Um Regime de Assassinos

Posted: November 25, 2013 in Angola, Argumentos, Corrupção, Denúncia, Direitos, Direitos Humanos, Luanda, Manifestações

wilganga

O que se temia aconteceu, novamente de forma bárbara, sem o mais elementar respeito pela vida humana. Manuel Hilberto Carvalho “Ganga”, dirigente da ala juvenil do partido CASA-CE, foi abatido a tiro quando colava cartazes com o seu grupo, sábado, quando a manifestação programada ainda não tinha saído à rua. Leram bem: QUANDO COLAVA CARTAZES !

Cassule Kamulingue Panfleto CARTAZ CASA-CE

Os cartazes que a PNA considerou motivo de sobra para o cidadão merecer a morte

Não se sabe ainda quantas mais pessoas foram assassinadas pela polícia em outras cidades e vilas pelo país onde se realizaram manifestações pacíficas, assim como quantas centenas de pessoas estão detidas e desaparecidas. Até este momento, a polícia confirma que deteve 292 pessoas. Lembro que a manifestação de sábado, tinha como objectivo repudiar e protestar pelo assassinato por agentes dos Serviços Secretos (SINSE), dos activistas Kamulingue e Cassule, e exigir que TODOS os culpados fossem julgados, e à qual aderiram outros partidos, além de organizações cívicas.

Um desses partidos, o BD-Bloco Democrático, no seu comunicado de 20.Novembro, referia que a sua decisão de se juntar à manifestação, tem como fim «pretender salvaguardar o processo democrático, a pureza das instituições do Estado de Direito, a solidariedade activa com os familiares directos das vítimas e estancar definitivamente o vício dos assassinatos e perseguições políticas.» Leram bem: ESTANCAR DEFINITIVAMENTE O VÍCIO DE MATAR ! No mesmo comunicado, o BD concluía que «atento ao que se tem passado em manifestações anteriores, adverte que o facto do Presidente da República não estar no país, não retira ao mesmo a responsabilidade dos distúrbios, normalmente provocados pelas forças policiais e suas milícias à civil».

Além disso, vários líderes políticos foram interceptados pela polícia e foi-lhes lançado gás lacrimogéneo, como aconteceu a Samakuva ou Abel Chivukuvuku da CASA-CE e também, entre outros, a David Mendes, antigo presidente da Associação Mãos Livres e líder do Partido Popular que se fundiu com o Bloco Democrático, da oposição extraparlamentar e liderado por Justino Pinto de Andrade.

Mas também activistas cívicos sem nenhuma ligação à política foram perseguidos, como por exemplo o advogado da associação ‘Mãos Livres’, Alberto Zola, que foi interceptado pela polícia, espancado publicamente e levado para uma unidade de polícia. Horas depois de ser solto, voltou a ser interceptado por um polícia que dizia “ter ordens superiores para o deter” e levado para as instalações da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) onde, como habitualmente, foi torturado pelos gorilas do regime.

Porém, já se sabe quem foi que executou a sangue frio o jovem Manuel Hilberto Carvalho “Ganga”, que colava cartazes para a manifestação. O crime foi praticado pela Guarda Presidencial de Eduardo dos Santos. Leram bem: GUARDA PRESIDENCIAL Testemunhas revelam também como o seu companheiro “Ganga” foi abatido, desmentindo a versão da polícia. O deputado da CASA-CE, Lionel Gomes, desmentiu os pronunciamentos públicos da Polícia Nacional segundo os quais não deteve nenhum deputado: “A polícia mente muito. Eu estive detido na 9ª Esquadra das 22h00 às 16h17”.

O país acordou em Estado de sitio, este sábado, depois de a Policia através do seu porta-voz Aristófanes dos Santos ter ameaçado impedir qualquer manifestação. Verificou-se também uma acção altamente bélica com helicópteros da Polícia e da Força Aérea no ar, além dos tanques-blindados das FAA e da PIR no solo, com ordens para atirar em tudo o que mexe. Não parece haver dúvidas de que o Governo da ditadura parece que tem saudades da guerra. Tudo isto por causa da anunciada manifestação pacífica ! Hoje percebemos bem o que significavam as ameaças proferidas dias antes pelo MPLA, ao declarar que a manifestação é uma «aventura irresponsável e de consequências imprevisíveis». Aí estão os resultados dessas ameaças, com a invasão a tiros de sedes de partidos, prisões arbitrárias e assassinatos. ESTA É A VELHA MARCA DO REGIME DO MPLA E DE ZÉ KITUMBA DOS SANTOS, há 34 anos consecutivos no poder, um regime protofascista com métodos de terrorismo de Estado, que permanentemente cala a voz do povo com violência.

Para o regime de assassinos chefiado por Zé Kitumba dos Santos, as únicas manifestações autorizadas são aquelas “espontâneas” organizadas pelo MPLA em apoio ao ‘querido líder’, tal como acontece noutros regimes semelhantes. As manifestações organizadas pelos partidos da oposição ou de associações cívicas – cujo direito está consagrado na Constituição angolana -, para reclamar da má governação, protestar contra o roubo, a corrupção e o crime, são na óptica do bárbaro regime para “desestabilizar” e proibidas, “argumento” muito comum entre os antigos e actuais piores ditadores tais como Pinochet no Chile, Ceausescu na Roménia, Thein Sein em Myanmar (antiga Birmânia), Teodoro O. Mbasongo da Guiné Equatorial e muito amigo de Eduardo dos Santos, Sharif Ahmed na Somália, Kim Jong-un da Coreia do Norte e outros.

Uma coisa é certa: este hediondo regime instalado e chefiado por Eduardo dos Santos há 34 anos, deve e tem de ser levado ao Tribunal Penal Internacional, pelos antigos e actuais crimes que tem praticado ao longo dos anos, que inclui o assassinato de mais de 20 jornalistas nas duas últimas décadas.

Por Telmo Vaz Pereira

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