Manuel de Victória Pereira barbaramente agredido

Posted: May 28, 2014 in Denúncia, Direitos, Direitos Humanos, Manifestações, Notícias

O texto abaixo foi redigido pelo próprio e narra pormenorizadamente os ataques selváticos aos quais este dirigente do BD/sindicalista e outros cidadãos foram sujeitos. Estamos simplesmente estarrecidos com esta ideia de “lição” a aplicar a quem não se resigne ao seu aparente poder, de um regime decrépito que nem um mais-velho, quase sexagenário, consegue respeitar.

Revoltante, repugnante, inqualificável, este tipo de comportamento só está a agravar a situação que irão enfrentar quando o tapete desaparecer debaixo dos vossos pés!

Manuel VP 02 Manuel VP 01 Manuel VP 04Manuel VP 03

“São aproximadamente 14-30.

Entro no cercado do que julgo chamar-se “Parque da Independência”, onde se têm feito feiras do livro e lançamento de discos. Um porteiro sentado faz-me recuar dizendo que o preço da entrada são 50 kwanzas. Pago e vou sentar-me na esplanada, a uma das mesas, sozinho.

Distraído com o telemóvel, tentando escrever uma sms, sou interrompido e vejo-me cercado por vários polícias que me convidam a ir falar com o chefe. Insisto na pergunta do porquê da situação e intimam-me a obedecer.

Saio do parque acusado de ter reunido com mais alguém e sou obrigado a entrar num carro celular.

Sou levado com mais um cidadão que diz ser Serafim Kapembe Lorenço Simeão e dirigente juvenil da CASA-CE. Reclamava de não ter feito nada e começou a ser batido. Começámos a levar pancada ali.

Parando a viatura num local que penso ser uma instalação da PIR foram-nos retiradas as camisas, que os nossos agressores nos embrulharam nas cabeças, à laia de turbante, mas tapando a visão.

Fomos empurrados para dentro de um camião debaixo de cacetada com bastões eléctricos.

No camião e sem a venda demos encontro com um grupo maior de jovens, onde reconheci Manuel Nito Alves, que me acode dizendo “não batam no doutor”. Ali fui ainda mais surrado e até pisado.

Mesmo sendo obrigado a ficar deitado de cara para baixo ouvia os gritos, pancadas e estalidos dos intrumentos de tortura, principalmente ao jovem que implorava por água.

Na primeira e na segunda viatura, fui mimoseado por nomes como “branco”, filho da puta, estrangeiro e laton barbudo, no tom mais odioso que se pode imaginar. E foi ainda como “branco” que fui chamado pela última vez e obrigado calçar-me à pressa e a pular do camião. Não sabia onde estava nem se já estava livre. No chão, fui fotografado por agentes da PIR e homens à civil.

Levei algum tempo a perceber que não ia entrar numa prisão, mas sim estava abandonado num lugar talvez distante. Perguntei a pessoas que me disseram ser Viana e qual o sentido do táxi de regresso.

Fui ver mais tarde os meus pertences na pasta de trabalho que trazia. Parecia não faltar nada, mas encontrei o passaporte do Serafim Simeão, cujo destino ainda é incerto e que anseio estar livre, depois do que já sofreu.

Constou-me que os outros foram largados em Cassualala.”

Comments
  1. octaviano correia says:

    Mas afinal em que é que querem transformar Angola? Quem são e a mando de quem estas bestas que se fazem passar por polícias ou que se calhar até são pagos pelo erário público para nos defender, se transformam em animais selvagens agredindo cidadãos que nada mais fizeram do que pensar de maneira diferente num país que se diz e deveria ser, do topo ao mais simples cidadão, democrático? Quem ordena semelhantes actos? Certamente que não vem das cúpulas, nem quero pensar nisso e muito menos deveria escrevê-lo por tão ignominioso se mostra.
    É bom que se castigue exemplarmente os responsáveis e se diga, sem rodeios, onde se encontram os cidadão detidos sob risco de se levantarem vozes e depois das vozes actos que coloquem em perigo a democracia, a paz e a concórdia que tem de reinar entre todo o POVO. Corre-se o risco de a revolta começar a tomar proporções incontroláveis. É bom que os responsáveis sejam detidos e que, sem subterfúgios, nem escamoteações da verdade, sejam denunciados publicamente e revelada a intenção da detenção e agressão. Não é disto que Angola precisa para progredir. Gente desta, obedeça a quem obedecer, tem de ser condenado sem contemplações. Os direitos de qualquer cidadão passam, antes de mais, pelo respeito às suas ideias, às suas opções. ASSIM NÃO VAMOS A LADO ALGUM A NÃO SER A CAMINHO DA REVOLTA E DO CAOS.

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