Os conselhos do General

Posted: October 15, 2011 in Angola, Argumentos, Direitos, Direitos Humanos, Opinião

Depois das últimas manifestações de 3, 8 e 25 no mês do Herói Nacional com direito a cadeia para alguns e arruaças de aprendizes de segurança, sinto-me compelido a dar alguns conselhos.

ESTAMOS A TRATAR MAL OS NOSSOS FILHOS: não entendo a razão de toda esta carga para cima da Juventude que decidiu reivindicar os seus direitos com manifestações e outras formas modernas, direitos esses garantidos na constituição que algumas pessoas do meu partido ousou cognominar “das melhores cartas magnas do século XXI”. Ou será que quem mandou carregar nos Jovens não tem visto a onda de manifs a nível internacional que começou em Nova Yorque com a iniciativa “Occupy Wall Street”?

Prefiro ver os Jovens se manifestarem abertamente para percebemos melhor os seus anseios ao invés de se envolverem em clandestinidades com consequências imprevisíveis. Ouvi e vi no Youtube a Sra Leonor  Mãe do Afonso Mayanda a clamar por indulgência para seu filho e todos outros meninos presos, fez-me lembrar as nossas Mães quando os nossos pais foram presos no celebre processo 50 e desterrados para o Chão Bom, Tarrafal (Cabo Verde). ESTAMOS A TRATAR MAL OS NOSSOS FILHOS.

Também não fico satisfeito quando ouço o Luaty Beirão proferir obscenidades contra dirigentes do nosso Governo, do MPLA ou ver o Carbono a distribuir panfletos na ex-tourada de Luanda pedindo a cabeça do Camarada Presidente, no entanto, lembro-me com lucidez que muitos de nós que hoje pretende esfolar e encarcerar esses jovens participou activamente nos movimentos de libertação nacional em revolta a opressão colonial e, ao longo dos anos, ensinamos os nossos filhos o preço da liberdade e que já mais aceitassem a subjugação, “exploração do homem pelo homem”. Ao longo desses 35 anos de independência ensinamos também aos nossos filhos, o seguinte: “Revolução, pelo Poder Popular…Levantemos nossas vozes libertadas Para glória dos povos africanos.” (trecho do Hino Nacional de Angola).Nos primórdios da Independência até 1977 tínhamos o habito de decorar textos revolucionários nas noites anteriores à reuniões importantes do Partido… hoje os Revús estão a fazer as coisas de acordo com os novos tempos. Ou será que existe algum plano macabro parecido aqueles aplicado aos Jovens revolucionários que pareceram em 1977?

Quando os nossos filhos ao invés de proferirem palavras de ordem como “Viva ao MPLA” e “Zé Du… o Povo está contigo” preferem Slogans com:

  • “32 é muito”
  • “Não queremos Violência”
  • “Zungueira é nossa Mãe”
  • “Savimbi tem razão”
  • “Mataram Nito Alves”
  • “Mataram Mfulupinga”
  • A policia é do Povo não é do MPLA

É profundo; Algo não vai bem no nosso reino!

Para quem até agora não entendeu, é óbvio que, as condições sociais dos nossos jovens têm vindo a degradar-se ao longo dos anos. O custo vida para eles sobrevirem em Angola é altíssimo, se para expatriados temos a cidade mais cara do mundo, para os pobres jovens é intolerável.

Em contrapartida, centenas de milhões de dólares, que poderiam melhor servir os jovens, desaparecem do Banco Central como se fosse normal, os activos do estado são transferidos para a esfera privada de uns escolhidos sem dar “cavaco” a ninguém (Exemplo recente a rede PRESILD), há dinheiros do estado de Angola em contas privadas lá fora sem justificação plausível, As casas para os pobres que nós prometemos em 2008 estão a ser construídas pelas mesmas pessoas que negociaram o financiamento com a China – as mesmas pessoas vão comercializar os imóveis e, quiçá, somente os seus próximos terão acesso à elas -, os novos postos de trabalho prometidos em 2008 continua a ser uma miragem para a grande maioria.  É axiomático que os nossos Jovens não fazem parte desta Angola Cor de Rosa do “Tchillar”.

Não devemos perder de vista que os nossos jovens hoje estão melhor instruídos que nós no passado, muitos deles são Estudantes Universitários e sabem o que querem, a globalização abriu os olhos dos mesmos. A história está repleta de exemplos em que as revoluções e convulsões sociais foram começadas pelos Jovens – se calhar e, por incúria, muitas pessoas, que ostentam poder e arrogância hoje, não leram os meus conselhos sobre os ventos do Norte em Março último –

O Estado da Nação, na perspectiva da nossa Juventude, é de uma Angola que não está para eles. Uma Angola boa para estrangeiros….fuba podre e peixe podre para o Angolano e ‘porrada’ quando se refilar? será?

Camarada Presidente, sê magnânimo convide os Jovens a assumirem as suas responsabilidades de “ o futuro da Nação”, a Nação já mais irá TRATAR MAL OS SEUS PRÓPRIOS FILHOS.

.

OS CONSELHOS DO GENERAL:

10) Libertar de mediato os seguintes jovens:

CADEIA DE CABOCHA – BENGO

  • AFONSO MAYENDA JOÃO MATIAS (MBANZA HAMZA)
  • ALEXANDRE DIAS DOS SANTOS (LIBERTADOR)
  • BERNARDO ANTÓNIO PASCOAL
  • DIONÍSIO GONÇALVES CASIMIRO (CARBONO)
  • FRANCISCO CÉSAR JAMBA KASSALUKA

COMARCA DE VIANA:

  • ADOLFO MIGUEL CAMPOS ANDRÉ
  • ANTÓNIO KANGOMBE
  • ANTÓNIO ROQUE DOS SANTOS (SANTEIRO)
  • GABRIEL TCHAKUSSANGA
  • GARCIA JAMBA FRAGOSO DOS SANTOS
  • JEREMIAS MANUEL AUGUSTO (XPLOSIVO MENTAL)
  • JOSÉ MATEUS MWANZA
  • MATEUS GASPAR LUAMBA MONTEIRO
  • PEDRO JOSÉ MALEMBE
  • POLICARPO MANUEL AUGUSTO LOPES
  • RAFAEL DOMINGOS DE OLIVEIRA

11) Deixar os Jovens exprimirem as suas preocupações de forma aberta;

12) Deixar de rotula-los de “anti-tudo” que tem que ver com Angola (Antipatriotas, Anti-sociais, arruaceiros, vândalos, bandidos, etc);

13) Deixem do maniqueísmo de Guerra e Paz sempre que os Jovens pretendem manifestar-se. A PAZ É DE TODOS;

14) Conversar com os Jovens e tentar perceber melhor os seus problemas;

15) Melhor distribuição da renda nacional.

 

Manuel Paulo Mendes de Carvalho (Pakas)

Icolo e Bengo, 11 Outubro de 2011

Email: osconselhosdogeneral@gmail.com

osconselhosdogeneral@hotmail.com

Twitter: @Os_Conselhos

ESTAMOS A TRATAR MAL OS NOSSOS FILHOS  (artigo em PDF para download)

Comments
  1. Deolinda Maria Rodrigues says:

    O partido no poder se limita a tratar mal os jovens e os opositores. Também trata mal a sua própria gente. Na recente outorga de medalhas não condecoraram dois membros do chamado Processo dos 50, João Fialho da Costa e Noé Saúde, acusados pela PIDE de integrarem o Movimento de Libertação de Angola (MLA). Mas condecoraram um dos membros do Processo dos 36, Manuel Pedro Pacavira, que segundo os arquivos da PIDE, colaborava estreitamente com aquela polícia e segundo o embaixador Adriano Sebastião teve particulares responsabilidades na morte de Virgilio Sotto Mayor, herói do 4 de Fevereiro.
    Um partido nacionalista que condecora colaboradores da pide e se afasta de heróis da luta acusa um enorme grau de apodrecimento político.

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