundido com jovens manifestantes pela segunda vez. Ele foi detido e julgado connosco aos 19 de Setembro de 2013 quando tentamos realizar uma manifestação “contra as injustiças sociais em Angola”, um dia antes do começo do Mundial de Hóquei em Patíns em Angola (Luanda e Namibe).

Voltaram a trancar a porta e com o rosto desvendado, o jovem da JPA informou-nos que estava simplesmente a passar quando, indo buscar o carro dele nas bombas, os manifestantes invadiram o Largo e foi espancado e detido por tentar fotografar o acto de violência.

A viagem forçada para Catete, Província do Bengo

Depois de terem trazido os dois detidos, o número aumentou para 17 pessoas. A sessão de torturas na PIR durou quase duas horas e finalmente decidiram levar-nos para um outro local.

Pensavamos que seriamos levados para uma das comarcas penitenciárias ou para sermos fuzilados, quando trouxeram um caminhão da PIR coberto com uma lona azul. Fizeram com que o caminhão estacionasse reversamente em direcção à porta traseira do veículo onde nos encontravamos. Munidos de purretes (bastões), vários agentes da PIR abiram a porta do veículo e forçaram-nos a sairmos um-por-um para subirmos ao caminhão.

Com insultos e ameaças, obrigaram-nos a sair do carro, e cada um que saía tinha de se apressar a subir no caminhão porque naquele pequeno trajecto, os agentes da PIR brutalmente batiam-nos até conseguirmos subir ao caminhão. A distância era pequena mas tornava-se longa pela “surra” dada pela PIR. Alguns sofreram mais porque estavam gravemente magoados.

Dentro do caminhão, obrigaram-nos a deitar no chão com barrigas e rostos para o chão afim de não identificarmos os agentes que nos estavam a bater. O sol que fazia aquecia a lona azul do caminhão e o sufoco parecia ter piorado porque desta vez, obrigaram-nos a nos amontoar uns por cima de outros como se fóssemos cadáveres.

Foi desumano viajar para uma outra provincial em tais condições e imposições desumanas. No caminho, fizeram várias paragens. Voltaram a nos revistar os bolsos e encontraram alguns dinheiros. Receberam até os aneis, afirmando que onde iamos, aquelas coisas não seriam necessárias.

Por ordens superior, o mais velho Pereira foi abandonado com os seus pertences na ”Ponte Amarela” do Município de Viana, enquanto nós fomos levados para a outra província (Bengo).

Um dos aspectos mais marcantes na negativa foi que ninguém devia ousar tossir, caso contrário era espancado com purretes e pontapés. Um dos manifestantes que estava gravemente golpeado, insistentemente pedia água e batiam nele a ponto de ele afirmar que “podem me matar mas eu quero água”. Disseram nele para urinar nas mãos e beber o seu próprio “mijo” para saciar a cede. Eu estava deitado ao lado de um dos agentes que passou a viagem toda com os pés (botas) pisadas nas minhas costas e a cerca de cada dez minutos batia-me nas costas com purrete.

Houve várias paragens e um outro grupo de jovens manifestantes foi acrescido ao nosso pelo caminho e ficamos mais de vinte jovens detidos.

Chegando em Catete, a PIR chamou a polícia local. Ainda de barrigas e rostos para baixo, tentaram nos contar mas não conseguiam porque estavamos amontoados uns-aos-outros, a ponto que nos obrigaram, na mesma posição, levantarmos as mãos para uma nova contagem.

Terminada a contagem, mandaram-nos sair um-por-um e fomos novamente fotografados e filmados cada um com a sua camisola ou material de propaganda de protesto. Receberam todas as camisolas de protesto e decidiram devolver-nos os nossos telemóveis mas não conseguiram fazer a devolução do dinheiro apreendido.

O nosso abandono pela PIR em Catete foi chefiado pelo Comandante “Pombal”, o mesmo agente da Polícia Nacional que me havia detido na marcha que pretendiamos realizar a partir do Cemitério da Sant’Ana, em Luanda, aos 30 de Março de 2013. Coincindentemente, voltamos a nos encontrar no funeral do nacionalista Uanhenga Xitu em Calomboloca, Bengo, onde convencidamente tentou me influenciar a deixar de participar em manifestações, alegando que alguém nos pagava e mandava-nos protestar.

Sem sabermos o paradeiro do nosso dinheiro, o comandante Pombal, já com pressa para regressar para Luanda, incumbiu a responsabilidade de anotar as queixas à um dos oficiais da Polícia Nacional de Catete. Gesto que achamos desnecessário e perda de tempo.

Abandonados às 20 horas, fomos até às bombas de combustível de Catete onde uma senhora solidarizou-se connosco e comprou-nos algumas garrafas de água.

Ligamos os telemóveis e começamos a fazer chamadas para o nosso auxílio. Graças à Deus apareceu um senhor que conduzia uma carrinha, e que resolveu nos levar até Luanda.

Em Luanda, fizemos os contactos e levamos o mano David Saley, que se encontrava muito grave, reclamando sobre fortes dores nas costelas e não conseguia andar. Fomos em várias clínicas mas não tinham como ajudar porque não haviam os serviços de ontologia (?) para a realização de raio-x ao paciente. Felizmente dirigimo-nos para uma clínica nos Congolenses onde o David Saley foi assistido com urgência e recuperou de maneiras que já conseguia caminhar sozinho após cerca de duas ou três horas.

Para socorrer o David, tivemos o apoio da liderança da JPA e da CASA-CE pela pessoa de William Tonet, que ouvindo o nosso apelo, dirigiu-se ao nosso encontro.

Enquanto na clínica, os manos Mabiala Kienda, Carbono Casimiro, Rui Manuel “Shorty” e Mona Dya Kidi compareçeram com farneis para os manifestantes.

Assim sendo, desdobramo-nos na transportação de todas as pessoas até as suas residências, e eu apenas cheguei em casa quando já passavam das duas horas da madrugada do dia 28 de Maio de 2014.”

 

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