Archive for August, 2013

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Epá… entrevista já era fixe, agora fazerem disso assunto de manchete de primeira página? É o nosso mano Carbono Casimiro com o chamado de “papo-recto” numa entrevista dada ao Rúbio Praia, que parece ter respeitado ipsis verbis as respostas que o Carbono deu, permitindo que se dilua ainda mais a imagem que certos “jornalistas” dados ao pugilato (sim Carima, estamos a olhar para ti) tentaram a todo o custo cimentar de um rapaz sem ética ou moral para criticar pois era dado à faltas de respeito e arruaças.

O facto de lhe ser dado este destaque só pode querer dizer uma coisa: começa a ser assumido o papel positivo que a sociedade civil tem vindo a desempenhar em prol da Nação e a preponderância de certas figuras no despoletar desse fervor reivindicativo que emana da juventude.

O casco do Titanic começa a apresentar fissuras em vários pontos e os tripulantes discordam já sobre a ordem de prioridades de qual buraco é mais importante tapar. Na desorganização, o coro começa a desafinar e entoar canções divergentes.

Temos de continuar a martelar, este navio já não tem esperança, precisamos de um novo, nada de remendos.

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Os nossos irmãos do Movimento Revolucionário determinaram que já se passou tempo demais sem que se assinale nas ruas que a contestação às injustiças perpretadas pelo regime eduardista continuam na ordem do dia.

Assim sendo, no dia 19 de Setembro pelas 15h00, terá início no Largo da Independência mais uma sessão de espancamento de cidadãos indefesos que mais não levam para o “combate” do que dísticos e palavras de ordem.

O lema principal é: Contra as Injustiças Sociais em Angola. Este desdobra-se depois em sub-temas, cada um mais relevante que o outro (ou será que alguém questiona?): Kassule e Kamulingue; Seca e Fome no Sul de Angola; Demolições e Desalojamentos Forçados; Violações dos Direitos das Zungueiras e Abusos de Poder do Executivo Angolano.

Infelizmente, para este regime a palavra “pacífico” lê-se “arruaça” e apoiando-se nessa leitura analfaburra se vai justificando a ação “preventiva, de manutenção da ordem” da PNA.

Vão acompanhando todas as notícias relativas ao Movimento Revolucionário e a esta manifestação no site do Pedrowski Teca, aqui.

Movimento Revolucionário Manif

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A PGR e a DNIC têm nos últimos dois meses cumprido com uma agenda certamente não “organizada” por eles: perseguição, assédio e intimidação de todo o proeminente cidadão que se dedique a destapar as carecas deste regime e do seu Arquitecto Rei que, há muito, vai nú!

Vejamos:

1) Interdição (4ª vez e nunca formalizada como esta que recebem agora o Zé e o Lucas) de abandonar o país de Luaty Beirão

2) Rafael Marques intimado pela PGR

3) Domingos da Cruz intimado e aguardando julgamento (por 3 vezes adiado depois deste se fazer presente e aguardar por horas à fio)

4) Lucas Pedro e José Gama intimados e chamados a depôr na PGR por mais de uma vez desde o início de Julho e agora formalmente impedidos de viajar, apesar de lhes ter sido aplicado o Termo de Identidade e Residência e  de o Gama ter indicado como sua residência a de Johannesburg, onde está fixado com a família.

5) Adão Ramos, Timóteo João e Alex Chabalala, intimados ontem (por via telefónica) pelo “especialista” Mufuma a depor hoje na DNIC, para uma conversa informal acerca dos Movimentos, liderança, forma de organização, como convocam as manifs e outras questões de tamanha irrelevância que continuam a esvaziar de credibilidade essas instituições de Estado.

O Makangola fez um artigo completo em torno da situação do Lucas e do Zé, que poderão ler carregando aqui

 

JG e LP Interdição de Saída

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Hoje é dia 28 de Agosto, o aniversário natalício do nosso “Arquitecto da Paz”.

O dia em que políticos sem ideias e governantes sem nada para fazer salivam a boca para bem lambuzarem as botas do Arquitecto num lindo exemplo de bajulação. Um exemplo não só para África mas para o Mundo.

Já não se sabe bem como ou quando é que o nosso Rei Presidente adquiriu esta licenciatura nem que universidade outorgou este fantástico título ao nosso Rei Presidente. Mas isto são mesquinhices, é o arquitecto da paz e prontos! Não se fala mais nisso.

Mas é que não se percebe muito bem que tipo de paz temos. Antigamente os engenheiros soldados do Arquitecto combatiam os soldados do inimigo da altura. Agora combatem mamãs e crianças com catanadas nas casas que partem ilegalmente no Cacuaco. É mais fácil. As mamãs não oferecem resistência nem têm AK47. Os engenheiros soldados também gostam de bater em jovens que ousam se manifestar. Nem é preciso deixar que eles saiam à rua…é mais fácil atacar-lhes mesmo em casa. Enquanto que os soldados do inimigo da altura tinham balas, os jovens só têm cartazes e ideias.

Os cartazes, rasgam-se. As ideias expulsam-se à força das cabeças dos jovens com barras de ferro.

Na realidade, tem que se dar mais crédito ao Arquitecto. Porque ele não é só Arquitecto da Paz. É também o Arquitecto do Enriquecimento Bilionário da Filha Primogénita, bem como o Arquitecto do Nepotismo no Fundo Soberano. Sem esquecer, claro, do seu diploma em Arquitectura em Falta de Liberdade de Expressão, já que agora faz-se caça às bruxas à jornalistas e activistas que ousam questionar os métodos e desenhos do Arquitecto.

Estamos, realmente, na presença de um génio no ramo arquitectónico. Infelizmente não é um génio no que toca à entrevistas, exposição e comunicação de ideias, pensamento próprio, democracia, direitos humanos, amor ao povo, alternância no poder, misericórdia, humildade, e coisas do género.

Mas não se pode ter tudo na vida.

Parabéns, Arquitecto da Paz.

-Um Jovem Frustrado

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Em Angola não há um género musical na atualidade que faça mais honra à memória da música angolana de intervenção social dos anos 60/70 do que o hip hop. Se outrora se musicava a angolanidade que ia do folclore à condição social de colonizado, hoje em dia, alguns
rappers mantêm-se fiéis a esse espírito, e o que perdem pelo parco uso das línguas nacionais, compensam no facto de chamar os bois pelos nomes abdicando de metáforas para identificar o neo-colono que agravou ainda mais a condição social do “libertado”.

Desta vez escolhemos um tema de mixtape de um grupo do Sumbe, Kwanza-Sul, chamado Jaula, composto por 3 MC’s. O tema intitula-se pertinentemente “Viva a Revolução” e começa com um excerto do infâme discurso de abertura da reunião do CC do MPLA proferido pelo seu patrono JES e segue com um refrão poderoso:

“Zéduardo se retira, leva toda tua família.

Ditadores, vão-se embora, essa terra não é vossa.

Liberdade para todos, mais respeito com o meu povo”

Boa escuta.

“A oposição…”

Posted: August 21, 2013 in Argumentos, Direitos, Opinião
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É muito comum ouvir estas duas palavras em Luanda. “A oposição…” A oposição isto ou aquilo. A oposição não faz. A oposição é muda. A oposição não actua. E por aí em diante. Até Bento Kangamba, cujos “operativos” foram apanhados em flagrante com caixas de dinheiro não se sabe bem de onde , quis atribuir culpas à oposição.

CHEGA.

Temos o conceito errado de “oposição”. Depositamos nela todas as esperanças, esquecendo que o termo “oposição”, quando usado para descrever uma (ou várias) formação politica, é passageiro e não permanente. Hoje o PRS, a CASA e a UNITA são oposição mas amanhã pode ser o próprio MPLA.

Atribuímos a oposição muitas responsabilidades. Atribuímos a ela todas as nossas frustrações e expectativas, fruto de vivermos num país com as nossas ‘particularidades’. Num país como o nosso, em que o partido no poder tem um controlo ‘Orwelliano’ sobre todas as esferas das nossas vidas, um partido que controla todo o aparelho da comunicação social e o usa para fazer propaganda aberta, a oposição de hoje tem muito pouco espaço para manobra. Não pode actuar como deve ser. Não pode ter a devida expressão.

Que oposição podemos ter, se o próprio partido no poder, nas vestes do seu presidente parlamentar, proibiu a oposição de fiscalizar os actos do executivo?!

Que oposição podemos ter, se recentemente governo provincial do Uíge proibiu alguns deputados de uma das forças parlamentares de exercer a sua actividade de fiscalização?

Portanto, cabe a nós, cidadãos, sermos a “oposição”.

Cabe a nós fiscalizar os actos do executivo. Cabe a nós criticar. Cabe a nós buscar soluções e consensos. Cabe a nós sermos realmente cidadãos participativos.

Um país constrói-se com a participação activa de todos. Chega de chamar pela INADEC – já vimos que eles não fazem nada. Chega de clamar pela oposição – já vimos que muitos deles estão mais interessados no cargo e no BMW que receberão do Estado, pago por nós. Chega de dizer “isto é Angola”.

Temos que começar a denunciar, a exigir, a participar, a trabalhar e a construir.

Sejamos cidadãos.

-Cláudio C. Silva

“Don’t tell me what I can and can’t do…I can change the world…if I don’t say something then nothing will be said, if I don’t do something then nothing will be done” cantaram Just a Band, do Quénia.

http://www.youtube.com/watch?v=43XrFVp-fXY

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Muitas vez sou interpelado tanto por familiares como amigos sobre o porquê que nós os jovens contestatários do status quo angolano não formamos o nosso próprio partido.

“Só sabem reclamar, porquê que não formam partido e concorram às próximas eleições? Organizem-se!”

É comum ouvir este apelo.  Num continente com a nossa história, onde o partido sempre teve um papel importantíssimo no tecido social de cada país, esta ideia tem os seus méritos. Foram as organizações partidárias que ajudaram-nos nas lutas pela independência e foram estes grandes movimentos de massas que tentaram depois construir estas recém-nascidas nações.

Reza a história que infelizmente, e em muitos casos, incluindo o nosso, os partidos ficaram mais interessados na manutenção do poder do que na construção de uma nação. Começou-se a confundir o partido e o estado. No nosso caso, tal distinção é quase impossível. Os partidos tornaram-se hegemónicos e passaram a controlar todas as facetas da vida politica, económica, financeira e até mesmo social.

Como resultado, todas as outras forças da chamada sociedade civil em Angola perderam influência e relevância, revelando hoje uma fraqueza incomum em países democráticos. Na sua maioria, não têm expressão e lhes é vetado o acesso aos órgãos de comunicação social estatal.

Os partidos, por sua vez, já não correspondem às expectativas de todos os cidadãos. Salvo algumas notáveis excepções, os seus integrantes parecem mais interessados em manter as suas carreiras como ‘políticos’ em vez de servidores públicos. O caminho para a aquisição de bens materiais e estabilidade financeira e familiar passa pela politica; exercer politica torna-se uma carreira e os ditos servidores públicos vêm aquilo como uma profissão.

Recentemente um conhecido politico de uma das formações parlamentares da actual oposição afirmou o seguinte, quando confrontado sobre o porquê que deputados têm de andar com BMWs ou Jaguares: “Queriam que um deputado andasse à pé?”, como se as suas únicas opções fossem andar à pé ou de BMW. Esta simples resposta espelha bem a desconexão entre aqueles que foram eleitos para defenderem os interesses do povo, a maioria do qual anda à pé e/ou de candongueiros, e os que sentam-se todos os dias na Assembleia Nacional a fazer não se sabe bem o quê.

Um reflexo de tal atitude é a falta de políticos com ideologias próprias. Tornou-se comum assistirmos políticos a abandonarem partidos após décadas de militância e aparecerem na televisão a falar mal dos mesmos, sempre com a devida projecção massiva nos órgãos de informação estatal.

No partido no poder, os cargos que se dão já não correspondem ao nível de sabedoria do ‘encarregado’.  São muito mais importantes os “corredores” e interesses ocultos. Nota-se, em todas as esferas, uma gritante falta de investimento no homem, e nota-se a prevalência da intriga, onde a prioridade é manutenção do cargo a todo custo. A máquina partidária tornou-se muito grande para o seu próprio bem.

Daí a necessidade de resgatar uma sociedade civil forte. Movimentos realmente espontâneos. Ideias novas, uma forma de pensar diferente. Acções que realmente fazem estremecer o status quo e que façam as pessoas pararem para pensar e reflectir. Acções que mexam com um ‘sistema’ no seu todo.

Sinto que as manifestações e outras formas do exercício da cidadania activa são um exemplo disso no nosso contexto, onde impera a cultura do ‘sim chefe’ e da obediência cega. Se antes os povos de certas áreas de Luanda não ofereciam muita resistência às demolições desumanas dos seus bairros, hoje o povo do Margoso já soube organizar-se e manifestar-se, exercendo assim a sua cidadania. Este tipo de atitude teve um começo.

Não é à toa que vemos o partido no poder em parampas sempre que um grupo de jovens munidos só com cartazes tentam realizar uma manifestação pacífica. Esta reacção ocorre exactamente porque a organização juvenil não era propriamente um partido, não tem propriamente um líder para se corromper, é imprevisível, espontânea e diferente.

Os movimentos juvenis nunca terão a mesma força que uma UNITA ou um MPLA no que toca a mobilização (ou coerção/corrupção?) das camadas mais desfavorecidas e não só ou no que toca a sua força organizacional. Seria ingénuo tentar competir com estes grandes e não é este o necessariamente o nosso trabalho. Como jovens que somos, porque não mudar os moldes da competição em si? Porque não mudar as regras do jogo em vez de enveredar pelo mesmo caminho? Porque não mudar o jogo?

O nosso trabalho deve ser despertar as consciências daqueles que ainda estão mergulhados no sono da ditadura e da quase democracia. O nosso trabalho deve ser suscitar o debate, fazer uso dos nossos direitos, e contribuir para fortalecer a sociedade civil. O nosso trabalho deve ser feito na rua, nos lares, olhos nos olhos de irmão para irmão, e não em salas fechadas em conversas sobre estatutos partidários, lista de deputados e que tipo de carro usar na próxima legislatura.

Se queremos ser os líderes de amanhã, temos que começar por ser o factor da mudança HOJE. E para isso não precisamos de partidos; precisamos de nós mesmos e da vontade da mudança.

-Cláudio C. Silva