Pedrowski Teca reage à peça de teatro protagonizada por JES e SIC

Posted: June 9, 2013 in Argumentos, Direitos, Estiguem o Imperador, Opinião

Num artigo intitulado ““Sua Excelência Zé Dú, somos jovens autóctones exigindo que o senhor se aposente” reacção de Pedrowski Teca, jovem do Movimento Revolucionário, à entrevista de JES na SIC” num blog de notícias que entretem, Pedrowski Teca endereça uma carta aberta à JES. A leitura é longa mas muito interessante. Acompanhem abaixo um excerto e carreguem depois no link que vos remeterá ao blog original do autor.

drowskidiplomado

… de uma maneira geral, são jovens com certas frustrações que não conseguiram, não tiveram sucesso durante a sua vida escolar ou académica, não conseguiram uma boa inserção no mundo do emprego, etc., mas que estão fundamentalmente muito localizados“, José Eduardo dos Santos em SIC Notícias aos 6 de Junho de 2013.

Sua excelência, sou o Pedrowski Teca de 26 anos de idade, nascido no Município da Samba, Província de Luanda, na antiga República Popular de Angola e sou um membro orgulhoso do Movimento Revolucinário.
São jovens com certas frustrações
Em primeiro lugar gostaria de esclarecer que a tua frase “são jovens com certas frustrações” não condiz com a nossa realidade porque o que chamas de “frustração”, é na verdade o radicalismo característico de jovens.
Radicalismo este que é visto por sua excelência como “frustração” porque não é pro ao status-quo mas é aposto à sua ditadura monárquica, a sua corrupção, ao seu nepotismo e ao seu roubo descarado do erário público à favor da sua família e dos teus amigos em detrimento do povo angolano.
Com o nosso radicalismo juvenil de intervenção social, será que a sua excelência sabe o porquê que nos chamamos de “jovens revolucionários”? O escritor e jornalista inglês George Orwell (1903-1950) disse que “numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um acto revolucionário” e sua excelência nos detem arbitrariamente, nos espanca e tortura, nos prende e emprisiona, tudo porque falamos sobre a verdade das nossas próprias vidas que o senhor desgoverna à quase 34 anos.
Não tiveram sucesso na vida escolar ou académica
Quanto as palavras de os jovens “que não conseguiram, não tiveram sucesso durante a sua vida escolar ou acadêmica”, surpreendeu-me que mesmo com os equipamentos mais caros de alta e novas tecnologias de comunicação, rastreamento, infiltração e invasão e violação do direito à privacidade dos cidadãos, que tem comprado com vista à relação e colaboração bilateral com o Israel, o senhor presidente continua ignorante dos perfis, particularmente das qualificações, dos jovens que por dois anos têm te dito “32+2 É MUITO”.
Os ataques de sua excelência aos jovens indefesos do Movimento Revolucionário que por ti “estão fundamentalmente muito localizados” foram tidas por nós como uma estratégia para minimizar o efeito das nossas ações e descredibilizar-nos como pessoas intelectuais e formadas com capacidade de pensar com as nossas próprias cabeças. Desacreditas-nos de tal maneira que procuras fantasmas que supostamente nos influenciam para fazermos o que fazemos.
Felizmente, tenho más notícias para a sua excelência: muitos de nós somos técnicos superiores, alguns já licenciados, outros já no ensino superior e não desconsiderando que pela idade, muitos ainda estão no ensino médio.
Eu sou formado em “Jornalismo e tecnologias de informação” pela Universidade de Ciências e Tecnologias (the Polytechnic) da vizinha República da Namíbia, onde no dia 16 de Abril de 2011 fui graduado com um diploma do mesmo curso pelo seu homólogo, Sua Excelência, o Presidente Hifikepunye Lucas Pohamba, nas instalações do Safari Hotel na capital, Windhoek.
“Não conseguiram uma boa inserção no mundo do emprego”
Excelentíssimo, quem, quando, como e onde fez e divulgou as estatísticas de que a pobreza em Angola está entre 35 e 36 por centos se desde a independência, o país jamais conseguiu realizar pelo menos um censo populacional?
Estando em Windhoek, eu pessoalmente participei e fui contado no último censo populacional efectuado naquele país que atualmente tem somente 2.5 milhões de habitantes, e sabes quais questões apetece-me fazer-te? Se sua excelência tem as estatísticas de que a pobreza em Angola está entre 35% e 36%, então porque não nos dizer também o nível e as razões de desempregos no país? Quantos jovens estão actualmente desempregados? Qual é a percentagem ou o número estimativo de jovens, crianças, velhos e em que condições vivem em Angola? Poderá nos dizer quantos quadros qualificados temos no país e a percentagem em suas respectivas áreas de formação? Poderá nos dizer quantos estrangeiros, particularmente os chineses, estão em Angola e em que sectores?
Sua excelência, um docente na Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, Bryan Stevenson, disse: “o oposto de pobreza não é a riqueza. Em muitos casos, o oposto da pobreza é a justiça”.
E o emprego?
Excelentíssimo, ao contrário de Angola, a Namíbia não facilita o estrangeiro: formado ou não. O que a sua excelência errou em não mencionar quando convidou os português à virem em Angola, foi por não dizeres “desde que cumpram com as leis do país”.
Na Namíbia, estas leis exigem à um cidadão estrangeiro em primeiro lugar a ser um especialista formado e em segundo lugar a ter uma certa quantia de dinheiro que o qualifica como um investidor capaz de empregar namibianos desempregados e trazer uma mais valia àquele país com os seus bens e serviços.
A Namíbia tem leis que impedem estrangeiros a exercerem cargos de motoristas, cabelereiros, garsonetes, empregados de limpeza, etc, e será que a sua excelência pode me explicar como é que em Angola temos chineses a trabalharem como vendedores ambulantes (“zungueiros”), ajudantes de contrução civil, motoristas e noutras profissões? Quantos cidadãos estrangeiros (malianos, eritreus, os chamados mamadus, etc) abrem lojas e cantinas nos nossos bairros e cidades e em que posições de imigração se encontram? Sei que muitos estão na condição de refugiados! Sabias que os refugiados angolanos na Namíbia não eram permitidos sairem do campo de refugiados chamado “Osire”? Sabias que os refugiados angolanos não eram permitidos trabalharem como tais e deviam estar sempre na tutela e cuidados do alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados? Porquê que um estrangeiro vem em Angola exercer uma profissão que exige pouca formação acadêmica enquanto existem muitos angolanos no desemprego?
E eu? Será que me inseri no “mundo do emprego”?
Na condição de estudante de jornalismo, ganhei o prêmio de melhor jornalista do jornal universitário, Echoes campus Newspaper, em 2008. Fui estagiário voluntário no departamento de marketing da universidade, onde me destaquei e tive a oportunidade de interagir com inclusive uma delegação do nosso Instituto Nacional de Bolsas (INAB) e seu director Dr. Jesus Joaquim Baptista, cujos objectivos não incluía a ajuda aos estudantes angolanos naquele país mas o financiamento dos que estavam para imigrar para Windhoek e esse foi o meu relatório.

continue a leitura aqui

Comments
  1. Luis 123456 says:

    Não vamos culpar toda uma empresa (SIC) pelo mau trabalho de um jornalista freelancer, que trabalha em vários países, incluindo Espanha e Israel para diversos jornais e canais televisivos. Na realidade é bem possível que esta entrevista vá passar em outros meios de comunicação internacional.
    Na realidade a SIC esteve mal quando decidiu passar a entrevista depois de visionar a mesma sem qualquer tipo de comentário posterior e inquirir o luso-hebreu Henrique Cymerman sobre as suas lacunas enquanto jornalista.
    Mas penso a estação SIC se redimiu ao apontar as gravíssimas falhas na entrevista no seu popular programa de comentário «Eixo do Mal»: http://www.dailymotion.com/video/x10pr40_eixo-do-mal-sic-noticias-programa-do-dia-08-06-2013_shortfilms&start=2162 (pode ter spot publicitário antes do video).

  2. Luis 123456 says:

    Podia-se fazer uma lista das propriedades do ditador e sua família, através do google maps e bing maps: http://binged.it/11OoXvj e http://goo.gl/maps/Jb12x

  3. Luiz Araújo says:

    O ditador José Eduardo dos Santos é o único que percebe o pais e o seu processo político da forma como vendeu essa visão através da entrevista à SIC. Talvez esteja numa fase de demência em pense que as alucinações com que se convence sirvam para o convencimento de todos os outros sem se aperceber que essa é a evolução porque passa a maioria dos ditadores quando os regimes predadores que conduzem se aproximam do fim.

    Como vem sendo qualificado em função do “desenvolvimento” separado predador que conduz no nosso país esse ditador é um endocolonialista.

    Esse ditador perdeu toda a vergonha e mais nenhum pudor o inibe de continuar a assumir as rédeas dum estado sob cujo poder são sistematicamente violados direitos humanos. Ao mesmo tempo o seu clã, que não herdou nada dos seus antepassados, enriqueceu e continua enriquecendo – de forma faraónica e de modo galopante – enquanto a pobreza geral vai assassinando o povo. Ainda ao mesmo tempo – sem qualquer piedade – o seu regime desalojou milhares de famílias muito pobres que abandonou nos escombros das suas casas e ou que obrigou a viver em depósitos de pobreza para indígenas, os zangos e panguilas da vida que tem dado ao povo.

    Ter qualificado como frustrados os jovens corajosos e lúcidos que ousam o verbo e gesto de protesto contra a sua condução da governação de Angola consubstanciou um insulto a toda a nação angolana.

    Depois de ter visto e ouvido essa entrevista diluiu-se a última duvida que restava de que só uma revolução porá fim à ditadura endocolonialista que esse predador vem impondo ao nosso povo e país.

    Esse ditador terá garantido o lugar que assim vem reservando na lixeira da nossa história. Logo que a sociedade angolana consiga movimentar-se de forma unida contra esse regime ditatorial esse será o seu destino.

    NADA NEM NINGUÉM CONSEGUIRÁ IMPEDIR QUE O POVO ANGOLANO SE UNA E ACABE COM A DITADURA ENDOCOLONIALISTA DE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS

    EXIGE DIGNIDADE COM DIGNIDADE

  4. José Raposo says:

    Estes também eram só 300 … 300 espartanos contra um exército de um milhão de persas: http://www.youtube.com/watch?v=WorI5HPWbpg

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s