Central Angola 7311

Tukayano, o agente do SINSE que nos levou na curva

Em Novembro do ano passado, o Club-k conseguiu um incrível furo com o “leak” de uma informação sigilosa acerca dos desaparecimentos de Cassule e Kamulingue (1 e 2) . Depois de um ano e meio a debater-nos para que os nomes destes pacatos cidadãos e ilustres desconhecidos não caíssem no esquecimento surtiu finalmente efeito e o desfecho das investigações não podia ter sido mais macabro: Cassule morto à pancada e o seu corpo atirado aos jacarés e Kamulingue executado sumariamente com um tiro na cabeça! De deixar nauseado o mais impassível dos seres humanos.

Na narração detalhada do que se tinha passado, o Club-k revela que Cassule tinha sido atraído por um telefonema de alguém que se chamava “Tunga”. Na altura rimo-nos e fomos gozar com o nosso mano Medil Campos que no facebook se chamava Tunga Né, a dizer que afinal era por isso que ele já não aparecia mais e outros gracejos de mau gosto do género.

Uns dias mais tarde, é a vez de William Tonet publicar um artigo com ainda mais detalhes, alguns, como é de seu apanágio, parecendo exagerados demais com contornos de filme hollywoodiano de classe B, cheios de reviravoltas improváveis e pouco lógicas, exagerando o número do espetáculo.

Chegámos a partilhar neste blog esse artigo pois nele se refere que foi encontrado no computador de um dos implicados no assassinato uma lista de alvos à abater que incluía alguns centraleiros e ignorámos totalmente o facto dele citar um Tucayanu como sendo o agente do SINSE que fez a tal chamada (não “Tunga”, mas “Tuka”).

Tendo entre nós um Tukayano, deveríamos se calhar ter ficado com a pulga atrás da orelha, mas os factos narrados eram de tal maneira grotescos que nunca iríamos considerá-lo mais do que uma infeliz coincidência. Ledo engano.

No dia 1 de Março o F8 traz como estampa na sua primeira página: PGR SOLTA UM DOS ASSASSINOS DE KAMULINGUE E CASSULE. Trata-se do tal agente Benilson Bravo da Silva, nome de código “Tucayanu”. A cara colada noutro corpo numa daquelas montagens algo toscas é a do nosso parceiro e amigalhaço a quem chamávamos Tukayano Rosalino, crendo ser este o seu nome verdadeiro.

Incrédulos e apanhados totalmente desprevenidos a nossa primeira reação foi: “O William enganou-se, está a fazer confusão, certamente que se precipitou porque ele conhecia o nosso Tuka então ao ouvir que é agente Tucayanu deduziu que era ele e pegou uma foto dele qualquer e atirou só assim.”

Começou assim a missão “limpar o nome do mano Tuka”.

O Pedrowski Teca teve a amabilidade de nos enviar a edição online do F8 pelo email e lendo a matéria toda encontrámos típicos Willianismos que nos faziam crer mais ardentemente na hipótese da confusão de identidades e começámos a dedicar-nos à tarefa de o provar.

De todas as diligências, a que nos deu mais esperança foi quando falámos com a mulher e lhe perguntámos pelo nome completo do marido. Ela respondeu meio gaguejante: “Tukayano Benin”. “Ó? E então o Rosalino?”. “É o segundo nome dele, Tukayano Rosalino Benin” corrigiu, meio atrapalhada. Não estranhámos. Sentimo-nos esperançosos que estaríamos a andar no bom sentido, apesar de termos achado o nome Benin extremamente parecido com o nome Benilson, mais uma coincidência a somar à todas que já empilhávamos. Exibimos-lhe a cópia do F8 e ela pareceu perder as forças, garantindo que não podia ser, porque o marido não tinha sido preso e estaria a trabalhar na plataforma, que ela própria o tinha deixado no aeroporto na sexta-feira anterior à nossa conversa (isto foi na terça-feira de Carnaval).

Perguntámos em que empresa ele trabalhava e ela não sabia dizer, só que era na Base Sonils, em que plataforma ele estava e não sabia dizer, só que era no Soyo, como fazia para contactar, que só ele o poderia fazer quando estivesse na base do Kwenda o que acontecia duas vezes por semana, que nos arranjasse uma cópia do BI dele para provarmos que o nome dele não tinha nada a ver com o anunciado no F8 e garantiu-nos que no dia seguinte o faria porque não tinha ali os documentos uma vez que estavam apenas a acabar de se mudar. Deixamos-lhe 3 números de telefone e rogámos para que ela nos ligasse assim que tivesse o dito BI e, se recebesse chamada do marido, lhe dissesse o que estaria a passar-se e para ele nos contactar imediatamente.

A verdade é que o dia seguinte inteiro se passou sem que a Lídia, ou pelo menos assim disse chamar-se, tivesse sentido a urgência de contactar os amigos que queriam ajudar a ilibar o seu marido de tão nefasta ocorrência.

Pela urgência do assunto, voltámos lá para tentar encontrá-la, não fosse ela ter perdido o papelinho com os números e não saber como nos contactar. A hora já ia avançada (21h40) e nós subimos com esperança dessa ser a explicação. Batemos a porta ligeiramente. A primeira sem resposta, a segunda com uma moça a responder-nos por detrás da porta num tom de urso acordado em época de hibernação: “mas quem é a esta hora?” . Apresentámo-nos. “Já estivemos aqui ontem para falar consigo…”. “Aqui não mora nenhuma Lídia; Aqui não mora nenhum Tuchinho”. Congelámos! Daí a moça ameaçou que ia chamar a polícia e nós deixámos de a importunar.

No dia anterior, um primo do Tuka que funciona na UPIP tinha-nos garantido que tinha o tinha avistado e cumprimentado um dia antes (segunda-feira), o que era incompatível com a história do “levei-o ao aeroporto na sexta-feira”.

Sem cópia do BI, sem sabermos a plataforma onde estava (já tinhamos arranjado maneira de chegar até ele, só faltava o nome da plataforma), os números de telefone verificados na UNITEL e desligados há meses, a notícia tendo saído no dia 1 de Março, a família já tendo conhecimento e ninguém reagir, começámos a render-nos às evidências, perdendo as esperanças, pois, nem que estivesse num programa espacial da NASA em Marte, o Tukayano já haveria de ter sabido da sua imagem a ser usada indevidamente e associada a um crime de extrema gravidade e já teria contactado alguém para desmentir e teria chegado até nós. Se não o estava a fazer é porque tinha culpa no cartório e todas estas “coincidências” narradas pela mulher para explicar a longa ausência do marido, provavam o axioma que se parece demasiado conveniente para ser coincidência, provavelmente é porque o é. Eram coincidências a mais e factos a menos. Chega um momento em que temos de baixar a guarda e render-nos às evidências.

O golpe de graça foi dado quando o José Gama, usando de suas fontes nos confirmou que a imagem do Jornal correspondiam a de um agente do SINSE que vive no Alvalade e que é conhecido pelo nome de Tuchinho. Tudo se encaixa, o que não pertence se separa, água para baixo e azeite para cima… o Tuka era mesmo o Benilson Bravo da Silva, nosso companheiro durante quase 3 anos, grande amigo, hiper-divertido, sempre disponível, um ser humano comum com as suas bravuras e covardias, não um “assassino 5 estrelas de sangue-frio e calculista que já matou empresários e algoz de Mfulupinga Landu Víctor”. Eis um dos Willianismos que pôs em causa a seriedade do artigo e que nos deu esperanças de ser uma confusão.

Logo a seguir, detetámos a presença do Tukayano na nossa sala privada de ativistas, da qual sempre fez parte, mas na qual tinha deixado de interagir há meses. Discutíamos maneiras de conseguir chegar à fala de viva voz com o próprio quando damos conta que ele está a ler as mensagens, sem nunca responder, mesmo vendo a nossa aflição. Foi o fim.

Acho que nos resta, num gesto de fairplay depois da goleada, parabenizar o Benilson por nos ter iludido tão bem a todos, por ter conseguido levar à bom termo a missão que lhe foi incumbida, de ganhar a nossa confiança, de participar nos nossos espaços reservados, de se emocionar, de ser companheiro de todos os momentos, mas também aos seus patrões do SINSE porque afinal também conseguem dar uma formação de alto nível aos seus quadros.

Gostaríamos de lembrar que no decorrer da sua espinhosa missão, o agente Tucayanu apanhou ferros do Godzila, narrou em pormenor minucioso ao ponto de ser difícil imaginar que seja fantasia uma porrada que terá apanhado em companhia do jovem Mário no dia 3 de Dezembro de 2012, assinou cartas para o GPL e apareceu em vídeos (ver aos 5:16 e digam-nos que não é convincente. Assustadoramente, hoje parece que aquelas palavras eram dirigidas aos presentes na sala e não ao regime sanguinolento do MPLA) nos quais mostramos a tortura a que somos submetidos. O que ele não se deve ter divertido.

Mas agora vamos nós divertir-nos e fazer com que ele desejasse não ter sido solto, pois escória desta estirpe que é cúmplice de homicídios de concidadãos, se lhes é devolvida a liberdade, merecem viver com medo eterno de aparecer alguém vingativo para lhes fatigar. Por isso, vamos tratar de divulgar a imagem deste traste por todos os meios que nos forem possíveis e revelar também a sua morada para que ele possa sentir o desconforto de estar exposto e vulnerável.