Neste capítulo JES volta a exibir toda a sua descoordenação de oratória contradizendo-se quanto a factos e números que devia dominar até a dormir, enunciando o “enorme esforço na formação de pessoal qualificado” como a maior das realizações do seu governo apenas para dizer a seguir que todos os estrangeiros que venham “ajudar” o país “são bem-vindos, pois, como sabe, aqui há uma grande falta de pessoal qualificado”.

Fala ainda da missão dos chineses em Angola, da sua definição pessoal de “pobreza”, da sua própria sucessão e do que pretende fazer no além (depois de abandonar a presidência).

Finalmente, assume perante todos que no fundo, ele não é homem da política, mas antes um desportista que veio por empréstimo.

Quem lhe emprestou deve-se ter esquecido dele, porque ficou emprestado 34 anos a apodrecer lentamente, estando agora a gangrenar e a feder.

Fique por Barcelona que não deixará saudades!

Nfuka

Ponto prévio: não sou, nunca fui e não espero vir a ser da UNITA. Entretanto o que acontece ao Nfuka e à outros angolanos, enquanto concidadãos, dizem-nos respeito a todos, daí muito boa gente crítica ao poder vierem à terreiro em defesa de Garcia Miala e mais recentemente Quim Ribeiro, quando entenderam estarem a ser injustiçados.

Nos idos anos de 2002/3, se a memória não me atraiçoa, altura que o conheci, certamente, salvo quem tivesse tido contacto com suas ideias, quase ninguém dava por ele, tal era o aspecto franzino, modesto denunciando sua condição social humilde. Na altura morador do Palanca e estudante do conhecido “PUNIV CENTRAL”, Nfuka Fuaka Muzemba e um conjunto de outros jovens já faziam importantes reflexões sobre a Angola de então, a guerra que, já terminada, tinha deixado feridas profundas que careciam de cicatrização, da necessidade de acordos de paz que vingassem, a construção de um Estado bom para se ser jovem. Eram ávidos e assíduos ouvintes dos noticiários e acesos debates emitidos pela Rádio Ecclesia e Voz da América, frequentadores das Conferências que eram organizadas Por Organizações da Sociedade Civil e tinham contactos estreitos com políticos e activistas cívicos que se destacavam pela exposição de suas ideias e a maneira como se batiam pelas mudanças que se impunham, ainda eram ávidos leitores dos jornais privados e alguns livros que tomavam emprestados. Foi naquele ambiente que se idealizou o MOVIMENTO DE ESTUDANTES ANGOLANOS – MEA, como um meio de luta pelos direitos dos estudantes e não só. Nfuka já tinha ideias bem avançadas e concretas sobre os combates e as consequências inerentes a tal “atrevimento”. Sinceramente, não sei por onde andavam nem o que faziam os seus actuais detractores da JURA.

O MEA teve como grande marca, a exigência ao governo, da instituição do passe social para os estudantes, que permitiria a esta franja da sociedade viajar sem custos, ou com custos subvencionados, nos autocarros de transportes públicos (caso a proposta fosse implementada); facto que viria servir de mote para o surgimento das primeiras manifestações organizadas por estudantes não universitários, de que tenho memória. Nfuka, o principal ideólogo da organização e pares, andavam de escola em escola, na periferia de Luanda, a fim de darem a conhecer o MEA e mobilizar jovens para a causa. Na periferia, não raramente, contactavam amigos, amigos e conhecidos dos amigos, apesar dos riscos inerentes, a julgar pelo ambiente político de então.

Eram dos momentos, que reputo de mais difíceis e arriscados, desde que acompanho o país social e político, só comparável, talvez, ao contexto em que surgiu o movimento 7311. Daí os jovens do MEA terem apanhado bastantes porretes, experimentado cadeias e outras sevícias, por parte das autoridades policiais angolanas.

O jovem do momento, destacou-se igualmente na Universidade Agostinho Neto, como estudante que protagonizava acesos debates dentro e fora das aulas, candidato ao cargo de Presidente da Associação dos Estudantes da Faculdade de Direito, e teve participação activa como membro da Associação da Universidade Agostinho Neto, a primeira e única a organizar uma grande manifestação verdadeiramente de estudantes universitários.

A trajectória, resumida neste texto, do Nfuka valeu-lhe convites para ir à Conferências internacionais na Europa e em África, isto nos anos 2003 ao 2005/6. Portanto, produto de lutas cívicas e estudantis granjeou protagonismo, espaço e muita estima no seio de instituições internacionais, da juventude angolana e não só.

De lá para cá Nfuka Muzemba nunca mais se inibiu de fazer a luta que acredita ser por um Estado Democrático e de Direito.

Naquelas circunstâncias socialmente difíceis, pois as condições eram mesmo precárias, já se falavam em aliciamentos, compras e vendas de consciências, talvez mais do que acontece hoje. Viu-se muitos mudarem da água para o vinho estranhamente, dizia-se terem sucumbido ao tilintar do “vil metal”. Facto ou não, é óbvio que não posso provar. Sei apenas que o Nfuka não sucumbiu, apesar das pressões – até mesmo por parte de professores na universidade, que chegaram a fazer desaparecer suas notas, etc. – pelo contrário, foi sendo cada vez mais interventivo, tendo mesmo feito pronunciamentos e protagonizado factos que incomodaram certos sectores do partido no poder em Angola.

 

  1. 1.    A entrada na política

Desejo de conferir outra dimensão à sua luta e convicto que pela via da real politik, daria um contributo maior para “aprofundamento da democracia” e realização social dos angolanos e de Angola, cedeu aos assédios do partido UNITA, pois acreditava ser esta a única força capaz de provocar mudanças no país.

Como é evidente a UNITA não o recrutou pelos seus lindos olhos, mas sim por todo seu capital simbólico acumulado, conquistado à custa de muitos combates e de não pouca pancada. Importa referir que o Nfuka fez tal opção contra a de todos os outros amigos; num conjunto de mais de dez amigos, foi o único a fazê-lo, e passou a levar o Galo Negro ao peito com tudo e contra toda a adversidade. Vimo-lo envolvido até ao pescoço na campanha eleitoral 2008, mesmo sabendo que só um milagre o colocaria no parlamento, tal era a distância em que se encontrava na lista de deputados, não se coibiu de usar até mesmo a sua viatura e outros meios pessoais, a fim de chegar aos bairros de Luanda à “caça” de votos.

Em 2010 foi eleito Secretário-geral do braço juvenil do Galo Negro, em Congresso. Também não foi por acaso que tal feito se concretizou. Foi também porque não havia ninguém na JURA capaz de dar sequência ao que Adalberto Catchiungo, Albano Pedro e outros tinham começado. A eleição de um jovem mukongo foi importante igualmente para se desconstruir a ideia da UNITA tribalista, funcionou como um inusitado piscar de olhos à juventude interventiva, serviu para a consolidação da edificação de uma organização modernizada e inclusiva, ou pelo menos vender esta imagem. A trajectória do novo SG claramente “arrastou” muita juventude para a JURA em particular e a UNITA em geral, que passaram a ter uma melhor imagem externa e a incomodar mais ao adversário mor. Por essas e outras a eleição de Nfuka Fuakaka Muzemba à deputado foi por mérito próprio.

Aqui chegado, foi com tremenda estranheza, que tomamos conhecimento da irregular/anormal suspensão a mando do SG da UNITA, Sr.º Vitorino Nhany (embora este e depois o Presidente do partido tivessem desmentido).

Segundo o Comunicado Final do Comité Permanente da UNITA, de 26.07 último, a Comissão de Inquérito constituída para averiguar as acusações de que é alvo o SG da JURA, obtiveram provas que configuram factos puníveis pela Lei Penal da República de Angola. Nfuka Muzemba é acusado de utilização abusiva e fraudulenta do timbre e carimbo de um órgão da UNITA junto da Embaixada de Portugal em Angola para obtenção de vistos de entrada naquele país do velho continente, para cidadãos estranhos à UNITA, em troca de dinheiros, ter compromissos inconfessos com o empresário Bento Kangamba dos Santos e seu elenco, nomeadamente o director de gabinete deste e o senhor Gabriel Veloso, assessor de imprensa do empresário. Suborno, falsas declarações, abuso de poder e corrupção activa e passiva.

Aquí é que “a porca torce o rabo”! Pois senão vejamos: pelo percurso, resumido é claro, que traçamos deste jovem, não seria muito mais fácil ter cedido às eventuais pressões para “conversão” ou “heresia” (?), quando mesmo já sendo SG da JURA, não tinha uma salinha sequer, orçamento nem subsídio para fazer o seu trabalho? E mais, nesta altura, de 2010 à meados de 2012, o também membro do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA andava a contar os passos (à pé), ainda assim sofreu calado, intransigente e sorridente, como se fosse o militante mais feliz do partido, quadro alterado apenas nas vésperas das últimas eleições, com a concessão de uma sede à JURA e uma viatura ao seu SG, podendo deste modo trabalhar com certa dignidade. Com a eleição à deputado melhorou sobremaneira a sua condição social.

Aqui chegado, julgo não fazer muito sentido, alguém que “resistiu” nos piores momentos, só agora se tornará corrupto “activo e passivo”, vendedor de vistos e manterá relações com quem quer que seja para “inviabilizar actos” do seu próprio partido, que reconheça-se, levou-lhe ao status actual!

Por outro lado, o discurso tido como radical do Nfuka não mudou em momento nenhum. Não tenho assistido aos debates parlamentares, mas chegaram-me informações segundo as quais no Parlamento o SG da JURA não é dos que “entra calado e sai mudo”, contrariamente à maioria dos seus colegas de bancada, muitos dos quais “dormem onde deviam estar acordados e acordam onde deviam dormir”; e fora da casa das leis o seu discurso tem sido o que temos ouvido, o que, também ouvimos, já mereceu chamadas de atenção internamente, no sentido de moderar.

Mais um dado: fonte partidária disse-nos, que depois das eleições até ao momento da sua suspensão, nunca mais recebeu orçamento partidário ou qualquer subsídio para a realização de actividades, tendo passado a custear algumas com dinheiro próprio. Porque será? Terá havido intenção da parte de alguém da Direcção do partido, em boicotar o seu mandato e causar-lhe a imagem de incompetente? A ser verdade, será inocente tal atitude?

O passado talvez traga outra luz sobre este momento menos bom do partido amado pelo nosso deputado Muzemba. Segundo fonte conhecedora dos meandros da JURA institucionalizada, o actual SG será a segunda “vítima” de semelhante tratamento. O 1º terá sido o Adalberto Catchiungo, por muitos considerado o fundador da JURA moderna, pois diz-se que terá sido no seu mandato que que o braço juvenil do Galo Negro evoluiu para uma instituição com estatutos, regulamentos, autonomia administrativa e outros condimentos.

As fontes que vimos citando, dizem que Catchiungo assemelha-se ao Nfuka, pela intrepidez e outras qualidades, e ainda pelo cometimento do que alguém apodou de “pecado capital”, ou seja, não terem “sabido escolher” o lugar de nascença e no caso do primeiro, também a tez da pele. Adalberto é do Huambo e não “black”, e Nfuka oriundo do Uíge (por sinal nasceu em Luanda e já não se lembrará da data que cá chegou, pois cresceu e se fez homem na cidade capital).

Algumas pessoas lembrar-se-ão de terem ouvido o kota Jorge Valentim, nas vésperas de sua saída do “galinheiro” e posteriormente, suscitar o debate da existência de tribalismo e muito recentemente outros dissidentes confirmarem o “facto”, o que levará a não descartar a hipótese do SG da JURA estar a ser vítima desta suposta realidade. O que se disse e diz-se, é que na UNITA progride confortavelmente a “gente do Bié” e alguns do Huambo, contanto que pertençam a certa elite interna e não seja “clarinho”. Daí a queda de Catchiungo, segundo se diz.

Outrossim, Nfuka não é herdeiro da cultura UNITA, sendo que vem de outra escola política, o que leva a que tenha uma visão e formas de ser e estar na política que não lhe permitem subscrever determinados procedimentos, mas leva-lhe a entender que a militância não tem o direito de retirar-lhe a liberdade de pensar pela própria cabeça bem como agir como mandam os princípios da democracia e da ética política. Essa postura adicionada à sua têmpera reivindicativa, próprias de um “animal da sociedade civil”, que nunca deixou de ser, segundo vozes bem colocadas no “galinheiro”, não é bem vista “ladjum”, porquanto muitas vezes comporta-se como uma espécie de “não-alinhado”. E parece haver exemplos disso: Nfuka não terá subscrito nem dado “sangue” aos planos conspiratórios anti-Abel Chivukuvuku e por sinal não é dos que tem algo contra o Gen. Kamalata Numa, não tendo feito em ocasião alguma, em nome da JURA, qualquer moção de censura aos tais adversários do substituto do “mano mais velho”, valendo-lhe o rótulo de “contra o mano Samakuva” e a condição de “sapo entalado no pescoço” de certa elite “galinheira”.

A fazer-se fé no que se aventa estar na base de todo esse imbróglio, o anunciado linchamento político de Nfuka era só uma questão de tempo, e não haveria um momento melhor que o aproximar do ano das eleições na JURA, 2014, e faltarem ainda alguns anos para a realização das próximas eleições, autárquicas ou gerais, no país, pois até lá qualquer estrago terá sido concertado.

Curiosamente, até onde me lembro, o MPLA que é criticado por tudo que é imaginável e mais outras, desde que me conheço, não tem trado desse modo aos seus membros no activo ou não, que eventualmente tenham-se incompatibilizado com o seu Presidente/Direcção do partido; por exemplo, ainda não vimos ser “desenterrado” eventuais deslizes do Marcolino Moco (pode não tê-los), ou “criado” trapaças, para lhe incriminarem, apesar de se tornar um crítico do regime liderado pelo Presidente José Eduardo dos Santos. Há outros exemplos. Então, fará sentido a pergunta de alguns concidadãos: “Quem é pior ou melhor que quem”? Ou a comparação, entre a UNITA e o MPLA, feita por Makuta Nkondo, segundo a qual “a UNITA e o MPLA são iguais”!

Estas reflexões que entendemos introduzir conduzem-nos à outras não menos importantes. Para já permito-me augurar que Nfuka Muzemba não será expulso das hostes “galinheiras”, embora pense que poderá ter o nome na lista negra.

Diante destes acontecimentos e eventualmente futuros outro, como deverá reagir a nossa geração? Que tratamentos merecem formações partidárias alegadamente aspirantes ao poder, em cuja vida interna desconfia-se fazer-se a apologia do que criticam no adversário, ou quiçá pior? Antes, como enquadrar o caso Nfuka? Há realmente a intenção de um linchamento político? Quem estará interessado nisso?

Na Parte II deste “Traços do percurso de Nfuka, e o anúncio do seu linchamento político” traremos mais elementos de análise.

 

Adão Ramos, o autor do texto

Adão Ramos, o autor do texto

Para quem vai espreitando o nosso blog este post não há de ser estranho, mas para quem queira inteirar-se acerca dos nossos pequenos momentos episódicos com a PGR, faça favor de visitar este link.

Desde aquele último telefonema em que o procurador ficou desagradado com os justos bafos que o Adolfo lhe vociferou, não mais ouvimos pio oriundo daquela “reputada” instituição e desse modo, os “importantes depoimentos” que precisavam recolher com urgência para “dar seguimento ao processo” terão deixado de ser relevantes e o processo, esse, continua em águas de bacalhau, à espera de dias menos atarefados do seu dolce fare niente.

Antecipando-nos a qualquer pergunta que nos possa vir a ser colocada acerca das nossas acusações, fomos no pretérito dia 30 de Julho à DNIAP para que anexassem provas relevantes para avaliação das denúncias, dentre as quais uma irrefutável gravação do Comandante Notícia assumindo que a “ordem veio do Governo Provincial”. Foi apanhado em audio e em vídeo a assumir com todo o orgulho estar a acatar uma ordem que, certamente, acreditava estar imbuída de legitimidade. Enganou-se!

Anexamos as imagens da carta, assim como dos suportes audio e vídeo entregues àquela “instituição”.

PGRJulho201301

PGRJulho201302

PGRJulho201303

PGRJulho201304

PGRJulho201305

Jovens ativistas que procederam à entrega da missiva.

Jovens ativistas que procederam à entrega da missiva.

Foi entregue na portaria da Casa Civil da Presidência da República no dia 29 de Julho de 2013 uma missiva subscrita por alguns dos jovens que têm estado engajados na luta pela liberdade de expressão e contra a corrupção no nosso país e que, apesar de terem sido os catalisadores do recém adotado “diálogo com a juventude”, se têm visto marginalizados pelas mais altas entidades do poder executivo responsáveis por esse “diálogo”, encorajados certamente pelo discurso oficial do seu pontífice que nos resume à etiquetação depreciativa de “jovens frustrados”.

Vistas as coisas nesse primas, resolvemos então endereçar-lhe algumas inquietudes que nos apoquentam e fazem despertar em nós as observadas “frustrações” e que nos tornam pessoas tão desagradáveis e alvos a abater. Os assuntos frisados são 4: o eterno caso de Alves Kamulingue e Isaías Kassule, a seca e a fome que assolam o sul do país, a nomeação de Zenu para PCA do recém constituído Fundo Soberano de Angola e, finalmente, a gritante incompatibilidade dos pontos anteriores (sobretudo o segundo) com a realização de um campeonato do mundo de hóquei em patins.

Abaixo segue na íntegra o conteúdo da carta e em anexo uma imagem com a segunda página do documento onde se pode ver a acusação de receção por parte da Casa Civil, na pessoa da sua secretária que assina simplesmente “Arleth”.

A
Sua Excelência Presidente da República de Angola José Eduardo dos Santos
Luanda

Saudações
Excelência, somos jovens activistas membros da sociedade civil de vários extratos sociais. Estamos engajados há dois (2) anos em actividades cívico-sociais de acordo os parâmetros da nossa Constituição. As nossas actividades figuram naquilo que achamos ser o nosso contributo para a construção de uma sociedade mais democratica, justa, transparente, sem ditadores nem corrupção;

Servimos da presente para solicitar a S.Excia uma audiência para lhe apresentarmos um dossier de violações de que somos vítimas desde sensivelmente 2011, com realce as constantes violações dos direitos humanos e da constituição, e especialmente situações emergentes que nos preocupam grandemente agora, e que exigem intervenção imediata, esclarecimentos e acções concretas visando o seu desfecho, tais como segue:

1. Desaparecimento misterioso de Alves Kamulingue e Isaías Cassule. Ambos são activistas cívicos raptados nos dias 27 e 29 de Maio de 2012. Que até agora não há menhum esclarecimento sobre o seu paradeiro, e tememos que se torna num outro caso MFulupinga NLando Victor que desde 2004 até a data presente a investigação não conhece desfecho, deixando as familias, quer as dos activistas bem como as do político, desamparadas e em constante estado de choque;

2. O caso da seca que afecta o sul de Angola. Excelência, não conseguimos entender que um país que tenha recebido um prémio da FAO ( Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), como reconhecimento ao governo pelo seu empenho no combate e redução da pobreza e da fome, esteja a viver casos flagrantes como esta seca que esta a ceifar centenas de angolanos, sem no entanto, constituir um caso de preocupação nacional e nem merecendo se quer uma menção a quando da recepção do fabuloso prémio;

3. A nomeação de José Filomeno dos Santos “ Zenu” para o cargo de presidente do Fundo Soberano de Angola. Excelência, tendo tomado nota da nomeação supracitada no dia 20 de junho de 2013 com despacho assinado por sua excelência, não tendo sido por meio de um concurso público, mas sim, uma nomeação, sendo o cidadão em epígrafe filho do presidente da república, não tendo ficado claras as reais intenções desta nomeação, concluimos que tal acto incorre em prática de nepotismo e do tráfico de influências condenável pela constituição no seu artigo 21º alíne h): “ Tarefas fundamentais do estado: Promover a igualdade de direitos e de oportunidades entre os angolanos, sem preconceitos de origem, raça, filiação partidária, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”;

4. A Realização do Mundial de Hóquei em Patins. Como jovens, preocupados com o bem estar social e político do país, não nos parece coerente a realização de um acto desta índole quando vivem-se situações como as que acabamos de mencionar e outras que exigem intervênção imediata e eficaz do executivo; o que nos leva a crer que o executivo angolano está mais preocupado em promover a sua imagem além fronteiras do que preocupar-se com situações sociais do seu próprio povo;

Face ao exposto, queremos reforçar a nossa solicitação de audiência com S.Excia e esperar resposta breve num prazo de 15 dias tal como postulado no artigo 73º da constituição que diz em parte: “Todos têm o direito de apresentar, individual ou colectivamente, aos órgãos de soberania ou quaisquer autoridades, petições, denúncias, reclamações ou queixas, para a defesa dos seus direitos, da Constituição, das leis ou do interesse geral, bem como o direito de ser informados em prazo razoável sobre o resultado da respectiva apreciação. ”

Sem mais nada a aflorar, despedimo-nos com votos de boa saúde e cumprimentos.

Luanda, ____/___________/2013

Os Subscritores
Carta PR Julho 2013 pg2

No dia 4 de Julho de 2013 apareceram no Facebook imagens de uma plataforma petrolífera afundar-se no mar. A legenda dizia algo do género “Sonda da SAIPEM colapsa no Soyo”. O acidente teria acontecido 2 ou 3 dias antes, mas incrivelmente, conseguiu manter-se um manto silencioso e abafar um assunto dessa gravidade e dimensão até que essas imagens fossem reveladas. Imediatamente começou o festival de ataques aos nossos órgãos de (des)informação que têm uma incompetência atestada com direito a quadro de honra há já muitos anos (para não dizer desde sempre) e de quem não deveríamos esperar melhor.

O facto é que essa imprensa, timidamente lá reagiu, mencionando muito superficialmente uma efeméride que num país com liberdade de imprensa teria sido dissecado minuciosamente. Na nossa Angola não! É só mais um fait-divers, ensanduichado entre a “notícia” da visita de alguém com pouca importância para o angolano ao presidente JES e o concurso Miss Angola Esquina-do-bairro-desconhecido, passado em forma de comunicado chato, sem imagens e sem análise. É o costume.

Interessante foi ver como alguns detractores do regime se deram ao trabalho de encontrar imagens de um afundamento de sonda no Youtube, baixarem para os seus computadores e voltarem a subi-lo com um novo título sugerindo que corresponderiam a imagens da sonda da SAIPEM, a tal que se tinha admitido engolida pelo mar.

Mais interessante ainda, a maneira com que os incansáveis defensores do indefensável se lançaram num ataque feroz a quem, induzido pela já comprovada veracidade das imagens anteriores, se precipitou na partilha desse vídeo sem verificar a sua fonte.  Acusações com recurso a adjectivos que remontam aos idos anos 80 vieram à baila, demonstrando a idolatria ao que o seu chefe produz de pior e a profundidade da cristalização da mentalidade dessa gente, fossilizada a tal ponto que não parece mesmo ser irreversível. Até hoje há posts em que usam o facto de, também nós, termos caído na esparrela e partilhado dito vídeo, para “provar” que não somos diferentes daqueles que acusámos de parcialidade criminosa (JA, RNA, TPA) e que usamos de baixarias para denegrir o regime.

Esclarecimento: felizmente, temos alguns leitores muito atentos e em menos de 3 minutos tivemos um comentário remetendo-nos para o link original do afundamento que, afinal, se terá passado ao largo da costa iraniana, no Golfo Pérsico. Confrontados com essa gaffe, apagámos IMEDIATAMENTE o post e passámos a comentar diligentemente em todos os posts que apareciam no nosso feed que publicassem o vídeo como tendo ocorrido em Angola. Até hoje há pessoas que são induzidas pela legenda do vídeo e por associá-lo à notícia da plataforma da SAIPEM, essa sim, “tombada pela nossa independência”. Somos rigorosamente CONTRA o uso de desonestidade deliberada para denegrir os nossos detractores e daí termos removido, acto contínuo, o dito vídeo. Com um regime como o nosso, não é preciso inventar factos ou acusações, pois ele é prolífico em produzi-los diariamente, brindando-nos com mais material do que aquele que conseguimos digerir, esmiuçar e regurgitar em forma de análise articulada.

Mas vamos lá comparar as imagens REAIS da sonda “afogada” com as do vídeo que se quer fazer passar por original e pensar se é assim tão absurdo que sejamos todos induzidos em erro e se, se filmagens houvessem, o vídeo da sonda da SAIPEM a ir ao fundo teria sido tão diferente assim do que aqui colocamos.

Fotos da plataforma SAIPEM

Plataforma SAIPEM engolida no Soyo

Vídeo de uma plataforma IRANIANA a naufragar
 

Uma ideia sobre a nova bandeira que o MPLA deve adoptar. Estamos aqui para ajudar, afinal de contas queremos ser úteis!

“O mais importante é resolver os problemas do povo.”*

* – Mas primeiro os nossos. E depois os dos nossos filhos. E depois os das nossas amantes. E depois os dos nossos Mercedes. E depois o do nosso cão. E depois os dos nossos jogos de casinos. E talvez depois, se sobrar algo, compramos aí um chafariz…

MPLA Bandeira NOVA

Não havia outra maneira de usarmos este segmento da entrevista de JES em que ele se refere de maneira vaga e lacónica a eventuais “programas” e “projectos”. Na versão original, a medida que o Sr. Kitumba arrasta as respostas sem conteúdo como se tivesse chumbo a prender-lhe a língua ou um retardador de raciocínio acoplado no osso occipital, o cérebro de quem ouve tem tendência a desligar, a entrar em modo de suspensão e provavelmente será essa mesmo a intenção.

Mas depois de muito cambalearmos, conseguimos espremer a chuva dessa nuvem e finalmente apresentar um resumo do que S. Excia quis dizer com tanto parlapiê!

Divirtam-se!