Archive for the ‘Manifestação 2 Abril’ Category

Dia 7 de Março fomos apanhados na praça da independência com estes panfletos. Hoje, depois de tudo o que nos têm feito sofrer, estes continuam a ser os panfletos mais adequados, actuais e pertinentes e voltarão a ser distribuídos pelos manifestantes no dia 25. VAMOS NESSA MANOS!

Foi colocado a circular pelas ruas de Luanda um VCD com alguns momentos marcantes da manifestação do dia 2 de Abril, alguns depoimentos e reivindicações comoventes e algumas fotos também. O VCD está a ser distribuído de forma gratuita, pelo menos as primeiras centenas, as primeiras sementes, pois cremos e esperamos que os piratas hão de reproduzir e espalhá-lo ainda mais. A intenção deste gesto é, através do audio-visual, a ferramenta mais forte dos últimos anos, chegar a um maior número de pessoas que ainda associam os manifestantes a vândalos irresponsáveis e não fazem a mais pálida ideia de como estes metem em prática e desenvolvem o ato de manifestação. É a “batalha da comunicação e da verdade” na qual nos engajamos e para a qual partimos com a desvantagem de não termos acesso às mesmas “armas”, eles com mona-caxito e nós com fisgas. Aqui seguem então os 45 minutos sobre o levantamento da juventude no 2 de Abril.

Depois da notícia da ameaça de morte que sofreu o nosso companheiro, Carbono Casimiro, no passado dia 7 de Abril, e somando-se às demais ameaças a que alguns de nós foram sujeitos ao longo destas últimas semanas, decidimos fazer uma denúncia formal destes graves acontecimentos, tanto à Polícia Nacional como a outras organizações de defesa e observação dos direitos humanos como a Amnistia Internacional e Human Rights Watch.

Considerando que se trata aqui da preservação ou não da nossa integridade física e da segurança dos nossos mais chegados, publicamos aqui na Central a carta endereçada a Ambrósio de Lemos, comandante-geral da Polícia Nacional (PN), juntamente com os relatórios de outros companheiros que também sofreram ameaças.

É fundamental que haja vigilância e colaboração de todos os sectores da sociedade para que não exista nenhum acto de violência contra cidadãos que estejam contra as políticas do regime. Não é ofensa querer manifestar publicamente o nosso descontentamento. Ofensa é, outrossim, não poder fazê-lo sem ser imediatamente intimidado. É ofensa porque é um desrespeito dos nossos direitos básicos, da nossa liberdade e autonomia. Nós queremos uma liberdade onde possamos assinar com o nosso nome, assumir as nossas opiniões e defendê-las com palavras, sem actos de violência pelo meio. Só assim Angola será realmente livre e independente: quando os angolanos forem também livres e independentes.

Como diz a frase:

“Posso não estar de acordo com o que dizes mas luto para que o possas dizer”.

 

A Central 7311

 

 

CARTA AO COMANDANTE-GERAL DA POLÍCIA NACIONAL

 

AO COMANDANTE-GERAL DA POLÍCIA NACIONAL

EXMO SR. AMBRÓSIO DE LEMOS

Saudações, ilustre senhor:

É com algum pesar e consternação que resolvemos, pela segunda vez num tão curto espaço de tempo, fazer apelo à sua retidão e decoro, sendo no entanto esta carta meramente informativa de ocorrências de extrema gravidade no seio de alguns dos envolvidos na organização da reunião/manifestação que ocorreu no dia 2 de Abril.

O motivo de recorrermos directamente a si, é por acreditarmos que se a manifestação do dia 2 de Abril foi um sucesso e até mesmo um exemplo a nível de segurança e respeito entre manifestantes e PN, contribuindo para a democracia do nosso país, isto deveu-se à carta que lhe endereçámos um dia antes e que, felizmente, foi bem interpretada da vossa parte. Caso contrário, as instruções que teriam era a de nos circunscrever ao Parque da Independência, o que teria provocado um certo mal-estar generalizado.

Se acaso acompanha as notícias que circulam pela internet, há-de ter reparado que aqueles de nós que fomos entrevistados, fizemos sempre questão de sublinhar o papel exemplar e discreto da nossa polícia no dia da reunião/manifestação, respeitando escrupulosamente as leis que vão regendo o nosso país no que concerne a esses direitos específicos.

Desta vez escrevemos, contudo, mais do que para agradecer, para denunciar o que poderá ser o prenúncio de uma caça às bruxas a alguns dos cidadãos que, exercendo um direito consagrado não só na nossa Constituição e na dos outros países que se proclamam democráticos, como na Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas no seu artigo XVIII, se vêem sujeitos a pressões psicológicas de todo o tipo. A mais grave foi verificada na noite de quinta-feira, 7 de Abril, pelas 22 horas, quando dois sujeitos encapuzados entraram no quintal onde vive o jovem Dionísio Casimiro, dispararam um tiro e proferiram de maneira sonora e inequívoca “vamos te apagar!”. Em seguida retiraram-se com a promessa de voltar. Felizmente, e contrariamente ao que é a sua rotina, o Dionísio não estava em casa a essa hora, tendo por isso escapado à ira dos jovens meliantes.

O Dionísio foi esta manhã apresentar queixa formal no Comando Municipal do Rangel, registada pelo agente Barbosa da investigação criminal, sem que nos tenha sido dado o nº do processo que ficou de se ir saber na segunda-feira, dia 11 de Abril. Dada a estranheza do crime e a recém actividade cívico-política do visado, estamos em crer que se trata de uma perseguição política com o intuito de intimidá-lo. No entanto, com assuntos que envolvem ameaças explícitas à nossa integridade física não devemos limitar-nos a conjeturar, pois é assunto de extrema gravidade.

Obriga-nos ainda sublinhar que não se trata de um caso isolado. Outros jovens deste grupo receberam ameaças de ordem diversa, ameaças essas que anexamos a esta missiva para que possa também estar a par-e-passo dos contornos sombrios desta história.

Estamos conscientes de que não devemos importuná-lo com todo e qualquer assunto e que existem estruturas funcionais dentro da polícia para se ocuparem de casos de toda a ordem e natureza. No entanto, a nossa intenção era tão somente comunicar-lhe estas ocorrências, da mesma maneira que já o fizemos com as diversas organizações que monitoram os direitos humanos, dentro e fora de Angola, para que tenham conhecimento de mais esta arbitrariedade que é um dos infortúnios que continuam a minar a imagem da nossa bela e amada pátria.

Acreditamos que os agentes da investigação criminal que irão ocupar-se do caso, fá-lo-ão com seriedade e profissionalismo, dignificando o nome da nossa polícia que tantos esforços tem envidado na construção de uma imagem cada vez mais idónea e digna do respeito dos seus concidadãos.

Agradecidos pela atenção e sem mais de momento nos despedimos mui respeitosamente.

AMEAÇAS AOS JOVENS CO-ORGANIZADORES DA MANIFESTAÇÃO DO DIA 2 DE ABRIL


Nome: António Medil Campos

Relatório de ocorrência:

Medil Campos foi um dos detidos na manifestação do dia 7 de Março de 2011, no Largo da Independência, durante a madrugada.

Alguns dias depois do dia 7, uma senhora, usando o pretexto de ter sido sua professora durante o ensino médio, foi recolher informações entre os vizinhos.

Suspeitou-se da senhora, pois Medil Campos nunca estudou na escola a que ela se referia.

Dias depois, duas pessoas sem se identificarem foram à casa de Medil Campos aí encontrando sua mãe, com quem falaram. Mostraram os pequenos panfletos que distribuímos dias antes da manifestação, alegando que ele tinha os tinha distribuído em escolas a mando dum partido da oposição, a UNITA, que foi a segunda parte beligerante envolvida na guerra civil de 1975 à 2002. Sugeriram à mãe de Medil que conversasse com ele, lhe aconselhasse a ter cuidado e parar de fazer o que estava a fazer, assustando assim a sua mãe e outros familiares que ali moram.

Havia, na manifestação de dia 2 de Abril e na reunião de dia 4 de Abril, pessoas infiltradas e alguns dos participantes alegam ter sido seguidos até as suas casas.

De assinalar também que duas semanas antes da manifestação de dia 2 de Abril, começou-se um protesto espontâneo no largo da independência sobre a violência à liberdade de expressão em Angola, e o local já se encontrava sob vigilância de indivíduos de índole suspeita, que filmavam e tiravam fotografias às escondidas.


Nome: Massilon Leonardo Kutekila Chindombe

Relatório de ocorrência:

Chamo-me Massilon Leonardo Kutekila Chindombe, cidadão angolano recentemente tornado activista em prol das ausentes e/ou carentes liberdades no meu país.

No dia 7 de Março de 2011, aderi a uma convocatória anónima que circulou pela internet e tinha como propósito pedir o fim do regime. Neste mesmo dia fomos detidos à revelia, encarcerados e soltos pouco menos de 10 horas depois, sem nos ter sido comunicada a razão da nossa detenção.

Motivado por estas atrocidades e, na certeza de não ter cometido crime algum nem nada ilícito, continuei a insistir nessa reivindicação. Desta feita, de forma mais activa e não como mero participante, juntamente com amigos entre os quais alguns também faziam parte do grupo que havia sido detido no dia 7 de Março.

No decurso das nossas actividades, concedi uma entrevista a uma rádio local, “Ecclésia”, falando sobre a manifestação que convocámos e que teve lugar no dia 2 de Abril de 2011 com o lema: a liberdade de expressão em Angola. Após a entrevista venho recebendo chamadas e SMSs que transcrevo abaixo, pondo em risco a minha integridade física:

Dia 29-03-2011

Moço, não viva por ver os outros a viverem.

Lembre-se que cada um tem a sua mãe e mesmo os gémeos

Cada um nasceu distinto do outro. Se voltares a fazer o que

Fizeste, serás um homem morto.

Dia 07-04-2011

Oh Massilon, desperta rapaz. De capanga bastou o teu pai, miúdo acorda qual é a cor do Luaty, Carbono, Elsa, Bonavena, Patrocínio, Manuel Vitória Pereira e tantos outros que estão a frente da manifestação. Tu tens para onde ir? Eles têm, para além de que estão assegurados e tu, o que tens? Olhe para os teus irmãos. Estuda e prepara o teu futuro antes que voltes para o Diríco sem nada.

Estas mensagens e as chamadas tiveram origem do número +244923260144 da operadora de rede móvel UNITEL, que logo a seguir fica fora de serviço, pelo que se me revela impossível retornar as chamadas.

Já por uma vez, encontrando-me ausente de casa, pessoas estranhas bateram à porta e quando a minha esposa foi abrir, dois indivíduos de rosto coberto deram as costas e foram-se embora.

Todos estes factos, sabendo que os mesmos dão-se depois da minha declaração e participação activa em actos que visam repudiar a má governação a que eu considero estarmos sujeitos, fazem-me ligá-los ao regime governamental, o que me leva a torná-los públicos.

Quando o kota surgiu, o pessoal reagiu tipo viu deus. O mambo era sério e o kota é um orador como há poucos, cheio de carisma e apesar da seriedade do assunto, consegue guardar um inestimável sentido de humor.

Qualquer que seja a sua ideologia, cor partidária, filosofia de vida ou credo, uma coisa é certa: o dia 2 de Abril, directamente em consequência do não-acontecimento mais polémico que jamais se deu na História desta Angola contemporânea, o 7 de Março, veio mesmo marcar um virar de página na nossa proto-democracia: a primeira manifestação anti-regime não proibida pelas “autoridades competentes”.

Muitos tentaram antes, encontrando sempre um muro improvisado que fazia da estrada da democracia um beco-sem-saída, muro eregido autoritária e ilegalmente pelas “autoridades competentes” intolerantes a qualquer sinal de repúdio que pudesse criar a ideia de um descontentamento com o trabalho (?) levado à cabo pelo nosso executivo.

Tentaram estudantes universitários, tentaram associações cívicas como a Mãos-Livres, a Omunga e a SOS Habitat, tentou por diversas vezes o PADEPA, partido liderado por Carlos Leitão, praticamente inexpressivo no panorama político, mas hiper conhecido pelas suas ações de rua e de desafio ao poder instituído. Fizeram-no sempre apesar da proibição explícita para tal, fizeram-no tentando furar um buraco através do muro de burocracia ilegal, para seguirem no ambicionado caminho da democracia tal como ela se define, pois esta na qual vivemos não passa de um pobre esboço. Foram percursores.

O 7 de Março teve o mérito de fazer tremer a estrutura no poder como um terramoto de magnitude 9 na escala de Richter, como aquele que precedeu o recente tsunami no Japão. Fê-lo incorrer numa torrente de escolhas politicamente atabalhoadas, que mais não fizeram do que revelar a verdadeira natureza desse colosso que é o MPLA: um gigante com pés de barro! Gastaram 20 milhões de dólares só com a “Marcha pela paz” e vilipendiaram todo e qualquer indivíduo que tencionasse criar mácula na imagem do partido e da sua figura de proa, José Eduardo dos Santos, tratando-os dos nomes mais feios, associando-os a belicistas inimigos da paz e ameaçando-os de porrada, enfim, coisas de verdadeiros cavalheiros amigos da democracia.

Depois das prisões arbitrárias, da mentira desvendada pelo audio da detenção dos 17 jovens na madrugada do dia 7, de a própria TPA ter promovido um debate em que se discutiram questões ligadas a manifestação e, muito particularmente, dessa detenção ilegal, de, no rescaldo da abortada manifestação, o MPLA/Governo/Estado (que promiscuidade) ter “secado” as suas contas em divisas no Banco Sol para pagar a dívida pública, de terem forçado funcionários públicos a engrossar o número dos “anti-guerra”, de terem usado o Navio Maersk retido no Lobito como argumento para justificar as suas alegações que “a UNITA se está a rearmar”, entre outras tantas que não me apraz recordar, gastaram toda a munição que tinham e resolveram, como consequência da má imagem que deixaram transparecer (e que é a sua verdadeira, depois da máscara cair), fazer uma reciclagem nos comportamentos anti-democráticos e assumirem uma postura mais dócil e permissiva face aos apetites contestatários da juventude.

Assim se criou o vácuo ditatorial que fez com que, finalmente, as “autoridades competentes” TOLERASSEM uma manifestação, para limpar um pouco a imagem feia que lhes foi associada, dando a ideia de que, a democracia está bem viva em Angola. No entanto, comprovando a sabedoria popular que reza: os velhos hábitos são difíceis de perder, tentaram, à margem da lei, acomodar-nos num local que nos remetia à invisibilidade. Valeu no entanto (e não podemos deixar de referir) a ação exemplar da PN, que comunicada por nós da intenção ardilosa do GPL, fez prevalecer a lei acima de “ordens superiores”.

Foi assim que no dia 2, com intuito de reclamarmos pelos nossos direitos e nos exprimimirmos sem ter medo de represália, nos reunimos no Largo da Independência, local de inigualável valor simbólico para protestos desta natureza. A TPA, claro, filmou muito e passou muito pouco, fazendo uma peça de deplorável valor jornalístico, mostrando claramente para quem trabalha. Nós também já o sabíamos e por isso o nosso canal público teve direito a algumas vaias, direcionadas à objetiva do cameraman, no decorrer do evento. A maior parte da imprensa que se fez presente também devia ter mais o que fazer, pois chegaram no início (certamente na expectativa das coisas azedarem e eles terem matéria interessante para o “furo” que sempre buscam), fizeram duas ou três entrevistas e foram disfrutar do almoço de fim-de-semana para o qual deviam ir atrasados. Depois fizeram figuras tristes anunciando que a manifestação só contava com 50 almas, quando ela oscilou sem exageros, pelo menos entre 400 e 800 pessoas.

Das 13 às 00h00 se passou uma manifestação que muitos adivinhavam desordeira, que muitos preconizavam ser o retorno à instabilidade e a guerra (?), que a maior parte desvalorizou por não ter registado uma enchente nem de perto igual à das passeatas do partido, MPLA, o mesmo que mantém o seu povo no obscurantismo mais atroz, nas garras do analfabetismo, para poder seduzi-lo com cevada e concertos dos mais populares músicos da nossa praça. Das 13 às 00h00, um único incidente foi registado por parte dos “arruaceiros” que povoaram o largo: um rapaz que se deixou levar pela exaltação e resolveu atirar um objeto contra um autocarro onde seguiam indivíduos com bandeiras do MPLA. Foi imediatamente pacificado pelos outros à sua volta que o chamaram à razão e o controlaram com duas palavras. Foi de tal maneira insignificante que a polícia nem sequer interviu. Os próprios manifestantes fizeram cordões à volta do largo para impedir que a coisa não transbordasse para a rua e cortasse o trânsito, coisa que nos valeria certamente uma intervenção musculada, apesar de nunca ter transparecido que a PN estivesse a ansiar por esse motivo.

Quando faltavam 10 minutos para à meia-noite, o último grupo de “arruaceiros” que continuavam a gritar palavras de ordem em frente ao carro da polícia (Zé Dú come bem, a polícia ganha mal! A polícia é do povo, não é do MPLA”), voluntariamente se calou, recolheu os seus dísticos e ajudou na arrumação do largo que ficou mais limpo do que o que se encontrou. Como nenhum órgão público e caxiko do regime consegue apontar-nos falta de carácter cívico, optaram pela difamação dos organizadores e participantes desclassificando-os como estudantes sem diplomas, frustrados e sedentos de protagonismo. Os velhos hábitos são MESMO rijos!!!

Depois de terminada a manifestação, não param de chegar novas imagens desta tarde histórica para o povo angolano. Apelamos a todos os que tiverem material (audio, video, fotos) que enviem para dia7angola@gmail.com para que possamos publicar na Central 7311.

Quanto aos números, basta ver as fotos e os vídeos para confirmar o sucesso desta iniciativa. De acordo com os promotores, no pico da manifestação havia cerca de MIL PARTICIPANTES.

Estas imagens um dia sairão nos livros de História de Angola. Certamente, a mudança tão esperada está já em andamento.

O POVO ACORDOU!

A Central 7311


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A manifestação que começou às 13:00 terminou perto da meia-noite. De acordo com os promotores, em alguns momentos atingiram-se os MIL PARTICIPANTES.

 

Centenas de pessoas juntaram-se hoje no Largo da Independência para exigir Liberdade de Expressão em Angola. Os manifestantes fizeram um cordão humano à volta de todo Largo da Independência, rodeando a estátua de Agostinho Neto, gritando “O povo unido jamais será vencido” e “Zedu fora!”.

 

Duas das reivindicações mais destacadas pelos manifestantes foram a libertação imediata do jornalista Armando Chicoca e a revogação da Lei das Tecnologias da Informação e Comunicações (TIC), que vulnera manifestamente direitos consagrados na nossa Constituição.


Entre as muitas palavras de ordem e cantos de protesto que ainda se entoam neste momento no Largo da Independência, destacam-se duas reivindicações concretas que estão a ser dirigidas ao Governo: “Insistimos na imediata libertação do jornalista Armando Chicoca e na ilegalização da Lei das Tecnologias da Informação e Comunicações (TIC), que é claramente uma violação da privacidade e dos nossos direitos fundamentais“.

 

Neste momento decorre ainda com tranquilidade a manifestação. A Central 7311 falou com Luaty Beirão (Brigadeiro Matafrakuxz), um dos promotores desta iniciativa. A manifestação que começou às 13:00 continua a atrair pessoas apesar do calor. Entre 200 a 250 pessoas estarão nesta altura no Largo da Independência.

Luaty afirma que esse número, “a partir de 18 pessoas, já supera as expectativas. Claro que havia a esperança de que estivesse a abarrotar. Mas tem gente, cada um com uma actividade, com panfletos, gritos de ordem, há muito movimento na praça. Vai sair a ganhar a imagem do regime, que parece que permite que os descontentes se exprimam e mostram através das imagens da TPA que ainda somos poucos, muito menos que os da marcha pela paz. Aparentemente continuamos a ser os tais 20%. Mas o ambiente aqui na Praça da Independência está bonito, apesar de modesto.”

Ainda que entre os manifestantes estejam membros de alguns partidos como o Bloco Democrático ou a Juventude da UNITA, não estão a ser usados quaisquer símbolos partidários. “Nenhum se pronunciou, estão a marcar presença como cidadãos do país. Também são angolanos e também querem mudança“, explicou Luaty.

Quanto à actuação da Polícia Nacional, Luaty comenta que “está a ser exemplar“. “Quando chegamos fomos lá falar, quisemos entregar-lhes a carta mas disseram que não era preciso, que podíamos fazer o nosso trabalho, ninguém ia interferir“. Um dos slogans que foram cantados mesmo em frente ao pequeno grupo de polícias foi “Policia está mal paga, ZéDú come bem“.

 

Mais notícias a qualquer momento.

 

 

Luanda, 2 de Abril de 2011 (A Central 7311) – Está neste momento a decorrer a manifestação convocada no LARGO DA INDEPENDÊNCIA, em Luanda. Os promotores chegaram ao local às 13:00, com cartazes, panfletos apelando à boa conduta durante a tarde e megafones.

De acordo os organizadores, há neste momento mais de 300 pessoas, a maioria anónimos e membros da sociedade civil, alguns membros de partidos políticos e organizações não governamentais como a OMUNGA e a SOS Habitat. Está também a Polícia Nacional, para garantir a segurança de todos os participantes, e alguns meios de comunicação social como a TPA, Rádio Ecclésia e RTP, que entrevistaram os organizadores.

Como acto simbólico pela Liberdade de expressão, os organizadores disponibilizaram um megafone para que qualquer um suba e diga a sua opinião sobre o país de forma livre. Muitas pessoas na praça aderiram e exaltaram a liberdade e a democracia em Angola. Pelo largo da Independência grita-se “Pão para todos, educação para todos, liberdade para todos!” ou “Viva a democracia! Vida a liberdade! Viva Angola!”. Apesar do calor, cada vez chega mais gente.

Estamos no Facebook e no Twitter actualizando constantemente a informação. Em breve tentaremos subir à rede algum video ou imagem da manifestação. Fiquem atentos.

APELAMOS A TODOS OS QUE ESTIVEREM EM LUANDA QUE SE JUNTEM E MANIFESTEM O SEU APOIO A ESTA INICIATIVA PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO DE TODOS OS ANGOLANOS!