Archive for the ‘Opinião’ Category

Muitas vez sou interpelado tanto por familiares como amigos sobre o porquê que nós os jovens contestatários do status quo angolano não formamos o nosso próprio partido.

“Só sabem reclamar, porquê que não formam partido e concorram às próximas eleições? Organizem-se!”

É comum ouvir este apelo.  Num continente com a nossa história, onde o partido sempre teve um papel importantíssimo no tecido social de cada país, esta ideia tem os seus méritos. Foram as organizações partidárias que ajudaram-nos nas lutas pela independência e foram estes grandes movimentos de massas que tentaram depois construir estas recém-nascidas nações.

Reza a história que infelizmente, e em muitos casos, incluindo o nosso, os partidos ficaram mais interessados na manutenção do poder do que na construção de uma nação. Começou-se a confundir o partido e o estado. No nosso caso, tal distinção é quase impossível. Os partidos tornaram-se hegemónicos e passaram a controlar todas as facetas da vida politica, económica, financeira e até mesmo social.

Como resultado, todas as outras forças da chamada sociedade civil em Angola perderam influência e relevância, revelando hoje uma fraqueza incomum em países democráticos. Na sua maioria, não têm expressão e lhes é vetado o acesso aos órgãos de comunicação social estatal.

Os partidos, por sua vez, já não correspondem às expectativas de todos os cidadãos. Salvo algumas notáveis excepções, os seus integrantes parecem mais interessados em manter as suas carreiras como ‘políticos’ em vez de servidores públicos. O caminho para a aquisição de bens materiais e estabilidade financeira e familiar passa pela politica; exercer politica torna-se uma carreira e os ditos servidores públicos vêm aquilo como uma profissão.

Recentemente um conhecido politico de uma das formações parlamentares da actual oposição afirmou o seguinte, quando confrontado sobre o porquê que deputados têm de andar com BMWs ou Jaguares: “Queriam que um deputado andasse à pé?”, como se as suas únicas opções fossem andar à pé ou de BMW. Esta simples resposta espelha bem a desconexão entre aqueles que foram eleitos para defenderem os interesses do povo, a maioria do qual anda à pé e/ou de candongueiros, e os que sentam-se todos os dias na Assembleia Nacional a fazer não se sabe bem o quê.

Um reflexo de tal atitude é a falta de políticos com ideologias próprias. Tornou-se comum assistirmos políticos a abandonarem partidos após décadas de militância e aparecerem na televisão a falar mal dos mesmos, sempre com a devida projecção massiva nos órgãos de informação estatal.

No partido no poder, os cargos que se dão já não correspondem ao nível de sabedoria do ‘encarregado’.  São muito mais importantes os “corredores” e interesses ocultos. Nota-se, em todas as esferas, uma gritante falta de investimento no homem, e nota-se a prevalência da intriga, onde a prioridade é manutenção do cargo a todo custo. A máquina partidária tornou-se muito grande para o seu próprio bem.

Daí a necessidade de resgatar uma sociedade civil forte. Movimentos realmente espontâneos. Ideias novas, uma forma de pensar diferente. Acções que realmente fazem estremecer o status quo e que façam as pessoas pararem para pensar e reflectir. Acções que mexam com um ‘sistema’ no seu todo.

Sinto que as manifestações e outras formas do exercício da cidadania activa são um exemplo disso no nosso contexto, onde impera a cultura do ‘sim chefe’ e da obediência cega. Se antes os povos de certas áreas de Luanda não ofereciam muita resistência às demolições desumanas dos seus bairros, hoje o povo do Margoso já soube organizar-se e manifestar-se, exercendo assim a sua cidadania. Este tipo de atitude teve um começo.

Não é à toa que vemos o partido no poder em parampas sempre que um grupo de jovens munidos só com cartazes tentam realizar uma manifestação pacífica. Esta reacção ocorre exactamente porque a organização juvenil não era propriamente um partido, não tem propriamente um líder para se corromper, é imprevisível, espontânea e diferente.

Os movimentos juvenis nunca terão a mesma força que uma UNITA ou um MPLA no que toca a mobilização (ou coerção/corrupção?) das camadas mais desfavorecidas e não só ou no que toca a sua força organizacional. Seria ingénuo tentar competir com estes grandes e não é este o necessariamente o nosso trabalho. Como jovens que somos, porque não mudar os moldes da competição em si? Porque não mudar as regras do jogo em vez de enveredar pelo mesmo caminho? Porque não mudar o jogo?

O nosso trabalho deve ser despertar as consciências daqueles que ainda estão mergulhados no sono da ditadura e da quase democracia. O nosso trabalho deve ser suscitar o debate, fazer uso dos nossos direitos, e contribuir para fortalecer a sociedade civil. O nosso trabalho deve ser feito na rua, nos lares, olhos nos olhos de irmão para irmão, e não em salas fechadas em conversas sobre estatutos partidários, lista de deputados e que tipo de carro usar na próxima legislatura.

Se queremos ser os líderes de amanhã, temos que começar por ser o factor da mudança HOJE. E para isso não precisamos de partidos; precisamos de nós mesmos e da vontade da mudança.

-Cláudio C. Silva

PORQUÊ ÁFRICA?

Porquê que África ainda é pobre e subdesenvolvida? Porquê que ainda sofre com problemas que já conhecem solução há mais de um século? Porquê que as ditaduras Africanas são sagradas? Porquê que eleições em África ainda são uma guerra? Porquê que os políticos são corruptos e a grande maioria dos de África corrompidos? Porquê que as instituições africanas em grande medida são frágeis, inexistentes e fracas? Enfim, porquê que embora descolonizada, a África tende a regredir ao invés de progredir?

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Estive em Abril numa conferência em Banjul, Gâmbia. Era a 53ª Sessão da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos. Foi a primeira vez que tomei parte numa sessão dessas. Durante a conferência, muitas reflexões sobre a África, as instituições e os países africanos me correram a cabeça. Reconheça-se que a Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos é uma instituição ou organismo muito valioso, num continente onde alguns líderes defendem que “direitos humanos não enchem a barriga”.

Quando voltei para casa, a minha reflexão aprofundou-se ainda mais. Era a 53ª Sessão, a primeira aconteceu há 26 anos (foi em 1987 na Etiópia). A 53ª acontecia no país-sede da Comissão. Uma das questões que me ocorreram foi, o que essas sessões já produziram em termos de seu objeto social para África ou para um país específico? Se muito já se produziu, ótimo. Se pouco ou nada, porquê?

Comecei a ler sobre a União Africana, PALOP, SADC, CEDAO, CPLP e outras instituições e organismos africanos. Quando eu olho para essas organizações lembro-me que são todas um “unir de forças” para mudar o paradigma de África, ou dos respectivos países membros. No entanto, o que noto acontecer é inversamente contrário àquilo que me parece ser o objetivo principal dessas unidades e coligação de forças (sempre admitindo a minha cota e direito de estar errado). Noto que cada país membro continua sendo o que sempre foi. Os países membros da UA continuam em grande parte nas mesmas dificuldades que o pós-colonialismo os deixou. Outros, até para demover seus longevos ditadores tiveram que contar com intervenções da NATO sob o olhar sagradamente impávido da UA. A OUA foi criada há 50 anos (1963) e metamorfoseada para UA em 2002, há 11 anos.

Os países membros da SADC continuam sendo o que sempre foram pese embora a unificação: se pobres continuam na sua pobreza, se desenvolvidos ou em vias, continuam nessa senda sem contagiarem ou animarem os outros países membros a isso; se com ditadores, continuam com os seus ditadores, ou pelo menos demovidos por forças externas ou talvez não. A SADC foi criada há 21 anos (1992).

Os países membros da CPLP: os desenvolvidos continuam desenvolvidos sem influenciarem os não desenvolvidos e os não desenvolvidos continuam a sua sorte. Os PALOPs idem, os da CDEAO não são diferentes. A CPLP existe há 17 anos. Os PALOPs há 34 anos (1979). A CDEAO existe há 38 anos (1975).

Fazendo uma média aritmética, ou seja, somando o tempo de existência de cada uma das organizações e dividindo pelo número de organizações, chegamos a média de 32 anos por organização, ou seja, em média cada organização existe e luta a 32 anos para mudar o paradigma da África. A questão é: Quanto já se conseguiu mudar? PORQUÊ? Porquê que as coisas aparentam ou estão na mesma? Em todas as vertentes: Social, Política, Economia, Direitos Humanos, Pobreza, Fome, Pandemias, Conflitos, Instabilidade, etc?

ENCARAR E DEBATER OS PROBLEMAS TAL COMO SÃO

Noé Nhantumbo, escritor moçambicano, na sua obra Renascença Africa – Sonho ou Realidade diz o seguinte: “Acreditamos que um dos principais problemas que temos no continente é a incapacidade de encararmos as nossas questões de frente e falarmos delas abertamente. Há como que um receio coletivo de admitir que nós próprios podemos ser a razão de ser dos problemas. Os nossos líderes e governos são rápidos em acusar o passado colonial e a oposição política de seus países por todo e qualquer problema que apareça.” Acho que a maioria dos leitores deve estar lembrada do discurso de 15 de Abril de 2011 do camarada clarividente presidente dos Santos, ou do quanto a UNITA, o Bloco Democrático e outras forças da oposição foram e têm sido acusadas, uns de saudosistas da guerra, outros de estarem a apoiar a arruaça, uns ainda de desestabilizadores que querem a guerra, contra a paz que nos custou muito a conquistar!

Os nossos problemas têm sempre um culpado e este culpado nunca somos nós mesmos. Os outros estão sempre errados, e, quando cometem um erro, até as salamandras devem saber que os nossos inimigos cometeram um erro, mesmo que as informações sejam caluniosas ou difamatórias. E nós? Nós nunca estamos errados. E, quando eventualmente os cometermos, abafá-los-emos. Canta-se o patriotismo, a responsabilização social que cada um de nós como ser social carrega, mas é a pátria a que mais se sacrifica, é a sociedade a que menos se liga importância. É na ação prática onde vemos que estas palavras não passam de cadáveres.

Por que as políticas públicas dos nossos países são ineficazes? Por que os planos de desenvolvimento desenvolvem mais problemas? Por que há sempre os que querem impedir a execução da benevolência do estado? Por que só discutir o fatiar do bolo (OGE) e não solicitar se saciou a fome?

Martin Luther King disse: “Injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça de todos os lugares.” Lembrem-se, líderes, que quando não se sabe por que se governa, governa-se o que se quer. Mas quando se sabe por que se governa, governamo-nos com o que se quer.

CEGUEIRA IDEOLÓGICA E POLÍTICA

O colonizador quando esteve em África, entendeu que a maneira de tornar a colonização mais eficiente era fazer com que o colonizado precisasse da colonização. Não é de admirar que só depois de séculos de colonização é que a consciência africana começou a despertar-se para a descolonização. Era forçado ao colonizado negar a sua identidade e aceitar os valores que lhe eram impingidos. Ao fim ao cabo, não sabia quem exatamente ele era.

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Hoje, muitos líderes africanos sofrem da crise ideológica. Não sabem o que são, de onde vieram, só sabem talvez onde não querem ir – fora do poder! A sua desorientação ideológica é impingida aos súditos através do recurso ao terror e intimidações, forçando os súditos a vê-los como a única solução para os seus problemas. Os nossos líderes não são originais em grande parte e o seu apetite espoliativo, insaciável. São bons papagaios vários deles, imitam seletivamente o que lhes apraz e algumas vezes, aquilo a que se vêem obrigados a imitar. Olhem por exemplo, quão bem endossadas são algumas constituições e leis ordinárias africanas e a distância que as separa da vontade política de as aplicar como elas são, especialmente se tal aplicação significar um puxão de orelha ao líder! Analise quão difícil e quiçá, impossível é para esses líderes praticar o jogo democrático!

Porquê que a corrupção está institucionalizada em muitos países? Porquê que há muito protecionismo e impunidade? Porquê que as leis não têm a mesma força que lhes endossa o papel? “Quando o poder legislativo se transforma num clube de membros, primordialmente preocupados em melhorar o nível das suas regalias, tudo isto acontecendo sob a vista de um executivo comerciante, estão inegavelmente montados os instrumentos mais eficazes para perpetuar o atual panorama nos nossos países.” Diz Noé Nhantumbo na mesma obra.

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 FUGA AO SONHO AFRICANO

África foi traída pelos seus próprios filhos e seu sonho continua adiado. Durante todos esses anos, produziu líderes cegos, mas cegos pela própria vontade, castrados pelo descontrolado ego e pela falta de vontade de assumir sua cota parte na desgraça do continente de uma forma geral, e a de seus países de uma forma particular. Pela sua falta de vontade e determinação de construírem uma África melhor; Pela sua insensatez que os transformou em simples repetidores de palavras vagas em discursos imitado; Pela sua curta visão que até hoje não lhes ensinou o básico que governar não é governar-se, é moldar-se à vontade de quem confiança nos depositou para lhe suprir algumas expectativas! Pela pandemia de considerarem seus países – celeiros e seus concidadãos, meros ceifeiros.

Diz o velho adágio que na terra de cegos, Camões é rei. A pura verdade é que na terra de reis cegos, o povo é cativo. Líderes cegos e vazios são autoritários, opressivos e intimidatórios. A única forma de colher subserviência é pelo uso da força e da intimidação, este recurso aprisiona o povo até que apareça de dentro do povo um camões. Contrariamente ao adágio anterior, ser Camões na terra de reis cegos não é ganhar majestade. Ser camões em terra de reis cegos é tempestade, isso se ainda se lhe permitir sentir a tempestade.

O nosso continente foi sempre de abundância. O colono foi nosso guia, mas depois virou nosso inimigo, no entanto, hoje, é nosso ídolo. Mas em grande parte é idolatrado pelo que ele foi no passado e não pelo que aprendeu a ser hoje. O que mais corre na mente do líder é quanto pode tirar para si e para os seus, pois o futuro é sempre incerto. Competência e dever pátrio estão longe da prioridade, em muitos casos. Servir ou servir-se, a última é a fórmula aplicada e a primeira amiúde é a que vive nos discursos.

 

Mbanza Hamza

Nfuka

Ponto prévio: não sou, nunca fui e não espero vir a ser da UNITA. Entretanto o que acontece ao Nfuka e à outros angolanos, enquanto concidadãos, dizem-nos respeito a todos, daí muito boa gente crítica ao poder vierem à terreiro em defesa de Garcia Miala e mais recentemente Quim Ribeiro, quando entenderam estarem a ser injustiçados.

Nos idos anos de 2002/3, se a memória não me atraiçoa, altura que o conheci, certamente, salvo quem tivesse tido contacto com suas ideias, quase ninguém dava por ele, tal era o aspecto franzino, modesto denunciando sua condição social humilde. Na altura morador do Palanca e estudante do conhecido “PUNIV CENTRAL”, Nfuka Fuaka Muzemba e um conjunto de outros jovens já faziam importantes reflexões sobre a Angola de então, a guerra que, já terminada, tinha deixado feridas profundas que careciam de cicatrização, da necessidade de acordos de paz que vingassem, a construção de um Estado bom para se ser jovem. Eram ávidos e assíduos ouvintes dos noticiários e acesos debates emitidos pela Rádio Ecclesia e Voz da América, frequentadores das Conferências que eram organizadas Por Organizações da Sociedade Civil e tinham contactos estreitos com políticos e activistas cívicos que se destacavam pela exposição de suas ideias e a maneira como se batiam pelas mudanças que se impunham, ainda eram ávidos leitores dos jornais privados e alguns livros que tomavam emprestados. Foi naquele ambiente que se idealizou o MOVIMENTO DE ESTUDANTES ANGOLANOS – MEA, como um meio de luta pelos direitos dos estudantes e não só. Nfuka já tinha ideias bem avançadas e concretas sobre os combates e as consequências inerentes a tal “atrevimento”. Sinceramente, não sei por onde andavam nem o que faziam os seus actuais detractores da JURA.

O MEA teve como grande marca, a exigência ao governo, da instituição do passe social para os estudantes, que permitiria a esta franja da sociedade viajar sem custos, ou com custos subvencionados, nos autocarros de transportes públicos (caso a proposta fosse implementada); facto que viria servir de mote para o surgimento das primeiras manifestações organizadas por estudantes não universitários, de que tenho memória. Nfuka, o principal ideólogo da organização e pares, andavam de escola em escola, na periferia de Luanda, a fim de darem a conhecer o MEA e mobilizar jovens para a causa. Na periferia, não raramente, contactavam amigos, amigos e conhecidos dos amigos, apesar dos riscos inerentes, a julgar pelo ambiente político de então.

Eram dos momentos, que reputo de mais difíceis e arriscados, desde que acompanho o país social e político, só comparável, talvez, ao contexto em que surgiu o movimento 7311. Daí os jovens do MEA terem apanhado bastantes porretes, experimentado cadeias e outras sevícias, por parte das autoridades policiais angolanas.

O jovem do momento, destacou-se igualmente na Universidade Agostinho Neto, como estudante que protagonizava acesos debates dentro e fora das aulas, candidato ao cargo de Presidente da Associação dos Estudantes da Faculdade de Direito, e teve participação activa como membro da Associação da Universidade Agostinho Neto, a primeira e única a organizar uma grande manifestação verdadeiramente de estudantes universitários.

A trajectória, resumida neste texto, do Nfuka valeu-lhe convites para ir à Conferências internacionais na Europa e em África, isto nos anos 2003 ao 2005/6. Portanto, produto de lutas cívicas e estudantis granjeou protagonismo, espaço e muita estima no seio de instituições internacionais, da juventude angolana e não só.

De lá para cá Nfuka Muzemba nunca mais se inibiu de fazer a luta que acredita ser por um Estado Democrático e de Direito.

Naquelas circunstâncias socialmente difíceis, pois as condições eram mesmo precárias, já se falavam em aliciamentos, compras e vendas de consciências, talvez mais do que acontece hoje. Viu-se muitos mudarem da água para o vinho estranhamente, dizia-se terem sucumbido ao tilintar do “vil metal”. Facto ou não, é óbvio que não posso provar. Sei apenas que o Nfuka não sucumbiu, apesar das pressões – até mesmo por parte de professores na universidade, que chegaram a fazer desaparecer suas notas, etc. – pelo contrário, foi sendo cada vez mais interventivo, tendo mesmo feito pronunciamentos e protagonizado factos que incomodaram certos sectores do partido no poder em Angola.

 

  1. 1.    A entrada na política

Desejo de conferir outra dimensão à sua luta e convicto que pela via da real politik, daria um contributo maior para “aprofundamento da democracia” e realização social dos angolanos e de Angola, cedeu aos assédios do partido UNITA, pois acreditava ser esta a única força capaz de provocar mudanças no país.

Como é evidente a UNITA não o recrutou pelos seus lindos olhos, mas sim por todo seu capital simbólico acumulado, conquistado à custa de muitos combates e de não pouca pancada. Importa referir que o Nfuka fez tal opção contra a de todos os outros amigos; num conjunto de mais de dez amigos, foi o único a fazê-lo, e passou a levar o Galo Negro ao peito com tudo e contra toda a adversidade. Vimo-lo envolvido até ao pescoço na campanha eleitoral 2008, mesmo sabendo que só um milagre o colocaria no parlamento, tal era a distância em que se encontrava na lista de deputados, não se coibiu de usar até mesmo a sua viatura e outros meios pessoais, a fim de chegar aos bairros de Luanda à “caça” de votos.

Em 2010 foi eleito Secretário-geral do braço juvenil do Galo Negro, em Congresso. Também não foi por acaso que tal feito se concretizou. Foi também porque não havia ninguém na JURA capaz de dar sequência ao que Adalberto Catchiungo, Albano Pedro e outros tinham começado. A eleição de um jovem mukongo foi importante igualmente para se desconstruir a ideia da UNITA tribalista, funcionou como um inusitado piscar de olhos à juventude interventiva, serviu para a consolidação da edificação de uma organização modernizada e inclusiva, ou pelo menos vender esta imagem. A trajectória do novo SG claramente “arrastou” muita juventude para a JURA em particular e a UNITA em geral, que passaram a ter uma melhor imagem externa e a incomodar mais ao adversário mor. Por essas e outras a eleição de Nfuka Fuakaka Muzemba à deputado foi por mérito próprio.

Aqui chegado, foi com tremenda estranheza, que tomamos conhecimento da irregular/anormal suspensão a mando do SG da UNITA, Sr.º Vitorino Nhany (embora este e depois o Presidente do partido tivessem desmentido).

Segundo o Comunicado Final do Comité Permanente da UNITA, de 26.07 último, a Comissão de Inquérito constituída para averiguar as acusações de que é alvo o SG da JURA, obtiveram provas que configuram factos puníveis pela Lei Penal da República de Angola. Nfuka Muzemba é acusado de utilização abusiva e fraudulenta do timbre e carimbo de um órgão da UNITA junto da Embaixada de Portugal em Angola para obtenção de vistos de entrada naquele país do velho continente, para cidadãos estranhos à UNITA, em troca de dinheiros, ter compromissos inconfessos com o empresário Bento Kangamba dos Santos e seu elenco, nomeadamente o director de gabinete deste e o senhor Gabriel Veloso, assessor de imprensa do empresário. Suborno, falsas declarações, abuso de poder e corrupção activa e passiva.

Aquí é que “a porca torce o rabo”! Pois senão vejamos: pelo percurso, resumido é claro, que traçamos deste jovem, não seria muito mais fácil ter cedido às eventuais pressões para “conversão” ou “heresia” (?), quando mesmo já sendo SG da JURA, não tinha uma salinha sequer, orçamento nem subsídio para fazer o seu trabalho? E mais, nesta altura, de 2010 à meados de 2012, o também membro do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA andava a contar os passos (à pé), ainda assim sofreu calado, intransigente e sorridente, como se fosse o militante mais feliz do partido, quadro alterado apenas nas vésperas das últimas eleições, com a concessão de uma sede à JURA e uma viatura ao seu SG, podendo deste modo trabalhar com certa dignidade. Com a eleição à deputado melhorou sobremaneira a sua condição social.

Aqui chegado, julgo não fazer muito sentido, alguém que “resistiu” nos piores momentos, só agora se tornará corrupto “activo e passivo”, vendedor de vistos e manterá relações com quem quer que seja para “inviabilizar actos” do seu próprio partido, que reconheça-se, levou-lhe ao status actual!

Por outro lado, o discurso tido como radical do Nfuka não mudou em momento nenhum. Não tenho assistido aos debates parlamentares, mas chegaram-me informações segundo as quais no Parlamento o SG da JURA não é dos que “entra calado e sai mudo”, contrariamente à maioria dos seus colegas de bancada, muitos dos quais “dormem onde deviam estar acordados e acordam onde deviam dormir”; e fora da casa das leis o seu discurso tem sido o que temos ouvido, o que, também ouvimos, já mereceu chamadas de atenção internamente, no sentido de moderar.

Mais um dado: fonte partidária disse-nos, que depois das eleições até ao momento da sua suspensão, nunca mais recebeu orçamento partidário ou qualquer subsídio para a realização de actividades, tendo passado a custear algumas com dinheiro próprio. Porque será? Terá havido intenção da parte de alguém da Direcção do partido, em boicotar o seu mandato e causar-lhe a imagem de incompetente? A ser verdade, será inocente tal atitude?

O passado talvez traga outra luz sobre este momento menos bom do partido amado pelo nosso deputado Muzemba. Segundo fonte conhecedora dos meandros da JURA institucionalizada, o actual SG será a segunda “vítima” de semelhante tratamento. O 1º terá sido o Adalberto Catchiungo, por muitos considerado o fundador da JURA moderna, pois diz-se que terá sido no seu mandato que que o braço juvenil do Galo Negro evoluiu para uma instituição com estatutos, regulamentos, autonomia administrativa e outros condimentos.

As fontes que vimos citando, dizem que Catchiungo assemelha-se ao Nfuka, pela intrepidez e outras qualidades, e ainda pelo cometimento do que alguém apodou de “pecado capital”, ou seja, não terem “sabido escolher” o lugar de nascença e no caso do primeiro, também a tez da pele. Adalberto é do Huambo e não “black”, e Nfuka oriundo do Uíge (por sinal nasceu em Luanda e já não se lembrará da data que cá chegou, pois cresceu e se fez homem na cidade capital).

Algumas pessoas lembrar-se-ão de terem ouvido o kota Jorge Valentim, nas vésperas de sua saída do “galinheiro” e posteriormente, suscitar o debate da existência de tribalismo e muito recentemente outros dissidentes confirmarem o “facto”, o que levará a não descartar a hipótese do SG da JURA estar a ser vítima desta suposta realidade. O que se disse e diz-se, é que na UNITA progride confortavelmente a “gente do Bié” e alguns do Huambo, contanto que pertençam a certa elite interna e não seja “clarinho”. Daí a queda de Catchiungo, segundo se diz.

Outrossim, Nfuka não é herdeiro da cultura UNITA, sendo que vem de outra escola política, o que leva a que tenha uma visão e formas de ser e estar na política que não lhe permitem subscrever determinados procedimentos, mas leva-lhe a entender que a militância não tem o direito de retirar-lhe a liberdade de pensar pela própria cabeça bem como agir como mandam os princípios da democracia e da ética política. Essa postura adicionada à sua têmpera reivindicativa, próprias de um “animal da sociedade civil”, que nunca deixou de ser, segundo vozes bem colocadas no “galinheiro”, não é bem vista “ladjum”, porquanto muitas vezes comporta-se como uma espécie de “não-alinhado”. E parece haver exemplos disso: Nfuka não terá subscrito nem dado “sangue” aos planos conspiratórios anti-Abel Chivukuvuku e por sinal não é dos que tem algo contra o Gen. Kamalata Numa, não tendo feito em ocasião alguma, em nome da JURA, qualquer moção de censura aos tais adversários do substituto do “mano mais velho”, valendo-lhe o rótulo de “contra o mano Samakuva” e a condição de “sapo entalado no pescoço” de certa elite “galinheira”.

A fazer-se fé no que se aventa estar na base de todo esse imbróglio, o anunciado linchamento político de Nfuka era só uma questão de tempo, e não haveria um momento melhor que o aproximar do ano das eleições na JURA, 2014, e faltarem ainda alguns anos para a realização das próximas eleições, autárquicas ou gerais, no país, pois até lá qualquer estrago terá sido concertado.

Curiosamente, até onde me lembro, o MPLA que é criticado por tudo que é imaginável e mais outras, desde que me conheço, não tem trado desse modo aos seus membros no activo ou não, que eventualmente tenham-se incompatibilizado com o seu Presidente/Direcção do partido; por exemplo, ainda não vimos ser “desenterrado” eventuais deslizes do Marcolino Moco (pode não tê-los), ou “criado” trapaças, para lhe incriminarem, apesar de se tornar um crítico do regime liderado pelo Presidente José Eduardo dos Santos. Há outros exemplos. Então, fará sentido a pergunta de alguns concidadãos: “Quem é pior ou melhor que quem”? Ou a comparação, entre a UNITA e o MPLA, feita por Makuta Nkondo, segundo a qual “a UNITA e o MPLA são iguais”!

Estas reflexões que entendemos introduzir conduzem-nos à outras não menos importantes. Para já permito-me augurar que Nfuka Muzemba não será expulso das hostes “galinheiras”, embora pense que poderá ter o nome na lista negra.

Diante destes acontecimentos e eventualmente futuros outro, como deverá reagir a nossa geração? Que tratamentos merecem formações partidárias alegadamente aspirantes ao poder, em cuja vida interna desconfia-se fazer-se a apologia do que criticam no adversário, ou quiçá pior? Antes, como enquadrar o caso Nfuka? Há realmente a intenção de um linchamento político? Quem estará interessado nisso?

Na Parte II deste “Traços do percurso de Nfuka, e o anúncio do seu linchamento político” traremos mais elementos de análise.

 

Adão Ramos, o autor do texto

Adão Ramos, o autor do texto

No dia 4 de Julho de 2013 apareceram no Facebook imagens de uma plataforma petrolífera afundar-se no mar. A legenda dizia algo do género “Sonda da SAIPEM colapsa no Soyo”. O acidente teria acontecido 2 ou 3 dias antes, mas incrivelmente, conseguiu manter-se um manto silencioso e abafar um assunto dessa gravidade e dimensão até que essas imagens fossem reveladas. Imediatamente começou o festival de ataques aos nossos órgãos de (des)informação que têm uma incompetência atestada com direito a quadro de honra há já muitos anos (para não dizer desde sempre) e de quem não deveríamos esperar melhor.

O facto é que essa imprensa, timidamente lá reagiu, mencionando muito superficialmente uma efeméride que num país com liberdade de imprensa teria sido dissecado minuciosamente. Na nossa Angola não! É só mais um fait-divers, ensanduichado entre a “notícia” da visita de alguém com pouca importância para o angolano ao presidente JES e o concurso Miss Angola Esquina-do-bairro-desconhecido, passado em forma de comunicado chato, sem imagens e sem análise. É o costume.

Interessante foi ver como alguns detractores do regime se deram ao trabalho de encontrar imagens de um afundamento de sonda no Youtube, baixarem para os seus computadores e voltarem a subi-lo com um novo título sugerindo que corresponderiam a imagens da sonda da SAIPEM, a tal que se tinha admitido engolida pelo mar.

Mais interessante ainda, a maneira com que os incansáveis defensores do indefensável se lançaram num ataque feroz a quem, induzido pela já comprovada veracidade das imagens anteriores, se precipitou na partilha desse vídeo sem verificar a sua fonte.  Acusações com recurso a adjectivos que remontam aos idos anos 80 vieram à baila, demonstrando a idolatria ao que o seu chefe produz de pior e a profundidade da cristalização da mentalidade dessa gente, fossilizada a tal ponto que não parece mesmo ser irreversível. Até hoje há posts em que usam o facto de, também nós, termos caído na esparrela e partilhado dito vídeo, para “provar” que não somos diferentes daqueles que acusámos de parcialidade criminosa (JA, RNA, TPA) e que usamos de baixarias para denegrir o regime.

Esclarecimento: felizmente, temos alguns leitores muito atentos e em menos de 3 minutos tivemos um comentário remetendo-nos para o link original do afundamento que, afinal, se terá passado ao largo da costa iraniana, no Golfo Pérsico. Confrontados com essa gaffe, apagámos IMEDIATAMENTE o post e passámos a comentar diligentemente em todos os posts que apareciam no nosso feed que publicassem o vídeo como tendo ocorrido em Angola. Até hoje há pessoas que são induzidas pela legenda do vídeo e por associá-lo à notícia da plataforma da SAIPEM, essa sim, “tombada pela nossa independência”. Somos rigorosamente CONTRA o uso de desonestidade deliberada para denegrir os nossos detractores e daí termos removido, acto contínuo, o dito vídeo. Com um regime como o nosso, não é preciso inventar factos ou acusações, pois ele é prolífico em produzi-los diariamente, brindando-nos com mais material do que aquele que conseguimos digerir, esmiuçar e regurgitar em forma de análise articulada.

Mas vamos lá comparar as imagens REAIS da sonda “afogada” com as do vídeo que se quer fazer passar por original e pensar se é assim tão absurdo que sejamos todos induzidos em erro e se, se filmagens houvessem, o vídeo da sonda da SAIPEM a ir ao fundo teria sido tão diferente assim do que aqui colocamos.

Fotos da plataforma SAIPEM

Plataforma SAIPEM engolida no Soyo

Vídeo de uma plataforma IRANIANA a naufragar
 

Uma ideia sobre a nova bandeira que o MPLA deve adoptar. Estamos aqui para ajudar, afinal de contas queremos ser úteis!

“O mais importante é resolver os problemas do povo.”*

* – Mas primeiro os nossos. E depois os dos nossos filhos. E depois os das nossas amantes. E depois os dos nossos Mercedes. E depois o do nosso cão. E depois os dos nossos jogos de casinos. E talvez depois, se sobrar algo, compramos aí um chafariz…

MPLA Bandeira NOVA

Car@s compatriotas,

Desde o dia 7 de Março de 2011 que um grupo volúvel de jovens, maioritariamente apartidários, decidiu afirmar-se publicamente insatisfeito com o estado actual de uma Angola que é de todos quantos ela assista nascer e ainda de outros que herdam o direito de lhe pertencer por laços sanguíneos, independentemente da sua cor, raça ou credo, como reza a sua atípica Constituição.

Pela noção, quiçá exagerada, de que o país estaria refém de uma partidarização da sociedade, estes jovens fizeram inicialmente questão de sublinhar como carácter identitário da sua união o seu apartidarismo.

Recusando fórmulas de organização hierárquica já experimentadas centenas de vezes e contra todos os conselhos de mais-velhos sensatos, optámos por não ter uma estrutura, um organigrama, estatutos, códigos, ou sequer um nome que pudesse definir-nos, pois não queríamos formar mais um clube sectário, uma associação ou ONG que com os seus critérios restritos acaba por ser mais exclusivo que inclusivo, justamente o contrário do que um MOVIMENTO deve ser.

Um movimento deve promover a liberdade de opinião, estimular cada um dos seus integrantes a propor ideias, motivá-los à acção colectiva ou individual, moralizá-los que são tão importantes quanto o próximo, convencê-los que procurem o líder dentro de si e não se limitem a seguir alguém que, humano como o resto, também tomará decisões mal ajuizadas, não esperar ordens ou autorizações, ser proativo.

Esta modalidade revelou-nos imensas vantagens mas, como tudo o resto na vida, algumas desvantagens, que levaram a alguns reveses.

Infelizmente, alguns desses reveses vieram a revelar-se insuportáveis conduzindo a situações de ruptura entre alguns manos com posicionamentos diametralmente opostos em questões estruturantes.

Assim sendo, e por haver uma manifesta decisão em formalizar o movimento, atribuindo-lhe um nome, um logotipo, estatutos e o resto dos requisitos que definem uma estrutura formal, alguns de nós decidiram demarcar-se dessa nova rota e continuar a explorar o caminho mais incerto e cujo potencial está ainda por desvendar: o caminho do proativismo e o de cada-cabeça-é-uma liderança, ou como poderão alguns desejar chamá-lo, o caminho da anarquia, sem a sua conotação pejorativa.

Nós, os subscritores deste comunicado, encorajamos todos aqueles que tenham outra visão da luta e das formas que esta pode ou deve assumir, a trilhar o caminho que entenderem mais adequado, pois todos os caminhos vão dar à Roma e objectivo é comum: a destituição de José Eduardo dos Santos, o fim da ditadura e o desmantelamento da camarilha corrupta que se quer perpetuar no poder em detrimento dos interesses do já sofrido povo angolano.

Assim sendo, felicitamos calorosamente o nossos irmãos do MPU, MORANGO e o recém-criado MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO pelas suas escolhas corajosas e firmes, desejando-lhes todos os sucessos nas suas empreitadas e reiterando que da nossa parte, sociedade civil aberta, poderão contar com o apoio nas áreas que dominamos, sempre que nos revirmos em qualquer das suas acções e isso inclui a utilização dos nossos espaços para divulgação das mesmas, caso não tenham a isso objecção os supracitados movimentos.

Estamos juntos nesta luta.

Subscrevem a este posicionamento:
Alemão Francisco
Abraão Chissanga
Adão Ramos
Benedito Umbassanju
Cláudio Silva
Emiliano Catombela
Fábio Sebastião
Graciano Brinco
João António Zanzuca
Kady Mixinge
Luaty Beirão
Luís Rocha
Manuel das Mangas
Manuel Nito Alves
Massilon Chindombe
Mbanza Hamza
Nicolas Radical
Osvaldo Caholo
Rabi D. Freitas
Raúl Mandela
Tukayano Rosalino
Timóteo João

Polícia Rua

O ministério da defesa terá que seleccionar parte de sua corporação para o enquadramento a PNA a UGP (fiéis ao presidente) terá que seleccionar no mínimo 4.000 homens para a Policia nacional. Porque razão estas movimentações de peças no tabuleiro?

Eu penso que fica muito pesado usar militares para combater o povo nas ruas, logo vale adoptar para a policia militares com instruções para a guerra afim de conterem uma possível avalanche que por sinal é o que se avizinha.

Vimos pelos vídeos e in loco o tanto que há de jovens desempregados e consequentemente frustrados na busca de uma vaga para a corporação. Porque então desta necessidade de desfalcar a defesa? Friamente se preparam as fileiras dos analfabetos para o triunfo dos porcos.

Claramente o receio de que se atinja o êxtase pela discrepância entre alguns e a maioria, começamos a pressionar o botão do medo e terror a cada novo dia. O crime é em vários os casos uma ferramenta do governo dentro do seu estado para que se prenda as pessoas dentro de casa e não pensar em outra coisa senão na protecção da policia que muitas vezes nem vem a ser.

Porque razão aumentou a criminalidade nos dias de hoje? não será que é encomenda de alguém? porque os criminosos usam armas usadas só e só mesmo pela policia (AKM, IGRAM, JERICHU, GALILE) quem é o fornecedor?

Estranha-me ver numa altura em que todas as força policiais andam pelas ruas, um numero maior de raptos e mortes, uma realidade que até há pouco não era nossa. Ainda me prendo na ideia de que as miúdas de 14, 15, 16, 17…20 anos que desaparecem estranhamente vão parar à Ásia para uma vida sem consenso nem orgulho de a tornar verdade.

Quem regula a entrada de estrangeiros que facilmente se misturam entre nós? Quem acompanha comportamentos e cadastros aqui? Quem sabe sobre as crianças que vemos no Ecos e Factos tidas como desaparecidas e depois não sabemos sobre o final? Quem fala sobre o uso do êxtase ( a droga ) nas discotecas? Quais as medidas para combater os crimes que estamos a adoptar? Aumentar a força policial ajuda? Os psicólogos onde andarão?

Diariamente vemos casos de arrepiar casos do tipo Jorge Valério, barbaramente assassinado, como a dona Bárbara, caso de pessoas mortas e postas em depósitos de lixo, sequestro e queimada de pessoas em casa ou carro…

Será que os porcos triunfaram, ou estamos a dar fácil o prémio Nobel da vida?

Fanuel da Tribo de Ezer

KAtróCadaver
Sinto enorme prazer assistindo representações cénicas de pessoas ” altamente qualificadas” como meus amigos, Morgan Freeman, Denzel Washington, Lázaro Ramos, Adelino Caracol e outros Profissionais que tratam esta arte por “tu”, e conseguem excitar, fazer chorar ou roubar um sorriso do leigo ao mais profundo critico teatral, porém, o mesmo não se aplica quando esta arte é transportada para o Futebol através de simulações de faltas, ou na Política mascarando a falta de vontade com Reuniões, Encontros, Discursos ou Promessas cheias de rugas, desdentadas e nuvens de cabelos branco, pois, diferente do Teatro, na Política, o bom Actor não é aquele que representa bem, mas sim o que faz melhor, o bom Actor Político não é aquele que promete mais, mas sim aquele que cumpre com rigor e coerência os programas que estabelece e obedece à risca as Leis que implementa.
Se por qualquer eventualidade fosse convidado a estar presente, teria perguntado ao meu ” Chefinho” sobre as motivações que o galvanizam a arquitectar o nepotismo, trafico de influência e a crónica engenharia da corrupção golpeando diariamente a Constituição, a Lei da Probidade e outros diplomas que copiamos de Portugal sem ler…
Teria enorme prazer em saber porque a gestão da tela foi entregue como brinquedos aos filhotes sem concurso público? Porquê a ex Mboa chefiando a ANIP? Porque o Papoite Zenú, no fundo soberano? A Garina e a Nené no Parlamento? Os Negócios daqui e dali conflituando interesses do Estado? E finalmente, teria o questionado sobre a mágica fórmula que catapulta uma Zungueira de ” ovos” à  bilionária?!!!
Quem sabe assim teríamos todos Jovens de Cabinda a Cunene a genial estratégia de como escapar da pobreza e da miséria com ajuda da “Mana Belinha”.
A seguir teria lhe mostrado a página 28 da edição do Jornal de Angola do  dia 13  de Outubro de 2012, sobre a epígrafe ” Músicos que participaram na campanha eleitoral” do MPLA, e a respectiva lista para atribuição de casas na Centralidade do Kilamba,  onde segundo o Chefinho não houve ” Exclusão”…
Considerando o facto de ter 34 anos de Poder, teria gosto em saber, quantos anos mais precisava para nos deixar com água e luz antes de partir?
Quando é que o Arquitecto começa a formar os ” quadros altamente qualificados”? Quanto tempo o ” excelentíssimo” necessitava para deixarmos de ir ao Brasil, Namíbia e Londres fazer consultas?
Também gostaria de saber para quando as Maratonas e Discursos com Livros de oferta envés de Cucas, Pinchos e músicas do Nagrelha nas colunas?
Além de Kassule e Kamulingue, teria perguntando também sobre as investigações das mortes de Mfulupinga, Ricardo de Melo, Cherokee e outros…
Findo isto, solicitaria o seu bom senso em Negociar com camarada ” ordens superior” para conjuntamente permitirem a realização do meu Grande Show no dia 1 de Setembro.
Diaraby, o Cadáver Andante 

Devemos começar a destacar algumas figuras que pelo seu carácter e postura rectilínea não irão ter muitas portas abertas para si. A maior parte dos artistas receia as represálias que poderá sofrer abrindo-se acerca das suas opiniões acerca de assuntos sensíveis que podem sempre ferir sensibilidades.

Sabendo que estes artistas não têm espaço na rádio e muito menos nos palcos do patrocinador da juventude e chefe miliciano Bento Kangamba, e tendo em conta que não é por falta de talento, tentaremos de quando em vez fazer-lhes pequenas e simbólicas homenagens como esta no nosso humilde cantinho cibernético.

Vamos partilhar dois vídeos do Sanguinário, contendo as duas músicas uma grande carga emocional abordando com bravura e atitude dois temas tabús tanto na nossa música como na nossa sociedade: política e religião. Os dois extraordinariamente produzidos por um talento bruto chamado Kallisto.

No entanto, iremos destacar a primeira, sublinhando algumas das citações que a marcam. O tema intitula-se “Deixem-nos em Paz” e inspirou um slogan que se vem formando desde a última manifestação a 30 de Março de 2013 e que estava tanto no artigo que a anunciava como no panfleto que depois foi produzido para distribuição. Eis algumas citações:

“É o meu filho que morreu por negligência médica. Não se vive do salário, que se foda a ética!”

“Calar é consentir e eu não calo, mando lixar a profissão que exerço e falo! Venham insultos e ameaças eu não me abalo. Há um segredo por trás da cortina vou revelá-lo.”

“Deixem-nos em paz, somos só 20%”

“Justiça parcial? Isso é ditadura!”

“Queremos algo para além da roupa que vestimos”

“Talvez um dia eu seja expulso, mas até lá, eu não mudo o meu discurso!”

Senhoras e senhores: Sanguinário!

 

O fim da pobreza?

Posted: June 18, 2013 in Argumentos, Notícias, Opinião

Desde ontem que tem estado a circular uma informação que dá conta do “reconhecimento da FAO ao ritmo de cumprimento dos objectivos de desenvolvimento do milénio por parte de Angola, que irá antecipar-se assim às datas preconizadas pela Organização dos Alimentos e Agricultura das Nações Unidas”.

Uma leitura mais cuidada das felicitações estendidas à Angola pela FAO revela rapidamente a fanfarronice de costume por parte dos nossos órgãos públicos, especialistas em fogos-de-artifício que depois do efeito-maravilha efémero, se reduzem aos fétidos odores de pólvora queimada.

Pedimos a João Stattmiller, angolano atento e sensível ao tema, que nos fizesse uma leitura do que estava realmente em causa e até que ponto devemos congratular-nos com estas constatações. Hoje, brindou-nos com a sua análise que abaixo reproduzimos.

“Conforme solicitado aqui deixo uma nota sobre a recente notícia de que a FAO “premiou” o governo Angolano por ter atingido as metas de desenvolvimento do milénio na questão da redução da fome. Em primeiro lugar gostaria de salientar que procurei no site oficial da FAO e nada encontrei que diga isso, talvez sejam os meus olhos portanto deixo o link para que cada um faça a sua busca e se encontrar é favor partilhar.

http://www.fao.org/countryprofiles/index/en/?iso3=AGO&subject=4

Por outro lado em relação à noticia é preciso notar nela as entrelinhas. Diz o seguinte a notícia:

“Angola e Brasil fazem parte dos bem sucedidos, o país africano conseguiu diminuir em 57% o número de pessoas sujeitas a fome desde 1990-92, passando dos 63% da população para os 27%.”

Em 90/92, há mais de duas décadas atrás, estávamos em plena guerra e com mais de metade da população (63%) a depender da ajuda alimentar do PAM. Hoje esse número foi de facto reduzido o que não quer dizer que 27% da população em situação de insegurança alimentar seja aceitável.

De resto confesso que não tive acesso a qualquer relatório e dados da FAO para poder de analisá-lo de forma crítica e sobre ele tecer considerações.

O que posso dizer é que já desde o fim da guerra que a chamada (na altura) Missão FAO/PAM não se realiza.

Como conheço bem essa missão pois nela participei várias vezes posso informar que era uma missão de recolha de dados e pesquisa anual que procurava obter dados para calcular a produção em cada ano e o respectivo deficit alimentar em Angola bem como as suas implicações na segurança alimentar das populações.

Servia em sentido lato para calcular em função do deficit na produção nacional quais seriam as necessidades de importação de alimentos (quer por via comercial quer pela ajuda alimentar) de forma a evitar a fome.

Desconheço portanto, a fazer fé na notícia, que dados foram usados pela FAO para chegar às conclusões que chegaram e aferir o cumprimento das metas de desenvolvimento do milénio na componente de segurança alimentar, até porque segundo os próprios dados oficiais do Ministério da Saúde de Angola* no caso por exemplo das crianças com menos de 5 anos temos 5,9% com má nutrição severa a que se juntam mais 35.6% a viver com má nutrição crónica, portanto um total de 41,5% de todas as crianças com menos de 5 anos no país a sofrer com problemas de má nutrição.E isto, repito, nas estatísticas oficiais do Ministério da Saúde.

Só por si este número é bem elucidativo do impacto actual e para as gerações futuras da insegurança alimentar e contraria a propaganda a propaganda do “sucesso” anunciado.

Tenho dito e defendo que este problema da insegurança alimentar e da má nutrição, em particular das nossas crianças, é uma questão de “segurança nacional” pois para além da mortalidade que provoca também afecta de forma irreversível o desenvolvimento físico e intelectual de quase metade dos adultos de amanhã. Com as consequancias para o país que podemos imaginar. Espero que isto possa contribuir para a reflexão em torno do assunto.

Abraços

João”

*O sublinhado é nosso

Nota da Central:

Depois de uma pequena busca pelo universo cibernético encontrámos esta notícia no site da FAO que deixa bem claro que Angola terá atingido o primeiro objectivo de desenvolvimento do milénio, a saber, o de “reduzir pela metade o número de pessoas afectadas pela fome”, juntamente com 38 outros países, dentre os quais o Bangladesh, Camarões, Cambodja, Níger, Nigéria, entre outros.

Do grupo de 38 países, 20 não conseguiram ir além desse primeiro objectivo de desenvolvimento dentre os quais, como podemos constatar, estamos nós.

Os outros 18 superaram um objectivo mais rigoroso estipulado no World Food Summit em 1996 que era o de reduzir pela metade o número de subnutridos até 2012. Dentre estes 18 constam países como o Quirguistão, Arménia, Cuba, Venezuela, Tailândia e os africanos Djibouti, Ghana e … S. Tomé e Príncipe.

Vejam agora como o nosso Pravda escangalhou este dado e escarrapachou na sua primeira página a sua vergonhosa propaganda:

JA sem-vergonha