Felizmente o marketing e as suas teorias não determinam a maior parte das nossas decisões e sabemos ser fairplay, dando crédito onde ele é merecido. Fazemos um pouco de publicidade ao programa medíocre do Carima, ajudamos-lhe a angariar mais uns quantos ouvintes, massajamos-lhe o ego concedendo-lhe a superioridade jogando em casa. Estamos a falar, claro está, do programa “Mais Cidadania” de Alfredo Carima, que teve como convidado no dia de hoje, 19 de Março, o nosso mano Kady Mixinge.

O Kady viu-se várias vezes enrolado nos raciocínios primários com lógicas lineares do irmão Carima, concordando sem que conseguisse antever as armadilhas que lhe eram estendidas e tropeçando vezes a mais. Por vezes estrebuchava e lograva em safar-se e dar a volta, mas sem dúvida que hoje, o mano Kady foi batido pelo pugilismo de mordida na orelha, que lembra a versão pobre do intragável Bill O’Reilly da Fox News.

Apesar de tudo, este tipo de “confrontação” é importante para os jovens integrantes do movimento e deve ser aproveitada sempre que nos seja estendido o convite. Sairemos sempre mais maduros e preparados para o dia em que tivermos de debater com gente de maior gabarito.

Algumas notas para o Carima que nos desdenha, mas que nos vai seguindo para poder destilar o seu ódio no espaço onde não permite contestação que o deixe sem argumentos (de onde nos bloqueou, com todo o direito que lhe é reservado, pois trata-se de um espaço pessoal onde ele alberga quem bem entende):

1 – Crédito é-te devido porque de TODA A IMPRENSA que existe em Angola (privada ou pública e fazendo exceção à Rádio Despertar) tens sido até agora o único que vai revelando abertura para “ouvir” algumas das nossas ideias, mesmo que condicionando-as às tuas perniciosas leituras. A verdade é que temos esses minutos porque tu no-los concedes. Cabe a nós agora saber aproveitá-lo melhor.

2 – Quando fazes a proposta para parceria com o Mais Cidadania…porque não oferecer-nos um espaço para nós na Rádio Mais? Já que há tanta abertura, usa do teu “charme” para convencer a direção a conceder-nos duas horas semanais. Todos sairiam bem na fotografia, a liberdade de expressão que achas estar de saúde e recomendar-se seria fortificada, pois dar-se-ia espaço ao ideologicamente contraditório e a crítica aberta.

3 – Sabes que mentiste deliberadamente ao dizer que não te lembravas de ter dito ao Kady que poderia levar uma pessoa com ele para o “debate” (ouvir ao minuto 1h28m30s). Borraste-te quando viste que essa pessoa era o Mbanza Hamza, proibiste-o de entrar em estúdio alegando esfarrapadamente que “o convite foi exclusivamente dirigido ao Kady e não extensivo a mais ninguém” e não precisas de confessar pois, para evitar que o peixe morra pela boca, vamos “mostrar o pau”, evitando que faças uma figura ainda mais triste:

Carima espeta-se

Posto isto, a linha editorial é pelo Carima definida e ele faz o que bem entender do seu programa. Só temos a louvar o facto de ser dos únicos a convidar figuras como Mihaela Webba e Nfuka Muzemba para espaços (assumidamente) do regime. O que falta para lhe seguirem os passos? Será que todos aqueles que digam em alto e bom som o que pensam não têm o mínimo interesse para os debates promovidos pela nossa “imprensa”?

Segue o audio completo do programa (façam click sobre a imagem abaixo):
carima vs kady

O mesmo artigo em português, gentilmente traduzido pela malta do Lusomonitor.

Angola é um país governado pelo mesmo partido, o MPLA, desde a independência em 1975. O partido efetivamente transformou-se de um bloco socialista para uma organização puramente capitalista com um conjunto diversificado de interesses empresariais e um impressionante conhecimento de mercados, tudo graças aos barris por cima de barris de petróleo com que o país é dotado. A fim de começar a entender a política de Angola, no entanto, deve-se primeiro tentar compreender o quão poderoso e omnipresente é o MPLA. O MPLA é o povo, e o povo é o MPLA é um dos seus mais acarinhados slogans, proveniente do tempo em que Angola era um Estado de partido único entre 1975-1992 . Mesmo que apenas simbolicamente, ele efetivamente demonstra que na psique do MPLA não havia sequer a necessidade de separar entre partido, Estado e cidadãos. O slogan demonstra quão enraizado está o MPLA na sociedade civil angolana.

A ver: a bandeira do país e as bandeiras do partido no poder são praticamente indistinguíveis, todos os 18 governadores provinciais são nomeados pelo Presidente e pertencem ao partido no poder, e praticamente todos os ministros, funcionários públicos, juízes, professores de universidades estaduais e jornalistas nos meios de comunicação do Estado pertencem ao MPLA. Mesmo Akwá, talvez o melhor jogador de futebol profissional de Angola, apareceu em anúncios de campanha eleitoral do MPLA vestido com o uniforme da equipa nacional;no anúncio, ele marcaum penálti depois de um jogador com excesso de peso evestido com as cores da UNITA ter falhado o seu. Akwá tornou-se depois um deputado pela bancada do MPLA.

Normalmente as pessoas em Angola culpam a oposição por permitir que a hegemonia do MPLA prossiga sem controlo, alegando quea oposição é fraca, desprovida de ideias, e tão corrupta quanto aqueles que eles querem depor. Embora seja verdade para alguns partidos por aí, a maioria das pessoas simplesmente não está ciente das atividades do partidos da oposição porque estas atividades não são transmitidasem meios de difusão nacionais. E, quando são, o material é manipulado de modo que perde impacto. Na prática, a oposição está bloqueada nos media tradicionais.

Contudo, desde as eleições de 2012 os partidos de oposição têm mostrado uma força e vigornão vista nos últimos tempos. Talvez impulsionados pela sua melhor prestação nas últimas eleições (em 2008 o MPLA ganhou as eleições com 82% dos votos contra os 10% da UNITA, enquanto que em 2012  conseguiram 72% contra os 19%da UNITA e os 6% daCASA-CE), tornaram-se mais ativosno Parlamento e mais aptos a causar dores de cabeça ao maioritário. No mês passado, por exemplo, a CASA foi além de meramente reclamar sobre os circunstâncias obscuras por detrás do novo Fundo Soberano angolano, argumentando que o presidente não tinha o poder de criar novos fundos arbitrariamente por decreto, e levou mesmo o assunto a tribunal (foi derrotado, é claro).

No início da semana passada, aUNITA foi onde nenhuma oposição tinha ido antes: apresentou uma queixa-crime contra o Presidente dos Santos e vários membros seniores do MPLA poralegados crimes relacionadas com as últimas eleições, que a oposição e vários grupos consideram ter sido seriamente manipuladas. Entre as várias acusações contra o presidente e seus colaboradores consta a de alta traição.

O que é sempre fascinante assistir quando ocorrem iniciativas da oposição é a reação do MPLA. Geralmente acontece o seguinte: alguns dias depois do fato, o MPLA emite uma declaração que será reproduzido em todos os meios do Estado, inclusive no único jornal diário do país, agência de notícias (Angop), rádio estatal, televisão estatal e privada e jornais privados . Posteriormente, angolanos de todas as esferas avançarão para repudiar o que quer que seja que o Partido está a repudiar no momento. É realmente um espetáculo digno de ser visto e uma prova de quanto controlo o MPLA tem sobre o discurso nacional. Estrelas do desporto, músicos, porta-vozes do partido, membros do parlamento, estrelas de televisão, e, muito mais preocupante, sacerdotes e outras figuras religiosas saem em defesa do que quer que seja que o partido está a apoiar naquele preciso momento. Até o semi-iliterado artista de kuduro Nagrelha foi perguntado pelos seus pontos de vista sobre questões de política nacional (apoiou o partido do governo).

Na cobertura omnipresente do repúdio universal que se segue, não há espaço para o discurso público sobre o assunto. Não há segunda opinião, não hádisputa dos fatos. Não há debate, não há discussão. As outras vozes na conversa simplesmente não são ouvidas – é quase como se não existissem. A tensão é elevada e em pouco tempo a retórica da guerra vem à tona. O partido do Arquitecto da Paz, como dos Santos é agora conhecido, invariavelmente invoca a retórica da guerra. Apenas na última sexta-feira, por exemplo, o ex-co-fundador da UNITA que passou para o MPLA em 2008 aludiu à guerra e disse que a UNITA devia contentar-se por ainda estarem vivos e agradecer a dos Santos, pela sua magnanimidade.

Talvez o mais preocupante para a nossa jovem democracia é oreforço sobretudo explícito, mas às vezes também subtil, por parte do MPLA de que questionar os poderes instituídos, debater as suas políticas, fazendo uso dos nossos direitos, tribunais e instituições e participar de qualquer forma no processo democrático como cidadãos interessados ​​(ou partidos políticos) é de alguma forma uma ameaça para a estabilidade do país e pode mergulhá-lo de volta na guerra (note como a guerraé tema recorrente). Não é nenhum segredo que a corrupção é abundante em Angola e que a confiança nas nossas instituições públicas é agora lamentavelmente baixa. Uma sociedade civil envolvida é essencial e necessária para o funcionamento normal de um Estado e é uma parte integrante do tecido democrático de uma nação. Tal como o são instituições fortes que têm o respeito e apoio da sociedade civil.

Infelizmente, o governo detesta os primeiros e marginalizou os segundos.

Angola é uma nação de mentes brilhantes, escritores brilhantes, músicos excepcionais, e uma sociedade civil que, quase 11 anos depois do fim da guerra, está pronta para que a sua voz seja ouvida. Seria bom se o governo entendesse  isso. Seria bom se deixassem de controlar todos os aspectos do discurso nacional e media nacionais e nos tratasse como uma sociedade democrática que é capaz de pensamento livre. Seria bom se eles nos respeitassem como cidadãos.

http://www.lusomonitor.net/?p=403

Angola is a country that has been ruled by the same party, the MPLA, since independence in 1975. The party has effectively transformed itself from a socialist bloc into a purely capitalistic organization with a diverse array of business interests and impressive market-savvy, all thanks to the barrels upon barrels of oil the country has been endowed with. In order to even begin to understand Angola’s politics however, one must first attempt to comprehend just how powerful and ubiquitous the MPLA is. O MPLA é o povo, e o povo é o MPLA (“The MPLA is the people, and the people are the MPLA”) is one of their most cherished slogans, originating from the time Angola was a single-party state between 1975-1992. If even just symbolically, it effectively demonstrated that in the MPLA psyche there was not even a need to separate between party and state and citizenry. The slogan speaks to the core about how the MPLA is so ingrained in Angolan civil society.

The country’s flag and the ruling party’s flags are virtually indistinguishable, all 18 provincial governors are appointed by the President and belong to the ruling party, and virtually all Ministers, government officials, judges, professors in state universities, and journalists in state media belong to the MPLA. Even Akwá, arguably Angola’s greatest professional football player, appeared in an election campaign ad for the MPLA dressed in the full national team uniform and scored a penalty kick after an overweight player dressed in UNITA’s colors had missed his. Akwá then became a Member of Parliament for the MPLA.

People in Angola usually blame the opposition for allowing this hegemony to go on unchecked, claiming that they are weak, bereft of ideas, and just as corrupt as those who they want to depose. Although true for some of the parties out there, most people are simply not aware of opposition party activities because these activities are not broadcast in national media. And when they are, the material is usually manipulated so that it loses its impact. In effect, the opposition is blockaded in traditional media.

Since the 2012 elections however, the opposition parties have showed renewed vigor and strength. Perhaps buoyed by their improvement in the polls (in 2008 MPLA won the elections with 82% of the vote to UNITA’s 10%, while in 2012 they only managed 72% to UNITA’s 19% and CASA-CE’s 6%), they have become more active in Parliament and more adept at ruffling party feathers. Last month for example, CASA-CE went beyond merely complaining about the murky circumstances behind the new Angolan Sovereign Wealth Fund, arguing that the President did not have the power to arbitrarily create new funds by decree, and actually took the issue to court (it was defeated, of course).

At the beginning of last week UNITA went where no opposition had gone before: they lodged a criminal complaint against President dos Santos and several senior members of the MPLA for charges related to the most recent elections, which the opposition and several rights groups consider to have been seriously flawed. Among the several charges against the President and his collaborators is the charge of High Treason.

What’s always fascinating to watch when such opposition initiatives occur is MPLA’s reaction. It usually goes something like this: within days the MPLA will issue a statement that will be reproduced in all state media, including the country’s only daily newspaper, the country’s news agency (ANGOP), state radio, state and private television, and private newspapers. Subsequently, Angolans from all walks of life will come forth and repudiate whatever it is that the Party is repudiating. It is truly a sight to see and a testament to just how much control the MPLA has over the national discourse. Sports stars, musicians, party spokespeople, members of parliament, television stars, and, much more worryingly, priests and other religious figures come out in support of whatever it is that the party is supporting at the moment. Even semi-literate kuduro artist Nagrelha has been asked for his views on matters of national policy (he sided with the ruling party).

In the blanket coverage and universal repudiation that ensues, there is no room for public discourse on the matter. There is no second opinion, no dispute of facts. There is no debate, no argument. The other voices in the conversation are simply not heard – it’s almost as if they don’t even exist. Tension is ramped up and before long the rhetoric of war is brought up. The party of the Architect of Peace, as dos Santos has come to be known by, invariably invokes the war rhetoric. Just last Friday for example, the ex-UNITA co-founder who went over to the MPLA in 2008 alluded to the war and said that UNITA should just be glad that they are still alive and thank dos Santos’ for his magnanimity.

Perhaps most distressing of all for our young democracy is MPLA’s mostly explicit but sometimes also subtle reinforcement that questioning the powers that be, debating their policies, making use of our rights, courts and institutions and otherwise participating in the democratic process as concerned citizens (or political parties) is somehow a danger to the stability of the country and could plunge it back into war (note the recurring war theme). It’s no secret that corruption is rife in Angola and trust in our public institutions is now woefully low. An engaged and critical civil society is necessary for the normal functioning of a State and is an integral part of the democratic fabric of a nation. So are strong institutions that have the respect and support of said civil society.

Unfortunately, the government abhors the former and has disenfranchised the latter.

Angola is a nation of bright minds, brilliant writers, exceptional musicians, and a civil society that, almost 11 years after war’s end, is ready to have its voice heard. It’d be nice if the government understood that. It’d be nice if they ceased with controlling all aspects of national discourse and national media and treated us as a democratic society that is capable of free-thought. It’d be nice if they respected us as citizens.

-Cláudio

*Also available on Africa is a Country

O executivo goza com as pessoas, o executivo quer fazer figura para a imprensa como se habituou ao longo dos últimos anos, jogando a carta do “mesmo que não tenhamos a mínima intenção de cumprir, basta dizer que estamos a fazer que as pessoas acreditam, porque o Estado é uma instituição séria e nós estamos de fato e gravata, esses maltrapilhos não têm como descredibilizar-nos”.

Pois é, mas já esperámos demais, Kassule e Kamulingue esperaram demais, Milocas esperou demais, Mfulupinga esperou demais, Ricardo de Mello esperou demais, tantos outros que vão sendo empurrados para o limbo do esquecimento, cidadãos que não gozam nem do direito póstumo a uma investigação condigna que faça luz sobre os factos que conduziram ao seu desaparecimento físico.

Sem justiça, essa paz é mbandalho, por isso a juventude vai voltar às ruas no dia 30 de Março para pedir dignidade e direito à vida de quem pensa diferente!

É desta que te juntas à nós ou ainda tens medo?

Abaixo, o panfleto da manifestação que já circula nas ruas de Luanda e, como vem sido hábito, a carta enviada ao GPL para comprovar que a lei está do nosso lado!

Panfleto 30 Março 2013 Manif 30 Março

Retirámos este comentário desta notícia no club-k, cujo título é: “Ameaças de abrandamento da China e de sucessão política pairam sobre economia angolana”. Trata-se de um “feliz contemplado” com uma casa no Kilamba que cumpriu a preceito com a sua parte do acordo, apenas para ver a SONIP seguir impune sem cumprir a sua. Segue na íntegra:

A DURA REALIDADE, o sonho da casa própria leva-me a sacrifícios, porque ansiedade mata nossos corações. No acto de inscrição as quatro lojas do KILAMBA com identificação externa de DELTA. Opção de escolha e por gostar da cor verde, passei dia 31 de Janeiro até dia 5 de Fevereiro em noites claras para conseguir o primeiro lugar da enorme fila de mais de trezentas pessoas. Graças a DEUS entrei nas primeiras DOZE PESSOAS SELECIONADAS NA FILA. Como homem e bem educado, já no interior da loja dei prioridade as mulheres, sendo a SÉTIMA pessoa registada. Segundo o funcionário ou promotor tinha CINCO dias para depositar o valor, e esperar DUAS semanas para receber as CHAVES. Por volta das ONZE HORAS DO DIA 5 DE FEVEREIRO fiz entrega como a primeira pessoa ou cliente o justificativo do Banco BAI. Passaram TRINTA E QUATRO DIAS e a SONIP não presta qualquer esclarecimento, apenas devem aguardar SMS da SONIP no telemóvel. CORRUPTOS”

Assinado: PAI GRANDE

O nosso centraleiro Cláudio Silva escreveu este artigo (em inglês) para os manos do Africa is a Country. O artigo foi depois retomado pelo jornal britânico The Guardian. O artigo foi escrito há quase um mês, mas nós na nossa eterna kunanguice só estamos a postar agora. Continua relevante. Boa leitura!

Our ‘centraleiro’ Cláudio Silva wrote this article for a site we enjoy reading, Africa is a Country. The article was then picked up by British newspaper The Guardian. The article in question is almost a month old, and in our eternal laziness we are only posting about it now. It remains highly relevant. Happy reading!

“Angolan authorities forced to act after horrific abuse videos go viral”

For the past two weeks, Angolans who use Facebook and other social media sites viewed and shared two particularly gruesome videos. One showed prison officials severely beating incarcerated men in the Comarca de Viana (Viana Jail), while the other, even more heinous, showed several men brutally beating and abusing two women who had allegedly attempted to steal a bottle of Moët & Chandon from the shop the men owned. The latter video lasts 13 long, uncomfortable minutes and among its more difficult scenes is the one in which an attacker forcibly kisses one of the women while the others laugh, and another in which the shop-owner beats the women with the blade of a machete. The video shows several men participating in the beating, while others, including women, stand by and watch while egging on the attackers. Both videos went viral in Angola.

They evoked very strong emotional reactions, particularly the second one. Within a matter of days, they had been mentioned on state television and talked about in public and private newspapers. It marks the first time that videos have gone truly viral in a country in which only about 5% of the population has access to the internet.

The videos come at a sensitive time. People continue to be shocked at the level violence permeating Angolan society. The torture and murder of a popular and well-liked teen last year at the hands of his teenage friends — which prompted a march against violence along Luanda’s new Marginal — is still fresh in many people’s minds. But the most remarkable outcome of this mass sharing of media was that the Angolan attorney general, or Procuradoria Geral da República (PGR) as it is locally known, actually did something about it. And they did it publicly and swiftly.

Read the rest here or the original post here

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Gostaria de perceber o que leva um governo, que se diz representante do povo, a agir desta maneira contra ele.

Gostaria de perceber o que leva um governo a enviar centenas de homens armados até aos dentes, militares, policias de segurança e de intervenção rápida e sete helicópetros para destruir os humildes casebres de cidadãos à beira da subsistência. O que os leva a irromper pelo bairro adentro no meio da madrugada e sem aviso prévio. Imagino o medo, o susto, a dor, o terror. O choro das mamãs à procura dos seus filhos. O horror da mamãs que perderam os filhos que cairam numa vala enquanto fugiam do terror.

Gostaria de perceber o que leva um governo a reabrir as cicatrizes de guerra a um povo que já não vive, mas sim sobrevive.

Gostaria mesmo de perceber como é que um governo é capaz de voltar ao local deste acto de terrorismo de Estado e prender as mesmas pessoas que acabaram de desalojar, submetendo-as a julgamentos sumários e aplicando-lhes multas exorbitantes. É desumano.

Gostaria de ser capaz de entender a chocante indiferença da administração local.

Gostaria de compreender o que leva o mesmo governo a instalar no local uma aparatosa presença militar e depois vergonhosamente impedir que deputados da Assembleia Nacional, eleitos por este mesmo povo, tenham contacto e ofereçam assistência aos seus próprios eleitores, concidadãos, irmãos. Alguns dos deputados chegaram mesmo a ser agredidos. Isto para depois manipular os factos na imprensa pública em mais uma demonstração triste da sua incapacidade de lidar com a verdade.

Aonde está a lógica nestes actos? Gostaria de entender para que servem as leis e a Constituição da República, aquela que nos declara como sendo um estado democrático de direito.

Para que servem as centenas de milhões de dólares gastos em lobbyings no exterior e nas empresas de telecomunicações e marketing dos filhos do presidente – milhões que saem directamente do Orçamento Geral do Estado – para limpar a já gasta imagem do país, quando logo a seguir acontecem actos destes?

Para que servem os poemas de Agostinho Neto e a frase imortal “O mais importante é resolver os problemas do povo”?

Gostaria de perceber como se resolvem os problemas do povo desalojando-o forçosamente e sem aviso prévio para depois se construirem condomínios de luxo no local, como avançam algumas fontes.

Anteontem morreu Hugo Chávez, Presidente da Venezuela. Não morria de amores por algumas das suas políticas nem pelas suas aversões a certas liberdades, mas quem me dera que o meu Presidente tivesse um pingo do compromisso social que o falecido presidente venezuelano tinha para com o seu povo – principalmente para com os mais desfavorecidos.

Foto: ‘Desalojados em Cacuaco‘, por Maka Angola