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No dia 4 de Julho de 2013 apareceram no Facebook imagens de uma plataforma petrolífera afundar-se no mar. A legenda dizia algo do género “Sonda da SAIPEM colapsa no Soyo”. O acidente teria acontecido 2 ou 3 dias antes, mas incrivelmente, conseguiu manter-se um manto silencioso e abafar um assunto dessa gravidade e dimensão até que essas imagens fossem reveladas. Imediatamente começou o festival de ataques aos nossos órgãos de (des)informação que têm uma incompetência atestada com direito a quadro de honra há já muitos anos (para não dizer desde sempre) e de quem não deveríamos esperar melhor.

O facto é que essa imprensa, timidamente lá reagiu, mencionando muito superficialmente uma efeméride que num país com liberdade de imprensa teria sido dissecado minuciosamente. Na nossa Angola não! É só mais um fait-divers, ensanduichado entre a “notícia” da visita de alguém com pouca importância para o angolano ao presidente JES e o concurso Miss Angola Esquina-do-bairro-desconhecido, passado em forma de comunicado chato, sem imagens e sem análise. É o costume.

Interessante foi ver como alguns detractores do regime se deram ao trabalho de encontrar imagens de um afundamento de sonda no Youtube, baixarem para os seus computadores e voltarem a subi-lo com um novo título sugerindo que corresponderiam a imagens da sonda da SAIPEM, a tal que se tinha admitido engolida pelo mar.

Mais interessante ainda, a maneira com que os incansáveis defensores do indefensável se lançaram num ataque feroz a quem, induzido pela já comprovada veracidade das imagens anteriores, se precipitou na partilha desse vídeo sem verificar a sua fonte.  Acusações com recurso a adjectivos que remontam aos idos anos 80 vieram à baila, demonstrando a idolatria ao que o seu chefe produz de pior e a profundidade da cristalização da mentalidade dessa gente, fossilizada a tal ponto que não parece mesmo ser irreversível. Até hoje há posts em que usam o facto de, também nós, termos caído na esparrela e partilhado dito vídeo, para “provar” que não somos diferentes daqueles que acusámos de parcialidade criminosa (JA, RNA, TPA) e que usamos de baixarias para denegrir o regime.

Esclarecimento: felizmente, temos alguns leitores muito atentos e em menos de 3 minutos tivemos um comentário remetendo-nos para o link original do afundamento que, afinal, se terá passado ao largo da costa iraniana, no Golfo Pérsico. Confrontados com essa gaffe, apagámos IMEDIATAMENTE o post e passámos a comentar diligentemente em todos os posts que apareciam no nosso feed que publicassem o vídeo como tendo ocorrido em Angola. Até hoje há pessoas que são induzidas pela legenda do vídeo e por associá-lo à notícia da plataforma da SAIPEM, essa sim, “tombada pela nossa independência”. Somos rigorosamente CONTRA o uso de desonestidade deliberada para denegrir os nossos detractores e daí termos removido, acto contínuo, o dito vídeo. Com um regime como o nosso, não é preciso inventar factos ou acusações, pois ele é prolífico em produzi-los diariamente, brindando-nos com mais material do que aquele que conseguimos digerir, esmiuçar e regurgitar em forma de análise articulada.

Mas vamos lá comparar as imagens REAIS da sonda “afogada” com as do vídeo que se quer fazer passar por original e pensar se é assim tão absurdo que sejamos todos induzidos em erro e se, se filmagens houvessem, o vídeo da sonda da SAIPEM a ir ao fundo teria sido tão diferente assim do que aqui colocamos.

Fotos da plataforma SAIPEM

Plataforma SAIPEM engolida no Soyo

Vídeo de uma plataforma IRANIANA a naufragar
 

Uma ideia sobre a nova bandeira que o MPLA deve adoptar. Estamos aqui para ajudar, afinal de contas queremos ser úteis!

“O mais importante é resolver os problemas do povo.”*

* – Mas primeiro os nossos. E depois os dos nossos filhos. E depois os das nossas amantes. E depois os dos nossos Mercedes. E depois o do nosso cão. E depois os dos nossos jogos de casinos. E talvez depois, se sobrar algo, compramos aí um chafariz…

MPLA Bandeira NOVA

Car@s compatriotas,

Desde o dia 7 de Março de 2011 que um grupo volúvel de jovens, maioritariamente apartidários, decidiu afirmar-se publicamente insatisfeito com o estado actual de uma Angola que é de todos quantos ela assista nascer e ainda de outros que herdam o direito de lhe pertencer por laços sanguíneos, independentemente da sua cor, raça ou credo, como reza a sua atípica Constituição.

Pela noção, quiçá exagerada, de que o país estaria refém de uma partidarização da sociedade, estes jovens fizeram inicialmente questão de sublinhar como carácter identitário da sua união o seu apartidarismo.

Recusando fórmulas de organização hierárquica já experimentadas centenas de vezes e contra todos os conselhos de mais-velhos sensatos, optámos por não ter uma estrutura, um organigrama, estatutos, códigos, ou sequer um nome que pudesse definir-nos, pois não queríamos formar mais um clube sectário, uma associação ou ONG que com os seus critérios restritos acaba por ser mais exclusivo que inclusivo, justamente o contrário do que um MOVIMENTO deve ser.

Um movimento deve promover a liberdade de opinião, estimular cada um dos seus integrantes a propor ideias, motivá-los à acção colectiva ou individual, moralizá-los que são tão importantes quanto o próximo, convencê-los que procurem o líder dentro de si e não se limitem a seguir alguém que, humano como o resto, também tomará decisões mal ajuizadas, não esperar ordens ou autorizações, ser proativo.

Esta modalidade revelou-nos imensas vantagens mas, como tudo o resto na vida, algumas desvantagens, que levaram a alguns reveses.

Infelizmente, alguns desses reveses vieram a revelar-se insuportáveis conduzindo a situações de ruptura entre alguns manos com posicionamentos diametralmente opostos em questões estruturantes.

Assim sendo, e por haver uma manifesta decisão em formalizar o movimento, atribuindo-lhe um nome, um logotipo, estatutos e o resto dos requisitos que definem uma estrutura formal, alguns de nós decidiram demarcar-se dessa nova rota e continuar a explorar o caminho mais incerto e cujo potencial está ainda por desvendar: o caminho do proativismo e o de cada-cabeça-é-uma liderança, ou como poderão alguns desejar chamá-lo, o caminho da anarquia, sem a sua conotação pejorativa.

Nós, os subscritores deste comunicado, encorajamos todos aqueles que tenham outra visão da luta e das formas que esta pode ou deve assumir, a trilhar o caminho que entenderem mais adequado, pois todos os caminhos vão dar à Roma e objectivo é comum: a destituição de José Eduardo dos Santos, o fim da ditadura e o desmantelamento da camarilha corrupta que se quer perpetuar no poder em detrimento dos interesses do já sofrido povo angolano.

Assim sendo, felicitamos calorosamente o nossos irmãos do MPU, MORANGO e o recém-criado MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO pelas suas escolhas corajosas e firmes, desejando-lhes todos os sucessos nas suas empreitadas e reiterando que da nossa parte, sociedade civil aberta, poderão contar com o apoio nas áreas que dominamos, sempre que nos revirmos em qualquer das suas acções e isso inclui a utilização dos nossos espaços para divulgação das mesmas, caso não tenham a isso objecção os supracitados movimentos.

Estamos juntos nesta luta.

Subscrevem a este posicionamento:
Alemão Francisco
Abraão Chissanga
Adão Ramos
Benedito Umbassanju
Cláudio Silva
Emiliano Catombela
Fábio Sebastião
Graciano Brinco
João António Zanzuca
Kady Mixinge
Luaty Beirão
Luís Rocha
Manuel das Mangas
Manuel Nito Alves
Massilon Chindombe
Mbanza Hamza
Nicolas Radical
Osvaldo Caholo
Rabi D. Freitas
Raúl Mandela
Tukayano Rosalino
Timóteo João

Polícia Rua

O ministério da defesa terá que seleccionar parte de sua corporação para o enquadramento a PNA a UGP (fiéis ao presidente) terá que seleccionar no mínimo 4.000 homens para a Policia nacional. Porque razão estas movimentações de peças no tabuleiro?

Eu penso que fica muito pesado usar militares para combater o povo nas ruas, logo vale adoptar para a policia militares com instruções para a guerra afim de conterem uma possível avalanche que por sinal é o que se avizinha.

Vimos pelos vídeos e in loco o tanto que há de jovens desempregados e consequentemente frustrados na busca de uma vaga para a corporação. Porque então desta necessidade de desfalcar a defesa? Friamente se preparam as fileiras dos analfabetos para o triunfo dos porcos.

Claramente o receio de que se atinja o êxtase pela discrepância entre alguns e a maioria, começamos a pressionar o botão do medo e terror a cada novo dia. O crime é em vários os casos uma ferramenta do governo dentro do seu estado para que se prenda as pessoas dentro de casa e não pensar em outra coisa senão na protecção da policia que muitas vezes nem vem a ser.

Porque razão aumentou a criminalidade nos dias de hoje? não será que é encomenda de alguém? porque os criminosos usam armas usadas só e só mesmo pela policia (AKM, IGRAM, JERICHU, GALILE) quem é o fornecedor?

Estranha-me ver numa altura em que todas as força policiais andam pelas ruas, um numero maior de raptos e mortes, uma realidade que até há pouco não era nossa. Ainda me prendo na ideia de que as miúdas de 14, 15, 16, 17…20 anos que desaparecem estranhamente vão parar à Ásia para uma vida sem consenso nem orgulho de a tornar verdade.

Quem regula a entrada de estrangeiros que facilmente se misturam entre nós? Quem acompanha comportamentos e cadastros aqui? Quem sabe sobre as crianças que vemos no Ecos e Factos tidas como desaparecidas e depois não sabemos sobre o final? Quem fala sobre o uso do êxtase ( a droga ) nas discotecas? Quais as medidas para combater os crimes que estamos a adoptar? Aumentar a força policial ajuda? Os psicólogos onde andarão?

Diariamente vemos casos de arrepiar casos do tipo Jorge Valério, barbaramente assassinado, como a dona Bárbara, caso de pessoas mortas e postas em depósitos de lixo, sequestro e queimada de pessoas em casa ou carro…

Será que os porcos triunfaram, ou estamos a dar fácil o prémio Nobel da vida?

Fanuel da Tribo de Ezer

KAtróCadaver
Sinto enorme prazer assistindo representações cénicas de pessoas ” altamente qualificadas” como meus amigos, Morgan Freeman, Denzel Washington, Lázaro Ramos, Adelino Caracol e outros Profissionais que tratam esta arte por “tu”, e conseguem excitar, fazer chorar ou roubar um sorriso do leigo ao mais profundo critico teatral, porém, o mesmo não se aplica quando esta arte é transportada para o Futebol através de simulações de faltas, ou na Política mascarando a falta de vontade com Reuniões, Encontros, Discursos ou Promessas cheias de rugas, desdentadas e nuvens de cabelos branco, pois, diferente do Teatro, na Política, o bom Actor não é aquele que representa bem, mas sim o que faz melhor, o bom Actor Político não é aquele que promete mais, mas sim aquele que cumpre com rigor e coerência os programas que estabelece e obedece à risca as Leis que implementa.
Se por qualquer eventualidade fosse convidado a estar presente, teria perguntado ao meu ” Chefinho” sobre as motivações que o galvanizam a arquitectar o nepotismo, trafico de influência e a crónica engenharia da corrupção golpeando diariamente a Constituição, a Lei da Probidade e outros diplomas que copiamos de Portugal sem ler…
Teria enorme prazer em saber porque a gestão da tela foi entregue como brinquedos aos filhotes sem concurso público? Porquê a ex Mboa chefiando a ANIP? Porque o Papoite Zenú, no fundo soberano? A Garina e a Nené no Parlamento? Os Negócios daqui e dali conflituando interesses do Estado? E finalmente, teria o questionado sobre a mágica fórmula que catapulta uma Zungueira de ” ovos” à  bilionária?!!!
Quem sabe assim teríamos todos Jovens de Cabinda a Cunene a genial estratégia de como escapar da pobreza e da miséria com ajuda da “Mana Belinha”.
A seguir teria lhe mostrado a página 28 da edição do Jornal de Angola do  dia 13  de Outubro de 2012, sobre a epígrafe ” Músicos que participaram na campanha eleitoral” do MPLA, e a respectiva lista para atribuição de casas na Centralidade do Kilamba,  onde segundo o Chefinho não houve ” Exclusão”…
Considerando o facto de ter 34 anos de Poder, teria gosto em saber, quantos anos mais precisava para nos deixar com água e luz antes de partir?
Quando é que o Arquitecto começa a formar os ” quadros altamente qualificados”? Quanto tempo o ” excelentíssimo” necessitava para deixarmos de ir ao Brasil, Namíbia e Londres fazer consultas?
Também gostaria de saber para quando as Maratonas e Discursos com Livros de oferta envés de Cucas, Pinchos e músicas do Nagrelha nas colunas?
Além de Kassule e Kamulingue, teria perguntando também sobre as investigações das mortes de Mfulupinga, Ricardo de Melo, Cherokee e outros…
Findo isto, solicitaria o seu bom senso em Negociar com camarada ” ordens superior” para conjuntamente permitirem a realização do meu Grande Show no dia 1 de Setembro.
Diaraby, o Cadáver Andante 

Devemos começar a destacar algumas figuras que pelo seu carácter e postura rectilínea não irão ter muitas portas abertas para si. A maior parte dos artistas receia as represálias que poderá sofrer abrindo-se acerca das suas opiniões acerca de assuntos sensíveis que podem sempre ferir sensibilidades.

Sabendo que estes artistas não têm espaço na rádio e muito menos nos palcos do patrocinador da juventude e chefe miliciano Bento Kangamba, e tendo em conta que não é por falta de talento, tentaremos de quando em vez fazer-lhes pequenas e simbólicas homenagens como esta no nosso humilde cantinho cibernético.

Vamos partilhar dois vídeos do Sanguinário, contendo as duas músicas uma grande carga emocional abordando com bravura e atitude dois temas tabús tanto na nossa música como na nossa sociedade: política e religião. Os dois extraordinariamente produzidos por um talento bruto chamado Kallisto.

No entanto, iremos destacar a primeira, sublinhando algumas das citações que a marcam. O tema intitula-se “Deixem-nos em Paz” e inspirou um slogan que se vem formando desde a última manifestação a 30 de Março de 2013 e que estava tanto no artigo que a anunciava como no panfleto que depois foi produzido para distribuição. Eis algumas citações:

“É o meu filho que morreu por negligência médica. Não se vive do salário, que se foda a ética!”

“Calar é consentir e eu não calo, mando lixar a profissão que exerço e falo! Venham insultos e ameaças eu não me abalo. Há um segredo por trás da cortina vou revelá-lo.”

“Deixem-nos em paz, somos só 20%”

“Justiça parcial? Isso é ditadura!”

“Queremos algo para além da roupa que vestimos”

“Talvez um dia eu seja expulso, mas até lá, eu não mudo o meu discurso!”

Senhoras e senhores: Sanguinário!

 

O fim da pobreza?

Posted: June 18, 2013 in Argumentos, Notícias, Opinião

Desde ontem que tem estado a circular uma informação que dá conta do “reconhecimento da FAO ao ritmo de cumprimento dos objectivos de desenvolvimento do milénio por parte de Angola, que irá antecipar-se assim às datas preconizadas pela Organização dos Alimentos e Agricultura das Nações Unidas”.

Uma leitura mais cuidada das felicitações estendidas à Angola pela FAO revela rapidamente a fanfarronice de costume por parte dos nossos órgãos públicos, especialistas em fogos-de-artifício que depois do efeito-maravilha efémero, se reduzem aos fétidos odores de pólvora queimada.

Pedimos a João Stattmiller, angolano atento e sensível ao tema, que nos fizesse uma leitura do que estava realmente em causa e até que ponto devemos congratular-nos com estas constatações. Hoje, brindou-nos com a sua análise que abaixo reproduzimos.

“Conforme solicitado aqui deixo uma nota sobre a recente notícia de que a FAO “premiou” o governo Angolano por ter atingido as metas de desenvolvimento do milénio na questão da redução da fome. Em primeiro lugar gostaria de salientar que procurei no site oficial da FAO e nada encontrei que diga isso, talvez sejam os meus olhos portanto deixo o link para que cada um faça a sua busca e se encontrar é favor partilhar.

http://www.fao.org/countryprofiles/index/en/?iso3=AGO&subject=4

Por outro lado em relação à noticia é preciso notar nela as entrelinhas. Diz o seguinte a notícia:

“Angola e Brasil fazem parte dos bem sucedidos, o país africano conseguiu diminuir em 57% o número de pessoas sujeitas a fome desde 1990-92, passando dos 63% da população para os 27%.”

Em 90/92, há mais de duas décadas atrás, estávamos em plena guerra e com mais de metade da população (63%) a depender da ajuda alimentar do PAM. Hoje esse número foi de facto reduzido o que não quer dizer que 27% da população em situação de insegurança alimentar seja aceitável.

De resto confesso que não tive acesso a qualquer relatório e dados da FAO para poder de analisá-lo de forma crítica e sobre ele tecer considerações.

O que posso dizer é que já desde o fim da guerra que a chamada (na altura) Missão FAO/PAM não se realiza.

Como conheço bem essa missão pois nela participei várias vezes posso informar que era uma missão de recolha de dados e pesquisa anual que procurava obter dados para calcular a produção em cada ano e o respectivo deficit alimentar em Angola bem como as suas implicações na segurança alimentar das populações.

Servia em sentido lato para calcular em função do deficit na produção nacional quais seriam as necessidades de importação de alimentos (quer por via comercial quer pela ajuda alimentar) de forma a evitar a fome.

Desconheço portanto, a fazer fé na notícia, que dados foram usados pela FAO para chegar às conclusões que chegaram e aferir o cumprimento das metas de desenvolvimento do milénio na componente de segurança alimentar, até porque segundo os próprios dados oficiais do Ministério da Saúde de Angola* no caso por exemplo das crianças com menos de 5 anos temos 5,9% com má nutrição severa a que se juntam mais 35.6% a viver com má nutrição crónica, portanto um total de 41,5% de todas as crianças com menos de 5 anos no país a sofrer com problemas de má nutrição.E isto, repito, nas estatísticas oficiais do Ministério da Saúde.

Só por si este número é bem elucidativo do impacto actual e para as gerações futuras da insegurança alimentar e contraria a propaganda a propaganda do “sucesso” anunciado.

Tenho dito e defendo que este problema da insegurança alimentar e da má nutrição, em particular das nossas crianças, é uma questão de “segurança nacional” pois para além da mortalidade que provoca também afecta de forma irreversível o desenvolvimento físico e intelectual de quase metade dos adultos de amanhã. Com as consequancias para o país que podemos imaginar. Espero que isto possa contribuir para a reflexão em torno do assunto.

Abraços

João”

*O sublinhado é nosso

Nota da Central:

Depois de uma pequena busca pelo universo cibernético encontrámos esta notícia no site da FAO que deixa bem claro que Angola terá atingido o primeiro objectivo de desenvolvimento do milénio, a saber, o de “reduzir pela metade o número de pessoas afectadas pela fome”, juntamente com 38 outros países, dentre os quais o Bangladesh, Camarões, Cambodja, Níger, Nigéria, entre outros.

Do grupo de 38 países, 20 não conseguiram ir além desse primeiro objectivo de desenvolvimento dentre os quais, como podemos constatar, estamos nós.

Os outros 18 superaram um objectivo mais rigoroso estipulado no World Food Summit em 1996 que era o de reduzir pela metade o número de subnutridos até 2012. Dentre estes 18 constam países como o Quirguistão, Arménia, Cuba, Venezuela, Tailândia e os africanos Djibouti, Ghana e … S. Tomé e Príncipe.

Vejam agora como o nosso Pravda escangalhou este dado e escarrapachou na sua primeira página a sua vergonhosa propaganda:

JA sem-vergonha

Num artigo intitulado ““Sua Excelência Zé Dú, somos jovens autóctones exigindo que o senhor se aposente” reacção de Pedrowski Teca, jovem do Movimento Revolucionário, à entrevista de JES na SIC” num blog de notícias que entretem, Pedrowski Teca endereça uma carta aberta à JES. A leitura é longa mas muito interessante. Acompanhem abaixo um excerto e carreguem depois no link que vos remeterá ao blog original do autor.

drowskidiplomado

… de uma maneira geral, são jovens com certas frustrações que não conseguiram, não tiveram sucesso durante a sua vida escolar ou académica, não conseguiram uma boa inserção no mundo do emprego, etc., mas que estão fundamentalmente muito localizados“, José Eduardo dos Santos em SIC Notícias aos 6 de Junho de 2013.

Sua excelência, sou o Pedrowski Teca de 26 anos de idade, nascido no Município da Samba, Província de Luanda, na antiga República Popular de Angola e sou um membro orgulhoso do Movimento Revolucinário.
São jovens com certas frustrações
Em primeiro lugar gostaria de esclarecer que a tua frase “são jovens com certas frustrações” não condiz com a nossa realidade porque o que chamas de “frustração”, é na verdade o radicalismo característico de jovens.
Radicalismo este que é visto por sua excelência como “frustração” porque não é pro ao status-quo mas é aposto à sua ditadura monárquica, a sua corrupção, ao seu nepotismo e ao seu roubo descarado do erário público à favor da sua família e dos teus amigos em detrimento do povo angolano.
Com o nosso radicalismo juvenil de intervenção social, será que a sua excelência sabe o porquê que nos chamamos de “jovens revolucionários”? O escritor e jornalista inglês George Orwell (1903-1950) disse que “numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um acto revolucionário” e sua excelência nos detem arbitrariamente, nos espanca e tortura, nos prende e emprisiona, tudo porque falamos sobre a verdade das nossas próprias vidas que o senhor desgoverna à quase 34 anos.
Não tiveram sucesso na vida escolar ou académica
Quanto as palavras de os jovens “que não conseguiram, não tiveram sucesso durante a sua vida escolar ou acadêmica”, surpreendeu-me que mesmo com os equipamentos mais caros de alta e novas tecnologias de comunicação, rastreamento, infiltração e invasão e violação do direito à privacidade dos cidadãos, que tem comprado com vista à relação e colaboração bilateral com o Israel, o senhor presidente continua ignorante dos perfis, particularmente das qualificações, dos jovens que por dois anos têm te dito “32+2 É MUITO”.
Os ataques de sua excelência aos jovens indefesos do Movimento Revolucionário que por ti “estão fundamentalmente muito localizados” foram tidas por nós como uma estratégia para minimizar o efeito das nossas ações e descredibilizar-nos como pessoas intelectuais e formadas com capacidade de pensar com as nossas próprias cabeças. Desacreditas-nos de tal maneira que procuras fantasmas que supostamente nos influenciam para fazermos o que fazemos.
Felizmente, tenho más notícias para a sua excelência: muitos de nós somos técnicos superiores, alguns já licenciados, outros já no ensino superior e não desconsiderando que pela idade, muitos ainda estão no ensino médio.
Eu sou formado em “Jornalismo e tecnologias de informação” pela Universidade de Ciências e Tecnologias (the Polytechnic) da vizinha República da Namíbia, onde no dia 16 de Abril de 2011 fui graduado com um diploma do mesmo curso pelo seu homólogo, Sua Excelência, o Presidente Hifikepunye Lucas Pohamba, nas instalações do Safari Hotel na capital, Windhoek.
“Não conseguiram uma boa inserção no mundo do emprego”
Excelentíssimo, quem, quando, como e onde fez e divulgou as estatísticas de que a pobreza em Angola está entre 35 e 36 por centos se desde a independência, o país jamais conseguiu realizar pelo menos um censo populacional?
Estando em Windhoek, eu pessoalmente participei e fui contado no último censo populacional efectuado naquele país que atualmente tem somente 2.5 milhões de habitantes, e sabes quais questões apetece-me fazer-te? Se sua excelência tem as estatísticas de que a pobreza em Angola está entre 35% e 36%, então porque não nos dizer também o nível e as razões de desempregos no país? Quantos jovens estão actualmente desempregados? Qual é a percentagem ou o número estimativo de jovens, crianças, velhos e em que condições vivem em Angola? Poderá nos dizer quantos quadros qualificados temos no país e a percentagem em suas respectivas áreas de formação? Poderá nos dizer quantos estrangeiros, particularmente os chineses, estão em Angola e em que sectores?
Sua excelência, um docente na Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, Bryan Stevenson, disse: “o oposto de pobreza não é a riqueza. Em muitos casos, o oposto da pobreza é a justiça”.
E o emprego?
Excelentíssimo, ao contrário de Angola, a Namíbia não facilita o estrangeiro: formado ou não. O que a sua excelência errou em não mencionar quando convidou os português à virem em Angola, foi por não dizeres “desde que cumpram com as leis do país”.
Na Namíbia, estas leis exigem à um cidadão estrangeiro em primeiro lugar a ser um especialista formado e em segundo lugar a ter uma certa quantia de dinheiro que o qualifica como um investidor capaz de empregar namibianos desempregados e trazer uma mais valia àquele país com os seus bens e serviços.
A Namíbia tem leis que impedem estrangeiros a exercerem cargos de motoristas, cabelereiros, garsonetes, empregados de limpeza, etc, e será que a sua excelência pode me explicar como é que em Angola temos chineses a trabalharem como vendedores ambulantes (“zungueiros”), ajudantes de contrução civil, motoristas e noutras profissões? Quantos cidadãos estrangeiros (malianos, eritreus, os chamados mamadus, etc) abrem lojas e cantinas nos nossos bairros e cidades e em que posições de imigração se encontram? Sei que muitos estão na condição de refugiados! Sabias que os refugiados angolanos na Namíbia não eram permitidos sairem do campo de refugiados chamado “Osire”? Sabias que os refugiados angolanos não eram permitidos trabalharem como tais e deviam estar sempre na tutela e cuidados do alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados? Porquê que um estrangeiro vem em Angola exercer uma profissão que exige pouca formação acadêmica enquanto existem muitos angolanos no desemprego?
E eu? Será que me inseri no “mundo do emprego”?
Na condição de estudante de jornalismo, ganhei o prêmio de melhor jornalista do jornal universitário, Echoes campus Newspaper, em 2008. Fui estagiário voluntário no departamento de marketing da universidade, onde me destaquei e tive a oportunidade de interagir com inclusive uma delegação do nosso Instituto Nacional de Bolsas (INAB) e seu director Dr. Jesus Joaquim Baptista, cujos objectivos não incluía a ajuda aos estudantes angolanos naquele país mas o financiamento dos que estavam para imigrar para Windhoek e esse foi o meu relatório.

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Redijo este texto do interior de um avião à caminho de Lisboa, avião que, a escassos 3 dias de completar um ano de um dos capítulos mais tenebrosos que o meu país me fez viver após violarem a minha bagagem acrescentando-lhe quase 2 kg de cocaína e reportando-o de seguida às autoridades portuguesas para que hoje eu não estivesse aqui a escrever estas linhas, mas a viver o calvário de um reles e desmazelado traficante, por um triz perdia, pois já estavam à procura da bagagem de porão da senhora que acompanho para retirá-la e poder prosseguir viagem.

Desde o passado dia 11 de Junho que sempre que tenho de me deslocar ao exterior do país me deparo com a incómoda situação de bloqueio de passaporte. Os jovens agentes da imigração bem tentam esconder a sua vergonha por não conseguirem dar uma resposta à minha mais que justa indagação: “está bloqueado por que motivo?”. Vão correndo de um lado para o outro, evitando cruzar o seu olhar com o meu, dizendo-me de vez em quando que tenha “calma, estamos a trabalhar para resolver a situação, é só aguardar mais uns minutos”.

Só que o “alguns” passou de 10, 20, e depois de mais de 40 minutos neste impasse, a última chamada para o vôo já ressoou no altifalante do aeroporto e, perante insistência, o agente lá responde que estão a tentar contactar o “Comandante” (sempre sem citar o nome do cidadão) porque “só ele pode dar autorização de marcha”. Volto então a perguntar: “como pode uma pessoa com poderes exclusivos de tomar decisões que engajam o Estado (tais como, fazer perder o vôo a passageiros com tudo em ordem) estar ausente e incomunicável no seu turno? Estão a tentar contactá-lo há mais de meia-hora e não há meio de lhe conseguirem falar?”. Novo silêncio, nova promessa de que tudo se irá resolver.

Num ápice o nosso Adão Ramos se meteu em campo tocando o sino de alarme bem alto, fazendo os telefonemas certos e as suas diligências redundaram no envolvimento dos kotas Filomeno Vieira Lopes e Justino Pinto de Andrade que ligaram para o Comandante-Geral Ambrósio de Lemos (contra quem accionámos recentemente uma queixa-crime por abuso de autoridade para a qual ainda não obivemos resposta da PGR) e para o Ministro do Interior Ângelo Tavares (também ele alvo de queixa), ambos assegurando que iriam resolver o assunto imediatamente.

Alguns minutos depois, um jovem agente foi incumbido de me acompanhar até ao guichet onde já tinha sido carimbado o passaporte da senhora com quem viajo, devolveu-me os passaportes e quando lhe questionei acerca das razões daquele bloqueio eis a melhor resposta que ele encontrou: “alguém com um nome idêntico ao seu foi introduzido no sistema para bloqueio e houve uma confusão”. Só não explodi de rir porque senti pena do rapaz e foi isso mesmo que lhe disse enquanto lhe dava uma palmadinha nas costas comentando: “lamento que tenha sido indigitado para me transmitir uma mentira tão absurda, é um papel humilhante o que os seus covardes superiores lhe delegaram pois ambos sabemos que não é esse o caso, mas também sei que não é má vontade sua. Passe bem”.

Ao passar pelo guichet, o outro jovem que me tinha atendido previamente e, após ver a situação do bloqueio, associou o nome Beirão à toda aquela charada e me perguntou “és o Luaty?”, desejou-me coragem em alto e bom som, sem se importar se algum “comandante” o haveria de dedurar!

Os agentes do SME foram no entanto incapazes de me conduzir a mim e a senhora que acompanho que tem dificuldades de locomoção até à porta de embarque. Tive eu de ir perguntando pelo vôo da TAP e ver alarmados os funcionários que me pediam que corresse. Não tinha como correr, a senhora dá passos muito curtos e numa cadência dolente. O senhor na porta de embarque pôs-se no walkie-talkie a enviar sinais de urgência para o seu colega à porta do avião para que contactasse o Comandante (do avião desta vez, chega desses policiais incompetentes) a saber se ainda permitia que embarcássemos pois já se tinham fechado às portas há algum tempo. Ao mesmo tempo contacta o pessoal que no porão procurava as bagagens pedindo que suspendessem temporariamente a busca. Por um instante houve um impasse e a última palavra seria do Comandante, que felizmente para todos (incluíndo para o infantil Estado Angolano), foi condescendente.

Daí estar a escrever este texto em pleno vôo, dois dias depois de o Zé (também ele alvo de denúncia na Assembleia) me chamar de frustrado, analfabeto e de reiterar que Angola vive numa democracia plena e exemplar. Mas quando um gajo manda putakiapariu dizem que não tem respeito? Ok, posso então lhe chamar de velho babão e camambwin?

Há coisa de 3 semanas atrás eu fui, a conselho de um funcionário do SME, entregar uma carta dirigida ao Director Nacional desse organismo, o senhor José da Silva Paulino, requisitanto que corrigisse de uma vez por todas o “erro no sistema” que impedia o meu fundamental e constitucional direito à livre-circulação, erro esse que o próprio Paulino em pessoa me assegurou que jamais voltaria a suceder, isto no dia 2 de Janeiro de 2013 quando, pela segunda vez, me deparei com esta situação de bloqueio. Pois em Março, novo bloqueio e agora, Junho, sou presenteado com mais este episódio de uma telenovela repetitiva e enjoativa.

Sr. Paulino, se na escolha entre lei e ordem superior prefere subordinar-se à segunda, pode contar com uma queixa-crime na PGR no meu regresso (sim mais árvores abatidas em vão, pois, tal como as anteriores, acabarão no tambor de lixo do Sr, João Maria de Sousa… até ao dia!). Estou farto das vossas arbitrariedades.

 

Luaty Beirão

A equipa da Central vem por esta agradecer ao grande serviço prestado à Nação e ao mundo por S. Exª Camarada Eng.º Arqº da Paz Guia Imortal Adjunto Comandante-em-chefe Presidente José Eduardo “Kitumba” dos Santos, ao submeter-se pela primeira vez em 22 anos a um questionário previamente estudado ao qual se chamou de entrevista, oferecendo-nos a evidência definitiva da sua caducidade e necessidade urgente de passar à reforma.

Foi uma fantástica exibição de esterilidade de ideias, de incapacidade retórica, de inexperiência na submissão à incómoda posição de entrevistado (repararam nas primeiras perguntas como os olhos dele de cabulão andaram desesperadamente à procura dos dados estatísticos inventados?), de desconexão total com a realidade daqueles que pretende governar, do cinismo que não mais consegue dissimular atrás daquele risinho, da incoerência no discurso (ao mesmo tempo que enuncia a formação de quadros como sendo o maior feito do seu governo, sublinha a gritante falta de quadros anunciando que as portas estão escancaradas à imigração), um autêntico fogo-de-artifício de lugares-comuns e um carnaval de insultos à inteligência dos angolanos.

Não iremos ressaltar a “curiosidade” de ter privilegiado uma cadeia televisiva internacional para uma tão exclusiva cedência, nem dar-nos ao trabalho de refutar as ridículas acusações que nos foram endereçadas pois são de tal modo descabidas que seria preciso um esforço colossal para alguém ainda engolir essa historieta da carochinha, ou a voluntária cegueira militante que parece obrigatória para quem deseje singrar ladjum. Preferimos deixar as imagens falarem por si e lamentar que a SIC não tenha feito uma reportagem semelhante para contrapor a maquilhagem do progresso e Estado Social que o Henrique “sorriso chinês” Cimmerman ajudou a fazer.

(English translation below)

The Central team thanks the great service offered to the Nation and the world by His Excellency Comrade Engineer Architect of Peace Immortal Guide Adjunct Commander-in-Chief President José Eduardo “Kitumba” dos Santos, in submitting himself for the first time in 22 years to a previously-studied questionnaire, so-called interview, offering us definitive evidence of having past his expiration date and the urgent necessity of his retirement.

It was a fantastic exhibition of the sterility of ideas, of rhetorical incapacity, of inexperience in submitting to the uncomfortable position of the interviewee (note how in the first questions his eyes followed his cheat sheet desperately seeking invented statistical data?), of total disconnect from the reality of those he pretends to govern, of the cynicism that can no longer be hidden behind that little laugh, of the incoherence in the discourse (at the same time that he announces the education of cadres as the great achievement of his government, he underlines the screaming lack of skilled cadres when announcing that the doors are thrown open to immigration), an authentic fireworks of clichés and a carnival of insults to the intelligence of Angolans.

We will refrain from emphasizing the ‘curiosity’ of having privileged an international television station for such an exclusive offering, nor will we go to the trouble of refuting the ridiculous accusations that were addressed to us, they were so without basis that it would take a colossal effort for someone to swallow this old wive’s tale, or a militant voluntary blindness that seems obligatory for one who wants to succeed ‘inside’. We prefer to let the images speak for themselves and we regret that SIC did not report something similar to counterpose the makeup of progress and the Social State that Henrique ‘Chinese smile’ Cimmerman helped to create.