Segundo episódio da nossa série baseada exclusivamente na entrevista concedida à SIC por JES.

Aqui focamo-nos no absurdo que evidenciou falta de prática (22 anos sem dar entrevistas), falta de treino/preparação para esta entrevista cujas questões lhe foram previamente submetidas, falta de domínio sobre os dados estatísticos mais elementares do pais que pretende governar assim como do seu processo histórico.

O facto de não ter acautelado a sua cábula de maneira mais discreta é um autêntico insulto à inteligência dos angolanos, mesmo à daqueles a quem mais tarde se refere como frustrados.

A equipa da Central Angola decidiu destrinçar, esmiuçar e esfarelar a “entrevista” do nosso “homem do desporto emprestado à política” e tentar extrair dela alguns momentos que achou dignos de realce, tentando, dentro dos seus limites, imprimir-lhe um cariz humorístico.

Este será o primeiro de vários (ainda não determinamos quantos) episódios. É muito curto e foca-se numa questão secundária de toda a sua longa intervenção: a comparação entre Mandela e Savimbi. Escolhemos começar com esse tema por ser muito fácil de trabalhar, dando duas ou três tesouradas na resposta e acrescentando a banda sonora escolhida. É muito curto (menos de 1 minuto) e não é representativo do que consideramos terem sido as bacoradas mais importantes do Comandante-em-chefe.

O segundo está quase pronto e os subsequentes não obedecerão necessariamente a uma periodicidade específica, mas à nossa disponibilidade sempre limitada de tempo.

Que tenham início as “hostilidades”.

Os documentos abaixo partilhados revelam a argumentação da PGR para pedir investigação à DNIC. Precisamos de estudar a lei de imprensa no que se refere à incitação ao uso de violência e ter acesso ao artigo do Domingos da Cruz para perceber se o extracto seleccionado pela PGR está descontextualizado ou se realmente terá faltado cautela ao mano ao não metaforizar o que queria dizer com “guerra”. Ele fala de uma guerra do povo, não militarizada, o que nos parece contrasensual. Talvez tendo acesso ao artigo completo possamos perceber melhor o significado da palavra “guerra”, se ela realmente incita à violência e entretanto consultar o que diz a lei acerca disso.

De todos os modos, se repararem no parágrafo final da primeira página da convocatória, a lei citada para justificar a intimação é a lei 7/78 de 26 de Maio referente aos Crimes Contra a Segurança de Estado, lei alegadamente revogada (por confirmar, mas sendo de 1978 é mais que possível que assim seja).

De lembrar que a convocatória foi feita ao Domingos via telefónica o que nos parece desde já muito pouco deontológico.

A Human Rights Watch está a acompanhar de perto o desenrolar deste caso, segundo este artigo no club-k.

Domingos da CruzDomingos, AcusaçãoDomingos, Acusação 2

A PGR notificou os jornalistas Lucas Pedro e Domingos da Cruz, sendo este último acusado de “desobediência”.  Lucas estará a ser ouvido hoje e o Domingos tem a sua intimação para o dia 14. Vamos estar atentos ao que irão relatar depois de mais este frisson que se envia aos poucos jornalistas que teimam em permanecer com a ilusão que a liberdade de expressão é um “bem adquirido” no nosso país.

Lucas Pedro

Lucas Pedro

Domingos da Cruz

Domingos da Cruz

Abaixo reproduzimos na íntegra o comunicado do MR que nos fez chegar o Pedrowski Teca, também ele jornalista e destacado membro do MR:

COMUNICADO DE IMPRENSA

12/06/13
Assunto: Solidariedade com os jornalistas Lucas Pedro e Domingos da Cruz.
O Movimento Revolucionário, um grupo de jovens que tem realizado intervenções sociais na República de Angola desde 7 de Março de 2011, através desta, vem expressar a sua solidariedade aos jornalistas Lucas Pedro e Domingos da Cruz, ambos sendo as vítimas mais recentes dos órgãos de segurança e judicial do país.
Tomamos conhecimento que o jovem jornalista Lucas Pedro, representante do portal de notícias Club-k.net, foi notificado no dia 4 de Junho de 2013 a comparecer na Procuradoria Geral da República (PGR) perante a Magistrada Instrutora do Ministério Público, Drª Rosa Sidónio Manuel Cabuço dos Santos.
Conforme a notificação com um processo No. 165/013, Lucas Pedro deve comparecer hoje, 12 de Junho de 2013 na PGR “a fim de ser ouvido em auto de declarações, podendo fazer-se acompanhar de um advogado caso queira”.
Na mesma senda, o jornalista Domingos da Cruz foi informado Terça-feira, via telefónica que será julgado por crime de “desobediência” no dia 14 deste mês e tem o processo número 6716-09 pela Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC) que o acusa de ter incitado violência no seu artigo “Quando a guerra é necessária e urgente”, publicado em 2009 no Bissemanário Folha 8.
Num outro processo número 613/10-A, Domingos da Cruz também é acusado de desobediência por não ter supostamente aparecido no tribunal para o julgamento, e a informação foi transmitida por um oficial de diligência do Tribunal Provincial de Luanda ao réu, que negou ter sido antes notificado para comparecer no tribunal.
O Secretário para a área Protocolar do Núcleo revolucionário de Cacuaco do Movimento Revolucionário, João Sebastião, comunica que o Movimento Revolucionário solidariza-se com os dois jovens jornalistas e condena a forma selectiva e ilegal em que os órgãos de segurança e judicial de Angola tentam silenciar, deter e empresionar os cidadãos que exeercem os direitos consagrados na Constituição do país.
João Sebastião afirma que o Movimento Revolucionário condena o conteúdo vago e suspeita da notificação emitida para o jornalista Lucas Pedro, precisamente por não ser explícito sobre o assunto a ser tratado ou respondido pelo jornalista na PGR.
Da mesma maneira, o Movimento Revolucionário condena os actos ilegais do Tribunal Provincial de Luanda por convocar a presença do réu via telefónica.
O cumprimento das leis do país é tarefa primordial dos órgãos Judiciais, Executivos e Legislativos do Governo, cujas acções devem servir de exemplo na obediência e cumprimento das leis pelos cidadãos.
Infelizmente em Angola, o Governo tem sido o primeiro infractor da Constituição atípica que nos impôs e aprovou em Janeiro de 2010.
O Movimento Revolucionário exige ao Tribunal Provincial de Luanda e a Procuradoria Geral da República, o cumprimento de procedimentos legais na execução das suas tarefas e a abdicação de realização de tarefas à margem da lei e conforme os interesses de indivíduos que baixam as famosas “Ordens Superiores” que normalmente carecem de bases legais.
O Movimento exige também ao Governo, precisamente os seus órgãos Executivo (incluindo a Polícia Nacional, a PGR e a DNIC), Judicial (os tribunais) e o Legislativo (o Parlamento) a pautarem em acções dígnas das posições que auferem afim de evitarem um contágio das suas acções ilegais e desobediência por parte dos cidadãos.
Cacuaco – Luanda, aos 12 de Junho de 2013.
Pelo Movimento Revolucionário
João Sebastião
Secretário Protocolar do Núcleo Revolucionário de Cacuaco do Movimento Revolucionário

Num artigo intitulado ““Sua Excelência Zé Dú, somos jovens autóctones exigindo que o senhor se aposente” reacção de Pedrowski Teca, jovem do Movimento Revolucionário, à entrevista de JES na SIC” num blog de notícias que entretem, Pedrowski Teca endereça uma carta aberta à JES. A leitura é longa mas muito interessante. Acompanhem abaixo um excerto e carreguem depois no link que vos remeterá ao blog original do autor.

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… de uma maneira geral, são jovens com certas frustrações que não conseguiram, não tiveram sucesso durante a sua vida escolar ou académica, não conseguiram uma boa inserção no mundo do emprego, etc., mas que estão fundamentalmente muito localizados“, José Eduardo dos Santos em SIC Notícias aos 6 de Junho de 2013.

Sua excelência, sou o Pedrowski Teca de 26 anos de idade, nascido no Município da Samba, Província de Luanda, na antiga República Popular de Angola e sou um membro orgulhoso do Movimento Revolucinário.
São jovens com certas frustrações
Em primeiro lugar gostaria de esclarecer que a tua frase “são jovens com certas frustrações” não condiz com a nossa realidade porque o que chamas de “frustração”, é na verdade o radicalismo característico de jovens.
Radicalismo este que é visto por sua excelência como “frustração” porque não é pro ao status-quo mas é aposto à sua ditadura monárquica, a sua corrupção, ao seu nepotismo e ao seu roubo descarado do erário público à favor da sua família e dos teus amigos em detrimento do povo angolano.
Com o nosso radicalismo juvenil de intervenção social, será que a sua excelência sabe o porquê que nos chamamos de “jovens revolucionários”? O escritor e jornalista inglês George Orwell (1903-1950) disse que “numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um acto revolucionário” e sua excelência nos detem arbitrariamente, nos espanca e tortura, nos prende e emprisiona, tudo porque falamos sobre a verdade das nossas próprias vidas que o senhor desgoverna à quase 34 anos.
Não tiveram sucesso na vida escolar ou académica
Quanto as palavras de os jovens “que não conseguiram, não tiveram sucesso durante a sua vida escolar ou acadêmica”, surpreendeu-me que mesmo com os equipamentos mais caros de alta e novas tecnologias de comunicação, rastreamento, infiltração e invasão e violação do direito à privacidade dos cidadãos, que tem comprado com vista à relação e colaboração bilateral com o Israel, o senhor presidente continua ignorante dos perfis, particularmente das qualificações, dos jovens que por dois anos têm te dito “32+2 É MUITO”.
Os ataques de sua excelência aos jovens indefesos do Movimento Revolucionário que por ti “estão fundamentalmente muito localizados” foram tidas por nós como uma estratégia para minimizar o efeito das nossas ações e descredibilizar-nos como pessoas intelectuais e formadas com capacidade de pensar com as nossas próprias cabeças. Desacreditas-nos de tal maneira que procuras fantasmas que supostamente nos influenciam para fazermos o que fazemos.
Felizmente, tenho más notícias para a sua excelência: muitos de nós somos técnicos superiores, alguns já licenciados, outros já no ensino superior e não desconsiderando que pela idade, muitos ainda estão no ensino médio.
Eu sou formado em “Jornalismo e tecnologias de informação” pela Universidade de Ciências e Tecnologias (the Polytechnic) da vizinha República da Namíbia, onde no dia 16 de Abril de 2011 fui graduado com um diploma do mesmo curso pelo seu homólogo, Sua Excelência, o Presidente Hifikepunye Lucas Pohamba, nas instalações do Safari Hotel na capital, Windhoek.
“Não conseguiram uma boa inserção no mundo do emprego”
Excelentíssimo, quem, quando, como e onde fez e divulgou as estatísticas de que a pobreza em Angola está entre 35 e 36 por centos se desde a independência, o país jamais conseguiu realizar pelo menos um censo populacional?
Estando em Windhoek, eu pessoalmente participei e fui contado no último censo populacional efectuado naquele país que atualmente tem somente 2.5 milhões de habitantes, e sabes quais questões apetece-me fazer-te? Se sua excelência tem as estatísticas de que a pobreza em Angola está entre 35% e 36%, então porque não nos dizer também o nível e as razões de desempregos no país? Quantos jovens estão actualmente desempregados? Qual é a percentagem ou o número estimativo de jovens, crianças, velhos e em que condições vivem em Angola? Poderá nos dizer quantos quadros qualificados temos no país e a percentagem em suas respectivas áreas de formação? Poderá nos dizer quantos estrangeiros, particularmente os chineses, estão em Angola e em que sectores?
Sua excelência, um docente na Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, Bryan Stevenson, disse: “o oposto de pobreza não é a riqueza. Em muitos casos, o oposto da pobreza é a justiça”.
E o emprego?
Excelentíssimo, ao contrário de Angola, a Namíbia não facilita o estrangeiro: formado ou não. O que a sua excelência errou em não mencionar quando convidou os português à virem em Angola, foi por não dizeres “desde que cumpram com as leis do país”.
Na Namíbia, estas leis exigem à um cidadão estrangeiro em primeiro lugar a ser um especialista formado e em segundo lugar a ter uma certa quantia de dinheiro que o qualifica como um investidor capaz de empregar namibianos desempregados e trazer uma mais valia àquele país com os seus bens e serviços.
A Namíbia tem leis que impedem estrangeiros a exercerem cargos de motoristas, cabelereiros, garsonetes, empregados de limpeza, etc, e será que a sua excelência pode me explicar como é que em Angola temos chineses a trabalharem como vendedores ambulantes (“zungueiros”), ajudantes de contrução civil, motoristas e noutras profissões? Quantos cidadãos estrangeiros (malianos, eritreus, os chamados mamadus, etc) abrem lojas e cantinas nos nossos bairros e cidades e em que posições de imigração se encontram? Sei que muitos estão na condição de refugiados! Sabias que os refugiados angolanos na Namíbia não eram permitidos sairem do campo de refugiados chamado “Osire”? Sabias que os refugiados angolanos não eram permitidos trabalharem como tais e deviam estar sempre na tutela e cuidados do alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados? Porquê que um estrangeiro vem em Angola exercer uma profissão que exige pouca formação acadêmica enquanto existem muitos angolanos no desemprego?
E eu? Será que me inseri no “mundo do emprego”?
Na condição de estudante de jornalismo, ganhei o prêmio de melhor jornalista do jornal universitário, Echoes campus Newspaper, em 2008. Fui estagiário voluntário no departamento de marketing da universidade, onde me destaquei e tive a oportunidade de interagir com inclusive uma delegação do nosso Instituto Nacional de Bolsas (INAB) e seu director Dr. Jesus Joaquim Baptista, cujos objectivos não incluía a ajuda aos estudantes angolanos naquele país mas o financiamento dos que estavam para imigrar para Windhoek e esse foi o meu relatório.

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Redijo este texto do interior de um avião à caminho de Lisboa, avião que, a escassos 3 dias de completar um ano de um dos capítulos mais tenebrosos que o meu país me fez viver após violarem a minha bagagem acrescentando-lhe quase 2 kg de cocaína e reportando-o de seguida às autoridades portuguesas para que hoje eu não estivesse aqui a escrever estas linhas, mas a viver o calvário de um reles e desmazelado traficante, por um triz perdia, pois já estavam à procura da bagagem de porão da senhora que acompanho para retirá-la e poder prosseguir viagem.

Desde o passado dia 11 de Junho que sempre que tenho de me deslocar ao exterior do país me deparo com a incómoda situação de bloqueio de passaporte. Os jovens agentes da imigração bem tentam esconder a sua vergonha por não conseguirem dar uma resposta à minha mais que justa indagação: “está bloqueado por que motivo?”. Vão correndo de um lado para o outro, evitando cruzar o seu olhar com o meu, dizendo-me de vez em quando que tenha “calma, estamos a trabalhar para resolver a situação, é só aguardar mais uns minutos”.

Só que o “alguns” passou de 10, 20, e depois de mais de 40 minutos neste impasse, a última chamada para o vôo já ressoou no altifalante do aeroporto e, perante insistência, o agente lá responde que estão a tentar contactar o “Comandante” (sempre sem citar o nome do cidadão) porque “só ele pode dar autorização de marcha”. Volto então a perguntar: “como pode uma pessoa com poderes exclusivos de tomar decisões que engajam o Estado (tais como, fazer perder o vôo a passageiros com tudo em ordem) estar ausente e incomunicável no seu turno? Estão a tentar contactá-lo há mais de meia-hora e não há meio de lhe conseguirem falar?”. Novo silêncio, nova promessa de que tudo se irá resolver.

Num ápice o nosso Adão Ramos se meteu em campo tocando o sino de alarme bem alto, fazendo os telefonemas certos e as suas diligências redundaram no envolvimento dos kotas Filomeno Vieira Lopes e Justino Pinto de Andrade que ligaram para o Comandante-Geral Ambrósio de Lemos (contra quem accionámos recentemente uma queixa-crime por abuso de autoridade para a qual ainda não obivemos resposta da PGR) e para o Ministro do Interior Ângelo Tavares (também ele alvo de queixa), ambos assegurando que iriam resolver o assunto imediatamente.

Alguns minutos depois, um jovem agente foi incumbido de me acompanhar até ao guichet onde já tinha sido carimbado o passaporte da senhora com quem viajo, devolveu-me os passaportes e quando lhe questionei acerca das razões daquele bloqueio eis a melhor resposta que ele encontrou: “alguém com um nome idêntico ao seu foi introduzido no sistema para bloqueio e houve uma confusão”. Só não explodi de rir porque senti pena do rapaz e foi isso mesmo que lhe disse enquanto lhe dava uma palmadinha nas costas comentando: “lamento que tenha sido indigitado para me transmitir uma mentira tão absurda, é um papel humilhante o que os seus covardes superiores lhe delegaram pois ambos sabemos que não é esse o caso, mas também sei que não é má vontade sua. Passe bem”.

Ao passar pelo guichet, o outro jovem que me tinha atendido previamente e, após ver a situação do bloqueio, associou o nome Beirão à toda aquela charada e me perguntou “és o Luaty?”, desejou-me coragem em alto e bom som, sem se importar se algum “comandante” o haveria de dedurar!

Os agentes do SME foram no entanto incapazes de me conduzir a mim e a senhora que acompanho que tem dificuldades de locomoção até à porta de embarque. Tive eu de ir perguntando pelo vôo da TAP e ver alarmados os funcionários que me pediam que corresse. Não tinha como correr, a senhora dá passos muito curtos e numa cadência dolente. O senhor na porta de embarque pôs-se no walkie-talkie a enviar sinais de urgência para o seu colega à porta do avião para que contactasse o Comandante (do avião desta vez, chega desses policiais incompetentes) a saber se ainda permitia que embarcássemos pois já se tinham fechado às portas há algum tempo. Ao mesmo tempo contacta o pessoal que no porão procurava as bagagens pedindo que suspendessem temporariamente a busca. Por um instante houve um impasse e a última palavra seria do Comandante, que felizmente para todos (incluíndo para o infantil Estado Angolano), foi condescendente.

Daí estar a escrever este texto em pleno vôo, dois dias depois de o Zé (também ele alvo de denúncia na Assembleia) me chamar de frustrado, analfabeto e de reiterar que Angola vive numa democracia plena e exemplar. Mas quando um gajo manda putakiapariu dizem que não tem respeito? Ok, posso então lhe chamar de velho babão e camambwin?

Há coisa de 3 semanas atrás eu fui, a conselho de um funcionário do SME, entregar uma carta dirigida ao Director Nacional desse organismo, o senhor José da Silva Paulino, requisitanto que corrigisse de uma vez por todas o “erro no sistema” que impedia o meu fundamental e constitucional direito à livre-circulação, erro esse que o próprio Paulino em pessoa me assegurou que jamais voltaria a suceder, isto no dia 2 de Janeiro de 2013 quando, pela segunda vez, me deparei com esta situação de bloqueio. Pois em Março, novo bloqueio e agora, Junho, sou presenteado com mais este episódio de uma telenovela repetitiva e enjoativa.

Sr. Paulino, se na escolha entre lei e ordem superior prefere subordinar-se à segunda, pode contar com uma queixa-crime na PGR no meu regresso (sim mais árvores abatidas em vão, pois, tal como as anteriores, acabarão no tambor de lixo do Sr, João Maria de Sousa… até ao dia!). Estou farto das vossas arbitrariedades.

 

Luaty Beirão

A equipa da Central vem por esta agradecer ao grande serviço prestado à Nação e ao mundo por S. Exª Camarada Eng.º Arqº da Paz Guia Imortal Adjunto Comandante-em-chefe Presidente José Eduardo “Kitumba” dos Santos, ao submeter-se pela primeira vez em 22 anos a um questionário previamente estudado ao qual se chamou de entrevista, oferecendo-nos a evidência definitiva da sua caducidade e necessidade urgente de passar à reforma.

Foi uma fantástica exibição de esterilidade de ideias, de incapacidade retórica, de inexperiência na submissão à incómoda posição de entrevistado (repararam nas primeiras perguntas como os olhos dele de cabulão andaram desesperadamente à procura dos dados estatísticos inventados?), de desconexão total com a realidade daqueles que pretende governar, do cinismo que não mais consegue dissimular atrás daquele risinho, da incoerência no discurso (ao mesmo tempo que enuncia a formação de quadros como sendo o maior feito do seu governo, sublinha a gritante falta de quadros anunciando que as portas estão escancaradas à imigração), um autêntico fogo-de-artifício de lugares-comuns e um carnaval de insultos à inteligência dos angolanos.

Não iremos ressaltar a “curiosidade” de ter privilegiado uma cadeia televisiva internacional para uma tão exclusiva cedência, nem dar-nos ao trabalho de refutar as ridículas acusações que nos foram endereçadas pois são de tal modo descabidas que seria preciso um esforço colossal para alguém ainda engolir essa historieta da carochinha, ou a voluntária cegueira militante que parece obrigatória para quem deseje singrar ladjum. Preferimos deixar as imagens falarem por si e lamentar que a SIC não tenha feito uma reportagem semelhante para contrapor a maquilhagem do progresso e Estado Social que o Henrique “sorriso chinês” Cimmerman ajudou a fazer.

(English translation below)

The Central team thanks the great service offered to the Nation and the world by His Excellency Comrade Engineer Architect of Peace Immortal Guide Adjunct Commander-in-Chief President José Eduardo “Kitumba” dos Santos, in submitting himself for the first time in 22 years to a previously-studied questionnaire, so-called interview, offering us definitive evidence of having past his expiration date and the urgent necessity of his retirement.

It was a fantastic exhibition of the sterility of ideas, of rhetorical incapacity, of inexperience in submitting to the uncomfortable position of the interviewee (note how in the first questions his eyes followed his cheat sheet desperately seeking invented statistical data?), of total disconnect from the reality of those he pretends to govern, of the cynicism that can no longer be hidden behind that little laugh, of the incoherence in the discourse (at the same time that he announces the education of cadres as the great achievement of his government, he underlines the screaming lack of skilled cadres when announcing that the doors are thrown open to immigration), an authentic fireworks of clichés and a carnival of insults to the intelligence of Angolans.

We will refrain from emphasizing the ‘curiosity’ of having privileged an international television station for such an exclusive offering, nor will we go to the trouble of refuting the ridiculous accusations that were addressed to us, they were so without basis that it would take a colossal effort for someone to swallow this old wive’s tale, or a militant voluntary blindness that seems obligatory for one who wants to succeed ‘inside’. We prefer to let the images speak for themselves and we regret that SIC did not report something similar to counterpose the makeup of progress and the Social State that Henrique ‘Chinese smile’ Cimmerman helped to create.