A Voz do Povo XX: Nuno Aires opina sobre estado actual do mercado de trabalho angolano

Posted: April 9, 2013 in A Voz do Povo, Argumentos

Para a vigésima edição da nossa “mini-série” A Voz do Povo, partilhamos convosco um excelente desabafo do mano Nuno Aires no Facebook sobre o estado actual do mercado de trabalho em Luanda. Aconselhamos vivamente a sua leitura. Discorda? Concorda? Comente!

No debate com amigos sobre o estado actual do mercado de trabalho angolano, o meu ponto de vista:

Sinceramente, não acho que seja difícil encontrar angolanos com capacidades, tenho o prazer de conhecer, trabalhar e acima de tudo conviver com Angolanos XEDELAS e uma boa parte subaproveitados pelas entidades empregadoras.

Desculpem por aquilo q defendo, mas estamos neste momento a atravessar um novo processo de colonização, mas desta vez legal. Há uma “importação” de quadros a um nível extremo à falta de necessidade. Não percebo como é que uma empresa que tem como objectivo o lucro, prefere gastar o triplo num salário e outros benefícios num expatriado e num quadro angolano dar uma ninharia de salário e esperar q os dois tenham o mesmo desempenho.

Pergunto-me, não seria mais fácil apostar na formação deste quadro angolano e dar-lhe um melhor salário de forma a sentir-se satisfeito e acima de tudo sentir q deve dar o seu máximo de forma a manter o nível de vida q esse salário o irá proporcionar?
Não seria mais fácil pagar a esse expatriado XPTO a deslocação por 3, 6 meses ou mesmo 1, 2 anos e este formar 10, 20 quadros dessa empresa???

Contas Rápidas:
Expatriado – Salário 4, 5, 6, 7.000USD + Passagens + Estadia + Transporte + Seguro + outras regalias= ????
Angolano – Salário 1,2, 3.000USD + seguro (com sorte)
E no final querem que os dois tenham o mesmo rendimento? Dedicação? Sentido de responsabilidade? #BULLSHIT!!!!

O turismo se não é 99% está lá perto na mão dos portugueses; a construção civil de igual modo portugueses e brasileiros; banca de igual modo portuguesa; Qual é a necessidade?
(Posso dar N exemplos de quadros angolanos q passaram por essas áreas c competência e q foram completamente abandalhados);

Como é que num país aonde MILHARES de pessoas lutam todos os dias de baixo de sol horas e horas a trabalhar para ganhar o seu pão de forma honesta, são catalogados como irresponsáveis q só bebem e não gostam de trabalhar?

Tenho VÁRIOS tios, primos, amigos q fizeram a vida a trabalhar nas obras em Portugal nos anos 90′. Maior parte passou pelas “passas do Algarve” mas ganhavam 200, 300, 400 contos (muitos até mais) e se a memória não me falha, era muito bom dinheiro naquela altura. HOJE pelo mesmo trabalho em Angola as empresas PORTUGUESAS querem pagar 300, 400 usd, oferecem arroz e feijão ao almoço todos dias e querem q eles tenham o mesmo rendimento? Para operar uma escavadora é preciso vir (desculpem-me o extremismo) um BIMBO de igual modo sem estudos, sem formação? Porque não há ninguém em Angola capaz de operar uma máquina?

É incrível como as pessoas querem pagar a um estafeta 200, 300USD mês e depois dão-lhe quantias de 20, 30.000 dólares para transportar todos os dias .. e esperam q seja um anjo e q nunca caia na tentação!
É incrível como as pessoas querem pagar a um caixa de um banco (com ou sem estudos) 700, 800usd e depois põe-lhe MILHÕES nas mãos todos os dias.. e esperam q seja um anjo e q nunca caia na tentação!
É incrível como as pessoas querem pagar a uma doméstica 200, 300, 400usd mês e depois esbanjam todo o luxo lá em casa.. e mais uma vez, esperam q seja um anjo e q nunca caia na tentação!

Não há aposta nos quadros angolanos porque quem dita as regras do mercado de trabalhao não são angolanos, são estrangeiros e já é sabido q independentemente da nacionalidade, cada um puxa os seus (nada contra, quem me dera q Angola funcionasse assim). A culpa está nos donos das empresas q buscam somente o lucro e estão-se pouco f****** para a responsabilidade social.

NÃO SOU contra expatriados, ACREDITO que o país precisa de ajuda dos “de fora” mas não nos moldes atuais. Neste momento estamos a alimentar países em crise e todos esses quadros assim q tiverem as suas casas lá fora arrumadas tiram o pé rapidinho e daqui a 10, 15, 20 anos vamos estar a enfrentar o mesmo “problema de falta de quadros”!!!!!”

Comments
  1. angela says:

    Diz muito bem: as empresas querem lucro!
    Como é que as empresas lucram contratando expatriados caros em vez dos locais baratos?
    Seria bom reflectir sobre isso.

  2. Revolucionário Voluntário says:

    Esqueçam isso, meus senhores. Corrida com estes camaradas!

  3. angela says:

    Vamos concordar com o revolucionário: é correr com eles todos!
    Vamos voltar quinze, dez anos atrás…aí é que vivíamos bem. Era, não era?

  4. Trecolareco says:

    Enquanto o nativo não mudar de mentalidade e tomar uma atitude profissional será preterido em relação ao expatriado. Com isto não digo que todos os nativos são maus profissionais. As razões para uma certa deficiência dos profissionais nacionais tem a ver com o estado miserável da educação em Angola, graças às políticas do nosso ditador JES.
    Portanto essa desigualdade nunca será resolvida “correndo com esses camaradas (expatriados)” como o Revolucionário Voluntário sugeriu. É preciso mudar o regime de ditadura, antes que as coisas melhorem em Angola em todos os aspectos, não só no mercado de emprego.

  5. Dibanza says:

    E depois venham me falar em crescimento econômico, quando este dito crescimento não se reflete na melhoria de condições de vida do cidadão comum.

  6. Estrangeiro Residente says:

    Muito bom texto… como o meu nome indica sou estrangeiro residente e já estou no país à alguns anos… e o grande problema está aqui:

    “Contas Rápidas:
    Expatriado – Salário 4, 5, 6, 7.000USD + Passagens + Estadia + Transporte + Seguro + outras regalias= ????
    Angolano – Salário 1,2, 3.000USD + seguro (com sorte)
    E no final querem que os dois tenham o mesmo rendimento? Dedicação? Sentido de responsabilidade? #BULLSHIT!!!!”

    Quem quiser vir para Angola tem que vir com os seus meios e viver do seu ordenado, o problema da maioria dos expatriados não ajuda angola, o ordenado cai lá fora e a maioria nem sequer convive com os nacionais…

  7. Muxinda Kabele Kibala says:

    A este ritmo, veremos a Policia Nacional, as FAA, a SME e outras instituições publicas a serem geridas por estrangeiros.
    Caro Nuno Reis, apenas tenho que discordar, quando dizes que: A culpa está nos donos das empresas q buscam somente o lucro e estão-se pouco f****** para a responsabilidade social. Afinal eles (Donos das empresas), encontraram em Angola, um governo sem vontade politica para pelejar a dignidade do trabalhador autóctone. e assim eles tem caminho aberto para imporem as suas vontades. Quando em angola existir um governo com responsabilidade civil para com os ANGOLANOS, podes crer, que não teremos, chines, para tirar fotografia, Brazuca ou tugas, para andarem com máquinas, malianos nas cantinas, indianos e, ou filipinos nos armazéns, a fila é longa.

  8. Horus says:

    Estou 100% de acordo, acrescentando mais tem de ser revista a teoria de expatriacao nao se chama expatriado a alguem que vem para ca trabalhar porque nao tem mais emprego ninguemo vai buscar ele luta por emprego e para poder pagar as suas contas logo este e um emigrante e como tal nao deve gozar dos beneficios de um expatriado… e por mais todo pais cresce com esforco dos nacionais e dos emigrantes, mas em um pais onde o nivel de desemprego entre a camada jovem ronda os 70%, sendo este pais maioritariamente constituido por jovens na cerca de 75%… o que dizer que pessima politica de capatacao de emprego?? sera necessario um portugues operador de maquinas????

    • Horus, a dika é que a maior parte dos estrangeiros não vem (ainda) à maluca “tentar a sua sorte”. Provavelmente agora já com uma “comunidade” tão grande, sobretudo de portugueses, já comece a haver mais disso, mas até muito recentemente o esquema era fazer-se contratar antes de vir para Angola e vir já com o visto de trabalho no passaporte. Concordamos contigo e deve ser revista a definição de “expatriado” mas para isso tem de haver cooperação na troca de informação entre países para podermos conferir se a pessoa está a abdicar de um emprego por outro melhor ou se está a sair de uma situação de desemprego lá de onde vem! Bem visto.

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