“Já encontrei a pobreza”

Posted: May 17, 2012 in A Voz do Povo, Corrupção, Denúncia, Direitos Humanos, Notícias

E está a deixar-nos a miséria absoluta como legado! Como podem ter a ousadia e o desplante de sequer balbuciar que estamos a avançar a largos olhos e, “se continuarmos a este ritmo, erradicaremos totalmente a pobreza dentro de alguns anos“? Mas porque nos tomam por imbecis desta forma? O relato abaixo é do nosso centraleiro Massilon Chindombe, postado na sua página de facebook. O “à vontade” que indicia alguma “normalidade” nas ocorrências macabras que descreve, é de destroçar ainda mais o coração de alguém que não esteja calejado com a realidade do país líder no ranking da “Mortalidade Infantil”, onde “morrer é normal”, independentemente dessas mortes poderem ser evitadas com ajustes mínimos nas mentalidades e comportamentos de quem com elas lida diretamente e nas condições de trabalho que se lhes proporciona para que velem com rigor profissional que deles se requer, pelo bem mais precioso que, infelizmente, deles depende enormemente. É avassalador (e aquele final em “riso brasileiro” não ajuda nada na relativização). Segue o texto:

“É no mínimo ingrata a procura de serviços médicos em Luanda!

No dia 14/05/2012 nasceu a Liana, minha sobrinha num parto turbulento fruto do atendimento precário na maternidade Ngangula.
Vejam que as dores de parto tiveram início no dia 11/05/2012 e na manha deste dia as enfermeiras observaram e orientaram que a parturiente voltasse a 1H da manhã do dia 12/05/2012. Nesta hora mais uma vez pediram que voltasse as 6H00AM e desta vez a enfermeira disse: “a dilatação ainda não começou podem ir para casa. Convém virem daqui a 1 semana porque estas dores ainda não são de parto mas devem-se ao facto de ser uma parturiente primípara ”. No dia seguinte 13/05/2012 deu-se o rebentamento da bolsa, jovem foi levada para o mesmo hospital onde teve que ser atendida de emergência, pois tornou-se tarde, a bebe já estava a entrar em sofrimento e como se não bastasse o parto teve que ser por via de uma cesariana. Fruto deste sofrimento a bebe teve que ser submetida a maquinas de oxigénio para sobreviver… No dia 14/05/2012 faltou energia no hospital e a recém-nascida faleceu… Apercebi-me da morte de outros 6 recém-nascidos no mesmo dia e pela mesma causa.
Digam-me se isto não é um homicídio???
Mas a maternidade não tem alternativas para casos em que falta energia geral?
Não existe um plano B de transferência de pacientes para outras unidades hospitalares?Q1: Quando cheguei a maternidade tentando perceber o que se tinha passado, conversei com algumas senhoras que aguardavam por atendimento relataram-me que quando faltou energia algumas enfermeiras suspiraram de alívio chegando uma delas a dizer: “Ainda bem que faltou energia assim vamos descansar um pouco”. Isto é normal? Não estarão estas enfermeiras submetidas a cargas horarias superiores a que deviam?
Q2: Ontem no cemitério verifiquei uma enchente tremenda falei com um dos couveiros que me disse – “meu Kota isto é sempre assim e nos últimos anos tem aumentado” Qual redução da mortalidade?????
Q3:Vejam para o campo onde devia estar o nome do médico que verificou o óbito no boletim que anexei. Dizem que o “Dr. Nome Não Legível” aparece na maioria dos boletins rsrsrsrsrsrsrs”

Por Massilon Chindombe

Comments
  1. Luis Aço says:

    Nove meses de sofimento e paciencia, muita paciencia, esperando o primeiro filho, para o proprio governo “matar” essa criança, isso ate me faz lembrar aquela musica do Gabriel pensador, “a patria que me pariu”, é muito triste a tua historia, meus pesames. Força mano

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