Archive for February, 2012

2

Esta manhã, uma tentativa de manifestação foi violentamente abortada pela polícia que ao ver jovens no local combinado não se contenta em dispersar, parte para a agressão e detenção imediata.
Qualquer grupo de dois jovens que se aproxime do local está a ser abordado de forma musculada e levado imediatamente para as celas.
Há relatos de espancamento com porretes e pessoas já hospitalizadas.
Há pessoas desaparecidas com as quais não conseguimos até agora estabelecer contacto. Houve testemunhas que viram estas pessoas serem agredidas antes de ficarem incomunicáveis.
A preocupação é latente!
ESPALHEM! ANGOLA É UM ESTADO CRIMINOSO!

2

Amanhã, dia 03 de Fevereiro, os jovens indignados pelas condições de habitabilidade e ultrajados pela fantochada do julgamento que subtraiu a liberdade a 8 manifestantes, voltarão a sair à rua para levantar as suas vozes contra a falta de bens elementares como luz, água, saúde e educação. O vídeo que se segue culmina com o apelo de um dos jovens dizendo que temos de quebrar o medo que nos domina e convidando todos os solidários e destemidos (sim, porque amanhã prevê-se porrada novamente) a aderirem a manifestação de amanhã!

1

Aqui seguem as provas que as cartas (ver post anterior) foram entregues à:

CGPN

IX Comissão da AN

Presidência da República

Se algo acontecer amanhã, esses documentos servirão de provas contra a tirania desse punhado de iluminados que nos desgovernam!

0

Na incerteza de terem sido acautelados os procedimentos legais previstos na infâme 16/91, alguns de nós resolveram redigir e subscrever uma carta endereçada ao GPL cc: IXª Comissão da Assembleia Nacional, CGPN e Presidência da República, avisando da possível saída às ruas no dia de amanhã e solidarizando-nos com os jovens do Município de Cacuaco. Aqui partilhamos a carta enviada ao GPL e assim que tenhamos as outras scaneadas colocaremos apenas as assinaturas que acusam recepção.

 

1

Os manos que se deslocaram ao Município de Cacuaco e fizeram o registo em vídeo dos depoimentos de amigos e familiares que se disponibilizaram em falar, vieram também com outras histórias de bastidores que, na falta de imagens, nos propomos desvendar pela maneira possível: a escrita. Recordemo-nos que isto são retalhos de depoimentos de vários indivíduos que amalgamámos num só texto, tentando manter a coerência, mas ressalvando que poderão não ser “a verdade, toda a verdade e nada mais do que a verdade”, pois baseiam-se em percepções e presunções de cada um dos visados. Está por apurar se a manifestação terá sido informada ao GPL, ou se se tratou de uma manifestação espontânea, sendo que, se ela se enquadrar nesta última tipificação, não requereria prévia comunicação.

Os manifestantes dirigiam-se à Administração Comunal entoando o slogan “Luz, água, saúde e educação”.

A polícia, nunca sabe muito bem como agir até que o Camarada “Ordem Superior” se pronuncie e dessa vez, ele chamou-se Garcia, agente SINSE, que terá alegadamente intimado a polícia a agir e conter os manifestantes, alarmando-os com dizeres do género: “A UNITA ESTÁ A INVADIR O MUNICÍPIO!!!”

Nisto, segundo outros testemunhos (ver vídeo no post anterior), os jovens foram levados para um local apelidado de “Lixeira” e, alegadamente, torturados com catanas (chapadas com o metal em costados humedecidos).

Depois da debandada, o SINSE Pascoal Gomes, acompanhado de um colega que se faz chamar de Saco-preto (que nome sugestivo), alegadamente à mando da Administradora de Cacuaco, Rosa Janota dos Santos, andaram de casa em casa caçando os manifestantes, espancando-os em frente aos familiares e, alegadamente, até uma mãe que tentou vir em socorro do filho terá sido esbofeteada.

Os jovens condenados no dia 31 de Janeiro (pelo que ouvimos até agora são 8, mas ao que parece, uma das famílias pagou imediatamente evitando que o filho fosse transferido para a comarca de viana):

*António Lando Kilala
*Fernandes Lando Adão Ngonga
*Pascoal Lando Adão Ngonga
*Sebastião Manuel
*Miranda Pascoal André António
*Mário Emílio João
*Aguinaldo Nicolau José Ferro

Amigos, fizemos questão de sublinhar insistentemente a palavra “alegadamente”, num tom mais irónico do que propriamente imbuídos de espírito de profissionalismo jornalístico (que não nos arrogamos ter). Irónico porque a maior parte destas alegações seria fácil de verificar se houvesse vontade por parte dos investigadores criminais, pela (in)consistência nos relatos e pelas marcas que certamente terão ficado do método alegadamente usado para a tortura.

Os jovens de Cacuaco prometem voltar às ruas já amanhã, sexta-feira, para protestar pela injusta condenação. Já se enviou uma carta ao GPL hoje alertando para essa situação, tendo sido enviadas cópias à IXª Comissão da Assembleia Nacional (Direitos Humanos), ao CGPN e à Presidência da República, para que ninguém possa depois dizer que não estava informado. Se a violência voltar a ocorrer todos eles serão responsáveis por terem-no permitido/autorizado/ordenado!

5

Vergonhoso para qualquer sistema de justiça que se preze, acusações sem provas são dadas como verídicas simplesmente por serem as versões dos polícias que testemunharam e que, para não variar, cumpriram as habituais ordens de regurgitar uma fantasia mal-amanhada qualquer. O juiz já tinha a sentença preparada antes de ouvir as partes. A Srª Justiça aqui é tratada como a Cadela Justiça e por isso já largou a balança, pôs uma mini-saia e só quer dar do Cambwá!

Acompanhem os testemunhos:

0

Amigos da liberdade, como sabem, na sexta-feira e sábado passados organizámos um encontro da juventude onde o interesse principal era a realização de palestras. Estamos a trabalhar para vos postarmos muito em breve alguma documentação relativa ao assunto para elucidar um pouco mais aqueles que, por desconhecimento, receio, limitações de espaço do próprio local, ou qualquer outra razão não listada, se viram impossibilitados de testemunharem com os seus próprios olhos e partilhar da energia gerada pela centena de baterias que fizeram o evento valer a pena.

No segundo dia do evento as nossas atenções ficaram divididas entre o EPJL, o despejo dos habitantes dos prédios dos sul-africanos que estava previsto para dia 28 mas que, felizmente, não teve lugar e, para terminar, uma manifestação ocorrida no Município do Cacuaco que, para não variar, culminou em violência e detenções. Hoje ficamos a saber que 12 dos jovens foram sumariamente julgados, sendo 4 ilibados de qualquer acusação e os restantes 8 condenados a penas de 3 meses de encarceramento. Segundo consta os jovens foram levados à Tribunal sem sequer lhes ter sido apontado um advogado de defesa. O governo continua a acreditar que esses métodos arcaicos vão frenar a mente dos angolanos saturados com essa desgovernação que estamos com ela. Depois de tantas rajadas ainda têm pés inteiros para andar?