Archive for May, 2012

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A Central Angola tem voz!

Os manos e manas da Central Angola 7311 têm o prazer de anunciar o lançamento do seu novo programa radiofónico. Chama-se Zwela, tem a duração de uma hora, e será emitido na Rádio Despertar desde as 14h00 às 15h00, todas as segundas e quartas.

A primeira emissão será hoje (segunda-feira) às 14h00. Como a Rádio Despertar está agora disponível online, todos os interessados poderão ouvir o programa em ‘live stream’ e em directo acedendo ao site da referida Rádio: http://radiodespertarangola.net/. Agora, a voz da Central e dos angolanos poderá ser ouvida em qualquer parte do mundo.

Basta ir ao endereço web acima citado que a rádio começa a tocar por si: prestar atenção ao canto superior direito da página web.

Contamos contigo!

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Sou amigo do Katró há muitos anos, muitos mesmo, praticamente metade das nossas vidas. Conhecemo-nos na adolescência quando eu fazia um programa de rádio na LAC (A Era do Hip Hop) e ele me levou a sua maquete “Casos da Cidade” (“eu ia em gás/com uma perna frente e outra atrás/ tava eu em brasa a sair do Kiluanji”). Desde os primeiros minutos que me provocou as mais sinceras e desgarradas gargalhadas com as suas rimas. As nossas trajetórias, embora com algumas diferenças naturais, tocam-se em vários pontos, de convivência, troca de ideias, episódios que vivemos juntos, a presença em momentos cruciais e definidores de rumo, o que foi cimentando uma cumplicidade fraterna, cada vez mais forte.

Rasgão no pneu do Range Rover conduzido pelo Kapa

Há duas semanas ele procurou-me, como fez tantas vezes ao longo destes 16 anos, para desabafar acerca de alguns episódios turbulentos por que tem passado, pedir-me a minha opinião, ouvir sugestões. Mostrou-me o pneu do seu carro-de-luxo rasgado meio palmo acima da jante, na parte lateral e perguntou se eu achava que podia ser alguma coisa da estrada, ou que tivesse encostado por azar num objeto cortante sem dar conta. Por mais que eu tentasse dobrar as leis da física não consegui conceber acidente provável, para mim aquilo era mesmo sabotagem! Aqui têm a foto para que possam tirar as vossas ilações e, quiçá, ajudar-me com a física que pode já estar enferrujada (ou tendenciosamente nublada).

Partindo do princípio que seria sabotagem, passámos a elaboração de teorias, tentando inicialmente fugir à mais simples, mais óbvia, a da conspiração. Quem? Quando? Aonde? Porquê? Que tipo de inimigos uma pessoa como o katró pode ter para inspirar este tipo de ação destrutiva? Poderia ser algum fã desgastado com o que interpretaria serem “as contradições do kapa”? “Um artista do povo, não pode andar numa máquina que coaduna com a opulência do opressor” tipo de pensamento? É até possível, isto dar-nos-ia resposta as duas questões mais importantes e, no universo das probabilidades, não deveria ser descartado como sendo uma delas. Outra, mais forte, seria a de um eventual ex-namorado ciumento achar que o kapa tem uma relação de proximidade reprovável com alguém que consideram ser sua propriedade e, vai daí, facada no seu pneu, para ele aprender a não ser mais o pássaro agoirento que vem estragar relacionamentos. Haverá outras possibilidades, incluíndo até a mais remota, de um vagabundo qualquer ter simplesmente raiva a quem tenha dinheiro para comprar um carro de uma centena de milhar de dólares e ter calhado o azar nesse dia de cruzar com o popó do katró, sem sequer saber de quem era. Ficámos com a pulga atrás da orelha, pois, apesar de todas as hipóteses levantadas, seria ingénuo descartar a da intenção de “alguém” lhe querer enviar um “recado” sem palavras, uma intenção em tudo similar a do arrombamento que sofreu no dia do lançamento do seu disco.

Porta Arrombada

A certeza veio porém na semana passada, quando o kapa recebeu o telefonema de uma amiga, muito nervosa, contando-lhe um episódio de contornos macabros, parecido com o que viveu a minha namorada no ano passado.

Kaenche burro! Caxico!

A rapariga contou-lhe que tinha a nítida impressão de haver movimento estranho na sua rua no instante em que meteu o pé (o

carro) fora de casa.

Rapidamente se apercebeu que estaria a ser ostensivamente seguida por um Nissan Patrol dos antigos (quando era ndengue chamavam “garoupa”) de cor vermelha, pois andou às voltas pelo bairro para tirar a prova dos nove. O carro tinha as chapas de matrícula tapadas com sacos pretos e num instante, os bisontes passaram a ação. Um segundo carro bloqueou o caminho à rapariga pela frente, o Patrol colocou-se em viés por detrás e ela viu-se forçadamente imobilizada. Nisto, saiem dois indivíduos bem alimentados do Patrol, com chapéus e óculos escuros, tal qual este daqui:

Aproximam-se do vidro do carro da rapariga, compreensivelmente apavorada, mostram-lhe as armas e sinalizam-lhe para que abra a porta do carro, ao que ela, obviamente, acede. Eles entram no carro e proferem simplesmente as palavras: “diz ao teu amigo para parar o que está a fazer, agora!”. Dito isto, deram a sua missão por concluída e desapareceram tão depressa quanto chegaram.

OK, então, pelos vistos, a teoria da conspiração não era assim tão descabida. A questão agora era saber “o quê” exatamente anda o katró a fazer que tenha de “parar já!”, subentendendo o “caso contrário…”

Vamos analisar as atividades do jovem artista desde 2011 até agora e ver juntos, o que é que incomoda tanto essa gente que não está habituada à convivência com o contraditório:

  • 13 Abril, encontra-se com Angela Merkel, Chanceller alemã, onde aborda abertamente as mesmas questões que refere insistentemente nos seus discos: justiça social, paz no prato e espancamento à manifestantes no exercício das suas liberdades fundamentais.
  • 08 de Setembro 2011, o kapa apresenta-se por iniciativa própria em frente ao Tribunal de Polícia onde um aglomerado de pessoas protestavam contra o julgamento ilegal dos manifestantes de 3 de Março. Torna clara e pública a sua posição em relação ao “assunto quente do momento”, o assunto ao qual a sociedade e os opinion-makers se têm furtado, para não atrair sobre si a ira do camarada “ordens superiores”.
  • 18 de Dezembro, lança o seu disco “Proibido Ouvir Isto”, recheado de mensagens alertando para o estado de precariedade social à que estamos votados e denunciando as manobras maquiavélicas de um regime que, apesar de vestir o fato e gravata de diplomata democrata, revela incessantemente a sua verdadeira mentalidade totalitária.

Já em 2012,

  • Entrevistas à órgãos de comunicação social estrangeiros, como a Deutsche Welle, VOA e em Lisboa, ao Jornal Público, à Lusa e ao Semanário Sol (que apesar de ter distribuição pelos PALOP teve a sua entrevista “barrada” na edição angolana, saindo apenas em Moçambique. Mas aqui têm o pdf para vosso deleite.)
  • 24 Abril, encontra-se com Durão Barroso, na mesma linhagem do que fez com Angela Merkel, entregando desta vez um DVD com um documentário que resume o ano de 2011 em manifestações (brevemente online). Esse encontro deu origem a uma nova matéria no Semanário Sol, desta vez a local.
  • Entrevista à manifestantes (ver vídeo abaixo)
  • Apoio à campanha: Por Uma Angola Livre, promovida pela Omunga.

Não sendo nenhuma destas atividades ilegal num país democrático de direito, impõe-se a pergunta aos covardes mascarados de homens: Qual dessas coisas ele tem de parar de fazer já?

No seguimento dessa demonstração de opulência, outro pneu aparece sabotado e, apesar da insistência em incluir na lista de probabilidades um lancil inconveniente,eu continuarei a descartar o posicionamento da relativização pois, ia ser muita coincidência acumulada: uma calamitosa falta de destreza ao volante e um lancil bem pontiagudo, sobretudo tendo em conta as ocorrências registadas anteriormente.

Outro pneu!

Katró meu dreda, sabes que gostaria muito de te ter connosco a levar puretes que “doem na carne mas não desfazem ideias”, mas na falta disso, agradeço-te e estimo-te bwé por manteres a tua coerência, por não te sentir hesitar um segundo na hora de responder perguntas acerca deste tema, por, de certa forma, seres um porta-voz das nossas aflições que também são tuas e por não te deixares vergar à pressão, preferindo denunciar do que omitir. Tamos juntos meu irmão!

Luaty Beirão

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Está atrasado, mas ainda nos provoca gargalhadas!

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Comentário publicado por Reginaldo Silva no seu mural do Facebook:

JES inaugurou hoje três hospitais em Luanda, que para funcionarem devidamente vão precisar de muitos e bons enfermeiros, para além naturalmente dos médicos e do restante pessoal técnico e não só.Desde logo a primeira questão: Como é que estamos de pessoal para garantir o funcionamento das novas unidades?

De certeza que não estamos bem, tendo em conta o nível do desempenho nada satisfatório das actuais. Vamos ver pois os próximos capítulos desta “novela”, uma vez que só se consegue reganhar a confiança da população no sistema nacional de saúde se o atendimento estiver a altura das necessidades e das expectativas da população. Definitivamente continua a não estar.

O investimento público continua muito concentrado em Luanda. Tendo em conta as necessidades de todo o país acho um exagero criar mais cinco hospitais só em Luanda.

Sei que há hospitais novos construídos de raiz em outras províncias que ainda não arrancaram por falta de pessoal qualificado. Os enfermeiros assinalam sábado, 12 de Maio, o seu dia, depois de terem andado uns dias a serem caçados em Luanda por gangsters telecomandados,na sequência da greve decretada a semana passada, contencioso já, entretanto, ultrapassado, até ver, pois as promessas entre nós, continuam a ser como as palavras levadas pelo vento até a próxima greve.

Há cerca de duas semanas o Ministro da Saúde foi prestar contas ao Espaço Público da TPA. Se estivesse presente teria, certamente, questionado o governante sobre as razões que levam uma clínica como a GIRASSOL a praticar preços tão absurdos/estratosféricos.

Chamem-lhe o que quiserem, mas para mim a GIRASSOL é um investimento público de monta que devia ser destinado a resolver os problemas dos angolanos e não a complica-los ainda mais…

Mesmo assim, com uma unidade tão especializada/sofisticada que é a GIRASSOL, os angolanos continuam a deslocar-se à “minúscula” Namíbia ( e não só) para procurarem soluções para as suas dores mais complicadas e a preços aparentemente muito mais compensadores.

Comentário da Central:

JES parece ser a única pessoa em Angola com capacidades para inaugurar coisas. Chafarizes, escolas, hospitais, linhas de ferro, aeroportos, univerisidades, postos médicos, etc…que desgaste de imagem. É como se não existissem outras personalidades do governo. Porque não foi o administrador municipal a inaugurar o hospital? O engraçado é que, quando dá pra o torto, o próprio JES nunca é o culpado. Quem ainda se lembra da exoneração da Ministra de Energia aquando da crise elétrica em Luanda a escassos meses atrás? Por acaso a luz voltou?

32 é muito! O país precisa de sangue novo, ideias novas, enfim, uma visão nova e digna de governar este país.

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Primeiro, um pequeno reparo: A Central parece ter sido o primeiro website de expressão portuguesa a falar sobre a pesquisa realizada pela Gallup que nos deu a conhecer que o Presidente José Eduardo dos Santos é o líder mais impopular no continente africano (só 16% de aprovação! 16!). Postamos mesmo antes que a VOA, Club-K, e outras cadeis de informação que têm jornalistas pagos. É caso pra dizer: XE! Tamu a começar a ser sérios! Depois de ter vos habituado com postagens e notícias atrasadas, sabe bem para nós “arruaceiros” vos oferecer informa­ção de qualidade na hora…afinal de contas temos que respeitar os nossos (ainda poucos) leitores :)

Como esperado, quando as grandes cadeis de infomação lançaram o puro artigo, foi algazarra total. Os pobres defensores do regime não sabiam como reagir, como digerir o óbvio. O pior cego é mesmo aquele que não quer ver. Para os esclarecidos, a sondagem da Gallup só veio confirmar o que há muito já se sabia, o que se tem vindo a constatar nos comícios do JES e do seu partido, nas inaugurações forçadas, nas “contra-manifestações”, etc; nos relatos que nos chegam de como o “líder clarividente” foi vaiado no Luena e nas Lundas; no grande e monstruoso aparato militar bélico que o mesmo usa nas suas deslocações do Palácio ao aeroporto ou a outros pontos da cidade. O desgaste é total: é que 32 é mesmo muito…!

Mas voltando as reações. Foi bonito ver o xinguilamento generalizado. “Mamaueê!! Quem realizou a sondagem?! Entrevistaram quem? É mentira! Quem é a Gallup? Imperialistas! Esses americanos já não mudam! Só querem o nosso petróleo! Todos angolanos amam o JES, líder clarividente, arquitecto da paz, enginheiro do amor, financeiro da felicidade, etc, etc!” Outros fizeram uma multitude de perguntas (cujas repostas eram fácilmente encontradas lendo o artigo e/ou carregando em um ou dois links) sem se darem ao minimo esforço de procurar as respostas; assim é sempre mais fácil negar a realidade.

Como jovens e consumidores de informação responsáveis, somos sim forçados a procurar saber mais sobre a sondagem em si e quem a fez. São assim que se cultivam os bons hábitos no que toca ao consumo responsável de informação bem como uma relação saudável com o jornalismo. Uma rápida pesquisa no Google é o suficiente para percebermos que a Gallup é uma organização séria, consagrada, com cerca de 50 anos de experiência e reconhecida mundialmente. No que toca a sondagem em si, a metodologia da mesma é explicada mas adiante no próprio artigo:

Survey Methods

Results are based on face-to-face interviews with 1,000 adults, aged 15 and older, conducted in 2011 in Angola, Benin, Botswana, Burkina Faso, Burundi, Cameroon, Central African Republic, Chad, Comoros, Democratic Republic of the Congo, Gabon, Ghana, Guinea, Kenya, Lesotho, Liberia, Madagascar, Malawi, Mali, Mauritania, Mauritius, Mozambique, Niger, Nigeria, Republic of the Congo, Senegal, Sierra Leone, South Africa, Swaziland, Tanzania, Togo, Uganda, Zambia, and Zimbabwe. For results based on the total sample of national adults, one can say with 95% confidence that the maximum margin of sampling error ranged from ±3.3 percentage points to ±4.3 percentage points. The margin of error reflects the influence of data weighting. In addition to sampling error, question wording and practical difficulties in conducting surveys can introduce error or bias into the findings of public opinion polls.

Para os que não falam inglês, temos todo prazer em traduzir:

Metodologia da sondagem

Os resultados são baseados em entrevistas cara-a-cara com 1000 adultos, com idades de 15 para cima, feitas em Angola, Benin, Botsuana, Burkina Faso, Burundi, Camarões, República Centro Africana, Chad, Comoros, República Democrática do Congo, Gabão, Gana, Quénia, Lesotho, Liberia, Madagascar, Malawi, Mali, Mauritânia, Ilhas Maurícias, Moçambique, Niger, Nigéria, República do Congo, Senegal, Serra Leoa, África do Sul, Suazilândia, Tanzania, Togo, Uganda, Zambia, e Zimbabué. Para os resultados baseados na amostra total dos adultos nacionais, pode-se dizer com 95% de certeza que a margem máxima de erro de amostragem flutuou entre ±3,3 pontos percentuais a ±4,3 pontos percentuais. A margem de erro reflete a influência da ponderação de dados. Além do erro de amostragem, a redação das perguntas e as dificuldades práticas na condução de inquéritos podem introduzir certos erros ou tendências nos resultados de pesquisas de opinião pública.

Mas nós não paramos por aí. No fim do artigo diz o seguinte:

“For more complete methodology and specific survey dates, please review Gallup’s Country Data Set details.”

Ou seja,

“Para uma metodologia complete e as datas específicas da sondagem, por favor visite Detalhes dos Dados da Gallup”

Carregamos no link e deparamo-nos com a seguinte tabela:

Deste modo, comprovamos o seguinte:

a)     A equipa da Gallup esteve em Angola entre os dias 23 de Setembro – 9 de Outubro

b)    Efectoou 1000 entrevistas

c)     A margem de erro é de 3,8%

d)    O modo de entrevistas foi cara-a-cara

e)     As entrevistas foram efectuadas em português

f)     “A cobertura incluiu todas as províncias, urbanas e rurais. Mas, algumas áreas rurais foram excluídas por causa da sua inacessibilidade ou condições precárias. As áreas excluídas representam aproximadamente 15% da população.”

Não custa muito buscar informação. Não custa muito carregar em links. Não custa muito pesquisar. A especulação é desnecessária. Mas como bem sabemos, as pessoas só vêm aquilo que querem!

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A Central está a pensar entrar no ramo de publicidade turística. O que acham desta pequena amostra? LOL.

Caro turista, bem vindo a Angola! Somos um país único no mundo e um dos seus mais atípicos! Admirem, por exemplo, 7 das nossas curiosidades mais atípicas:

1. Liberdade de imprensa: Dois Pesos, duas medidas!

A Rádio Ecclésia, pertencente a Igreja Católica e, por isso, minimamente independente, não pode emitir fora de Luanda, alegadamente porque a Lei de Imprensa ainda não foi aprovada. Isto, 6 anos após a lei reguladora ter sido submetida aos devidos órgãos para o efeito. Atipicamente, a Rádio Mais, em que os mais directos colaboradores do Presidente são sócios (Kopelipa, Dino, já conhecem a história!), pode emitir a seu bel-prazer fora de Luanda e tem subsidiárias em Benguela e no Huambo! Viva o atipismo!

2. Só temos um jornal público diário, 37 anos após a independência!

Atipismo ta bateire! 37 anos após a independência de Angola, o país ainda só tem um diário, que de tão pertencente ao poder instalado, já virou anedota. Mas a melhor parte: a grande maioria dos semanários
“privados” publicados na capital são pertencentes a pessoas ligadas ao regime. E mesmo assim, ainda são queimados ou censurados caso saia alguma notícia ou entrevista mais incómoda! Viva a nossa liberdade!

3. Não tem luz! Não tem água! O saneamento básico é precário!

Venha viajar no tempo e viver como vivíamos na idade média! Viva o turismo atípico!

4. Ainda existe nepotismo!

Oh!? Pensava o turista que já não existisse? Que erro! Venha conhecer o nosso nepotismo. Beba uma deliciosa Cuca no país onde o filho e o sobrinho do presidente são os gestores do seu recém-criado Fundo de Desenvolvimento Petrolífero, ou como é conhecido, FDP!

5. Venha conhecer o real significado das palavras “contradição social”!

“Maior crescimento económico no mundo! Maior taxa de mortalidade infantil no mundo!”  Ou ainda, “economia que mais cresce em África! Pólio ainda existe!” Ou talvez, “Sistema 4G no telelé! Casa sem luz há duas semanas!” Porque não, “Baía de luxo a se erguer na baixa da cidade! Hospital central provincial sem luz ou água há várias semanas!” Ou então, “Cofre do estado com biliões de dólares anuais por causa da venda de petróleo! Salário da função pública é irrisório ou simplesmente não existe!” “Manifestação prevista por lei! Manifestantes levam sempre com pau de ferro na cabeça!” Podíamos ficar aqui até amanhã nesse jogo. Viva o desenvolvimento atípico!

6. Presidente tem os mesmos poderes que um Rei!

Venha conhecer a pérola do nosso atipismo: a constituição mais atípica DO MUNDO! O Presidente efectivamente controla absolutamente tudo e todos e tem mais poderes que todos os outros órgãos de estado e instituições públicas juntos! E não é eleito por voto popular mas sim a reboque do seu partido, como cabeça de lista! Constituição ta bateire!

7. Corrupção ta bateire!

Tolerância zero, mas todos querem uma fatia do bolo. Em Angola, a corrupção é uma atração em si. É o maior museu de corrupção a céu aberto NO MUNDO! Venha ver a pobreza extrema e desnecessária por causa da corrupção institucionalizada e generalizada. Não trabalhe, mas ganhe rios de dinheiro. Construa jardins que custem $1 milhão, e fique com $995,000. Viva a corrupção!

*Todos os casos aqui descritos são verídicos :)

(Foto por Sam Seyffert)

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10 anos após o calar das armas e o fim da guerra, guerra esta usada como desculpa para tudo que está mal em Angola, eis algumas manchetes recentes na nossa imprensa:

Luanda sem água 

A capital angolana está parcialmente privada de abastecimento de água potável há cerca de dois dias. A EPAL, empresa encarregue da distribuição da mesma, justifica que está a proceder à manutenção de equipamentos.

A situação poderá prolongar-se até ao próximo dia 12, segundo um comunicado da EPAL…

Luanda sem Luz

A cidade esteve sem energia eléctrica em quase todo o casco urbano porque as máquinas de uma empresa de construção civil cortaram um cabo que interliga as estações da Cuca, Estrada de Catete e Maianga. Este episódio já aconteceu vezes sem conta, ainda que noutras ocasiões a EDEL não tenha comunicado aos consumidores a causa da falta de energia. Desta vez ficámos a saber que a “Zagope” deixou milhões de consumidores às escuras, porque foi negligente e irresponsável…

Luanda sem combustível (esta não uma manchente na imprensa local, mas sim um desabafo do consagrado economista angolano Carlos Rosado de Carvalho, publicada há um ou dois dias no seu mural no Facebook:

Desde há uns dias a esta parte, voltou a seca de combustíveis em Luanda e, com ela, as bichas – pelo menos na minda banda, em especial de gasolina. Que imagem estamos a dar do país numa altura em que acolhemoas a Cimeira dos Produtores de Petróleo de África e do Médio Oriente? Alguém da Sonangol me “expelica” essa maka, sff?

A capital dum país a nadar em rios de petróleo, está sem água, sem luz, e sem combustível, 10 anos e várias dezenas de bilhões de dólares depois do fim da guerra. Estamos sempre a subir, né? Tá bateire, tá.

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Dois? Doiiiisss??? Só dois?!?!

Foi mais ou menos essa expressão de incredulidade e tristeza que emitimos ao tomar conhecimento dos dados vindos da Omunga.

Agora, assumindo a nossa ineficácia como comunicadores, aceitando o facto da nossa parca abrangência aos círculos mais badalados da internet, reconhecendo que somos incapazes de produzir material que impressione como os que fizeram o Kony 2012 (que agora se materializou numa caça ao homem), que a nossa capacidade de sensibilização não seja tão acutilante ao pé dos nossos concidadãos com problemas vividos na nossa bwala, tão mais próxima do que o Uganda, constatando que sobre-avaliámos a generosidade dos que têm, vergando-nos a todos os que tiraram do pouco que tinham para contribuir como podiam, tentaremos, uma vez mais, fazer  o exercício de elucidar aqueles que, eventualmente, não tenham ainda se apercebido da existência desta recolha e fundos, da sua natureza e dos objetivos a atingir.

Há sensivelmente 3 meses, demos início a uma campanha de solidariedade financeira que começou quando estavam ainda presos 2 dos 8 rapazes indevidamente condenados pelo Tribunal de Cacuaco à penas de 90 dias transformáveis em multas. Entretanto os dois rapazes saíram, mas a asfixia financeira das famílias permaneceu. Estas endividaram-se de maneira proibitiva na angústia de recuperar os seus petizes, perdidos no meio de criminosos de verdade, atirados para os calabouços por, tão somente, exercerem um direito que lhes é conferido pela nossa atípica constituição.

No vídeo abaixo poderão sentir alguns dos testemunhos que recolhemos das famílias desesperadas.

O nosso espanto e tristeza reside no facto de estas famílias não terem conseguido comover os “ativistas cibernéticos” que também são seres humanos e, como tal, têm sentimentos, mas, simultaneamente, gastos frívolos e supérfluos.

Esperávamos que essas pessoas mais conscientes, conseguissem abdicar de duas caipirinhas no Bairro Alto, de um café na Rue de Rivoli,  de um almoço em Trafalgar Square, do último iphone, ipad, ikinamadadama. Enganámo-nos. Depois de 3 meses e vários updates no facebook acerca do estado atual da campanha, algumas pessoas próximas doaram em mãos um montante considerável, mas aquelas que receberam o nosso apelo através destas ferramentas eletrónicas mantêm-se literalmente indiferentes. A Omunga disponibilizou as suas contas e até agora sabem quantos depósitos tivemos? Adivinhem. Dois? Doiiiisss??? Só dois?!?!  Sim, isso mesmo, DOIS, 1+1, um par!

Podemos até ser maus comunicadores, mas DOIS? Doiiiiissss??? Só dois?!?! Quer dizer, não houve partilhas, não houve discussão à volta do assunto, não houve 8 minutos para acabar de ouvir os lamentos dessas famílias. Quanto tempo dura o Kony 2012?

Antes de começar a disparatar a nossa frustração, vamos preferir acreditar que o problema reside na NOSSA comunicação e tentar, mais uma vez, aproximar-nos com esta informação detalhada do que se passa, na esperança que, desta vez, a esperança não seja vã e, no fim, tenhamos de nos render e aceitar a exclusividade da culpa pelo nosso fracasso. O nosso objetivo é remunerar até ao último tostão as famílias endividadas, felizmente com outros familiares e amigos, pelo que não haverá juros a cobrir. Ajudem-nos a levar à bom porto esta iniciativa, vamos pôr ações no lugar das palavras.

TOTAL ALMEJADO:                              326496 akz
ESTADO ATUAL DA CAMPANHA:       165500 akz

Para os que enviam dinheiro do estrangeiro ou escolhem transferência via online-banking, aqui vão os detalhes que precisam:

Banco:              BFA
Benificiário:    Omunga
IBAN:                AO 06000600000666130330191
BIC ou SWIFT: BFMXAOLU

Para os que estão na banda podem ir a qualquer dependência BFA e depositar os vossos 100 kwanzas, 1 USD, 1 euro, de acordo com a moeda que escolham, numa das três contas abaixo:

BFA
conta em Euros: 666 130331005
conta em USD: 666 130332001
conta em AKZ: 666 130330001

Para os que quiserem ler mais acerca deste assunto, para entenderem melhor o pecurso da campanha sigam este link, que vos remete a um amontoado de outros links que deverão ler do mais antigo ao mais recente (de baixo para cima).