Centraleiros Sofrem Ataque Armado de Milícias Pró-Regime

Posted: May 23, 2012 in Angola, Denúncia, Direitos Humanos, Manifestações, Notícias, Uncategorized

Não temos outro nome para isso a não ser terrorismo de estado. Entre ferimentos graves, cabeças partidas, hematomas, e uma raiva cega e paralisante, achamos melhor fazer um copy paste do que acaba de postar o Rafael Marques do que estarmos aqui a tentar escrever um texto mínimamente coerente. Para os terroristas que nos atacaram, saibam de uma vez por todas que não é com este tipo de acções cobardes que vão nos calar. Não funcionou na primeira vez, e não vai funcionar nunca. Ou nos matam, ou quê.

Milícias pró-Dos Santos Atacam

Um grupo de cerca de 15 indivíduos afectos às milícias pró-governamentais, armados com pistolas, catanas e varas de ferro, atacou esta noite o núcleo de jovens que tem liderado a organização de manifestações anti-Dos Santos, desde Março de 2011.

Pouco depois das 22h00, os atacantes irromperam, de surpresa, a residência do rapper Casimiro Carbono, no Bairro Nelito Soares, em Luanda, onde se encontravam reunidos 10 jovens.

De pistolas em punho, os atacantes espancaram violentamente Gaspar Luamba, Américo Vaz, Mbanza Hamza, Tukayano Rosalino, Alexandre Dias dos Santos, Jang Nómada, Massilon Chindombe, Mabiala Kianda, e Explosivo Mental. O anfitriao, Casimiro Carbono, escapou aos ataques por ter saído pouco antes para atender a um telefonema.

Afonso Mayanda “Mbanza Hamza”, 26 anos, explicou como os agressores, mal abriram a porta, executaram, de forma profissional e rápida, os ataques. “Bateram-me com uma vara de ferro na cabeça e em todo o corpo, e apontavam as pistolas para não reagirmos à pancadaria”, disse Mbanza Hamza. O jovem sofreu fracturas na cabeça, que levou 12 pontos, e no braço direito.

Gaspar Luamba também foi severamente atingido na cabeça com vara de ferro, tendo levado oito pontos, e ficou com os membros inferiores fracturados com a pancadaria. Um dos delinquentes pró-regime também assestou uma barra de ferro na cabeça de Jang Nómada, causando-lhe grande ferimento, para além da pancadaria que recebeu por todo o corpo.

Por sua vez, o rapper Jeremias Manuel Augusto “Explosivo Mental”, 25 anos, ofereceu resistência aos ataques na cabeça e acabou com os braços inflamados, um dedo da mão direita fracturado, e hematomas por todo o corpo.

Massilon Chindombe, que procurou refúgio no quarto, contou como um dos assaltantes lhe apontou a pistola quando tentava fechar a porta. “Gritámos que estávamos a chamar a polícia e ele riu e respondeu ‘qual polícia’?” O activista conta que, após o ataque levaram as vítimas ao Hospital Américo Boavida. “O Luamba e o Mbanza Hamza perderam muito sangue e estavam semi-conscientes. No hospital um dos enfermeiros começou a suturar o Luamba sem anestesia ou cuidados básicos de higiene. Tivemos de ir para uma clínica privada”, explicou.

Esta é a segunda vez que a milícias invadem a residência de Carbono Casimiro. A primeira aconteceu a 9 de Março passado, tendo os agressores atacado, com barras de ferro, o anfitrião, os activistas Liberdade Sampaio, Catumbila Faz-Tudo “Caveira”, Nelito Ramalhete e António Roque dos Santos. Estes planificavam um protesto anti-Dos Santos para o dia seguinte. A 10 de Março, os atacantes dispersaram violentamente uma concentração de cerca de 30 manifestantes, no Tanque do Cazenga, em Luanda, tendo causado sérios ferimentos, entre outros, ao rapper Luaty Beirão “Ikonoklasta”, ao secretário-geral do Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes, que teve de ser operado na Alemanha. A Televisão Pública de Angola (TPA) deu amplo espaço, a 12 de Março, a um suposto “Grupo de Cidadãos Angolanos pela Paz, Segurança e Democracia na República de Angola” que reivindicou os ataques e prometeu mais actos de violência contra todos aqueles que se manifestem contra o regime.


A censura e o controlo da informação na TPA são monitorados de forma minuciosa pelo Executivo do Presidente José Eduardo dos Santos e a leitura de um comunicado, em que um grupo desconhecido, se vangloriava de ter cometido um crime, em circunstância alguma teria passado sem o aval das autoridades. Os extremistas pró-governamentais inspiraram-se no modelo de comunicados de organizações fundamentalistas árabes para transmitir a sua imagem de terror.

Ao retirarem-se do local do crime, as milícias, segundo várias testemunhas oculares, efectuaram três disparos para afugentar a vizinhança que se começava a reunir na rua, e o fizeram em viaturas Land-Cruiser alegadamente atribuídas a oficiais da Polícia Nacional. Em várias manifestações, reprimidas pela Polícia Nacional, o grupo de agressores realizava sempre os seus actos de violência com protecção policial. Alguns dos seus membros são identificados como oficiais desta corporação.

Desde a passada segunda-feira, os organizadores das manifestações contam com um programa radiofónico bi-semanal na Rádio Despertar, onde pretendem promover a liberdade de expressão e falar de protestos. Segundo Carbono Casimiro, a reunião, que sofreu o ataque, “visava traçar novas estratégias para o nosso programa de rádio, e estávamos também a discutir outros problemas de organização interna e projectos”. A Rádio Despertar emite, desde 2006, como parte dos Acordos de Paz que permitiram, à UNITA, a transformação da sua então estação emissora Voz do Galo Negro (Vorgan) em rádio comercial. Esta emite em Luanda apenas, em Frequência Modelada (FM), e tem vindo a aumentar a sua audiência pela sua linha editorial marcadamente anti-regime.

-Rafael Marques

Comments
  1. matar afamilia dos santos says:

    isto nao se faz nois temos qe acabar com esta merda, nois temos que partir em sima do camarada jose eduardo dos santos nois temos qe matar afamilia dele toda e nao deixar desedentes deles obrigado

  2. mona ngengue says:

    Manos da central tenho acompanhado o vosso trabalho é realmente corageooso o que vcs tem feito ….. mas acredito q é preciso ir mais aelm pra lutar contra esse regime ditador que pensa que as ideias podem ser derrubadas na violencia
    por isso proponho vos que passem a publicar os vossos que sao muito interessantes no site france 24 tem la um espaço OBSERVADORES onde jovens como voces manos da central publicam videos sobre repressam de regimes ditadores que nem o do M
    forca nessa luta

  3. António José Aka Bob says:

    Porra, esta merda é revoltante, já agora peço-vos que no programa ZWELA ANGOLA, de hoje, se falasse unica e exclusivamente desta merda. Falar da inércia da policia, da indeferença em relação a estes actos da assembleia nacional. Vamos agitar a agua, querem barulho, porra assuma-mos o barulho.

  4. ya- towala says:

    Esses filhos da puta pensam que vao poder nos calar?
    ja mais consiguram

  5. Luiz Araújo says:

    Um crime que se junta á lista imensa de violações dos direitos humanos cometidas com total impunidade.

    E quando uma sociedade é colocada face a essa prática criminosa sistemática aqueles que a ordenam e executam esses crimes estão a indicar-lhe o caminho da violência libertária como sendo a única forma de conseguir libertar-se dos que assim a oprimem.

    Se algum dia Angola voltar a ser palco de turbulência que desde agora fique claro para todas e todos – tanto para as angolanas e angolanos como para a Comunidade Internacional – que quem está a gerar essa turbulência são aqueles que defendem o regime de forma violenta impedindo as cidadãs e os cidadãos de exercerem a cidadania para a realização das suas legítimas aspirações

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