Não havia outra maneira de usarmos este segmento da entrevista de JES em que ele se refere de maneira vaga e lacónica a eventuais “programas” e “projectos”. Na versão original, a medida que o Sr. Kitumba arrasta as respostas sem conteúdo como se tivesse chumbo a prender-lhe a língua ou um retardador de raciocínio acoplado no osso occipital, o cérebro de quem ouve tem tendência a desligar, a entrar em modo de suspensão e provavelmente será essa mesmo a intenção.

Mas depois de muito cambalearmos, conseguimos espremer a chuva dessa nuvem e finalmente apresentar um resumo do que S. Excia quis dizer com tanto parlapiê!

Divirtam-se!

Car@s compatriotas,

Desde o dia 7 de Março de 2011 que um grupo volúvel de jovens, maioritariamente apartidários, decidiu afirmar-se publicamente insatisfeito com o estado actual de uma Angola que é de todos quantos ela assista nascer e ainda de outros que herdam o direito de lhe pertencer por laços sanguíneos, independentemente da sua cor, raça ou credo, como reza a sua atípica Constituição.

Pela noção, quiçá exagerada, de que o país estaria refém de uma partidarização da sociedade, estes jovens fizeram inicialmente questão de sublinhar como carácter identitário da sua união o seu apartidarismo.

Recusando fórmulas de organização hierárquica já experimentadas centenas de vezes e contra todos os conselhos de mais-velhos sensatos, optámos por não ter uma estrutura, um organigrama, estatutos, códigos, ou sequer um nome que pudesse definir-nos, pois não queríamos formar mais um clube sectário, uma associação ou ONG que com os seus critérios restritos acaba por ser mais exclusivo que inclusivo, justamente o contrário do que um MOVIMENTO deve ser.

Um movimento deve promover a liberdade de opinião, estimular cada um dos seus integrantes a propor ideias, motivá-los à acção colectiva ou individual, moralizá-los que são tão importantes quanto o próximo, convencê-los que procurem o líder dentro de si e não se limitem a seguir alguém que, humano como o resto, também tomará decisões mal ajuizadas, não esperar ordens ou autorizações, ser proativo.

Esta modalidade revelou-nos imensas vantagens mas, como tudo o resto na vida, algumas desvantagens, que levaram a alguns reveses.

Infelizmente, alguns desses reveses vieram a revelar-se insuportáveis conduzindo a situações de ruptura entre alguns manos com posicionamentos diametralmente opostos em questões estruturantes.

Assim sendo, e por haver uma manifesta decisão em formalizar o movimento, atribuindo-lhe um nome, um logotipo, estatutos e o resto dos requisitos que definem uma estrutura formal, alguns de nós decidiram demarcar-se dessa nova rota e continuar a explorar o caminho mais incerto e cujo potencial está ainda por desvendar: o caminho do proativismo e o de cada-cabeça-é-uma liderança, ou como poderão alguns desejar chamá-lo, o caminho da anarquia, sem a sua conotação pejorativa.

Nós, os subscritores deste comunicado, encorajamos todos aqueles que tenham outra visão da luta e das formas que esta pode ou deve assumir, a trilhar o caminho que entenderem mais adequado, pois todos os caminhos vão dar à Roma e objectivo é comum: a destituição de José Eduardo dos Santos, o fim da ditadura e o desmantelamento da camarilha corrupta que se quer perpetuar no poder em detrimento dos interesses do já sofrido povo angolano.

Assim sendo, felicitamos calorosamente o nossos irmãos do MPU, MORANGO e o recém-criado MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO pelas suas escolhas corajosas e firmes, desejando-lhes todos os sucessos nas suas empreitadas e reiterando que da nossa parte, sociedade civil aberta, poderão contar com o apoio nas áreas que dominamos, sempre que nos revirmos em qualquer das suas acções e isso inclui a utilização dos nossos espaços para divulgação das mesmas, caso não tenham a isso objecção os supracitados movimentos.

Estamos juntos nesta luta.

Subscrevem a este posicionamento:
Alemão Francisco
Abraão Chissanga
Adão Ramos
Benedito Umbassanju
Cláudio Silva
Emiliano Catombela
Fábio Sebastião
Graciano Brinco
João António Zanzuca
Kady Mixinge
Luaty Beirão
Luís Rocha
Manuel das Mangas
Manuel Nito Alves
Massilon Chindombe
Mbanza Hamza
Nicolas Radical
Osvaldo Caholo
Rabi D. Freitas
Raúl Mandela
Tukayano Rosalino
Timóteo João

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No dia 5 de Julho publicámos aqui uma notícia que dava conta da intimação feita por via telefónica ao mano Mbanza para se apresentar na PGR, por parte de alguém que se terá apresentado como Pedro de Carvalho.

De início tentou marcar-se a data para uma quinta, mas por impecílios de agenda dos Adolfo Campos e Makitá Kuvula, o procurador acedeu em remarcar para terça-feira seguinte, 9 de Julho pelas 9h00 da manhã.

Depois de passar o fim-de-semana a reunir as provas que fomos amontoando contra o Bento Bento, a preparar um documento no qual nos prestámos ao papel de fazer o trabalho dos investigadores dando-lhes a papinha na boca, o telefone toca às 17h00 de segunda-feira, dia 8h00, na véspera do encontro:

– Alô? Como está? Daqui Pedro de Carvalho da PGR. Era só para lhe comunicar que devido a reunião de Procuradores da CPLP que como sabe está a ter lugar aqui em Luanda, não nos será possível realizar a nossa audiência amanhã conforme combinado. Remarcamos para a próxima terça?

Tudo bem. Depois daquela conversa toda de “organizar agenda” e de terem sido eles a sugerir as datas, parece que se esqueceram de verificar a agenda ou esqueceram-se de anotar nela provavelmente o evento mais importante do semestre, convocando-nos descuidadamente (terá sido?) para o mesmo dia da tal de reunião. Mas, sem problemas, também nos dava mais tempo para melhorar a apresentação do nosso dossier e de dominar melhor a cronologia das ocorrências. Ficou assim a audiência marcada para terça-feira, dia 16 de Julho (hoje).

Hoje o senhor quis repetir a façanha, só que desta vez não ligou para o Mbanza, mas para o Adolfo, bastante mais temperamental, não teve muita paciência para as falinhas mansas do “procurador” e assim que este balbuciou: “vamos ter de adiar…” foi interrompido com um “de nooooovvvvooo??? Mas vocês não têm respeito nenhum pelas pessoas, pensam que é só assim, marca, desmarca, que todos têm disponibilidade nas suas vidas para se ajustarem aos vossos desejos?”.

O Carvalho meteu-se naquela palavra que rima com o nome dele rematando apenas: “você é muito stressado, o seu colega pelo menos é mais cordato. Quando é assim, o melhor será fornecerem os vossos endereços para vos notificarmos por escrito”.

E desligou. Seriam por volta das 15h00.

Tendo o contacto do “cordato” Mbanza Hamza, porque não terá de seguida tentado encetar contacto com este último? Isso mesmo é instituição que se preze? Não há vergonha, não há decoro?

A “audiência” fica assim adiada sine diem porque o Adolfo meteu o Sr. mui abusado procurador em sentido dizendo-lhe o que ele precisava de ouvir.

Isto mesmo é país?

Recebemos hoje, sob forma de comentário, uma mensagem no post intitulado “Angola fala só”, novo programa na VOA 6ªfeira” de 2011.

A mensagem vem assinada por alguém que se identifica sem rodeios e sem receios como Mateus Nekanda, apresentando as credenciais de Secretário Provincial do Sindicato dos Jornalistas no Cunene.

Temos a ideia de nas províncias as pessoas estarem pouco vocais acerca dos problemas que as assolam e temos atribuído isso sobretudo ao facto de nos parecer que estão (muito) mais expostos ao perigo pois mais facilmente se abafariam notícias de pressões e retaliações que pudessem vir a sofrer.

Nas províncias não há outra imprensa senão a pública e a domesticada para bater pimpa. Por isso, achamos extremamente corajoso por parte do mano Nekanda identificar-se e lançar o alerta que abaixo reproduzimos, começando com a preocupação acerca do estado do jornalismo na província e terminando com a preocupação-mor que se prende com a seca que está a flagelar a região.

Segue abaixo a mensagem do Mateus Nekanda:

imprensa

“Chamo me Mateus Nekanda sou secretario provincial do sindicato dos jornalistas na provincia do kunene,estou preocupado com o estado da Imprensa a nível da provincia. As rádios publicas recém instaladas nas sedes municipais são um mero instrumento de propaganda dos administradores municipais e seus representantes nas comunas.A provincia esta a passar por uma seca devastadora. Ate aqui não há medidas serias no que tange a solução para o fornecimento de agua as populações,esta parte e a mais critica porque quando se chegar aos meses mais escaldantes o problema vai ser dramático.”

Tendo em conta a quantidade de gralhas e sinais de incoerência, incapacidade intelectual e senilidade patentes nesta entrevista com a qual JES nos agraciou, só podemos chegar a uma de duas conclusões:

1 – Ou os seus acessores de imprensa estão tão irradiados pela “luz” emanada por JES ao ponto de não repararem e, consequentemente, não mandarem editar/corrigir essas debilidades que fragilizam ainda mais a imagem do presidente, o que os torna meros incompetentes; ou

2 – Estão borradinhos de medo de se chegarem “à sua beira” e lhe informarem: chefe, apesar do treino todo que tivemos, esta entrevista será uma catástrofe se for difundida. Aconselho-o veementemente a interditá-la!

Felizmente para confirmação da nossa argumentação na falta de lucidez ou elasticidade intelectual do camarada chefe, a entrevista saíu mesmo, para envergonhar e insultar a inteligência da maior parte dos angolanos.

ESTE SENHOR ESTÁ DECRÉPITO E INCAPAZ DE COMANDAR OS DESTINOS DO AVIÁRIO QUE ENRIQUECEU A ISABEL, QUANTO MAIS DE COMANDAR 20 MILHÕES DE ANGOLANOS?!?!? RUA JÁ!

Eram 9h00 da manhã de terça feira, dia 2 de julho de 2013, estava num autocarro a caminho de Cacuaco para ir assinar a folha de salário na escola onde lecciono quando o meu telefone tocou:

– É o senhor Afonso Matias?
– Sim, sou – respondi.
– Daqui fala o senhor Pedro de Carvalho da PGR (Procuradoria Geral da República).

A princípio pensei que fosse um dos meus amigos a brincar comigo, a fazer-se passar por procurador (algumas vezes já fizeram isso, passarem-se por comandantes da polícia, generais, etc e normalmente no fim revelam-se e soltamos umas boas gargalhadas).

– O Senhor Afonso Matias é um dos subscritores de uma carta (Queixa-Crime) contra o Governador de Luanda encaminhada a PGR…
– Sim, sou.
– Pois, eu estou a ligar para os outros subscritores, é que os seus números não chamam e liguei para si, finalmente chamou. Quero antes dizer que esta ligação é uma notificação, não vos pudemos notificar em domicílio porque os senhores  não incluíram o endereço na carta, pelo que apresentamos as nossas desculpas.Queremos que compareça na quinta-feira às 9h00 na Procuradoria para darmos início ao processo, é possível?
– Querem falar apenas com o senhor Afonso Matias ou com todos os subscritores da carta?
– Se tiverem disponíveis, venham todos. Queremos falar com todos.
– Muito bem, vou comunicar aos meus companheiros depois hei-de confirmar quer por ligação ou mensagem de texto.
– Tragam a carta que mandaram ao Governo Provincial e outros documentos relevantes que mencionam na carta que nos enviaram. Não estamos a funcionar no Palácio nessa altura. Não sei se conhece o Jardim/Largo do Amor aqui na Vila Alice?!
– Conheço esse lugar.
– Pois, vireis até cá, há um edifício cor creme com uma placa (alguma coisa como que Direção de Investigação…. já não me lembro exatamente o que disse). Digam que vêm a pedido do Procurador Pedro de Carvalho.
– OK, faremos isso, mas aguarde a minha confirmação depois de que eu contactar os companheiros.
– Muito bem, faça isso então para que eu possa arranjar também a minha agenda. Saudações.
– Saudações e bom dia.

Tentei infrutiferamente ligar para o Makitá, o único dos outros 3 subscritores que se encontra em Angola, pois o Luaty encontra-se em Lisboa e o Adolfo está a regressar da Tanzânia onde se deslocou em companhia de Pedrowski Teca com o fito de entregar uma carta aberta à Obama.

Às 18h00 liguei para o procurador Pedro de Carvalho colocando-o ao corrente da situação e decidimos adiar a sessão para terça-feira.

Terça-feira, dia 9 de Julho, às 9h00, está marcada a primeira sessão sobre a Queixa-Crime contra o Governador da Província de Luanda, Bento Francisco Bento. De lembrar que a Queixa é extensiva ao Ministro do Interior, Comandante Ambrósio de Lemos, Comandante Notícia e Comandante Tito de viana.

Mbanza Hamza

NB Para quem quiser conferir o conteúdo das Queixas-Crime basta carregar neste link.

Caixa Totta

Recebemos este email de um funcionário do Banco Caixa Totta em Luanda, visivelmente desgastado com o que considera ser as políticas discriminatórias e abusivas do administrador do supracitado banco que responde de maneira manifestamente hostil aos queixumes dos funcionários, anunciando-lhes que são livres de se demitirem.

Como se pode ver no fim do texto, os funcionários ameaçaram uma manifestação para o dia 1 de Julho, tendo acabado por recuar nos seus propósitos quando a direcção os chamou à conversa, prometendo algumas mudanças. Face a essa “abertura”, os funcionários decidiram em demonstração de boa-fé, conceder à direcção um prazo, findo o qual sairão publicamente para queixar-se das práticas que abaixo vêm descritas.

Muito recentemente outra bolha semelhante rebentou, quando os funcionários do EPIC SANA, um dos raros hotéis de 5 estrelas no país, proclamaram greve e saíram à rua em protesto, sendo reprimidos pela polícia como já vem sendo hábito.

Segue na íntegra o email do funcionário do Totta Angola:

“O Banco Caixa Totta há muito que tem humilhado os angolanos que lá trabalham. Mas a situação piorou quando esta administração mudou com a entrada da Caixa Geral de Depósitos que é o maior accionista…
Acompanhados pela crise Económica/Financeira, foi descarregado um avião da TAP no Banco Caixa Totta, indivíduos desempregados em Portugal, que lá não conduziam senão um Renault Clio ou um Fiat Punto… Foram importados com a categoria de directores e chefes de departamento, tendo no banco, dezenas de angolanos capacitados e com experiência nos mercados para ocuparem tais cargos…

 

Burros e arrogantes, aproveitam-se muitas vezes das ideias dos pretos e dizem ser eles os pensadores… Aí começaram as promoções de indivíduos(as), deixando sempre para trás aqueles que sempre tiveram o impossível sonho de fazer uma carreira no Banco Totta, a maior parte com mais de 10 anos de casa, continuam na posição de escriturários bancários.

 

Uma das áreas mais lesadas é a área comercial onde a injustiça é o pão de cada dia… Pessoas que lá estão há mais de cinco, dez, quinze anos, vêm constantemente miúdos(as) a entrarem, alguns vindos de outros  bancos, passam na mão deles e um ano depois são promovidos a chefes desses mesmos professores que na esperança de um dia sentar na cadeira do gerente têm aturado esta ditadura “ango-colonial”…

 

Nesta área comercial e na área administrativa existem colaboradores que não vêm os seus salários revistos/melhorados há meia dúzia de anos… Uns e umas são promovidos porque andam com os/as chefes, outros pelo sobrenome, raramente por mérito…

 

Esta situação tem se tornado cada vez mais crítica a cada ano que passa… Todos os meses vêm em média 2 a 3 expatriados com todas as condições (carro, hotel, etc) para comandar o Banco Caixa Totta, sem colocação adequada, vão inventando cargos de sub-directores somente para garantir a posição e salários adequados para esta gente que ganham em alguns casos cinco vezes mais do que um angolano com a mesma posição… Como é que pode isso?

 

Existe uma área que se denomina Direcção de Organização, onde na qual foram recrutados funcionários da Deloitte & Touch e da KPMG para constituir a tal dita direcção, conclusão, é uma direcção somente com funcionários expatriados que passam o dia a fumar e a beber café, no fim do dia enviam alguns mails para confirmar que o dia está ganho… Nem um Angolano nesta direcção…

 

Na semana passada foi a altura do pagamento do bónus anual na qual são divididos os lucros do exercício do ano anterior, onde como é óbvio, só poderiam receber este incentivo quem trabalhou no ano anterior, mas no Banco Caixa Totta é o inverso, expatriados que vieram no final do ano passado e principio deste ano, receberam bónus exorbitantes… Os angolanos? Alguns receberam alguma coisa, outros, nada… Funcionários com mais de dez anos receberam pouco menos de setecentos dólares americanos, inferior ao que receberam no ano passado… Os expatriados com menos de um ano ficaram com não menos de dez mil dólares americanos, alguns com mais de vinte, há quem diga que houve quem recebeu acima de quarenta mil dólares americanos… Conclusão… Subtraiu-se dos angolanos para atender os expatriados…

 

Um grupo de funcionários descontentes decidiu conversar com o administrador do seu pelouro afim de melhorar esta questão, o  NGUETA simplesmente disse arrogantemente: “A PORTA DA RUA É A SERVENTIA DA CASA”… Uma atitude já vista muitas vezes neste banco há muitos anos, denominada “MAXIMINISTA”…

 

A direcção de recursos humanos, ou recursos desumanos se preferirem… É a pior, jamais se opôs a uma decisão da administração, mesmo errada… Por vezes persuadindo os funcionários a se demitirem para fazerem boa figura diante da administração, conclusão, quando o funcionário é bem informado com um bom advogado, são obrigados a pagar indemnizações…

 

Sem exagero, no Banco Caixa Totta actualmente a diferença entre funcionários nacionais e expatriados é de 65% angolanos e 35% expatriados, e vem crescendo o número de expatriados todos os meses e em condições ilegais… E o nosso SME não olha para isso, ou olha e tapam-lhes os olhos com alguns kwanzas…

 

Agora está mais claro do que nunca que só mudando este governo vamos conseguir mudar esta situação.
Na quinta-feira um outro grupo de descontentes informou que no dia 1 de Julho irão concentrar-se na nova marginal afim de fazer uma manifestação para lutar pelos seus direitos, pelo que solicitamos o vosso apoio para a expansão desta dica…

Contamos com o vosso apoio…

Obrigado!”