Archive for the ‘Luanda’ Category

Em tempos celebrámos com alegria o facto de um jovem com o perfil do Pedrowski, ativista e abertamente crítico do regime de JES, pudesse conseguir um lugar no que foi, até ao passamento físico de Aguiar dos Santos, um dos últimos bastiões da imprensa independente em Angola: o Semanário Agora, tendo acabado por tombar, sucumbindo à pressão das leis de mercado e indo para as mãos dos suspeitos do costume.

Agora liderado por Ramiro Aleixo, o jornal começou a surpreender com algumas capas (1,2) que quebravam com a postura generalizada de uma falta de interesse doméstica na juventude apartidária e contestatária, facto que despertou uma ingénua ponta de esperança que estaríamos a lidar com angolanos de outro calibre.

Hoje o Pedrowski publicou uma surpreendente denúncia no seu mural que faz luz sobre uma realidade mais tenebrosa dos bastidores, pois parece que o rapaz esteve a trabalhar à borliú e metendo inclusivé dinheiro do próprio bolso para conseguir ir fazer as suas matérias. A pedido do próprio iremos partilhar, na esperança que esta singela contribuição e demonstração de solidariedade possa servir para adicionar o nosso quinhão de pressão social para que este caso se esclareça e se resolva de uma vez por todas.

Segue então na íntegra o post de facebook do Pedrowski, com adição de fotos da nossa parte:

Pedrowski Teca no antigo local de trabalho, o Semanário Agora

Pedrowski Teca no antigo local de trabalho, o Semanário Agora

“Ponderando levar o jornal AGORA à justiça

Hoje contactei os advogados da associação Mãos Livres afim de intentar uma ação judicial contra o jornal semanário AGORA, propriedade da empresa Nova Vaga (Score Media), e especificamente contra o seu director Ramiro Aleixo.

Passaram-se um mês e meio desde que me auto-demiti do mesmo jornal semanário, isto após ter trabalhado por 5 meses sem ver a cor do meu salário, num jogo de desonestidade e má fé do director do jornal, Ramiro Aleixo.

Eu respeito o senhor Ramiro Aleixo por ser, na minha opinião, um excelente profissional e experiente jornalista, e director de um órgão de comunicação social respeitável; infelizmente é tido por vários jornalistas como um líder sem peito para defender os direitos dos seus subordinados diante da entidade patronal do jornal, chegando até a ser considerado uma pessoa que explora, burla, mente e frustra vários jornalistas, sobre tudo jovens inexperientes e desesperados (para um primeiro emprego).

Ramiro Aleixo, Diretor do Semanário Agora

Ramiro Aleixo, Diretor do Semanário Agora

Passado 5 meses, trabalhando em cima de promessas do senhor Ramiro Aleixo, decidi abandonar o jornal, deixando uma carta de demissão a 3 de Março de 2015, solicitando que resolvessem a dívida no período de um mês.

Na quarta-feira, 8 Abril de 2015, regressei ao jornal e o director Aleixo continuava com o mesmo discurso de que não havia resolvido a situação. Daí que afirmei que passavam-se 6 meses, que o director não foi capaz de defender os meus direitos perante os donos da empresa, e que chegara a hora de eu usar os meus métodos para pressiona-los a pagarem o que me devem. Subitamente o rosto do director Ramiro Aleixo ficou roxo e indignado, afirmando que era desnecessário eu contactar um advogado ou ir ao tribunal. Saí do escritório dele, com a promessa de contactar um advogado.

No entanto, pela primeira vez decidi contactar a senhora Sónia, chefe do departamento dos recursos humanos da empresa proprietária do jornal AGORA e fui informado que apesar de ela conhecer o meu nome, nunca recebeu nenhum documento ou solicitação para a minha efectivação e que eu não existia naquela empresa.

Algumas das capas conquistadas pelas matérias do Pedrowski

Algumas das capas conquistadas pelas matérias do Pedrowski

Apresentei à ela a minha declaração de trabalhador assinada e carimbada pelo director Ramiro Aleixo, e adicionalmente a minha carta de demissão, onde o director acusa a recepção e mais uma vez promete resolver a situação. A senhora Sónia ficou chocada com a declaração, revelando que somente os recursos humanos tinha o direito de passar declarações aos trabalhadores. Acrescentou que tudo aquilo era um acto de má fé por parte do director Ramiro Aleixo, sendo também que eu não era o primeiro jornalista a ser vítima do mesmo, passando pela mesma situação.

A senhora Sónia fez cópias dos documentos que apresentei e prometeu apresentá-los aos donos da empresa.

No mesmo dia, quando eram 20h21, o director Ramiro Aleixo ligou-me solicitando que eu fosse devolver a declaração de trabalhador que outrora emitiu para eu exercer o meu trabalho, justificando que o mesmo documento “não tinha nada a ver” com a situação a ser resolvida. Retorqui que não tinha a mínima intenção de manter a mesma declaração em minha posse e que faria a devolução, tão logo ele resolvesse a minha situação. Ramiro Aleixo bravou, numa conversa que durou 7 minutos, chegando a ameaçar-me de que se eu não fosse devolver a declaração, usaria outros métodos para me forçar a fazê-lo. Disse também que recebeu um e-mail da dona Sónia e que deu a devida resposta, sendo que ela não era a pessoa indicada para resolver os actuais problemas dos trabalhadores. Mantive-me firme em minha posição e ele terminou a conversa dizendo que nunca mais iria me ligar, e que qualquer comunicação seria feita por escrito.

Para mim, aquilo foi uma tentativa de me receber a única prova que tenho, onde o director afirmou que eu era trabalhador do jornal Agora, exercendo a função de jornalista.

Posto esta publicação porque sinto-me muito injustiçado pelos actos de desonestidade e má fé por parte do director do jornal AGORA, Ramiro Aleixo, que perdeu a minha consideração pela desonestidade.
Alguns jornalistas perguntaram-me se aquilo não era um acto do MPLA para me inviabilizar a vida, encurralando-me na impossibilidade financeira. Não sabia o que responder. Apenas sei que tive muita paciência e fui muito compreensível com ele, até descobrir que eu sou apenas mais um de vários casos perpetrados pelo mesmo.

Sendo assim, informo que hoje apresentei o caso (com as provas) aos advogados das Mãos Livres e estou decidido, se for possível, a ir ao tribunal.”

A indução é um método de produção de conhecimento científico.

Parte de dados particulares, suficientemente constatados e infere uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas. Ou seja, é uma operação lógica que vai do particular ao geral. Das premissas tira-se uma conclusão.

Trazemos essa análise hoje para percorrer a comunicação política do MPLA:

  1. Quando o inimigo político era a FNLA, o MPLA chegou a divulgar recorrente e extensivamente o “canibalismo” efenelático, afirmando e mostrando na televisão que a FNLA comia pessoas. Muitos acreditaram e acirraram os seus ódios contra os canibais. Hoje, sabe-se que aquilo não passou de propaganda enganosa para denegrir.

    Massacres perpretados pela UPA, aproveitados para propaganda do MPLA.

    UPA Cabeças Massacres perpretados pela UPA, aproveitados para propaganda do MPLA.

  1. Depois da independência e a tomada/assalto do poder pelo MPLA, a sua agenda política tinha e continua tendo como mira a politização [entenda MPLArizacao] de Angola. Sorrateiramente, incorporou isso em tudo: no ensino, na cultura, na manietação do poder tradicional, no conceito de ONG, nas igrejas, enfim, na maneira de ver, agir e pensar do angolano. Na TV, radio e jornais isso tem sido passado como desenvolvimento e o nascimento de um novo país, sob alçada do arquiteto-mor, JES!

    FNLA, muito próxima de Luanda, de onde tinha sido expulsa

    FNLA, muito próxima de Luanda, de onde tinha sido expulsa

  2. Ate há uma década atrás, Savimbi e a UNITA eram a desculpa para tudo, para a pobreza, para falta de serviços sociais básicos, para falta de governacao transparente, enfim, para tudo que não funcionava. Na TV, na rádio, no jornal e noutros meios, a propaganda era ensurdecedora. Hoje, Savimbi está morto, a UNITA esta militarmente desbaratada, mas os problemas de outrora persistem e a cada dia se agravam mais.

    Ao longo da guerra civil, parece que só Savimbi destruiu, do outro lado vinham cravos.

    Ao longo da guerra civil, parece que só Savimbi destruiu, do outro lado vinham cravos.

  3. Desde a semana passada que se canta e encanta nos meios públicos de comunicação social sobre a Batalha do Kuito Kuanavale ganha pelas FAPLAs (1). Diz-se que as FAPLAs combateram e venceram o exercito sul africano, que era, segundo o que se noticia nos meios públicos:

– militarmente muito superior.
– superior igualmente em termos de comunicação.
– e apoiava a UNITA.

O MPLA gaba-se de ter ganho o exército sul africano com o seu poderio militar, sem apoios nem ajuda de ninguém. Os entrevistados chegam a dizer: “não vi cubanos, nem vivos, nem mortos ou ate mesmo enterrados, apenas tropas do exército angolano” palavras de um antigo militar sul africano que esteve no Tumpo, segundo os meios públicos.Reportagem com as FAPLAS no Kuito Cuanavale_0001

A minha questão é a seguinte: Se as FAPLAs derrotaram o exército sul africano (abrindo assim caminho para o fim do apartheid e a independência da Namíbia), que era militarmente muito superior (e apoiava a UNITA), numa única batalha, como é que as FAPLAs levaram 27 anos para derrotar a UNITA que era apoiada pela a África do Sul?

Ou seja, como é que o MPLA derrota o apoiador numa única batalha e leva 27 anos para derrotar o apoiado?nunca tinha pensado nisso

Induzindo afirmo: Sempre que o MPLA der destaque ostensivo a um evento, seja político, social, cultural ou outro qualquer, há mentiras, omissões, propaganda política e alienação.

(1) Ignorada está a tragédia de Benguela, com exceção de algumas individualidades que se prontificaram a ajudar e incansavelmente vão dando o que podem. A figura do nosso PR foi a mais ridícula. Teve tempo para ir à Namíbia para assistir a cerimónia de tomada de posse de Hage Geingob, novo (terceiro) PR da Namíbia, mas nenhum pronunciamento, quanto mais uma visita, para consolar e se solidarizar com as vítimas de Benguela. Angovida pá!

Por Mbanza Hamza

A primeira sessão do julgamento de Rafael Marques decorreu no dia 24 de Março.

Na sala onde decorreu o julgamento tudo se passou de assaz ordeira e pacífica, tendo sido o único ato de protesto o segurar alto de uma cópia do livro Diamantes de Sangue por parte de alguns dos ativistas na sala.

Depois do juíz dirimir que o julgamento iria continua à porta fechada, a solidariedade no exterior subiu de um tom e, já no exterior do tribunal, os ativistas começaram a entoar pedidos de inversão de culpa, vociferando “Prendam o Kopelipa, libertem Rafael”.

Cinco acabaram detidos por um período de 7 horas e a Rosa Conde ficou magoada num braço, torcido pelo Comandante Kiala (sempre ele), comandante da esquadra da Ilha de Luanda, que deu passe livre aos seus subordinados para bater, dizendo que ele assumiria as culpas depois.

Segundo um dos ativistas no terreno, alguns polícias recusaram-se a tomar parte de qualquer agressão, mesmo quando sacudidos pelo Kiala, virando-se para o outro lado num gesto de rara coragem de desafio à(o abuso de) autoridade.

Gostaríamos de saber os nomes desses agentes para nos assegurarmos que não foram depois vítimas injustas da fúria de um comandante que se terá sentido humilhado ao ser desautorizado. De todos os modos, fica aqui o nosso reconhecimento e esperança que isso seja algum indicativo das coisas finalmente estarem a mudar.

Cruzámo-nos esta manhã com este post feito pelo artista Thó Simões no seu mural de facebook. Um daqueles desabafos sentidos, que infelizmente são tão raros tendo em conta a proporção de aberrações que diariamente testemunhamos neste grande kimbo chamado Angola. O Thó diz odiar a política, odiar políticos e não podemos censurá-lo, mas, desafortunadamente para ele, não consegue desembaraçar-se do seu coração de artista e esse, quando observa ao seu redor, transforma os fotogramas registados pela retina em emoções e ao exprimir essas emoções está, involuntariamente, a fazer política.

Obrigado ao Thó por não auto-censurar o artista e não manter essas angústias que dilaceram como navalhas a garganta de quem tem de as engolir em seco para si.

Segue então na íntegra o post do Thó Simões

“DESABAFO DE UM BANANA NO PAÍS DOS BANANAS!

Bom dia caros amigos, camaradas e desconhecidos.

Hoje a umas horas a atrás, enquanto me aventurava pelos magistrais engarrafamentos de Luanda (para quem não vive cá, ontem choveu a noite toda)a tentar deixar o filho e a mulher na e escola e no serviço, ia ouvindo a Rádio Luanda, quando já estava sozinho no carro (graças a deus) uma ouvinte, moradora do Morro da Luz, ligou para o programa para pedir socorro, para uma situação que esta a virar rotina lá no bairro. Dizia ela ao locutor de rádio por telefone, que há duas semanas atrás, a sua casa fora assaltada por um grupo de marginais… para entrarem na casa usaram uma pedra como martelo ou marreta para arrombar a porta, e saquear a casa, depois dos assaltantes se retirarem ligaram logo para a policia, segundo ela era 2h da manhã, a Policia apareceu nas proximidades as 5 da manhã mas recusaram-se a ir ao local da (ocorrência) o pessoal teve descer até a estrada para reportar a Policia, dai para frente nada mais… ou melhor dai em diante os assaltos sistemáticos continuaram nas casas vizinhas, quem não tivesse nada em casa que satisfizesse os ladrões era espancado. Um trecho em particular no seu relato me revoltou as entranhas.
Ela disse que numa das casas os bandidos amarram uma mãe e meteram o seu bebé na arca frigorífica!

AMARRAM UMA MÃE E METERAM O SEU BEBÉ NA ARCA FRIGORÍFICA!!!
Graças a Deus a criança não morreu e parece estar sob cuidados. Acham isso normal???

A policia entretanto, não sei o que fez ou faz por essas famílias até ao momento.
Mas agora passei a perceber bem uma coisa… este não é o País do Pai Banana, como é (carinhosamente) cantado e citado… É O PAÍS DO POVO BANANA!!!

Como podemos ser tão hipócritas!?
A nós, tudo nos acontece… até agora, já há 800 famílias desalojadas, de ontem para hoje! Grande parte da população hoje não vai trabalhar, porque a geografia das zonas, dos bairros, onde habitam ou dos trajectos que os leva de casa para o trabalho e do trabalho para casa mudou para cenários apocalípticos como nas grandes produções de Hollywood, sobre o fim do mundo ou sobre a extinção da raça humana!

Mas ao olhar para as postagens na minha página do Facebook, bwé de fotos do pessoal interessante, o pessoal que faz isso andar, o pessoal que se quisesse podia sim aliviar esse fardo que carregamos a mais de 500 anos, pessoal que faz a opinião publica, pessoal que mobiliza e se mobiliza para causas que estejam na moda mas que convenha (afinal ninguém quer ser apelidado ou ser confundido com os revús, esses sim tiro-lhes o chapéu, uma dúzia de putos, mas que basta um deles dar um peido (desculpem o termo) movimentam logo uma enorme estrutura Policial seus meios e aparatos que não são nada baratos para os nossos bolsos) dizia eu… pessoal jovem, uns com grandes carreiras outros nem tanto, como dizia, olho para as vossas fotos no festival Sons do Atlântico, (fotos bonitas na sua maioria) vocês também lindos e felizes, dentes todos escancarados a posarem ao lado de grandes estrelas da música mundial, quem olha até parece que vivemos no mesmo mundo, temos os mesmo direitos temos as mesma oportunidades e que por aqui desde que a guerra acabou…

ESTAMOS SEMBRE A SUBIR!!!

Thó Simões”

Aos 23 de Novembro de 2014 a ativista Laurinda Gouveia foi alvo de uma repugnante e covarde sessão de tortura que se estendeu por duas longas horas, perpretada por agentes (devidamente uniformizados) da Polícia Nacional. Uma entrevista muito pormenorizada foi dada ao Rede Angola e, para quem ainda não acompanhou, pode fazê-lo agora apertando no play no vídeo abaixo:

Volvidos três meses e meio, nem água vai, nem água vem, a polícia continua amorfa, a assobiar para o lado, aguardando que a poeira assente.

A nossa missão é fazer com que isso não aconteça tão cedo, nem tão facilmente e por isso solicitámos um serviço de advocacia para formalizar uma queixa-crime que, no dia 4 de Março, deu finalmente entrada na PGR e na DNIC, que deverão agora decidir a quem passar a batata quente. Quanto a nós, queremos levar isto até à última instância e consequência.

Se continuamos a limitar-nos a encolher os ombros, emitindo suspiros resignados de “aqui é assim” não há razões para que estas práticas deixem de se verificar e a/o leitor(a) pode perfeitamente vir a ser a próxima vítima desta impunidade generalizada.

Abaixo, podem ver o scan da primeira página da queixa e a acusação de recepção (sem carimbo… que degredo) da PGR.

Justiça, é o nosso clamor.laurindaDNIC

As cicatrizes da colonização são ainda marcantes na alma dos vários povos que a ela foram submetidos. Angola não se escapou deste trágico encontro com a História e viu-se submetida a senhores, regras e formas de organização social que lhe eram, até então, alheias.

Traumatizante e estigmatizante para as vítimas, é natural que, nessa qualidade, temamos ser sujeitos novamente a um processo semelhante. Mas, pelo andar da carruagem, existem contornos que nos fazem antecipar a enraização de um “Império Chinês” em Angola. O poder e as imunidades das quais gozam são pura e simplesmente inaceitáveis num país democrático e de direito, o seu excesso de confiança de intocabilidade revelado em diversos escândalos que protagonizam nesta pátria que nos pariu e do qual saiem amiúde impunes.

“Chineses raptam um doleiro em Benguela e dias depois a vítima é encontrada morta.” (In Rádio Despertar e Rádio Eclésia).”Mototaxis­­ta perde a vida fruto de um acidente de viação em Cacuaco. Polícia aconselha motorista do camião, um cidadão chinês, a evadir-se do local para não ser linchado e indica-lhe que se dirija à esquadra, sem o acompanhar” (In mural de facebook de Bitão Felisberto Holua).”Chineses enterram trabalhadores em obras. Os mesmos trabalhadores são maioritariamente oriundos de províncias como: Cunene, Benguela e Lubango.” (In Rádio Despertar). Há ainda o caso várias vezes captado em fotografias de chineses envergando fardas das FAA ou Polícia Nacional, mostrando até que ponto chega a promiscuidade do poder do Estado com cidadãos de origem estrangeira, o que poderia (e deveria) ser considerado um atentado à segurança do Estado, perpretado justamente por aqueles que deveriam velar por ela.

Gostaríamos de acrescentar o elemento que nos propulsionou a redigir este texto: o caso das obras descartáveis. A mão-de-obra chinesa continua em descrédito pelo simples facto de serem frequentemente de pouca durabilidade. Mas, a questão que se coloca é a seguinte:

QUEM FOI QUE CONSTRUIU A CHINA?

Temos visto várias reportagens acerca do potencial da China em termos infra-estrutural e económico, mas também técnico, factor que terá sido usado como argumento pelo governo angolano ao celebrar o maior contrato com este gigante asiático na reconstrução do país saído de 27 longos anos de guerra. O facto de permitirmos que os chineses construam obras descartáveis no nosso país leva-nos a questionar se nós (angolanos) é que somos burros ou eles (chineses) é que preparam terreno para uma neo-colonização apadrinhada pelos nossos próprios conterrâneos que criaram raízes no poder.

As chuvas que se abateram na Sexta-feira 13 e Sábado 14 de Fevereiro, deitaram abaixo esta grande estrutura e o que a nossa reportagem apurou no terreno foi que, surpresa, a empreiteira responsável pela obra era chinesa. Esta estrutura seria usada como stand automóvel e a sorte do proprietário é que não havia ainda viaturas no interior.

Antes mesmo da inauguração, a obra é depenada pela chuva miúda. Quem se vai responsabilizar pelos danos causados?

REPORTAGEM Alemao Vieira 01Reportagem Alemão Vieira 02

Já em 2010 o Hospital Central de Luanda, com apenas 4 anos de existência, foi evacuado por causa de graves fissuras que tornaram o edifício propenso ao elevado risco de colapso. O edifício da DNIC (apenas “restaurado” cosmeticamente pelos chineses) não foi a tempo da evacuação e acabou mesmo por vir abaixo qual torre gémea ou “O desejo de Kianda”.

Por Alemão Francisco e Manuel Vieira

No dia 31 de Janeiro chegava ao seu término a “Semana Social” organizada pela Mosaiko, ONG angolana promotora dos direitos humanos. Recheada de preletores interessantes e sérios, pensadores sociais com ideias próprias e sem receios de os exporem (salve Pio Wacussanga, salve Reginaldo Silva, salve Luísa Rogério), mas também “dirigentes” do mais alto escalão para tratar de temas relacionados com os respetivos pelouros.

mosaiko semana social conviteUm comportamento que se tornou rotineiro entre os nossos dirigentes é a indelicadeza (eufemismo) de, depois de acederem ao convite e terem o seu nome colocado no programa, simplesmente não aparecerem ou mandarem alguém em seu lugar.

No programa dessa semana estavam como preletores a Ministra do Comércio, Rosa Pacavira com o tema “Combate à pobreza e às assimetrias em Angola” e o Ministro da Educação, Pinda Simão e ambos se escusaram em fazer-se presentes.Mosaiko Semana Soc Prog 2

A desculpa eterna quando mudam de ideias e resolvem que, afinal de contas, não irão comparecer num evento em que estarão sujeitos à questões vindas do público – sobretudo se essas questões não puderem ser programadas e previamente preparadas pelas empertigadas e mui importantes figuras do nosso elenco (des)governativo – é que, à última da hora, não conseguiram desvincular-se dos seus compromissos profissionais.

É, são muito ocupados estes meros auxiliares do titular do Poder Executivo, estes sapupos cuja única competência é exarar “decretos executivos e despachos”, não conseguem honrar os compromissos assumidos?

Rosa Pacavira não se deu ao trabalho de esboçar uma tese de doutoramento em torno da sua ausência, mas, desta vez, o Ministro Pinda superou-se e, tentando ser original, inventou outro pretexto, tendo-lhe no entanto a emenda saído pior que o soneto.

Ministra do Comércio, Rosa Pacavira

Ministra do Comércio, Rosa Pacavira

Ministro da Educação, Pinda Simão

Ministro da Educação, Pinda Simão

Confiando a missão da preleção ao senhor Joaquim Cabral Felizardo, alegou que a sua agenda colidia com a abertura do ano lectivo 2015, por sinal fora de Luanda. Para seu infortunio, ele foi visto por um professor na FILDA onde teve lugar uma reunião… do MPLA! Acrescenta ainda o professor que o ano letivo teria início apenas no dia 2 de Fevereiro, três dias depois da data da sua apresentação. Não conseguimos conceber que uma pessoa com responsabilidades no país, ainda que limitada à exaração de decretos, tenha uma postura de inenarrável infantilidade ao mentir com assuntos que são do domínio público para encobrir a sua desfaçatez.

E estes são os líderes exemplares que nos sairam na rifa. Como se diz na gíria: “estamos feitos ao bife” e bem mal passado por sinal.