Vender a nossa economia à máfia angolana é vender a alma ao Diabo

Posted: November 22, 2011 in Opinião

Este artigo foi integralmente copiado daqui. Carregar sobre o link para aceder à página original e ler a troca acalorada de comentários que se encontra em baixo, depois do final do artigo.

O artigo é uma análise às incertezas futuras do atual afluxo de capitais angolanos em setores estratégicos portugueses, argumentando o autor que, por serem capitais de origem mais que duvidosa, os mercados internacionais passarão a olhar para as principais empresas portuguesas (EDP, GALP, PT) com suspeição o que poderá/deverá condicionar o seu valor na bolsa, saindo, no final, o tiro pela culatra. Tá calor!

 

Na sua coluna no Expresso, João Duque deixou bem claro como vê a liberdade e a democracia neste País. Mas não quero aqui perder mais tempo com esta personagem. Nem a excelente caricatura da ideologia dominante que ela representa. Agora concentro-me noutro tema: as nossas relações económicas com Angola.

Como se sabe, Pedro Passos Coelho foi a Luanda para vender as nossas empresas públicas. Deslocou-se a um dos mais ricos países africanos, que, sendo um dos maiores exportadores de petróleo do Mundo, permanece em 148º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano e com dois terços da sua população a viver com dois dólares por dia. Os crimes de sangue e económicos fazem parte da natureza da cúpula mafiosa que domina os negócios em Angola (ler “Diamantes de Sangue”, de Rafael Marques). E mesmo quando a generalidade dos países europeus vive momentos de dificuldade, a entrada de capitais angolanos é vista com desconfiança, por ser um factor de insegurança. Até no mundo financeiro, dominado pela falta de escrúpulos, a elite económica de Angola está para lá de uma fronteira que só os mais “afoitos” se atrevem a transpor.

A entrada do investimento angolano (ou seja, do investimento da família dos Santos e dos seus generais e amigos) levanta um problema grave na economia portuguesa. As grandes empresas angolanas não têm contas públicas e vivem no meio da obscuridade legal e financeira. Onde o dinheiro do regime angolano entra acaba sempre por surgir um escândalo legal de grandes proporções. Com estes investidores, será impossível manter regras minimamente transparentes nas nossas empresas.

A ideia de ter as maiores empresas públicas, grande parte delas monopólios naturais, entregues a grupos mafiosos, que não olham a meios para conseguir os seus fins, só pode assustar qualquer pessoa séria. Sabemos que há corrupção na economia portuguesa. Mas a “angolanização” da nossa economia levará a nossa democracia para um outro patamar de degradação. Se a máfia angolana conseguir aqui o que não tem conseguido noutros países europeus a pouca credibilidade que resta às nossas maiores empresas desaparecerá. Há muito que nos devíamos estar a preocupar, por exemplo, com o peso que já detêm na banca nacional.

A participação do regime angolano, através de empresas que ninguém sabe a quem realmente pertencem e que interesses defendem, na comunicação social portuguesa, deveria causar uma enorme preocupação a jornalistas, empresários do sector e cidadãos em geral. Trata-se de um investimento que não procura o lucro nem se comove com a liberdade de imprensa. O regime angolano (económico e político, que é coincidente) está a comprar poder. E, para a família dos Santos e seus amigos, a conquista de poder não tem limites éticos. Quando Angola dominar a nossa imprensa e televisão, não imagino como viverão os jornalistas e comentadores portugueses que não aceitem a lógica de João Duque e queiram continuar a trabalhar em liberdade e sem se submeter à autocensura para não desagradar a amigos de ministros de José Eduardo dos Santos.

Este negócio é mau para os dois lados. Para Portugal, porque corresponde à “gangsterização” da nossa economia. E para Angola, porque significa um desvio de fundos de um País que tem quase tudo por fazer na melhoria das condições de vida dos seus cidadãos. Eles compram a nossa liberdade à custa da miséria do seu povo. Nós julgamos que salvamos a nossa economia à custa da nossa liberdade e credibilidade.

Quando ouvimos os nossos governantes falar, quase todos os dias, da importância de defender a credibilidade das nossas instituições públicas e privadas, não deixa de ser interessante vê-los a vender monopólios empresariais, a saldo, ao submundo económico. Não se julgue que não está a ser notado. Muito mais do que grande parte das nossas novelas políticas domésticas. O “New York Times”, por exemplo, já escreveu sobre o assunto.

Angola parece ser uma galinha dos ovos de ouro. Mas, nesta promíscua relação com o ditador de Luanda, estamos a vender a alma ao Diabo. E quando quisermos corrigir o erro será tarde demais. Serão os seus amigos a ditar as regras. E as suas regras são sinistras. Como sabe qualquer pessoa honesta que tenha tentado fazer negócios em Angola.

 

Publicado no Expresso Online

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