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Magno MagnoJuventude é a fase da vida onde a pessoa acerta as suas realizações com vista aquilo que será a sua imagem como jovem-adulto, adulto e depois velho.

Aqui em Angola, pode ser que tenha outro significado, pois o Estado vive à lés dos jovens e não esconde o medo que tem destes. Basta ver o que é feito contra os jovens que se manifestam e contra todo e qualquer jovem que ouse mostrar que tem uma mente própria. Dado o abandono, cada jovem procura o que fazer para poder sustentar as suas apetências e, às vezes, até o que fazer para poder sustentar a própria família.

Fiquei a saber que neste exato momento 67 angolanos definham em cadeias brasileiras devido ao tráfico de drogas. Apenas pelo tráfico, para já. E que em quase todos os voos do Brasil para Angola há no mínimo um angolano preso por causa desta bodega… O que surpreende é que são na maioria jovens e na faixa entre 18 e 25 anos de idade… enfim.

Tumba Esperança Muanda (Turância para alguns e Mamy para outros), 20 anos de idade., viajou para o Brasil no passado dia 17 de Agosto e no dia 24, quando já se dirigia para a porta do avião para embarcar no vôo de regresso à Luanda: záaaaaaaaas! Foi presa, porque encontraram na sua mala 4,14 kilos da mais pura cocaína!

Desde esse dia, até hoje, a família e os amigos não mais tiveram contacto com ela. Graças a diligências de pessoas de bem e um artigo encontrado online, ficou-se a saber que ela está nesta situação.

O Estado foi notificado por via de carta enviada pela família ao Ministério das Relações Exteriores e espera que este ajude.

Quem sabe desta vez o Estado angolano se digne em mostrar preocupação com tantos angolanos presos nas masmorras brasileiras, onde se conhecem casos de gente que fez de 12 a 20 anos por estes motivos.

Era bom tentar investigar um pouco, saber que acordos existem com relação a extradição de ambos os lados e quantos brasileiros estarão presos aqui em Angola.

De qualquer forma, o último caso de que temos conhecimento  é o da Turância, e com este veremos o quanto o Estado angolano se importa ou não, tanto com os seus cidadãos, como também com a juventude que por não ser bem cuidada acaba sendo aliciada com coisas deste tipo.

Para mim, a Turância não é a vilã, é apenas uma vítima. Vítima de algo que muitos de nós não entende nem sabe onde começou. Vítima do abandono a que a juventude é votada e vítima da falta de política juvenil do Estado. Vítima de alguém que decidiu aliciar uma jovem de 20 anos para o tráfico de drogas…enfim, vítima da falta de Angola. A Angola que todos nós lutamos e nós batemos para que exista.

Vou continuar aqui, na Angola esquecida a espera que o Estado me prove que vai levantar um palha para libertar os 60 e tal angolanos, portanto abandonados nas masmorras brasileiras.

Por Magno Magno

Nuno Alvaro Dala

“Se quem tem poder nega a tua liberdade, então o único caminho para a liberdade é o poder.” (Nelson Mandela)

Há três anos surgiram no cenário político angolano novos actores: os jovens revús, assim chamados no linguajar angolano para designar/definir os jovens activistas cívicos que têm realizado várias actividades cívico-sociais, como as manifestações no sentido da mudança do quadro político e social em Angola. As mesmas – a título de exemplo – têm consistido em exigir que o Presidente da República abandone o cargo, que haja efectiva liberdade de expressão e de imprensa em Angola, que as autoridades respeitem a dignidade de cidadãos como os vendedores de rua e zungueiros e que os direitos dos professores sejam salvaguardados ao contrário do que tem ocorrido em províncias como a Huila, em que o Governo Provincial tem reagido desastrosamente mal à greve dos professores.

Possuidores de uma coragem que a maioria dos angolanos não tem, os jovens revús – ao contrário de observações crítico-destrutivistas, que os remetem a meros instrumentos de agentes internos e externos que alegadamente conspiram contra Angola – tais jovens demonstram afinal possuírem um pensamento politico próprio segundo o qual – entre outras coisas -: (1) O Presidente da República, no poder a caminho de 35 anos, [já] é o principal obstáculo à realização política, social e cultural dos angolanos e, como tal, DEVE ABANDONAR O CARGO; (2) Há em Angola uma ditadura traduzida numa governação mafiosa assente na adulação/idolatria do PR, na depredação do erário publico, no nepotismo, na violação grosseira da Constituição, na corrupção e no assassinato de cidadãos contestatários ao regime, etc.; (3) A mudança em Angola já não é possível por meio de eleições, mas SIM PELA CONTÍNUA CONTESTAÇÃO POLÍTICA NAS RUAS e PELA DESOBEDIÊNCIA CIVIL, pois – além de não haver oposição política credível em Angola – as eleições são uma encenação politica “para inglês ver”, um mero instrumento de manutenção do regime de José Eduardo dos Santos…etc.

Este quadro de percepção política repousa sobre uma conjuntura em que as exigências dos jovens são essencialmente sociais. Mas as mesmas abarcam o campo político pela politização de que o estado angolano é também vitima. A falta de separação de poderes e a sobreposição do poder político a todos outros poderes fê-los enveredar para este campo também. No primeiro draft elaborado por eles (mas ainda não publicado) para tentar colocar por escrito o que são ou o que eles pretendem, eis o que se pode ler nalgumas passagens do documento: “Somos uma diversidade de jovens de vários estratos sociais, cores e credos, unidos em torno de uma causa, luta e propósito, o mesmo que é alegado por movimentos análogos por este mundo fora e que se pode resumir no discurso populista com a frase: ‘queremos deixar o mundo um sítio melhor para se viver do que aquele que encontramos’. Vemo-nos como parte integrante de um movimento social global, um movimento constituído por uma multitude de campos e formas de acção que, não sendo sempre compatíveis e concordantes, apontam, regra geral, no mesmo sentido: resgate do poder das mãos da classe política cada vez mais desconectada dos governados, para estruturas a nível mais local que possam tomar parte das decisões de como gerir os seus próprios problemas. A nossa humilde parcela nesse movimento escolheu deliberadamente ser apócrifa, desburocratizada, sem regras explícitas, obrigações, estrutura hierárquica, firme no credo de que existe ordem no caos se nos dermos ao trabalho de organizá-lo com carinho. (…). As nossas acções orientam-se fundamentalmente no seguinte: a) Promoção de uma cidadania activa, participativa e atuante. – Combate às injustiças e assimetrias sociais; b) Construção do estado mais próximo do ideal democrático; c) Elevação da consciência social critica; d) Combate à ditaduras, tiranias e outras formas de governos repressivos; e) Promoção e defesa das liberdades e direitos fundamentais; g) Informação, Formação e Participação; h) Independência política, económica e governativa; i) Estudos, pesquisa cientifica e tecnologias de informação; j) Ensino libertador. Regemo-nos pela lógica ‘Vários povos, uma só nação’”.

Estas posições nos permitem inferir que os jovens revús são cidadãos cuja acçao política é regida por um pensamento político próprio que se pauta pela “salvação de Angola”. Consideram que Angola está sequestrada pelo regime que a tem (des)governado desde 1975 e que, cientes da realidade actual, é necessário que os próprios angolanos levem à cabo toda uma luta política que resulte no fim do regime eduardino e no estabelecimento de um verdadeiro estado democrático e de direito, de realização do cidadão.

Embora sejam frequentemente designados como “jovens do Movimento Revolucionário”, a verdade, porém, há actualmente duas grupos. Por um lado temos aqueles continuam sem aparato estrutural organizacional – estes não estão num tal movimento revolucionário estruturado e organizado, no qual os jovens estejam integrados e sigam uma lógica de militante de partido ou organização política que visa o poder. Por outro lado – porém – em Maio de 2013, um grupo de jovens decidiu oficializar-se como Movimento Revolucionário, com uma estrutura colegial, estatuto e outros aspectos próprios de movimentos estruturados.

Os jovens revús da outra franja têm mantido a visão que foi espelhada anteriormente e – como já explicado -, o que fazem é na verdade parte de um movimento global, é a nova visão social para as políticas governativas e participação do cidadão. Estes jovens – de ambos os “lados” -, porém, nãos nos se vêm como rivais; antes pelo contrário, se vêm como complementares, sendo que estão apenas em plataformas de actuação diferentes.

De facto, há várias tendências na juventude revú, desde as mais radicais até aquelas que consideram que pouco a pouco, fruto de constantes movimentações contestatárias, as mudanças acabarão por ocorrer em Angola. Num extremo, há aqueles que consideram que o caminho para libertar Angola do regime eduardino é a insurreição popular, ao estilo da Primavera Árabe; no outro extremo há aqueles que consideram que o regime deve chegar ao fim pelos meios consagrados na Constituição, mas com recurso a pressão popular constante.

Ora, neste texto não pretendemos fazer juízo de valor no sentido de aprovar esta ou aquela posição. Nosso propósito discursivo visa trazer à luz do dia o facto indesmentível de que – independentemente das diversas opiniões – OS JOVENS REVÚS POSSUEM UM PENSAMENTO POLÍTICO PRÓPRIO, que evidencia o facto de que SÃO JOVENS PREOCUPADOS COM O PAÍS, que não se limitam a observar e queixar-se do estado do país, mas que vão à luta, tal como o fizeram os jovens angolanos que há várias décadas entraram na luta política e militar de libertação de Angola do regime colonial português, o qual tratava os angolanos como seres humanos de quinta categoria, em sua própria terra.

A leitura política dos jovens revús é de que, se no passado, jovens de diversos estratos sociais deram o seu melhor pela independência de Angola – muitos dos quais tendo morrido por via disso -, então hoje os filhos e netos de tais nacionalistas devem agora libertar Angola do regime mafioso que transformou Angola na sua quinta e remeteu os seus cidadãos no debalde geral.

De acordo ainda com esta leitura, há 60 ou 50 anos, parecia praticamente impossível Angola estar livre do colonialismo português. E os jovens que entravam na luta, uns por sua conta e risco e outros por via dos vários movimentos pró-independência, sabiam que não seria fácil tal empreitada de libertar Angola do regime colonial.

Ora, Angola finalmente se tornou independente em 1975, mas – fruto da imposição de uma agenda diferente daquela pela qual os angolanos se construiriam como Nação e como estado, veio a guerra. As narrativas do regime do MPLA passaram a inculcar nos angolanos que o único culpado pela guerra e “inimigo do povo” era Jonas Savimbi, retratado na música de David Zé como “Kifumbe”, palavra Kimbundu que significa “assassino”, “homicida”, etc. Servindo-se do sistema educativo e de outras estruturas de poder, o regime inculcou na mente de milhões de angolanos a ideia de que Savimbi era o tal “Kifumbe”, o delinquente e único responsável pela guerra e outros males. Cerca de vinte e sete anos depois, em Fevereiro de 2002 Savimbi morreu em combate, e sua morte foi celebrada efusivamente por milhões de angolanos. Afinal, o “Kifumbe”, o suposto culpado por todos os males de Angola, estava morto!

Se é verdade que um país não é totalmente reconstruível em 10 ou 12 anos, também é verdade que durante este tempo de paz, milhões de angolanos passaram a perceber a realidade que a lavagem cerebral de muitos anos escondia: afinal, em primeiro lugar, para haver guerra tem de haver no mínimo duas partes em conflito; assim sendo, “a culpa é de todos nós” e a guerra não foi o único mal da Angola independente. A opção marxista-leninista do regime que tomou o poder em 1975 assim como o seu nepotismo, a depredação do erário publico, a violação grosseira da Constituição e a corrupção não eram da responsabilidade de Jonas Savimbi. Aliás, nem Jonas Savimbi nem Holden Roberto tiveram algo a ver com o assassinato de milhares e milhares de angolanos nos fatídicos acontecimentos de 27 de Maio de 1977. Nem foram eles que assassinaram Ricardo de Melo, Simão Roberto, Mfulupinga Landu Víctor ou Isaías Cassule e Alves Kamulingue!

Os angolanos lúcidos agora sabem que é o regime no poder que é responsável pela situação actual. E se quisermos apenas contar o período pós-2002, fica impossível enxergar outro culpado responsável pelo estado em que Angola se encontra. É preciso salvar Angola!

Quem salvará Angola? Ora, os jovens revús consideram que são os próprios angolanos que devem salvar sua pátria, e que “ficar só a ver” é cobardia do maior tamanho. Compreendem que, tal como diz um ditado: “Se o teu chefe ergue sua mão e enfia seu dedo no teu olho, tu também és cúmplice dele em fazer mal a ti mesmo”!

Os jovens revús demonstram ser verdadeiros patriotas, angolanos lúcidos que se recusam a aceitar os termos desta Pax Eduardensis.

Assim, numa altura em que milhões de angolanos ainda continuam sob anestesia geral, é necessário perceber que “O Menino Deve Sim Falar Política” – deve ajudar a salvar Angola!

 

Por Nuno Álvaro Dala

 

 

 

 

MVP o Papoite

A captura de mais uma dezena de jovens angolanos pela polícia, desta vez por assumirem a sua solidariedade para com professores em luta na Huíla, revela, mais uma vez, que a nossa juventude precisa – e como! – de quem goste dela, sem ser para sacrifícios piores do que parecia estar destinado a Isaac, filho de Abraão.

Diz o dito popular que “quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.” E veste pele de lobo, tão bem assente como o mais caro dos seus smokings, o poder instituído que, dantes, acumulou, a meias, as medalhas da monstruosa guerra civil, onde ambos os contendores não olhavam a meios para a luta de poder, mobilizando coercivamente jovens para a morte. Medalhas acrescidas do holocausto dos idos 70. Galões dos esquemas que criaram a classe, por cima da dos órfãos, das viúvas e dos mutilados de guerra, dos bilionários de guerra. Esquemas esses que alicerçaram a lógica do “salve-se quem puder”, transformando Angola jovem numa legião de bufarinheiros em que se vende e compra bugigangas ao vizinho, sem perspectivas claras de formação e de trabalho.

Com um sorriso farisaico nos lábios, os muatas dizem àcerca disto: “O angolano é desenrascado!”

Alanzoam igualmente aos quatro ventos que a contestação juvenil vem de meninos cábulas que não tiram boas notas, desdenhando do facto de as causas dos protestos estarem na luta pelo passe social ou por mudanças profundas na ordem política.

Os jovens capturados perto do Ministério da Educação, como não davam azo a nenhuma acusação plausível, foram mais uma vez um alvo de sequestro-relâmpago para abandono em lugar ermo.

Ao mesmo tempo, pairava e ainda paira hoje a ameaça de despedimento de milhares de jovens professores, que ainda estão debaixo de regime probatório como funcionários, pois têm menos de 5 anos ao serviço do Ensino Público. Se a ameaça se efectivar, não será pela avaliação da qualidade do seu desempenho, como prevê a lei. Será – isso sim- como retaliação a uma defesa de direitos que passou pelo recurso legal à greve.

Todas estas realidades revelam a política anti-juvenil do regime, para quem jovens exemplares são somente os ociosos e apaparicados moços moças do “Big Brother” Esses, sim, gozam de toda a notoriedade e destaque público, como se a sua postura alienada e alienante fosse a trave mestra de um sistema educacional a seguir.

Chefias, é esse o relacionamento que pretendem manter com a juventude angolana? Com todo o respeito, ponham a mão na consciência e, depois, lavem-na com água e sabão, como o Pedrito do Bié, não como o (de má memória) Pôncio Pilatos!

Manuel Victória Pereira

 

Tesla 01

Com este princípio de energia magnética podemos fácilmente alimentar cidades, motores,veículos de electricidade livre, sem-fios e gratuita!

A instalação de estações eléctricas à volta do país, baseadas neste princípio, não requer fundos mais elevados que o salário anual do presidente ou dos ministros de Angola.

Sabem, a tecnologia tem soluções gratuitas para a maior parte dos problemas mundiais (alimentação, saúde, educação, habitação, comunicação, corrupção, transporte, lixo, pobreza, doença, aquecimento global e criminalidade), de tal modo que nos é possivel criar uma sociedade na qual somente se trabalharia 3 horas por dia em trabalhos que realmente contribuiriam para o bem-estar da sociedade e isso nos bastaria. O resto do tempo livre seria preenchido por nós mesmos e conforme nos conviesse.

O cientista croata (na altura parte do Império Austríaco) Nikolas Tesla, para além dos avanços tecnológicos bem conhecidos no campo do eletromagnetismo com que “transformou” o mundo, Tesla “descobriu” também uma forma de criar energia a partir “do nada”, tendo resultados comprovados já depois de ter sido considerado louco pela comunidade científica, ficando com o banqueiro como JP Morgan como único aliado. Este, no entanto, apercebendo-se das implicações e dos lobbies que seriam afetados pela perda do monopólio da energia, puxou-lhe também o tapete, deixando Tesla sem ter como financiar as suas pesquisas e morrendo na indigência.

Tesla 02

Infelizmente, os políticos não querem liberar tecnologias limpas e gratuitas, nem querem que a comunidade não-científica se aperceba da existência dessas tecnologias e sua facilidade de implementação, pois elas liberam o povo e um povo livre é um povo inteligente e que exige satisfações de seus governantes:

  1. Como se explica o predominante (ab)uso de geradores eléctricos em Angola e a contínua falta de água potável? Tudo isso é rápidamente solucionável e gratuitamente implementável, só não o fazem por ganância e incompetência crónica!
  2. Como se explica a prevalente elevada taxa de mortalidade infantil? E porquê que criminalidade está a ser resolvida com repressão?
  3. Porquê que os jovens manifestantes são apreendidos e levados pro Caxito com risco de não mais voltarem, tal e qual Kamulingue, Cassule e muitos outros cuja a identidade e os motivos nos são desconhecidos.

Possivelmente me dirás que ”Angola é memo assim”, e é verdade, mas é assim que queremos continuar tendo em conta o vasto potencial que temos? É neste clima social que queremos educar nossos filhos? Ainda não tenho filhos mas, por amor a eles, esta situação me inquieta.

Temos que exigir melhorias para todos Angolanos e não somente para um grupinho de amigos de longa caminhada, porque Angola é de todos Angolanos. Eles tornaram o governar do país num Kudissanga kwa makamba (reencoontro, sentada de amigos/kambas).

O futuro do país está ameaçado e seus cidadãos estão a ser iludidos enquanto são sistematicamente vendidos/roubados, tal e qual se passou no tempo da escravatura. Se esta onda continuar, iremos acabar de joelhos que nem Portugal, que agora tornou-se uma colónia e é submetida a constantes desrespeitos de soberania apartir da comunidade Europeia.

Portugal não tem programa próprio, o programa lhes é imposto, porque outrora seus governantes roubaram sem dar satisfações e o povo, como sempre, é o que mais sofre. E este mesmo grupo de empresários que colocou Portugal na falência é o grupo que agora está a inundar o mercado empresarial Angolano com o apoio dos governantes. Anunciar na tv que se vai cortar relações com Portugal sem sequer explicar os motivos parece-me mais uma boa fachada e acho desnecessário/estúpido cortar relações com qualquer que seja o país de expressão portuguesa.

P.S: Este princípio de tecnologia já tivera sido aplicado nas Pirâmides do antigo Egipto e acredita-se que nossos ancestrais no Egipto (naquela altura o Egipto não era constituido por Árabes, mas sim por negros provenientes do lugar que hoje é o Sudão) já usavam electricidade sem-fio. Parece que nossas sociedades não desenvolveram assim tanto como outrora pensáramos. O estado actual das sociedades prova que não estamos a evoluir, pelo contrário, estamos em declínio ou mesmo à beira de uma queda-livre e os culpados são os dirigentes… Sei que esta crónica me vai causar problemas. Que assim seja, porque de qualquer das formas havemos de resolvê-los! O mais estúpido nisto tudo é ter medo.

 Por David Lau

Tigres de Papel…

Há mais de três anos que acontecem manifestações abortadas em Luanda, desde o fatídico dia 7 de Março de 2011.

Há mais de três anos que a polícia e as forças de segurança do estado abortam ilegalmente estas manifestações, muitas vezes antes mesmo delas iniciarem.

Que os jovens manifestantes seriam presos e espancados ontem, já não é novidade. Chegamos ao ponto como sociedade que tais prisões e espancamentos extra-judiciais são normais. “Business as usual”, como diriam os ingleses.

É que entramos num ciclo perfeitamente previsível:

  1. Jovens convocam manifestação seguindo todos os tramites legais com base num direito constitucionalmente consagrado;
  2. Governo Provincial e Polícia Nacional ignoram a convocatória;
  3. Serviços de Inteligência do Estado iniciam campanha para descredibilizar promotores da manifestação e semear o medo junto da população,
  4. Policia anti-motim e outros serviços de segurança inviabilizam acesso ao Largo da Independência, prendem e agridem fisicamente os manifestantes e abortam a manifestação.

Desta vez nem a Polícia nem o Governo Provincial ou Central se deram ao luxo de explicar as suas acções. A população já está habituada. E ainda bem: vemos com os nossos próprios olhos que o céu é azul e depois no Telejornal dizem-nos que o céu é verde. Pelo menos desta vez pouparam-nos com os insultos à nossa inteligência.

Como sempre acontece, as notícias sobre a falta de liberdade em Angola correm o mundo logo a seguir a estes acontecimentos e este episódio não foi excepção. Bloomberg e DW foram dos primeiros a noticiar o caso.

Gastam-se mais umas dezenas de milhões de dólares do erário público com lobbies internacionais e comissões de imagem do executivo e abafam-se estes casos.

Que as autoridades são extremamente míopes com estas reacções musculadas já é sabido. Mas mais interessante ainda é analisar a actuação dos jovens manifestantes.

Muitas das vezes, são sempre as mesmas caras que aparecem. As mesmas pessoas que já foram espancadas em manifestações passadas e já sofreram encarcerações, invasões ilegais de domicílio, tortura, fome, e intimidações diversas, entre outras barbaridades, escusam-se em desistir.

Até Nito Alves, um puto franzino de 18 anos que foi ilegalmente encarcerado quando ainda era menor de idade e submetido a tratos deshumanos é dos primeiros na linha da frente. Ou seja, o regime, com os seus carros blindados, tanques de água, cães, polícias e prisões já nem sequer intimida uma criança.

Chegamos ao ponto em que o governo mobiliza forças, fecha o acesso ao largo mais importante da cidade e cria uma espécie de estado de sítio por causa de um bando de 20, 30 jovens nos seus 20, 25 anos. É como se a selecção sub-20 de Angola, essa que perdeu contra o Lesoto para o acesso ao CAN, fizesse parar uma cidade por algumas horas para simplesmente gritas algumas palavras de ordem no Largo.

Ou seja, a juventude está a perder o medo.

E cada vez que as autoridades actuam desta forma, mais os jovens vão perdendo o medo.

Porque já viram que estão numa situação win-win. Se o governo os ignora e a manifestação segue em frente, têm um palco onde podem fazer ouvir as suas reivindicações. Se não, causam notícias na imprensa nacional e internacional e somam mais pontos junto a sociedade com a sua bravura. E vão destapando os podres do regime.

A imagem de homens grandes e fortemente armados apoiados por um belicoso aparato policial para prenderem uma equipa juvenil de futebol é ridícula. E hilariante, não fossem as sessões de tortura com gás lacrimogénio e pimenta e os espancamentos a homens de 60 anos.

Tigres de papel…

-Cláudio Silva

Quem é o Culpado?

Posted: May 15, 2014 in A Voz do Povo, Opinião
Será que se tudo fosse o inverso não teríamos um País com uma juventude melhor?

 

Cerveja – 50 kz
Agua – 100 kz
Depois dizem
que os jovens são bêbados

 

Cigarro – 10 kz
Lápis – 50 kz
Depois dizem que as crianças fumam muito e são analfabetas

 

Ravs do Colã xuxuado – 1000 kz

Show religioso- 3500 kz

Depois dizem que os jovens são mundanos

 

Liamba – 100kz
Livro – 3000

Depois dizem que os jovem são Liambeiros

 

Carta de pedido – 1000 USD
Prostitutas na esquina – chupada – 500kz
- 2000 kz trabalho completo

Depois dizem que os jovens são malandros

 

Whisky the Best – 50 Akz

Sumo compal – 250 ou 320 Akz

Depois insistem em dizer que a juventude esta estragada

 

Iphone novo – 700 Usd- 800 Usd ate 1000 USD

Desbloquear iphone roubado nos Congoleses(vulgo Congolenses) 5000 Akz

Depois dizem que esses jovens são gatunos

 

Discoteca Don Q entrada  3000 Akz 4 Bebidas

Maratona entrada livre e 3 cucas a 100 Akz

Depois vão falar mais o quê então???

 

Luanda mais de 28 Discotecas e Bares

Luanda menos  de 8 Bibliotecas

Depois continuam a dizer, esses jovens só há desbunda na vida deles…

 

Motorizada Jog – 500 USD

Bicicleta Montana – 1000 USD

Ainda dizem que os jovens de mota são gatunos

 

Mensalidade nas Universidades – 300 /400 USD

Se o salário mínimo são 300 USD

E dizem que não temos pessoal qualificado, salário não chega para pagar a (Faculdade) como vamos nos qualificar?

 

Angolano formado ou não nas empresas o salario é < 1000 USD

Estrangeiro com as mesmas qualificações,se calhar piores, fazendo o mesmo trabalho, salário > 6000 USD

Mas estou em dúvida, afinal de contas, de quem é a Culpa???

 

é melhor não continuar…!

Autor Desconhecido (chegou até nós numa corrente de emails)

Inclusão

Já me tinha proposto a escrever algumas linhazitas à volta deste assunto, há uns meses cheguei mesmo a prometê-lo à amiga Amor de Fátima, na sequência de uma campanha por ela lançada, a favor de alguém com limitações físicas que precisava de uma cadeira de rodas motorizada. Na altura, falava-se sobre a campanha, na Rede Social Facebook, e foram usadas expressões referindo-se ao jovem alvo da campanha, contras as quais me insurgi, e a amiga acimada referida retorquiu, mais ou menos nos seguintes termos: “então, Adão, que expressões têm de ser usadas, quando nos referimos a estas pessoas”? Foi então que ficou reforçada a ideia que já tinha de trazer algum subsídio sobre a matéria em apreço, uma preocupação partilhada pelo meu amigo Will Bento Tonet.

Eu penso que usar certas expressões, não é apenas uma questão de semântica ou de quem as vier a ouvir ou ler entenderá “bota” ou “sapato”, se quisermos comunicar construtivamente e de modo inclusivo, sobretudo quando se tratam de assuntos de caris humano. A forma correcta de se dizer é especialmente importante, quando se abordam assuntos eivados de preconceitos, estigmas ou estereótipos, como o caso das chamadas “deficiências”.

As expressões são consideradas correctas em função de valores e conceitos vigentes em cada sociedade e época. Assim, elas passam a ser incorrectas, quando esses valores e conceitos vão sendo substituídos por outros, o que exige o uso de outras palavras. Estas outras palavras podem já existir na língua falada e escrita, mas, neste caso, passam a ter novos significados. Ou são construídas especificamente para designar conceitos novos. O maior problema decorrente do uso de termos incorrectos reside no facto dos conceitos obsoletos, as ideias equivocadas ou as informações inexactas serem inadvertidamente reforçados.

Este facto pode ser a razão pela qual algumas pessoas demoram em mudar seus comportamentos e raciocínios, em relação, por exemplo, à situação das pessoas com “deficiência”. O mesmo facto também pode ser responsável pela dificuldade da mudança de paradigmas como o que está a acontecer, por exemplo, na mudança da integração para a inclusão.

Este é um assunto de grande importância, ao qual quase ninguém presta atenção no nosso país, nem mesmo os ditos activistas, que se batem pelos “direitos dos deficientes físicos”. Sendo que eles próprios auto designam-se “deficientes físicos”, não esperaria que quisessem mais do que a mera “integração dos deficientes”, quais coitaditos a procura de misericórdia, ao ponto de denominarem suas organizações como sendo, “…dos deficientes…” ou mesmo “…para integração dos deficientes”. Grande disparate!

A seguir, trago algumas expressões incorrectas e os equivalentes termos, frases e grafias correctas, visando ajudar a quem necessite de falar ou escrever sobre pessoas com limitações. As expressões incorrectas são ouvidas ou lidas, no dia-a-dia, ditas até por quem tem responsabilidades de Estado, jornalistas, palestrantes, professores, etc.

  1. Pessoa normal

Com o intuito de se referir a alguém, que supostamente, não possua uma “deficiência”, muitas pessoas usam a expressão NORMAL. Isso acontecia no passado, quando o preconceito a respeito de pessoas com “deficiência” eram tão grande que as sociedades acreditavam na NORMALIDADE das pessoas sem “deficiência”. Esta crença fundamentava-se na ideia de que era ANORMAL a pessoa que possuísse uma “deficiência”. A NORMALIDADE, em relação as pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado. TERMOS CORRECTOS: Pessoa sem limitação (física, mental, etc.)

 

  1. Aleijado; defeituoso; deficiente; incapacitado; inválido;

Estes termos eram usados com frequência até à década de 80. A partir de 1981, por influência do Ano Internacional das Pessoas deficientes, começou-se a escrever e falar pela primeira vez a expressão PESSOA DEFICIENTE. O acréscimo da palavra PESSOA, passando o vocábulo DEFICIENTE para a função de adjectivo, foi uma grande novidade na época. No início houve reacções de surpresa e espanto diante da palavra PESSOA. Aos poucos foi sendo usada a expressão PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA, frequentemente reduzida para PORTADOR DE DEFICIÊNCIA. Por volta da metade da década de 90, entrou em uso a expressão PESSOA COM DEFICIÊNCIA, que permanece até hoje. Particularmente acho erradas estas formulações, pois a palavra DEFICIENTE ou DEFICIENCIA tem subjacente a ideia de defeituoso, inútil ou inválido, tal como algo que tem defeito de fabrico, logo se torna arriscado ou inaconselhável contar com ele(a). Portanto, quanto a mim, tratar a alguém como “PORTADOR DE DEFICIÊNCIA” ou “PESSOA COM DEFICIÊNCIA”, é igualmente ofensivo, discriminatório e não inclusivo. TERMO CORRECTO: Pessoa com Limitação (física, mental, auditiva, etc.). Já que limitação todos a temos, nuns mais ou menos acentuados, daí fazer sentido a especificação da Limitação (física, mental, auditiva, etc.), em caso de necessidade.

 

  1. “Apesar de deficiente ele(a) é inteligente, participativo(a), bom, assado(a) e cozido(a), etc. e tal.”

Nesta frase há preconceito: A pessoa tida como deficiente não pode serinteligente, participativo, bom, assado e cozido… . FRASE CORRECTA: “ele(a) tem limitação e é …”, isto se for necessário referência à limitação; regra geral não o é, as pessoas é que gostam de dar destaque ao que acham ser “defeito” dos outros.

 

  1. Cadeiras de rodas eléctricas.

Trata-se de uma cadeira de rodas equipada com um motor. TERMO CORRECTO: cadeira de rodas motorizada.

 

  1. Ceguinho

O diminuitivo ceguinho denota que o “cego” não é tido como uma pessoa completa. TERMO CORRECTO: Pessoa com Limitação visual. Também não concordo com a expressão “INVISUAL”.

 

  1. Turma normal

TERMOS CORRECTOS: turma comum, turma regular. No futuro quando todas as escolas se tornarem inclusivas, bastará o uso da palavra CLASSE, sem adjectiva-las.

 

  1. Criança com necessidades especiais ou excepcionais

TERMOS CORRECTOS: crianças com limitações intelectuais, crianças com limitações mentais. ESPECIAIS OU EXCEPCIONAIS, foram termos usados nos anos 50, 60, 70 para designar “Pessoa com Deficiência Intelectual”. Com o surgimento de estudos práticos educacionais, nas décadas de 80 e 90 a respeito de altas habilidades ou talentos extraordinários, o termo EXCEPCIONAIS passou a referir-se tanto a pessoas com inteligências múltiplas acima da média (pessoa superdotadas ou com altas habilidades e génios), quanto a pessoas com inteligência lógico-matemática abaixo da média (pessoa com limitação intelectual).

 

  1. Doente mental

TERMO CORRECTO: Pessoa com transtorno intelectual, paciente psiquiátrico.

 

Por Adão Ramos
Adão Ramos foto

 

 

 

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANTUNES, Celso, Jogos para estimulação das múltiplas inteligências. 3 ed. 1999;

OMS. Declaração de Montreal sobre deficiência Intelectual. Montreal, Canadá, 4-6

SASSAKI, ROMEU Kazumi. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano 5, n.24, jan./fev.2002.

Construindo uma Sociedade para Todos (5 ed., Rio de Janeiro, 2003)

**Will Bento Tonet, activista de inclusão social, consultor, comunicólogo e professor universitário, 2006