O Grito de Ipiranga do General Paka

Posted: March 28, 2013 in A Voz do Povo, Bengo, Direitos Humanos, Notícias

O General Pacavira Mendes de Carvalho, também conhecido como General Paka e no Facebook como “Os Conselhos do General”, tem-nos sido uma voz amiga e conselheira desde os primeiros passos tímidos da nossa actividade. Apreciamos nele a frontalidade e a abertura de mente. Quem ler esta entrevista que o General concedeu ao Semanário Agora perceberá porquê. Apesar de não concordamos em todos os pontos, em especial o que o mesmo diz sobre o caso que envolve a actual esposa do falecido Agostinho Neto, bebemos muita sabedoria deste senhor e sabemos que a discórdia me harmonia é um dos muitos trunfos da democracia. Sem mais rodeios:

Não Luto contra pessoas, mas contra sistemas que contrariam os ideias do MPLA”

Os jovens protestam contra as politicas do regime, utilizando nas suas estratégias métodos e estilos de luta que, em determinadas ocasiões, lesam interesses políticos. Mas o executivo não deve fugir dessa realidade. Pelo contrário, deverá resolver este assunto tendo como base o diálogo

Pakas 01

Pacavira Mendes de Carvalho ou simplesmente “Pakas” é um General do exército e um dos poucos militantes do MPLA a dar a cara e a voz aquando da criação do movimento Revolucionário, constituído por um grupo de jovens que ousaram contestar as politicas sociais do então governo, desafiando por meio de manifestações, os órgãos de soberania. De entre as reclamações, o oficial general reformado reclama, em nome da família, o busto do seu tio José Mendes de Carvalho “Hoji–ya-Henda” que, durante a gestão do partido único foi afixado num pedestal nas imediações da cidade alta, mais concretamente, no jardim defronte ao local onde foi edificado o palácio da Justiça, proximidades do Ministério da defesa. Eis na íntegra a entrevista que concedeu aos nossos jornalistas, Ereneu Máquina e Júlio Gomes.

Como avalia o actual momento político e económico do País?

Muito Mal! A nossa juventude, enquanto força motriz da sociedade, está doente. Grande parte desta franja está desempregada. A educação está cada vez mais débil, a saúde não tem politicas concretas, as assimetrias entre as províncias do interior e do litoral sobem a casa dia que passa. Tudo isso não nos permite avaliar ou fazer um bom balanço sobre as politicas económicas durante as últimos 12 anos. A solução destes problemas passa pelo surgimento de novas visões e novos cérebros.

O General “Miau”, seu irmão mais velho, é um dos líderes de uma das formações mais activas da oposição as politicas apresentadas na assembleia pelo seu partido MPLA. A vossa relação continua sólida depois da decisão tomada por ele de fazer outro percurso político.

A minha família possui um carácter conciliador e democrático. Somos contra os comportamentos e atitudes extremistas e radicais. Por outro lado, em África, família é família, política é política e uma coisa não se confunde com outra. É assim que aprendemos com os nossos ancestrais. Desde que não lesem os interessem públicos ou familiares, todos são livre de materializar os seu ideais. Gosto muito do meu irmão “Miau”. Desde criança que evidenciou vontade de ser político. Foi activo combatente contra o colonialismo Português. Em 1974 era Suboficial do exercito Português em Cabinda. Muitos invejam-no por ser muito versátil, clarividente, acérrimo defensor dos seus ideais e , não aceita ser um “ pau mandado”. Tenho a certeza de que por Angola, ele dará grande contribuição no parlamento , para solução dos problemas do povo. Nós actuamos como os irmãos Kaczynski na Polónia, onde, apesar de que eram gémeos ( o que não é o nosso caso) um era primeiro ministro e o outro era Presidente. Mas, apesar disso, davam-se muito bem. Cada um a defender os interesses com que se identificava, mesmo criando amargos de boca. Na família somos todos unidos.

Nas vestes de empresário acha que o executivo tem feito o suficiente para o surgimento de uma classe sólida de homens empreendedores no pais?

Não! Estão a pensar curto e sem a visão correcta para o desenvolvimento de Angola. Julgam que um povo nu e faminto manter-se-á para sempre impávido.

O OGE para 2013 diz-lhe alguma coisa?

O nosso calcanhar de Aquiles continua sendo a Saúde e a Educação. Acho que devemos pensar em reduzir as despesas com a Defesa  reforçar esses sectores.

Os partidos da oposição voltaram contra, terão eles alguma razão, visto que o “bolo” orçamental deste ano foi o maior até que aprovado na assembleia?

Se as visões deles, assim aconselharam, acho correcto o posicionamento. As fontes de formação e as de informação são dispares. São visões de escolas diferentes.

Tem propostas concretas?

Acho que o Executivo deve dar maiores oportunidades as famílias, para que no âmbito do empreendedorismo comecem a participar no crescimento e desenvolvimento da economia. Devem acreditar no empresariado nacional, dando-lhes oportunidades sobretudo no que diz respeito aos acesso aos créditos bancários. Neste pais, os estrangeiros prosperam, não só pela sabedoria, mas pelas oportunidades que lhe são dadas.

Icolo e Bengo está a crescer? 

Não! Basta ver a quantidade de capim a beira da estrada, desde Viana a Catete. O Atraso é uma realidade.

Tem propostas de solução para o problema da pobreza e miséria em Angola?

Claro que tenho! É preciso, primeiro acabar com os comerciantes – governantes. Isto é, de dia são governantes e de noite são altos comerciantes, que aos invés de governarem, desgovernam todos os sectores da vida nacional, para esvaziarem os cofres do Estado, proibir as instituições governamentais de decidirem e executarem politicas não autorizadas pela assembleia Nacional; tornar imparciais os tribunais e não mant­e-los cativos ou ligados ao poder político;  exigir rigorosa sindicância gestão do governo ; exigir, especialmente ao tribunal de contas, a apresentação do relatório e contas; elevar a qualidade do sistema de Educação e Ensino, tornando os quadros angolanos competitivos no mercado nacional e internacional; evitar a criação oportunista de planos enganosos de desenvolvimento económico, tais como o bué e outros micro créditos, que servem tão somente para roubar dinheiro.

Nas redes sociais actua como conselheiro por via da coluna “ os conselhos do General “. Qual o verdadeiro objectivo.

Já lutei contra o colonialismo português, já militei no MPLA, desde muito jovem. Aderi à guerrilha do MPLA  nas 2ª, 3ª e 4ª região político-Militar, ui quadro sénior do ministério da Defesa, onde exerci funções diversas na esfera política e partidária. Fui soldado e General. Passei para a história a minha relação intelectual e física. Penso que chegou o momento de entregar as rédeas da liderança aos mais jovens e, para tal, vejo-me na obrigação de transmitir-lhes todas as experiencias que adquiri ao longo dos anos.

Qual a sua relação com a juventude revolucionária, os cognominados “Revús”? Faz dois anos que eles apareceram em cena e o senhor foi das poucas pessoas de proa do MPLA que “deu” a cara em defesa deles. Nunca temeu represálias do seu partido?

Acho-os muito corajosos e audazes. Precisam desenvolver as suas acções melhorando as suas visões, e necessitam de aconselhamento de adultos honestos com elevado espírito de patriotismo, fraternidade, paternidade e solidariedade, perante o processo da luta contra a corrupção , factor de desestabilização económica, política e social em Angola. Nós, os adultos, lutamos contra o colonialismo, precisamente pelas mesmas causas mas, em contextos diferentes. Estou a falar da má qualidade do ensino no País, poucas oportunidades de trabalho para a juventude e não só. Se reparar, à  juventude hoje não lhe é permitida concorrer em pé de igualdade com estrangeiros no seu próprio país e, em consequência disto, eles rebelam-se reivindicando aquilo que lhes é negado.

É por essa razão que os jovens protestam contra as politicas de regime, utilizando nas suas estratégias métodos e estilos de luta que, em determinadas ocasiões, lesam interesses públicos. Mas o Executivo não deve fugir a essa realidade. Pelo contrario, deverá resolver este assunto tendo como base o dialogo. Porque só conversando é que os homens se entendem. Só conversando é que os governantes poderão ter a percepção real dos anseios desses jovens. Infelizmente, temos vindo a assistir o contrario. Porrada por cima dos miúdos. Vale lembrar aqui que os colonos prenderam-nos, mataram-nos, impediram o nosso desenvolvimento, mas isso não adormeceu as nossas forças. Pelo contrário, criou em nós o sentimento patriótico de luta pela independência. E nós, enquanto governantes, estamos a repetir praticamente a mesma coisa. E estamos a faze-lo contra os nossos filhos. Esta forma de atuação contra os que reivindicam os seu direitos, é semelhante  ao estilo e métodos utilizado pelo colonialista. Por isso, o executivo deve mudar a forma de agir. Tentar aproximar-se para saber dos jovens o que constitui o verdadeiro problema que os apoquenta.

Mas hoje são que nem “animais em vias de extinção”. Foram resolvidos os problemas e adormeceram ou estão ainda em hibernação?

Os “Revús” jamais entraram em extinção. Pelo contrário, quanto mais porrada, maior será a adesão dos jovens. A miséria é grande, a falta de oportunidade é elevadíssima e já não respeita as cores partidárias. Mais de 90 % da JMPLA também não estão comtemplados na distribuição. Entretanto obcecados como estão, batem muitas palmas e não recebem nada. Quando despertarem do sono enganador do futuro risonho, isto é (tempo perdido + falta de oportunidade ¸ 1 = 0) entrarão em pânico e tornar-se-ão tão ou mais “revús” que os actuais. O executivo deve proibir os partidos políticos do exercício de todo tipo de manipulação política dos jovens, com vista a torna-los joguetes dos seu oportunismos.  Os jovens são propriedade do estado angolano e não joguetes dos partidos políticos que os tornam marionetas das suas oportunidades. Digo isso porque o pais precisa de bons cidadãos, de cidadãos unidos e participativos. Os jovens devem ser educados de forma uniforme à luz de leis credíveis do pais e nunca formatados à base de ideologias discriminatórias.

Essa sua ousadia “contestatária” já lhe valeu alguns amargos de boca?

Os meus avós, quando jovens, cumpriram castigos dados pelos colonialistas portugueses. Há mais de 200 anos que a minha família exerce ativismo cívico. O meu Pai cumpriu 10 anos de cadeia no Tarrafal, Cabo Verde, dezenas de familiares meus morreram em 1961, durante os massacres levados a cabo por colonialistas. Os meus parentes, como por exemplo “ Hoji-ya-Henda”, Deolinda Rodrigues e outros anónimos, morreram assassinados por forças retrogradas e reacionárias. Eu sou apenas mais uma combatente que seguirá as suas obras, ainda que, para tal tenha de derramar o meu sangue. Não luto contra pessoas, mas sim contra sistemas que contrariam os ideias do MPLA: de Pinto de Andrade a Viriato da Cruz, de Matias Miguéis, de Agostinho Neto e de tantos outros. Sou constantemente insultado por alguns parasitas de sistema. Todavia, e, em consciência, sigo a minha marcha triunfal rumo a liberdade. Nada me deterá.

Comenta-se que se sente vilipendiado pela estrutura partidária em Icolo e Bengo, situação que o levou a escrever uma carta ao Presidente da República. Já obteve resposta? 

Sou contra extremismos político, porque o radicalismo em termos de carácter não tem valor. Sou moderado e conciliador. Constituo um ponto de equilibro de forças onde haja respeito pelas diferenças. Não sou doutor. Sou apenas um individuo com experiencia. Tenho uma biblioteca com mais de 3 000 livros, com maior pendor para os da natureza política, economia, artes militares e policial e história. Milito num CAP – Comité de acção de Catete, sou membro do comité e da comissão executiva do MPLA, fui membro do comité provincial do partido do Bengo até à conferencia do parido realizada para a desanexação dos municípios de Icolo-e-Bengo e Quissama. Os primeiro e segundo secretários do comité municipal são indivíduos com praticas antissociais e condutas pouco cívicas e improprias para militantes de um partido como o MPLA. Ao longo destes anos de militância, têm sido reprendidos por mim, devido as suas más conduta politicas, partidárias e cívicas, factores que os enfurecem. E isto fez com que me encarassem como inimigo mortal e alvo a abater.

Outro factor que está na base das discórdias contra mim é o facto de ser irmão d Almirante André Gaspar Mendes de Carvalho “Miau”, que é um dos líderes da coligação Ampla de Salvação de Angola (CASA-CE), embora seja do conhecimento de toga a gente que eu não sou dessa coligação. Aproveitaram-se desse facto para exercerem uma campanha d difamação contra mim, dizendo que também pertenço a esta força política. Face a toda esta intolerância política, decidi não mais rever-me nas suas lideranças. Perante estas atitudes de intolerância política, fiz recurso ao ministério Público e ao Bureau político do MPLA, a fim de que fosse reposta a verdade e os infractores fossem “punidos”. O meu bom nome e o da minha família não devem ser beliscados por oportunistas que nem sequer são do MPLA. Entretanto, continuo a aguardar as respostas destas instancias.

Em certos círculos do MPLA é rotulado como muito próximo de figuras da oposição. Tem os terminais telefónicos e fala regularmente com Abel Chivukuvuku, Samakuva ou Justino Pinto de Andrade?

Eu sou angolano, os meus avós e os meus Pais já pertenciam à classe média. Entre os autóctones já fazíamos muita diferença na época colonial. Não sou um “Kaluanda”. Vivi em muitas províncias onde, pela graça de Deus, conheci muitos desses compatriotas. Uns nas escolas e outros na vida social.  Tratamo-nos muitas das vezes como primos, tios, avôs etc. Tenho os números telefónicos de todos e, esporadicamente, encontramo-nos e conversamos.

Marcolino Moco diz-lhe alguma coisa? 

Foi meu colega do partido. Ele é um cidadão como qualquer outro. É um cidadão de Angola e não do MPLA. Ele também contribui para a estruturação do partido e dos órgãos do poder. O que eu acho é que ele está apenas a seguir os impulsos da sia própria consciência. Admiro-o e concordo com o seu posicionamento.

Começou o julgamento de Maria Eugenia Neto, viúva do primeiro Presidente de Angola. Quer comentar?

Já afirmei que não devem julgar Neto pelo 27 de Maio. Neto dirigia o executivo, onde muitas figuras de “proa” da actualidade faziam parte e, tem tanta ou mais responsabilidade pelos crimes praticados na ocasião. A ignorância de muitos cegou-lhes e, quando se deram conta do crime praticado já era tarde. Lamentavelmente, Maria Eugénia Neto está a enfrentar este assunto sozinha, quando, em minha opinião, está é uma matéria de todo o estado. Maria Eugénia Neto representa o ícone máximo de Angola que está a ser vilipendiado por criminosos políticos internacionais. Mas a questão agora é saber se Neto tem ou não direito a defesa. Será que foi assim tão malvado para os Angolanos? Estes “vivo” e os “vivaços” que hoje estão a viver graças a sabedoria de Neto, não sentem remorsos nem vergonha por este ataque contra a sua viúva? Agora entendo as razões da ausência de Neto nos programas de Ensino, da História de Angola.

Quando a integridade moral da PGR de Angola é posta em causa em Portugal, acha normal? 

Eu sou irmão do João Maria de Sousa. É proibido atacarmos a família mas, a ser verdade o que se diz, é muito grave para o país. Vamos aguardar a clareza deste assunto.

Como avalia o desempenho do seu confrade General Pedro Neto, a frente da federação Angolana de Futebol?

Acho que tanto ele como outros generais como França Ndalu e Pitagrós que também estão ou estiveram ligados ao dirigismo desportivo, renderiam mais a realizarem trabalho de educação patriótica no seio das camadas mais jovens, do que no futebol. Deveriam ganhar tempo com a discussão sobre a ausência da disciplina de História de Angola, nos currículos do ensino de base, motivo que está a desorientar as crianças e jovens sobre as suas essências, do que estarem no futebol, Jogar à bola nos anos 50, 60, 70 não é igual a jogar a bola hoje. O meu neto chama-se Juan Cavaleiro, é júnior titular no Benfica de Portugal. Esteve no País em digressão com o Benfica, jogaram com as equipas angolanas, que foram “Tozadas” por 4-0 e 5-1. Segundo ele, no seu clube estuda com programas invejáveis de ensino, como o Play Techn. Repare no que aconteceu; participaram no ultimo can e gastaram 9 milhões de dólares para sermos “tozados” devido a má prestação. Mas foi devido à falta de visão, ou do “trungungo” de ganhar dinheiro facilmente. Cabo Verde gastou 800 mil dólares e só não chegou a final por batota. Hoje gozam connosco dizendo “cachupa de Cabo Verde agora tem de levar carne de palanca”.

Os malabarismos da política não servem para o futebol, ou qualquer outra modalidade desportiva. A faixa etária para dirigirem as federações é entre os 30 a 40 anos. Estão mais próximos da realidade, sem pretender chamar velho a ninguém.

Alguns sectores da sociedade dizem que Angola já investiu mais em Portugal que no Bengo, Moxico e Lundas em conjunto desde o fim da guerra. Qual é a sua opinião em relação aos negócios ou cooperação entre Angola e Portugal?

É real. Li um livro de Joaquim Louçã com titulo “Os mais ricos de Portugal” e fiquei arrepiado quando vi a fotografia do meu chefe e da sua filha. A filha do meu chefe é tida como uma das mulheres mais ricas do mundo. De onde saiu está “massa” eu não sei. Sinto-me defraudado perante a contribuição que dei a pátria de forma desinteressada. Sinto-me defraudado quando viajo pelo meu território e só vejo casa de capim e de Pau a Pique e poucas ou quase nenhumas oportunidades há para os filhos daqueles que nelas vivem.

Em Angola existe moral suficiente para resolver os problemas do povo tal como Neto disse? Ainda não! Também sabemos que há entre nós alguns dirigentes ligados ao crime organizado. Estes é que são insensíveis aos problemas do povo.

Falando da Moral social, acha que as igrejas estão a fazer o seu papel?

Estão, mas com alguns erros à mistura. Entretanto, são as trincheiras para a estabilidade espiritual dos sofredores. Congregam mais de 80% da população, face à falência da política governativa no domínio social, no que tange à redução da pobreza e da miséria. Repare por exemplo no grande exemplo de humildade que o Papa deu ao mundo, ao colocar o seu cargo à disposição quando se sentiu incapaz de continuar à frente dos destinos da igreja. Significa que o capricho dos homens nunca se deve sobrepor aos anseios da maioria. Grandes nacionalistas africanos como Julius Nyerere, Chissano, Nelson Mandela e tantos outros servem de inspiração. E o papa demonstrou isso mesmo. Apesar de tantos problemas que a igreja vive, não precisou de ser escorraçado das sumptuosas mansões do pontifício, por teimosia ou “ gana “ de não querer devolver o que lhe confiaram por tempo determinado. Na verdade os angolanos deveriam tirar desse feito do Papa uma lição.

No próximo mês de Abril completar-se-ão 11 anos desde o fim da guerra e em Novembro, trinta e oito anos de independência . Acha que o país já se reconciliou na sua plenitude?

Ainda não. Até aqui, as cores das bandeiras partidárias estão a falar mais alto. Se os partidos são constituídos à luz da lei, eles devem respeitar essas leis mas, infelizmente, não é assim que está a acontecer no nosso país. Eles estão a dividir a jovem sociedade angolana com discursos bombásticos. Qualquer dia isso há-de acabar e então todos os que tentaram fazer de Angola um instrumento para seu próprio proveito, deverão ser responsabilizados criminalmente.

Comemora-se também em Abril o dia da Juventude. Acha que os jovens de hoje têm garra para liderar o País?

Os jovens constituem sempre a franja mais importante de qualquer sociedade. São considerados a força motriz da sociedade e os propulsores do desenvolvimento político e económico de qualquer pais. Apesar das discrepâncias existentes, são-lhes reservados os direitos de liderança. Há muitos jovens capazes de fazerem algo melhor. O meu tio “Zeca”, vulgarmente conhecido por Hoji-ya-Henda, resistiu. Os actuais dirigentes da sociedade angolana foram educados a seguirem os exemplos de bravura e honestidade, abnegação assim como o espírito de sacrifício demonstrado por Hoji-ya-Henda.

O que diz a sua família em relação ao busto de “ Hoji-ya-Henda” que se encontrava próximo do local onde foi instalado o Palácio de justiça?

Agradecemos muito se nos devolverem o busto, já que as suas ossadas permanecerão eternamente em Karipande. Achamos que os Tchokwes (lá no Moxico), não se importam com isso. Mas nós precisamos comemorar efusivamente este 14 de Abril.

 

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