Governantes perversos recriam racismo em Angola

Posted: December 11, 2013 in Argumentos, Direitos, Opinião

Título completo:

Governantes perversos recriam racismo em Angola, enquanto

o silêncio controla a luta pro Descolonização da Lei

Recordar é Viver a servidão

Mario Lunga 02

O fundamento do racismo, é a hierarquização infundada entre as relações multirraciais, tendo como premissa substancial as distorções  socioeconómicas entre elas. Em outros termos, é basicamente uma raça sobrepor economicamente a outra, sem que exista um único fundamento racional para além da coloração da pele dos homens. Isto é, por você ser negro ou mestiço por exemplo, deverá ser subalterno aos brancos na escala onde se concentra o poder, ou como por exemplo figura-se em novelas brasileiras, os negros na condição única de empregados domésticos, motoristas ou criminosos, veiculando nesse último, a ideia estereotipada e racista de que os criminosos  ali, são exclusiva e essencialmente negros e favelados, se justificando para tal, a violência social e a discriminação para com esse grupo específico, conquistando-se assim, a anuência e o voto internacional nas práticas de repúdio aos negros.

Em síntese, o racismo é a determinação da condição económica dos homens a partir da cor da pele, tidas como inferiores ou superiores. É a raça ou se melhor a cor da pele dos homens, o elemento criterioso para se atribuir lugares sociais.

Assim sendo,  a problemática do racismo não repousa na ordem do emocional, onde normalmente o senso comum pretende cuidar o caso como um mero problema  afectivo ou de desafecto entre pessoas de diferentes raças, ou ainda como em alguns países  de gritante racismo, se instiga ou se convida a compreensão do fenómeno, partindo do olhar Marxista que responsabiliza a desigualdade social unicamente á luta de classes económicas , ignorando  o factor  raças nessas sociedades, sendo que nelas, a desigualdade social está atrelada a desigualdade racial. Assim, a condição sine quo non do racismo, é a diminuição ou anulação de direitos e recursos essencialmente económicos,  a um grupo  racial considerado como inferior. Em tese:/ Weederburn Moore / Munanga Kambenguele » Racismo e Sociedade.

Tal como a homossexualidade, a homofobia, o sexismo,  o etnocentrismo, o tribalismo, a igualdade de género, a violência doméstica, o feminismo, a intolerância religiosa, a exploração de menores, etc. que por sua vez consubstanciam-se na mesma discussão da democracia e ou liberdade de expressão e da garantia dos direitos humanos que todos os opositores de Angola buscam, em detrimento da ditadura imposta aos angolanos, normalmente e, por se camuflar sempre a realidade do nosso país, não existe em Angola, a produção de um discurso académico e ou científico que,  discuta também de forma inteligente e aberta, as questões de ordem rácicas, restando para o senso comum sobretudo no exterior, a ideia ingénua e hipócrita de que na nossa terra Angola não existem homossexuais, intolerância religiosa ou no caso concreto, afirmarem que  não existe racismo em Angola, ou ainda  a nível interno ouvir-se  fluentemente que, os negros são os principais racistas do país.

Em todos os casos é apenas mais uma aldrabice dos que ainda preferem raciocinar nesse formato de ideias, perspectivando que  Angola seria talvez melhor segregando-se dos demais grupos que integram e interagem na sociedade.

No entanto, o artigo não pretende argumentar de forma vil e sem nexo quem são os protagonistas ou os mais racistas de Angola, mas provocar alguma reacção contrária a que os  nossos  vaidosos senhores da corte, em função dos seus cegos interesses, têm a nível do convívio profissional e social, determinado e imposto aos angolanos na actual Angola e, de certa forma impulsionar também, a abrangência da discussão ao verdadeiro sentido da democracia (liberdade e igualdade), a medida que não faz sentido algum, ou mesmo chega a ser contraditório os angolanos discutirem liberdade de expressão/direitos humanos, quando aparte à oposição ao MPLA, conservam por outro lado, a opressão e a intolerância com os demais grupos existentes em todas as sociedades efectivamente democráticas, cabendo-nos questionar, se estamos de facto dispostos a mergulhar para a materialização da democracia plena ou se apenas utilizamos a palavra, clamando por ela quando canonizados à política parlamentar, aos partidos políticos, a gestão pública dos recursos, a corrupção e etc., enfim, até onde for a nossa área de interesse e de conforto dialéctico  e social, o que de certa forma patenteia a preocupação e o clamor à democracia, à transparência ou à liberdade, quando nos referimos essencialmente à equitatividade da riqueza ou bens de natureza económica( o núcleo de todos os  problemas, inclusive do racismo que discutimos agora) , razão pela qual, a discussão da melhor distribuição do bem público ou a luta contra a corrupção, são alguns dos pontos sonantes na temática da democracia que se busca em Angola. Apenas para repensarmos.

Os historiadores afirmam, que um povo que não conhece a sua história, está preparado para reviver todo seu passado, por mais cruel que ele seja. É com essa abordagem que  à partida, nos convidamos a observar sem minúcia, pela própria transparência dos factos, o dia a dia do país(Luanda), no que toca a relação poder/cor da pele, (ignoremos raça). Para tal, a pergunta de ordem é Onde está concentrado o poder em Angola? Como sabemos, o poder está claramente concentrado numa única família negra que com a sua anuência, redistribui a toda casta da sua intimidade criminosa, nomeadamente compadres políticos, capangas e agora as magnificas cooperações estratégicas (que pouco têm a haver com a pretensão viciada dos seus crimes), os mesmos haveres, sendo essa última o foco e a razão do presente artigo.

A título de exemplo, é comum ouvirmos de estrangeiros residentes em Angola que, os governantes/empresários angolanos não gostam de trabalhar com os angolanos porque os vêem como burros e incapacitados, mesmo sem se analisar na matriz, a qualidade do investimento que se faz ao homem angolano. É ainda comum vermos os mesmos estrangeiros serem atraídos para Angola com propostas de enriquecimento, bem como é comum vermos e ouvirmos reclamações de funcionários nacionais, enquanto vítimas de discriminação racial por parte de angolanos mestiços ou brancos, bem como principalmente de estrangeiros brancos, comportando na maior parte dos casos, cidadãos de nacionalidade portuguesa. Vale dizer que, nessa terra é também gritante a forma como muitos negros com alguma predisposição rancorosa, violentam verbalmente os mestiços ou brancos sem razão de ser, na mesma proporção ou talvez maior que, vemos aqueles que vivem nos arredores baldios do complexo de inferioridade racial só por serem negros.

A observação assenta nos Outsourcings ou nos contratos de modo geral, estabelecidos entre Angola  e governos de certos países sobretudo europeus que, para além de trazerem para o país a mão de obra qualificada que é necessária ainda, trazem consigo também, o preconceito mais qualificado ainda para discriminarem  racialmente os autóctone de Angola, muitas vezes convidados e autorizados directa ou  indirectamente por angolanos a agirem como apresentado.Esse factor, juntamente a condição de poder e de admiração por parte dos angolanos que encontram apenas em Angola, seja no sector privado como no público, atendem as condições necessárias para oxigenar a procriação e a sustentação do racismo no país. Isto é,  a conjugação de poder e a questão racial conflituosa que é marginalizada. Assim, os nossos senhores do governo, não estando ignorantes da situação, apenas silenciam ou normalizam-na ante esse quadro desestabilizador, razão pela qual não sendo ignorância, só se pode entender como perversidade, para além de estarem vendidos culturalmente com as ilusões de civilizacionismo.

É mais ou menos como se estivessem  de camarote a recordar aos jovens de hoje, a servidão que viveram na época Salazariana, sendo eles dessa vez, a conferirem com autonomia, o poder aos estrangeiros para  também recordarem seus ancestrais em Angola, subalternizando de forma racista o povo, o que faz com que voltemos a questionar-nos: Onde anda a nossa constituição, se até os dias de hoje,  por incrível que pareça,  existem em Angola tratamentos diferenciados  a nível  da cor da pele em certos  estabelecimentos  e lugares sociais?

Na ocasião de se tratar de uma sociedade educada para a mudez, surdez e o olhar silencioso , todo o horror é naturalizado e assimilado como parte de nós.  Sim, é pois essa a grande questão, pois o facto de não tratar-se de uma constituição ou de uma Lei angolana, mas uma cábula, vergonhosa réplica da constituição portuguesa, onde não se prevê a discriminação racial como crime inafiançável por exemplo, ou que acarreta  ao arguido, um dano significativo e talvez irreversível, o nosso dia a dia continua a ser regido e agredido com esse tipo de conduta abusiva,  atrasada e desrespeitosa para a humanidade, tal como se estivéssemos em países mais organizados, onde porém, discriminar a raça outra não é crime.

Com isso, queremos dizer, que há uma urgente necessidade de descolonizar-se radicalmente a Lei vigente, sobe pena de perenemente não prevermos na mesma, circunstâncias concretas da nossa cultura e sociedade e permitirmos assim que, o cidadão comum seja desrespeitado na própria casa, diminuído a luz do silenciamento dos que detendo o poder, não vivendo as mesmas agruras, abandalham o caso.

Por Mário Lunga

Comments
  1. Maria Júlia Monteiro says:

    Achei a análise abstante interessante. embora tenha encontrado algumas passagens discutíveis – mas faz reflectir, penso que era um dos seus objectivos

    • Mário Lunga says:

      Olá Maria Júlia, obrigado pela leitura, é de facto um convite a discussões, não seria um pensamento acabado, todas as contribuições, contradições serão bem vindas para amadurecermos essa temática.Abraços.

  2. Samuel says:

    O artigo nao fala claramente quem pratica o racismo em Angola, e contra quem, e apenas uma discussao abstracta sobre o conceito de racismo e nada diz sobre o caso Angolano. Nao se diz em que aspecto a lei favorece racismo ou em que aspecto precisa de ser descolonizada.

    O fenomeno do Racismo em Angola e eminentemente anti-portugues devido a mitologia da luta de libertacao nacional, anti-mulato que tem a sua expressao em musicas como do Yanik, e tambem xenophobico que tem como exemplo a tentativo de desqualificar o JES sob accusacao de ser Sao Tomese.

    Porem devido a este tendencia de falar tudo no abstrato vivemos o caso que as vitimas do Racismo, os Mulatos, sao eles mesmos apontados como racistas porque o conceito abstrato de Racismo vem dos EUA onde os Brancos discriminava contra os Negros.

  3. Samuel says:

    O artigo nao fala claramente quem pratica o racismo em Angola, e contra quem, e apenas uma discussao abstracta sobre o conceito de racismo e nada diz sobre o caso Angolano. Nao se diz em que aspecto a lei favorece racismo ou em que aspecto precisa de ser descolonizada.

    O fenomeno do Racismo em Angola e eminentemente anti-portugues devido a mitologia da luta de libertacao nacional, anti-mulato que tem a sua expressao em musicas como do Yanik, e tambem xenophobico que tem como exemplo a tentativo de desqualificar o JES sob accusacao de ser Sao Tomese.

    Porem devido a este tendencia de falar tudo no abstrato vivemos o caso que as vitimas do Racismo, os Mulatos, sao eles mesmos apontados como racistas porque o conceito abstrato de Racismo vem dos EUA onde os Brancos discriminava contra os Negros.

    Em Angola podes dizer que a governacao esta, talvez, a promover o tribablismo, porem nao faz sentido dizer que esta a recriar o racismo pois sao pretos a mandarem pretos, e sejamos honestos se hoje um mulato utilizasse o mesmo esquema do JES para se manter no poder iriamos ver o verdadeiro lado racista dos Angolanos que se levantariam contra ele mais do que o fariam se um preto estivesse no poder.

    No que toca o Angolano ser descriminado, com todo respeito este e apenas um cliche pois com a politica de Angolanizacao em curso o numero de Angolanos no sector petrolifero tem aumentado muito. Se acha que o Angolano e discriminado em sua propria terra no que toca no emprego poderia por favor prover numeros que o provem ?

  4. Mário Lunga says:

    Maria Júlia, obrigado pela leitura, espero que de certa forma tenha dispertado em você alguma reflexão. No entanto contribuições, contradições ao artigo, mas do que bem vindas , são necessárias..Pra você, tal como para os demais leitores, agradeço também exporem os seus pontos de vista nessa janela como forma de promover-se alguma discussão no sentido de amadurecermos e nos escalarecermos quanto essa temática que recorrente também no nosso país. Obrigado.

  5. Mario Martinho says:

    Ola Maria Júlia, obrigado pela leitura e espero que tenha lhe dispertado algum interesse pelo tema. No entanto, a ideia é mesmo provocar contribuções, na melhor das hipóteses contradições pelo facto de não se tratar de olhar incorrigível. A você agradeço tal como os demais leitores do artigo. Abraço.

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