Lista de (algumas, poucas) vítimas da violência em Angola

Posted: October 7, 2012 in Direitos Humanos, Luanda, Manifestações

Esta lista foi ontem distribuída pelas pessoas que tomaram parte na Marcha Contra a Violência e algumas pessoas (entre as quais destacamos o SINFO) interpretaram como sendo “fazer política” e incitar à violência, propósito contrário ao que nos levava lá.

 

VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA EM ANGOLA

 

Cherokee – Lavador de carro assassinado pela UGP

Kassule e Kamulingue – Raptados e Desaparecidos

Nha Lisandra – assassinada pelo namorado

Chinangwe Chiwale – 82 anos. Assassinada por assaltantes

Tânia Burity – Espancada por Fredy Costa e Yola Araújo

Rui Miguel – 22 anos. Morto por Bala Perdida.

Mfulupinga Landu Victor – Professor universitário e político assassinado

Euridice “Dodó” – Assassinada à queima roupa à porta da sua residência, com disparos de um carro em movimento.

Mingota Francisco de Sousa – Morreu à porta da TPA depois de lhe ter sido negada assistência no Hospital

Lopo Loureiro – Assassinado pela esposa Nerika

Kalunga – Professor Assassinado no Moxico

Fernando Marcelino; José Maria dos Santos; José Manuel; Maurício Cristóvão; Elpídio Inácio; Artur Gilela; Ricardo de Mello; António Casimiro; Simão Roberto; Stanislas Ocloo; Alberto Chakussanga  –  Jornalistas MORTOS!

António Cascais – Jornalista agredido depois de cobrir uma manifestação

Nelson Sul D’Angola e Israel Samalata – jornalistas agredidos a mando de Faustino Muteka

Jaqueline Tupuepo – Professora esfaqueada e esquartejada pelo namorado Cláudio na Huíla

Kimbita Afonso – Assassinada no Sambizanga

Raimundo João Paulo – Ardina espancado por desconhecidos

Celestino Henriques – espancado por Cláudio dos Santos

Nelson Maravilhoso – Baleado na perna por Hélder Piedade dos Santos

Ibrahina Lima – Agredida por Hélder Piedade dos Santos

Adalgisa Gureth – Estudante do ISPRA assassinada pelo ex-namorado.

Pedro Nguli – Assassinado por Zang Yan em Benguela

Helena – Assassinada à porta de casa por marginais

Alberto Chissuco – Namibense torturado pela polícia, ficando cego do olho esquerdo (mutilado)

Rosa Camunu José – Namibense vítima de assédio sexual por parte do Juíz António Visandule

António Manuel “Jojó” – Radialista/humorista esfaqueado

Aguinaldo Simões, Fernando Manuel, Elias Pedro, Johnson Van-Dúnem, Ismael da Silva, Eretson Francisco, Paulo Neto e André Marques – Vítimas mortais do Massacre na Frescura

Hélio Simões – Sobrevivente do Massacre na Frescura

Toni Kpy Jaime – Assaltado mais de 9 vezes e ameaçado com armas de fogo e cacos de garrafa

Danilson Lourenço – Baleado por nenhuma razão aparente, ficando com braço defeituoso.

Marilda Lopes Cupa e Eulália Jambela – vítimas mortais da recusa de assistência médica em hospitais públicos

António Manuel Gouveia – Assaltado à mão armada na sua residência

Ermelinda Freitas – Assaltada à mão armada na sua residência

Domingos Manuel – Assassinado à tiro atrás de uma igreja no Uíge

Enrick – Assassinado à tiro em Luanda

Filomeno Vieira Lopes – Espancado barbaramente à margem de uma manifestação em Março de 2012 em Luanda. A mobilidade de um dos seus braços/mãos ficou definitivamente defeituosa.

Zaqueu Capapinha – filho de Job Capapinha, assassinado por cunhado

Lúcia – enforcada pelo padrinho que a engravidou e não quis assumir, no Sambizanga.

Januário Armindo Sikaleta – assassinado à porta de casa por desconhecidos, no Bocoio, Benguela.

Menezes Ekumbi e Alda Catata – marido e mulher à 19 de Novembro de 2010, assassinados em sua residência, em Luvemba, no Bailundo.

Inácia Ginga – 27 anos, morta na via pública na Comuna Ussoke, no Luindimbale.

Zezão – Futebolista do Santos FC esfaqueado na barriga na sequência de uma rixa.

Gerson – Guarda-redes do Progresso do Sambizanga esfaqueado em assalto.

André Zumbi – Espancado pelo Soba do Kota, Malange.

Félix Sapalo – Incendiaram sua residência em Longuimale

Porfírio Cândido – Raptado no Alto Hama, Huambo

Henrique Abel – Baleado no Kwanza Norte

Isaac Soma – Assassinado no Bocoio

Humberto Malengue António – Filho de Sapalo António, assassinado

Beatriz Nambili – Baleada no Bailundo, Huambo

Margarida Natoyo – Braço partido pelo Soba Chikelu e Domingos Kamalanga

Inácio Quintas – Espancado na Ganda, Benguela

João Baptista – Espancado no Chongóroi, Benguela

António Vasco – Baleado por um jovem de gang de seu nome “Rebenta”.

Domingos Januário e irmã – Assassinados com 7 tiros cada um, em Luanda.

Júlio Kussema – Assassinado no Lobito no seu estabelecimento comercial.

Marcelino Pataca e Luciano Moma – Sequestrados à 16 de Dezembro de 2010 na Aldeia Etalangala, Comuna do Bimbi, no Bailundo. Terão sido depois assassinados.

Paulina Chinossole – Assassinada em Mundundu, Ukuma, Huambo.

Luciano Matos Kalepepe – Assassinado no Município do Cachiungo à 25 de Dezembro de 2010.

Enoque Tomás – Assassinado a 6 de Dezembro de 2010, da Comuna de Chinhama, em Cachiungo, Huambo.

Maya Cool – Agredido por Henrique Miguel “Riquinho” por cobrar deste o que lhe era devido.

Anónimo – Morto pelas condições atmosféricas agrestes quando tentava evadir-se no trem de aterragem de um vôo Luanda-Londres.

Anónima – Menor de 15 anos violada por 2 rapazes, atirada do 7º andar. Sobreviveu!

Dezenas de manifestantes raptados, espancados, suas casas arrombadas e bens destruídos, privados dos seus direitos e das suas liberdades fundamentais, pela polícia, milicianos e o anónimo “Ordem Superior”

Milhares de anónimos que morrem diariamente nos bancos dos hospitais por falta de luz, de medicamentos, de amor ao próximo, fazendo de Angola um dos países com esperança de vida mais baixa e maior mortalidade infantil no mundo.

 

PAZ, LUZ, JUSTIÇA

Comments
  1. Activista says:

    há mais vítimas, registadas durante desalojamentos forçados. Algumas foram espancadas e ou baleadas, dessas agressões resultaram ferimento e mesmo mortes, Activistas defensores dos direitos humanos, nessas ocasiões, foram também espancados e indevidamente detidos, até levados a julgamento depois de terem sido encarcerados é celas pútridas, etc.

    Um levantamento desses casos é uma necessidade, pois não foi “ontem” que as violações violentas dos direitos humanos começaram.

    • Activista, claro que sim. Temos noção. Se vires bem, tens aí nomes que datam de 1991 (Ricardo de Mello), mas por mais que nos esforcemos, a lista estará SEMPRE incompleta, pois TODOS OS dias alguém é vitimado pela violência. Por favor, contribui para tornar esta lista mais completa com os nomes de teu conhecimento. É a maneira mais singela de lhes render homenagem já que não se convocam marchas em seus nomes.

  2. Activista says:

    Obrigado pela sugestão. Vou elaborar uma lista dos casos de vítimas de violência que conheço e são do conhecimento público.

    Mas proponho que a Central consulte os relatórios da Amnistia Internacional e da Human Rigths Watch e que se informem junto da AJPD, ACC, OMUNGA e SOS Habitat pedindo-lhes listas de vítimas da violência que agentes da polícia e de empresas de segurança usaram contra moradores de bairros demolidos de onde foram expulsos para o Zango e Cacuaco.

    Lembro-vos agora só dum caso em que pessoas foram assassinadas. Foi um dos primeiros casos de desalojamento, o da Boa Vista, vizinha do Miramar, foi no ano 2000 quando começaram a construir a Casa do PR nesse bairro em que até a antena da TPA foi retirada e a rua foi alterada em frente dessa casa.

    saudação

  3. Luareco says:

    Lembro-me do caso de Beatriz Salucombo e seu irmão mortos a tiro por desconhecidos à porta de casa. Ela era deputada do MPLA.
    Outro caso mais recente é o de Jorge Valério “Tucho” torturado e assassinado por um gang juvenil.
    O caso de José Gabriel Ndifenha “Tenente” – torturado pelo seu comandante coronel Teodoro Isaac Suco “Dimuka” por questionar odens.
    Para já são esses os casos que me lembro.

  4. flowerchild says:

    Antes de mais, um bem haja a este site, ao trabalho que têm vindo a desenvolver e à qualidade da escrita, seja ao nível do conteúdo, da ética jornalística e até da própria construção dos textos, que infelizmente, pecam noutros órgãos pela falta de rigor. A propósito do fenómeno da violência em Angola, um processo complexo que na minha opinião se relaciona mais com a carência de valores, ou da deturpação destes, em simultâneo com outros factores, e assim sendo, não está intrinsecamente ligado às carências económicas, lembro-me de ter ficado profundamente chocada após ter assistido a uma reportagem (ainda nos anos 90) que retratava a violência praticada por crianças em Luanda, esta diga-se não confinada a lutas ou pequenas escaramuças, mas a homicídios. Isto leva-nos a reflectir, pois se numa fase tão importante da nossa formação já somos capazes de tirar a vida a alguém que adultos seremos no futuro? Se quisermos mandar matar alguém em Angola não deve ser difícil encontrar um carrasco. Aproveito para, lamentavelmente ,acrescentar um nome a esta lista : Pinto Moreira, que na semana passada foi agredido numa festa, quando estava a tentar apaziguar algumas pessoas envolvidas numa luta, com uma garrafa partida e encontra-se hospitalizado, podendo ficar cego de um olho. Tinha arranjado emprego recentemente, o qual provavelmente vai perder e tem duas filhas pequenas para sustentar. É urgente fazer alguma coisa relativamente ao consumo de álcool em Angola, não sendo o fundamento, é sem dúvida um potencializador. .

    • Movimento7311 says:

      Flowerchild, obrigado tanto pelos teus elogios como pela tua análise do fenómeno “crime” em Angola (sobretudo em Luanda, o que poderá ser um case study a produzir teses de doutoramento para sociólogos). Vamos acrescentar o nome do Pinto na lista sim senhora. Obrigado pela colaboração.

      • flowerchild says:

        De nada =) E já agora acrescento aos elogios que fiz ao vosso movimento a perspicácia, é que na verdade estou no último ano de Sociologia e não me podia identificar mais com essa resposta. Estamos juntos!

  5. bantu says:

    Domingos Hungo “SKS”, foi governador do Kuando Kubango e posteriormente do Bengo quando foi morto a tiro á caminho de Luanda para visitar a família.

  6. Rita says:

    Ola, so para contribuir gostaria de acrescentar o nome de uma vitima, que morreu este ano, trata-se da jovem Maria Manuela Canga morta no Morro Bento por uma bala perdida disparada por um dos guardas da UGP (guarda presidencial),

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