O grito de Ipiranga

Posted: April 1, 2012 in Angola, Direitos, Estiguem o Imperador, Humor, Opinião

Estas últimas semanas têm sido particularmente interessantes no que toca a inspiração com a qual o regime presenteou alguns setores da sociedade civil que, não obstante já o fazerem de formas mais omissas, resolveram sair da sombra e colocar-se sobre os holofotes que incandeiam aqueles com atrevimento de assumir as suas ideias antagónicas com o regime vigente, pelo menos no que toca ao assunto que queriam tornar tabú, associando-o à tudo que há de mais negativo: confusão, guerra, 27 de Maio, mortes desnecessárias, em suma, instabilidade. Parece que foi preciso chegar ao ponto dramático de se amarfanhar um senhor da nata da política angolana para (alguns deles) reagirem, mas o mais importante é que o fizeram e fizeram de maneira clara e contundente, colocando-se do lado da lei e da razão e opondo-se veementemente ao argumento da força e da intolerância.

Alguns dizem-nos para desistir, que “isso vai acabar mal”, para nos dedicarmos as nossas vidas e aproveitar as (escassas) oportunidades que o país nos dá, que a luta é inglória e, de facto, há momentos em que chegamos a sentir-nos abalroados pela dura realidade: ainda não conseguimos juntar mais de 2000 pessoas para protestar nas ruas, se calhar o medo é algo que leva tempo a desconstruir, se calhar não vale a pena. Mas, a cada nova etapa, a cada nova voz que se junta a nós, esse sentimento de desamparo nos deserta e voltamos a sentir o vigor, a energia, a certeza de estarmos a fazer o que é certo de volta.

Alguns dos nossos parceiros mais ativos, anteriores às nossas movimentações de rua, o Projeto Kissonde e a Associação Omunga, lançaram recentemente uma campanha cada um, que são para nós revigorantes e inspiradoras pois parecem acrescentar valor a todo o trabalho que já têm vindo a desempenhar a volta da ideia de participação crítica e consciência do dever cívico de exercê-la:

A campanha do Kissonde é um spoof da campanha de lavagem de imagem do regime “Angola Faz” que ele chamou convenientemente de “Angola Desfaz”. Infelizmente as imagens só podem ser vistas no Facebook, por isso, para quem tenha conta nessa rede social, procure por “Projecto Kissonde”.

A campanha lançada pela Omunga é uma que está graficamente genial e que incentiva as pessoas a darem a cara como forma de subscreverem ao conceito que se foca na resistência à criminalização de um direito constitucional que é o de se manifestar. Chama-se “Por Uma Angola Livre” e está a inspirar-nos bwé, tem força para ser galvanizadora e por o pessoal a perceber que quantos mais formos a aceitarmos estar sob a luz do holofote incriminador, mais amparados nos sentiremos e menos eficaz se torna a técnica do silêncio pela intimidação musculada.

AGORA É A HORA! NÃO PODEMOS MAIS DAR UM MILÍMETRO QUE SEJA À OPRESSÃO, TEMOS DE DIZER “BASTA DE VIVER SUBJUGADO PELO MEDO!”, JÁ!

 

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