Archive for the ‘Música’ Category

Este grupo é especial.

Descrito pelo seu maior promotor online (Itler Samussuku – e sim, esse é MESMO o nome dele) como um grupo de “hip hop extremista”, as letras dos temas Krucifikem a Tirania e Matem o Gaju vêm para corroborar esse rótulo.

Propenso a exultar aquele que se sente indigno do oásis dos 6400 milionários angolanos num deserto chamado Angola, ou a causar repulsa aos mais sensíveis, apenas uma coisa é certa: ninguém ficará indiferente à força das palavras sequenciadas com inteligência e debitadas com mestria sobre os instrumentais vigorosos e sincopados.

Ora apreciem este refrão:
“Nós temos pregos, troncos, martelos e coragem,
Marchemos para o Palácio do Mal e Crucifiquemos a Tirania!”

Está repleto de frases fortes e vibrantes e citamos alguns exemplos
– “Quem propaga a tirania? O teu silêncio é um dos factores, mas o principal é Zé Dú e companhia”
– “Fazer mudança com beijos? Não! Não me chamo Anselmo!”
– “Somos a prova viva da vossa incompetência, as vossas palavras geraram miséria nas nossas mesas”
– “Manifesta, a voz do desagrado, sai para à rua, tranca o quarto, ditadores não saiem com palavreados, mas sim com atentados”
– “Aonde os Santos roubam, quem é ofende não é diabo. Rasguem a Constituição, serve melhor a limpar o rabo”
– “Desculpem-me Cristãos, eu vou atirar a primeira pedra!”
– “Luz, Água, Saúde e Educação, como é que 4 palavras ameaçam uma Nação?”

Outro dos temas preferidos é o hino ao abstencionismo que fizeram algum tempo antes das eleições de 2012 incitando à população a não participar no embuste que se antecipava (e que se verificou) serem as eleições. Mais uma vez, por menos que se concorde, tem de se reconhecer a capacidade de argumentação acima da média:

- “A maior oposição é o povo, quem diz o contrário é mentiroso sócio”
– “Talvez a minha ideia muda quando a Tchizé preferir ter um parto no Ngangula… nesse dia verão vacas a tussir, cães a fazer flexões”
– “92, 2008, não há duas sem três, não votar nessa eleição é a maior revolução, com muita sensatez”
– “O povo sai de casa para jogar Totoloto. Para quê votar, se os resultados estão guardados em softwares?”
– “A cruz que colocas no quadrado do voto é a mesma que carregas 5 anos nos ombros”
– “Multipartidarismo, 1992. Agosto escolhes o chefe, em Setembro perdes a voz”
– “Que resultados esperas? Em seu favor, numa disputa onde o árbitro também é jogador”
– “Santo não tem asa, mas usou seu braço longo”

Aconselha-se ainda para quem quiser aprofundar o conhecimento sobre os rapazes os temas Angola Puta e Matem o Gaju

Isto é hardcore ao mais alto nível, como já não se ouvia desde o tempo dos Filhos da Ala Este.
Muito respeito pela bravura destes rapazes de Cacuaco.

Este tema é uma narração dos factos ocorridos no dia 3 de Setembro de 2011 e uma maneira de assinalar o aniversário dessa fatídica data, na qual o regime perdeu finalmente o temperamento e resolver passar para a contra-ofensiva, punindo barbaramente os jovens que contestam o seu poder e a sua figura-de-proa, o Rei Presidente, Juzé JES’us.



Isto foi antes de haver um MR, antes de denominações, oficializações ou estatutos, antes das diferenças se tornarem desavenças, antes das acusações, das cessessões e animosidades. Sem saudosismos, apenas com muito carinho pelas memórias dos momentos que partilhámos e um declarado desejo que, na falta de podermos caminhar de mãos dadas, que cada um encontre o seu caminho sem inviabilizar o do outro, pois o fim que buscamos é partilhado.

O sample é da música “Milhorró” dos Kiezos, tema que serviu para mandar embora o velho colono e utilizado agora com o mesmo fim!

Sem grande pompa, na circunstância dos 2 anos sobre a data em que tudo se passou, aqui fica o primeiro tema informal da Central Angola.

Não se vende. Não se compra. Descarrega-se. Reutiliza-se.

Se quiseres fazer uma nova letra, referente a outro facto, pede o instrumental.

O mp3 pode ser baixado aqui

Em Angola não há um género musical na atualidade que faça mais honra à memória da música angolana de intervenção social dos anos 60/70 do que o hip hop. Se outrora se musicava a angolanidade que ia do folclore à condição social de colonizado, hoje em dia, alguns
rappers mantêm-se fiéis a esse espírito, e o que perdem pelo parco uso das línguas nacionais, compensam no facto de chamar os bois pelos nomes abdicando de metáforas para identificar o neo-colono que agravou ainda mais a condição social do “libertado”.

Desta vez escolhemos um tema de mixtape de um grupo do Sumbe, Kwanza-Sul, chamado Jaula, composto por 3 MC’s. O tema intitula-se pertinentemente “Viva a Revolução” e começa com um excerto do infâme discurso de abertura da reunião do CC do MPLA proferido pelo seu patrono JES e segue com um refrão poderoso:

“Zéduardo se retira, leva toda tua família.

Ditadores, vão-se embora, essa terra não é vossa.

Liberdade para todos, mais respeito com o meu povo”

Boa escuta.

Devemos começar a destacar algumas figuras que pelo seu carácter e postura rectilínea não irão ter muitas portas abertas para si. A maior parte dos artistas receia as represálias que poderá sofrer abrindo-se acerca das suas opiniões acerca de assuntos sensíveis que podem sempre ferir sensibilidades.

Sabendo que estes artistas não têm espaço na rádio e muito menos nos palcos do patrocinador da juventude e chefe miliciano Bento Kangamba, e tendo em conta que não é por falta de talento, tentaremos de quando em vez fazer-lhes pequenas e simbólicas homenagens como esta no nosso humilde cantinho cibernético.

Vamos partilhar dois vídeos do Sanguinário, contendo as duas músicas uma grande carga emocional abordando com bravura e atitude dois temas tabús tanto na nossa música como na nossa sociedade: política e religião. Os dois extraordinariamente produzidos por um talento bruto chamado Kallisto.

No entanto, iremos destacar a primeira, sublinhando algumas das citações que a marcam. O tema intitula-se “Deixem-nos em Paz” e inspirou um slogan que se vem formando desde a última manifestação a 30 de Março de 2013 e que estava tanto no artigo que a anunciava como no panfleto que depois foi produzido para distribuição. Eis algumas citações:

“É o meu filho que morreu por negligência médica. Não se vive do salário, que se foda a ética!”

“Calar é consentir e eu não calo, mando lixar a profissão que exerço e falo! Venham insultos e ameaças eu não me abalo. Há um segredo por trás da cortina vou revelá-lo.”

“Deixem-nos em paz, somos só 20%”

“Justiça parcial? Isso é ditadura!”

“Queremos algo para além da roupa que vestimos”

“Talvez um dia eu seja expulso, mas até lá, eu não mudo o meu discurso!”

Senhoras e senhores: Sanguinário!

 

A mentalidade fossilizada da obediência doentia a uma suposta “ordem superior” não irá, como que por um golpe de magia, desvanecer-se enquanto as mesmas pessoas que foram formatadas para obstaculizar o “adverso”, o “do contra”, o “dissonante” se mantenham como titulares de cargos com poder de decisão.

Infelizmente, por força da experiência repetida, temos de aplicar aqui o ditado fatalista que diz:”pau que nasce torto, nunca se endireita”. Para essas pessoas, pouco importa que o cidadão cumpra com escrupuloso rigor com as leis da República, que escreva todas as cartas, peça (e adquira) autorização deste mundo e o outro, tenha transtornos financeiros que nunca, ninguém se propõe indemnizar, jamais deverá este cidadão auferir dos direitos que lhe são conferidos pela atípica Constituição, pois esses direitos ferem a sensibilidade dos que os aprovaram para “fazer bonito”, para saírem bem na fotografia, para aparentar vontade explicita de se democratizarem os hábitos sociais.

No dia 30 de Março, a mesma data da nossa manifestação (mais uma vez) abortada pela já habitual violência policial redundando em porretes, bofetadas, pontapés nos testículos e detenções ilegais, em Benguela, um grupo de Hip Hop chamado Família Eterna, tentava levar a cabo um evento que celebraria os seus 10 anos de existência e para o qual procederam a todos os a priori impostos pela lei pre-histórica, com autorizações carimbadas pela cultura, pela polícia e pela administração local, como se pode comprovar nas imagens aqui disponibilizadas.

O que pode levar as autoridades a reverter um parecer anterior e, à margem de qualquer critério legal, tentar impedir a realização de um evento no próprio dia em que este deveria ter lugar? Que nomes são esses que ao aparecer no ecrã do telefone fazem mais-velhos, pais-de-família, hiperventilar de pânico e embrulharem-se completamente com actos que contrariam todas as formações que já receberam?

Segundo o testemunho do Fábio, um dos organizadores do evento cujo nome se pode ver na documentação aqui disponibilizada, foi ao aperceberem-se que o MCK seria o convidado de honra do evento que lhes terá disparado o alarme arrepiante da auto-censura e terão tentado corrigir o tiro, pressionando psicologicamente a organização a abortar o evento e, mais engraçado, a inventar “uma desculpa qualquer” para o justificar perante a opinião pública, ao pé da qual a sua credibilidade ficaria mordiscada. “Sobretudo não dizer nada ao MCK”. Esses mais-velhos perderam totalmente o juízo.

Ainda segundo o Fábio, uma vez no escritório do comandante Ndalu, por quem terá sido convocado, uma enxurrada de questões acerca do recém-premiado do Festival Nacional da Canção se seguiu, ao ponto de, na dúvida acerca do conteúdo temático das letras deste último, o comandante ter baixado a ordem a um subordinado hierárquico que se deslocasse ao local onde estaria a decorrer a venda do “Proibido Ouvir Isto”, adquirisse uma cópia e se pusesse a escutá-la in loco, comunicando a par-e-passo o que estivesse a ouvir. O agente não terá superado a faixa introdutória e já o comandante levava as mãos à cabeça alarmado:”não pode ser, esse indivíduo não pode cantar, não estamos autorizados a ter músicos que cantam contra o governo!”.

A resistência à intimidação fez com que outro tipo de estratégia, mais agressiva, fosse colocada em marcha: desde visitas ostensivas de agentes à paisana ao local do evento, desencorajamento de permanência de quem se aproximasse com intuito de adquirir bilhete, visita inusitada do soba e ainda uma campanha de desinformação executada utilizando o serviço de SMS de uma das operadoras nacionais, em tom alarmante, advertia a população a não ir ao evento pois “algo de mau irá acontecer”. Para coroar tudo isto, um corte de energia foi encomendado quando o evento já decorria.
Ameaça mal disfarçada de conselho. O visado tentou ligar para o remetente, mas o número estava desligado.

Ameaça mal disfarçada de conselho. O visado tentou ligar para o remetente, mas o número estava desligado.

Os rapazes foram firmes e resolutos, levando em frente a sua intenção de realização do evento que tão cuidadosamente prepararam, não abdicando de nenhum dos pormenores previstos inicialmente, incluindo a participação do MCK que acabou por cantar o dobro daquilo para o que tinha sido contratado, em sinal de reconhecimento tanto pela organização, como pela brava plateia de (à volta de) 80 almas, que apesar dos alertas, não quiseram perder um evento que é raro para os amantes de Hip Hop consciente na terra das acácias rubras.

As consequências da sua “afronta” à ordem superior e arbitrária já começaram a fazer-se sentir e o pequeno espaço de 30 minutos semanais que lhes era cedido na Radio Morena, lhes foi retirado mas, claro está, de maneira amigável, sem celeuma, sem ressentimentos pois, afinal de contas, coitado do “dono do programa” que receia agora ter qualquer tipo de associação a esta juventude desobediente, não vá ele, por seu turno, perder tão pequena “benesse” como um inofensivo programa de rádio.

Para download gratuito, a banda dispensou uma das suas novas faixas intitulada “10 anos de irmandade“, no qual abordam justamente o assunto aqui relatado.

Só mais um episódio entre milhares no país do revanchismo, protagonizado pelos mesmos dinossauros políticos que recusam aperceber-se que essas práticas já não têm lugar numa Angola democrática e seguem, envergonhando o país perante o mundo, ao mesmo tempo que impingem por força de discursos exemplos que nunca lhe deram.

Luaty Beirão

FAMILIA ETERNA Autorizacao da Rep. Cultura FAMILIA ETERNA Autorizacao do Comando da Policia  FAMILIA ETERNA Parecer da Adm. da ZonaFAMILIA ETERNA Declaracao de Cedencia do Recinto

E como aqui na Central respiramos música de qualidade, aqui vai o mais recente som do mano Azagaia, o nosso irmão moçambicano. Está brutal! Que se substitua Moçambique por Angola na letra deste rap, porque as realidades são as mesmas!

O texto que se segue foi-nos enviado pelo nosso irmão Katrogipolongopongo. Ele está a tornar públicas algumas das suas resoluções para 2013. Vamos ser público e cobrar-lhe isso ao longo do ano, fazer com que se vincule mais ao movimento cívico, que lhe traga as suas ideias, que lhe acrescente as suas pinceladas, que o cante, que continue a transportá-lo nas suas entrevistas (como tem feito questão de fazer ao longo do último ano e meio). O mano sozinho já é um movimento e, no futuro, merecerá um monumento, mas vamos tentar fundir as sinergias e trabalhar mais em consonância. Fiquem com os votos dele:
Mc-Katrogi
“Pausa laboral e académica, logo, mais tempo para o Rapper e Activista Cívico.
Estou neste momento a elaborar o meu plano anual, e estou convicto que as coisas só acontecem quando corremos atrás delas, por isto, não quero ficar no pensamento apenas, também quero falar… Não quero falar apenas, também quero agir… Não quero agir apenas também quero exigir… Não quero exigir apenas também quero servir… Não quero servir apenas também quero dirigir…
Não é justo sermos conduzidos por um “Nduta” sem ideias, que a uns dá Casa no Kilamba e aos outros dá pancada no largo da ” independência”!
Queres dar um Show?  O Executivo não permite!
Queres dar palestra? A Policia não Admite!
Será que somos todos obrigados a consumir discursos e músicas, de Bajuladores e Filhotes da Elite?
Já imaginaram um Show do Proibido Ouvir  na rua? ( risos)
Viva a internet! Aqui só brilha quem sabe mesmo.
Em 2013, não quero apenas Talatona…
Em 2013, eu quero mais água, pão, luz e liberdade para o meu povo,
Feliz ano novo.
MCK, o Cadáver Andante”
Façam download do tema “Cadáver Andante” (mais um “bate os 5″ ao Gabriel né?) neste site.

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