A Cultura e o Medo

Posted: December 5, 2012 in Ficção/Conto, Opinião

Perante o medo, a cultura não floresce.

Perante o medo, a luz da cultura apaga-se

Afogada, abafada, asfixiada.

A cultura perante o medo não respira,

Sucumbe, esmorece e morre.

É subjugada pelo medo,

 

Torna-se a cultura do medo.

 

Perante o medo a cultura é demolida,

Como o Teatro do Elinga, aquele templo cheio de vida

Para dar espaço a um parque de estacionamento.

Um teatro vibrante, extremamente nosso,

Dá lugar a um monstro de betão, de coração

vazio.

A cultura do medo extingue vozes críticas

repletas de talento

E substitui-as com gritos e disparates barulhentos.

A cultura do medo suprime um Kapa,

Que lá fora é capa de revista internacional,

Para promover um thcilo

repugnante e nojento.

Estamos sempre a subir, ao contrário.

A cultura do medo proíbe que irmãos apreciem um festival juntos

porque pertencem a formações políticas diferentes.

O medo da cultura torna-a escrava do medo,

Destruindo-lhe.

A cultura do medo promove o lixo,

em detrimento do que é corajoso mas incómodo,

Real e verdadeiro.

A cultura do medo corrói a sociedade,

Porque não há sociedade sem cultura,

E não há cultura

no medo.

 

Perante o medo, a cultura não floresce.

Perante o medo, a luz da cultura apaga-se

Afogada, abafada, asfixiada.

A cultura perante o medo não respira,

Sucumbe, esmorece e morre.

 

 

Torna-se

A cultura do medo.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s