Archive for November, 2012

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COMUNICADO

A quem possa interessar:

Vimos por esta comunicar a enésima ocorrência visando a juventude que tenta organizar-se de formas alternativas às impingidas pelos paradigmas orwellianos de um presidente que desrespeita deliberadamente a Constituição ofendendo deste modo toda uma Nação, e concentrando em si próprio, qual pupilo de Louis XIV, a definição de “Estado”.

Este mesmo “ordem superior” que aparece em público fingindo-se desconhecedor da realidade dos seus governados, a promover cinicamente um “diálogo com a juventude”, esquecendo-se propositadamente de mencionar que “a juventude é a JMPLA!”. Nós, “os outros”, não somos senão promotores da discórdia e da instabilidade, confusionistas, saudosistas de um tempo em que o diálogo era feito com recurso a kalashnikovs, rpg-7, migs, monacaxitos, enfim, não merecedores de abrangência no dito “diálogo”, indignos quer do título de jovens, quer da nacionalidade angolana.

Estes auto-proclamados democratas não perdem uma oportunidade para escorregar na casca da banana, revelando a sua natureza autoritária, não consentânea com o espírito da convivência na diferença, elementar em qualquer democracia que queira assim apodar-se.

Depois de um fastidioso trabalho de organização, respeito à protocolos e normas burocráticas que redundam num óbvio desgaste físico e emocional, depois de se te firmado um contrato ao desembolsar-se o valor que nos foi exigido para usufruto do anfiteatro do CEFOJOR, para o dia de hoje, sábado, 10 de Novembro de 2012, recebemos à 1h30 da manhã um telefonema da simpática secretária do Director Albino Carlos, ao qual só correspondemos esta manhã pelas 7h30.

O telefonema era para nos dar conta da (previsível) impossibilidade de se realizar a conferência amplamente divulgada pelos canais aos quais temos acesso, por se ter verificado um suposto incêndio nas instalações, o que teria destruido o sistema eléctrico, inviabilizando assim a iluminação e o som de estarem operacionais.

Ao requisitarmos acesso ao local para verificarmos a veracidade dessas alegações, foi-nos comunicado que ninguém, NEM MESMO O PESSOAL DA MANUTENÇÃO, seria autorizado a aceder ao perímetro, remetendo-nos para uma posição na qual somos forçados a fazer fé nas alegações de tão nefasta (e conveniente) ocorrência, o que escolhemos não fazer, pois em momento algum encontramos compreensão ou cedências da parte da direcção do centro que não se dignou em fazer-se representar, usando sempre de intermediários para comunicar connosco.

Um aparato policial temível não demorou muito a se fazer no local. Chamados por quem não sabemos, nem mesmo os representantes intermediários do centro sabiam. O que queriam? Segundo contou-nos o Comandante Frank (Gran Camarada) que se fez ao local por volta das 10h45, terão recebido informação de que “os jovens das manifestações estariam a causar distúrbios e confusão no CEFOJOR”.

Foi simplesmente dececionante que, longe do que lhes foi informado encontrarem um ambiente de extrema tranquilidade e calmaria, com os jovens “das manifestações” apenas preocupados para entender as razões por de trás da não realização da pretendida conferência e especialmente preocupados com os convidados que se fariam ao local encontrarem tamanho constrangimento. Informados da situação a polícia na pessoa do comandante Frank em conjunto com um dos organizadores pediu ao único representante do Centro, o chefe da manutenção técnica para ver o estado da sala e averiguar a veracidade dos factos, intento que também não conheceu final feliz pois o chefe técnico alegou não possuir as chaves do local.

A missão que escolhemos abraçar inclui valores que ultrapassam a nossa efémera existência e o somatório das nossas ambições individuais. Lutamos pela dignificação do angolano, pela aniquilação do nepotismo, tráfico de influência e corrupção endémicas que enriquecem pornograficamente um punhado de iluminados, remetendo a maior parte deste flagelado povo à indigência.

Insistimos que o epicentro deste câncro é o cidadão José Eduardo dos Santos e reclamamos o nosso direito de estar errados, sem que por isso sejamos alvos da violência que nos tem sido direccionada desde Março de 2011, momento em que escolhemos recusar continuar a viver sob o jugo do medo e promover uma democracia mais palpável e um país do qual nos possamos orgulhar, onde possamos educar os nossos filhos livres dos dogmas e paradigmas que nos aprisionam a evolução intelectual.

Luanda, ao 10 de Novembro de 2012

Subscrevemo-nos
Américo Vaz
Hugo Kalumbo
Luaty Beirão
Mbanza Hamza

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Cidadania é boa e faz crescer os dentes!

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Tolerámo-los durante muito tempo, mas agora estão a passar das marcas, infestando o ciberespaço com a missão única de passarem o dia a comentar desdenhosamente no club-k e angola24horas todo e qualquer artigo que lá seja publicado. Pior, fazem-no incessantemente e copiando os seus próprios comentários para o colarem como resposta a qualquer outro comentador que se pronuncie, tornando-se numa autêntica praga, tal qual spambots.

Mas a maior parte destes perfis é, na verdade, operado por um grupo não superior a 3 pessoas, que abrem contas fantasmas no facebook com intuito de criar a ilusão de serem pessoas reais com opiniões pró-regime. Esta equipa, que poderá eventualmente ser maior, já foi apelidada de “brigada cibernética” e há rumores que apontam para o nome de um conhecido Carima da nossa praça, como sendo o seu cabecilha. Outros apontam para uma equipe de brasileiros aliados à Sérgio Guerra, o dono da Maianga Produções, pois, para além de muitas das fotografias desses falsos perfis serem retiradas de sites brasileiros, há uma delas que é uma foto do próprio Sérgio Guerra, num trabalho (muito bonito) que efectuou com os povos Herero.

A nossa equipa de “detectives” recenseou os seguintes elementos comuns:

-       São frequentemente “estudantes”

-       Nunca postam mais de uma foto, retirada de vários sites na internet

-       Expressam-se num português cuidado

-       Frequentemente fazem recurso a termos jurídicos para defenderem os seus pontos de vista

-       Repetem furiosamente os seus comentários até a exaustão

-       Os seus murais não contêm postagens próprias ou pessoais. Apenas comentários no club-k e angola24horas

-       Não há um único comentário que não represente um esforço para demolir qualquer tendência crítica apresentada quer pelo artigo, quer por outros comentadores. NUNCA são imparciais ou equilibrados, dedicando-se à defesa do indefensável de forma diligente.

Vamos então à prova dos 9:

A sua foto saíu deste banco de dados pago e pode ser encontrada em vários sites como este, por exemplo.

Há uns tempos que foi colocado “de repouso”, mas certamente lembrar-se-ão dele. Trata-se na verdade do artista motswana (cidadão nativo do Botswana) Skipper Mogani. Mais engraçado ainda, O artista é na realidade UMA artista, assumida transsexual (corajosa).

Tem sido dos mais activos ultimamente. Trata-se da foto de um adepto da seleção angolana recolhido do site de notícias francês rfi, como podem verificar aqui. Tratou-se do jogo Angola – Argélia no CAN.

Este ao menos escolheu bem. É a foto de um músico senegalês, de seu nome Souleymane Diouf, que bajulou e depois não foi pago pelo partido então no poder, o PDS de Abdoulaye Wade. Cantou em homenagem a este último e ao não ser pago, fez greve de fome. Uma ideia para o Fridolim e Brigadeiro 10 Pacotes.

Este não se deu a grande trabalho para o disfarce. Diz ter trabalhado numa suposta empresa chamada Jamba Produções, no KGB e ser do sexo feminino (ou será uma pancada com os nainas?). Trata-se na realidade de um músico chamado Stevie B, autor de uns poucos hits, tendo um #1 na Billboard. Confiram aqui.

Trata-se de um modelo que pode ser visto a desfilar aqui.

Chama-se Gregorio Millet, é pesquisador da CDC, um instituto que se dedica ao estudo do SIDA, ligado à Casa Branca. A foto foi tirada daqui (rolem bem para baixo e vão encontrá-lo), mas outras podem ser vistas aqui. O SINSE que usa esta imagem, seguramente um homofóbico, deverá ficar a saber que o Gregorio é gay.

Comenta muito pouco. É o tal que usa a fotografia de um herero tirada de uma exposição de Sérgio Guerra.

Nova “aquisição”, provavelmente veio substituir a mais-velha Xana Teixeira Pesserela cujo perfil já não encontramos. Parece-nos que terá sido apagado. Reparem que no perfil a “menina” diz ter nascido em 1984, depois olhem bem para a foto e reflitam se, algum dia, uma cara rija assim podia ter apenas 28 anos. Maria Ngola é na verdade Negra Joh e a sua foto aqui está.

Outro desaparecido. Trocou a sua foto de perfil mas certamente que se lembrarão desta figura. Trata-se de um simpático rapaz Tanzaniano, Yohanne Kidolezi, com uma bonita história de vida e não de um mplano da tuji!

Tem sido indubitavelmente o mais utilizado dos bots pela brigada cibernética, a estrela da comitiva, comentando tudo e mais alguma coisa, sempre com o mesmo tom pedante e prepotente, característico de um mplano de raíz. É a foto de uma modelo baiana chamada Tamires. A foto do perfil do SINSE foi tirada daqui, mas outras fotos da modelo se podem encontrar aqui.

Concluímos que a sua intenção é criar desinteresse na leitura dos comentários no club-k, desencorajando as pessoas de comentar e interagir livremente ao encontrarem as suas chipalas por tudo quanto é canto.

Práticas criminosas, pois trata-se aqui de usurpação de identidade. Mas este regime não sabe fazer alguma coisa sem violar leis?

Mandem vir mais, que vamos continuar a expor-vos, vocês não detêm o monopólio da inteligência informática, mbandalhos!

Parabéns Club-k!

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Nunca votei na minha vida. Não votei em 2008 por me encontrar fora de Angola em estudos tanto no período de registo eleitoral como no período de votação, e não votei em 2012 por questões laborais (trabalho na diáspora, concretamente nos Estados Unidos). Em países “normais”, viver ou trabalhar na diáspora não é motivo para não se votar; aliás, em pleno século 21 existem diversos meios de se votar in abstencia, como fazem tão bem os nossos irmãos caboverdianos aqui mesmo ao lado. Não votei em 2012, portanto, por mais uma vez me ser negado o direito de votar, mesmo sendo cidadão angolano, portador de um passaporte angolano e portador de um bilhete de identidade igualmente angolano.

Tampouco voto nas eleições americanas, simplesmente por não ser cidadão americano apesar de largos anos a viver, estudar e trabalhar aqui. Contudo, vivo e sigo com rigor a realidade política dos dois países, principalmente a do meu país de nascença. Leio assiduamente (alguns) jornais do fim-de-semana, converso com amigos e familiares, acompanho os diversos artigos que saiem sobre Angola na imprensa internacional e, de vez em quando, até leio um artigo ou outro na imprensa estatal. E, claro, acompanho e participo nos diversos debates de foro político e não só no Facebook, ferramenta esta que parece ter sido muito bem recebida pelos angolanos com acesso à internet.

Foi, por isso, muito interessante para mim acompanhar a reacção dos angolanos nas redes sociais acerca da recente campanha eleitoral estadounidense, principalmente quando comparada com as reacções acerca da recém terminada campanha eleitoral em Angola. Às vezes até parecia que nós angolanos estávamos mais interessados na campanha americana do que a campanha angolana, mesmo não sendo americanos e mesmo sabendo que dificilmente as políticas do Presidente Obama teriam um grande impacto em Angola.

Gosto de acompanhar os debates presidenciais com um olho no Twitter ou Facebook, para ir acompanhando as reacções dos meus amigos, dos jornalistas que gosto de ler,  das pessoas que gosto de ouvir “falar”, etc; durante os três debates presidenciais americanos e com base nos posts que via nas redes sociais e mesmo em alguns artigos que fui lendo, tive a sensação de que o meu pessoal em Angola estava tão ligado aos debates quanto ao meu pessoal aqui nos EUA. Nada de errado com isso – afinal de contas vivemos num mundo globalizado – mas tive a nítida sensação que as mesmas pessoas que tão atenciosamente seguiam o debate americano ao mesmo tempo desmotivavam e eram contra um debate igual aqui mesmo em Angola.

Perdemos assim uma soberba ocasião de termos finalmente uma livre troca de ideias entre os angolanos que queriam liderar o país, e não houve pressão popular para um debate envolvendo todas as partes. Pior que isso, figuras políticas angolanas que desprezaram um debate entre os candidatos presidencias angolanos apareciam depois no Facebook a comentar sobre o debate presidencial americano, enaltecendo-o. Um alto dirigente do partido maioritário angolano chegou mesmo a dizer que não debate com a oposição por esta “não ter ideias.” Afinal de contas, milhões de angolanos votaram na oposição. E a mesma imprensa angolana que destacou o debate nas suas páginas manteve-se silenciosa sobre o acontecimento de algo igual em Angola.

Durante os três debates, os posts sobre a falta de luz e água em Luanda foram rápidamente substituídos por posts sobre a performance do Obama; no Twitter lia pequenos apontamentos de angolanos que pareciam saber mais de estatísticas e dos meandros da política americana do que da angolana. Ontem, após a vitória folgada do Presidente Obama, ao ir dormir reparei que o meu Newsfeed estava a ser inundado por inumeras mensagens de felicitações dos meus amigos americanos, que foram votar e que têm interesse mais que directo no resultado das eleições americanas, o que é perfeitamente normal; hoje, ao acordar, reparei que o meu Newsfeed estava a ser inundado por inumeras mensagens de felicitações provenientes de Luanda, escritas por conterrâneos meus que não são afectados directamente pelas políticas de Obama.

Compreendo muito bem exaltação colectiva que o mundo sentiu pela reeleição do mano Barack. Eu próprio vibrei com ela e não queria de forma alguma estar sujeito às políticas divisionistas do Mitt Romney e os Republicanos. A maioria dos meus amigos na Argentina, Itália, Portugal, Inglaterra, e pelo mundo afora também vibrou com esta victória. Mas a grande diferença entre os meus amigos nestes países e os meus conterrâneos na banda, é que o primeiro grupo é muito mais activo na política interna dos seus países de origem do que o segundo grupo. O primeiro grupo exerce activamente a cidadania nos seus países de origem enquanto que o segundo parece ser muito mais apático; o primeiro grupo é muito mais solidário entre si que o segundo. Reparei no mesmo fenómeno por ocasião da infâme campanha da Invisible Children acerca do Kony 2012 (eu próprio partilhei o vídeo), uma campanha que os próprios ugandenses repudiaram.

Gostaria que nós como angolanos mostrassemos tanto interesse nos nossos assuntos internos como mostramos nos assuntos internos dos outros. Gostaria de ver as sessões do parlamento angolano a passarem em directo na televisão estatal.  Gostaria de ver mais participação cívica entre nós, mais solidariedade um com o outro, mais debate, mais ousadia e mais vontade de mudar o statu quo. Mais vontade de mostrar que somos cidadãos angolanos. Não é preciso acontecerem casos de violência extrema para nós marcharmos nas ruas, e não é preciso a falta crónica de electricidade ou água para nos organizarmos como cidadãos, consumidores e angolanos e cobrarmos respostas e soluções de quem nos governa.

Podemos e devemos fazer melhor, olhando mais para dentro do que pra fora.

-Cláudio C. Silva