Ainda Cacuaco: depoimentos e alegações

Posted: February 2, 2012 in Argumentos, Denúncia, Direitos, Direitos Humanos, Manifestações, Notícias, Opinião

Os manos que se deslocaram ao Município de Cacuaco e fizeram o registo em vídeo dos depoimentos de amigos e familiares que se disponibilizaram em falar, vieram também com outras histórias de bastidores que, na falta de imagens, nos propomos desvendar pela maneira possível: a escrita. Recordemo-nos que isto são retalhos de depoimentos de vários indivíduos que amalgamámos num só texto, tentando manter a coerência, mas ressalvando que poderão não ser “a verdade, toda a verdade e nada mais do que a verdade”, pois baseiam-se em percepções e presunções de cada um dos visados. Está por apurar se a manifestação terá sido informada ao GPL, ou se se tratou de uma manifestação espontânea, sendo que, se ela se enquadrar nesta última tipificação, não requereria prévia comunicação.

Os manifestantes dirigiam-se à Administração Comunal entoando o slogan “Luz, água, saúde e educação”.

A polícia, nunca sabe muito bem como agir até que o Camarada “Ordem Superior” se pronuncie e dessa vez, ele chamou-se Garcia, agente SINSE, que terá alegadamente intimado a polícia a agir e conter os manifestantes, alarmando-os com dizeres do género: “A UNITA ESTÁ A INVADIR O MUNICÍPIO!!!”

Nisto, segundo outros testemunhos (ver vídeo no post anterior), os jovens foram levados para um local apelidado de “Lixeira” e, alegadamente, torturados com catanas (chapadas com o metal em costados humedecidos).

Depois da debandada, o SINSE Pascoal Gomes, acompanhado de um colega que se faz chamar de Saco-preto (que nome sugestivo), alegadamente à mando da Administradora de Cacuaco, Rosa Janota dos Santos, andaram de casa em casa caçando os manifestantes, espancando-os em frente aos familiares e, alegadamente, até uma mãe que tentou vir em socorro do filho terá sido esbofeteada.

Os jovens condenados no dia 31 de Janeiro (pelo que ouvimos até agora são 8, mas ao que parece, uma das famílias pagou imediatamente evitando que o filho fosse transferido para a comarca de viana):

*António Lando Kilala
*Fernandes Lando Adão Ngonga
*Pascoal Lando Adão Ngonga
*Sebastião Manuel
*Miranda Pascoal André António
*Mário Emílio João
*Aguinaldo Nicolau José Ferro

Amigos, fizemos questão de sublinhar insistentemente a palavra “alegadamente”, num tom mais irónico do que propriamente imbuídos de espírito de profissionalismo jornalístico (que não nos arrogamos ter). Irónico porque a maior parte destas alegações seria fácil de verificar se houvesse vontade por parte dos investigadores criminais, pela (in)consistência nos relatos e pelas marcas que certamente terão ficado do método alegadamente usado para a tortura.

Os jovens de Cacuaco prometem voltar às ruas já amanhã, sexta-feira, para protestar pela injusta condenação. Já se enviou uma carta ao GPL hoje alertando para essa situação, tendo sido enviadas cópias à IXª Comissão da Assembleia Nacional (Direitos Humanos), ao CGPN e à Presidência da República, para que ninguém possa depois dizer que não estava informado. Se a violência voltar a ocorrer todos eles serão responsáveis por terem-no permitido/autorizado/ordenado!

Comments
  1. Malcom max says:

    Porque não vamos em massa distroçar esses gatuno do país.manos angolano.

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