Archive for the ‘Opinião’ Category

Tesla 01

Com este princípio de energia magnética podemos fácilmente alimentar cidades, motores,veículos de electricidade livre, sem-fios e gratuita!

A instalação de estações eléctricas à volta do país, baseadas neste princípio, não requer fundos mais elevados que o salário anual do presidente ou dos ministros de Angola.

Sabem, a tecnologia tem soluções gratuitas para a maior parte dos problemas mundiais (alimentação, saúde, educação, habitação, comunicação, corrupção, transporte, lixo, pobreza, doença, aquecimento global e criminalidade), de tal modo que nos é possivel criar uma sociedade na qual somente se trabalharia 3 horas por dia em trabalhos que realmente contribuiriam para o bem-estar da sociedade e isso nos bastaria. O resto do tempo livre seria preenchido por nós mesmos e conforme nos conviesse.

O cientista croata (na altura parte do Império Austríaco) Nikolas Tesla, para além dos avanços tecnológicos bem conhecidos no campo do eletromagnetismo com que “transformou” o mundo, Tesla “descobriu” também uma forma de criar energia a partir “do nada”, tendo resultados comprovados já depois de ter sido considerado louco pela comunidade científica, ficando com o banqueiro como JP Morgan como único aliado. Este, no entanto, apercebendo-se das implicações e dos lobbies que seriam afetados pela perda do monopólio da energia, puxou-lhe também o tapete, deixando Tesla sem ter como financiar as suas pesquisas e morrendo na indigência.

Tesla 02

Infelizmente, os políticos não querem liberar tecnologias limpas e gratuitas, nem querem que a comunidade não-científica se aperceba da existência dessas tecnologias e sua facilidade de implementação, pois elas liberam o povo e um povo livre é um povo inteligente e que exige satisfações de seus governantes:

  1. Como se explica o predominante (ab)uso de geradores eléctricos em Angola e a contínua falta de água potável? Tudo isso é rápidamente solucionável e gratuitamente implementável, só não o fazem por ganância e incompetência crónica!
  2. Como se explica a prevalente elevada taxa de mortalidade infantil? E porquê que criminalidade está a ser resolvida com repressão?
  3. Porquê que os jovens manifestantes são apreendidos e levados pro Caxito com risco de não mais voltarem, tal e qual Kamulingue, Cassule e muitos outros cuja a identidade e os motivos nos são desconhecidos.

Possivelmente me dirás que ”Angola é memo assim”, e é verdade, mas é assim que queremos continuar tendo em conta o vasto potencial que temos? É neste clima social que queremos educar nossos filhos? Ainda não tenho filhos mas, por amor a eles, esta situação me inquieta.

Temos que exigir melhorias para todos Angolanos e não somente para um grupinho de amigos de longa caminhada, porque Angola é de todos Angolanos. Eles tornaram o governar do país num Kudissanga kwa makamba (reencoontro, sentada de amigos/kambas).

O futuro do país está ameaçado e seus cidadãos estão a ser iludidos enquanto são sistematicamente vendidos/roubados, tal e qual se passou no tempo da escravatura. Se esta onda continuar, iremos acabar de joelhos que nem Portugal, que agora tornou-se uma colónia e é submetida a constantes desrespeitos de soberania apartir da comunidade Europeia.

Portugal não tem programa próprio, o programa lhes é imposto, porque outrora seus governantes roubaram sem dar satisfações e o povo, como sempre, é o que mais sofre. E este mesmo grupo de empresários que colocou Portugal na falência é o grupo que agora está a inundar o mercado empresarial Angolano com o apoio dos governantes. Anunciar na tv que se vai cortar relações com Portugal sem sequer explicar os motivos parece-me mais uma boa fachada e acho desnecessário/estúpido cortar relações com qualquer que seja o país de expressão portuguesa.

P.S: Este princípio de tecnologia já tivera sido aplicado nas Pirâmides do antigo Egipto e acredita-se que nossos ancestrais no Egipto (naquela altura o Egipto não era constituido por Árabes, mas sim por negros provenientes do lugar que hoje é o Sudão) já usavam electricidade sem-fio. Parece que nossas sociedades não desenvolveram assim tanto como outrora pensáramos. O estado actual das sociedades prova que não estamos a evoluir, pelo contrário, estamos em declínio ou mesmo à beira de uma queda-livre e os culpados são os dirigentes… Sei que esta crónica me vai causar problemas. Que assim seja, porque de qualquer das formas havemos de resolvê-los! O mais estúpido nisto tudo é ter medo.

 Por David Lau

Tigres de Papel…

Há mais de três anos que acontecem manifestações abortadas em Luanda, desde o fatídico dia 7 de Março de 2011.

Há mais de três anos que a polícia e as forças de segurança do estado abortam ilegalmente estas manifestações, muitas vezes antes mesmo delas iniciarem.

Que os jovens manifestantes seriam presos e espancados ontem, já não é novidade. Chegamos ao ponto como sociedade que tais prisões e espancamentos extra-judiciais são normais. “Business as usual”, como diriam os ingleses.

É que entramos num ciclo perfeitamente previsível:

  1. Jovens convocam manifestação seguindo todos os tramites legais com base num direito constitucionalmente consagrado;
  2. Governo Provincial e Polícia Nacional ignoram a convocatória;
  3. Serviços de Inteligência do Estado iniciam campanha para descredibilizar promotores da manifestação e semear o medo junto da população,
  4. Policia anti-motim e outros serviços de segurança inviabilizam acesso ao Largo da Independência, prendem e agridem fisicamente os manifestantes e abortam a manifestação.

Desta vez nem a Polícia nem o Governo Provincial ou Central se deram ao luxo de explicar as suas acções. A população já está habituada. E ainda bem: vemos com os nossos próprios olhos que o céu é azul e depois no Telejornal dizem-nos que o céu é verde. Pelo menos desta vez pouparam-nos com os insultos à nossa inteligência.

Como sempre acontece, as notícias sobre a falta de liberdade em Angola correm o mundo logo a seguir a estes acontecimentos e este episódio não foi excepção. Bloomberg e DW foram dos primeiros a noticiar o caso.

Gastam-se mais umas dezenas de milhões de dólares do erário público com lobbies internacionais e comissões de imagem do executivo e abafam-se estes casos.

Que as autoridades são extremamente míopes com estas reacções musculadas já é sabido. Mas mais interessante ainda é analisar a actuação dos jovens manifestantes.

Muitas das vezes, são sempre as mesmas caras que aparecem. As mesmas pessoas que já foram espancadas em manifestações passadas e já sofreram encarcerações, invasões ilegais de domicílio, tortura, fome, e intimidações diversas, entre outras barbaridades, escusam-se em desistir.

Até Nito Alves, um puto franzino de 18 anos que foi ilegalmente encarcerado quando ainda era menor de idade e submetido a tratos deshumanos é dos primeiros na linha da frente. Ou seja, o regime, com os seus carros blindados, tanques de água, cães, polícias e prisões já nem sequer intimida uma criança.

Chegamos ao ponto em que o governo mobiliza forças, fecha o acesso ao largo mais importante da cidade e cria uma espécie de estado de sítio por causa de um bando de 20, 30 jovens nos seus 20, 25 anos. É como se a selecção sub-20 de Angola, essa que perdeu contra o Lesoto para o acesso ao CAN, fizesse parar uma cidade por algumas horas para simplesmente gritas algumas palavras de ordem no Largo.

Ou seja, a juventude está a perder o medo.

E cada vez que as autoridades actuam desta forma, mais os jovens vão perdendo o medo.

Porque já viram que estão numa situação win-win. Se o governo os ignora e a manifestação segue em frente, têm um palco onde podem fazer ouvir as suas reivindicações. Se não, causam notícias na imprensa nacional e internacional e somam mais pontos junto a sociedade com a sua bravura. E vão destapando os podres do regime.

A imagem de homens grandes e fortemente armados apoiados por um belicoso aparato policial para prenderem uma equipa juvenil de futebol é ridícula. E hilariante, não fossem as sessões de tortura com gás lacrimogénio e pimenta e os espancamentos a homens de 60 anos.

Tigres de papel…

-Cláudio Silva

Quem é o Culpado?

Posted: May 15, 2014 in A Voz do Povo, Opinião
Será que se tudo fosse o inverso não teríamos um País com uma juventude melhor?

 

Cerveja – 50 kz
Agua – 100 kz
Depois dizem
que os jovens são bêbados

 

Cigarro – 10 kz
Lápis – 50 kz
Depois dizem que as crianças fumam muito e são analfabetas

 

Ravs do Colã xuxuado – 1000 kz

Show religioso- 3500 kz

Depois dizem que os jovens são mundanos

 

Liamba – 100kz
Livro – 3000

Depois dizem que os jovem são Liambeiros

 

Carta de pedido – 1000 USD
Prostitutas na esquina – chupada – 500kz
- 2000 kz trabalho completo

Depois dizem que os jovens são malandros

 

Whisky the Best – 50 Akz

Sumo compal – 250 ou 320 Akz

Depois insistem em dizer que a juventude esta estragada

 

Iphone novo – 700 Usd- 800 Usd ate 1000 USD

Desbloquear iphone roubado nos Congoleses(vulgo Congolenses) 5000 Akz

Depois dizem que esses jovens são gatunos

 

Discoteca Don Q entrada  3000 Akz 4 Bebidas

Maratona entrada livre e 3 cucas a 100 Akz

Depois vão falar mais o quê então???

 

Luanda mais de 28 Discotecas e Bares

Luanda menos  de 8 Bibliotecas

Depois continuam a dizer, esses jovens só há desbunda na vida deles…

 

Motorizada Jog – 500 USD

Bicicleta Montana – 1000 USD

Ainda dizem que os jovens de mota são gatunos

 

Mensalidade nas Universidades – 300 /400 USD

Se o salário mínimo são 300 USD

E dizem que não temos pessoal qualificado, salário não chega para pagar a (Faculdade) como vamos nos qualificar?

 

Angolano formado ou não nas empresas o salario é < 1000 USD

Estrangeiro com as mesmas qualificações,se calhar piores, fazendo o mesmo trabalho, salário > 6000 USD

Mas estou em dúvida, afinal de contas, de quem é a Culpa???

 

é melhor não continuar…!

Autor Desconhecido (chegou até nós numa corrente de emails)

Inclusão

Já me tinha proposto a escrever algumas linhazitas à volta deste assunto, há uns meses cheguei mesmo a prometê-lo à amiga Amor de Fátima, na sequência de uma campanha por ela lançada, a favor de alguém com limitações físicas que precisava de uma cadeira de rodas motorizada. Na altura, falava-se sobre a campanha, na Rede Social Facebook, e foram usadas expressões referindo-se ao jovem alvo da campanha, contras as quais me insurgi, e a amiga acimada referida retorquiu, mais ou menos nos seguintes termos: “então, Adão, que expressões têm de ser usadas, quando nos referimos a estas pessoas”? Foi então que ficou reforçada a ideia que já tinha de trazer algum subsídio sobre a matéria em apreço, uma preocupação partilhada pelo meu amigo Will Bento Tonet.

Eu penso que usar certas expressões, não é apenas uma questão de semântica ou de quem as vier a ouvir ou ler entenderá “bota” ou “sapato”, se quisermos comunicar construtivamente e de modo inclusivo, sobretudo quando se tratam de assuntos de caris humano. A forma correcta de se dizer é especialmente importante, quando se abordam assuntos eivados de preconceitos, estigmas ou estereótipos, como o caso das chamadas “deficiências”.

As expressões são consideradas correctas em função de valores e conceitos vigentes em cada sociedade e época. Assim, elas passam a ser incorrectas, quando esses valores e conceitos vão sendo substituídos por outros, o que exige o uso de outras palavras. Estas outras palavras podem já existir na língua falada e escrita, mas, neste caso, passam a ter novos significados. Ou são construídas especificamente para designar conceitos novos. O maior problema decorrente do uso de termos incorrectos reside no facto dos conceitos obsoletos, as ideias equivocadas ou as informações inexactas serem inadvertidamente reforçados.

Este facto pode ser a razão pela qual algumas pessoas demoram em mudar seus comportamentos e raciocínios, em relação, por exemplo, à situação das pessoas com “deficiência”. O mesmo facto também pode ser responsável pela dificuldade da mudança de paradigmas como o que está a acontecer, por exemplo, na mudança da integração para a inclusão.

Este é um assunto de grande importância, ao qual quase ninguém presta atenção no nosso país, nem mesmo os ditos activistas, que se batem pelos “direitos dos deficientes físicos”. Sendo que eles próprios auto designam-se “deficientes físicos”, não esperaria que quisessem mais do que a mera “integração dos deficientes”, quais coitaditos a procura de misericórdia, ao ponto de denominarem suas organizações como sendo, “…dos deficientes…” ou mesmo “…para integração dos deficientes”. Grande disparate!

A seguir, trago algumas expressões incorrectas e os equivalentes termos, frases e grafias correctas, visando ajudar a quem necessite de falar ou escrever sobre pessoas com limitações. As expressões incorrectas são ouvidas ou lidas, no dia-a-dia, ditas até por quem tem responsabilidades de Estado, jornalistas, palestrantes, professores, etc.

  1. Pessoa normal

Com o intuito de se referir a alguém, que supostamente, não possua uma “deficiência”, muitas pessoas usam a expressão NORMAL. Isso acontecia no passado, quando o preconceito a respeito de pessoas com “deficiência” eram tão grande que as sociedades acreditavam na NORMALIDADE das pessoas sem “deficiência”. Esta crença fundamentava-se na ideia de que era ANORMAL a pessoa que possuísse uma “deficiência”. A NORMALIDADE, em relação as pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado. TERMOS CORRECTOS: Pessoa sem limitação (física, mental, etc.)

 

  1. Aleijado; defeituoso; deficiente; incapacitado; inválido;

Estes termos eram usados com frequência até à década de 80. A partir de 1981, por influência do Ano Internacional das Pessoas deficientes, começou-se a escrever e falar pela primeira vez a expressão PESSOA DEFICIENTE. O acréscimo da palavra PESSOA, passando o vocábulo DEFICIENTE para a função de adjectivo, foi uma grande novidade na época. No início houve reacções de surpresa e espanto diante da palavra PESSOA. Aos poucos foi sendo usada a expressão PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA, frequentemente reduzida para PORTADOR DE DEFICIÊNCIA. Por volta da metade da década de 90, entrou em uso a expressão PESSOA COM DEFICIÊNCIA, que permanece até hoje. Particularmente acho erradas estas formulações, pois a palavra DEFICIENTE ou DEFICIENCIA tem subjacente a ideia de defeituoso, inútil ou inválido, tal como algo que tem defeito de fabrico, logo se torna arriscado ou inaconselhável contar com ele(a). Portanto, quanto a mim, tratar a alguém como “PORTADOR DE DEFICIÊNCIA” ou “PESSOA COM DEFICIÊNCIA”, é igualmente ofensivo, discriminatório e não inclusivo. TERMO CORRECTO: Pessoa com Limitação (física, mental, auditiva, etc.). Já que limitação todos a temos, nuns mais ou menos acentuados, daí fazer sentido a especificação da Limitação (física, mental, auditiva, etc.), em caso de necessidade.

 

  1. “Apesar de deficiente ele(a) é inteligente, participativo(a), bom, assado(a) e cozido(a), etc. e tal.”

Nesta frase há preconceito: A pessoa tida como deficiente não pode serinteligente, participativo, bom, assado e cozido… . FRASE CORRECTA: “ele(a) tem limitação e é …”, isto se for necessário referência à limitação; regra geral não o é, as pessoas é que gostam de dar destaque ao que acham ser “defeito” dos outros.

 

  1. Cadeiras de rodas eléctricas.

Trata-se de uma cadeira de rodas equipada com um motor. TERMO CORRECTO: cadeira de rodas motorizada.

 

  1. Ceguinho

O diminuitivo ceguinho denota que o “cego” não é tido como uma pessoa completa. TERMO CORRECTO: Pessoa com Limitação visual. Também não concordo com a expressão “INVISUAL”.

 

  1. Turma normal

TERMOS CORRECTOS: turma comum, turma regular. No futuro quando todas as escolas se tornarem inclusivas, bastará o uso da palavra CLASSE, sem adjectiva-las.

 

  1. Criança com necessidades especiais ou excepcionais

TERMOS CORRECTOS: crianças com limitações intelectuais, crianças com limitações mentais. ESPECIAIS OU EXCEPCIONAIS, foram termos usados nos anos 50, 60, 70 para designar “Pessoa com Deficiência Intelectual”. Com o surgimento de estudos práticos educacionais, nas décadas de 80 e 90 a respeito de altas habilidades ou talentos extraordinários, o termo EXCEPCIONAIS passou a referir-se tanto a pessoas com inteligências múltiplas acima da média (pessoa superdotadas ou com altas habilidades e génios), quanto a pessoas com inteligência lógico-matemática abaixo da média (pessoa com limitação intelectual).

 

  1. Doente mental

TERMO CORRECTO: Pessoa com transtorno intelectual, paciente psiquiátrico.

 

Por Adão Ramos
Adão Ramos foto

 

 

 

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANTUNES, Celso, Jogos para estimulação das múltiplas inteligências. 3 ed. 1999;

OMS. Declaração de Montreal sobre deficiência Intelectual. Montreal, Canadá, 4-6

SASSAKI, ROMEU Kazumi. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano 5, n.24, jan./fev.2002.

Construindo uma Sociedade para Todos (5 ed., Rio de Janeiro, 2003)

**Will Bento Tonet, activista de inclusão social, consultor, comunicólogo e professor universitário, 2006

Rosa Cruz Silva

Cara senhora Ministra,como sabe, os grandes catedráticos historiadores africanos, infelizmente na sua maioria ainda restritos aos países africanos anglófonos e francófonos, que muito lutam e se têm dedicado a sangue frio pela restauração e restituição do continente africano partindo de uma auto-análise sócio-histórica, político-filosófica e antropológica de dentro para dentro, com o fim único de criar um paradigma ou uma dinâmica genuína do africano para o africano e para África, costumam afirmar e lamentar abertamente que, os grandes museus europeus, estão recheados de obras de arte africana, as quais os próprios africanos desconhecem, tal como acontece com os Macondes de Moçambique ou no museu de História Natural de Viena, Vénus de Willendorfcom mais de 25000 anos, um marco arqueológico, hoje enaltecido de igual modo á arte e a memória europeia á africana. Isto é, a criatura africana ao olhar para qualquer uma delas, é nutrido por um esquecimento ideológico1 que o leva a crer que aquela criação jamais seria concebida por um ancestral seu. Esse lamento é revisto em várias outras situações, como quando na pior das hipóteses o próprio africano, essa criatura, se revê como outro, incorporando esse outro para afirmar o seu “progresso intelectual ou civilizacional” ou se vê obrigado e no direito de explodir ou destruir as estruturas passadas, parte do património histórico do país, para recomeçar a desenhar uma “nova história”, supostamente melhor que a anterior, onde não os lembrará mais a dor da escravidão, mas sim um período de “independência, de liberdade e de paz”. De acordo essa lógica de pensamento, estariam assim a contribuir, a recriar ou se melhor, a refazer a história do povo angolano com os mesmos a escreverem-na. Todavia, num outro ângulo discursivo, a “africanice ou a pequenice africanista”, para além da ostensiva e indiscreta ignorância, é também o grande obstáculo á preservação patrimonial da história e da cultura como veremos mais adiante.

Mas foi nos moldes de Sekou Touré, antigo líder da Guiné Conacri que ao destruir os feitos dos franceses no seu país que, dessa vez de forma similar, a senhora ministra visa conseguir com o seu canibalismo cultural, triturar e engolir numa única dentada o único espaço cultural existente no centro da capital de Angola, onde estão frequentemente aglutinados os mais vários extractos socais, culturais e espirituais com o fim único de consumir a expressão artística e histórica viva que caracteriza o espaço, bem como descaracteriza a capital, da tendência arquitectónica virada unicamente a estética e ao comércio, ao presente e contra o passado; contra a história.

De acordo o Jornal O PAÍS online, “O edifício que acolhe o Elinga Teatro está classificado como património histórico desde 1981, segundo um despacho assinado pelo então secretário de Estado da Cultura, Boaventura Cardoso, publicado no Diário da República naquele mesmo ano”. O documento inclui o edifício número 6/12 e 8/14, sito no Largo Matadi (ex-Largo Tristão da Cunha) numa lista de 42 imóveis considerados “verdadeiros testemunhos históricos do passado colonial e parte integrante do património cultural do Povo Angolano”, razão pela qual “se impõe a tomada de medidas com vista à conservação e preservação de tais monumentos históricos”.

Indignamo-nos assim, pela ironia de ao recebermos da senhora ministra tal indecorosa atitude concernente ao âmbito que supostamente domina ou acreditamos que domina, percebermos também uma irredutibilidade por parte dessa no que respeita a mudança da postura em foco. No entanto, é do nosso conhecimento também que, a mesma não é fruto de uma iniciativa isolada ou egocêntrica, senão um conluio, um oligopólio ou talvez um duopólio de interesses e ordens orquestradas, inerentes a uma mais alta escala mandatária que aquela no país.

Enquanto jovens e “ainda preocupados” em defender a herança histórica que nos resta, qual na melhor das hipóteses nos conduzirá ao fortalecimento de uma memória, uma vanguarda para que não sejamos impelidos á mesma condição anterior, tal como nos isenta da ignorância histórica, ou ainda como nos possibilitará transmitirmos ás gerações do porvir, um testemunho do nosso passado qual também nos foi legado, exigimos que a senhora Ministra traga o caso Elinga ao debate e não de forma reducionista e imperialista, desça o monumento á terra. Assim sendo, acreditamos que paralelamente ao esforço necessário a ser feito na formação do angolano comum, é que poderemos com esses testemunhos, fabricar ou reconstruir uma Angola realmente forte, consciente historicamente, portanto concisa e desperta no seu presente, rumando ao progresso intelectual e humano que o futuro exige a cada um.

Somos claramente contra a cultura da força, utilizada para sacrificar a história, bem como reconstruir e sustentar a ignorância histórica. Isto é, reconstruir ou requalificar a cidade a base da ignorância dos citadinos; Basicamente sobrepor o bloco ao homem, a medida em que a insensibilidade hoje assistida pela população a quando da demolição do Elinga, é nada mais do que a ignorância em relação não apenas ao espaço, mas para com a própria cidade; para com a própria história. É como se essa ignorância olha-se para os mesmos, do cimo dos prédios mais altos da cidade, enquanto esses, os donos da ignorância, pedestres rasteiros atracados á turbulência do dia-a-dia.

Como pode dessa parte e não de outra vertente intelectual ter-se a motivação de partir, demolir, destruir o registo de uma expressão memorial do povo angolano, conquanto o mesmo não veja assim, ao limita-lo como um espaço único para teatro e música ou simplesmente por desconhece-lo? Só para que recordemos e de acordo o mesmo jornal “O edifício que actualmente alberga o Elinga Teatro foi, nos anos 40, o Colégio da Casa das Beiras. Depois da independência, foi nacionalizado, transformando-se no Centro Cultural Universitário da Universidade Agostinho Neto. Por lá passaram nomes como Hojiya-Henda, Garcia Bires, cónego Manuel das Neves, Manuel Pedro Pacavira, Mário Pinto de Andrade, Nito Alves, França Van-Dúnem e tantos outros que marcam a história de Angola. A Brigada Jovem de Literatura é outra instituição que durante algum tempo foi inquilina daquelas instalações, com todos os seus protagonistas” tal tornou-se do nosso conhecimento.

Tal atitude que para nós é uma amostra clara da disfuncionalidade do sistema, ou a honestidade e transparência do desserviço cultural prestado por parte do Ministério da cultura e demais entidades envolvidas nesse jogo de interesse ganancioso, nos relembra ou nos remete ao panorama actual em que nos questionamos desapreço o porquê do papel e o contributo minúsculo que os nossos historiadores em Angola ou nessa “África lusófona” têm dado no que concerne a reconstrução da memória histórica do continente africano, a medida que na sua maioria em destaque, encontram-se afectos as cores dos partidos políticos, razão pela qual não existe uma frente encorajada e disposta a contrapor as ordens superiores ou analisar as razões sociais, alienados do coração da doutrina partidária em que se fazem proselitistas.

Como prometemos anteriormente, algumas africanices são notórias e antagónicas a permanência do espaço ou favoráveis a destruição do mesmo e desqualificando-o argumentam: “O mesmo é nada mais que um “assombrado” espaço “cultural” onde nada mais se demanda senão o consumo de droga, a prostituição, ensuma a libertinagem no anoitecer da cidade. Ainda nessa linha de raciocínio, outros em conversas populares defendem a ideia: Se as casas dos cidadãos “normais” (autóctones) estão a ser destruídas porquê que as casas dos “colonialistas” (europeus) deveriam permanecer? Mas o mais qualificado argumento, surgiu mesmo da Ministra Rosa da Cruz quando para desqualificar o espaço usou no que chamamos agora de a “fraseologia Rosense” que decretou mais um assassinato ou fuzilamento histórico em Angola. Assim sendo, é graças a Ministra da cultura que a reviravolta do caso Elinga torna-se quase impossível; impensável, pois encontra-se tudo aposto para brevemente reduzirem o Elinga-teatro a cinza.

Diante do apresentado, eis a frase da Ministra: “(…) Havendo necessidade de implementar o Projecto Elipark e requalificar o conjunto arquitectónico localizado no Largo Matadi, incluindo o edifício designado Challet; considerando que as razões de natureza histórica que determinaram a classificação do referido edifício já não subsistem; Em conformidade com os poderes (…)”. “

Abaixo trazemos a publicação no diário da república, onde pode-se ver com melhor precisão o que nos referimos acima:

DESCLASSIFICAÇÃO ELINGA c sublinhados (peq)

Assim, o presente artigo, corrobora a ideia segundo a qual o Ministério da cultura, agora na pessoa da senhora Ministra Rosa da Cruz e Silva e diante do caso presente, tem acompanhando um movimento sinérgico á iniciativa privada, qual desvirtua-se sobremaneira do âmago e do compromisso exigido em que se insere o rigor do intelectual do/a historiador/a preocupado/a com a defesa da memória do seu povo, da história e da ciência. Já apresentamos num artigo anterior o silenciamento do mesmo ante situações outras, dissonantes e desconformes a consciência natural e intrínseca do povo. Agora, não o seu silenciamento, mas um pronunciamento grosseiro e imperativo por parte dessa, sobretudo para o apagamento, esquecimento ou sepultamento da história do povo de Angola. Ainda nessa perspectiva e diante do quadro apresentado, busca-se nada mais do que a mobilização da população, para que se mobilize, passa o pleonasmo, com vista a conduzir ou esforçar o caso Elinga ao debate e se adie ou mesmo sendo o menos crédulo por alguns, se consiga arquivar esse processo em prol da permanência do espaço no rosto da cidade e do país.

Certamente estamos cientes dos obstáculos ou da dificuldade que representa a publicação no diário da república para contrapor-se ao mesmo e desde já avista-se um aceleramento por parte desses na condução do processo, pelo que já se conhece inclusive a algum tempo o candidato e potencial comprador do espaço. Sabe-se assim, a partir de informações transparentes em vários meios, que o mesmo foi ou está a ser comercializado á IMOGESTIN, empresa do ramo imobiliário que dedicou-se inicialmente aos vários segmentos de negócios imobiliários, como sejam a Promoção, a Mediação e a Gestão Imobiliária, tal como aparece transcrito no website da mesma, restando-nos reflectir, se possível com algum fingimento intelectual, sobre o que é que a IMOGESTIN enquanto imobiliária poderá oferecer á cultura e a história angolana no âmbito do apagamento do espaço Elinga? Nada claro! E embora venda-se a possibilidade de reservar-se algum espaço dentro desse novo estabelecimento, direccionado e ou disponibilizado às actividades viradas á cultura, é tudo no fundo mais um jogo de palavras e gestos teatrais pronunciados por essas entidades, pois na verdade sabemos que muito pouco estão interessados e ou preocupados com a defesa da memória histórica do povo, senão às ostentações daquilo e daqueles que idolatram politica e historicamente.

 

 Por  Mário Lunga 

Mario Lunga 02

 

 

 

 

  1. O esquecimento ideológico referido no texto refere-se a assimilação do individuo e o distanciamento do próprio em si mesmo, quando dominado por ideologias impróprias. Portanto, não responde pelo conceituado em análise do discurso, segundo a qual a esquecimento ideológico, refere-se a instância do inconsciente e resulta do modo pelo qual somos afectados pela ideologia. Por esse esquecimento temos a ilusão de sermos origem do que dizemos, quando, na realidade, retomamos sentidos pré – existentes. (ORLANDI, 2005:35)

Texto escrito e partilhado no mural de facebook da Central Angola pelo Telmo Vaz Pereira, que achámos merecer um espaço mais destacado. Segue então ipsis verbis:

ZezinhoTelmoVaz

O que os gangsters e o seu chefe embolsam com o que é desviado das receitas do petróleo e dos diamantes, parece não ser suficiente.

Por essa razão, Angola foi o país da África sub-sahariana que, em 2013, mais dinheiro gastou para fins militares, revela um estudo do Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo. As negociatas com armamento através de traficantes de armas – um dos quais, Pierre Falcone, que faz uso de um passaporte diplomático oferecido por Zé Kitumba dos Santos -, rendem muitos e muitos milhões de dollars americanos a todos os corruptos envolvidos.

O estudo refere que o ano passado Angola aumentou os seus gastos militares em 36%, ultrapassando a África do Sul como o país com os maiores gastos militares na África sub-sahariana. Ainda segundo aquele instituto, os gastos militares em Angola atingiram o ano passado 6,1 Mil Milhões de dólares, quase 5% do PIB, correspondendo a um aumento de 174% desde 2004, dois anos após o fim da guerra civil. Não estando Angola sob ameaça militar de nenhum país, não estando envolvida em qualquer guerra, impõe-se a pergunta: para quê esta despesa colossal com armamento ?

Samuel Perlo-Freeman, um dos autores do relatório que se tornou público no passado dia 14 de abril, diz que a razão para esta aposta militar não é clara, uma vez que «já não há guerra civil. Há uma pequena rebelião em Cabinda, mas que dificilmente explica estes níveis de despesas militares». No entanto, continua o especialista, «Angola tem muito dinheiro vindo do petróleo e muita corrupção».

O Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo revelou que um aumento nos rendimentos do petróleo, é uma das razões para o aumento dos gastos militares, ou seja, quanto maior for o rendimento que deriva da exploração do petróleo, mais dinheiro desviam para investirem no tráfico de armamento e, por conseguinte, maior é o lucro dos ladrões que dirigem o país.

O estudo agora publicado não dá pormenores dos gastos. Contudo, recentemente, tem havido notícias de Angola estar a comprar sofisticado material militar. No ano passado, por exemplo, o diário russo Vedomosti disse que Angola assinou com empresa estatal russa Rosoboronexport um contrato de 1.000 Milhões de dólares, que inclui o fornecimento de equipamento militar, a construção de uma fábrica de munições em Angola e a assistência pós-venda.

Esse contrato, ainda de acordo com o diário russo, inclui o fornecimento de helicópteros de transporte Mi-17 (fora de uso), tanques, peças de artilharia, armamento ligeiro e munições, e ainda de 18 aviões caças Sukhoi 30 (Su-30K), que estão considerados praticamente como sucata, e que foram antes exportados para a Índia no final dos anos 1990, e devolvidos à Rússia alguns anos depois. Antes de conseguirem vender a sucata agora a Angola, a Rússia tentou vender os mesmos Su-30K ao Sudão e ao Vietname, que rejeitaram categoricamente devido ao estado em que se encontravam.

A compra dos caças em segunda mão, inoperantes há vários anos, levou vários críticos a questionar as vantagens do negócio para Angola. “O governo russo e os seus líderes estão sempre dispostos a despachar os seus equipamentos obsoletos para África e, de forma surpreendente, o governo angolano aceitou este negócio”, disse Shaabani Nzori, um analista político em Moscovo.

É evidente que esta negociata, só favorece a nomenklatura que engorda assim as suas contas nos offshores. O episódio do julgamento em Londres em 2012 vem comprovar isso, quando o traficante de armas Arkady Gaydamak, revelou no Tribunal como vendeu vários helicópteros em estado de sucata a Angola, no valor de US $70 milhões: «Eu estava para desembaraçar-me deles como sucata, mas uns meses depois o Falcone disse-me que tinha conseguido um novo cliente: Angola» .

Gaydamak explicou também que entregou os helicópteros a crédito. “Depois deste presente, o acesso ao presidente passou a ser bastante fácil para mim”, disse o traficante de armas. A relação privilegiada da dupla Gaydamak-Falcone com José Eduardo dos Santos resultou no famoso escândalo Angolagate que, durante anos, esteve sob alçada da justiça francesa.

 

Por Telmo Vaz Pereira

Elinga 02

Não quero fazer deste artigo um texto meramente pessoal, devaneando sobre a importância do espaço Elinga na minha juventude e na formação do adulto que sou hoje. É muito difícil encontrar a bitola a usar para medir a proporção de Elinga que jorra no meu sangue a cada ribombear do meu coração e por isso irei reduzir-me à insignificância da contemporaneidade que represento e mergulhar nas páginas de História que os interesses representados pelos “acumuladores primitivos de capital” querem rasgar deste livro chamado Angola, como já fizeram com tantas outras, deixando-o mutilado na sua incompletude, irremediavelmente, permanentemente mutilado.

Nos pequenos retalhos que fui recuperando dessas páginas ao longo dos últimos anos com o pessoal da Campanha Reviver levada à cabo pela Associação Kalu, apercebi-me da enormidade que podem representar algumas paredes gastas e escadarias periclitantes, e do quanto prescindimos ao reduzi-las a um monte de entulho. Não falo só do Elinga, eventualmente o lugar mais transversal de Luanda, o único onde podem coabitar os empertigados com os maltrapilhos, os da urbe com os mussekados, os locais e os estrangeiros, os artistas e os banqueiros, enfim, o mosaico completo de todas as classes e subclasses que constituem a nossa sociedade, mas também do Challet, da Biker, da Casa do Óculo, da Fortaleza de S. Miguel, do Palácio de Ferro, da Casa de Alfredo Troni, da Livraria Lello, da Estação de Caminhos-de-ferro da Cidade Alta, do Grande Hotel, da Rua dos Mercadores, dos 14 sobrados que ainda não foram vítimas da fúria demolidora do mercado imobiliário (sorte que não teve o Mercado do Kinaxixi) e de todos os outros edifícios e sítios que foram classificados por alguma razão. Sobre cada um desses edifícios se poderiam contar inúmeras “coisas de sonho e de verdade” e essas “coisas” têm um outro efeito quando são contadas dentro dos próprios espaços que as albergam.

Vou no entanto cingir-me ao Elinga que me parece, de todos, ser o mais consensual no que concerne ao sentimento de perda, pelo simples facto de termos construído ao longo dos anos uma ligação emocional íntima (pois vivida na primeira pessoa) com essa magnífica peça do nosso património histórico. Mais facilmente seremos movidos a esboçar um gesto de resistência que seja para salvar o Elinga do que para salvar o Challet que certamente a esmagadora maioria dos kaluandas nunca sequer ouviu falar, apesar de ser o edifício adjacente ao Elinga.

A análise resumir-se-á por isso à argumentação da lógica (?) por detrás da desclassificação e alienação do edifício que pertence à memória coletiva do povo angolano, protagonizada pelo Ministério de “tutela”, justamente aquele cuja missão é zelar por ele.

Antes de apresentar a documentação que irá expôr o desrespeito da Ministra da Cultura pel@s cidad@s que pretende representar, permitam-me que lhes introduza a uma proposta de projeto alternativo para o reaproveitamento do espaço tal qual ele está, ou seja, sem violar a integridade física do edifício, submetendo-o, no máximo, a obras de restauro. Ela foi desenhada por Luca, um arquiteto italiano, professor e funcionário das Nações Unidas em Angola, chegou à mesa da Ministra, foi conscientemente ignorado em benefício do da Imogestin, um edifício ultra-moderno segundo a maquete, mas incapaz de conviver com a História.

Elinga_space Luca 01Elinga_space Luca 02Elinga_space Luca 03

Esta maquete é partilhada para calar aquelas vozes que dizem que os detratores só sabem criticar, não sabem edificar. Para aqueles que argumentando que o Elinga se tornou um antro de drogas e que atrai os putos de má índole que pululam ali à volta, agitam a bandeira da proposta da Imogestin como a única alternativa viável para a inversão do quadro, minimizando debilmente a validade histórica do edifício.

A incompreensível inversão de prioridades

Houve tempos em que os pelouros da Cultura foram ocupados por pessoas que, mal ou bem, usaram dos meios e poderes ao seu dispor para proteger e promover a nossa História e Cultura. O FENACULT no tempo do partido único chegou a ser mais plural e diversificado do que o sem número de festivais que temos hoje cujos cartazes são invariavelmente iguais e perfeitamente previsíveis.

 Em 1981, o Secretário de Estado da Cultura, Boaventura Cardoso assina um despacho onde classifica 42 edifícios como Património Histórico, dentre os quais consta o nosso Elinga, que também já foi um Colégio (Colégio das Beiras) e onde “amarraram” ilustres figuras da nossa História contemporânea, algumas delas ainda vivas, apesar de silenciosas: Nito Alves, Cónego Manuel das Neves, Mário Pinto de Andrade, Hoji-ya-Henda, França Van-Dúnem, Garcia Bires, Manuel Pedro Pacavira.

Em 1992, José Mateus Peixoto, Secretário de Estado da Cultura de então, exara um despacho onde é brevemente narrada a História da cidade de Luanda para justificar a proposta do mapeamento de uma zona “protegida” denominada de “Zona Histórica”, como se pode ver nas imagens abaixo.

 

Despacho 51-91 01 Despacho 51-91 02 Despacho 51-91 03 Luanda HISTÓRICA

Aos 7 de Outubro de 2005 é aprovada a  Lei do Património Cultural, completa e satisfatória, mas como a maior parte delas, meramente decorativa.

Em 2009, já depois de iniciado o boom imobiliário e na tentativa de salvaguardar o que já estava classificado e supostamente blindado pela lei, a então Governadora Francisco Espírito Santo e a já Ministra da Cultura Rosa Cruz e Silva, assinaram (mais) um memorando onde voltam a reafirmar a vontade de proteger o património Histórico sob a mira dos grandes interesses económicos que se agigantavam. Comprometem-se ainda a dar formação e a divulgar amplamente a informação acerca dos monumentos protegidos (alguém alguma vez viu alguma?) e formam uma comissão de avaliação coordenada pelo IPGUL e que inclui representantes dos Ministérios da Cultura, do Urbanismo e Ambiente, da Direção Provincial da Cultura, da Ordem dos Arquitetos e dos Engenheiros e que nenhuma obra na baixa de Luanda (zona histórica) poderia ser adjudicada ou validada sem o parecer favorável desta comissão.

MINCULT e GPL - PAtrimónio no JA peq

A Ministra Rosa Cruz e Silva era tida por muitos como um quadro competente com profundo respeito pelo património histórico, deixando nelas o sentimento de estupor e desalento. Provavelmente a Srª será mesmo “apaixonada” pela História e pelo património, mas sucumbiu a pressão do que o Mena Abrantes (Diretor do Elinga) referiu como sendo “poder superior” e comprometeu o seu nome e reputação subscrevendo a este “culturicídio” ignóbil, com o despacho que podem ver na imagem abaixo.

DESCLASSIFICAÇÃO ELINGA c sublinhados (peq)

Será que poderia ter sido mais vaga do que “as razões deixaram de subsistir”? A minha dúvida mesmo é que “razões” históricas podem “deixar de subsistir”? Não estamos perante uma inconsistência cronológica? Ou será que a Rosa entrou no Delorean com o Michael J. Fox e voltou no tempo para mudar a história, evitar o contacto com o colono e a construção dos sobrados? Da última vez que eu olhei, ainda me pareceu estar lá o telhadito em forma triangular.

Tenho outra questão e esta prende-se com a legitimidade da Ministra fazer esta desclassificação de sua auto-recreação, depois de assinar o memorando acima referido. Terá a tal de “comissão de avaliação” dado luz verde à Ministra para desclassificar o património e outorgá-la a uma entidade privada que declaradamente não irá preservar uma única pedra do edifício, alienando-o assim da memória coletiva do povo angolano a quem pertence por direito?

Perante isto, não temos como perdoar a Ministra, nem sentir pena dela, pois se fosse uma Srª de convicção recusar-se-ia a fazer parte desta fantochada e metia o seu lugar à disposição.

O MINCULT não tem sequer o decoro de apagar da lista de monumentos classificados que alberga no seu site os edifícios que já desclassificou abusivamente.

Recentemente se voltou a falar na demolição do Elinga depois de, pela segunda vez, se ter dado ordem de despejo aos seus atuais ocupantes, ordem essa que vencia no final do pretérito mês de Março.

Felizmente parece haver uma sacudidela nos diversos setores da sociedade civil e, para além da petição online que muitos já subscreveram, foi depositada uma providência cautelar no MINJUS esta segunda-feira, 7 de Abril, com intuito de impugnar o ato administrativo que muitos, dentre os quais me incluo, consideram ilegal e abusivo.

O capitalismo selvagem só consegue existir onde o povo é dócil como uma mula de carga cujos olhos tristes revelam o peso de uma vida de vergastadas no lombo. Os “intelectuais” também são culpados nisto tudo, pois só sabem chorar nos ombros uns dos outros, sem força anímica para se levantarem em uníssono e resistir à bravata dos arrogantes que se escudam nos seus cargos políticos como se estes lhes pertencessem por direito.

Recuso-me a adotar o discurso derrotista, saudosista e fúnebre de quem já considera que o Elinga não pode ser salvo. Enquanto ele ali estiver é meu (nosso) dever, desenvolver técnicas de resistência aos avanços da “gang do Betão” (expressão biznada do kota Reginaldo Silva).

Vamos à luta

Por Luaty Beirão

Artigos que vale a pena ler sobre este assunto: 1, 2, 3, 4

Sabes quem eu sou?

Alguns filósofos têm apontado a exclusão do outro como uma das formas mais eficazes para a deturpação do real em prol do interesse daquele que acusa e exclui o outro. Outros justificam com o “como enganar o povo”? seria basicamente atribuir um absurdo nesse outro e seguidamente reiterar o absurdo ao limite, um lugar tal de ilusões em que as pessoas acreditem cegamente no absurdo do outro e de forma deturpada fazerem um julgamento recheado de calúnias, inverdades, ignorâncias e preconceitos, em muitos casos justificando até mesmo a violência.

Michael Foucault traz com o conceito de exclusão¹ o que seria criar uma realidade irreal, viciando as pessoas à crença da mesma irrealidade. “O Alberto fuma liamba. É por fumar liamba que fala o que fala, pensa o que pensa e veste como veste” (exemplo análogo ao de Foucault, razão/loucura, adaptado à Angola atual) . Tal facto que só assenta na aparência, é consigo mesmo o único motivo para se excluir esse ser diferente de um mesmo espaço em que o interesse é comum, senão social.

Foto de noite angolana tirada da internet

Foto de noite angolana tirada da internet

Tudo isso somente para dizer que quando começamos de forma reiterada a escrever e a provocar discussões, na nossa opinião indispensáveis para a saúde de qualquer nação, uma classe privilegiada ou que não se sinta representada nem afectada pelo acto como sempre acontece, sairá com alguns argumentos lógicos mais quase nunca factuais nem consentâneos, tal pouco coerentes nem amparados na cientificidade, assim como posso conjecturar, para acusar-me de racista as avessas, problemático ou complexado. Essas acusações são a chave mestra para iniciar o jogo da inversão da culpa, delegação de valores, formalização da exclusão e daí direccionar o caso a banalidade ou a uma categoria inferior da discussão social.

Outros ao lerem o artigo poderão chamar-me de controverso porque ataco o racismo que se cria não apenas nas madrugadas Caluandas como á luz do seu dia, mas cito autores brancos como referência retórica, mas isso seria o não mais importante, a medida que o argumento é transvalorativo inclusive para o próprio branco racista, onde pode espelhar-se no desenvolvimento e não onde reverbera o retrocesso tal como faz o racismo; o racista.

O que trago aqui não apenas como reflexão mas como ataque a conduta rasteira que a psique colectiva normalizou em Angola, é a incitação á discussão que os angolanos não suportam discutir desde que me percebi em Angola e conduzir essa discussão á criação de políticas próprias de conscientização e sobretudo rigorosas que proíbam essas instituições a reiterarem tais práticas, e lhes apresentarem medidas que as sancionem aquando de tal prática.
Crente de que a música e a dança são representações culturais, tal como o teatro, o cinema e etc. qualquer discoteca é portanto, também um espaço cultural, onde as pessoas não mais se dirigem ali senão para se divertir com vista desanuviar o stress do dia, da semana, do mês ou do ano ou simplesmente porque gostam.

Certamente algumas pessoas se auto convenceram de que o dono de um estabelecimento privado está no direito de privá-lo da entrada na medida que o investimento é próprio. Não! Tal como o polícia que forja na sua cabeça e com sua vontade a sua lei na estrada na ausência de uma justiça, muitos empresários em Angola criam nas suas cabeças as suas leis noturnas jamais inerentes à constituição do país.

Por outro lado, o mais grave é que essas pessoas não sabem que o regulamento interno de qualquer investimento privado deve pautar-se na lei mãe, reguladora das leis do país e não isolada desse contexto jurídico.

Se um proprietário ou proprietária, alega que um ou outro consumidor não pode frequentar a sua discoteca porque não atende aos padrões estéticos recomendados, deve-se à partida contemplar todo e qualquer cidadão de uma ou de outra cor de pele, para além de representar-se na lei mãe do país, como citei anteriormente.

A nosso ver, o que acontece, é que muitos angolanos negros e outros (imaginemos os zairenses) são embargados à porta de casas noturnas e não só, por supostamente estarem vestidos inadequadamente, num mesmo momento em que estrangeiros brancos ou angolanos mais claros (mulatos, fulos etc.) entram para os mesmos espaços não se lhes exigindo o mesmo rigor estético².

As pessoas têm acesso a esses espaços, na verdade pela aparência que carregam no fenótipo e não porque existe uma ou outra lei reguladora. Razão para pensar que as ordens de embargar as pessoas possa surgir de um negro como de um branco que não queira aparecer para não ser acusado de racista. Aí seria um negro embargando outro negro, e o problema escaparia da questão racial aparentemente.

Outrossim, diz respeito aos negros que ali acedem, comportarem-se como os escravos da casa grande em relação os escravos da Sanzala. Os de dentro seriam os privilegiados e sentiriam-se vangloriados em relação os de fora. A era do VIP, vem agora para estratificar não apenas o negro de fora ao de dentro, mas como os poucos negros de dentro, assim estariam duas vezes separados. O de fora e o dentro, e o de dentro com o VIP. Esses não têm qualquer sensibilidade que os leva a crer que os seus semelhantes de fora estão ali porque têm a mesma cor da pele que ele e não é por ele ser melhor que está dentro, mas porque cumpre as exigências estéticas e agora financeiras que o preconceito decretou, daí o negrito nas expressões: exclusão, aparência, estética e diferente.

Nessa perspectiva, não sendo da competência jurídica do Mincult (Ministério da Cultura), censurar o investimento privado, é pelo menos da sua competência moral e a nível da sua responsabilidade social , manifestar uma nota de repúdio, a um comportamento criminal já amadurecido na sociedade angolana. É o Mincult, juntamente a outras instituições de direito que dialogam sobretudo as problemática dos direitos humanos tal como a própria sociedade civil, quem tem o dever e o direito de alertar a sociedade de um mal que viola aquilo que são os valores culturais angolanos.

E se pensarmos na Exclusão de Foucault, um trocadilho pode ser feito agora. Se ali o liambeiro é o excluído porque mal se veste, pensa e fala diferente, aqui o excluído é o negro angolano ou qualquer outro quando for diferente na aparência, falar e pensar diferente.
Finalmente devo esforçar a responsabilização do Mincult porque sabemos que é o órgão ou a instituição maior dentro do quadro cultural do país. E se como bem sabemos, for o dono do investimento o jurisconsulto ou se aquele que cria as leis é seu familiar, tudo torna-se mais difícil para o cidadão comum lutar contra a realidade do “sabes quem eu sou?”, onde a guerra das influências ditam as regras do jogo.

Daí que a sociedade precisa de uma mão, senão uma testa de ferro para juntamente começarmos a corrigir e ou reparar todos aqueles erros históricos que nos legou a consciência do auto desprezo e da inferiorização.

Por: Mário Lunga

 

1. Michael Foucault – “Ordem do Discurso”, pág 10.
2.O estético não diz respeito unicamente ao que pessoa vestiu ou calçou, mais do que isso o estético é fenótipico; é o que a pessoa é morfologicamente.  

 

 

A Hora da Mulher Rural?

Posted: February 11, 2014 in Argumentos, Opinião

Este artigo foi retirado da revista África 21 nº82 do mês de Fevereiro de 2014 e é sem sombra de dúvidas a mais interessante e frontal análise de uma das nossas muitas realidades, sem rodeios nem pinças, Fernando Pacheco esfarela entre dois dedos o inócuo discurso de fim-de-ano de JES que pretende como é de seu hábito enunciar prioridades distantes que (supõe ele) ninguém se interessará em cobrar (ao contrário do infâme “1 milhão de casas”) que não tenciona minimamente concretizar, neste caso específico o da “mulher rural”.

Vale muito a pena ler para se perceber como os fenómenos sociológicos se enlaçam explicando-se mutuamente e neste artigo o Fernando desmancha a corrente desta farsa elo por elo ligando com mestria o isolamento da mulher rural ao crescimento da zunga.

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Tirado do mural de facebook de um utilizador que ali se chama “Steven Lincoln” e trata-se de um relato detalhado do calvário que teve de passar para conseguir tratar do seu BI. Vamos respeitar a integridade do relato e mantê-lo tal qual foi redigido pelo autor.

É mais simples tratar deste BI do que daquele emitido pelos serviços de identificação

É mais simples tratar deste BI do que daquele emitido pelos serviços de identificação

“Por volta das 23h de ontém, fui ao Posto de Identificaçao da minha Zona, que fica a 1,8kms da casa do meu Avô. E posto lá, pus-me a falar com o segurança sobre a hora que deveria chegar para ser um dos primeiros. O segurança disse-me que a partir das 3H, 3h40 ja começam aparecer as pessoas. Entao implorei que colocasse o meu nome na lista visto que ja estava ali.

Por volta das 4h30, eu ja estva acordado e 5h03 minutos quando cheguei ao local ja encontrei perto de 50 pessoas. O segurança pediu-me entao que continuasse a fazer inscriçao dos que vinham aos poucos. E aos poucos a amanhecer, o numero foi crescendo. Antes mesmo das 8horas, ja estavamos em 137 pessoas.

As 7h50, o chefe do Posto( que para o meu espanto era meu amigo), foi o primeiro a aparecer e abriu logo as porto e demais funcionários foram aparecendo.
Dei a lista ao funcionário responsável pelo atendimento Externo e este fez questao de nos esclarecer que por razoes de por ordem de chegada, atenderiam primeiro os suplentes da lista do dia anterior, portanto 2-Feira( que eram ja 52 pessoas) e que, da lista de hoje, tirariam 91 individuos.

E o trabalho deles começou por volta das 8h10. Deu-se prioridade as senhoras com bebés, idosos, diminuídos físicos e alguns idosos. Depois de terem atendido toda essa gente + os da lista anterior, foi a minha de entregar o documento para análise.

As 11h passei para outro lado onde aguardava para tratar o GOLDEN B.I( fazer foto, tirar impressao e assinar)…outra fila.

Nao obstante ter observado muitas irregularidades como, pessoas que chegavm, faziam telefonemas e entravam pelas traseiras, mais de 5 computadores ligados mais apenas um indivíduo a atender e este, mesmo com o aviso de proibiçao do uso do telemovel, nao o largava!

Bom… ja cansado de tanto estar em pé ( a partir da 5h) exposto ao sol porque nao nao ha sequer algum tipo sombra, vejo um grupo de perto de 10 pessoas que eu inscrevi e que estavam num fim da lista, a serem chamados.

Fiquei passado! Invadi a sala e comecei a falar alto… chamei nomes… disse-lhes que eram eles que incentivavam desorganizaçao porque era absurdo que eu como a primeira pessoa estava ali sem ter sido atendido, ja passaram para numeros do fundo! Fiz cena…nao me importei com o meu facto e gravata, nao me importei com olhares…!
Pasme-se que só depois disso é que um funcionario de categoria veio ter comigo, com desculpas esfarrapadas e tentar argumentar o absurdo.

Fiz mais uns 4 a 6 minutos e o processo estava concluido( aguardando 1 semana para levantar).

Para dizer meus caros concidadãos, é este o terrivel sacrificio que as massas passam para ser apenas ANGOLANO! Isto sem mencionar a parte do Assento de Nascimento e depósito de emolumentos no banco atóa BPC.

Quando eu critico, faço-o com propriedade porque é realidade que vivo. Tenho tambem amigos em muitos sectores mas, ainda nao sou um sem-carácter para passar pelas traseiras ou tratar documentos de utilidade pública em casas daqueles que sao meros servidores público.

O pior que este sofrimento das massas, é o facto de nao haver imprensa para reportar, Inadec para se queixar/lamentar nem OPOSIÇÃO para fiscalizar e denúnciar!

Irmãos, estamos tramados!”